Estratégia, Cálculo e Equilíbrio

 

Tudo o que você precisa saber para alcançar o topo – Sem se matar!

Novo livro de Luiz Leite – Lançamento Editora Petrus – agosto 2013

 

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O Brasileiro e o Livro

Por Luiz Leite

Hoje, ao cair da tarde, pedalando pela praia, observava as pessoas e fazia um levantamento estatístico. De cada grupo de cem pessoas encontrei no máximo duas com um livro na mão. Admiro-me com o número tão inexpressivo de livros na praia. Tá bom, é verdade, praia é lugar de jogar peteca, deitar-se numa esteira ou numa cadeira, tomar sol e relaxar… Concordo. Mas a ausência do livro me incomoda também no ônibus, no avião, no metrô…

Recentemente, viajando para passar as festas de fim de ano com minha família, como sempre, observei no meu vôo duas ou três pessoas apenas com um livro na mão. Noutra ocasião, no metrô em Sã0 Paulo, notei um número proporcionalmente menor ainda de pessoas flagradas com essa que é sem dúvida uma das melhores companhias.  Essas observações, ainda que pareçam tolas para alguns (que não gostam de ler), revelam a cultura de um povo. Será que o brasileiro não aprecia o livro?

Talvez alguém proteste e diga: Isto não é verdade! Temo que as estatísticas provem o contrário. Tempos atrás fiquei chocado com um artigo que li acerca da relação do brasileiro com o livro. O texto informava que há mais livrarias na grande Paris, na França, do que em todo o território brasileiro! Lembrei-me então que durante os anos que morei na Europa sempre me impressionava com o número de pessoas lendo dentro de um ônibus ou trem. Em muitas viagens encontrei livros deixados para trás como que propositadamente para que outros pudessem ter o que ler.

O fato, pode-se argumentar, é que livro no Brasil é caro. Esta é uma verdade constrangedora. Deixa-nos numa sinuca: O brasileiro não lê porque o livro é caro! ou, O livro é caro e por isso o brasileiro não lê! Tudo nesse país é muito caro, talvez extorsivamente caro… Revolto-me todas as vezes que entro numa livraria nos EUA. Como o americano pode comprar livros por um preço melhor que o nosso? Bom, esse assunto e essa revolta não cabem aqui. Ficarão para outro artigo.

Em uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro, Retratos da Leitura no Brasil, os dados constrangem.

(…) Declaram-se não-leitores 48% (não leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa). Essa proporção desce para 45% se forem considerados os que não leram um livro no ano anterior. 33% dos não-leitores são analfabetos e 37% têm até a 4ª série, faixa em que as práticas de leitura ainda não estão consolidadas.

A maior parcela de não-leitores está entre os adultos: 30 a 39 (15%), 40 a 49 (15%), 50 a 59 (13%) e 60 a 69 (11%). O número de não-leitores diminui de acordo com a renda familiar e de acordo com a classe social. Quase não há não-leitores na classe A e há apenas 1% de não-leitores quando a renda familiar é de mais de 10 salários mínimos. Isso pode levar à conclusão de que o poder aquisitivo é significativo para a constituição de leitores assíduos.

As dificuldades de leitura declaradas configuram um quadro de má formação das habilidades necessárias à leitura, o que pode decorrer da fragilidade do processo educacional: lêem muito devagar: 17%, não compreendem o que lêem: 7%, não têm paciência para ler: 11%, não têm concentração: 7%. Todos esses problemas dizem respeito a habilidades que são formadas no processo educacional.

As alegações para a ausência de leitura no ano anterior à pesquisa evidenciam problemas de várias ordens: falta de tempo: 54%, outras preferências:

34%, desinteresse: 19%, falta de dinheiro: 18%, falta de bibliotecas: 15%. Assim, 33% das alegações dizem respeito à falta de acesso real ao livro e 53% dizem respeito ao desinteresse pela leitura. Se considerarmos a falta de tempo uma questão de opção na organização da agenda pessoal, o índice de desinteresse pela leitura cresce muito.

Tais informações parecem configurar um ambiente em que a leitura não é socialmente valorizada, em que o livro não tem um lugar assegurado. Tanto é que 86% dos não-leitores nunca foram presenteados com livros na infância, enquanto no universo dos considerados leitores esse índice cai para 48%. Outra informação importante diz respeito às práticas familiares de leitura.

Nos lares dos não-leitores, 55% nunca viram os pais lendo. Se considerarmos que a maior influência para a formação da leitura vem dos pais (principalmente das mães). No entanto, dado o quadro de que os pais dos entrevistados não têm instrução alguma (23 %), cursaram até a 4ª série do ensino fundamental (23%) ou têm fundamental incompleto (15%), enquanto as mães sem qualquer escolaridade são 26%, 22% fizeram até a 4ª série e 16% têm fundamental incompleto, torna-se muito difícil a inculcação pela família do valor da leitura.

Nosso sistema educacional consegue a façanha de posicionar-se entre alguns dos países mais pobres do planeta, nós que hoje circulamos orgulhosos no circuito seleto das maiores economias mundiais. Se, como disse Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros, receio que tenhamos que caminhar muito ainda até que nosso povo faça do livro uma companhia inseparável.

O Poderoso Magneto

O Poderoso Magneto

Por Luiz Leite

Nunca houve nem jamais haverá alguém que como Jesus exercesse tamanho fascínio sobre os homens. Milhares já disseram isto de uma maneira ou de outra; muitíssimos já discorreram em inumeráveis volumes sobre o “magnetismo” do carpinteiro de Nazaré, e como Ele influenciou e continua influenciando as vidas de milhões de pessoas, não só neste século, mas ao longo dos últimos dois mil anos.

