Heróis sem caráter

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Por Luiz Leite

Fui apaixonado pela Esquerda, entre outras drogas lícitas e ilícitas, em minha adolescência  e primeiros anos de idade adulta. Os jovens são, por natureza, idealistas, e por falta de exame profundo das ideologias que abraçam, iludidos. Por ter sido um dos tais, tenho paciência para com os comunistas dentro desta faixa etária. Minha paciência, entretanto, que não é de Jó, despenca vertiginosamente quando no trato com comunistas e delinquentes velhos. Neste ponto desconsidero o princípio de respeito e honra devido aos mais velhos e acato o conselho lúcido de Rui Barbosa que disse: “não se deixe enganar pelos cabelos brancos. Os canalhas também envelhecem.”

Uma das marcas da canalhice é a desonestidade. Seu modus operandi institucionaliza o desvio. Falta aos canalhas o pilar central do caráter. Parece que isto é bastante frequente entre os comunistas. Por pautarem sua agenda entre meias  verdades e mentiras, acabam se tornando uma usina de produção de heróis sem caráter. A biografia de quase todos os seus ícones sagrados, venerados como deuses (caídos), é manchada pela corrupção e pelo sangue de milhões de assassinatos chancelados por regimes dirigidos por facínoras (☆) como Stalin, Mao Tsé Tung, Pol Pot, Fidel, entre outras divindades menores. (☆) Se o termo “facínoras” incomoda, pergunte-se aos milhares de milhares de órfãos e viúvas desses regimes por um adjetivo mais apropriado.

No projeto de poder da Esquerda os fins são o que importa. Que se danem os princípios! Às favas com os valores cristãos! Para a esquerda o homem é centro e a própria “raison  d´être” (razão de ser). E Deus? Ora, apenas um instrumento para ludibriar e arrancar o voto e apoio dos pobres, geralmente crédulos. Vimos dia desses um arremedo de missa promovida pela Esquerda que deixou envergonhados e enfurecidos cristãos sinceros de todas as matizes. Eles rezam e fazem o sinal da cruz, mas desonram, pisam e repisam tudo aquilo que a cruz representa. Usam de tudo, até de setores da igreja que se rendem a volúpia pelo poder.

Sua maior arma, a propaganda ideológica, tem por munição a mentira, bem elaborada ou descarada. Gostam de se apresentar como paladinos da esperança, prometendo defender os direitos do indivíduo mas a primeira coisa de que lhe privam é o direito de pensar diferente. O que menos se pode verificar em sua cruzada libertária em favor dos oprimidos, é a  defesa dos humanos direitos. Capitalizam sobre a pobreza e, como ninguém, sabem manipular essas massas carentes de pão, inclusão e justiça. Operam como os barões do tráfico que compram o apoio  dos bolsões de pobreza das periferias carentes, oferecendo-lhes alguns poucos  benefícios enquanto desviam bilhões. Seu discurso paternalista  convincente que promete preencher tais lacunas, arrebata, fideliza e rende popularidade.

Em todos os cantos do mundo onde o engodo da Esquerda se instalou no governo,   aparelhou o Estado e fez calar, por todos os meios, as vozes dos seus contrários, suprimindo toda e qualquer forma de expressão democrática. Causa náusea ouvi-los usar  o termo democracia em seus discursos. São truculentos, mal intencionados e  intolerantes. E isto não sou eu, anti – comunista, que afirmo. É a história! A Esquerda é desonesta moral e intelectualmente. Esta desonestidade passa despercebida aos olhos dos simples pois vem sempre bem embalada, travestida de virtude. Ao afirmar a desonestidade da Esquerda, não estou com isso querendo dizer que a Direita seja o último bastião da verdade. A Direita também corrompe e é corrompida. A Esquerda, entretanto, aperfeiçoou o crime e o levou ao status de “estado da arte” em termos de corrupção. É voraz, violenta, subterrânea, dissimulada, e todo o rosário imenso de adjetivos irmanados a esses.

