Um país sem vergonha!

vergonha do senado

Por Luiz Leite

Quando Charles De Gaulle, presidente da França, disse, em meados dos anos 60, que o Brasil não era um país sério, notas de protesto ressentido se fizeram ouvir por todos os cantos da nação. Enraivecidos, milhões reagiram à observação do francês como se este tivesse chamado sua mãe de mulher de vida fácil. Décadas depois outro francês, Gerome Valcke, secretário geral da FIFA, acirraria os ânimos dos fervorosos patriotas ao dizer, com as obras atrasadas no meio dos preparos para o grande fiasco da copa de 2014 (naturalmente para dar tempo de superfaturá-las ainda mais), que precisávamos de um belo“chute na bunda” para as coisas saírem no tempo apontado.

Se fôssemos mais honestos receberíamos críticas com mais humildade e reflexão mas, como é comum à natureza humana, preferimos naufragar com a bajulação a ser salvos pela crítica. Com todo o respeito aos cidadãos de bem, àqueles que compõem a verdadeira reserva moral da nação, o Brasil talvez não seja uma República das Bananas, considerando o tamanho respeitável de sua economia, mas sem dúvida é um país de bananas! Temos sido roubados descaradamente por um bando de quadrilheiros que se instalaram no poder e toleramos passivamente que esses velhacos descarados ainda nos governem!

Estamos em maus lençóis! Não podemos confiar em uma palavra que dizem esses senhores com seu discurso pronto sobre ética e transparência na gestão da coisa pública. É de causar náusea ouvi-los! Ninguém assume nada. Todos são vítimas de uma conspiração para derrubá-los… Posam de santos, mártires, imaculados como a virgem! Vimos o presidente da república, Michel Temer, pela segunda vez, comprar sua sentença, coisa comum neste país, através de manobra política que envolveu distribuição de dezenas de cargos de confiança. Na mesma semana vimos o Senado Federal, passar a mão na cabeça do senador Aécio Neves, que só não foi preso ainda por causa da imunidade parlamentar. Confirma-se, mais uma vez, ser o senado, com parcas exceções, um covil de ladrões advogando em causa própria. Dos 44 parlamentares que votaram a favor de Aécio, 28 respondem a ações penais ou inquéritos, segundo o jornal O Globo.

Manobras descaradas realizadas por partidos qualificados pelo ministério público federal como organizações criminosas seguem acontecendo no congresso nacional. Quase nada ali reflete os anseios da nação que, a cada dia vê aumentar a agonia… Uma pergunta é comum a todos: Até quando? Vê-se avolumar o coro pelo inconcebível: intervenção militar. Ninguém dentro do Estado democrático de Direito desejaria tal coisa! Mas o clamor que aumenta revela os níveis do desespero de um povo que está cansado de ser achincalhado. Em palestra recente, para aumentar a indignação, o procurador da República Deltan Dallagnol disse que as malas de dinheiro continuam correndo por aí, à despeito da operação lava-jato. O Brasil mata os seus filhos de constrangimento, vergonha e raiva… O recurso dos desesperados nunca é a melhor opção, mas, às vezes, costuma ser a única! Que país é esse? Este é o país que construímos, eu, tu, ele, nós, vós, eles…

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Pobreza, Messianismo Político e Caos

Qualquer pessoa poderia, a julgar por alguns dos meus artigos, chegar à conclusão rápida, de que sou um homem de Direita. Não me sinto confortável com o estereótipo. Mas, se “de Direita” significa a favor da família em seu modelo tradicional e contra o “casamento homossexual”, a favor da orientação pedagógica heterossexual e contra a ideologia de gênero, a favor de um Estado leve e contra o gigantismo estatal, a favor do mérito e contra o paternalismo (ou fisiologismo), a favor da educação e contra a truculência, a favor da liberdade de expressão e contra o amordaçamento dos contrários, a favor da liberdade de credo e contra o cerceamento desta mesma liberdade, a favor do Estado de direito e contra o aparelhamento do Estado por parte de tirenetes oportunistas, então não me incomodaria tanto com o rótulo.

