Pobreza, Messianismo Político e Caos

Qualquer pessoa poderia, a julgar por alguns dos meus artigos, chegar à conclusão rápida, de que sou um homem de Direita. Não me sinto confortável com o estereótipo. Mas, se “de Direita” significa a favor da família em seu modelo tradicional e contra o “casamento homossexual”, a favor da orientação pedagógica heterossexual e contra a ideologia de gênero, a favor de um Estado leve e contra o gigantismo estatal, a favor do mérito e contra o paternalismo (ou fisiologismo), a favor da educação e contra a truculência, a favor da liberdade de expressão e contra o amordaçamento dos contrários, a favor da liberdade de credo e contra o cerceamento desta mesma liberdade, a favor do Estado de direito e contra o aparelhamento do Estado por parte de tirenetes oportunistas, então não me incomodaria tanto com o rótulo.

Fato é que sou um homem que já não se acende nem se acirra com as cores e paixões ideológicas. Polarizei política e ideologicamente nos anos verdes da primeira juventude. Quem não o fez? Se você foi um jovem nos anos 80 e usou uma camiseta com a cara do “Che”, saberá do que estou falando. Não diria que os jovens, que à época diziam-se politizados, eram ignorantes. Eram simplesmente ingênuos. Pois hoje não tenho agremiação política. Todas faliram. O esvaziamento ideológico é uma característica marcante do homem pós-moderno mas esse estereótipo tampouco me definiria. O meu caso não se trata de efeito da pós modernidade, ou da modernidade líquida de Zigmunt Bauman. Foi Ortega y Gasset que chamou minha atenção para o desencanto com as paixões ideológicas. Meu encontro com Ortega y Gasset deu-se quando perambulava pelas ruas de Roma em 1993. Em uma frase grafitada em um velho muro da velha cidade o pensador dizia: “Defirnirse di destra, de sinistra, de centro, equivale a autodefinirse imbecille.”

Não faço, com isso, qualquer esforço para defender-me de um enquadramento ideológico. Quem já discutiu política comigo certamente me ouviu atacar a direita com pesadas críticas. Repito, como um mantra, que a elite (política e econômica) brasileira é burra! “Peraí – diria o leitor mais atento -, você estava falando da Direita política e agora está falando da elite… Intercambiando assim os termos você está dizendo que uma e outra coisa são a mesma coisa?” Sim, isto mesmo. A Direta sempre cuidou dos interesses da elite e a elite sempre cuidou dos interesses da Direita. Até aí não há nada de errado. O problema é que a Direita, cuidando dos interesses do capital, nunca lançou um olhar mais cuidadoso sobre o imenso contingente de pobres deste país, nunca teve uma agenda social que atingisse com contundência a perversidade da distribuição de renda no Brasil. E o pobre, mesmo analfabeto, se ressentia.

O ressentimento não era infundado. A casa grande sempre tratou com descaso a senzala. Todos os nossos governantes antes do desastre do lulopetismo, eram egressos da casa grande, das famílias mais abastadas ou das oligarquias políticas dos coronéis da velha escola. Falando em escola, os pobres, sempre escolados na escola da fome, da privação, aguardavam avidamente por alguém que lhes transmitisse o mínimo de consideração, que prometesse e cumprisse as promessas mais singelas e básicas, que lhes ajudasse, mesmo que minimamente, a romperem com a barreira da pobreza na qual se achavam encerrados por gerações, e desse aos seus filhos condições para que não viessem a perpetuar a história de humilhação a que se viram submetidos seus antepassados…

Pois o dia chegou em que um personagem, preenchendo todos os requisitos do messias das classes oprimidas surgiu no cenário e no horizonte da esperança das massas menos favorecidas. Este pequeno roteiro é como uma receita de bolo. É neste mesmo contexto sócio-econômico que se deu a guinada e ascensão de todos os líderes populistas, desde Antonio Conselheiro a Villa, de Lenin a Pol Pot, de Franco a Mussolini, de Castro a Chaves… A lista é grande. O Petismo simplesmente seguiu a receita. Nos dias de seu surgimento, Capitalismo e Comunismo ainda digladiavam-se numa luta encarniçada que havia resultado em revoluções e mortes em por todo o mundo. O Comunismo, que como vimos nos últimos anos, dividiu a sociedade brasileira em vários aspectos, naqueles dias pregava com muito mais vigor a luta de classes, conceito marxista que aponta a tensão e o conflito entre as classes como inevitável e necessário. Em seu delírio, o conflito de classes só termina quando houver uma só classe. Desse modo, nivelam a todos por baixo, reduzindo todos à pobreza. Só assim o Estado pode se apoderar de todos os meios de produção. Na mente comunista, em sua pretensão mirabolante, deve prevalecer apenas uma orientação para conduzir o Estado, que é aquela que procede da cartilha de Marx. Todas as demais devem ser banidas. A ilusão da ditadura do proletariado estava para concretizar-se e o Petismo encontrava-se muito bem posicionado para fazer o melhor uso da oportunidade. Trazia no discurso o vocabulário democrático, mas seus ideais eram outros.

