Esquerdismo — a infância da política

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Esquerdismo — a infância da política

Por Luiz Leite

A infância é geralmente caracterizada por um conjunto de comportamentos marcados por pequenas inconsistências, até certo ponto toleráveis, próprias de um indivíduo que ainda não atingiu a idade madura. Dirigida por sentimentos e uma série de pulsões primitivas, a criança é regida pelo princípio do prazer, conceito freudiano bastante comum no estudo e descrição do psiquismo infantil. Por óbvia inferência, nesta fase a razão e o bom senso ainda não orientam o pensamento e nem regulam a ação. Desse modo, não se pode esperar de uma criança grande elaboração nas ideias e tampouco um comportamento que leve em consideração as regras e demandas do universo adulto. Embalada por fantasias e medos, a criança não tem condições psicológicas nem cognitivas para fazer leituras e interpretações balanceadas da realidade complexa que a envolve.

A termo “infância” geralmente remete-nos à cronologia da vida biológica, e quando nos referimos à essa infância estamos falando de uma fase, um estágio no desenvolvimento de um ser humano quando corpo e mente ainda não atingiram sua maturidade. A medida de anos que estabelece quando se atinge a maturidade biológica é fixada por uma régua relativamente bem definida. Existem, porém, outras infâncias e adolescências. Podemos considerar uma infância ou adolescência espiritual, uma emocional/psicológica, bem como uma infância ou adolescência intelectual, política, ou até mesmo financeira… Não existe, para esses casos, um período que defina o fechamento dos ciclos. Um indivíduo pode chegar aos 40 anos de idade cronológica e, apesar de ter alcançado a maturidade biológica plena, apresentar um comportamento de um garoto de 15!

Quando eu era menino, – diz o apóstolo Paulo em sua carta aos Coríntios, – falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. (1 Co 13:11) No contexto da cultura de Paulo, e por extensão, em todo o mundo antigo, não havia o conceito da adolescência. Dava-se um pulo, direto da infância, para a vida adulta. Talvez o caso mais extremado seja o caso de Esparta, onde os meninos, “depois de passarem os primeiros 7 anos de vida com a família, eram enviados para centros de treinamento para serem educados e transformados em guerreiros. Até os 11 anos, o jovem espartano passava pelo primeiro ciclo, a meninice, em que recebia o treinamento militar básico.” Assim, a chamada meninice dos 7 aos 11 anos, era dedicada a treinamento militar básico. Não havia refresco!

A sociedade ocidental moderna mudou muito. Em alguns aspectos, para melhor, em outros, não tanto. Os rituais de passagem nas sociedades antigas, marcavam a transição de fases e, de certo modo, ajudavam o indivíduo a se posicionar e assumir responsabilidades acerca de seu novo papel. Nesses nossos dias, amadurecer e assumir responsabilidades não é algo tão comum como se deveria esperar. Muitos amadurecem fisicamente mas psicologicamente permanecem meninos, manhosos e chorões. Poucas coisas são tão constrangedoras como uma pessoa adulta (faça-se aqui as devidas concessões) vivendo uma relação permanentemente parasitária, às custas de outrem. É absolutamente embaraçoso ver um indivíduo adulto querendo ter suas necessidades supridas por outros meios que não seus próprios méritos.

Os movimentos sociais de esquerda funcionam mais ou menos assim. É a política da primeira infância. A política do “Eu quero porque quero!” é muito perigosa. A criança, segundo a psicanálise, é um perverso polimorfo. Não importa se é do outro… Se não me der eu grito, esperneio, mordo, bato, puxo os cabelos, sem dó…O esquerdismo é infantil em muitos aspectos, por essa razão barulhento, e por definição, baderneiro, desordeiro… Consegue, em casos, até chegar à idade juvenil, mas raramente amadurece. Os arroubos de idealismo incendiados por muita paixão e pouca reflexão, exercem forte apelo ao psiquismo infantil. Não é por outra razão que seduzem as massas que, sem consciência crítica, como crianças, são facilmente encantadas e mobilizadas.