Fato é que sou um homem que já não se acende nem se acirra com as cores e paixões ideológicas. Polarizei política e ideologicamente nos anos verdes da primeira juventude. Quem não o fez? Se você foi um jovem nos anos 80 e usou uma camiseta com a cara do “Che”, saberá do que estou falando. Não diria que os jovens, que à época diziam-se politizados, eram ignorantes. Eram simplesmente ingênuos. Pois hoje não tenho agremiação política. Todas faliram. O esvaziamento ideológico é uma característica marcante do homem pós-moderno mas esse estereótipo tampouco me definiria. O meu caso não se trata de efeito da pós modernidade, ou da modernidade líquida de Zigmunt Bauman. Foi Ortega y Gasset que chamou minha atenção para o desencanto com as paixões ideológicas. Meu encontro com Ortega y Gasset deu-se quando perambulava pelas ruas de Roma em 1993. Em uma frase grafitada em um velho muro da velha cidade o pensador dizia: “Defirnirse di destra, de sinistra, de centro, equivale a autodefinirse imbecille.”

Não faço, com isso, qualquer esforço para defender-me de um enquadramento ideológico. Quem já discutiu política comigo certamente me ouviu atacar a direita com pesadas críticas. Repito, como um mantra, que a elite (política e econômica) brasileira é burra! “Peraí – diria o leitor mais atento -, você estava falando da Direita política e agora está falando da elite… Intercambiando assim os termos você está dizendo que uma e outra coisa são a mesma coisa?” Sim, isto mesmo. A Direta sempre cuidou dos interesses da elite e a elite sempre cuidou dos interesses da Direita. Até aí não há nada de errado. O problema é que a Direita, cuidando dos interesses do capital, nunca lançou um olhar mais cuidadoso sobre o imenso contingente de pobres deste país, nunca teve uma agenda social que atingisse com contundência a perversidade da distribuição de renda no Brasil. E o pobre, mesmo analfabeto, se ressentia.

O ressentimento não era infundado. A casa grande sempre tratou com descaso a senzala. Todos os nossos governantes antes do desastre do lulopetismo, eram egressos da casa grande, das famílias mais abastadas ou das oligarquias políticas dos coronéis da velha escola. Falando em escola, os pobres, sempre escolados na escola da fome, da privação, aguardavam avidamente por alguém que lhes transmitisse o mínimo de consideração, que prometesse e cumprisse as promessas mais singelas e básicas, que lhes ajudasse, mesmo que minimamente, a romperem com a barreira da pobreza na qual se achavam encerrados por gerações, e desse aos seus filhos condições para que não viessem a perpetuar a história de humilhação a que se viram submetidos seus antepassados…

Pois o dia chegou em que um personagem, preenchendo todos os requisitos do messias das classes oprimidas surgiu no cenário e no horizonte da esperança das massas menos favorecidas. Este pequeno roteiro é como uma receita de bolo. É neste mesmo contexto sócio-econômico que se deu a guinada e ascensão de todos os líderes populistas, desde Antonio Conselheiro a Villa, de Lenin a Pol Pot, de Franco a Mussolini, de Castro a Chaves… A lista é grande. O Petismo simplesmente seguiu a receita. Nos dias de seu surgimento, Capitalismo e Comunismo ainda digladiavam-se numa luta encarniçada que havia resultado em revoluções e mortes em por todo o mundo. O Comunismo, que como vimos nos últimos anos, dividiu a sociedade brasileira em vários aspectos, naqueles dias pregava com muito mais vigor a luta de classes, conceito marxista que aponta a tensão e o conflito entre as classes como inevitável e necessário. Em seu delírio, o conflito de classes só termina quando houver uma só classe. Desse modo, nivelam a todos por baixo, reduzindo todos à pobreza. Só assim o Estado pode se apoderar de todos os meios de produção. Na mente comunista, em sua pretensão mirabolante, deve prevalecer apenas uma orientação para conduzir o Estado, que é aquela que procede da cartilha de Marx. Todas as demais devem ser banidas. A ilusão da ditadura do proletariado estava para concretizar-se e o Petismo encontrava-se muito bem posicionado para fazer o melhor uso da oportunidade. Trazia no discurso o vocabulário democrático, mas seus ideais eram outros.

É curioso (e também vergonhoso) ouvir parlamentares comunistas se utilizarem do conceito Democracia e Estado de Direito em sua melopéia no Congresso Nacional (Câmara e Senado). Vimos no último congresso do Foro de São Paulo, em Manágua, na Nicarágua, para nossa vergonha e constrangimento a Senadora Gleisi Hoffmann, que frequentemente recorre aos termos Democracia e Estado de Direito em seus sofríveis pronunciamentos na tribuna do Senado, louvar a ditadura Castrista, e comunicar total apoio do PT ao governo truculento e anti-democrático de Maduro, na Venezuela. Diz a presidente do Partido: “O PT manifesta seu apoio e solidariedade ao governo do PSUV, seus aliados e ao presidente Nicolás Maduro frente à violenta ofensiva da direita contra o governo da Venezuela e condenamos o recente ataque terrorista contra a Corte Suprema. Temos a expectativa que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica”. Como tal pessoa e tal partido podem falar de Democracia? Em seu ideal comunista não há lugar para opiniões diferentes e divergentes. Como ousam falar em Estado de Direito? Sabemos bem o que aconteceu com a oposição em todos os regimes onde o Comunismo se instaurou!

