Seletividade e Preconceito

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Seletividade e Preconceito

Por Luiz Leite

Classificamos as pessoas. Parece não haver jeito. Não precisamos, contudo, nos deixar tomar por grande culpa por causa dessa tendência. É verdade que em alguns tal tendência é bastante acentuada. Esses tais deveriam se preocupar pois, todo exagero conduz ao erro, e todo erro tem seu preço. Por quê classificamos as pessoas? Este é um expediente necessário. De certo modo, e em certo grau, em um nível mais profundo, está relacionado aos mecanismos de defesa utilizados para autopreservação e sobrevivência. Inconscientes às vezes, tais procedimentos são executados instintivamente, levando-nos a abrir ou não os canais que proporcionem aproximação deste, e travar as portas para garantir o afastamento daquele.

Sim, somos seletivos. Vivemos pressionados a fazer escolhas. Experimentamos, muitas vezes, e de modo frequente, muita ansiedade por causa disso, afinal nem sempre sabemos se estamos fazendo a escolha certa. No campo dos relacionamentos quase sempre selecionamos as pessoas. Não damos o código de acesso à nossa intimidade a qualquer um, e fazemos bem. As senhas que distribuímos determinam as áreas à serem acessadas. A algumas pessoas permitimos que entrem na sala de estar, a outras, na cozinha… Há pessoas, entretanto, que só recebemos “à porta”, quando recebemos. Quais os critérios que utilizamos para decidir quem entra e quem fica de fora? Quem tem nosso apreço ou desprezo?

Geralmente os critérios utilizados são formados a partir do próprio material que essas pessoas fornecem! O material é produzido diariamente, composto de ações, reações, palavras, atitudes, sinais que são emitidos ininterruptamente… No decurso do tempo, traçamos o perfil e, uma vez concluída a construção deste perfil, teremos determinado dentro de nós os valores que vão situar a pessoa naquela escala invisível que cada um desenvolve para si. Esta escala vai orientar nossas relações e escolhas. Quem não passar por aquele filtro ficará à margem. Somos implacáveis, às vezes, pois, uma vez traídos, lesados, vendidos, não importa o grau do prejuízo sofrido, desenvolvemos o trauma causado por esses registros dolorosos e nos tornamos mais e mais desconfiados.

Que somos seletivos, portanto, é fato. O problema é o preconceito, o prejulgamento… O preconceito é execrável. O prejulgamento é desonesto! Classificar as pessoas por meio dos critérios doentes do preconceito (sim, o preconceito assenta-se sobre as premissas de um psiquismo enviesado), e julgá-las, sem antes conhecer todas as faces do seu drama (coisa que só Deus pode fazer) é assinar atestado de uma destemperança medonha, de insensibilidade sem fim e sem fundo… “Quem é você para julgar o servo alheio?” (Rm 14.4)  O próprio Jesus Cristo era seletivo, sem contudo ser preconceituoso. João diz que “Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia.” (Jo 2.24)

Seletivos sim, preconceituosos, pelo amor, não! Dá para entender a diferença entre uma coisa e outra?

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O Poderoso Magneto

O Poderoso Magneto

Por Luiz Leite

Nunca houve nem jamais haverá alguém que como Jesus exercesse tamanho fascínio sobre os homens. Milhares já disseram isto de uma maneira ou de outra; muitíssimos já discorreram em inumeráveis volumes sobre o “magnetismo” do carpinteiro de Nazaré, e como Ele influenciou e continua influenciando as vidas de milhões de pessoas, não só neste século, mas ao longo dos últimos dois mil anos.

Tantos tem sido os livros escritos por fascinados admiradores que não é de “admirar” que leitores aos milhares se transformem também em admiradores de Jesus. Que se tem escrito muito a respeito de Jesus, portanto, já é fato sabido, mas o “que” se tem escrito a respeito de Jesus é o que intriga. Como no universo da pintura Jesus já foi retratado com as mais diversas faces, assim também no mundo da literatura. Milhares de obras tem sido produzidas oferecendo explicações sobre a pessoa e doutrina do Cristo. Quem é o Jesus que tem sido apresentado nesses muitíssimos livros, e que tipo de doutrina tem sido ensinada por esses milhares de insones escritores que se lançam à delicada tarefa de explicar Jesus? Que tipo de impressão esses escritos têm deixado naqueles que os lêem?