Identifica-se no discurso da ideologia política de esquerda um conteúdo alienante e em nada libertário como querem fazer crer seus ícones. Estados de orientação comunista leninista/maoista, ou de qualquer outra ordem, já provaram-se, historicamente, um erro. Suas populações são infantilizadas e impedidas de amadurecerem. Como poderia amadurecer intelectualmente um povo que tem seu acesso à informação e sua liberdade de expressão cerceada pelo Estado? Até hoje na Rússia existem pessoas que não sabem quem foi Nicolau II, seu último imperador! Mesmerizados pela máquina da propaganda estatal que projetam o ego grandioso de seus líderes, como crianças, olham para as estátuas majestosas como se fossem verdadeiros deuses. O Estado e seus governantes são divindades substitutas e o culto a eles toma lugar das religiões comumente banidas ou reprimidas. Governantes corruptos, desonestos, frequentemente perversos, assassinos cruéis, são venerados como salvadores. É a figura do pai totêmico. Ainda que estejam completamente errados e em débito para com a justiça, faz-se sacrílego aquele que ousar apontar seus crimes. Vê-se claramente nesses grandes experimentos sociais a infantilização de populações inteiras.

Quando eu era menino pensava como menino e como menino abracei a ideologia de esquerda. Justiça social era um tema que me incendiava. A perversa distribuição de renda no Brasil, país injusto e desigual, era a prova que eu precisava para adotar a ideia de que os fins (a promoção da justiça) justificavam os meios (O achaque dos mais ricos). Deveríamos tirar dos mais ricos e dar para os mais pobres. Isto soa muito bonito aos ouvidos de uma criança mas não pode fazer sentido algum aos ouvidos de uma pessoa madura. O discurso esquerdista é infantil, bestializante e mal intencionado. Só se rende aos seus apelos aqueles que são muito românticos (ingênuos) e pouco maduros, psicológica ou intelectualmente. À propósito, veja-se o que um certo Sr. Maduro está fazendo com um lindo país, logo ali do outro lado da fronteira! Qualquer pessoa amadurecida espiritual, psicológica e intelectualmente há de chegar à conclusão que o princípio do prazer – que rege o universo infantil do “eu quero e eu quero agora!” – é a marca inequívoca dos movimentos e regimes de esquerda.

A julgar pelos regimes comunistas ou, se não tanto, simpáticos ao comunismo e de orientação esquerdista, o que se pode observar é estarrecedor. A truculência e a opressão do mais forte governam com mão de ferro, do mesmo modo que acontece com as crianças nas brincadeiras na rua ou no pátio da escola. Como delinquentes juvenis, não querem estudar, não querem trabalhar, e sempre encontram alguém a quem culpar por aquilo que lhes falta. Verifica-se o caos, a baderna administrativa, a sangria dos recursos, a corrupção endêmica, em todos eles, desde a China ao Equador, da Rússia à Venezuela, da Coréia do Norte à Cuba. É óbvio, que nesses “paraísos” onde os pobres são tratados de modo tão “paternal”, a imprensa não pode noticiar, a polícia não pode investigar e o judiciário não pode emitir sentenças… Estão amordaçados!

Em nosso país, o desastre em que nos envolvemos nos expôs ao ridículo diante dos olhos do mundo. Estamos constrangidos e embaraçados… Temos vergonha de um país do qual devíamos nos orgulhar… Se por um lado o vexame nos fez enrubescer, por outro lado podemos ter algum alento e até mesmo dizer graças a Deus, por termos tido nossas vergonhas expostas. É a oportunidade de reconstruir um novo país. Um fato recente, o rompimento da barragem de rejeitos em Mariana, Minas Gerais, é uma parábola triste e que aplica muito bem ao mar de lama em que se encontra nossa administração pública. O dano causado vai levar anos para recuperar, como serão necessários muitos anos para recuperar o nosso, um dia belo e hoje triste Rio Doce. Mas, a lição não pode se perder. O Governo de uma nação como essa não pode ser confiado à crianças, a delinquência juvenil, à irresponsabilidade de baderneiros esquerdistas. Se, entretanto, aqueles que se julgam maduros não tomarem a frente, em uma verdadeira cruzada, os tais baderneiros, para o nosso pesadelo, podem voltar, porque eles falam a linguagem dos infantes, e para o nosso espanto, a maior parte daqueles que tem o poder de voto, não amadureceram ainda (intelectualmente) e são, como já fartamente verificado, massa de manobra fácil. Como já disse Dostoievski, “Pode-se dizer tudo a uma criança – Tudo!” 

 

 

Religiões, filosofias, ideologias… Existe uma melhor que outra?

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Religiões, filosofias, ideologias… Existe uma melhor que outra?