O discurso esquerdopata que, seguindo o Manifesto Comunista promete a extinção da desigualdade, soa como música aos ouvidos dos pobres. O PT soube, como ninguém, vender sua utopia e explorar o poder de voto deste batalhão de desfavorecidos ávidos por inclusão. Conquistaram milhões dando-lhes aquilo que mais ansiavam. E o que pediam? Ora, não muito. Tanto que, com tão pouco, estavam contentes. Queriam comer frango, tomar refrigerante, comprar um carro, mesmo usado e, em adição, se possível, ver os filhos cursando o ensino superior… Ora, ninguém pode negar que o PT fez isso! por outro lado, ninguém pode afirmar que a Direita jamais fez isso! Neste ponto tenho que repetir que a Direita é burra! Não só isto! Insensível até! Poderia ter feito muito e mais… Alguém poderia dizer: Mas a ideia do Bolsa Família, entre outros programas sociais já existia… Sim, mas era apenas migalha e nunca impressionou ninguém! Se a Elite burra (política e econômica) não mudar seus programas e não voltar os olhos para essa gente, o lulopetismo ainda pode causar muito transtorno. 

Em política, pobre significa arma, oportunidade, poder, capital político. Com um líder que fala a língua da pobreza e conhece a realidade de outros Brasis que não aquele da avenida Paulista, o PT, adotou os pobres com seu discurso paternalista de todos os populismos que viscejam em meio à miséria. Pobreza e Messianismo político sempre resulta em caos, e sempre surge onde há miséria e desinformação. Desse modo, eletrizaram os milhões que os levaria e os manteria no poder por longos e catastróficos 13 anos. Poderiam se perpetuar no poder por décadas se não fossem tão corruptos. A Direita é burra, mas para nossa sorte, a Esquerda também o é! Menos trágico se fossem apenas burros, mas para nosso desespero são burros e desesperadamente corruptos. Aparelharam o Estado e acharam que poderiam fazer o que quisessem sem prestar contas a ninguém, deslumbrados que estavam. Assaltaram os cofres do tesouro, e destruíram com a voracidade de um cardume de piranhas, em pouco tempo, aquilo que, pela herança do governo anterior e pela convergência de fatores positivos dos mercado internacional, haviam colhido. Levaram o país ao caos político e econômico, expuseram a nação ao ridículo e protagonizaram o maior caso de corrupção da história.

Enfim, Coxinhas e Mortadelas, lideranças e militância, são apenas dois flagrantes constrangedores de uma mesma classe política (não necessariamente o povo, mas os Renans, Jucás, Gleisis e Dilmas…) que causa entojo, ascídio, asco, repulsa, fastio, estuação, talassia, aversão, náusea, desgosto, enjôo, e todos os demais adjetivos que o dicionário apresentar como sinônimo. Ou nos esclarecemos politicamente ou continuaremos a passar muita raiva nas mãos de governos sempre perdulários e irresponsáveis, conduzidos por políticos de baixíssimo nível, em quase todos os aspectos. Acredito que já temos sido demasiadamente abusados por essas raposas. É tempo de dar-lhes o troco, sejam as raposas de Esquerda, Direita ou Centro! Sem paixões. Sem estima por agentes da corrupção. Sem imbecilidade política, afinal como disse Ortega y Gasset: “Defirnirse di destra, de sinistra, de centro, equivale a autodefinirse imbecille.”

 

 

 

 

 

 

 

 

Esquerdismo — a infância da política

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Esquerdismo — a infância da política

Por Luiz Leite

A infância é geralmente caracterizada por um conjunto de comportamentos marcados por pequenas inconsistências, até certo ponto toleráveis, próprias de um indivíduo que ainda não atingiu a idade madura. Dirigida por sentimentos e uma série de pulsões primitivas, a criança é regida pelo princípio do prazer, conceito freudiano bastante comum no estudo e descrição do psiquismo infantil. Por óbvia inferência, nesta fase a razão e o bom senso ainda não orientam o pensamento e nem regulam a ação. Desse modo, não se pode esperar de uma criança, grande elaboração de ideias e, tampouco, um comportamento que leve em consideração as regras e demandas do universo adulto. Embalada por fantasias e medos, a criança não tem condições psicológicas nem cognitivas para fazer leituras e interpretações balanceadas da realidade complexa que a envolve.

