Obrigado Pastores

Obrigado Pastores

Por Luiz Leite

Ontem, domingo, pela primeira vez, depois de muito tempo, pude desfrutar dessa experiência absolutamente maravilhosa que é assentar-se e ouvir uma boa mensagem. A pregação da Palavra opera de forma multissetorial, operando simultaneamente em níveis diversos e áreas chave, enriquecendo, quer animando, edificando, corrigindo, motivando, repreendendo…

Os (bons) pregadores são criaturas realmente fantásticas, ainda que nem sempre reconhecidos. Um dia ele é padeiro, outro dia aguadeiro, vinhateiro, médico… outras vezes, assume um papel múltiplo, desenvolvendo várias funções ao mesmo tempo e isto com graciosa habilidade. O Pr Jucimar Leite nos serviu com uma mensagem assim neste domingo.

Como uma mãe, o pregador tem um trabalho as vezes pesado, de preparar alimento para seu rebanho. É curioso como nos assentamos à mesa para almoçar sem nem sequer agradecer à nossa mãe ou esposas pelo tempo que passaram ao pé do fogão preparando-nos o alimento. Simplesmente corremos para a mesa quando nos é anunciado que está na hora, nos refastelamos, e nos vamos apressados de volta para o computador, a TV, ou sabe-se lá onde.

Acho incrível como as pessoas nem sequer agradecem. Nem todos tem o costume de dizer: “Obrigado mamãe! A comida estava ótima!” Eu, particularmente, tenho o hábito de cumprimentar aquele ou aquela que preparou a comida enquanto ainda à mesa. A gratidão, o elogio, ou um ato simples de serviço (lavar as louças do almoço) são formas de comunicar que apreciamos o que o outro fez. Como as mães que servem, resignadas, seus filhos e maridos, assim são os pregadores. Nem sempre recebem uma palavra de apreço, um muito obrigado!

Pois, assentado como ouvinte neste domingo, percebendo a riqueza e avaliando a importância do trabalho dessas mães e pais maravilhosos que são os pregadores, gostaria de dizer: MUITO OBRIGADO PASTORES!  Suas pregações tem nos nutrido, fortalecido, edificado, orientado… Obrigado pelo esmero, trabalho árduo, perseverança, em conduzir de modo excelente nossas vidas.

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O Brasileiro e o Livro

Por Luiz Leite

Hoje, ao cair da tarde, pedalando pela praia, observava as pessoas e fazia um levantamento estatístico. De cada grupo de cem pessoas encontrei no máximo duas com um livro na mão. Admiro-me com o número tão inexpressivo de livros na praia. Tá bom, é verdade, praia é lugar de jogar peteca, deitar-se numa esteira ou numa cadeira, tomar sol e relaxar… Concordo. Mas a ausência do livro me incomoda também no ônibus, no avião, no metrô…

Recentemente, viajando para passar as festas de fim de ano com minha família, como sempre, observei no meu vôo duas ou três pessoas apenas com um livro na mão. Noutra ocasião, no metrô em Sã0 Paulo, notei um número proporcionalmente menor ainda de pessoas flagradas com essa que é sem dúvida uma das melhores companhias.  Essas observações, ainda que pareçam tolas para alguns (que não gostam de ler), revelam a cultura de um povo. Será que o brasileiro não aprecia o livro?

Talvez alguém proteste e diga: Isto não é verdade! Temo que as estatísticas provem o contrário. Tempos atrás fiquei chocado com um artigo que li acerca da relação do brasileiro com o livro. O texto informava que há mais livrarias na grande Paris, na França, do que em todo o território brasileiro! Lembrei-me então que durante os anos que morei na Europa sempre me impressionava com o número de pessoas lendo dentro de um ônibus ou trem. Em muitas viagens encontrei livros deixados para trás como que propositadamente para que outros pudessem ter o que ler.

O fato, pode-se argumentar, é que livro no Brasil é caro. Esta é uma verdade constrangedora. Deixa-nos numa sinuca: O brasileiro não lê porque o livro é caro! ou, O livro é caro e por isso o brasileiro não lê! Tudo nesse país é muito caro, talvez extorsivamente caro… Revolto-me todas as vezes que entro numa livraria nos EUA. Como o americano pode comprar livros por um preço melhor que o nosso? Bom, esse assunto e essa revolta não cabem aqui. Ficarão para outro artigo.

Em uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro, Retratos da Leitura no Brasil, os dados constrangem.

(…) Declaram-se não-leitores 48% (não leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa). Essa proporção desce para 45% se forem considerados os que não leram um livro no ano anterior. 33% dos não-leitores são analfabetos e 37% têm até a 4ª série, faixa em que as práticas de leitura ainda não estão consolidadas.

A maior parcela de não-leitores está entre os adultos: 30 a 39 (15%), 40 a 49 (15%), 50 a 59 (13%) e 60 a 69 (11%). O número de não-leitores diminui de acordo com a renda familiar e de acordo com a classe social. Quase não há não-leitores na classe A e há apenas 1% de não-leitores quando a renda familiar é de mais de 10 salários mínimos. Isso pode levar à conclusão de que o poder aquisitivo é significativo para a constituição de leitores assíduos.

As dificuldades de leitura declaradas configuram um quadro de má formação das habilidades necessárias à leitura, o que pode decorrer da fragilidade do processo educacional: lêem muito devagar: 17%, não compreendem o que lêem: 7%, não têm paciência para ler: 11%, não têm concentração: 7%. Todos esses problemas dizem respeito a habilidades que são formadas no processo educacional.

As alegações para a ausência de leitura no ano anterior à pesquisa evidenciam problemas de várias ordens: falta de tempo: 54%, outras preferências:

34%, desinteresse: 19%, falta de dinheiro: 18%, falta de bibliotecas: 15%. Assim, 33% das alegações dizem respeito à falta de acesso real ao livro e 53% dizem respeito ao desinteresse pela leitura. Se considerarmos a falta de tempo uma questão de opção na organização da agenda pessoal, o índice de desinteresse pela leitura cresce muito.

Tais informações parecem configurar um ambiente em que a leitura não é socialmente valorizada, em que o livro não tem um lugar assegurado. Tanto é que 86% dos não-leitores nunca foram presenteados com livros na infância, enquanto no universo dos considerados leitores esse índice cai para 48%. Outra informação importante diz respeito às práticas familiares de leitura.

Nos lares dos não-leitores, 55% nunca viram os pais lendo. Se considerarmos que a maior influência para a formação da leitura vem dos pais (principalmente das mães). No entanto, dado o quadro de que os pais dos entrevistados não têm instrução alguma (23 %), cursaram até a 4ª série do ensino fundamental (23%) ou têm fundamental incompleto (15%), enquanto as mães sem qualquer escolaridade são 26%, 22% fizeram até a 4ª série e 16% têm fundamental incompleto, torna-se muito difícil a inculcação pela família do valor da leitura.

Nosso sistema educacional consegue a façanha de posicionar-se entre alguns dos países mais pobres do planeta, nós que hoje circulamos orgulhosos no circuito seleto das maiores economias mundiais. Se, como disse Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros, receio que tenhamos que caminhar muito ainda até que nosso povo faça do livro uma companhia inseparável.