Alice e Dilma… Impichadas!

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Impichada

Por Luiz Leite

Aprouve ao destino que eu estivesse em Palmas, Tocantins, no dia 17 de abril de 2016, para assistir a um raro espetáculo do jogo político, a votação de um processo de impeachment. O termo, anglicismo já popularmente assimilado, despacha explicações. Ainda que utilizado em sua forma original, não resistimos e aportuguesamos o verbete, como já aconteceu antes com inúmeras palavras. Dilma foi impichada! Ouviram-se foguetes e palmas, de Palmas, a capital do mais jovem estado da União. Milhões pelo país afora folgaram de alívio, vislumbrando o fim de uma era que destroçou a economia deixando de saldo uma década perdida e a imagem internacional do país enxovalhada por escândalos que comprovam que a voracidade da corrupção não tem fim nem fundo.

O primeiro caso de impeachment registrado na história aconteceu em 1376, na Inglaterra, país que criou o dispositivo com a finalidade de punir aqueles que se encontravam fora do alcance da lei. Latimer, um Lord inglês foi acusado de alta traição e desvio de recursos mas o rei Eduardo 3° o absolveu. Os ingleses tomaram gosto pelo impeachment e no ano seguinte, 1377, condenaram por corrupção a primeira mulher, Alice Perrers – Dilma será a segunda em séculos, se o Senado aprovar – que, por corrupção, teve seus bens confiscados e foi banida do reino. O último registro de impeachment na Inglaterra, que terminou em absolvição, se deu em 1806.

Além da Inglaterra, a história registra apenas Paraguai, Equador e Irã, com um caso de impedimento cada. No Brasil, Rui Barbosa, um dos responsáveis pela constituição de 1891, que previa o uso do impeachment, era cético acerca de sua funcionalidade. Disse: “a responsabilidade criada sob a forma de impeachment é absolutamente fictícia, irrealizável, mentirosa.” Enganou-se. Em um período relativamente curto de tempo nos sagramos bicampeões da modalidade e, parece que estamos tomando gosto pela prática, a julgar pelo frenesi que tomou a nação, que de olhos atentos aos monitores de TV acompanhava o show no plenário da câmara dos deputados como se assistisse a uma final de copa do mundo do futebol. Seria um sonho se ultrapassássemos os ingleses em termos de solidez institucional, como aconteceu com aquele famoso jogo de bola que eles inventaram e nós aperfeiçoamos! Temo, entretanto, que tal façanha leve ainda alguns séculos! Tenhamos paciência. Eles também precisaram de muito tempo para atingir a maturidade institucional de que hoje desfrutam.

É o carro enguiçado, é a lama, é a lama…

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É o carro enguiçado, é a lama, é a lama…

Por Luiz Leite

O Brasil tornou-se objeto de espanto para o mundo. O jornal britânico “Financial Times” publicou: “Se o Brasil fosse um paciente internado, os médicos do pronto-socorro o diagnosticariam como doente terminal.” Segundo o jornal, um senador do próprio PT teria dito:“Os rins já pararam; o coração vai em breve”. O jornal verifica o óbvio ao dizer que “as finanças públicas estão em desordem…”  a economia, “uma desordem”.  Sim, o Brasil está derretendo. O carro enguiçou. A situação entretanto mostra-se mais crítica quando se nota que o carro enguiçou em uma subida (a breve farra das comodities e do crédito fácil, entre outros) e agora desce de ré… pior, os calços até aqui colocados não estão conseguindo conter o movimento ladeira abaixo… Presos em uma assustadora espiral descendente, a economia entra em colapso e ninguém sabe ao certo como e quando o pesadelo termina.

Estamos emperrados em um atoleiro político e econômico sem precedentes. “É o carro enguiçado – diria Tom Jobim – é a lama, é a lama…”  Falando em lama, conversando dia desses com um amigo, engenheiro da Samarco e participante da comissão criada para gerenciar o imenso caos em que a empresa se meteu com a tragédia de Mariana em Minas Gerais, pude ouvir pela primeira vez uma defesa da empresa que todos estão demonizando. Segundo o engenheiro da Samarco – uma joint-venture entre as duas maiores mineradoras do mundo (Vale S/A e PHP Billiton) – não houve negligência, o que houve foi um acidente triste e acidentes, como é sabido, acontecem.