No Brasil vimos nesses dias ser levado para a prisão o demiurgo de Garanhuns, “a alma mais honesta que esse país jamais viu.”  Julgado e derrotado nas quatros instâncias, continua arrotando insultos à justiça e à polícia federal,  enquanto sua militância insiste em repetir o mantra de “presunção de inocência” como argumento irrebatível contra a suposta injustiça cometida contra o semideus de Pernambuco. Os 16 juízes que julgaram sua causa deveriam ser exonerados por incapacidade! Todos os outros atores do maior caso de corrupção da história (que até hoje veio à tona) admitiram seus crimes e fizeram “mea culpa” público. Os dirigentes da Esquerda que (des)governaram a nação por mais de uma década e protagonizaram a sangria bilionária de recursos públicos negam, desavergonhadamente, qualquer ilícito. Sem o menor pudor culpam a justiça por descobrir suas vergonhas. É mesmo difícil acreditar que alguém possa sustentar inocência por tanto tempo e sob uma tal avalanche de provas. Pois ele diz que vai faze-lo. Seus correligionários acreditam. Como historicamente os comunistas não creem em Deus, resta-lhes crer nesses simulacros mulambentos de deuses (Chaves, Maduro, Kim Jong-un…) que eles mesmos fazem! 
Espero, milhões comigo, que o semideus tupiniquim permaneça o resto dos seus dias em um presídio federal cumprindo a pena que lhe cabe. Espero também que o playboy de Minas Gerais, o velho dono do Maranhão, o camaleão coronel das Alagoas, bem como os demais sangue sugas da nação, sejam em breve alcançados pelo doce mão da justiça e terminem seus dias longe dos palácios de Brasília!

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Um país sem vergonha!

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Por Luiz Leite

Quando Charles De Gaulle, presidente da França, disse, em meados dos anos 60, que o Brasil não era um país sério, notas de protesto ressentido se fizeram ouvir por todos os cantos da nação. Enraivecidos, milhões reagiram à observação do francês como se este tivesse chamado sua mãe de mulher de vida fácil. Décadas depois outro francês, Gerome Valcke, secretário geral da FIFA, acirraria os ânimos dos fervorosos patriotas ao dizer, com as obras atrasadas no meio dos preparos para o grande fiasco da copa de 2014 (naturalmente para dar tempo de superfaturá-las ainda mais), que precisávamos de um belo“chute na bunda” para as coisas saírem no tempo apontado.

Se fôssemos mais honestos receberíamos críticas com mais humildade e reflexão mas, como é comum à natureza humana, preferimos naufragar com a bajulação a ser salvos pela crítica. Com todo o respeito aos cidadãos de bem, aqueles que compõem a verdadeira reserva moral da nação, o Brasil talvez não seja uma República das Bananas, considerando o tamanho respeitável de sua economia, mas sem dúvida é um país de bananas! Temos sido roubados descaradamente por um bando de quadrilheiros que se instalaram no poder e toleramos passivamente que esses mequetrefes descarados ainda nos governem!

Estamos em maus lençóis! Não podemos confiar em uma palavra que dizem esses bilontras com seu discurso pronto sobre ética e transparência na gestão da coisa pública. É de causar náusea ouvi-los! Ninguém assume nada. Todos são vítimas de uma conspiração para derrubá-los… Posam de santos, mártires, imaculados como a virgem! Vimos o presidente da república, Michel Temer, pela segunda vez, comprar sua sentença, coisa comum neste país, através de manobra política que envolveu distribuição de dezenas de cargos de confiança. Na mesma semana vimos o Senado Federal, passar a mão na cabeça do senador Aécio Neves, que só não foi preso ainda por causa da imunidade parlamentar. Confirma-se, mais uma vez, ser o senado, com parcas exceções, um covil de ladrões advogando em causa própria. Dos 44 parlamentares que votaram a favor de Aécio, 28 respondem a ações penais ou inquéritos, segundo o jornal O Globo.

Manobras descaradas realizadas por partidos qualificados pelo ministério público federal como organizações criminosas seguem acontecendo no congresso nacional. Quase nada ali reflete os anseios da nação que, a cada dia vê aumentar a agonia… Uma pergunta é comum a todos: Até quando? Vê-se avolumar o coro pelo inconcebível: intervenção militar. Ninguém dentro do Estado democrático de Direito desejaria tal coisa! Mas o clamor que aumenta revela os níveis do desespero de um povo que está cansado de ser achincalhado. Em palestra recente, para aumentar a indignação, o procurador da República Deltan Dallagnol disse que as malas de dinheiro continuam correndo por aí, à despeito da operação lava-jato. O Brasil mata os seus filhos de constrangimento, vergonha e raiva… O recurso dos desesperados nunca é a melhor opção, mas, às vezes, costuma ser a única! Que país é esse? Este é o país que construímos, eu, tu, ele, nós, vós, eles…

