É o carro enguiçado, é a lama, é a lama…

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É o carro enguiçado, é a lama, é a lama…

Por Luiz Leite

O Brasil tornou-se objeto de espanto para o mundo. O jornal britânico “Financial Times” publicou: “Se o Brasil fosse um paciente internado, os médicos do pronto-socorro o diagnosticariam como doente terminal.” Segundo o jornal, um senador do próprio PT teria dito:“Os rins já pararam; o coração vai em breve”. O jornal verifica o óbvio ao dizer que “as finanças públicas estão em desordem…”  a economia, “uma desordem”.  Sim, o Brasil está derretendo. O carro enguiçou. A situação entretanto mostra-se mais crítica quando se nota que o carro enguiçou em uma subida (a breve farra das comodities e do crédito fácil, entre outros) e agora desce de ré… pior, os calços até aqui colocados não estão conseguindo conter o movimento ladeira abaixo… Presos em uma assustadora espiral descendente, a economia entra em colapso e ninguém sabe ao certo como e quando o pesadelo termina.

Estamos emperrados em um atoleiro político e econômico sem precedentes. “É o carro enguiçado – diria Tom Jobim – é a lama, é a lama…”  Falando em lama, conversando dia desses com um amigo, engenheiro da Samarco e participante da comissão criada para gerenciar o imenso caos em que a empresa se meteu com a tragédia de Mariana em Minas Gerais, pude ouvir pela primeira vez uma defesa da empresa que todos estão demonizando. Segundo o engenheiro da Samarco – uma joint-venture entre as duas maiores mineradoras do mundo (Vale S/A e PHP Billiton) – não houve negligência, o que houve foi um acidente triste e acidentes, como é sabido, acontecem.

O desastre de Mariana, o maior desastre ambiental de nossa história, é apenas uma parábola, um sinal físico, simbolizando uma chaga espiritual, moral, ética, de proporções muito maiores. O mar de lama despejado sobre o coração do Brasil pelo rompimento da barragem é uma metáfora do mar de lama que cobre o Planalto Central. Tenho muito mais confiança na integridade e profissionalismo dos gestores da Samarco do que nos gestores da coisa pública nos palácios de Brasília. Se a tragédia de Mariana, como afirmam muitos especialistas, foi um acidente, a tragédia que acontece no Planalto Central e devasta toda a nação passa longe disso. Trata-se de má fé, negligência, acobertamentos, aparelhamento descarado do Estado para fins ideológicos acima dos interesses da nação.

A recuperação do Rio Doce, com sua flora e fauna, vai demorar muito tempo. A Samarco vai pagar o preço que a justiça estabelecer. A multa até agora foi de apenas R$ 1 bilhão de reais. O grupo, entretanto, já está sendo muito mais pesadamente penalizado. Somente a Vale S/A já perdeu mais de R$ 15 bilhões em valor de mercado. Suas ações despencaram para os patamares mais baixos de sua história, desde que abriu o capital. É o Brasil derretendo… As duas empresas símbolo do orgulho da nação hoje tornaram-se motivo de vergonha. A Vale afundando por um acidente, a Petrobrás e seus parceiros adúlteros, por formação de quadrilha facultado por apadrinhamento político. É o fim do caminho…

Para aumentar o terror e pesar a mão nos tons sombrios, tanto os especialistas da mineração, como os analistas políticos e econômicos alertam para o rompimento de outras barragens…. É possível que venhamos a sangrar um pouco mais. O rombo ainda não foi devidamente mensurado. Há muita apreensão acerca da CPI do BNDES. É possível, dizem alguns, que o escândalo da Petrobrás venha se parecer com brincadeira de criança, quando se abrir a caixa preta do BNDES. O Brasil, entretanto, é maior do que a sanha desses sanguessugas lesa-pátria. A recuperação será lenta, devendo demorar muito tempo para se sanear o dano causado pelo mar de lama que a presente administração lançou sobre o país. Apertem os cintos cidadãos e cidadãs. Que Deus nos ajude! E fortaleça o Judiciário!