É curioso (e também vergonhoso) ouvir parlamentares comunistas se utilizarem do conceito Democracia e Estado de Direito em sua melopéia no Congresso Nacional (Câmara e Senado). Vimos no último congresso do Foro de São Paulo, em Manágua, na Nicarágua, para nossa vergonha e constrangimento a Senadora Gleisi Hoffmann, que frequentemente recorre aos termos Democracia e Estado de Direito em seus sofríveis pronunciamentos na tribuna do Senado, louvar a ditadura Castrista, e comunicar total apoio do PT ao governo truculento e anti-democrático de Maduro, na Venezuela. Diz a presidente do Partido: “O PT manifesta seu apoio e solidariedade ao governo do PSUV, seus aliados e ao presidente Nicolás Maduro frente à violenta ofensiva da direita contra o governo da Venezuela e condenamos o recente ataque terrorista contra a Corte Suprema. Temos a expectativa que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica”. Como tal pessoa e tal partido podem falar de Democracia? Em seu ideal comunista não há lugar para opiniões diferentes e divergentes. Como ousam falar em Estado de Direito? Sabemos bem o que aconteceu com a oposição em todos os regimes onde o Comunismo se instaurou!

O discurso esquerdopata que, seguindo o Manifesto Comunista promete a extinção da desigualdade, soa como música aos ouvidos dos pobres. O PT soube, como ninguém, vender sua utopia e explorar o poder de voto deste batalhão de desfavorecidos ávidos por inclusão. Conquistaram milhões dando-lhes aquilo que mais ansiavam. E o que pediam? Ora, não muito. Tanto que, com tão pouco, estavam contentes. Queriam comer frango, tomar refrigerante, comprar um carro, mesmo usado e, em adição, se possível, ver os filhos cursando o ensino superior… Ora, ninguém pode negar que o PT fez isso! por outro lado, ninguém pode afirmar que a Direita jamais fez isso! Neste ponto tenho que repetir que a Direita é burra! Não só isto! Insensível até! Poderia ter feito muito e mais… Alguém poderia dizer: Mas a ideia do Bolsa Família, entre outros programas sociais já existia… Sim, mas era apenas migalha e nunca impressionou ninguém! Se a Elite burra (política e econômica) não mudar seus programas e não voltar os olhos para essa gente, o lulopetismo ainda pode causar muito transtorno. 

Em política, pobre significa arma, oportunidade, poder, capital político. Com um líder que fala a língua da pobreza e conhece a realidade de outros Brasis que não aquele da avenida Paulista, o PT, adotou os pobres com seu discurso paternalista de todos os populismos que viscejam em meio à miséria. Pobreza e Messianismo político sempre resulta em caos, e sempre surge onde há miséria e desinformação. Desse modo, eletrizaram os milhões que os levaria e os manteria no poder por longos e catastróficos 13 anos. Poderiam se perpetuar no poder por décadas se não fossem tão corruptos. A Direita é burra, mas para nossa sorte, a Esquerda também o é! Menos trágico se fossem apenas burros, mas para nosso desespero são burros e desesperadamente corruptos. Aparelharam o Estado e acharam que poderiam fazer o que quisessem sem prestar contas a ninguém, deslumbrados que estavam. Assaltaram os cofres do tesouro, e destruíram com a voracidade de um cardume de piranhas, em pouco tempo, aquilo que, pela herança do governo anterior e pela convergência de fatores positivos dos mercado internacional, haviam colhido. Levaram o país ao caos político e econômico, expuseram a nação ao ridículo e protagonizaram o maior caso de corrupção da história.

Enfim, Coxinhas e Mortadelas, lideranças e militância, são apenas dois flagrantes constrangedores de uma mesma classe política (não necessariamente o povo, mas os Renans, Jucás, Gleisis e Dilmas…) que causa entojo, ascídio, asco, repulsa, fastio, estuação, talassia, aversão, náusea, desgosto, enjôo, e todos os demais adjetivos que o dicionário apresentar como sinônimo. Ou nos esclarecemos politicamente ou continuaremos a passar muita raiva nas mãos de governos sempre perdulários e irresponsáveis, conduzidos por políticos de baixíssimo nível, em quase todos os aspectos. Acredito que já temos sido demasiadamente abusados por essas raposas. É tempo de dar-lhes o troco, sejam as raposas de Esquerda, Direita ou Centro! Sem paixões. Sem estima por agentes da corrupção. Sem imbecilidade política, afinal como disse Ortega y Gasset: “Defirnirse di destra, de sinistra, de centro, equivale a autodefinirse imbecille.”