O desastre de Mariana, o maior desastre ambiental de nossa história, é apenas uma parábola, um sinal físico, simbolizando uma chaga espiritual, moral, ética, de proporções muito maiores. O mar de lama despejado sobre o coração do Brasil pelo rompimento da barragem é uma metáfora do mar de lama que cobre o Planalto Central. Tenho muito mais confiança na integridade e profissionalismo dos gestores da Samarco do que nos gestores da coisa pública nos palácios de Brasília. Se a tragédia de Mariana, como afirmam muitos especialistas, foi um acidente, a tragédia que acontece no Planalto Central e devasta toda a nação passa longe disso. Trata-se de má fé, negligência, acobertamentos, aparelhamento descarado do Estado para fins ideológicos acima dos interesses da nação.

A recuperação do Rio Doce, com sua flora e fauna, vai demorar muito tempo. A Samarco vai pagar o preço que a justiça estabelecer. A multa até agora foi de apenas R$ 1 bilhão de reais. O grupo, entretanto, já está sendo muito mais pesadamente penalizado. Somente a Vale S/A já perdeu mais de R$ 15 bilhões em valor de mercado. Suas ações despencaram para os patamares mais baixos de sua história, desde que abriu o capital. É o Brasil derretendo… As duas empresas símbolo do orgulho da nação hoje tornaram-se motivo de vergonha. A Vale afundando por um acidente, a Petrobrás e seus parceiros adúlteros, por formação de quadrilha facultado por apadrinhamento político. É o fim do caminho…

Para aumentar o terror e pesar a mão nos tons sombrios, tanto os especialistas da mineração, como os analistas políticos e econômicos alertam para o rompimento de outras barragens…. É possível que venhamos a sangrar um pouco mais. O rombo ainda não foi devidamente mensurado. Há muita apreensão acerca da CPI do BNDES. É possível, dizem alguns, que o escândalo da Petrobrás venha se parecer com brincadeira de criança, quando se abrir a caixa preta do BNDES. O Brasil, entretanto, é maior do que a sanha desses sanguessugas lesa-pátria. A recuperação será lenta, devendo demorar muito tempo para se sanear o dano causado pelo mar de lama que a presente administração lançou sobre o país. Apertem os cintos cidadãos e cidadãs. Que Deus nos ajude! E fortaleça o Judiciário!

 

 

 

 

 

Abismo Imponderável

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Abismo Imponderável

Por Luiz Leite

Vivemos tempos de grande inquietação política e nos encontramos em uma perigosa encruzilhada ideológica. Custa acreditar que a doutrina comunista, já há algum tempo dada como ultrapassada e moribunda, pudesse voltar a nos assombrar com seu discurso e práticas. Olhávamos com desdém para as legendas anãs que levantam bandeiras vermelhas em marchas e protestos pelo Brasil afora. Este povo – pensávamos – está na contra mão da história. Não podíamos sequer imaginar o quê estava sendo gestado bem debaixo dos nossos olhos!

Despertarmos apavorados com o resultado das urnas no dia 26 de outubro, que muitos afirmam ter sido fraudado. Dentre os milhões de revoltados, um cidadão brasileiro tomou uma atitude inusitada ao enviar uma petição ao governo americano através do site da Casa Branca rogando a Washington atenção com respeito aos rumos que o Brasil está tomando. Mais de uma centena de milhares de pessoas já assinaram a tal petição que nesses dias é uma das petições mais acessadas do site. Eis o tamanho da inquietação! A petição lê:

Nós peticionamos o governo Obama para: Se posicionar contra a expansão bolivariana comunista no Brasil promovida pelo governo de Dilma Rousseff. Em 26/10, Dilma Rousseff foi reeleita e continuará o plano de seu partido de estabelecer um regime comunista no Brasil — nos moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo. Nós sabemos que, aos olhos da comunidade internacional, a eleição foi integralmente democrática, mas as urnas usadas não são confiáveis, além do fato de que a cúpula do Judiciário é, em sua maioria, de membros do partido vencedor. Políticas sociais também influenciaram a escolha da presidente e as pessoas foram ameaçadas com a perda do benefício de alimentação caso não reelegessem Dilma. Conclamamos uma posição da Casa Branca em relação à expansão comunista na América Latina. O Brasil não quer e não será uma nova Venezuela, e os EUA que (sic) precisam ajudar os promotores da democracia e da liberdade no Brasil.”

