INTOLERÂNCIA ISLÂMICA

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Intolerância Islâmica

Por Luiz Leite

Fiquei, como milhões de outras pessoas, estarrecido, quando soube do ataque terrorista em Paris, no qual 12 pessoas foram brutalmente assassinadas. O trágico evento parece confirmar a opinião de muitos, por mim compartilhada, de que a grande ameaça que enfrentamos em nossos dias, não é exatamente a crise econômica, energética nem o aquecimento global, mas a expansão do Islamismo na Europa.

Por mais que os praticantes de um Islamismo moderado advoguem que sua religião é pacifista, os fatos, desesperadamente abundantes, atestam o contrário. Estamos (ocidente e mundo muçulmano) diante de uma clivagem ideológica e religiosa que não tem solução. A truculência, a ferocidade, a selvageria do mundo islâmico inviabiliza o diálogo. Sem diálogo não há possibilidade alguma de acordo.

A cosmovisão ocidental judeo-cristã e a cosmovisão muçulmana, ainda que encontrem aqui e ali alguns pontos de contato, são plenas de diferenças incontornáveis. Desse modo, só poderiam coexistir dentro de um contexto de tolerância dessas diferenças. O Ocidente depois de muitas batalhas aprendeu a respeitar e até celebrar as diferenças. O mundo islâmico, todavia, permanece intolerante, atrasado e medieval em sua relação com o universo de teologias e filosofias múltiplas ao seu derredor. Isto não é islamofobia como alguns podem julgar, mas a verificação de uma verdade simples e desesperadamente constrangedora: Islamismo e democracia são auto-excludentes!

Além de intolerantes, os muçulmanos costumam ser (novamente digo, baseado em fatos) extremamente incoerentes. Como o indivíduo pode imaginar-se no direito de sair do seu país, viver no país do outro, receber benefícios do Estado que o acolheu, e ainda assim exigir que a legislação desse país seja mudada para ajustar-se às regras de sua religião??? É o cúmulo do absurdo! Diversos grupos muçulmanos espalhados por vários países europeus tem feito protestos exigindo a implantação da sua Sharia na casa dos seus anfitriões! Isto não é apenas incoerente. É ridículo!

Eles vêm aos nossos países, são amparados por nossas leis, têm liberdade de construir suas mesquitas, realizar livremente seus cultos e até difundir sua religião. O turco Mehmet Ali quase matou o Papa João Paulo II em 1981. Cumpriu 19 anos de prisão apenas e foi mandado para o seu país. O que teria acontecido se um cristão intentasse o mesmo contra uma autoridade islâmica? Nós, os cristãos, em seus países, nem no sonho temos a mesma liberdade! Somos impuros, somos profanos, somos infiéis. As minorias cristãs (nativos) nesses países são tratados com muito preconceito. Pastores são mortos. Casas incendiadas. Moças cristãs estupradas. Vi isso in loco quando estive no Paquistão. Vista grossa é feita quando a polícia verifica que as vítimas são cristãs.

Voltando à Paris, os franceses estão pagando por seu liberalismo. O ateísmo na França é dos mais altos no mundo ocidental. Voltaram as costas para o Cristianismo, disseram não à fé cristã e quando abriram os olhos descobriram para o seu pavor, sua querida França invadida por uma legião de muçulmanos que hoje fecham ruas inteiras em Paris para, ajoelhados em direção à Meca, reverenciar a Allah! O sul da França hoje tem mais mesquitas do que igrejas. A voz dos pastores se silenciou e a voz dos mulás é que se faz ouvir.

Não apenas a França, mas a Europa como um todo está em uma situação bastante complicada. Num futuro não muito distante a Europa será um continente de maioria muçulmana. Demograficamente isto já se confirma como fato. Os europeus, hedonistas, ateus, não querem filhos, desse modo a população está envelhecendo, sem reposição, a passos largos. Enquanto isso, os imigrantes de fé islâmica casam-se e tem muitos filhos. A Bélgica hoje é um país que tem em sua população 25% de muçulmanos! Na Holanda 50% dos neonatos procedem de famílias de confissão islâmica! Sim, a Europa está em apuros.