Por Luiz Leite

Religiões, filosofias, ideologias, teorias, metodologias, por mais distintas que sejam, e por mais que, em certos aspectos, se hostilizem, têm um  ponto de contato onde se encontram e se beijam. Todas padecem de uma pretensão incorrigível, uma espécie de moléstia incurável, que é a presunção de apresentar ao mundo o melhor sistema, a melhor, a mais completa e certeira das escolhas. Temos visto nos últimos anos o Brasil chafurdando-se numa crise política e econômica sem precedentes. Na base do colapso político e econômico encontramos as crenças e práticas daqueles que tinham nas mãos as rédeas do país. Não bastasse a soberba pretensão de se acharem senhores da melhor teoria política, achavam também que o modelo econômico desastrado a nós apresentado alguns anos atrás pomposamente como a Nova Matriz Econômica, era a melhor aposta para reestruturar os fundamentos de nossa economia. Paremos por aqui, pois não quero que meu leitor passe mal!

Um sistema de crenças, quer seja religioso, filosófico ou político, uma vez construído, dificilmente pode ser desmantelado. Morrem os homens, ficam as ideias. Às vezes, mesmo mortos os homens, séculos, milênios, serão necessários para o descarte de uma ideologia. Curioso e, em alguns casos, assustador, é ver, vez por outra, ideias que há muito já se consideravam extintas, reerguendo-se de seus túmulos seculares. No contexto da fé religiosa, veja-se o caso do Arianismo, doutrina criada por Ário (256-336 d.C), em Alexandria, Egito. Classificada e condenada como herética no concílio de Niceia (325), a cristologia de Ário parecia ter ali seu ponto final… Através dos primeiros séculos da história da igreja a heresia teve altos e baixos, até desaparecer. Entretanto, após séculos outras heresias voltaram a surgir compartilhando a teologia Ariana. Por volta do final do século XIX nos EUA, surgiu um pequeno grupo de crentes que reuniam-se para estudar a bíblia. O pequeno grupo, mais tarde conhecido como a Sociedade da Torre de Vigia, traria das cinzas a heresia Ariana, pelo menos em parte, adotando uma forma semi-ariana de cristologia. Ário, de algum modo, voltou.

Teorias “científicas” há muito tidas como mortas, começam a se levantar de suas tumbas como verdadeiros zumbis, pondo-se a caminhar por aí. Hoje encontramos nas redes sociais um debate inútil que discute se a Terra é mesmo um globo, como ensina a ciência moderna. Pois, incrível que pareça, há um grupo que contesta e procura provar que tudo não passa de um grande embuste, ou seja, os livros, cientistas, governos e mídias mentem numa espécie de conspiração cuja finalidade não explicam direito. São os crentes na teoria da Terra Plana. Milhares de pessoas, senão milhões, acreditam que a Terra não é um globo, mas uma estrutura plana!

Enfim, ainda que divergentes, providenciando munição e combustível para alimentar guerras insanas, todas as religiões, ideologias políticas, linhas de pensamento filosófico ou científico, partilham a presunção de ter a melhor proposta para os homens e seus dilemas. Desse modo, o católico acha que tem a melhor versão do cristianismo, e mais, detêm as chaves do céu, um vez que, segundo sua doutrina, fora da igreja (católica) não há salvação! Permanecendo no universo das religiões, se considerarmos apenas os três grandes blocos monoteístas, judeus, cristãos e muçulmanos, fica claro para qualquer observador que os mesmos não se beijam. Ainda que não publicado de forma tácita, existe um certo desprezo de uns para com os outros. Beligerância também não falta, notadamente por parte dos adeptos do Islamismo, contra judeus e cristãos. O mundo tem assistido com perplexidade os ataques constantes contra cristãos e judeus se repetirem praticamente todos os meses, senão semanas.

É difícil julgar qual religião, ideologia política, pensamento filosófico é melhor… A princípio, por respeito à diversidade e por força do bom senso, cada sistema é bom, à seu modo. Assim, compreende-se que o julgamento desses valores não é tarefa fácil, mas podemos bem nos utilizar de um critério certeiro que Jesus  Cristo nos dá para que possamos observar os indivíduos e suas ideologias, avaliar e tirar nossas próprias conclusões. A regra simples apresentada por Jesus diz que pelo fruto se conhece a árvore. O critério não deve ser utilizado para julgar, mas para discernir e fazer diferença entre uma coisa e outra. Os frutos produzidos por esses sistemas, ou seja, a sociedade por eles gerada, a civilização por eles construída, é a referência à partir da qual considerações poderão ser feitas.