Tantos tem sido os livros escritos por fascinados admiradores que não é de “admirar” que leitores aos milhares se transformem também em admiradores de Jesus. Que se tem escrito muito a respeito de Jesus, portanto, já é fato sabido, mas o “que” se tem escrito a respeito de Jesus é o que intriga. Como no universo da pintura Jesus já foi retratado com as mais diversas faces, assim também no mundo da literatura. Milhares de obras tem sido produzidas oferecendo explicações sobre a pessoa e doutrina do Cristo. Quem é o Jesus que tem sido apresentado nesses muitíssimos livros, e que tipo de doutrina tem sido ensinada por esses milhares de insones escritores que se lançam à delicada tarefa de explicar Jesus? Que tipo de impressão esses escritos têm deixado naqueles que os lêem?

Os escritores detêm, em regra, uma das mais poderosas ferramentas já produzidas pelo homem, qual seja, a habilidade literária; É sempre um perigo provocar o homem que manipula as letras… O escrevinhador que um dia utilizou-se de pedaços pontiagudos de madeira para escrever suas curiosas letrinhas cuneiformes em tabuinhas de argila na antiga Babilônia, depois de ossos molhados em tinta vegetal em papiros no antigo Egito, evoluiu para as penas de ganso, penas de metal, até inventar a moderníssima caneta esferográfica. Agora, numa versão ultra avançada o homem das letras está de posse de um teclado e um processador de textos de última geração. Sem dúvida o homem do teclado está mais perigoso do que nunca.

Os livros tem norteado e nutrido a alma humana desde que o homem, emergindo da escuridão intelectual, concebeu, não com pouco esforço, a escrita. Através de livros escritos em tabletes de argila ou pedra, pergaminhos ou papiros, os escritores vêm iluminando o entendimento de milhões,  proporcionando entretenimento ou um lugar para o qual fugir, mesmo que apenas na fantasia. Dessa maneira, tanto ontem, como hoje, o escrito constitui um dos elementos que mais exercem influência na determinação da maneira de como concebemos o mundo que nos cerca.

Como formador de opinião, o escritor, teoricamente, deveria ter compromisso com a mensagem que propõe veicular. Emerge aqui mais uma vez o confronto do mensageiro com a mensagem. A realidade no entanto, é que a arte se transformou num comércio que movimenta cifras exorbitantes, atraindo assim muitíssimos mercenários que não são de maneira alguma comprometidos com a arte que produzem; é até comum entre os artistas dos mais diversos campos, a busca por um tema popular com o qual trabalhar, pois usualmente tudo o que é popular torna-se passível de ser explorado comercialmente.

No que diz respeito a Jesus muitos tem sido os “mercenários” que lançam-se ao empreendimento de pintá-lo, esculpi-lo, cantá-lo, sem maior envolvimento com a pessoa do Cristo e os ideais que Ele inspira. Jesus é eternamente atual e o que seja em termos da arte, relacionado a Ele, exerce um apelo imediato sobre as pessoas. É óbvio que esse é um fator que define a escolha de um tema quando o assunto é vendas!

Particularmente no caso do escritor como formador de opinião, que tipo de impressão poderíamos esperar ver formada na mente dos leitores, quando o autor que lêem não tem qualquer compromisso com a pessoa de Jesus. Como já vimos, o mensageiro que não encarna a mensagem causa uma impressão pífia, superficial, em seus interlocutores, os quais transmitirão por sua vez, uma versão menos profunda ainda, e assim por diante.

As escrituras sagradas  causam profundo impacto sobre aqueles que as lêem porque os homens que compuseram  os seus 66 livros, eram homens totalmente comprometidos com aquilo que escreveram. Muitos viveram e morreram pela mensagem que pregaram e fizeram imprimir nos rolos sagrados. Estes homens se transformaram nos maiores formadores de opinião de que se tem notícia. Milhares de anos se passaram e os nomes desse escritores continuam sendo lembrados e mencionados com reverência. Eles encarnaram a mensagem que pregaram ao ponto de chegarem a ser confundidos com ela!

Nos dias atuais dispomos, tratando em específico da fé cristã, de um número grandioso de livros que supõem, propõem e impõem esta ou aquela compreensão das escrituras. Essa imensa difusão de obras no entanto tem ocasionado, por falta de comprometimento sério dos seus autores, muita distorção e desvio da verdade revelada; daí tanta opinião desequilibrada, incorreta, distorcida; daí tanta  manipulação de opinião para o benefício de interesses variados.

As chamadas seitas “cristãs” dispõem de livros supondo, propondo e impondo as mais obscuras doutrinas a respeito de Jesus e sua palavra. Não há nada que se possa fazer para impedir essa profusão de livros, músicas, filmes e mais acerca do Cristo. Como um poderoso magneto, Ele continuará atraindo os homens a sí. Ele mesmo disse: “E eu, quando for levantado da terra (Crucificado), atrairei a todos a mim mesmo.” (Jo 12.32) Seu nome continuará sendo citado, sua imagem (imaginária) sendo pintada e palavras, muitas palavras, atribuídas a Ele até que venha o dia em que, segundo o seu Evangelho, pessoalmente pedirá conta aos homens. É aguardar para ver. Aqueles que, fazendo pilhéria, quiserem pagar para ver, que paguem…