HABEMOS HEROS

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Por Luiz Leite

Um país precisa de heróis. Aqueles ícones da historiografia que arrebatam, fascinam e inspiram… Com exceção dos heróis domésticos, nossos pais e mães, o Brasil é um país pobre em termos de heróis. Nossa história até que tentou produzir alguns aqui e ali, mas sem sucesso. A República, que nasceu às pressas, sem bandeira, sem hino – para nossa vergonha cantaram a Marselhesa, quando de sua proclamação! – e também sem herói, teve que chamar às pressas o pobre alferes mineiro Joaquim José da Silva Xavier, vulgo Tiradentes, do seu silêncio sepulcral, para servir ao novo regime como figura central no projeto republicano de unificar o grande e disperso país.

Tentaram nos convencer do heroísmo de Tiradentes, da bravura de Caxias, da ousadia de Dumont, mas apesar dos esforços dos artífices da nação, permanecemos sem heróis de fato! A futilidade de muitos dá mais projeção aos astros do futebol do que àqueles que se entregam à causas de maior relevância na construção da nação. Em palestra dia desses em Santiago do Chile, compartilhei com os presentes sobre o desconforto que sinto quando, ao dizer no exterior que sou do Brasil, vejo as pessoas relacionarem meu país ao futebol! Para nossa felicidade, entretanto, parece-nos que finalmente teremos um herói de verdade, alguém que deixará uma marca na história de que não se poderá esquecer facilmente, alguém de quem poderemos finalmente nos orgulhar!

Não é necessário dizer: “Guarde bem esse nome!” Sergio Moro não vai entrar para a história. Já entrou! E, não sei se melhor, ou pior, já virou mito, uma espécie de semi-divindade que vem conquistando a simpatia – e voto! – de milhões de brasileiros revoltados com a propinocracia que se instalou na vida pública como metástase! O cancro que já ia carcomendo tudo com uma voracidade assustadora deparou-se com um potente opositor!

O nome Sergio Moro tornou-se uma poderosa franquia cujo valor, talvez nem ele mesmo possa estimar. Estará grudado em nossa memória por muitos e muitos anos e, ainda que se diga que o brasileiro tenha memória curta, neste caso o mantra deve colarO jovem e destemido juiz da “instância agrícola de Curitiba”, assim pejorativamente designada pela defesa de Lula, será lembrado por muitos anos. Moro não é apenas destemido. É temido também. Está armado e é perigoso. Armado de provas fartas contra os desmandos de inúmeros políticos, empreiteiros, lobistas, doleiros, marqueteiros, e demais sanguessugas que há muitos anos, num conluio diabólico, vinham surrupiando verbas públicas.

Os programas sociais do governo populista que aparelhou e arrasou a economia do Brasil nos últimos anos, não passavam de um truque de ilusionismo… Encantou muita gente mundo a fora! Tanto os de lá – mormente a esquerda deslumbrada, é claro! – como os incautos do lado de cá, batiam palmas e conferiam ao mago ilusionista  e mentiroso confesso, diplomas de Doutor Honoris Causa, sem jamais desconfiar que, como faz o Cão, o Tinhoso, o Coisa ruim, dava com a colher e tirava com a concha.

Cabe ainda a metáfora que envolve o traficante e a população das áreas carentes espalhadas, para o nosso maior constrangimento, por todas as grandes cidades brasileiras. O traficante distribui favores à população e a população responde ao favorecimento ilícito, providenciando suporte ao traficante. Sim, era mais ou menos por aí que funcionava a política no Brasil. Sentíamo-nos (a maior parte da população) roubados, lesados, ludibriados, defenestrados, no mais lato dos sentidos. Estávamos angustiados, aflitos, governados por quadrilheiros de fato…

Em meio à tão grande desespero, – como estávamos angustiados! – para a nossa alegria, eis que surge, no meio do caminho, uma pedra! Bom, a partir daqui, já não é necessário dizer mais nada! Habemos heros! Temos um herói! Sem dúvida, a partir daqui, sem medo de incorrer  em um rasgo de empolgação otimista, a nossa história passa a ser reescrita. Possivelmente como a.M e d.M.! Obrigado Paraná! Obrigado Curitiba!

