Teologizando III

Teologia dinâmica

Por Luiz C Leite

Aristóteles teria dito que “o homem é um animal político”, uma vez que não consegue viver senão na “polis”, ou seja, em sociedade. Vivendo na “polis” ele não poderá escapar das implicações decorrentes da organização social em que se acha inserido. A Polis é sempre um caldeirão de idéias, emoções, pensamentos em ebulição.

Assim como é essencialmente um ser político, o homem é também intrinsecamente filosófico. Não importa onde esteja, ou qual seja o seu grau de instrução, o homem pensará filosoficamente. Buscará entender a razão das coisas, experimentará angústias existenciais agudas quando não conseguir entender porquê as coisas são da forma que são. Fará filosofia para explicar o mundo ao seu redor. Filosofará.

Como em todo processo filosófico, num momento ou noutro o pensante irá esbarrar na questão da origem primeira e realidade ultima das coisas. A partir do momento que o grande Tema vir à baila o animal político, ser pensante, passa também a fazer teologia.

A princípio gostaria de esclarecer que não sou um teólogo e nem tenho a pretensão de ser lido como se o fosse. Como todos os homens entretanto, filosofo, e também penso teologicamente. Teologizo, e por conseqüência obvia, de certa forma, como todos os homens, faço teologia.

A Teologia, enquanto ciência, status que alguns teimam reivindicar, é uma entidade dinâmica, portanto por natureza avessa à inércia. Está em constante movimento. Alguém em certo lugar já disse que “teologia se escreve a lápis”, querendo com isto dizer que nem todas as nossas conclusões tantas vezes tão presunçosas são Escritura Sagrada, ainda que usemos da mesma para justificá-las.

As nossas “verdades”, especialmente aquelas de ordem teológica, nos separam formidavelmente e nos põem a lavrar em campos opostos; Estas tem sido em muitas ocasiões, responsáveis por precipitar homens, clãs e paises inteiros no pântano desesperador das guerras religiosas.

Ainda que seja necessário nos posicionarmos por nossas convicções, caso contrário seriam engolidas por outras tendências, cuidemos para separar a forma da essência. O que é essência permanecerá, a forma, entretanto, como todos os outros artigos produzidos pelos modismos de cada geração, passarão…

Como creremos daqui a 200 anos? Em que creremos então? E daqui a 500 ou 700 anos? É bem certo dizermos que nossos descendentes daqui a 200 anos terão convicções bastante diferentes daquelas que hoje cultivamos. É ainda mais que certo que nos julgarão como retrógrados e ingênuos, e que nós os classificaríamos como carnais e desviados!!

Extraído do Livro “Teologia se escreve a lápis” de Luiz C Leite

2 comentários sobre “Teologizando III

  1. Como creremos daqui a 200 anos? Em que creremos então? E daqui a 500 ou 700 anos? É bem certo dizermos que nossos descendentes daqui a 200 anos terão convicções bastante diferentes daquelas que hoje cultivamos. É ainda mais que certo que nos julgarão como retrógrados e ingênuos, e que nós os classificaríamos como carnais e desviados!!
    Penso nisso. Falei outro dia a um amigo q’eu gostaria de viver mais 200 anos, e ter comigo o convívio de alguns escatologistas renomados de nosso século…seria extremamente interessante vê-los admitindo que nada será como antes o amanhã.

  2. luiz leite disse:

    ótimo!!! nada será como antes o amanhã… levou-me ao passado da boa música.

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