Temos razões, e não poucas, para estarmos assustados. Há 12 anos no poder, o PT caminha para mais quatro anos no governo. A ditadura do proletariado está se instaurando de maneira inequívoca, quando observamos os mecanismos de aparelhamento do Estado sendo largamente utilizados. Queira Deus não venhamos nos precipitar, ou ser precipitados no abismo imponderável desta absurda e anacrônica involução que está varrendo a America do Sul. O Foro de São Paulo, encontro anual da esquerda radical latino americana que reúne o que existe de mais retrógrado no pensamento político e econômico, vem tomando força ano após ano. Sua agenda é clara. Para essa gente os fins justificam os meios. Após o mandato da Dilma ainda teremos que enfrentar o retorno do maior falastrão da história da República, o parlapatão que fala de tudo mas não sabe de nada. Se vencer a corrida para o Planalto em 2018 então teremos estendido o pesadelo por mais 1460 longas noites!

Muitas coisas podemos aprender com a história recente. Um ou outro cientista político anteviu o que aí está e levantou a voz em tom de alerta, poucos, entretanto, os levaram a sério. A elite política desse país é burra, indolente e arrogante. O PSDB que deveria fazer oposição ao PT teve, por doze anos, a oportunidade de reprimir, pelos meios democráticos, a sanha e o desvario petista. Calaram-se sabe-se lá por que. Deixaram para abrir a boca na reta final da campanha. É lógico que já não teriam tempo. Ingenuidade? Duvida-se. Conluio? Quiçá. Ainda não se interpretou de modo definitivo a razão por trás de uma atuação tão pífia, tão patética. Fato é que, sem oposição vigorosa, o PT velejou em águas tranquilas. E do PMDB, o que poderia se esperar? Nada! Como todos com o mínimo de educação política devem saber, é um partido que dança conforme a música, não se importando nem mesmo se o convite para dançar proceda do diabo.

Estamos em maus lençóis. Quem tem projeto de poder e planejamento estratégico sério mesmo é o PT. Eles chegaram para ficar, e isto por cem anos! O que já acontece em Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, está acontecendo aqui. Como o partido de Chaves, de Rafael Correia, de Morales, dos Kirchner, entre outros, o PT já se apoderou do poder e temo que não sairá de lá por meios democráticos. Estão dispostos a usar todas as armas que lhes garanta a perpetuidade. Sim, o quadro político não é bonito não! Não se trata de alarmismo. O tiranete da Venezuela Nicolás Maduro, vibrando declarou que a vitória de Dilma “vem reforçar todas as forças revolucionárias do continente”.

Não se trata de alarmismo. É simplesmente como a coisa está desenhada diante dos nossos olhos.

A Democracia em Risco

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A Democracia em Risco

Por Luiz Leite

Aqui quem fala é um ex eleitor do PT que, talvez como você acreditou por muitos anos no discurso do seu partido e fielmente fez sua parte até que o partido chegasse onde chegou. Um brasileiro sem instrução formal, oriundo de uma periferia distante chegou ao palácio do planalto tornando-se presidente dessa grande, linda e amada nação! Isso é maravilhoso! Viva a democracia! Entretanto, essa mesma democracia está sob ameaça.

Talvez alguns digam: “Lá vem mais um alarmista exagerado, mais um Antônio Conselheiro com seu discurso de fim de mundo…”  Pois bem, ninguém deveria se iludir achando que nossas instituições estão suficientemente consolidadas para garantir que permaneçam invioláveis as prerrogativas do Estado de direito. O episódio recente envolvendo o processo do mensalão revelou de modo assustador até onde vai o aparelhamento do Estado pelo governo que pelos últimos doze anos tem dirigido o país. Ficou exposta a realidade desconcertante e vergonhosa envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, “a nova composição da Corte foi considerada decisiva para a reversão das condenações,”  referência feita aos novos ministros apontados pelo PT para essa finalidade.  O mesmo jornal (27/02/14) publicou o desabafo desolado do ministro Joaquim Barbosa: “Esta é uma tarde triste para o STF porque com argumentos pífios, foi reformada, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada que foi aquela tomada por este plenário…”  Se a suprema corte, o STF, já não tem mais autonomia nem voz, o que dizer das outras instituições? Estamos diante do inominável! Sim, a democracia está ameaçada!