Como você compra suas frutas no mercado? Existem dezenas, centenas de exemplares diante de você. O que você faz? Observa um e outro, examina, compara, e por fim escolhe… Pelas informações colhidas você elege aqueles que deseja levar para casa. O uso da comparação é um recurso comum e válido para escolhermos o melhor. A julgar pelo estado e qualidade dos frutos, pelas evidências inequívocas que um indivíduo, sociedade ou civilização produzem, podemos concluir se este ou aquele sistema é melhor ou pior.

Podemos comparar os dados e concluir. Há civilizações mais avançadas que outras, sem dúvida… De igual modo, há sociedades mais retrógradas que outras… Para se considerar os níveis de progresso, de avanço de uma determinada sociedade, o fiel da balança é o valor e os cuidados dispensados à pessoa humana. O indicador criado pela ONU no século passado, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), aponta os frutos como resultado do nível de desenvolvimento de uma sociedade. A qualidade de vida é o critério central de sua avaliação. Se há justiça social, se há respeito ao ser humano, se há condições básicas de saúde, educação, moradia, alimentação, emprego e segurança, então estamos diante de fatores sólidos, tangíveis, quantificáveis… Podemos sim, a partir desses fatores (indicadores) dar notas a esses sistemas e pelos seus frutos concluir: Este é melhor do que aquele! Se o fiel da balança é o homem, onde houver melhores condições de vida e mais garantias de liberdade para o indivíduo expressar sua humanidade, sem dúvida, este ou aquele lugar será melhor para se viver!

 

 

 

 

HABEMOS HEROS

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Por Luiz Leite

Um país precisa de heróis. Aqueles ícones da historiografia que arrebatam, fascinam e inspiram… Com exceção dos heróis domésticos, nossos pais e mães, o Brasil é um país pobre em termos de heróis. Nossa história até que tentou produzir alguns aqui e ali, mas sem sucesso. A República, que nasceu às pressas, sem bandeira, sem hino – para nossa vergonha cantaram a Marselhesa, quando de sua proclamação! – e também sem herói, teve que chamar às pressas o pobre alferes mineiro Joaquim José da Silva Xavier, vulgo Tiradentes, do seu silêncio sepulcral, para servir ao novo regime como figura central no projeto republicano de unificar o grande e disperso país.

Tentaram nos convencer do heroísmo de Tiradentes, da bravura de Caxias, da ousadia de Dumont, mas apesar dos esforços dos artífices da nação, permanecemos sem heróis de fato! A futilidade de muitos dá mais projeção aos astros do futebol do que àqueles que se entregam à causas de maior relevância na construção da nação. Em palestra dia desses em Santiago do Chile, compartilhei com os presentes sobre o desconforto que sinto quando, ao dizer no exterior que sou do Brasil, vejo as pessoas relacionarem meu país ao futebol! Para nossa felicidade, entretanto, parece-nos que finalmente teremos um herói de verdade, alguém que deixará uma marca na história de que não se poderá esquecer facilmente, alguém de quem poderemos finalmente nos orgulhar!

Não é necessário dizer: “Guarde bem esse nome!” Sergio Moro não vai entrar para a história. Já entrou! E, não sei se melhor, ou pior, já virou mito, uma espécie de semi-divindade que vem conquistando a simpatia – e voto! – de milhões de brasileiros revoltados com a propinocracia que se instalou na vida pública como metástase! O cancro que já ia carcomendo tudo com uma voracidade assustadora deparou-se com um potente opositor!

O nome Sergio Moro tornou-se uma poderosa franquia cujo valor, talvez nem ele mesmo possa estimar. Estará grudado em nossa memória por muitos e muitos anos e, ainda que se diga que o brasileiro tenha memória curta, neste caso o mantra deve colarO jovem e destemido juiz da “instância agrícola de Curitiba”, assim pejorativamente designada pela defesa de Lula, será lembrado por muitos anos. Moro não é apenas destemido. É temido também. Está armado e é perigoso. Armado de provas fartas contra os desmandos de inúmeros políticos, empreiteiros, lobistas, doleiros, marqueteiros, e demais sanguessugas que há muitos anos, num conluio diabólico, vinham surrupiando verbas públicas.