O evento trágico que ceifou a vida daqueles 12 franceses foi só um sinal da intolerância, da violência, da truculência, dos hóspedes para os quais os europeus abriram suas portas!

Voce é ateu?

Por Luiz Leite

Trecho livro ELES PROFANARAM O SAGRADO, lançamento (Setembro 2012) da Editora Petrus.


Uma pesquisa sobre a crença na existência de Deus, realizada em 16 países da Europa revela um fato inusitado. A Rússia, após 15 anos da derrocada comunista, figurava, surpreendentemente, em terceiro lugar com 87% no quesito “você crê em Deus?”, ficando muito acima da média europeia de 71% dos que professam crença em um governo espiritual sobre o mundo dos homens.

O esforço dos líderes comunistas em erradicar o sagrado da alma dos povos da grande União Soviética provou-se malsucedido. Profundamente arraigado na alma humana, o sagrado, coibido em sua manifestação por uma via, buscou substitutivos para aflorar de outras maneiras. E encontrou. Os próprios líderes comunistas ilustraram essa verdade, fazendo afirmações que, inconscientemente, contradiziam os seus próprios postulados.

Nikita Kruschev (1894-1971), dirigente da extinta URSS, disse: “Advirto-os com toda seriedade. Digo-lhes que o comunismo é sagrado”.

O que, exatamente, o camarada ateu Kruschev estaria querendo sugerir com estas palavras? O que ele estava intentando insuflar nas massas? Não é evidente que, consciente ou inconscientemente, o velho ateu estava promovendo uma divindade substituta? E o que dizer das palavras de Leonid Brejnev (1906-1982), outro líder soviético que decretou: “Tudo que diz respeito à vida, às atividades e ao nome de Lênin é sagrado”. Podemos observar nas palavras desses velhos e empedernidos ateus que, mesmo apesar de negarem o sagrado, este ainda lhes escapava aqui e ali, de maneira não percebida objetivamente.

Não é por posicionar-se como ateu, como cético, que uma pessoa deixará de ter valores que norteiem sua vida. Esse código moral está posicionado acima das teorias do conhecimento e da verdade elaboradas pela razão. Todos os ateus, moderados ou radicais, no fundo, ainda que não publiquem, sentem como José Saramago que disse: “Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.” É uma agonia diária.

Pode-se não crer na configuração que as religiões ao redor inventaram para explicar o mistério da vida, pode-se não gostar da moldura, não acreditar na escritura que reivindica ser sagrada, mas nem por isso o altar ficará desprovido de deuses. Por mais incrédulo que seja o indivíduo, sempre terá um corpo de verdades pessoais, ideias e ideais, um código de regras que regule a vida, providenciando assim os pontos cardeais pelos quais se orientar. Eis o sagrado.

O assento de Deus nunca ficará vazio. Se o Deus verdadeiro não estiver ali, outro, sem dúvida, vai ocupar-lhe o lugar, quer sejam os ídolos, os ancestrais, o sexo, o poder, a ciência, as riquezas, a fama… Enfim, aquilo ou aquele por quem o homem vive e morre ser-lhe-á por deus. Como disse Phillip E. Johnson: “Aquele que afirma ser cético em relação a um conjunto de crenças é, na verdade, um verdadeiro crente em outro conjunto de crenças.” Voce tem certeza que é mesmo ateu? 

O Vôo Impossível

O Vôo Impossível

Por Luiz Leite

O grande escritor russo Anton Chekhov disse que o homem é aquilo que acredita. Com todo respeito a Chekhov, o que  o que ele fez foi apenas dar eco  a algo que já vinha sendo dito de outras maneiras por outros através dos séculos.

Somos o que acreditamos, guardadas as proporções de sanidade, é claro. Homem algum pode ir além da linha que sua própria capacidade de crer estabelece. De certo modo o edifício do nosso destino é construído por nossas próprias mãos, sendo que a matéria prima utilizada constitui-se em grande parte das crenças que carregamos.

Uma frase de Mary Ash Kay famosa empresária da indústria de cosméticos chama-nos a atenção para uma impossibilidade aparente. Diz ela: “segundo a aerodinâmica o abelhão não poderia voar; sucede que ele não sabe e por isso voa de qualquer modo.”

