Voltaire

O Iluminismo e o Fim da Fé

Por Luiz C Leite

Voltaire, uma das mentes mais “brilhantes” da filosofia da era chamada moderna, era um deísta e como outros ilustres pensadores admitia que existia um deus sim, mas não segundo a concepção judaico-cristã. Propagou com certo alarde a idéia de que o cristianismo seria ofuscado pelo “século das luzes”, e cairia por fim na obscuridade. Certamente bebeu do pensamento de Baruch Spinoza, filósofo holandês do século XVII, que pregava idéias acerca de um deus impessoal, distante, o que lhe rendeu a expulsão, como herege, da comunidade judaica.

Como Spinoza e tantos outros do seu tempo Voltaire resistia à idéia de um Deus pessoal, presente, supervisionando de tão perto o mundo. A idéia judaico-cristã de um Deus que se relaciona e pede contas ao homem era absurda e irritante. O ilustre pensador estava, juntamente com muitos outros, convencido de que a humanidade estava para emergir de séculos de obscurantismo e ignorância para uma era iluminada pela razão, a ciência e o respeito à humanidade. A eclosão do Iluminismo viria alavancar o surgimento de uma era de esclarecimento intelectual que poria fim à visão teocentrista providenciada pelo cristianismo.

Os danos causados pelo iluminismo foram demasiadamente grandes. Um certo declínio no fervor cristão se fez sentir e um clima de insegurança e ceticismo se instalou por todos os cantos do velho continente. A teologia liberal, nutrida pelas sementes racionalistas do pensamento iluminista deu à luz uma geração inteira de teólogos com muita letra mas sem piedade alguma.

Curiosamente o iluminismo conhece o seu fim no mesmo século que suas idéias ganharam força. Da mesma forma como seduziram e ganharam a admiração de milhões de simpatizantes, também perderam a adesão de milhões e com isso a força inicial.

Por volta do final do século XVIII, o século das luzes começou a perder o brilho. Em 1789, a violência e a barbaridade dos métodos aplicados na revolução francesa, que incorporava inúmeras idéias iluministas, pôs à prova a validade dos postulados iluministas e apavoraram de morte os seus românticos defensores.

Voltaire intentou contrariar as predições de Deus. Deus resolveu frustrar os vaticínios de Voltaire. O tempo passou, Voltaire partiu, e o cristianismo propagou-se com vigor renovado. O século das luzes, no seu intento de remover Deus do cenário, teve fôlego muito curto. O Deus do cristianismo, com um senso de humor que Lhe é muito peculiar, fez da antiga casa de Voltaire a sede da sociedade bíblica francesa.

O século seguinte, o século XIX, foi por sua vez o século por excelência da explosão evangelística no mundo. Conhecido como o século de ouro das missões protestantes, a igreja expandiu-se formidavelmente por todos os continentes. O século que parecia estar marcado para conhecer a frieza e o encolhimento da igreja, contaminado pelo racionalismo iluminista, ao contrário do que se esperava assistiu pasmo a uma demonstração grandiosa de vigor missionário.

Extraido de A Inteligencia do Evangelho de Luiz C Leite

4 comentários sobre “Voltaire

  1. Esse tal de “Valtair” de brilhante só tinha os anéis, que aliás se foram; só ficaram os dedos. Você acertou na mosca mano, é iso mesmo!! Os danos causados pelo iluminismo foram demasiadamente grandes. O declínio do fervor cristão deveu-se por ser o “iluminismo” uma terrivel escuridão.

  2. Voltaire e outros céticos do racionalismo/iluminismo, se revoltaram contra o cristianismo por causa da in-coerência dos religiosos. Diz a história que V. assistiu o assassínio de uma familía inteira de huguenotes instigado pelos dirigentes católicos, porque não quizeram se retratar! Daí,veio a famosa frase “Ecrazes l’enfame”, quer dizer, Deus levou a fama! É conhecida a resposta de M. Gandi, quando quizeram convertê-lo ao cristianismo:- “não me torno cristão por causa dos cristãos”

    (a propósito não tenho nada haver com aquele Felipe Pradella, nem sei quem é, o meu Pradela é com um “l”só)

  3. O iluminismo foi guilhotinado pelo paradoxo da “razão” humana…
    Maravilhoso site para cristãos.

  4. Bem vindo Obed! Boa leitura!

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