Uma Guerra dos Infernos

Uma Guerra dos Infernos
Por Luiz Leite

Guerra santa? Ainda que a expressão carregue uma contradição de termos, o que não falta na história das religiões é o conflito, às vezes carniceiro, de facções em armas pelo direito de levantar a bandeira da ortodoxia, da doutrina correta. É abundantemente evidente (para quem não é cego, é óbvio) que tais rusgas refletem mais a doença dos homens do que os interesses de Deus!

Estou desatualizado.  Só hoje li Uma Guerra dos Infernos, matéria de Veja, edição de março. Mas o que perdi? A história não é nova. É cíclica. Repete-se indefinida e viciosamente. O circo do horrores está montado, e para espanto dos espectadores, leva o nome de igreja! Ficamos perplexos e indignados. O que faz esses senhores, protagonistas desse espetáculo de horror, usarem um veículo de comunicação em massa como a televisão para espumejarem suas sujidades pessoais nas salas dos lares de milhões, enxovalhando com isso a cristandade bem como o bom nome de Cristo? O que Cristo tem a ver com tais expedientes? Esta é mesmo, como diz o título do artigo, uma guerra dos infernos.

Não é necessário defender Jesus e dizer que ele não faz parte dessa patifaria! A disputa encarnecida, o ódio declarado, a acusação e as “revelacões” de um poderoso informante ( o próprio diabo ) supostamente infiltrado em uma das organizações, revela o quão distantes os tais apóstolos se encontram do apostolado. Um apóstolo de verdade há muito tempo disse: “Porque tenho para mim que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens.” 1Co 4.9

Os chamados apóstolos modernos parecem ter feito uma leitura enviesada do espetáculo ao qual Paulo se refere. Mas como já foi dito anteriormente, a história se repete. Estamos diante de uma reedição grosseira de outras refregas clássicas encenadas por outros pretensos apóstolos em outros tempos. É da pena de um Paulo indignado que saem as palavras que seguem: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.” (2 Co 11.13-15)

Estou certo que se um desses senhores vierem a ler este texto, protestarão firmemente esbravejando que falso apóstolo é o outro! E assim a guerra insana continua. Deus nos livre e guarde.

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Espetáculo Mambembe

 

 

 

 

 

Espetáculo Mambembe

Por Luiz Leite

Este artigo trata do pastor que ataca o bispo que ataca o pastor… É absolutamente lamentável que façam da cena evangélica o circo que aí está, promovendo esse espetáculo mambembe, onde o nome de Jesus acaba virando mote na boca dos incrédulos. Qual não deve ser a alegria do Diabo ao assistir supostos representantes de Cristo se digladiando, acusando-se mutuamente, representando um papel que sempre foi dele! Creio que esse é um dos raros momentos onde a velha e vaidosa serpente não se ofende quando lhe roubam a cena.

Já não bastava a horrível controvérsia envolvendo Silas e Caio… quem ganhou? quem perdeu? certamente o Reino não foi edificado nem as vidas dos cidadãos do Reino. Na verdade todos perderam, todos sairam derrotados, tristes e envergonhados dessa rinha  insana onde pastores, como galos de briga, afiam seus esporões e se põem a desferir golpes  em seus pares… Estou enojado com tudo isto.

Não, eu não desconheço a história. Sempre houve disputas acaloradas entre líderanças eclesiásticas. As grandes refregas doutrinárias do passado cristão revelam grandes campeões da fé envolvidos em batalhas filosófico teológicas que definiriam mais tarde o perfil doutrinário da igreja cristã. Assim foi que Atanásio defendendo a divindade de Cristo, combateu Ário que em sua heresia afirmava ser Jesus apenas um ser criado. Tertuliano atacou a Marcião, o herege a quem Policarpo de Esmirna chamou de “primogênito de Satanás”.  Agostinho de Hipona combateu Donato de Casa Nigra, ajudando a extinguir a heresia donatista do norte da África…

Enfim, esses homens e muitos outros que se desgastaram no labor de defender a integridade da fé cristã, enfrentaram os heresiárcas como Ário, Marcião, Donato, Sabélio, Montano, entre outros, para garantir o corpo de doutrinas que hoje definem o que é o cristianismo; somos gratos aos saudosos apologetas, guerreiros que batalharam pela fé que foi confiada aos santos.

Diferentemente do teor das pelejas travadas pelos defensores da fé do passado, o que vemos, entretanto, envolvendo os líderes contemporâneos citados, é uma briga de supostos representantes do Reino, refletindo o duelo político entre Dilma e Serra, o que torna a coisa por demais triste…  é deprimente ver pastores se engalfinharem em conflitos desse nível… Até compreendo a atitude de Silas Malafaia que se sente  ultrajado com as insinuações do Bispo Macedo, como se vê no vídeo a seguir, mas é uma lástima que a discussão envolvendo líderes de grande projeção não passe de um bate boca patético que não edifica a ninguém! A briga pessoal que se torna pública, com sua troca de farpas, não serve em definitivo à causa do Reino, pela qual ambos dizem lutar.