O Hábito Faz o Monge?

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O hábito faz o monge?

Luiz Leite

Dia desses vi na rua um velho conhecido. Não parei para conversar. Era apenas um velho conhecido. Se fosse um velho amigo, a estória seria outra. Quando este é o caso, perdemos horários e justificamos atrasos utilizando o argumento que julgamos incontestável, sagrado até, “Desculpe-me! É que no caminho encontrei um amigo…”

Pois bem, voltemos ao velho conhecido. Entrava em um carro novo, vistoso, confortável, desses que chamamos de completos… Um carro novo pode sugerir muita coisa! Apesar da falta de contato, fui invadido por uma gostosa onda de alegria. Frequentemente tenho esse tipo de experiência – uma mania incorrigível de alegrar-me com o sucesso das pessoas! Ver aquele velho conhecido em um modelo novo e confortável destravou um gatilho de memória reeditando reminiscências que não tinham a menor serventia. Lembrei-me dos dois ou três últimos carros velhos que vira o colega dirigindo e, pronto! Sem considerar se havia relevância ou não, a mente pôs-se a fazer avaliações, comparações quase que instantâneas e logo em seguida apresentou o resultado de suas operações: Ele progrediu! Sim, veja, fulano está melhor!

Eu que me considero uma pessoa que valoriza a espiritualidade, confesso que fiquei algo confuso e quase que imediatamente indaguei: “Como assim? Que parâmetros são esses utilizados aqui?” Nossa mente produz pensamentos incorretos, inconsistentes, com mais frequência do comumente se percebe! Julgamentos errados são feitos diariamente e diariamente sentenças erradas e injustas são proferidas. Se não recorremos da sentença poderemos passar anos na prisão! Vez por outra a mídia veicula casos de pessoas que foram julgadas e sentenciadas por crimes que não cometeram. Pois essa tragédia do sistema jurídico tem seus paralelos nos tribunais da mente. As avaliações e julgamentos de nossa mente são quase sempre equivocadas em um primeiro momento. Se não aprofundarmos, contestando-a, podemos ter nossas vidas prejudicadas, e pior, prejudicar a outros!

As aparências, diz o jargão, enganam. Esses ditos populares são desprezados, afinal não gostamos de atribuir valor àquilo que é popular. Por não levarmos o ditado à sério, cometemos erros brutais. No mundo das aparências o hábito faz o monge, a toga impressiona, a farda intimida… Ainda assim, cuide para que as aparências não o tornem uma pessoa de superfície, dada a julgamentos rasos e pensamentos imprecisos. Voltendo a pensar no colega, em seu carro, em um possível upgrade da carreira, do status, me perguntei: “Como será que está o coração dele, o casamento, será que ele está bem? Feliz? Em paz?” Definitivamente, carro novo, status, e demais valores dessa natureza não são quesitos a serem considerados nesta conta!

Lembrando Rabelais: “O hábito não faz o monge e há quem vestindo-o seja tudo, menos um frade.”   Não se impressione, não se precipite, não se iluda!

5 comentários sobre “O Hábito Faz o Monge?

  1. bem dito!!!
    saudade dos seus textos.
    DEUS ABENÇOE!!!!!!!

  2. Olá Alvaro! Por leitores como voce vale a pena escrever… grande abraço!

  3. Que bom que voçê voltou a postar,gosto muito dos seus texto.Não nos deixe pois tenho certeza que muitos apreciam,principalmente aqueles primeiros,de vez em quando eu me pego lendo alguns.
    ficamos no aguardo do próximo certo.

    abraço,

    Vanusa.

  4. obrigado vanusa… vale a pena escrever pra gente como voce!

  5. ando muito ocupado mas estarei de volta. obrigado alvaro.

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