 

 

 

 

 

 

 

 

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Eleição ou Seleção?

 

 

 

 

 

 

Eleição ou Seleção?

Por Luiz Leite

É para mim inevitável, ao observar o cenário político, não lembrar do texto polêmico do famoso livro que transtornou o século XX. Leitura proibida no Brasil, o Protocolo dos Sábios de Sião, surgiu na Rússia durante o governo do Czar Nicolau II, e revela a trama supostamente desenvolvida pelos judeus para controlar as economias do mundo através de uma fabulosa conspiração. A comunidade judaica vem, desde há muito, negando a autoria do tal documento. Alegam que o tal protocolo foi forjado pelo polícia secreta do Czar para lançar a opinião pública contra os movimentos de esquerda que vinham crescendo de forma ameaçadora e que tinham em suas fileiras muitos judeus em posição importante. Negam o livro e seu conteúdo, como negam a Jesus como Messias.

A negação veemente da paternidade dessa obra é para os judeus das mais importantes frentes de luta por sua sobrevivência. A leitura do Protocolo comprovadamente funciona de maneira terrivelmentre eficaz como arma de propaganda antisemita. A Alemanha Nazista de Hitler usou-o largamente em seus esforços para persuadir seus fanatizados seguidores da “ameaça judaica” e da necessidade de exterminá-los como a ratos. O III Reich disponibilizou o texto e colocou nas mãos do povo alemão, intoxicando a milhões com o veneno racista.

Ainda que os judeus neguem que o Protocolo dos Sábios de Sião tenha tenha qualquer fundamento, ou que exista uma conspiração judaica para controlar as nações, os antisemitas de todo o mundo sustentam categoricamente, apresentando provas as vezes intrigantes, as vezes questionáveis, que a obra é autêntica e que existe sim uma conspirata sionista operando nos bastidores do poder mundial. A controvérsia acerca da autencidade do livro certamente não terá fim.

Fato é que alguns trechos do ultra polêmico Protocolo nos remetem a pensar conspiracionalmente. É bem sabido que na coreografia do poder os passos são cuidadosamente ensaiados com todos os movimentos prédeterminados, com pouquíssima probabilidade de deslizes. O desfecho do espetáculo só é conhecido pelo diretor da trama e seus atores e colaboradores mais próximos. O grande público não decide nada. Acompanha o desenrolar dos eventos completamente alheio ao seu fim. Arriscam palpites, “torcem” e até se precipitam em discussões acaloradas, mas nada sabem.

Nesses dias, com o “show” das eleições em andamento, o texto do documento incendiário provoca: “Os administradores, escolhidos por nós no povo, em razão de suas aptidões servis, não serão indivíduos preparados para a administração do país. Assim, facilmente se tornarão peões de nosso jogo, nas mãos de nossos sábios e geniais conselheiros, de nossos especialistas, educados desde a infância para administrar os negócios do mundo inteiro. “

A liberdade política”, diz o documento controverso, “é uma idéia apenas”; não se traduz para a realidade. Desse modo, o homem comum vive o sonho dessa tal liberdade quando, no exercício de uma cidadania questionável, se dirige às urnas para fazer valer seu direito (forçado) de voto. Não existiria,então, eleição. Existe seleção. Essa seleção é natural, algo semelhante a proposição Darwiniana. Os mais fortes sobrevivem pelo espólio dos mais fracos. As cartas marcadas roubam, às escondidas, como é próprio deste delito odiável, as chances dos ingênuos e idealistas puritanos. O loteamento do poder é feito longe do olhos da plebe ignara que nem suspeita que está sendo escandalosamente vilipendiada.

No caso do Brasil alguns eventos da história recente ainda intrigam. Só para citar alguns casos, o “suicídio” de Getúlio Vargas, a  “renúncia” de Jânio Quadros, a queda de João Goulart, a morte de Juscelino Kubstichek, a estranha morte de Tancredo Neves, o enigmático “desaparecimento” de Ulisses Guimarães, a fantástica construção de Collor…  As cartas, tudo leva a crer, são mesmo marcadas. Não é preciso ser nenhum teórico da conspiração para chegar à essas conclusões. Qualquer bom historiador sabe bem que a história oficial é maquiada. Vergonhosamente.

