O Gênio da Lâmpada

O Gênio da Lâmpada

Por Luiz Leite

Não é a linha deste blog atacar pessoas ou instituições. Sinto-me, entretanto, no dever de combater idéias, ainda que não seja contado entre aqueles que ostentam credenciais oficiais de apologeta. A ortodoxia não tem a última palavra em todas as questões de ordem doutrinária, é verdade. Qualquer servo de Deus que tenha atingido relativa maturidade há de reconhecer humildemente que determinadas questões de grande complexidade não podem ser resolvidas pela canetada de um dos catecismos desta ou daquela confissão denominacional. Daí, entretanto, a tripudiar sobre a revelação e publicar o que se quer sobre as Escrituras, é um atentado grave.

Há um bom consenso formado entre os mais diversos grupos confessionais no campo da Pneumatologia (Doutrina do Espírito Santo). O respeito devido à terceira pessoa da Trindade assim já foi há muito estabelecido. Dia desses, entretanto, ao ligar o rádio no meu carro haveria de ser surpreendido a ponto de não acreditar no que ouvia. O dono de certo grupo religioso conseguiu a proeza de me deixar boquiaberto ao publicar mais uma de suas pérolas.

Todo estudioso sério das Escrituras sabe bem que a alegoria é um método que demanda muitíssimo cuidado quando aplicado na interpretação dos textos sagrados. Pois qual não foi minha curiosidade ao ouvir o bispo começar sua prédica invocando um conto das arábias. A princípio pensei que usaria o conto de Aladim e sua lâmpada maravilhosa como recurso didático em sua pregação. Após contar abreviadamente a fantástica estória do achado mágico de Aladim, o bispo simplesmente fez a ponte mais louca que já vi para aplicar a ilustração a uma verdade bíblica. Afirmou, para o meu completo espanto, como se recebendo um revelação profunda: “O gênio da lâmpada é o Espírito Santo!” Enquanto me contorcia ao volante como que acometido por uma forte crise renal ao ouvir tamanha baboseira, o bispo repetiu: “Sim, o Espírito Santo é o gênio…”

Não podia acreditar no que estava ouvindo. Pensava enquanto dirigia: “Não é verdade que este homem esteja dizendo isto!” Infelizmente estava enganado. O homem estava falando sério. Afirmava em seu “ensino”: O Espírito Santo é o gênio da lâmpada… Ora, é sabido de todos que o gênio é uma representação/tipo da velha serpente que oferece ao homem aquilo que pedir o seu coração concupiscente. O que ficava semeado de modo direto é que se seus ouvintes quisessem ter um gênio da lâmpada tal como Aladim, bastaria entrar na campanha da igreja e pronto. Receba o seu gênio!!! Implícito, estava veiculado de modo nem um pouco subliminar que, como Aladim, o caro ouvinte ao receber o “espírito santo”, teria o seu próprio gênio, podendo fazer uso de todas as possibilidades que uma condição tal proporciona. A heresia que um dia se propôs velada, hoje apresenta-se escrachada… Os tempos da apostasia estão aí. Os fatos falam por si.

O Templo de Edir

O Templo de Edir

Por Luiz Leite

Salomão construiu uma obra magnífica que ficou conhecida como o templo de Salomão. O templo de Edir também vem aí. Ouvi dia desses o bispo dizer que construirá uma réplica do Templo de Salomão na cidade de São Paulo. Fiquei algo perplexo ao ouvir o bispo dizer que os judeus poderão oferecer seus sacrifícios lá, uma vez que não tem um templo próprio!  Disse crer que judeus virão e farão seus sacrifícios ali, ainda que seja uma igreja evangélica. Do que está falando o bispo? A que tipo de sacrifício se refere? Só pode estar fazendo menção a sacrifício de dinheiro, ou estaria referindo-se ao sacrifício de bodes e carneiros?

Mais que certamente a referência aponta para os já famosos sacrifícios de dinheiro. A relação entre dinheiro e templo é antiga. Na verdade, para que se construísse o primeiro tabernáculo, o próprio Deus orientou a Moisés que pedisse ao povo que trouxesse os valores necessários. Moisés fez o apelo e o povo respondeu com alegria, trazendo ouro, prata e tudo o mais. Moisés, entretanto, ao contrário do que muito comumente se vê em outros líderes no decorrer da história da religião, ao invés de tomar proveito daquela tentadora disposição do povo, pede ao povo que pare de trazer as ofertas tão logo completa o necessário para a execução do projeto. “Então, ordenou Moisés-e a ordem foi proclamada no arraial, dizendo: Nenhum homem ou mulher faça mais obra alguma para a oferta do santuário. Assim, o povo foi proibido de trazer mais.” (Ex 36.6)

O Templo de Salomão foi destruído no ano 70 dC com o assentimento de Deus. A nação havia se desviado e o culto ao Deus de Abraão havia se tornado mecânico e corrompido. De certa feita os discípulos, provincianos que eram, ao visitarem o templo, impressionados com sua grandeza, “… aproximaram dele (Jesus) (…) para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.” (Mt 24.1-2)

Noutra ocasião, ao entrar nos recintos do templo, o Senhor Jesus foi tomado por grande indignação ao deparar-se com o mercado em que havia se tornado o lugar que deveria ser sagrado. “Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.”  (Jo 2.13-16)

A profecia de Jesus com respeito à destruição do templo tinha dois aspectos básicos. em primeiro lugar, Deus estava para inaugurar um novo tempo onde o centro do culto não seria mais Jerusalém ou qualquer outro lugar físico (Jo 4.21); Seus adoradores adorariam em espírito e em verdade (Jo 4.24 ) A teologia do Novo Testamento vai afirmar, seguindo o ensino de Jesus ministrado aos samaritanos, que  “o Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. (Atos 17.24); Era necessária a cessação das atividades do Templo em Jerusalém para que a nova aliança entrasse em vigor. Deus Em segundo lugar, Deus estava para trazer o juízo sobre uma nação e religião desviadas do própósito para o qual haviam sido estabelecidas…

Por quê o templo dos judeus não foi reerguido nos últimos cerca de dois mil anos? Porque os judeus não o quiseram? Não, porque o próprio Deus não o quis. É sempre assim. Se não cumprirmos o propósito para o qual fomos criados, seremos inexoravelmente removidos do nosso lugar… Não ficará pedra sobre pedra!