A termo “infância” geralmente remete-nos à cronologia da vida biológica, e quando nos referimos à essa infância estamos falando de uma fase, um estágio no desenvolvimento de um ser humano quando corpo e mente ainda não atingiram sua maturidade. A medida de anos que estabelece quando se atinge a maturidade biológica é fixada por uma régua relativamente bem definida. Existem, porém, outras infâncias e adolescências. Podemos considerar uma infância ou adolescência espiritual, uma infância emocional/psicológica, bem como uma infância ou adolescência intelectual, política, ou até mesmo financeira… Não existe, para esses casos, um período que defina o fechamento dos ciclos. Um indivíduo pode chegar aos 40 anos de idade cronológica e, apesar de ter alcançado a maturidade biológica plena, apresentar um comportamento de um garoto de 15!

Quando eu era menino, – diz o apóstolo Paulo em sua carta aos Coríntios, – falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. (1 Co 13:11) No contexto da cultura de Paulo, e por extensão, em todo o mundo antigo, não havia o conceito da adolescência. Dava-se um pulo, direto da infância, para a vida adulta. Talvez o caso mais extremado seja o caso de Esparta, onde os meninos, “depois de passarem os primeiros 7 anos de vida com a família, eram enviados para centros de treinamento para serem educados e transformados em guerreiros. Até os 11 anos, o jovem espartano passava pelo primeiro ciclo, a meninice, em que recebia o treinamento militar básico.” Assim, a chamada meninice dos 7 aos 11 anos, era dedicada a treinamento militar básico. Não havia refresco!

A sociedade ocidental moderna mudou muito. Em alguns aspectos, para melhor, em outros, não tanto. Os rituais de passagem nas sociedades antigas, marcavam a transição de fases e, de certo modo, ajudavam o indivíduo a se posicionar e assumir responsabilidades acerca de seu novo papel. Nesses nossos dias, amadurecer e assumir responsabilidades não é algo tão comum como se deveria esperar. Muitos amadurecem fisicamente mas psicologicamente permanecem meninos, manhosos e chorões. Poucas coisas são tão constrangedoras como uma pessoa adulta (faça-se aqui as devidas concessões) vivendo uma relação permanentemente parasitária, às custas de outrem. É absolutamente embaraçoso ver um indivíduo adulto querendo ter suas necessidades supridas por outros meios que não seus próprios méritos.

Os movimentos sociais de esquerda funcionam mais ou menos assim. É a política da primeira infância. A política do “Eu quero porque quero!” é muito perigosa. A criança, segundo a psicanálise, é um perverso polimorfo. Não importa se é do outro… Se não me der eu grito, esperneio, mordo, bato, puxo os cabelos, sem dó…O esquerdismo é infantil em muitos aspectos, por essa razão barulhento, e por definição, baderneiro, desordeiro… Consegue, em casos, até chegar à idade juvenil, mas raramente amadurece. Os arroubos de idealismo incendiados por muita paixão e pouca reflexão, exercem forte apelo ao psiquismo infantil. Não é por outra razão que seduzem as massas que, sem consciência crítica, como crianças, são facilmente encantadas e mobilizadas.

Identifica-se no discurso da ideologia política de esquerda um conteúdo alienante e em nada libertário como querem fazer crer seus ícones. Estados de orientação comunista, seja leninista, maoista, ou de qualquer outra ordem, já provaram-se, historicamente, um erro. Suas populações são infantilizadas e, em diversos aspectos,  impedidas de amadurecerem. Como poderia amadurecer intelectualmente e espiritualmente um povo que tem seu acesso à informação e sua liberdade de expressão cerceada pelo Estado? Até hoje na Rússia existem pessoas que não sabem quem foi Nicolau II, seu último imperador! Mesmerizados pela máquina da propaganda estatal que projeta o ego grandioso de seus líderes, como crianças, olham para as estátuas majestosas como se fossem verdadeiros deuses. O Estado e seus governantes são divindades substitutas (digo isto em meu livro Eles Profanaram o Sagrado) e o culto a eles toma lugar das religiões comumente banidas ou reprimidas. Governantes corruptos, desonestos, frequentemente perversos, são venerados como salvadores. É a figura do pai totêmico. Ainda que estejam completamente errados e em débito para com a justiça, faz-se sacrílego aquele que ousar apontar seus crimes. Vê-se claramente nesses grandes experimentos sociais a infantilização de populações inteiras.