O PT tem um projeto de poder para, não apenas mais um mandato, mas para mais um século! Este, entretanto não é um anseio apenas do PT. Todo e qualquer partido político, tendo alcançado o poder, vai  utilizar meios legítimos e escusos, se necessário, para garantir sua permanência à testa do governo. Nada mais natural. Nada mais humano. Uma vez inebriado e viciado por esse vinho (em alguns funciona como Crack) o homem vai corromper-se e essa corrupção vai fluir incontida contaminando a tudo e a todos com a sua sujidade. Não, o PT não inventou a corrupção, não patenteou os mecanismos de aparelhamento do estado que aí estão, tampouco detém o monopólio nesse mercado de cartas marcadas. Isso é coisa antiga.

A corrupção não pode ser creditada a um partido, a uma ideologia, é uma doença profundamente entrincheirada na alma humana. A agenda do PT (que ainda não havia sido aberta até a pouco) é satânica do ponto de vista cristão. Do ponto de vista liberal é divina (para os adoradores de Dionísio, ou Baco, é óbvio!) Ainda assim, demonizar o PT seria um erro, uma análise rasa do quadro. Os componentes do PT estão simplesmente seguindo o script  impresso na alma humana. Todos desejamos construir uma torre que nos faça célebres!

A continuidade do PT no poder significa a descontinuidade da democracia nesse país! A ideologia do governo que aí está alinha-se com o que existe de pior, regimes ditatoriais horrendos, e aprende com eles como se apoderar de um país usando os pobres como massa de manobra. Escreva isso! Você vai ser contado entre os responsáveis pelo que há de vir! Quando dirigir-se à urna, vote consciente, vote na democracia! Deixe a paixão política por um momento e pense de um modo mais aprofundado. A alternância é saudável. Não se preocupe, se o partido que que agora alega ter algo melhor para o país vier a cometer atos absurdos contra a democracia. Não tem problema, daqui a quatro anos nós os colocaremos na rua de novo!

República das Bananas

República Bananeira dos estados unidos da bola.

República das Bananas

Por Luiz Leite

Quando recebemos, no ano de 2013, a exposição O Prêmio Nobel: Idéias mudando o mundo,  em duas capitais, São Paulo e Rio, ficamos orgulhosos e nos sentimos prestigiados. Tal sentimento, entretanto, teve duração tão curta quanto a própria exposição. Questionado sobre a razão porque a fundação Nobel havia escolhido o Brasil, o presidente da entidade, o economista sueco Lars Heikensten respondeu: “Escolhemos o Brasil por dois motivos: primeiro,  é a economia mais forte da América Latina. Segundo, uma de nossas missões é incentivar o desenvolvimento da ciência onde ela ainda não tem força.”

Sim, esta é uma declaração humilhante! Apesar de mencionar o fato de que somos a economia mais forte da América do Sul e nos lisonjear com isso, por outro lado no campo das ciências fez-nos sentir nivelados a países como Sri Lanka ou Burkina Faso, uma verdadeira república das bananas! Quando consideramos que das 561 oportunidades que o prêmio foi concedido não tivemos nenhum Brasileiro contemplado, vemo-nos reduzidos a uma nação nanica, não obstante o nosso gigantismo territorial. Sentimo-nos ultrajados pouco tempo atrás quando em um embate diplomático certo oficial do governo de Israel disse que o Brasil era um anão diplomático. Protestos se multiplicaram rapidamente diante daquilo que para alguns era uma tremenda afronta. Como resultado o governo de Israel exonerou seu diplomata e apresentou ao Brasil um pedido formal de desculpas. O diplomata israelense, irritado com a posição do governo brasileiro acerca dos conflitos no oriente médio ousou publicar uma opinião corrente mas não ventilada no grande tabuleiro das potências mundiais.

Costumamos nos ufanar pelo fato de sermos uma nação continental mas, como reza o dito popular, tamanho não é documento. Queremos posar de desenvolvidos mas somos um país que tem muito a fazer para merecer o desejável adjetivo. O mundo não vai nos respeitar enquanto não fizermos o “para casa”. Continuaremos sendo tratados como uma “república de bananas” não importa quantas copas do mundo de futebol vencermos. Para situar o Brasil no mapa das nações desenvolvidas, sugere o sueco Lars Heikensten, precisamos simplesmente começar pelo começo, dando atenção ao ensino básico. Faz todo o sentido do mundo. É conhecido o caso da Coréia do Sul que investiu com seriedade no ensino básico e em 50 anos realizou a façanha de sair da condição de país pobre,  endividado e a atrasado tecnologicamente para compor o bloco seleto de nações desenvolvidas.