A Democracia em Risco

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A Democracia em Risco

Por Luiz Leite

Aqui quem fala é um ex eleitor do PT que, talvez como você acreditou por muitos anos no discurso do seu partido e fielmente fez sua parte até que o partido chegasse onde chegou. Um brasileiro sem instrução formal, oriundo de uma periferia distante chegou ao palácio do planalto tornando-se presidente dessa grande, linda e amada nação! Isso é maravilhoso! Viva a democracia! Entretanto, essa mesma democracia está sob ameaça.

Talvez alguns digam: “Lá vem mais um alarmista exagerado, mais um Antônio Conselheiro com seu discurso de fim de mundo…”  Pois bem, ninguém deveria se iludir achando que nossas instituições estão suficientemente consolidadas para garantir que permaneçam invioláveis as prerrogativas do Estado de direito. O episódio recente envolvendo o processo do mensalão revelou de modo assustador até onde vai o aparelhamento do Estado pelo governo que pelos últimos doze anos tem dirigido o país. Ficou exposta a realidade desconcertante e vergonhosa envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, “a nova composição da Corte foi considerada decisiva para a reversão das condenações,”  referência feita aos novos ministros apontados pelo PT para essa finalidade.  O mesmo jornal (27/02/14) publicou o desabafo desolado do ministro Joaquim Barbosa: “Esta é uma tarde triste para o STF porque com argumentos pífios, foi reformada, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada que foi aquela tomada por este plenário…”  Se a suprema corte, o STF, já não tem mais autonomia nem voz, o que dizer das outras instituições? Estamos diante do inominável! Sim, a democracia está ameaçada!

O PT tem um projeto de poder para, não apenas mais um mandato, mas para mais um século! Este, entretanto não é um anseio apenas do PT. Todo e qualquer partido político, tendo alcançado o poder, vai  utilizar meios legítimos e escusos, se necessário, para garantir sua permanência à testa do governo. Nada mais natural. Nada mais humano. Uma vez inebriado e viciado por esse vinho (em alguns funciona como Crack) o homem vai corromper-se e essa corrupção vai fluir incontida contaminando a tudo e a todos com a sua sujidade. Não, o PT não inventou a corrupção, não patenteou os mecanismos de aparelhamento do estado que aí estão, tampouco detém o monopólio nesse mercado de cartas marcadas. Isso é coisa antiga.

A corrupção não pode ser creditada a um partido, a uma ideologia, é uma doença profundamente entrincheirada na alma humana. A agenda do PT (que ainda não havia sido aberta até a pouco) é satânica do ponto de vista cristão. Do ponto de vista liberal é divina (para os adoradores de Dionísio, ou Baco, é óbvio!) Ainda assim, demonizar o PT seria um erro, uma análise rasa do quadro. Os componentes do PT estão simplesmente seguindo o script  impresso na alma humana. Todos desejamos construir uma torre que nos faça célebres!

A continuidade do PT no poder significa a descontinuidade da democracia nesse país! A ideologia do governo que aí está alinha-se com o que existe de pior, regimes ditatoriais horrendos, e aprende com eles como se apoderar de um país usando os pobres como massa de manobra. Escreva isso! Você vai ser contado entre os responsáveis pelo que há de vir! Quando dirigir-se à urna, vote consciente, vote na democracia! Deixe a paixão política por um momento e pense de um modo mais aprofundado. A alternância é saudável. Não se preocupe, se o partido que que agora alega ter algo melhor para o país vier a cometer atos absurdos contra a democracia. Não tem problema, daqui a quatro anos nós os colocaremos na rua de novo!