Os programas sociais do governo populista que aparelhou e arrasou a economia do Brasil nos últimos anos, não passavam de um truque de ilusionismo… Encantou muita gente mundo a fora! Tanto os de lá – mormente a esquerda deslumbrada, é claro! – como os incautos do lado de cá, batiam palmas e conferiam ao mago ilusionista  e mentiroso confesso, diplomas de Doutor Honoris Causa, sem jamais desconfiar que, como faz o Cão, o Tinhoso, o Coisa ruim, dava com a colher e tirava com a concha.

Cabe ainda a metáfora que envolve o traficante e a população das áreas carentes espalhadas, para o nosso maior constrangimento, por todas as grandes cidades brasileiras. O traficante distribui favores à população e a população responde ao favorecimento ilícito, providenciando suporte ao traficante. Sim, era mais ou menos por aí que funcionava a política no Brasil. Sentíamo-nos (a maior parte da população) roubados, lesados, ludibriados, defenestrados, no mais lato dos sentidos. Estávamos angustiados, aflitos, governados por quadrilheiros de fato…

Em meio à tão grande desespero, – como estávamos angustiados! – para a nossa alegria, eis que surge, no meio do caminho, uma pedra! Bom, a partir daqui, já não é necessário dizer mais nada! Habemos heros! Temos um herói! Sem dúvida, a partir daqui, sem medo de incorrer  em um rasgo de empolgação otimista, a nossa história passa a ser reescrita. Possivelmente como a.M e d.M.! Obrigado Paraná! Obrigado Curitiba!

Construindo a vida sonhada

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Novo livro de Luiz Leite (Lançamento Editora Petrus)

Todo livro é um discurso sobre o mundo. Seja para entendê-lo, explicá-lo, ou, simplesmente, admirá-lo! Cheio de segredos, o mundo fascina. Decifrá-lo é uma obsessão que nos consome vida afora. Passaremos a maior parte dos nossos dias tentando montar o grande e surpreendente quebra-cabeça. Mesmo que circunscritos a recintos limitados, a cubículos minúsculos dentro do grande plano, prosseguiremos nessa busca movidos por uma inquietação imensa e uma curiosidade sem fim. Erasmo de Roterdam, o pensador bem-humorado, dizia que o caminho mais acertado para uma vida feliz é o caminho da simplicidade, o caminho de uma ignorância ingênua.

Seria bom, se fosse tão simples assim. Não é. A necessidade de compreender, bem como explicar o mundo ao redor é inerente à natureza humana. Não tem como deixar de fazer perguntas! Somos seres de linguagem. Temos por principal veículo de comunicação a linguagem falada. A necessidade de comunicar nos levou a inventar um modo de transmitir nossas experiências. Assim nasceu a escrita, e por consequência o livro, esse registro fantástico que preserva o pensamento por gerações. Os livros vêm em muitos formatos e atendem a muitas finalidades. Não importa a forma, o propósito de quem escreve é compartilhar.

Muitos se debruçam sobre a vida para compreendê-la, desvendar seus segredos. Nessa busca alguns acabam esbarrando em descobertas que julgam importante compartilhar. Desse modo nascem os livros mais importantes do mundo. Este livro foi escrito a partir dessa necessidade de partilhar. É um discurso sobre o anseio comum a todos: o sonho de uma vida bem provida, sem o constrangimento de lacunas não preenchidas e peças faltantes. Este livro se propõe a preencher algumas dessas lacunas, lançando luz sobre áreas antes obscuras. Como uma lanterna, iluminará o caminho rumo à organização e construção da vida sonhada.

Que vida você deseja? Como tudo mais, a vida desejável é algo a ser construído, bloco por bloco, cuidadosamente! As instruções estão aqui e ali nas oficinas e nos livros, esse depositário, por excelência, de conhecimentos acumulados de milênios de experiências e experimentos. Neles se encontram registros de fracassos e êxitos de todos os empreendimentos do homem em sua peregrinação pela história. Como disse Jorge Luis Borges “O livro é a grande memória dos séculos… se os livros desaparecessem, desapareceria a história e, seguramente, o homem”.