Quando eu era menino pensava como menino e como menino abracei a ideologia de esquerda. Justiça social era um tema que me incendiava. A perversa distribuição de renda no Brasil, país injusto e desigual, era a prova que eu precisava para adotar a ideia de que os fins (a promoção da justiça) justificavam os meios (O achaque dos mais ricos). Deveríamos tirar dos mais ricos e dar para os mais pobres. Isto soa muito bonito aos ouvidos de uma criança mas não pode fazer sentido algum aos ouvidos de uma pessoa madura. O discurso esquerdista é infantil, bestializante e mal intencionado. Só se rende aos seus apelos aqueles que são muito românticos (ingênuos) e pouco maduros, psicológica ou intelectualmente. À propósito, veja-se o que um certo Sr. Maduro está fazendo com um lindo país, logo ali do outro lado da fronteira! Qualquer pessoa amadurecida espiritual, psicológica e intelectualmente há de chegar à conclusão que o princípio do prazer – que rege o universo infantil do “eu quero e eu quero agora!” – é a marca inequívoca dos movimentos e regimes de esquerda.

A julgar pelos regimes comunistas ou, se não tanto, simpáticos ao comunismo e de orientação esquerdista, o que se pode observar é estarrecedor. A truculência e a opressão do mais forte governam com mão de ferro, do mesmo modo que acontece com as crianças nas brincadeiras na rua ou no pátio da escola. Como delinquentes juvenis, não querem estudar, não querem trabalhar, e sempre encontram alguém a quem culpar por aquilo que lhes falta. Verifica-se o caos, a baderna administrativa, a sangria dos recursos, a corrupção endêmica, em todos eles, desde a China ao Equador, da Rússia à Venezuela, da Coréia do Norte à Cuba. É óbvio, que nesses “paraísos” onde os pobres são tratados de modo tão “paternal”, a imprensa não pode noticiar, a polícia não pode investigar e o judiciário não pode emitir sentenças… Estão amordaçados!

Em nosso país, o desastre em que nos envolvemos nos expôs ao ridículo diante dos olhos do mundo. Estamos constrangidos e embaraçados… Temos vergonha de um país do qual devíamos nos orgulhar… Se por um lado o vexame nos fez enrubescer, por outro lado podemos ter algum alento e até mesmo dizer graças a Deus, por termos tido nossas vergonhas expostas. É a oportunidade de reconstruir um novo país. Um fato recente, o rompimento da barragem de rejeitos em Mariana, Minas Gerais, é uma parábola triste e que aplica muito bem ao mar de lama em que se encontra nossa administração pública. O dano causado vai levar anos para recuperar, como serão necessários muitos anos para recuperar o nosso, um dia belo e hoje triste Rio Doce. Mas, a lição não pode se perder. O Governo de uma nação como essa não pode ser confiado à crianças, a delinquência juvenil, à irresponsabilidade de baderneiros esquerdistas. Se, entretanto, aqueles que se julgam maduros não tomarem a frente, em uma verdadeira cruzada, os tais baderneiros, para o nosso pesadelo, podem voltar, porque eles falam a linguagem dos infantes, e para o nosso espanto, a maior parte daqueles que tem o poder de voto, não amadureceram ainda (intelectualmente) e são, como já fartamente verificado, massa de manobra fácil. Como já disse Dostoievski, “Pode-se dizer tudo a uma criança – Tudo!” 

 

 

Alice e Dilma… Impichadas!

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Impichada

Por Luiz Leite

Aprouve ao destino que eu estivesse em Palmas, Tocantins, no dia 17 de abril de 2016, para assistir a um raro espetáculo do jogo político, a votação de um processo de impeachment. O termo, anglicismo já popularmente assimilado, despacha explicações. Ainda que utilizado em sua forma original, não resistimos e aportuguesamos o verbete, como já aconteceu antes com inúmeras palavras. Dilma foi impichada! Ouviram-se foguetes e palmas, de Palmas, a capital do mais jovem estado da União. Milhões pelo país afora folgaram de alívio, vislumbrando o fim de uma era que destroçou a economia deixando de saldo uma década perdida e a imagem internacional do país enxovalhada por escândalos que comprovam que a voracidade da corrupção não tem fim nem fundo.

O primeiro caso de impeachment registrado na história aconteceu em 1376, na Inglaterra, país que criou o dispositivo com a finalidade de punir aqueles que se encontravam fora do alcance da lei. Latimer, um Lord inglês foi acusado de alta traição e desvio de recursos mas o rei Eduardo 3° o absolveu. Os ingleses tomaram gosto pelo impeachment e no ano seguinte, 1377, condenaram por corrupção a primeira mulher, Alice Perrers – Dilma será a segunda em séculos, se o Senado aprovar – que, por corrupção, teve seus bens confiscados e foi banida do reino. O último registro de impeachment na Inglaterra, que terminou em absolvição, se deu em 1806.

