Roubados!

Por Luiz Leite

O Brasil é muito bom! Sem dúvida, é um país fantástico para se viver, apesar de todas as suas mazelas. Pagamos, entretanto, muito caro para viver aqui. O custo Brasil (expressão que denuncia a ineficiência brasileira na área de infraestrutura e logística) está entre os mais altos do mundo. Parte deste custo é justificável, mas grande parcela é produto da ganância do Estado. Em se tratando de ganância, para se ter uma idéia, enquanto nos EUA a participação dos tributos no preço final do veículo é de apenas 6%, no Brasil a cifra sobe para 30%!

No Brasil, a revolução no consumo está ocorrendo de maneira mais agressiva do que em outros lugares”. Isto disse o consultor Henry Manson à revista Isto É, em boa matéria sobre o consumo no país. Essa “maneira agressiva” com que os brasileiros estão comprando revela o óbvio deslumbramento de um batalhão enorme de pessoas que ficou privado por tantos  anos do sedutor e perigoso “prazer” de ir às compras.

Que o brasileiro é vaidoso sabe bem aqueles que já tiveram a oportunidade de conviver com outros povos para colher os elementos básicos necessários à comparação. A frase do consultor me incomoda. O comportamento voraz do consumidor revela uma atitude conformista e absolutamente passiva do brasileiro em relação aos preços extorsivos praticados por aqui.

Foi matéria de capa da Veja dia desses que o Brasil tem o Iphone mais caro do mundo! Mas não é apenas o brinquedinho da Apple que chama a atenção. Inúmeros outros artigos são excessivamente caros!  O que justifica que paguemos por um UNO, em dólar, o preço de um Honda Civic na Europa?

Quarto maior mercado consumidor de automóveis do mundo, o Brasil pratica preços impraticáveis. O consumidor deslumbrado paga feliz!. Para exemplo, um Honda City, fabricado em Sumaré, interior de São Paulo, exportado para o México, paga frete, e demais custos de exportação. O consumidor mexicano paga por esse carro o equivalente a R$ 25.800,00 enquanto nós os brasileiros pagamos R$ 56.210,00 pelo mesmo modelo!

Fanfarrão passivo, em muitos casos desinformado, o brasileiro, sem conhecimento de direitos, do Direito, é lesado descaradamente. Dia desses fui conversar com um advogado sobre revisão de financiamento de veículos e descobri, para meu espanto, que os juros praticados são abusivos ao extremo. A impressão que se tem é que estamos sendo roubados. Ao mesmo tempo que nos encanta com sua beleza ímpar, o Brasil também nos fura os olhos! Temos razões de sobra para ficar indignados, afinal os olhos são nossos!

Crônica do Ano que Passou

Crônica do ano que passou

Por Luiz Leite

Escrever uma crônica do ano que passou é como rascunhar uma crônica de todos os anos que passaram e daqueles que ainda virão. Salomão sabia disso. Escrevendo o seu estupendo e provocante Eclesiastes diz: “O que foi é que há de ser e o que se fez isto se tornará a fazer, nada pois há novo debaixo do sol.”

Vivemos dias conturbados, diria tanto o homem comum como os cônsules nos dias agitados em que a 13ª legião de César cruzou o Rubicão e marchou sobre as terras da Itália. Mas a mesma coisa seria dita por cidadãos de eras passadas e séculos porvir. Há muito barulho, muitos rumores no ar. Vivemos dias conturbados – conclui pasmada cada geração. Quem disser o contrário será duramente resistido. Quando o otimista Leibniz disse que vivemos no melhor dos mundos possíveis, atraiu o sarcasmo do cínico Voltaire que, usando o terremoto que destruiu Lisboa em 1755 como argumento, criticou severamente o crente Leibniz.

Crises de todas as ordens sacodem a ordem social a cada ano, séculos a fio. Disputas intestinas na política, desvarios na condução da economia,  colapsos institucionais, desastres ambientais sacodem o mundo e alimentam a mídia a cada dia. O mundo parece estar à beira de um precipício. Em meio à tormenta, uma boataria desencontrada insufla nas massas um sentimento de suspense ainda maior, em virtude da falta de certeza em relação às informações veiculadas. Mais uma vez estamos às voltas com o fim do mundo!

