Reféns das horas

Reféns das horas

Por Luiz Leite

O ano passou muito rápido! Meu Deus, já é dezembro! Este é um comentário comum no dia a dia nesta época do ano. Há muito tornou-se uma espécie de pretexto para entabular conversa quando se padece de falta de assunto.

É fato que viajamos muito, muito rápido… O ano, entretanto, não passou rápido como se supõe. A astrofísica não publicou qualquer documento sugerindo que nossa revolução em torno do sol tenha acelerado. Permanecemos viajando a exatos 107.000 km por hora!  Os dias, por sua vez, também não estão mais corridos, como julgamos. O movimento de rotação da Terra em torno do seu eixo permanece inalterado. Continuamos girando a 1674 km por hora! Donde, pois a idéia de o tempo está passando mais rápido?

A princípio esse conceito de tempo é muito relativo. Os animais não sabem dele. Tampouco os anjos. Nós o inventamos. Juntamente com ele criamos o calendário, uma baita de uma invenção! Servem-nos bem o calendário e o relógio. Do mesmo modo que nos ajudam, incomodam, oprimem, estressam…

Tive uma experiência interessante na África há alguns anos atrás. Pregava numa aldeia no coração de Uganda. Os encontros que duraram toda a semana eram longos e tranquilos. As pessoas chegavam cedo para o culto e não se inquietavam com o passar do tempo. Notei, curioso, como ocidental, que ninguém se ocupava em checar as horas, uma vez que os cultos eram muito demorados. Percebi depois que ninguém procurava saber as horas porque ninguém tinha relógio!

Assim, não é o tempo que voa, nós é que perdemos o equilíbrio. É lastimável observar a agitação do ser humano urbano em sua rotina atropelada; Como um cavalo sob o estalo do açoite do tempo, o homem segue, resfolegando, atarantado, o que resulta em adoecimento do corpo e da alma. Um preço alto demais para uma vida, em muitos sentidos, sórdida demais!

O velho Moisés já há muito, tendo escapado do cativeiro do calendário e de seu turbilhão desestabilizador, ora com muita propriedade e pede ao Eterno: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal modo que alcancemos um coração sábio.” (Sl 90.12)  É bom que oremos assim também para que não iniciemos o próximo giro em torno do sol apressados demais e sem tempo para desfrutar da paisagem.

 

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5 comentários sobre “Reféns das horas

  1. Eduardo Miranda disse:

    Hehehe,
    Foi impossível ler este texto e não lembrar-me do meu querido Pastor Donizeti!
    Ele e o tempo, amigos e rivais! Óia, parece até nome de novela! rsrsrs

    Abraços seu Luiz!

  2. Anirsis Fernandesw Brito disse:

    Oi pastor,como vai?È muito interessante mesmo essa questão do tempo.Ao mesmo tempo que estamos desequilibrados em relação ao tempo ele nos nortea nessa nossa caminhada.Nos sentimos seguros,nos apoiando nele,e organizando a nossa agenda em função dele.Parece um paradoxo,não?
    Abraços,Anirsis.

  3. luiz leite disse:

    Ola Anirsis,
    É sem dúvida paradoxal nossa relação com o tempo… na verdade o paradoxo marca nossas vidas em muitas outras áreas.
    Compreender esses paradoxos é um grande passo na compreensão do mistério. Abração!

  4. Renan Garcia disse:

    O dia dos paulistanos é de 2H40m, hehehehe…
    Não temos tempo para nada, e quando temos estamos cansados demais para fazer algo produtivo… Muito triste…

  5. Amanda disse:

    Após nossa conversa de análise sobre a minha euforica e afoita alma tenho refletido muito nesta minha característica e ao ler este post não me justifico, mas me explico. Afinal, sou fruto da vida frenética dos paulistanos, por aqui tempo é preciosidade e tudo tem prazo, não é possível andar sem pensar no tempo. De ônibus temos q calcular o tempo por causa da integração do bilhete único e de carro, corre, pq não podemos pegar o horário de pico e de trem e metro nem se fala. Confesso q minha dificuldade em administrar estas 24h, q realmente parecem ser menos, acabei por deixar minha alma no ritmo desenfreado no qual andam as pessoas jô centro da grande SP.

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