Publicamos este livro com o propósito de enriquecer você! Padecemos dessa obsessão: Promover o crescimento das pessoas. Leia com calma, sem pressa, pois há pérolas espalhadas por todo o percurso! Será impossível não se sentir inspirado, motivado, após sua leitura. Certamente se tornará uma referência em sua busca pessoal por sentido. As considerações aqui feitas não apenas desafiam, mas enchem de entusiasmo, gerando uma vontade imensa de superar as barreiras que limitam, de romper os obstáculos que se interpõem em nosso caminho. A abordagem inteligente e o arranjo com que as ideias são apresentadas torna a leitura fluida, fácil e extremamente agradável. Você está prestes a entrar na sala dos tesouros. Fique atento, não perca nenhum detalhe! Nessa jornada a leitura reflexiva certamente lhe apresentará as sonhadas chaves que abrem as portas e concedem o acesso. Se você estiver pronto para este livro, esteja certo que ele sequestrará sua mente e coração pelos próximos dias, meses e anos, tornando-se um daqueles preciosos livros de cabeceira, leitura a ser revisitada muitas vezes. Não estranhe se, após terminar a primeira leitura você sentir um impulso para lê-lo uma segunda, terceira, quarta vez.

Trecho extraído da introdução de A caça ao Tesouro – Um roteiro para a vida dos sonhos

 

João de Barro – Lições

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João de Barro – Lições
Por Luiz Leite

Hoje cedo, após mais um velório, depois de realizadas as últimas formalidades do culto fúnebre,  após abraçar e oferecer o conforto do abraço aos parentes do falecido, coloquei-me um pouco à distância pensativo. Olhei para a terra vermelha debaixo dos meus pés e, como havia acabado de pregar sobre a brevidade da vida, sabia que a condição de estar pisando sobre o chão era apenas temporária. Em breve, sim, em mais alguns  poucos anos,  não importa se em 5 ou 50, o pó forçosamente teria que voltar ao pó.  As palavras do texto bíblico que usara na mensagem ecoavam em minha mente… “com efeito,  todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade.” Taciturno,  observava como as pessoas choravam ao redor da sepultura que abria sua goela medonha para receber os restos mortais de seu parente.

Por um momento tirei os olhos da terra em que pisava e quis contemplar o céu. Ao elevar os olhos com perguntas prontas para apresentar ao Criador, esbarrei com a visão singela da residência do proverbial João de barro,  pássaro caprichoso, mestre de obras capaz. E aconteceu que, quando pensava em formular perguntas endereçadas ao céu, Ele, o Criador, já trazia as respostas. O Criador é sempre elegante, jamais se utiliza de jargões, de clichés desbotados em suas argumentações, razão porque é sempre muito, muito interessante ouvi-lo. A lição seria dura. Nossa contumaz arrogância dificulta-nos constatar quão absurda é a nossa vaidade mas ali, estatelado diante da realidade fria de um sepulcro aberto, abriu-se também uma pequena fresta pela qual a humildade conseguiu entrar e fazer-se ouvir.

O João me disse que o Luiz é de barro, como também o são o Manuel, o Joaquim e a Maria… O Luiz as vezes se esquece, o Manuel se arroja, o Joaquim se arroga, a Maria enlouquece, mas são de barro, frágeis como um caco de argila. Quando nos esquecemos que somos feitos do mais humilde e frágil dos materiais, acabamos violando os limites da nossa própria humanidade e atropelando violentamente a fragilidade dos outros. Inflacionados em nosso valor intrínseco e envaidecidos, esquecemos completamente nossas origens humildes. Não tem coisa mais feia do que a arrogância, a soberba, o orgulho… Assim, esquecidos de nossa humilde condição e, tomados por uma pretensão descabida, tornamo-nos criaturas feias, desprezíveis, patéticas… A criatura nunca é desprezível. Sua vaidade a torna desprezível! O que é patético no homem não é sua condição de barro frágil, é a empáfia, a soberbia afetada!

Ser humano é ser de húmus. Húmus palavra latina que significa barro! Ser humano é ser de barro, não de ferro, não de aço, de barro. Humanidade rima com humildade. Rima com bondade, simplicidade, generosidade… Rima com fragilidade também. Precisamos descer das sandálias da altivez, do pedestal do orgulho,  e reconhecer que somos de barro, material frágil, altamente quebradiço. Nessa fragilidade reconhecida e publicada, peçamos: ó Deus, tem misericórdia de mim! Ao mesmo tempo que peço misericórdia para mim,  devo lembrar que o meu semelhante, feito como eu, de barro, também precisa da minha misericórdia. Enquanto meditava devastado, tendo minha vaidade desmantelada, olhando para a casa do joão de barro, admiti humildemente: É João, eu sou de barro também! Naquele exato momento um outro pássaro entrou na cena e disse cantando: Bem te vi! 

