E por se multiplicar a iniquidade…

E por se multiplicar a iniquidade

Por Luiz Leite

Jesus afirmou que no fim dos tempos a iniquidade se multiplicaria tanto a ponto de causar um efeito inusitado, ocasionando o esfriamento do amor. A relação que ele faz entre uma coisa e outra é direta. Infere que os termos são auto-excludentes; A presença de um não admite a existência do outro. Ou o amor extingue a iniquidade, ou essa esfria aquele.

A iniquidade, do grego anomia, situa-se no extremo oposto do amor. É obvio que Jesus não se refere ao amor Eros que tem sua cotação em alta constante na bolsa de valores da devassidão. O amor do qual fala no texto grego é aquela versão mais alta e depurada de um conceito que tem sido constantemente deturpado e mal compreendido.

O substantivo “iniquidade” é um termo revestido de roupagem sombria e desestabilizante. O iníquo é aquele que intenta contra as regras estabelecidas e não se submete à Lei, quer de homens, quer de Deus. A lei dos homens pode ser burlada sem qualquer problema. A Lei com “L” maiúsculo, entretanto, precisa ser destruída.

“A verdade é que o mistério da iniquidade já está em ação, restando apenas que seja afastado aquele que agora o detém. ” (II Tess 2.7) O que o apóstolo está dizendo é que o processo já teve início há muito. O cenário está sendo preparado para o advento do “homem da iniquidade” (II Tess 2.3).

Assustou-se a nação inteira com a decisão do STF, o “guardião da constituição federal”. A sutileza da antinomia instalou-se por lá de modo completo através dos seus dez apóstolos presentes na sessão da quinta feira, dia 05/05/2011 que votaram por unanimidade a favor do reconhecimento da união estável de indivíduos homossexuais. Devem desfrutar dos mesmos direitos da união de um casal heterossexual, ou seja, recebem status de família, ainda que tecnicamente esbarrem no conceito constitucional que caracteriza o que vem a ser uma família.

O Supremo Tribunal Federal, que é um orgão do poder judiciário, não está fazendo lei, pois tal coisa não lhe compete. Entretanto, ao tomar tal decisão praticamente pressiona o legislativo a que se apresse e resolva logo a questão a favor da iniquidade aprovando a lei que respalda a abominação homoafetiva. Os defensores dos valores da família ficam assim, teoricamente, desamparados.  Se a Suprema Corte do país já se posicionou favorável à essa semvergonhice, a quem se poderia recorrer? Não seria de todo surpreendente vê-los numa das paradas do orgulho gay envergando as cores da classe, uma vez que alistam-se com este ato às fileiras do GLS.

O Eterno pronunciou-se acerca dos tais:

“… Por isso Deus os abandonou as paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural (…) E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém; Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.” (Rm 1)

 O Deus da Bíblia não é homofóbico. Condena, entretanto, a sodomia, veementente. “Com homem não te deitarás como se fosse mulher. É abominação.” (Lv 18.22) Do mesmo modo, o Senhor ama o ladrão mas abomina o roubo… Os juízes do Supremo Tribunal consentem com a anomia quando deviam repudiá-la como defensores da lei e dos valores que entre outras coisas orientam e dão sustentação à família. Serão julgados por isso. Chegará o dia em que estarão no banco dos réus!

 

Uma vela pra Deus e outra pro diabo

 

 

 

 

 

 

 

Uma vela pra Deus e outra pro Diabo

Por Luiz Leite

Ainda que de certo modo desconsiderada pelos grandes atores da política nacional, a religião deixa de ser simples peão no tabuleiro da disputa eleitoral e assume status de peça importante em tempos de campanha. Um deslize por parte de um candidato descuidado na abordagem de temas sensíveis pode colocar uma eleição a perder. É famosa a campanha perdida por Fernando Henrique Cardoso pela prefeitura da cidade de São Paulo quando, em debate, vacilou em responder à pergunta se cria em Deus. Dizem os especialistas que foi nesse ponto exato que o placar virou em favor do falecido Jânio Quadros.

Políticos, salvo raríssimas excessões, têm a capacidade de se transformarem, como camaleões, ajustando-se manhosamente aos ambientes de diversidade complexa. Em época de campanha é comum ver certos candidatos acenderem, literalmente, “uma vela pra deus e outra pro diabo” ao participarem de cerimônias religiosas cujas doutrinas divergem inteiramente umas das outras. Ora estão entre os representantes de uma comunidade judaica, ora num culto evangélico pentecostal, ora no santuário católico de Aparecida, ora lavando juntos com  sacerdotes do candomblé as escadarias da igreja do Bonfim…

Sua aparição em um culto religioso, todavia, não é suficiente para convencer os religiosos de que este ou aquele candidato é simpático à sua causa. Os fiéis encontram-se cada dia mais envolvidos no processo democrático e fazem questão de saber onde realmente se posicionam os postulantes. No caso do universo cristão, seja católico ou protestante, o sinal já foi enviado: cuidado! temos o poder de mudar o rumo das coisas. Ainda que destoem num ou noutro ponto de doutrina, católicos e protestantes aglutinam-se e defendem em uníssono opinião semelhante em torno de temas como aborto, pena de morte, homossexualismo entre outros. Devido ao poder de influência e mobilização de milhões de fiéis, a grande mídia nessas ocasiões se vê obrigada a ouvir as lideranças cristãs e dedicar espaço especial à opinião das mesmas em suas publicações.

As revistas Carta Capital, Época e Veja trouxeram, simultaneamente, como matéria de capa em uma  edição de outubro, o tema sempre polêmico do aborto. Praticado clandestinamente em clínicas dirigidas por profissionais de probidade duvidosa, o aborto ganha relevância no debate democrático com poder de influenciar os resultados das urnas. Os candidatos esforçam-se para não desagradar o eleitorado, elaborando discursos de interpretação dúbia, na tentativa de hipnotizar e confundir os reais, mas lamentavelmente desinformados detentores do poder de decisão do pleito.

Sinceramente fico curioso ao ver ícones da cena evangélica emprestando sua voz e poder de influência a candidatos que nada tem a ver com sua confissão de fé. Por que setores do pentecostalismo como a ala da Assembléia de Deus, dirigida pelo Bispo Manoel Ferreira faz campanha para a candidata do PT? Por que o jovem cantor de grande sucesso no meio gospel, fez campanha e emprestou sua bela e ungida voz ao candidato (ativista gay) ao governo de Minas? Por que o grande e influente telepregador retira seu apoio a uma candidata respeitada e reconhecida como cristã e migra para o ninho do tucanato? Será que é apenas a expressão sincera de suas convicções políticas? Bom seria que fosse. Gostaria que fosse. Será que também não estamos acendendo duas velas??  Os três citados, todavia, não estão desacompanhados. O vídeo a seguir revela alguns outros.