O  abelhão “acredita” que pode voar. Ainda que as leis da aerodinâmica digam que não pode, o abelhão esforça-se, bate as asas inadequadas e ganha os céus num exercício formidável de superação de limites deixando atônitos e maravilhados os que sustentavam que seu vôo seria impossível.

De algum modo este exemplo da natureza alinha-se ao ensino de Jesus acerca da fé. Jesus disse que tudo é possível ao que crê. Há algo de profundo demais nessa pequena e tão conhecida afirmação. Poucos humanos acessaram esse mistério de modo completo. Se voce crer…

Tudo depende do ponto de partida. A pequena partícula condicional “se” interpõe na cena como um grande divisor de águas. Se acreditamos em Deus, em quem depositamos nossa fé, Ele chamará a responsabilidade para si. Ele cuidará do resto. Se, entretanto, não crermos em Deus, não haverá absolutamente nada mais senão vazio e trevas…

O filósofo existencialista Jean-Paul Sartre disse de certa feita:“Os cristãos partem do princípio ‘Deus existe’; eu parto do postulado: ‘Deus não existe’. ” Este ponto de partida é o fundamento sobre o qual cada um constrói seu destino. Quando ateus como Sartre dizem que deus não existe e que a fé religiosa não faz sentido, o crente não deveria se sentir ofendido. Considerando o ponto do qual partem, a fé em Deus não pode mesmo fazer sentido para eles.

Que o ateu pense que ele não passa de uma cadeia de carbono ambulante errante, vivendo uma existência absurda e sem sentido. Que o crente, por sua vez, prossiga crendo que é ser espiritual criado segundo um propósito divino. Se tão somente conseguirmos respeitar uns aos outros sem nos matarmos já teremos feito um grande avanço.

No fim do ato cada um acabará tendo como resultado aquilo em que acreditou. Se creu numa mentira ou fantasia, restará a frustração e o desencanto. Se creu na verdade conforme as Escrituras, será surpreendido por alegria indizível e se verá perplexo diante do inefável. Quem crê em Jesus (como diz a Escritura) e no céu, vai encontrar-se com Jesus em seu céu; quem crê na dissolução da alma no nada, vai ser lançado no exílio escuro e insondável do nada.

Ainda que ateus e críticos da fé digam que Deus não existe, que o céu é uma fábula esse abelhão aqui continuará batendo suas asas nesse vôo que dizem impossível.

A Absurda Antesala do Inferno

 

 

 

 

 

 

A Absurda Antesala do Inferno

Por Luiz Leite

Texto publicado na Coluna Pastoral da Revista Eclesia

 “Se um certo Jean-Paul Sartre for lembrado, eu gostaria que as pessoas recordassem o meio e a situação histórica em que vivi, todas as aspirações que eu tentei atingir. É dessa maneira que eu gostaria de ser lembrado.”

Este foi o apelo que o grande existencialista ateu fez cerca de cinco anos antes de sua morte. O pensamento de qualquer pensador está profundamente arraigado na sua própria experiência de vida. As influências sofridas por cada um determinam em muito o seu modo de pensar. É impossível desvencilhar-se da própria bagagem que a vida nos impôs. Daí se dizer que cada homem é produto do seu tempo.

Com a maior parte de sua obra escrita durante a segunda grande guerra, Sartre teve material farto para compor sua ode à desesperança. O seu tempo foi marcado por grandes e dramáticos eventos. Suas idéias chegam a nós como um protesto de revolta diante das catástrofes absurdas a que foi submetida sua geração. Talvez seu conceito sobre Deus possa ser resumido pelo silogismo que segue:

“Se Deus fosse bom, ele desejaria tornar suas criaturas perfeitamente felizes…”

“E se fosse todo-poderoso, ele seria capaz de fazer o que quisesse…”

“Mas as criaturas não são felizes.”                                 

“Portanto, a Deus falta a bondade ou o poder – ou ambas as coisas.”

É mais ou menos assim que se apresentam alguns dos argumentos que refutam a existência de um Deus bondoso. A presença indesejável do mal no mundo sempre foi um problema de difícil compreensão. Segundo o argumento acima exposto, não pode haver nem um deus bondoso nem um diabo perverso, pois a presença do primeiro teria que necessariamente aniquilar a ação do segundo, o que, aparentemente, não acontece.