Além da Inglaterra, a história registra apenas Paraguai, Equador e Irã, com um caso de impedimento cada. No Brasil, Rui Barbosa, um dos responsáveis pela constituição de 1891, que previa o uso do impeachment, era cético acerca de sua funcionalidade. Disse: “a responsabilidade criada sob a forma de impeachment é absolutamente fictícia, irrealizável, mentirosa.” Enganou-se. Em um período relativamente curto de tempo nos sagramos bicampeões da modalidade e, parece que estamos tomando gosto pela prática, a julgar pelo frenesi que tomou a nação, que de olhos atentos aos monitores de TV acompanhava o show no plenário da câmara dos deputados como se assistisse a uma final de copa do mundo do futebol. Seria um sonho se ultrapassássemos os ingleses em termos de solidez institucional, como aconteceu com aquele famoso jogo de bola que eles inventaram e nós aperfeiçoamos! Temo, entretanto, que tal façanha leve ainda alguns séculos! Tenhamos paciência. Eles também precisaram de muito tempo para atingir a maturidade institucional de que hoje desfrutam.

É o carro enguiçado, é a lama, é a lama…

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É o carro enguiçado, é a lama, é a lama…

Por Luiz Leite

O Brasil tornou-se objeto de espanto para o mundo. O jornal britânico “Financial Times” publicou: “Se o Brasil fosse um paciente internado, os médicos do pronto-socorro o diagnosticariam como doente terminal.” Segundo o jornal, um senador do próprio PT teria dito:“Os rins já pararam; o coração vai em breve”. O jornal verifica o óbvio ao dizer que “as finanças públicas estão em desordem…”  a economia, “uma desordem”.  Sim, o Brasil está derretendo. O carro enguiçou. A situação entretanto mostra-se mais crítica quando se nota que o carro enguiçou em uma subida (a breve farra das comodities e do crédito fácil, entre outros) e agora desce de ré… pior, os calços até aqui colocados não estão conseguindo conter o movimento ladeira abaixo… Presos em uma assustadora espiral descendente, a economia entra em colapso e ninguém sabe ao certo como e quando o pesadelo termina.

Estamos emperrados em um atoleiro político e econômico sem precedentes. “É o carro enguiçado – diria Tom Jobim – é a lama, é a lama…”  Falando em lama, conversando dia desses com um amigo, engenheiro da Samarco e participante da comissão criada para gerenciar o imenso caos em que a empresa se meteu com a tragédia de Mariana em Minas Gerais, pude ouvir pela primeira vez uma defesa da empresa que todos estão demonizando. Segundo o engenheiro da Samarco – uma joint-venture entre as duas maiores mineradoras do mundo (Vale S/A e PHP Billiton) – não houve negligência, o que houve foi um acidente triste e acidentes, como é sabido, acontecem.

O desastre de Mariana, o maior desastre ambiental de nossa história, é apenas uma parábola, um sinal físico, simbolizando uma chaga espiritual, moral, ética, de proporções muito maiores. O mar de lama despejado sobre o coração do Brasil pelo rompimento da barragem é uma metáfora do mar de lama que cobre o Planalto Central. Tenho muito mais confiança na integridade e profissionalismo dos gestores da Samarco do que nos gestores da coisa pública nos palácios de Brasília. Se a tragédia de Mariana, como afirmam muitos especialistas, foi um acidente, a tragédia que acontece no Planalto Central e devasta toda a nação passa longe disso. Trata-se de má fé, negligência, acobertamentos, aparelhamento descarado do Estado para fins ideológicos acima dos interesses da nação.

A recuperação do Rio Doce, com sua flora e fauna, vai demorar muito tempo. A Samarco vai pagar o preço que a justiça estabelecer. A multa até agora foi de apenas R$ 1 bilhão de reais. O grupo, entretanto, já está sendo muito mais pesadamente penalizado. Somente a Vale S/A já perdeu mais de R$ 15 bilhões em valor de mercado. Suas ações despencaram para os patamares mais baixos de sua história, desde que abriu o capital. É o Brasil derretendo… As duas empresas símbolo do orgulho da nação hoje tornaram-se motivo de vergonha. A Vale afundando por um acidente, a Petrobrás e seus parceiros adúlteros, por formação de quadrilha facultado por apadrinhamento político. É o fim do caminho…

