A Democracia em Risco

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A Democracia em Risco

Por Luiz Leite

Aqui quem fala é um ex eleitor do PT que, talvez como você acreditou por muitos anos no discurso do seu partido e fielmente fez sua parte até que o partido chegasse onde chegou. Um brasileiro sem instrução formal, oriundo de uma periferia distante chegou ao palácio do planalto tornando-se presidente dessa grande, linda e amada nação! Isso é maravilhoso! Viva a democracia! Entretanto, essa mesma democracia está sob ameaça.

Talvez alguns digam: “Lá vem mais um alarmista exagerado, mais um Antônio Conselheiro com seu discurso de fim de mundo…”  Pois bem, ninguém deveria se iludir achando que nossas instituições estão suficientemente consolidadas para garantir que permaneçam invioláveis as prerrogativas do Estado de direito. O episódio recente envolvendo o processo do mensalão revelou de modo assustador até onde vai o aparelhamento do Estado pelo governo que pelos últimos doze anos tem dirigido o país. Ficou exposta a realidade desconcertante e vergonhosa envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, “a nova composição da Corte foi considerada decisiva para a reversão das condenações,”  referência feita aos novos ministros apontados pelo PT para essa finalidade.  O mesmo jornal (27/02/14) publicou o desabafo desolado do ministro Joaquim Barbosa: “Esta é uma tarde triste para o STF porque com argumentos pífios, foi reformada, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada que foi aquela tomada por este plenário…”  Se a suprema corte, o STF, já não tem mais autonomia nem voz, o que dizer das outras instituições? Estamos diante do inominável! Sim, a democracia está ameaçada!

O PT tem um projeto de poder para, não apenas mais um mandato, mas para mais um século! Este, entretanto não é um anseio apenas do PT. Todo e qualquer partido político, tendo alcançado o poder, vai  utilizar meios legítimos e escusos, se necessário, para garantir sua permanência à testa do governo. Nada mais natural. Nada mais humano. Uma vez inebriado e viciado por esse vinho (em alguns funciona como Crack) o homem vai corromper-se e essa corrupção vai fluir incontida contaminando a tudo e a todos com a sua sujidade. Não, o PT não inventou a corrupção, não patenteou os mecanismos de aparelhamento do estado que aí estão, tampouco detém o monopólio nesse mercado de cartas marcadas. Isso é coisa antiga.

A corrupção não pode ser creditada a um partido, a uma ideologia, é uma doença profundamente entrincheirada na alma humana. A agenda do PT (que ainda não havia sido aberta até a pouco) é satânica do ponto de vista cristão. Do ponto de vista liberal é divina (para os adoradores de Dionísio, ou Baco, é óbvio!) Ainda assim, demonizar o PT seria um erro, uma análise rasa do quadro. Os componentes do PT estão simplesmente seguindo o script  impresso na alma humana. Todos desejamos construir uma torre que nos faça célebres!

A continuidade do PT no poder significa a descontinuidade da democracia nesse país! A ideologia do governo que aí está alinha-se com o que existe de pior, regimes ditatoriais horrendos, e aprende com eles como se apoderar de um país usando os pobres como massa de manobra. Escreva isso! Você vai ser contado entre os responsáveis pelo que há de vir! Quando dirigir-se à urna, vote consciente, vote na democracia! Deixe a paixão política por um momento e pense de um modo mais aprofundado. A alternância é saudável. Não se preocupe, se o partido que que agora alega ter algo melhor para o país vier a cometer atos absurdos contra a democracia. Não tem problema, daqui a quatro anos nós os colocaremos na rua de novo!

República das Bananas

República Bananeira dos estados unidos da bola.

República das Bananas

Por Luiz Leite

Quando recebemos, no ano de 2013, a exposição O Prêmio Nobel: Idéias mudando o mundo,  em duas capitais, São Paulo e Rio, ficamos orgulhosos e nos sentimos prestigiados. Tal sentimento, entretanto, teve duração tão curta quanto a própria exposição. Questionado sobre a razão porque a fundação Nobel havia escolhido o Brasil, o presidente da entidade, o economista sueco Lars Heikensten respondeu: “Escolhemos o Brasil por dois motivos: primeiro,  é a economia mais forte da América Latina. Segundo, uma de nossas missões é incentivar o desenvolvimento da ciência onde ela ainda não tem força.”

Sim, esta é uma declaração humilhante! Apesar de mencionar o fato de que somos a economia mais forte da América do Sul e nos lisonjear com isso, por outro lado no campo das ciências fez-nos sentir nivelados a países como Sri Lanka ou Burkina Faso, uma verdadeira república das bananas! Quando consideramos que das 561 oportunidades que o prêmio foi concedido não tivemos nenhum Brasileiro contemplado, vemo-nos reduzidos a uma nação nanica, não obstante o nosso gigantismo territorial. Sentimo-nos ultrajados pouco tempo atrás quando em um embate diplomático certo oficial do governo de Israel disse que o Brasil era um anão diplomático. Protestos se multiplicaram rapidamente diante daquilo que para alguns era uma tremenda afronta. Como resultado o governo de Israel exonerou seu diplomata e apresentou ao Brasil um pedido formal de desculpas. O diplomata israelense, irritado com a posição do governo brasileiro acerca dos conflitos no oriente médio ousou publicar uma opinião corrente mas não ventilada no grande tabuleiro das potências mundiais.

Costumamos nos ufanar pelo fato de sermos uma nação continental mas, como reza o dito popular, tamanho não é documento. Queremos posar de desenvolvidos mas somos um país que tem muito a fazer para merecer o desejável adjetivo. O mundo não vai nos respeitar enquanto não fizermos o “para casa”. Continuaremos sendo tratados como uma “república de bananas” não importa quantas copas do mundo de futebol vencermos. Para situar o Brasil no mapa das nações desenvolvidas, sugere o sueco Lars Heikensten, precisamos simplesmente começar pelo começo, dando atenção ao ensino básico. Faz todo o sentido do mundo. É conhecido o caso da Coréia do Sul que investiu com seriedade no ensino básico e em 50 anos realizou a façanha de sair da condição de país pobre,  endividado e a atrasado tecnologicamente para compor o bloco seleto de nações desenvolvidas.

Vemos a política, talvez até bem intencionada, porém equivocada, do governo do PT, investindo bilhões no esforço de franquiar o ensino superior à parcela menos favorecida da população. Tal política, como aquela das cotas raciais, pode até justificar-se como uma espécie de resgate de uma dívida de séculos para com as classes sociais mais baixas, mas ainda assim não deixa de ser equivocada e de caráter eleitoreiro como praticamente todas as políticas de governos de viés populista. Enquanto não resolvemos os nossos problemas estruturais, toda e qualquer medida será  puramente cosmética. Enquanto educação, economia, saúde e segurança não receberem os investimentos necessários em obras de infraestrutura continuaremos engarrafados nos infames gargalos que coloca o custo Brasil na estratosfera. Resultado: Pagamos sempre caro demais por um serviço insatisfatório. Cubra-se a rachadura na parede com massa corrida o quanto quiser, pinte-se a parede maquiando-a com a cor preferida, mas todos sabem bem, se o problema é estrutural, não há medida conjuntural que resolva! Mascara, é verdade, mas não resolve.