Vivi em Israel por cerca de um ano e meio e lá encontrei alguns sobreviventes da longa noite de horror que a Alemanha nazista impôs ao mundo de maneira geral, e sobre os judeus de forma perversamente específica; Ainda que o nazismo tenha perseguido e martirizado poloneses, ciganos, homossexuais e prostitutas de modo igualmente odiável, a história publica com mais ênfase a tragédia judaica. Depois do inominável genocídio a que foram submetidos, muitos judeus tiveram uma dificuldade imensa de continuar crendo na existência de uma divindade bondosa a governar o mundo.

O antiqüíssimo problema do mal emergiu como um monstro hediondo das águas escuras dos séculos e desferiu um golpe demolidor sobre a geração de Sartre. Assimilar o conceito de um deus todo-poderoso a governar o destino dos povos tornou-se um desafio insuperável para muitos daqueles que presenciaram as atrocidades de uma era como aquela. Diante de certas vicissitudes alguns perdem a fé; apaga-se o lume da esperança, esmagada pelo evento trágico e sem explicação. Resta nestes casos a perplexidade, a expressão de pasmo perante o que só poderia ser classificado como absurdo!

A geração de Sartre passou por duas catástrofes causadas, na leitura do existencialismo, pela loucura da livre escolha dos homens. Nem deuses nem demônios tomaram parte na empreitada sinistra. Em verdade, concluíram, não há deuses ou demônios. O homem é livre e sua vontade é a responsável por moldar o mundo e ditar o ritmo e o rumo de indivíduos e nações em sua marcha pela história.

Observando os extremos a que pode chegar o homem, as ações absurdas que pode levar a cabo, o flagrante desequilíbrio na balança da equidade, Sartre conclui que o problema do mal não é de ordem metafísica; não é produto da emulação de seres fantásticos de outras dimensões. Sua filosofia dispensa qualquer noção de deuses ou demônios e desemboca num humanismo radical, onde o homem, e somente o homem se torna o protagonista do seu pequeno drama.

Deixado sozinho, a mercê da própria sorte, o homem terá que fazer-se. Torna-se responsável por aquilo que é e não deverá atribuir a nada nem a ninguém seus infortúnios. Se alcançar sucesso, o fará graças tão somente aos seus próprios méritos, se porventura naufragar nas ondas do fracasso não terá o direito de lamentar-se, projetando sobre outrem a responsabilidade dos seus desacertos. Terá que fazer suas escolhas, posicionar-se e arcar com os custos, sejam quais forem suas conseqüências.

Descartada a possibilidade da eternidade e de acertos de contas morais na pós-história, como ensina o cristianismo, o existencialismo procura aliviar o dilema humano, selando hermeticamente toda e qualquer fresta por onde possa se intrometer a espiritualidade com sugestões de juízos ou benesses vindouras. Em outras palavras, não há tal coisa como uma continuidade entre tempo e eternidade. Há que aferrar-se ao tempo e fazer-se como bem se entende.

O existencialismo ateu de Sartre faz do mundo uma absurda ante-sala do inferno! No fim acabam tendo mesmo razão: É uma questão de escolha.

Richard Dawkins e a Última Fronteira

Ser Humano

Richard Dawkins e a Última Fronteira

Por Luiz Leite

O mais ilustre e badalado dos ateus na atualidade, Richard Dawkins, professor da Universidade de Oxford, afirma que ainda pretende resolver o enigma da consciência. A consciência, para ele,  apresenta-se como a  última das fronteiras onde, supostamente, residem os “mistérios” que intrigam e impressionam os místicos de todas as ordens.

Dawkins diz esperar que durante o sec. XXI os vestígios da superstição religiosa sejam definitivamente sepultados. Já está convencido que a “vida é feita de moléculas” como qualquer outra coisa. Reduzindo o milagre da vida a um fato corriqueiro, diz que a mesma “não é mais misteriosa”, e afirma ter esperança “que a consciência siga pelo mesmo caminho.”

Não há lugar para o mistério na”religião” de Dawkins. Tudo se explica, e a deusa Ciência, numa espécie de revelação gradativa, a seu tempo vai lançar luz sobre a ignorância humana e esclarecer, cientificamente, como funciona a consciência.