Para aumentar o terror e pesar a mão nos tons sombrios, tanto os especialistas da mineração, como os analistas políticos e econômicos alertam para o rompimento de outras barragens…. É possível que venhamos a sangrar um pouco mais. O rombo ainda não foi devidamente mensurado. Há muita apreensão acerca da CPI do BNDES. É possível, dizem alguns, que o escândalo da Petrobrás venha se parecer com brincadeira de criança, quando se abrir a caixa preta do BNDES. O Brasil, entretanto, é maior do que a sanha desses sanguessugas lesa-pátria. A recuperação será lenta, devendo demorar muito tempo para se sanear o dano causado pelo mar de lama que a presente administração lançou sobre o país. Apertem os cintos cidadãos e cidadãs. Que Deus nos ajude! E fortaleça o Judiciário!

 

 

 

 

 

Abismo Imponderável

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Abismo Imponderável

Por Luiz Leite

Vivemos tempos de grande inquietação política e nos encontramos em uma perigosa encruzilhada ideológica. Custa acreditar que a doutrina comunista, já há algum tempo dada como ultrapassada e moribunda, pudesse voltar a nos assombrar com seu discurso e práticas. Olhávamos com desdém para as legendas anãs que levantam bandeiras vermelhas em marchas e protestos pelo Brasil afora. Este povo – pensávamos – está na contra mão da história. Não podíamos sequer imaginar o quê estava sendo gestado bem debaixo dos nossos olhos!

Despertarmos apavorados com o resultado das urnas no dia 26 de outubro, que muitos afirmam ter sido fraudado. Dentre os milhões de revoltados, um cidadão brasileiro tomou uma atitude inusitada ao enviar uma petição ao governo americano através do site da Casa Branca rogando a Washington atenção com respeito aos rumos que o Brasil está tomando. Mais de uma centena de milhares de pessoas já assinaram a tal petição que nesses dias é uma das petições mais acessadas do site. Eis o tamanho da inquietação! A petição lê:

Nós peticionamos o governo Obama para: Se posicionar contra a expansão bolivariana comunista no Brasil promovida pelo governo de Dilma Rousseff. Em 26/10, Dilma Rousseff foi reeleita e continuará o plano de seu partido de estabelecer um regime comunista no Brasil — nos moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo. Nós sabemos que, aos olhos da comunidade internacional, a eleição foi integralmente democrática, mas as urnas usadas não são confiáveis, além do fato de que a cúpula do Judiciário é, em sua maioria, de membros do partido vencedor. Políticas sociais também influenciaram a escolha da presidente e as pessoas foram ameaçadas com a perda do benefício de alimentação caso não reelegessem Dilma. Conclamamos uma posição da Casa Branca em relação à expansão comunista na América Latina. O Brasil não quer e não será uma nova Venezuela, e os EUA que (sic) precisam ajudar os promotores da democracia e da liberdade no Brasil.”

Temos razões, e não poucas, para estarmos assustados. Há 12 anos no poder, o PT caminha para mais quatro anos no governo. A ditadura do proletariado está se instaurando de maneira inequívoca, quando observamos os mecanismos de aparelhamento do Estado sendo largamente utilizados. Queira Deus não venhamos nos precipitar, ou ser precipitados no abismo imponderável desta absurda e anacrônica involução que está varrendo a America do Sul. O Foro de São Paulo, encontro anual da esquerda radical latino americana que reúne o que existe de mais retrógrado no pensamento político e econômico, vem tomando força ano após ano. Sua agenda é clara. Para essa gente os fins justificam os meios. Após o mandato da Dilma ainda teremos que enfrentar o retorno do maior falastrão da história da República, o parlapatão que fala de tudo mas não sabe de nada. Se vencer a corrida para o Planalto em 2018 então teremos estendido o pesadelo por mais 1460 longas noites!

Muitas coisas podemos aprender com a história recente. Um ou outro cientista político anteviu o que aí está e levantou a voz em tom de alerta, poucos, entretanto, os levaram a sério. A elite política desse país é burra, indolente e arrogante. O PSDB que deveria fazer oposição ao PT teve, por doze anos, a oportunidade de reprimir, pelos meios democráticos, a sanha e o desvario petista. Calaram-se sabe-se lá por que. Deixaram para abrir a boca na reta final da campanha. É lógico que já não teriam tempo. Ingenuidade? Duvida-se. Conluio? Quiçá. Ainda não se interpretou de modo definitivo a razão por trás de uma atuação tão pífia, tão patética. Fato é que, sem oposição vigorosa, o PT velejou em águas tranquilas. E do PMDB, o que poderia se esperar? Nada! Como todos com o mínimo de educação política devem saber, é um partido que dança conforme a música, não se importando nem mesmo se o convite para dançar proceda do diabo.

