Lei x Graça


A Lei e a Graça

Por Luiz Leite

O Evangelho segundo João registra no capítulo de número oito um dos momentos mais cruciais na história da redenção. João relata ali o encontro tenso e constrangedor entre Jesus, os mestres da Lei e os fariseus, e uma mulher surpreendida em flagrante adultério.

Os mestres da Lei e os fariseus estavam sempre buscando um meio de pegar Jesus no contra pé, eles que gostavam de uma controvérsia religiosa. Na verdade, andavam enciumados e morrendo de inveja da forma como as multidões acorriam para os lugares onde Jesus estava pregando e não mais davam atenção ao seu discurso insípido e enfadonho.

Na verdade, esse encontro entre os personagens citados, é apenas uma metáfora, representando um quadro muito mais amplo e profundo. O que temos aí não é apenas o encontro de Jesus com alguns religiosos de plantão, tentando condenar uma mulher que, sabe-se lá por quais razões, entregou-se a uma vida de volúpia e devassidão.

Esse encontro, ainda que tenha acontecido de fato é no fundo uma alegoria. O que temos aí é o confronto titânico entre a Lei e a Graça! Os fariseus e escribas de um lado representando a Lei, Jesus, do outro, representando a Graça, e a mulher pecadora no meio, representando quem?? a mulher adúltera representa a mim e a voce, a humanidade corrompida.

A Lei acusa, expõe, condena… a Graça perdoa, liberta, restaura… Os escribas querem apedrejá-la, fazendo cumprir a Lei. Jesus, entretanto, trazendo a Graça, gentilmente convida os algozes ao derredor a um exame de consciência, com uma pergunta que já se tornou proverbial: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja este o primeiro a atirar-lhe pedra”?

Quem poderia? É óbvio que nenhum deles poderia fazê-lo. Naquele dia a hipocrisia viu-se diante de uma muralha intransponível. Com uma simples frase o Mestre dos mestres desarmou a multidão e com a elegância que lhe era peculiar dissolveu a pendenga e pôs fim à polêmica. Do mais moço ao mais velho, certamente envergonhados, todos se retiraram, deixando-o só com a mulher.

A Graça triunfou sobre a Lei e o pecador saiu livre!

Às vezes somos implacáveis com aqueles que erram, que falham conosco. No nosso direito, pois afinal nos julgamos muito corretos, desembainhamos a espada da Lei e sem misericórdia executamos o pecador. Num outro episódio a Escritura conta que Pedro, quando da prisão de Jesus, sacou da espada e feriu um dos soldados que viera prender o seu Mestre, decepando-lhe a orelha… Jesus, o príncipe da paz, diante da violência do seu mais impulsivo discípulo, disse: “Pedro, guarda a espada, porque quem com espada fere, com espada será ferido”. Poderíamos, usando um jogo de palavras, dizer que, “quem com a lei afere com a lei será aferido“… Será que somos assim tão justos?

E a mulher? o que aconteceu com a mulher? Pois bem, a mulher adúltera a quem Jesus livrou do apedrejamento naquele dia teria sido uma certa Maria de Magdala. Dessa Maria Jesus expeliu sete demônios. Pois foi essa Maria, e não João, ou Pedro, ou qualquer dos apóstolos, que teve o privilégio de ver pela primeira vez o Cristo ressurreto. Por que? Porque por onde começou a queda é que deveria ter início a redenção!

Anúncios