De volta a Nietzsche, aquele louco…

De volta a Nietzsche, aquele louco…

Por Luiz Leite

Nietzsche afirma que a humildade cristã é produto da mentalidade escrava e, portanto, fraca e ridicularizável. Quando se trata de humildade, conceito ausente em seu vocabulário (seguramente um dos egos mais inflados de que se tem notícia), é verdade que algumas pessoas, após serem submetidas a longos períodos de servidão, acabam tornando-se subservientes e pateticamente dóceis, mas é óbvio que não é esse tipo de “virtude” condicionada pelo “tronco e chicote” que o Cristianismo exalta  e exorta seus seguidores a cultivar.

A exegese que Nietzsche faz do Evangelho é equivocada. Interpretou a mensagem de Jesus pela ótica da amargura e não teve o cuidado de limpar as lentes de seu telescópio filosófico antes de lançar o olhar sobre aquele que poderia livrá-lo do fim trágico. Chegou ao resultado antes cogitado por Francis Bacon que disse: “Um pouco de filosofia inclina a mente do homem para o ateísmo, mas profundidade em filosofia traz de volta as mentes das pessoas para a religião.”

A filosofia de Nietzsche não é construtiva. Apoliom e Abadom parecem inspirar sua pena e fazê-la deslizar loucamente em sua sanha anticristã. Isto ele não esconde ao dizer: “Desgarrar muitos do rebanho – foi para isso que eu vim.” Não se pode, todavia, desprezar e despachar a filosofia de Nietzsche como sem graça;  Convenhamos que isto ele faz com uma veia poética que atrai, tornando palatável o que em Espinoza seria intragável.

Determinados desvarios de Nietzsche me fazem rir… Fecho os olhos e vejo um adolescente espumando rebeldia, preconizando a derrubada de governos e hierarquias num idealismo afogueado e desorientado. Concordo com o que foi dito acerca dele por George Santayana, “Blasfêmias pueris… genialidade imbecil.”

Nietzsche é preciso quando denuncia a fraqueza humana; ora, é absolutamente fácil apontar o dedo para uma nódoa no linho branco e disparar: “Eis que passo a vos mostrar uma nódoa!” Onde está a geniosidade de tal afirmação? Um profeta inclemente do óbvio. Despejou sua fúria contra a cana quebrada e o pavio que fumega…

Tribudiou sobre a miséria dos humanos, sem mesmo considerar-se como um dos tais; em um dos seus muitos espasmos de insanidade teria dito: “Eu não sou homem, sou dinamite.” Não há aí qualquer vestígio de grandeza, nem de força… Destruir é fácil. Os psicopatas o fazem sem qualquer crise de consciência; Difícil é ligar a cana esmagada e reacender o pavio que fumega!

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Nietzsche, esse louco…

Nietzsche, esse louco…

Por Luiz Leite

A última coisa que eu haveria de prometer seria “melhorar” a humanidade. Eu não haverei de erigir nenhuns novos ídolos…derribar ídolos (a minha palavra para ideais), isso sim é que faz parte do meu ofício”.

Ler Nietzsche é perigoso para os despreparados. Poucos ultrajaram o sistema, e em particular, a sociedade cristã de forma tão agressiva e sangrenta quanto ele. Sua filosofia demolidora pode despertar aquele que sonha, e pior, conduzí-lo a um pesadelo. Segundo Freud, Nietzsche alcançou um grau de introspecção anímica jamais alcançado por alguém e que dificilmente alguém voltará a alcançar um dia.

Esse olhar para dentro, que faz com que os homens despertem da doce ilusão com a qual seus muitos ídolos os envolvem, é ao mesmo tempo um exercício desejável e assustador. Quantos de nós estão preparados para a desilusão de um encontro frontal com sua alma desnuda? Quantos estariam preparados para encontrarem-se com o homenzinho encarquilhado e, humildemente reconhecer: “Esse sou eu!”

A natureza humana tenta esconder por todos os meios o homenzinho encarquilhado, mas de que adianta negá-lo, escondê-lo, se ele teimosamente permanece lá? Nietzsche encontrou-se com a verdade a respeito de si mesmo, o homem caído, e fez questão de publicar as misérias e mazelas da espécie. Não considerou que essa criatura falida poderia nascer de novo para uma realidade outra. Que pena que não tenha ido, na calada da noite, às escondidas, se encontrar com Jesus, como fez Nicodemos, para ouvir a respeito da possibilidade fantástica do novo nascimento!

Por mais trágico que pareça, o homem não é um caso perdido. Nietzsche infelizmente falhou em reconhecer no Cristo a salvação dos homens e tentou aniquilar a única esperança que resta à humanidade, investindo enlouquecidamente contra o mesmo… Perseguiu a Jesus e a seus seguidores como um Saulo enraivecido…Resultado? Morreu louco!

Será que, como Saulo de Tarso, teve a oportunidade de ouvir o som da voz majestosa que despedaça os cedros do Líbano a dizer-lhe: “Nietzsche, NIetzsche, por que me persegues? Dura coisa é para ti recalcitrar contra os aguilhões?” Espero que sim, e mais, espero que tenha feito as pazes com o Crucificado antes do rompimento do fio de prata, antes do último suspiro…

Filho e neto de pastores protestantes, quem sabe não voltou pra casa, como um pródigo mulambento, mas salvo? Agora imagine, que surpresa seria encontrarmos esse maluco nas mansões celestiais! Pois é, só aguardando…