Vemos a política, talvez até bem intencionada, porém equivocada, do governo do PT, investindo bilhões no esforço de franquiar o ensino superior à parcela menos favorecida da população. Tal política, como aquela das cotas raciais, pode até justificar-se como uma espécie de resgate de uma dívida de séculos para com as classes sociais mais baixas, mas ainda assim não deixa de ser equivocada e de caráter eleitoreiro como praticamente todas as políticas de governos de viés populista. Enquanto não resolvemos os nossos problemas estruturais, toda e qualquer medida será  puramente cosmética. Enquanto educação, economia, saúde e segurança não receberem os investimentos necessários em obras de infraestrutura continuaremos engarrafados nos infames gargalos que coloca o custo Brasil na estratosfera. Resultado: Pagamos sempre caro demais por um serviço insatisfatório. Cubra-se a rachadura na parede com massa corrida o quanto quiser, pinte-se a parede maquiando-a com a cor preferida, mas todos sabem bem, se o problema é estrutural, não há medida conjuntural que resolva! Mascara, é verdade, mas não resolve.

A gota d’água

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A gota d’água
Por Luiz Leite
É bastante comum vermos, na vida cotidiana, situações em que o “caldo entorna”, e pequenas crises são precipitadas por eventos mínimos, insignificantes até. É a proverbial gota d’água. Ainda que as páginas da história registrem vários casos assim, não é corriqueiro presenciar grandes eventos – conta-se que a revolução francesa começou com o aumento no preço do pão! – sendo destravados por um pequeno detalhe.
No caso do Brasil, as manifestações massivas que chamaram a atenção do mundo já entraram definitivamente para a história. A curiosidade é que a maioria das milhares de pessoas que invadiram, como enchente, as grandes avenidas do país, não é constituída, exatamente, de cidadãs e cidadãos politizados! Dia desses, em uma mesa, rodeado por adultos maduros e alguns jovens, enquanto comentávamos sobre os fatos recentes, arrisquei uma enquete para medir o grau de consciência política dos comensais.  “Pessoal quem sabe explicar o que é a PEC 37?”
Num primeiro momento, silêncio… após alguns segundos constrangedores, para quebrar a flagrante ignorância alguém perguntou: “É de comer??” Todos sorriram, para depois se revoltarem diante da explicação do que se tratava uma das mais indecentes propostas de emenda constitucional já vistas neste país!
Estava para escrever um artigo explicando alguns dos pontos fundamentais que se avolumaram para produzir aquilo que estão chamando de “O despertar do gigante”, mas como encontrei a transcrição dessa reportagem veiculada pela rede americana de jornalismo CNN, resolvi publicá-la aqui.
“Os protestos que vêm ocorrendo no Brasil vão além do aumento de R$ 0,20 na tarifa dos transportes públicos. O Brasil está experimentando atualmente um colapso generalizado em sua infraestrutura. Há problemas com
portos, aeroportos, transporte público, saúde e educação. O Brasil não é um país pobre e as taxas impostos são extremamente altas. Os brasileiros não veem razão para uma infraestrutura tão ruim quando há tanta riqueza tão altamente taxada. Nas capitais, as pessoas perdem até quatro horas por dia no tráfego, seja em automóveis ou no transporte público lotado que é realmente de baixíssima qualidade.
O governo brasileiro tem tomado medidas remediadoras para controlar a inflação apenas mexendo nas taxas e ainda não percebeu que o paradigma precisa compreender uma aproximação mais focada na infraestrutura. Ao mesmo tempo, o governo está reproduzindo em escala menor o que a Argentina fez há algum tempo atrás: evitando austeridade e proporcionando um aumento com base em interesses da taxa Selic, o que está levando à inflação alta e baixo crescimento.
Além do problema de infraestrutura, há vários escândalos de corrupção que permanecem sem julgamento, e os casos que estão sendo julgados tendem a terminar com a absolvição dos réus. O maior escândalo de corrupção da história do Brasil finalmente terminou com a condenação dos réus e agora o governo está tentando reverter o julgamento usando de manobras através de emendas constitucionais inacreditáveis: uma, o PEC 37, que aniquilará os poderes investigativos dos promotores do ministério público, delegando a responsabilidade da investigação inteiramente à Polícia Federal. Mais, outra proposta busca submeter as decisões da Suprema Corte Brasileira ao Congresso – uma completa violação dos três poderes.
Estas são, de fato, a revolta dos brasileiros. Os protestos não são movimentos meramente isolados, unificados ou badernas de extrema esquerda, como parte da imprensa brasileira afirma. Não é uma rebelião adolescente. É o levante da porção mais intelectualizada da sociedade que deseja pôr fim a esses problemas brasileiros. A classe média jovem, que sempre se mostrou insatisfeita com o esquecimento político, agora “despertou” – na palavra dos manifestantes.”
Seria muito bom que cada um dos brasileiros que se dispõem a ir às ruas dar o seu brado de protesto, também se dispusesse a dedicar algum tempo à leitura para compreender de modo mais abrangente quais são os problemas da nação. Vamos lá, enfrentemos o texto!

