República das Bananas

República Bananeira dos estados unidos da bola.

República das Bananas

Por Luiz Leite

Quando recebemos, no ano de 2013, a exposição O Prêmio Nobel: Idéias mudando o mundo,  em duas capitais, São Paulo e Rio, ficamos orgulhosos e nos sentimos prestigiados. Tal sentimento, entretanto, teve duração tão curta quanto a própria exposição. Questionado sobre a razão porque a fundação Nobel havia escolhido o Brasil, o presidente da entidade, o economista sueco Lars Heikensten respondeu: “Escolhemos o Brasil por dois motivos: primeiro,  é a economia mais forte da América Latina. Segundo, uma de nossas missões é incentivar o desenvolvimento da ciência onde ela ainda não tem força.”

Sim, esta é uma declaração humilhante! Apesar de mencionar o fato de que somos a economia mais forte da América do Sul e nos lisonjear com isso, por outro lado no campo das ciências fez-nos sentir nivelados a países como Sri Lanka ou Burkina Faso, uma verdadeira república das bananas! Quando consideramos que das 561 oportunidades que o prêmio foi concedido não tivemos nenhum Brasileiro contemplado, vemo-nos reduzidos a uma nação nanica, não obstante o nosso gigantismo territorial. Sentimo-nos ultrajados pouco tempo atrás quando em um embate diplomático certo oficial do governo de Israel disse que o Brasil era um anão diplomático. Protestos se multiplicaram rapidamente diante daquilo que para alguns era uma tremenda afronta. Como resultado o governo de Israel exonerou seu diplomata e apresentou ao Brasil um pedido formal de desculpas. O diplomata israelense, irritado com a posição do governo brasileiro acerca dos conflitos no oriente médio ousou publicar uma opinião corrente mas não ventilada no grande tabuleiro das potências mundiais.

Costumamos nos ufanar pelo fato de sermos uma nação continental mas, como reza o dito popular, tamanho não é documento. Queremos posar de desenvolvidos mas somos um país que tem muito a fazer para merecer o desejável adjetivo. O mundo não vai nos respeitar enquanto não fizermos o “para casa”. Continuaremos sendo tratados como uma “república de bananas” não importa quantas copas do mundo de futebol vencermos. Para situar o Brasil no mapa das nações desenvolvidas, sugere o sueco Lars Heikensten, precisamos simplesmente começar pelo começo, dando atenção ao ensino básico. Faz todo o sentido do mundo. É conhecido o caso da Coréia do Sul que investiu com seriedade no ensino básico e em 50 anos realizou a façanha de sair da condição de país pobre,  endividado e a atrasado tecnologicamente para compor o bloco seleto de nações desenvolvidas.

Vemos a política, talvez até bem intencionada, porém equivocada, do governo do PT, investindo bilhões no esforço de franquiar o ensino superior à parcela menos favorecida da população. Tal política, como aquela das cotas raciais, pode até justificar-se como uma espécie de resgate de uma dívida de séculos para com as classes sociais mais baixas, mas ainda assim não deixa de ser equivocada e de caráter eleitoreiro como praticamente todas as políticas de governos de viés populista. Enquanto não resolvemos os nossos problemas estruturais, toda e qualquer medida será  puramente cosmética. Enquanto educação, economia, saúde e segurança não receberem os investimentos necessários em obras de infraestrutura continuaremos engarrafados nos infames gargalos que coloca o custo Brasil na estratosfera. Resultado: Pagamos sempre caro demais por um serviço insatisfatório. Cubra-se a rachadura na parede com massa corrida o quanto quiser, pinte-se a parede maquiando-a com a cor preferida, mas todos sabem bem, se o problema é estrutural, não há medida conjuntural que resolva! Mascara, é verdade, mas não resolve.

4 comentários sobre “República das Bananas

  1. simplesmente perfeita esta explanação, !!! concordo plenamente com tudo que foi escrito!!!

  2. Ótima reflexão!

  3. E vai continuar sendo enquanto a luta for por poder e glória pra si mesmo. Pra mudar uma nação é preciso primeiro ter compaixão.

  4. verdade cibele matiello!

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