Estamos em maus lençóis. Quem tem projeto de poder e planejamento estratégico sério mesmo é o PT. Eles chegaram para ficar, e isto por cem anos! O que já acontece em Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, está acontecendo aqui. Como o partido de Chaves, de Rafael Correia, de Morales, dos Kirchner, entre outros, o PT já se apoderou do poder e temo que não sairá de lá por meios democráticos. Estão dispostos a usar todas as armas que lhes garanta a perpetuidade. Sim, o quadro político não é bonito não! Não se trata de alarmismo. O tiranete da Venezuela Nicolás Maduro, vibrando declarou que a vitória de Dilma “vem reforçar todas as forças revolucionárias do continente”.

Não se trata de alarmismo. É simplesmente como a coisa está desenhada diante dos nossos olhos.

A Democracia em Risco

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A Democracia em Risco

Por Luiz Leite

Aqui quem fala é um ex eleitor do PT que, talvez como você acreditou por muitos anos no discurso do seu partido e fielmente fez sua parte até que o partido chegasse onde chegou. Um brasileiro sem instrução formal, oriundo de uma periferia distante chegou ao palácio do planalto tornando-se presidente dessa grande, linda e amada nação! Isso é maravilhoso! Viva a democracia! Entretanto, essa mesma democracia está sob ameaça.

Talvez alguns digam: “Lá vem mais um alarmista exagerado, mais um Antônio Conselheiro com seu discurso de fim de mundo…”  Pois bem, ninguém deveria se iludir achando que nossas instituições estão suficientemente consolidadas para garantir que permaneçam invioláveis as prerrogativas do Estado de direito. O episódio recente envolvendo o processo do mensalão revelou de modo assustador até onde vai o aparelhamento do Estado pelo governo que pelos últimos doze anos tem dirigido o país. Ficou exposta a realidade desconcertante e vergonhosa envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, “a nova composição da Corte foi considerada decisiva para a reversão das condenações,”  referência feita aos novos ministros apontados pelo PT para essa finalidade.  O mesmo jornal (27/02/14) publicou o desabafo desolado do ministro Joaquim Barbosa: “Esta é uma tarde triste para o STF porque com argumentos pífios, foi reformada, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada que foi aquela tomada por este plenário…”  Se a suprema corte, o STF, já não tem mais autonomia nem voz, o que dizer das outras instituições? Estamos diante do inominável! Sim, a democracia está ameaçada!

O PT tem um projeto de poder para, não apenas mais um mandato, mas para mais um século! Este, entretanto não é um anseio apenas do PT. Todo e qualquer partido político, tendo alcançado o poder, vai  utilizar meios legítimos e escusos, se necessário, para garantir sua permanência à testa do governo. Nada mais natural. Nada mais humano. Uma vez inebriado e viciado por esse vinho (em alguns funciona como Crack) o homem vai corromper-se e essa corrupção vai fluir incontida contaminando a tudo e a todos com a sua sujidade. Não, o PT não inventou a corrupção, não patenteou os mecanismos de aparelhamento do estado que aí estão, tampouco detém o monopólio nesse mercado de cartas marcadas. Isso é coisa antiga.

A corrupção não pode ser creditada a um partido, a uma ideologia, é uma doença profundamente entrincheirada na alma humana. A agenda do PT (que ainda não havia sido aberta até a pouco) é satânica do ponto de vista cristão. Do ponto de vista liberal é divina (para os adoradores de Dionísio, ou Baco, é óbvio!) Ainda assim, demonizar o PT seria um erro, uma análise rasa do quadro. Os componentes do PT estão simplesmente seguindo o script  impresso na alma humana. Todos desejamos construir uma torre que nos faça célebres!

A continuidade do PT no poder significa a descontinuidade da democracia nesse país! A ideologia do governo que aí está alinha-se com o que existe de pior, regimes ditatoriais horrendos, e aprende com eles como se apoderar de um país usando os pobres como massa de manobra. Escreva isso! Você vai ser contado entre os responsáveis pelo que há de vir! Quando dirigir-se à urna, vote consciente, vote na democracia! Deixe a paixão política por um momento e pense de um modo mais aprofundado. A alternância é saudável. Não se preocupe, se o partido que que agora alega ter algo melhor para o país vier a cometer atos absurdos contra a democracia. Não tem problema, daqui a quatro anos nós os colocaremos na rua de novo!