Os escritores detêm, em regra, uma das mais poderosas ferramentas já produzidas pelo homem, qual seja, a habilidade literária; É sempre um perigo provocar o homem que manipula as letras… O escrevinhador que um dia utilizou-se de pedaços pontiagudos de madeira para escrever suas curiosas letrinhas cuneiformes em tabuinhas de argila na antiga Babilônia, depois de ossos molhados em tinta vegetal em papiros no antigo Egito, evoluiu para as penas de ganso, penas de metal, até inventar a moderníssima caneta esferográfica. Agora, numa versão ultra avançada o homem das letras está de posse de um teclado e um processador de textos de última geração. Sem dúvida o homem do teclado está mais perigoso do que nunca.

Os livros tem norteado e nutrido a alma humana desde que o homem, emergindo da escuridão intelectual, concebeu, não com pouco esforço, a escrita. Através de livros escritos em tabletes de argila ou pedra, pergaminhos ou papiros, os escritores vêm iluminando o entendimento de milhões,  proporcionando entretenimento ou um lugar para o qual fugir, mesmo que apenas na fantasia. Dessa maneira, tanto ontem, como hoje, o escrito constitui um dos elementos que mais exercem influência na determinação da maneira de como concebemos o mundo que nos cerca.

Como formador de opinião, o escritor, teoricamente, deveria ter compromisso com a mensagem que propõe veicular. Emerge aqui mais uma vez o confronto do mensageiro com a mensagem. A realidade no entanto, é que a arte se transformou num comércio que movimenta cifras exorbitantes, atraindo assim muitíssimos mercenários que não são de maneira alguma comprometidos com a arte que produzem; é até comum entre os artistas dos mais diversos campos, a busca por um tema popular com o qual trabalhar, pois usualmente tudo o que é popular torna-se passível de ser explorado comercialmente.

No que diz respeito a Jesus muitos tem sido os “mercenários” que lançam-se ao empreendimento de pintá-lo, esculpi-lo, cantá-lo, sem maior envolvimento com a pessoa do Cristo e os ideais que Ele inspira. Jesus é eternamente atual e o que seja em termos da arte, relacionado a Ele, exerce um apelo imediato sobre as pessoas. É óbvio que esse é um fator que define a escolha de um tema quando o assunto é vendas!

Particularmente no caso do escritor como formador de opinião, que tipo de impressão poderíamos esperar ver formada na mente dos leitores, quando o autor que lêem não tem qualquer compromisso com a pessoa de Jesus. Como já vimos, o mensageiro que não encarna a mensagem causa uma impressão pífia, superficial, em seus interlocutores, os quais transmitirão por sua vez, uma versão menos profunda ainda, e assim por diante.

As escrituras sagradas  causam profundo impacto sobre aqueles que as lêem porque os homens que compuseram  os seus 66 livros, eram homens totalmente comprometidos com aquilo que escreveram. Muitos viveram e morreram pela mensagem que pregaram e fizeram imprimir nos rolos sagrados. Estes homens se transformaram nos maiores formadores de opinião de que se tem notícia. Milhares de anos se passaram e os nomes desse escritores continuam sendo lembrados e mencionados com reverência. Eles encarnaram a mensagem que pregaram ao ponto de chegarem a ser confundidos com ela!

Nos dias atuais dispomos, tratando em específico da fé cristã, de um número grandioso de livros que supõem, propõem e impõem esta ou aquela compreensão das escrituras. Essa imensa difusão de obras no entanto tem ocasionado, por falta de comprometimento sério dos seus autores, muita distorção e desvio da verdade revelada; daí tanta opinião desequilibrada, incorreta, distorcida; daí tanta  manipulação de opinião para o benefício de interesses variados.

As chamadas seitas “cristãs” dispõem de livros supondo, propondo e impondo as mais obscuras doutrinas a respeito de Jesus e sua palavra. Não há nada que se possa fazer para impedir essa profusão de livros, músicas, filmes e mais acerca do Cristo. Como um poderoso magneto, Ele continuará atraindo os homens a sí. Ele mesmo disse: “E eu, quando for levantado da terra (Crucificado), atrairei a todos a mim mesmo.” (Jo 12.32) Seu nome continuará sendo citado, sua imagem (imaginária) sendo pintada e palavras, muitas palavras, atribuídas a Ele até que venha o dia em que, segundo o seu Evangelho, pessoalmente pedirá conta aos homens. É aguardar para ver. Aqueles que, fazendo pilhéria, quiserem pagar para ver, que paguem…