Enquanto isso, no planalto central do Brasil a sucessão ininterrupta de CPIs tece o enredo de uma novela de péssima qualidade. Nada mais sem graça do que um roteiro com final previsível. A troca frequente e frenética de farpas e acusações, sempre e eternamente despachadas como intriga da oposição, parece nunca conduzir a qualquer efeito. Cortinas de fumaça são criadas para encobrir os desmandos e desvios de meliantes sofisticados. Empertigados dentro de seus ternos bem cortados pelas melhores e mais caras grifes, uma afronta à nação, permanecem administrando suas carreiras sem maiores desconfortos.

Os escândalos políticos continuam viscejando como sempre. Em países como EUA ou China muitos dos figurões da vida pública nacional estariam presos ou mortos! Pois muitos protagonistas de maracutaias homéricas permanecem, ainda que afastados de seus cargos por improbidade, influenciando e traficando influência nos palácios de Brasília. Sempre e eternamente repetem o mesmo refrão: Inocente! Na maioria das vezes devem sim, mas batem pé e, ofendendo a opinião pública, dizem para si mesmos entre dentes: “Devo e não pago; nego enquanto puder!”

O próprio governo se encarrega de blindar seus expoentes, mesmo sabendo dos seus desvios. Ainda que, cínicos, afirmem nada saber, sabemos bem que sabiam de tudo! O último popular e celebrado governante que tivemos tornou-se notável pela capacidade que tinha de acobertar os crimes de seus correligionários delinquentes que, alegando perseguição, sempre mostram-se tranquilos ante as acusações, seguros que estão da impunidade. Poderia ser  dado aqui um rosário imenso de nomes e eventos que não resultaram em absolutamente nada.

Desespera deitar o olhar sobre o cenário e concluir que uma crônica do ano que passou servirá para descrever esse ano e todos os anos que virão, bastando apenas mudar as datas.

A economia e o fim do mundo

Economia do fim do mundo

Por Luiz Leite

Dizem que agosto, “mau gosto”, é um mês de azar, de cachorro doido… As expectativas de tempos de refrigério e uma espécie de renovo mágico recaem sobre setembro. Quando menino ouvia, encantado, lá nos cafundós da Bahia, pelas ondas do rádio, a belíssima “manhãs de setembro”, na voz de Vanusa. Desde então grudou no meu inconsciente a relação entre setembro e algo fresco, inaudito, alvissareira novidade. Ainda que não liguemos para tais superstições que envolvem dias ou meses, de modo geral a aproximação de setembro nos enche de uma curiosa sensação, ingênua diria, de que algo especial está a caminho.

Pois a sombra que toldou os céus do mundo não se dissipou em setembro… Setembro chegou e se foi sem dizer a que veio. Não confirmou as expectativas pueris dos românticos. As boas novas não correram os campos como esperado. Pelo contrário, notícias de assombro tomaram as páginas dos jornais. Os mercados do mundo estão “derretendo” segundo o jargão dos analistas. Economias antes vistas como sólidas, mostram-se em suspense, inseguras, em compasso de espera. Todos agora esperam por um milagre, uma jogada mirabolante que tire tais economias do buraco em que se encontram.

Segundo alguns, o repertório dos magos das finanças internacionais está se esgotando, se não já se esgotou. O quadro que pintam assusta. Não há mais o que inventar. Não há como tirar coelhos da cartola ou sacar um “Ás” da manga… Nesse ínterim a lista de países “quebrados” vai aumentando. O efeito da “quebradeira” produz um fenômeno curioso. Os países do mundo que ainda estão de pé, se reunem com os “falidos” para falar de cooperação, de ajuda mútua. Novas alianças surgem a cada momento e o cenário sugere mais enfaticamente uma solução comum que satisfaça a todos.

O colapso das economias globais está bem desenhado. Por essa razão os governantes estão costurando tratados e mais tratados para evitar o pior. Entre os líderes mundiais cogita-se a necessidade de uma liderança central para sanar as dificuldades quase insolúveis nas quais o mundo se meteu. Os sistemas políticos e econômicos conhecidos estão paralisados e sem saber o que fazer. Pois é exatamente em meio a esta convulsão  que, do mar das nações surgirá, mais dia, menos dia, o pai de todas as trucagens. Encantará mais uma vez, como fazem os magos, deixando a todos pasmos, com uma resposta mirabolante ao problema incontornável.  O autor do apocalipse diz:

“E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio. E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses…” Apocalipse 13:1-9

Não se pode afirmar que será dessa vez que a tal besta medonha vai se manifestar, mas o que não se pode negar é que um ensaio geral está em franco andamento! O balé das sombras está dando seus passos.