Telhado de Vidro

Telhado de Vidro

Por Luiz Leite

Durante os dias, semanas e meses em que o escândalo político chamado “Mensalão” roubou a cena e monopolizou as mídias, o Senador da República Demóstenes Torres representou um dos principais papéis de bom moço, figurando como verdadeiro paladino da Ética, bastião da moral, guardião da justiça. Sentíamo-nos seguros ao ouvir seu discurso. Passava-nos a impressão de que nem tudo estava perdido, de que restava em Brasília alguma probidade. A prevaricação se instalara acintosamente pelos palácios do planato afora, o diagnóstico era câncer sim, maligno, mas para nosso alívio não era caso de metástase. Tínhamos Demóstenes. Cobrando intervenção cirúrgica e punição exemplar para todos os envolvidos nas tramóias sórdidas da politicagem execrável que se fazia no Planalto Central do Brasil, o senador não deu trégua aos meliantes de colarinho branco.

Passados alguns poucos anos, para nossa mais profunda decepção, encontramos atolado em lamaçal de catinga não menos fedentina que aquele em que se emporcalharam José Dirceu, Marcos Valério e demais asseclas, o herói que, com discurso enérgico bradou em defesa da democracia e do Estado de direito. Alinhado a um mestre da traficagem, Demóstenes vendeu-se pois, afinal, como sustenta o adágio, todo homem tem seu preço. Exposto, verificou-se que o senador tinha também telhado de vidro. A lama está nos sapatos de fino cromo alemão; O terno fino de grife caríssima também encontra-se manchado… Ainda que afirme com serenidade questionável que provará sua inocência, já se ouve dos seus próprios pares que sua defesa é insustentável.

A prova mais contundente e constrangedora foi apresentada em rede nacional. Ouvir um parlamentar da mais alta categoria dirigir-se a um contraventor como o senhor Carlinhos Cachoeira, como “professor”, é realmente preocupante. Precisei ver o vídeo mais uma vez para checar se de fato tinha ouvido aquilo que julgava inacreditável. Se um senador da república dirige-se a um contraventor como “professor”, então temos as respostas para todas as perguntas; Explica-se como se processa a corrupção neste país. Há uma escola! Vê-se quem são os seus mestres! Se o Sen. Demóstenes, que com sua cara de bom moço convencia a opinião pública, aprende com o “professor” Carlinhos Cachoeira, com quem aprendem os parlamentares barra pesada, quadrilheiros comprovados?

Em meio à esse absurdo e revoltante rosário de casos intermináveis de corrupção, onde senadores receberem favores de bicheiros, deputados abusam de suas prerrogativas e conferem a si mesmos salários além da conta, uma afronta ao contribuinte, surge o Deputado Tiririca lamentando que o partido não tenha aprovado seu nome para candidatura à prefeitura da cidade de São Paulo… Pode parecer engraçado. Alguém pode dizer que é mesmo coisa de palhaço mas, parece que Tiririca tem planos para ir mais longe.  Em mais de um ano de mandato não faltou a uma sessão sequer!!! Como é? Pois é. Atento à cada moção, o palhaço tem se mostrado mais sério do que se esperava. Tomara que tenha se matriculado na escola da boa política e eleja como mentores homens e mulheres de boa fé que lhe ensinem a “graça da garça”. Qual é a graça da garça? A graça da garça é “a arte de viver em meio a lama sem sujar as vestes.”