Da missa – provoca o dito popular – não sabemos um terço. O circo apresenta os bufões no picadeiro e as massas riem-se, sem ao menos perceber que é dela mesma que se faz troça. No Brasil o fato está diante dos nossos olhos no horário político de cada pleito. O deboche se faz escancarado quando partidos políticos fazem uso de candidatos cacarecos (humoristas fracassados, cantores em fim de carreira, jogadores de futebol aposentados, símbolos sexuais decadentes…) para tentar garantir, na falta de pessoas capazes, uma cadeira a mais nas câmaras estaduais e federais. É apenas óbvio que tais candidatos, se eleitos, como já se provou, não passarão de figuras caricaturescas, sem qualquer significância no processo político, a vadearem pelos corredores do poder.

Ver o palhaço Tiririca, por exemplo, tornar-se o deputado federal mais votado do estado de SãoPaulo é um acinte; milhões devem rir de seu humor pastelão, mas por trás da chocarrice de apenas um palhaço, uma nação inteira está sendo ridicularizada. É lógico que não sabe disso o cidadão comum, que em sua ignorância nutrida por um ração especial de desinformação, vem sendo há anos embalado pelo recurso antigo mas sempre eficaz do pão e do circo. Ainda que em todas eleições me irrite o gracejo atrevido e escrachado de candidatos vazios de conteúdo, com seus discursos fajutos, cópias desgastadas e enfadonhas de fórmulas ultrapassadas, o que realmente me deixa indignado é o discurso sério, o tom grave dos personagens mais sisudos da comédia representada nesse grande picadeiro.

Temos políticos de carreira, políticos por vocação, por profissão, “franco atiradores” , oportunistas e idealistas de todas as cores. Dentre esses é possível encontrar, incrível que pareça, os bem intencionados. Ainda que os aproveitadores usem o poder religioso de mobilização para garantir votos em todos os pleitos, há daqueles que são representantes legítimos de determinados segmentos religiosos. Esses tem respaldo das lideranças eclesiais, sem necessidade de fazer conchavos impublicáveis para costurar alianças espúrias e assegurar o apoio de que precisam. Mesmo assim podemos ver líderes religiosos escorregando tristemente ao encarnarem o papel de cabos eleitorais nesse terreno escorregadio.

Se voce não é daqueles que aceita o estereótipo da memória curta que se atribui aos brasileiros, há de lembrar-se de como as lideranças da igreja brasileira se alinharam a Collor de Mello em 1989, exortando os fiéis a não votarem no comunista, o “sapo barbudo”, que naqueles dias iniciava a jornada em direção à Brasília. Pois as lideranças que ajudaram a empossar o embuste chamado Collor, viram-se embaraçadas diante do fiasco a que haviam avalizado. Afinal, Deus revelou que o apoiassem ou não? A princípio disseram que sim, depois restou o constrangimento a esses  “profetas” que saem por aí falando que Deus disse, quando Deus não falou coisa alguma.

Dia desses li em algum lugar que a Valnice Milhomens afirmou que “O Pai (lhe) havia dito que é possível que Marina Silva seja eleita esse ano”. Sinceramente não entendi. Se é o Pai que unge e destrona reis, então não pode haver tal coisa como “possibilidade” para a eleição daquele a quem ele escolher estabelecer no comando da nação! Afinal Deus falou ou não? Se falou, então tá falado! Essa dubiedade soa mal, dá lugar à desconfiança… Cuidado profetas!  Que Valnice queira ajudar Marina tudo bem. Posso ser cabo eleitoral de quem eu quiser, agora se vou a público fazendo uma asseveração de caráter subliminar, utilizando o sempre impressionável recurso do nome do Senhor, então acabo entrando na mesma frequência em que operam todos os outros flibusteiros.

Veja se não é esse o caso de Lula, o presidente deslumbrado? Referiu-se a Dilma outro dia em um dos seus discursos como senhora Presidenta! Surpreende ao emendar que já a chamava de Presidenta porque tinha convicção de que ela seria eleita; A pedra de toque para embasar o rasgo profético do falastrão foi uma frase de efeito com poderes hipnóticos sobre os incautos operários que lhe aplaudiam freneticamente. Apropriando-se cinicamente das palavras do apóstolo Paulo, diz em tom triunfal: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”

Enfim, se o “Protocolo dos sábios de Sião” é uma fraude antisemita ou não, se existe uma conspiração manipulando as peças nesse grande tabuleiro, não é fácil comprovar. O certo é que, no final das contas, quando cerrarem as cortinas e o show terminar, os senhores do poder se rirão do povo mais uma vez e darão curso aos seus negócios sem que se saiba quem realmente opera as cordas que movem as marionetes, ou quem são os ventríloquos que colocam as palavras nas bocas dos fantoches.