HABEMOS HEROS

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Por Luiz Leite

Um país precisa de heróis. Aqueles ícones da historiografia que arrebatam, fascinam e inspiram… Com exceção dos heróis domésticos, nossos pais e mães, o Brasil é um país pobre em termos de heróis. Nossa história até que tentou produzir alguns aqui e ali, mas sem sucesso. A República, que nasceu às pressas, sem bandeira, sem hino – para nossa vergonha cantaram a Marselhesa, quando de sua proclamação! – e também sem herói, teve que chamar às pressas o pobre alferes mineiro Joaquim José da Silva Xavier, vulgo Tiradentes, do seu silêncio sepulcral, para servir ao novo regime como figura central no projeto republicano de unificar o grande e disperso país.

Tentaram nos convencer do heroísmo de Tiradentes, da bravura de Caxias, da ousadia de Dumont, mas apesar dos esforços dos artífices da nação, permanecemos sem heróis de fato! A futilidade de muitos dá mais projeção aos astros do futebol do que àqueles que se entregam à causas de maior relevância na construção da nação. Em palestra dia desses em Santiago do Chile, compartilhei com os presentes sobre o desconforto que sinto quando, ao dizer no exterior que sou do Brasil, vejo as pessoas relacionarem meu país ao futebol! Para nossa felicidade, entretanto, parece-nos que finalmente teremos um herói de verdade, alguém que deixará uma marca na história de que não se poderá esquecer facilmente, alguém de quem poderemos finalmente nos orgulhar!

Não é necessário dizer: “Guarde bem esse nome!” Sergio Moro não vai entrar para a história. Já entrou! E, não sei se melhor, ou pior, já virou mito, uma espécie de semi-divindade que vem conquistando a simpatia – e voto! – de milhões de brasileiros revoltados com a propinocracia que se instalou na vida pública como metástase! O cancro que já ia carcomendo tudo com uma voracidade assustadora deparou-se com um potente opositor!

O nome Sergio Moro tornou-se uma poderosa franquia cujo valor, talvez nem ele mesmo possa estimar. Estará grudado em nossa memória por muitos e muitos anos e, ainda que se diga que o brasileiro tenha memória curta, neste caso o mantra deve colarO jovem e destemido juiz da “instância agrícola de Curitiba”, assim pejorativamente designada pela defesa de Lula, será lembrado por muitos anos. Moro não é apenas destemido. É temido também. Está armado e é perigoso. Armado de provas fartas contra os desmandos de inúmeros políticos, empreiteiros, lobistas, doleiros, marqueteiros, e demais sanguessugas que há muitos anos, num conluio diabólico, vinham surrupiando verbas públicas.

Os programas sociais do governo populista que aparelhou e arrasou a economia do Brasil nos últimos anos, não passavam de um truque de ilusionismo… Encantou muita gente mundo a fora! Tanto os de lá – mormente a esquerda deslumbrada, é claro! – como os incautos do lado de cá, batiam palmas e conferiam ao mago ilusionista  e mentiroso confesso, diplomas de Doutor Honoris Causa, sem jamais desconfiar que, como faz o Cão, o Tinhoso, o Coisa ruim, dava com a colher e tirava com a concha.

Cabe ainda a metáfora que envolve o traficante e a população das áreas carentes espalhadas, para o nosso maior constrangimento, por todas as grandes cidades brasileiras. O traficante distribui favores à população e a população responde ao favorecimento ilícito, providenciando suporte ao traficante. Sim, era mais ou menos por aí que funcionava a política no Brasil. Sentíamo-nos (a maior parte da população) roubados, lesados, ludibriados, defenestrados, no mais lato dos sentidos. Estávamos angustiados, aflitos, governados por quadrilheiros de fato…

Em meio à tão grande desespero, – como estávamos angustiados! – para a nossa alegria, eis que surge, no meio do caminho, uma pedra! Bom, a partir daqui, já não é necessário dizer mais nada! Habemos heros! Temos um herói! Sem dúvida, a partir daqui, sem medo de incorrer  em um rasgo de empolgação otimista, a nossa história passa a ser reescrita. Possivelmente como a.M e d.M.! Obrigado Paraná! Obrigado Curitiba!