A gota d’água

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A gota d’água
Por Luiz Leite
É bastante comum vermos, na vida cotidiana, situações em que o “caldo entorna”, e pequenas crises são precipitadas por eventos mínimos, insignificantes até. É a proverbial gota d’água. Ainda que as páginas da história registrem vários casos assim, não é corriqueiro presenciar grandes eventos – conta-se que a revolução francesa começou com o aumento no preço do pão! – sendo destravados por um pequeno detalhe.
No caso do Brasil, as manifestações massivas que chamaram a atenção do mundo já entraram definitivamente para a história. A curiosidade é que a maioria das milhares de pessoas que invadiram, como enchente, as grandes avenidas do país, não é constituída, exatamente, de cidadãs e cidadãos politizados! Dia desses, em uma mesa, rodeado por adultos maduros e alguns jovens, enquanto comentávamos sobre os fatos recentes, arrisquei uma enquete para medir o grau de consciência política dos comensais.  “Pessoal quem sabe explicar o que é a PEC 37?”
Num primeiro momento, silêncio… após alguns segundos constrangedores, para quebrar a flagrante ignorância alguém perguntou: “É de comer??” Todos sorriram, para depois se revoltarem diante da explicação do que se tratava uma das mais indecentes propostas de emenda constitucional já vistas neste país!
Estava para escrever um artigo explicando alguns dos pontos fundamentais que se avolumaram para produzir aquilo que estão chamando de “O despertar do gigante”, mas como encontrei a transcrição dessa reportagem veiculada pela rede americana de jornalismo CNN, resolvi publicá-la aqui.
“Os protestos que vêm ocorrendo no Brasil vão além do aumento de R$ 0,20 na tarifa dos transportes públicos. O Brasil está experimentando atualmente um colapso generalizado em sua infraestrutura. Há problemas com
portos, aeroportos, transporte público, saúde e educação. O Brasil não é um país pobre e as taxas impostos são extremamente altas. Os brasileiros não veem razão para uma infraestrutura tão ruim quando há tanta riqueza tão altamente taxada. Nas capitais, as pessoas perdem até quatro horas por dia no tráfego, seja em automóveis ou no transporte público lotado que é realmente de baixíssima qualidade.
O governo brasileiro tem tomado medidas remediadoras para controlar a inflação apenas mexendo nas taxas e ainda não percebeu que o paradigma precisa compreender uma aproximação mais focada na infraestrutura. Ao mesmo tempo, o governo está reproduzindo em escala menor o que a Argentina fez há algum tempo atrás: evitando austeridade e proporcionando um aumento com base em interesses da taxa Selic, o que está levando à inflação alta e baixo crescimento.
Além do problema de infraestrutura, há vários escândalos de corrupção que permanecem sem julgamento, e os casos que estão sendo julgados tendem a terminar com a absolvição dos réus. O maior escândalo de corrupção da história do Brasil finalmente terminou com a condenação dos réus e agora o governo está tentando reverter o julgamento usando de manobras através de emendas constitucionais inacreditáveis: uma, o PEC 37, que aniquilará os poderes investigativos dos promotores do ministério público, delegando a responsabilidade da investigação inteiramente à Polícia Federal. Mais, outra proposta busca submeter as decisões da Suprema Corte Brasileira ao Congresso – uma completa violação dos três poderes.
Estas são, de fato, a revolta dos brasileiros. Os protestos não são movimentos meramente isolados, unificados ou badernas de extrema esquerda, como parte da imprensa brasileira afirma. Não é uma rebelião adolescente. É o levante da porção mais intelectualizada da sociedade que deseja pôr fim a esses problemas brasileiros. A classe média jovem, que sempre se mostrou insatisfeita com o esquecimento político, agora “despertou” – na palavra dos manifestantes.”
Seria muito bom que cada um dos brasileiros que se dispõem a ir às ruas dar o seu brado de protesto, também se dispusesse a dedicar algum tempo à leitura para compreender de modo mais abrangente quais são os problemas da nação. Vamos lá, enfrentemos o texto!

Carrapatos

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Por Luiz Leite

Dia desses ouvi uma canção do início dos anos 80 que era uma espécie de hino de louvação, pasmem, a um político! Naqueles dias em que ainda causavam terror o fantasma da repressão e da truculência militar que havia tungado a liberdade política da nação, fiz coro com minha geração e cantei a Teotônio Vilela.  Meu Deus, penso hoje atônito, que tempo era aquele em que se compunha canções cheias de paixão aos nossos representantes em Brasília?

Pois Teotônio, uma das personalidades públicas mais respeitadas da história dessa república escandalosa e impudica, ficou conhecido como o Menestrel das Alagoas, sim esta mesma Alagoas de onde vem alguns dos maiores constrangimentos da nação, entre os quais o senador de carreira – depois que eles lançam suas garras no poder, tal qual carrapatos, só saem de lá mortos –  Renan Calheiros. Esse Calheiros, ministro da justiça (arg!) do governo FHC, protagonista de mais de um escândalo, todos bem documentados e expostos exaustivamente pela imprensa nacional, está de volta ao assento de presidente do Senado! Que país é este? Até quando teremos que aturar tanta vergonha? Como um parlamentar com a ficha suja escapa de um processo do Conselho de Ética do senado, retorna, e ainda é eleito presidente dessa mesma casa?  Segundo Veja,