Dawkins, que se diz ateu, não é ateu coisa nenhuma. Elegeu para si como divindade, a Ciência, a qual cultua e defende com tanto ardor, como eu cultuo e “defendo” a Jesus Cristo. Realiza uma “cruzada” já há muitos anos para provar os postulados da Evolucionismo Darwinista e, segundo sua religião, desmascarar o absurdo da reivindicação do Criacionismo.

Desde que lançou o livro “O Gene Egoísta”, em 1976, onde leva o processo evolucionário para o nível genético, vem causando polêmica com suas posições. Se vai desbravar a última fronteira e desvendar o mistério da consciência, duvido; é certo, entretanto,  que prosseguirá, obstinado, em sua cruzada contra a fé, a menos que dia desses seja derrubado da sua incrivelmente alta torre de ceticismo.

Não será vencido pelo argumento dos teólogos. Não se deixará intimidar pelas ameaças dos fanáticos. Não será impressionado pela complexa e altamente sofisticada estrutura orgânica da vida. Somente um encontro com o Nazareno na estrada para Damasco lhe será fatal. Se me é lícito desejar mal a alguém, desejo que ele, como Saulo de Tarso, caia do cavalo da arrogância científica e, cegado pelo claro, desde o chão, ouça a voz lhe chamar pelo nome dizendo: “Richard, Richard, por que me persegues? Dura coisa é para ti recalcitrar contra os aguilhões…” Este, sem dúvida, será o mais feliz dos seus dias!

Schopenhauer é um chato!

Schopenhauer é um chato!

Por Luiz Leite

Schopenhauer é um chato! Um chato de galochas! Esta é a minha opinião a respeito desse pessimista inveterado que não vê graça em nada… Os machistas encontram no pensamento dele acerca da mulher um dos mais finos banquetes. Em uma de suas frases célebres, para horror das feministas, diz: “A mulher é um ser de cabelos longos e idéias curtas”.

O desencanto de Schopenhauer, para quem viver é sofrer, possivelmente decorre de uma experiência traumática de infância. Sua referência de figura materna foi possivelmente das piores que se pode ter. Criticava duramente o casamento, razão porque nunca se casou. Viveu e morreu sozinho.

Como diz Will Durant em sua História da Filosofia, referindo-se a Schopenhauer, é realmente difícil para alguém que não conheceu a presença de um pai nem o amor de uma mãe ser uma pessoa feliz e otimista. Essa foi a realidade experimentada pelo mais pessimista dos filósofos. A vida, de certa forma, tirou-lhe a mais bendita das venturas, qual seja, ser nutrido pela presença de um pai ou uma mãe de caráter sólido e de valores temperados. O pai morreu quando ainda era garoto, e a mãe o abortou de seu convívio. Passou cerca de quarenta anos sem falar com a mesma.

Ler Schopenhauer, entretanto, nem sempre é uma chatice. A sua visão crítica e desapaixonada do mundo revela o meu romantismo, às vezes tolo, às vezes ingênuo, e me força a revisitar conceitos, atuando como um contra-peso que acaba me conduzindo, mesmo a contra-gosto, a uma visão mais equilibrada da vida e de suas intrincadas engrenagens.

Geralmente julgamos como chatos aqueles que nos contrariam. Abominamos aqueles que tem a coragem de dizer aquilo que não queremos ouvir. Pois, incrível que pareça, esses tais tem um papel muito mais relevante na formação das nossas idéias, do que os lisonjeadores que não tem a coragem de nos contestar e nos fazer sentir desconfortáveis em nossas posições tantas vezes questionáveis.

Schopenhauer é um chato, é verdade, mas me ajuda muito mais do que um Paulo Coelho ou quaisquer outros que não se intrometem no meu mundo de idéias e nem ousam confrontar meus postulados. Se não houver quem nos provoque, colocando nossas idéias em cheque, pode ser que passemos nossas vidas inteiras defendendo premissas mal alinhavadas e sem consistência real. É caso, portanto, de se agradecer por esse e por outros chatos, que em sua chatice, são muito mais interessantes que muita gente insossa por aí!