Lições da Grécia

 

Por Luiz Leite

A economia globalizada, fenômeno dos nossos dias, trás consigo algumas características curiosas. Os grandes “players” que protagonizavam a cena e que antes desprezavam as economias nanicas, despachando-as como “repúblicas da banana”, hoje mudaram dramaticamente a postura. É do maior interesse de todos que todos se dêem bem. A arrogância de outrora tem dado lugar a uma espécie de expansão de consciência onde, finalmente, parece estarmos começando entender que o bem estar do outro de algum modo contribui para o meu próprio bem estar.

O que se passava com o longínquo oriente ou uma ilha gelada nos mares do atlântico norte pouco interessava ao habitante dos trópicos e vice-versa. As regras mudaram, e muito. Nunca antes se percebeu com tanta clareza como o fracasso de um país pode afetar o desempenho de outro, principalmente se o outro é um país vizinho. Presenciamos atualmente os esforços combinados dos países europeus para evitar que as economias de países do bloco naufraguem. As economias mais fortes estão lutando juntas para ajudar países como Irlanda, Portugal, Espanha e a maior ameaça de todas, a Grécia, que encontra-se à beira de um colapso. A queda da Grécia não é boa para ninguém, nem mesmo para o “inimigo” histórico ao lado, a Turquia.  

Poucas pessoas, senão aquelas que tem uma formação acadêmica na área, sabem exatamente o que está acontecendo com a economia em mais um momento de pânico nos mercados mundiais. As razões que explicam o que conduz países e grandes corporações à bancarrota são basicamente as mesmas que estão por trás da falência nas finanças individuais. Países e indivíduos “quebram ” devido a má gestão de seus recursos. Se gerenciássemos bem nossas vidas e finanças não conheceríamos o fosso, às vezes intransponível, das dívidas. A Grécia encontra-se diante desse fosso. Vinha  gastando além dos limites, ignorando a regra básica.

Na gestão financeira existem regras básicas que jamais deveriam ser violadas. É tão simples e conhecida a regra de ouro que diz que não se pode gastar mais do que se ganha. Esse axioma, entretanto, está perigosamente errado. Não se pode gastar mais do se ganha? Isto não se traduz em inteligência financeira! Mesmo que não se ultrapasse o limite do orçamento, basta gastar o que se ganha para que a vida começe a encontrar dificuldades na área referida. Voce não pode gastar o que voce ganha! Gratificar seus desejos agora (sem poder) para pagar depois, é quase sempre sinônimo de falta de inteligência financeira, para não dizer outra coisa… Se voce acha que, porque ganha 1000 pode gastar esses 1000, receio que esteja muitíssimo enganado!

O consultor financeiro Pedro Queiroga Carrilho apresenta 5 lições básicas que deveriam ser firmemente observadas por aqueles que desejam ter sossego nessa área:

  • Gaste menos do que ganha.
  • Faça uma gestão saudável do seu orçamento doméstico. Use crédito apenas para a compra de bens de longo prazo, como casa ou automóvel (se houver garantias de renda para honrar as parcelas, é óbvio)
  • Assim que receber seu salário, guarde uma parte. Nesse caso, não pense no valor, mas na percentagem: o ideal é reservar, no mínimo, 10% do seu salário
  • Faça como as empresas, que controlam a entrada e a saída de recursos e depois definem um orçamento para cada tipo de despesa. Faça uma lista com todos os seus gastos. Se, ao fim do mês, você concluir que gastou R$ 600 com alimentação, por exemplo, reserve esse valor para esse tipo de despesa no mês seguinte
  • Reserve um tempo da semana para fazer o dinheiro trabalhar por você. Isso significa investir o dinheiro que separou do salário: pode ser na poupança, em títulos de renda fixa ou em ações. Quanto mais cedo você começar a investir, mais o dinheiro vai se multiplicar

A administração desastrada das finanças decorre, entre outras coisas, da falta de noção que muitos tem acerca de sua relação com o dinheiro. Dinheiro é coisa séria. Jamais subestime seu poder. Dinheiro não trás felicidade, diz o bordão, mas faz as pessoas sorrirem (quando se tem) e, mais do que se sabe, faz muitas outras chorarem (quando não se tem). Sei que precisamos de dinheiro para financiar o ir e vir da vida, mas sejamos cuidadosos: Se os recursos estão escassos, vá de lotação. Pelo menos por enquanto! Tenha uma boa vida.