“Embora absolvido pelos pares, Renan não se livrou da Justiça. Em 2010, o STF aceitou pedido da Procuradoria-Geral da República e abriu inquérito para investigar o senador por improbidade administrativa e tráfico de influência. O caso corre sob segredo de Justiça e tem como relator o ministro Ricardo Lewandowski. Em 2011, o Ministério Público Federal em Brasília abriu inquérito para apurar o pagamento da pensão alimentícia da filha de Renan pelo lobista Cláudio Gontijo. Em janeiro do ano seguinte, o MP encaminhou uma denúncia ao STF contra o senador pelos crimes de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato. De acordo com o parecer, Renan apresentou, em 2007, notas fiscais frias relacionadas à venda de bois. O parecer da promotoria fora pedido pelo próprio Supremo. Em fevereiro de 2013, foi alçado por seus pares à presidência do Senado.”

Pois, pouco adiantou a mobilização de milhares de brasileiros indignados colhendo assinaturas para um abaixo assinado contra a eleição desse inimigo da ética. Lá está assentado na cadeira principesca de presidente da mais alta casa (4º cargo mais importante da república); Suas associações com outro carrapato, aquele do bigode, confirmam mais uma vez o quadro de empesteamento do Planalto por uma dinastia carrapatesca que pelo jeito vai nos deixar muito indignados ainda por muitos anos.  Mas, como diz a reportagem de Veja, há um inquérito correndo sob segredo de justiça. Um  linha dura como o Barbosa à testa do STF poderia estragar a festa. Haja inseticida. Sonhemos!

Eu, você, Demóstenes e Cachoeira…

Eu, voce, Demóstenes e Cachoeira…

Por Luiz Leite

Eu, você, Demóstenes e Cachoeira… Talvez você proteste veementemente e brade: “Não me conte entre os tais!” Mas, o que eu, você, Demóstenes e Cachoeira temos em comum? Muitas coisas, é claro, mas o vínculo mais fundamental que nos associa aos dois é o fato de pertencermos à grande família adâmica. Temos uma herança comum.

Desde o Éden temos tido muita dificuldade em admitir nossas faltas, de assumir a nossa parcela de responsabilidade quando as coisas saem errado por escolha, descuido ou dolo. Sempre tentaremos nos justificar, e neste processo, para a nossa mais profunda vergonha, recorreremos aos recursos mais desprezíveis que se possa imaginar.

É compreensível que façamos nossa defesa negando, dissimulando, comprando testemunhas, forjando provas… afinal a alma é mesmo corrupta e enganoso o coração. A defesa, o argumento questionável da justificativa, todas estas coisas fazem parte do repertório de mecanismos que utilizamos para preservar nosso couro.

Foi-me bastante difícil e também lamentoso ouvir do Senador Demóstenes Torres que não sabia das articulações criminosas de seu associado, talvez a essas alturas já não tão amigo, Cachoeira! Parece que esta é a moda em Brasília: Negue de pé junto até o fim que a gente vai tentar tirar você desta!

O Lula não sabia de nada do que acontecia bem debaixo de suas barbas. Maluf nega até hoje serem suas as assinaturas que comprovam seus crimes por lavagem de dinheiro. O único caso conhecido de um mea culpa em rede nacional ocorrido algum tempo atrás nos levou a acreditar que estávamos fazemos progresso. Para nossa tristeza, o moço que foi à tribuna reconhecer seu erro em lágrimas, pouco tempo depois voltaria a protagonizar outro capítulo desse faroeste caboclo atuando na contramão da lei.

Cachoeira por sua vez está tranquilo. Ladeado pelo advogado mais badalado da república, teve o atrevimento de sorrir diante de uma CPI que, queira Deus, não termine em pizza como tantas outras. O cinismo, esse mecanismo odiável, é também uma forma de escamotear a culpa e tentar dar sustentação ao status quo.

Apesar de tudo isto, não devemos demonizar Demóstenes nem Cachoeira. Ainda que alguns possam se considerar referência para o norteamento da ética, como eles, somos todos filhos de Adão. O apóstolo Paulo disse, que a única esperança de escape dessa realidade pantanosa em que existimos é Cristo em nós. De outro modo estaríamos tão perdidos quanto eles. É bom lembrar, portanto, que ainda que estejam assim “tão” perdidos, podem ser “achados” a qualquer momento, bastando que um raio de luz daqueles que atingiu a Saulo De Tarso os atinja também. Pronto. Nos chamarão de irmãos!