Duas portas

Duas portas

Por Luiz Leite

O homem contemporâneo, como o homem de todas as eras, padece de uma ansiedade crônica. Atarantado diante do desafio de conceituar e definir sua própria existência, vai errando vida afora. Essa ansiedade, estado de desassossego permanente que nega à criatura a possibilidade de simplesmente estar onde se encontra, merece atenção.

A maior parte das derrotas que mancham nosso cartel de lutas nesta vida  decorre de um erro fatal que lutador nenhum deveria cometer: desprezo pelo oponente. Um inimigo, qualquer que seja, jamais deve ser subestimado. Antes, deve ser observado, estudado, compreendido. Esta disciplina é comum a todos os vencedores. Os perdedores geralmente desprezam esse cuidado.

Pois a ansiedade é um inimigo comumente desprezado. Por ser tratada com descaso por muitos, tem se transformado num algoz terrível para milhões. Essa inquietude tão comum nestes nossos dias turbulentos recebe uma atenção especial nos ensinos de Jesus, o Cristo. Sabedor do efeito devastador da ansiedade sobre a alma do homem, Jesus adverte: “Não andeis ansiosos…” (Mt 6.25)

A ansiedade comumente se remete ao futuro. Pode manifestar-se de modo “normal” ou patológico, ou seja, adoecido. No trecho do sermão do monte onde Jesus discorre sobre o assunto, vemos o Mestre relacionar a ansiedade a preocupações futuras, o que faz com que o indivíduo sofra por antecipação. É um sintoma que denota desequilíbrio e se, por acaso, configurar adoecimento, como qualquer outra doença, deverá ser compreendida e combatida.

Ao dizer “não andeis ansiosos com o que haveis de comer, beber, vestir”, Jesus está se referindo à inquietação desnecessária, ineficaz e adoecida acerca do futuro. “Basta a cada dia os seus próprios cuidados,” (Mt 6.34) diz Ele. O que está implícito neste ensino precioso é que precisamos aprender a nos situar no tempo de modo a viver o presente. Para tanto precisamos aprender a fechar duas portas: a porta do passado e a do futuro. São por estas portas que entram todos os fantasmas que atormentam as nossas vidas. Livres destes verdugos pode-se viver uma vida leve, feliz, hoje, porque o hoje é tudo que temos! Portanto, relaxe e curta a paisagem.

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4 comentários sobre “Duas portas

  1. alvaro disse:

    grande texto,a ansiedade tem feito que deixemos de viver aquilo que o GRANDE MESTRE tem para nós,nos fazendo refém de “coisas” que na maioria das vezes, nem sequer acontece.

  2. secondino disse:

    foi muito bom ler isso. me abriu os olhos neste momento. JESUS CRISTO é maravilhoso!

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