Provocação

Por Luiz Leite

A interpretação errada de uma situação comumente reconhecida como “provocação” pode trazer muito desconforto e nenhum benefício. É curioso como cedemos fácil e rápido  a essas provocações e como, na maioria das vezes, reagimos de modo equivocado. A provocação em si não é grande coisa. O problema reside na forma como respondemos a ela. Se não fôssemos tão emocionais lidaríamos melhor com tais situações. 

Sermos emocionais não é um problema pois a emoção é um elemento fundamental na composição da nossa humanidade; o problema é sermos “tão” emocionais… Como esse adverbiozinho faz diferença!  Ser humano significa, entre outras coisas, ter a capacidade de emocionar-se, mas quando a dose da emoção ultrapassa os níveis considerados normais, o equilíbrio estará comprometido.

Sem equilíbrio, essa sintonia fina necessária para mediar as relações sempre complexas do mundo intra e interpessoal,  o sono vira insônia. O caos intaura-se. A resposta a qualquer provocação deve ser conduzida de modo inteligente. Como sal, a emoção deve ser usada sob medida e com o cuidado de um chef, de outro modo põe-se a perder a iguaria.

Ser emocional é tão natural em mim como produzir insulina. Entretanto,  o excesso ou a falta, em ambos os casos, vai resultar em algum dano. Responder com emoção às provocações “faz parte”; empregar muita emoção, todavia, certamente causará distúrbios. Controlar esse fluxo de emoções é tarefa difícil pra maioria das pessoas.

Os Estóicos valorizavam muito a moderação, o equilíbrio, e conduziam a emoção na corda curta, mas de um modo extremado, a ponto de o termo estóico tornar-se sinônimo de insensível. Cultivavam a apathea,  valorizavam a indiferença a tudo… Pois como se percebe através da doutrina dessa escola filosófica do terceiro século antes de Cristo, o homem antigo já havia descoberto que quem não controla suas emoções concede às circunstâncias o direito de determinar como ele ou ela vai se comportar.

Nisto acertou em cheio o velho Zenão de Cítio (334-262 a.C.), pai da escola filosófica referida. Concordando com ele, pelo menos neste ponto sou estóico.

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4 comentários sobre “Provocação

  1. Pastor, muito bom texto. Como uma “boa” sanguínea, sei o como é difícil lidar com as emoções e a importância de conseguir controla-las. Obrigada pela reflexão.

  2. secondino disse:

    legal,,,,,,,,,,, mas a emoção é presente maravilhoso dado pelo o criador . so precisa ser sujeitada controlada. louvor ao senhor pela sua palavra que orienta como lidar com todas estas areas

  3. Muito, muito interessante…
    Engraçado esse negócio do sal. Quando me apareceu, lembrei de Jesus no monte, e podemos até utilizar da mesma metáfora para a questão do cristão moderado. Faz sentido?

    Abraço,
    Ana

  4. luiz leite disse:

    sim, sem duvida faz… somos chamados para um radicalismo moderado…rsss… entende?

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