 

Nota

A arte de surfar

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A arte de surfar

Extraído do livro:

Estratégia, Cálculo e Equilíbrio – Tudo o que você precisa saber para alcançar o topo – sem se matar!

 

Assentado confortavelmente na areia, recostado em uma pedra, com a frustração momentânea experimentada ao chegar já dissipada, estava para ser compensado por uma satisfação não prevista. Aos poucos fui fixando os meus olhos em um grupo de surfistas que, ao longe, desafiavam grandes ondas. O dia estava impróprio para o mergulho, mas perfeito para o surf. Enquanto observava os jovens fazendo suas manobras graciosas, pensava em como as circunstâncias, às vezes impróprias para alguns, são exatamente aquilo que outros buscam.

Acomodei-me relaxadamente e, enquanto enchia os olhos com a paisagem idílica, agradecia por ter sido premiado com uma boa dose de tolerância para lidar com as contrariedades e identificar aprendizado nas dificuldades. Um problema, afinal, nem sempre é um problema. Saber extrair algo de enriquecedor de fracassos e frustrações é uma dádiva. Quantas destas situações não são apenas convites preciosos para um seminário de aprofundamento das raízes?

Em toda e qualquer situação, ao invés da lamúria gerada pelo desapontamento, a pergunta deve ser: O que posso aprender aqui? Esta era a pergunta que me vinha à mente, enquanto assistia ao incrível balé de corpos, pranchas e ondas. Nessas alturas, já esquecido do mergulho, me concentrava, cada vez mais, nos corpanzis bronzeados ao longe. Qual é o segredo do surf? O que se pode aprender com essa atividade que para muitos não passa de coisa de adolescentes? As reflexões que viriam a seguir apontariam para uma realidade que poucos consideram.

Ainda que para alguns pareça brincadeira de menino, o surf exige trabalho, concentração, atenção… Surfar pode ser desgastante se o surfista não tiver o preparo adequado. Ficar de pé sobre uma onda, em uma prancha, quando todas as forças conspiram para derrubar quem se atreve a enfrentar as águas, é um enorme desafio. Um surfista aprendiz toma muito “caldo”, muito “capote”, antes de aprender a dominar a arte do equilíbrio. “Caldo”, ou “capote”, na linguagem do surf, significa ser “atropelado” por uma onda, por despreparo, descuido, falta de atenção. Equilibrar-se em meio à insegurança e vencer a fúria incontida das ondas é a grande façanha!

Como no surf, a vida pode nos aplicar caldos inenarráveis se não tivermos equilíbrio! A habilidade de permanecer de pé em meio à voracidade dos turbilhões da vida determina e separa vencedores de perdedores. Dependendo da grandeza da onda, um “capote” pode até matar! Se faltar o equilíbrio na condução dos eventos, veremos interrompido o sonho, frustrado o plano. Em nossa experiência, de modo geral, muitos estudos e experimentos são necessários para que nos mantenhamos de pé sobre as “ondas” das circunstâncias. Algumas provas podem não exigir tanto, mas outras demandarão muita habilidade, caso pretendamos sair vivos do outro lado.

Um princípio básico que todo surfista aprende cedo é não subestimar o mar. Alguns até fazem suas preces antes de entrarem nas águas. Esta demonstração de respeito produz cautela. É uma regra que se aplica a todos os ambientes e vivências. Não se deve subestimar a vida, as pessoas, os momentos. O engajamento com os fatos e seus atores deve ser conduzido com consciência, com reverência, mas sem medo. As águas desse imenso mar podem se apresentar mui calmas em alguns momentos, bravias em outros. Em todos os casos, o respeito é sempre a melhor opção.

Um dia de mar agitado, coloca o pescador de sobreaviso e afasta o mergulhador das águas. Curiosamente, este é o dia que mais atrai o praticante do surf! Alguns preferem o sossego de uma vida monástica, a previsibilidade de um lago, enquanto outros se alegram com a adrenalina produzida pela inquietude do mar. É uma questão de perfil. Não importa para onde você se volta, ou a direção para a qual o seu perfil o conduza, a ideia é fazer sempre com excelência aquilo que propõe fazer. Em todas as áreas da vida há uma onda metafórica a pegar. Prepare-se.