Filosofando II

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esses Benditos Inquiridores

Por Luiz Leite

A ignorância intelectual e espiritual lançou o homem num abismo de trevas e ali o manteve por milênios, até que uma nova forma de pensar nascida na Grécia por volta do ano 600 a.C. veio trazer grandes transformações na maneira de se ver o mundo.

Os responsáveis por essa revolução do pensamento humano, percebendo as relações de causa e efeito na esfera natural das coisas, foram aos poucos introduzindo uma compreensão diferente dos fenômenos naturais que por séculos estiveram atrelados à ação dos mitos.

A concepção mítica do mundo começou a ser questionada e, graças ao uso da razão, o mundo dos fenômenos naturais começou a ser decifrado! Os deuses do Olimpo, tão celebrados quanto temidos pelos gregos, passaram a ser vistos com olhos menos amedrontados, a medida em que o desenvolvimento intelectual se acentuava.

Os pensadores gregos foram assim explicando o mundo e seus fenômenos e aos poucos destronando os mitos através de uma abordagem racional dos antigos “mistérios”. Esses filósofos trouxeram abaixo um sistema milenar que atribuía a um número enorme de divindades e sub-divindades, a gestão do mundo.

Através da pura observação, com o auxílio da razão, esses homens descobriram os princípios gerais (naturais) por trás dos fenômenos e decifraram os grandes segredos que antes estavam envoltos pela névoa da ignorância.

Há que se tirar o chapéu para os pensadores gregos, pois é indiscutível o fato de que contribuíram grandemente para o amadurecimento do pensamento humano. Ainda que a religião institucionalizada tenha tentado fazê-los calar, ameaçando-os de morte, sob a acusação de blasfêmia contra os deuses, eles prosseguiram em sua incansável busca de explicar o explicável e lograram êxitos que até hoje nos surpreendem.

Anaxágoras (500-428 a.C.), por exemplo, foi banido de Atenas, sob a gravíssima acusação de ateísmo. Cometera o terrível sacrilégio de dizer que o sol não era um deus, mas sim uma esfera incandescente, por sinal, maior que o Peloponeso. Talvez alguém diga, “isso foi há muito tempo atrás!” É correto, isso foi há muito tempo atrás, mas não há muito tempo assim, a famigerada “santa inquisição” quase mandou um outro “herege” para a fogueira, porque ele saiu com a idéia “profana” de que a terra se movia!

Não fosse o espírito observador desses homens, aliado à sua capacidade racional, é provável que ainda estivéssemos aprisionados a uma mentalidade supersticiosa e a uma compreensão extremamente deturpada do mundo em que vivemos.

Há que se apreciar com especial atenção a contribuição de Heráclito(c. 540-480 a.C.), o qual concebia uma “razão universal” – um elemento divino – ao qual ele chamava de Logos, como sendo responsável pela coordenação dos fenômenos observáveis na natureza.

Há que se considerar a incrível – para o seu tempo – teoria atômica de Demócrito (c. 460-370 a.C.), embora este desconsiderasse a possibilidade de uma “razão universal” que regesse os fenômenos. Demócrito cria não existir nada além do átomo e do vácuo, se tornando assim um dos preceptores do “materialismo,” doutrina que ainda hoje determina a maneira de pensar de muitos.

Citando apenas esses como exemplo, o que dizer dos muitíssimos outros, que após estes, esclareceram “mistérios” que há muito intrigavam e desafiavam a compreensão do homem?É bom lembrar entretanto, que os filósofos merecem maior atenção e consideração sim, mas nos assuntos que tangem ao mundo natural, o qual é passível de ser compreendido pela razão. A razão é uma bênção, mas só podemos utilizarmo-nos da mesma enquanto o objeto da nossa busca é sondável, uma vez que há regiões cujas brumas espessas não podem ser decifradas pela lógica humana.

Extraído de O Livro dos Princípios de Luiz C Leite – Direitos Reservados

3 comentários sobre “Filosofando II

  1. Seus escritos estão me provocando a pensar. Isto é bom. Continue assim.

  2. Há muitos andares acima da filosofia, tudo indica que na Grécia o pessoal chegou tão somente ao 2º andar. O elevador platônico no seu ato de conduzir a razão humana tornou-se pálido, tênue ante a verdade do Cristo de Deus. “Platão”(com trocadilho) sábios homens 1ª Coríntios 1:18-29, seria como um direto do Acelino Popó Freitas, nocaute Já! “cques” (com trocadilho de novo). Parabéns pela bela e proveitosa página.

  3. Valeu pelo comentário Carlos! abração!

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