Faça um pacto com sua alma

Por Luiz Leite

É comum que as pessoas vez por outra sintam-se desmotivadas em meio ao combate em que se encontram. É realmente duro olhar ao derredor e não encontrar meios imediatos para resolver a questão tão rápida e praticamente como se gostaria. Nesses momentos tendemos a imaginar que as orações não tem sido ouvidas, que Deus não se importa, afinal oramos e oramos mas tudo continua, da nossa perspectiva, exatamente no mesmo lugar… 

Pois bem, se já tínhamos um problema, ou alguns problemas, a situação assumirá dimensões ainda mais encorpadas quando, além de embalarmos essas impressões secretas, começarmos a publicá-las, reclamando.  A reclamação é uma forma ineficaz e perigosa de lidar com as nossas dificuldades. Ineficaz porque não resolve nada! Perigosa porque opera no modo negativo, dissipando as possibilidades de receber uma revelação (insight) que nos ajude a desatar os nós do imbróglio. A postura pesarosa e lacrimosa do murmurador o aprisiona em um círculo vicioso inescapável. Quanto mais ele murmura, mais peso atrai, mais preso fica.

Ao reclamar da vida e da sorte, o “chorão”, se for crente, está declarando, de modo indireto, que seu Deus está fazendo um péssimo papel! Se incrédulo, estará mil vezes mais complicado. Baratas e ratos espirituais serão atraídos pelo odor malcheiroso que exala de sua boca; Sem ter a quem recorrer para livrá-lo, nem meios para discernir de onde procedem os ataques, se colocará em posição complicada. Pense bem antes de reclamar, culpar as pessoas, praguejar contra os céus… Acredite, se agir assim as coisas vão piorar ainda mais.

Há daqueles que usam o argumento, para eles bastante razoável, que são fiéis, e por essa razão não deveriam estar passando por tal prova… Com isto estão acusando a Deus de injusto, perverso até. Ora, o que não falta na Bíblia são crentes passando por apertos, dificuldades, opressão, medo… Se os “chorões” lessem a bíblia, conheceriam e aprenderiam com o exemplo de homens como José que, pelo testemunho que deixaram, parecem ter feito um pacto com sua alma de não abrirem a boca para reclamar. Faça voce também um pacto com sua alma. Não fique pelos cantos choramingando, se vitimizando e dando ao inimigo ocasião para rir-se no tempo da sua luta. Não dê ao diabo o gosto de te ver derrotado, pessimista, derrotista, amargo, lançando sobre o Eterno a culpa pelo seu infortúnio. Faça como o salmista. “Eu disse: Vigiarei a minha conduta e não pecarei em palavras; porei mordaça em minha boca enquanto os ímpios estiverem na minha presença.” (Sl 39:1)  Quanto ao mais, ouça a voz do profeta e reflita; “Do que se queixa o homem mortal? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.” (Lam 3.39)

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Lições da Grécia

 

Por Luiz Leite

A economia globalizada, fenômeno dos nossos dias, trás consigo algumas características curiosas. Os grandes “players” que protagonizavam a cena e que antes desprezavam as economias nanicas, despachando-as como “repúblicas da banana”, hoje mudaram dramaticamente a postura. É do maior interesse de todos que todos se dêem bem. A arrogância de outrora tem dado lugar a uma espécie de expansão de consciência onde, finalmente, parece estarmos começando entender que o bem estar do outro de algum modo contribui para o meu próprio bem estar.

O que se passava com o longínquo oriente ou uma ilha gelada nos mares do atlântico norte pouco interessava ao habitante dos trópicos e vice-versa. As regras mudaram, e muito. Nunca antes se percebeu com tanta clareza como o fracasso de um país pode afetar o desempenho de outro, principalmente se o outro é um país vizinho. Presenciamos atualmente os esforços combinados dos países europeus para evitar que as economias de países do bloco naufraguem. As economias mais fortes estão lutando juntas para ajudar países como Irlanda, Portugal, Espanha e a maior ameaça de todas, a Grécia, que encontra-se à beira de um colapso. A queda da Grécia não é boa para ninguém, nem mesmo para o “inimigo” histórico ao lado, a Turquia.  

Poucas pessoas, senão aquelas que tem uma formação acadêmica na área, sabem exatamente o que está acontecendo com a economia em mais um momento de pânico nos mercados mundiais. As razões que explicam o que conduz países e grandes corporações à bancarrota são basicamente as mesmas que estão por trás da falência nas finanças individuais. Países e indivíduos “quebram ” devido a má gestão de seus recursos. Se gerenciássemos bem nossas vidas e finanças não conheceríamos o fosso, às vezes intransponível, das dívidas. A Grécia encontra-se diante desse fosso. Vinha  gastando além dos limites, ignorando a regra básica.

Na gestão financeira existem regras básicas que jamais deveriam ser violadas. É tão simples e conhecida a regra de ouro que diz que não se pode gastar mais do que se ganha. Esse axioma, entretanto, está perigosamente errado. Não se pode gastar mais do se ganha? Isto não se traduz em inteligência financeira! Mesmo que não se ultrapasse o limite do orçamento, basta gastar o que se ganha para que a vida começe a encontrar dificuldades na área referida. Voce não pode gastar o que voce ganha! Gratificar seus desejos agora (sem poder) para pagar depois, é quase sempre sinônimo de falta de inteligência financeira, para não dizer outra coisa… Se voce acha que, porque ganha 1000 pode gastar esses 1000, receio que esteja muitíssimo enganado!

O consultor financeiro Pedro Queiroga Carrilho apresenta 5 lições básicas que deveriam ser firmemente observadas por aqueles que desejam ter sossego nessa área:

  • Gaste menos do que ganha.
  • Faça uma gestão saudável do seu orçamento doméstico. Use crédito apenas para a compra de bens de longo prazo, como casa ou automóvel (se houver garantias de renda para honrar as parcelas, é óbvio)
  • Assim que receber seu salário, guarde uma parte. Nesse caso, não pense no valor, mas na percentagem: o ideal é reservar, no mínimo, 10% do seu salário
  • Faça como as empresas, que controlam a entrada e a saída de recursos e depois definem um orçamento para cada tipo de despesa. Faça uma lista com todos os seus gastos. Se, ao fim do mês, você concluir que gastou R$ 600 com alimentação, por exemplo, reserve esse valor para esse tipo de despesa no mês seguinte
  • Reserve um tempo da semana para fazer o dinheiro trabalhar por você. Isso significa investir o dinheiro que separou do salário: pode ser na poupança, em títulos de renda fixa ou em ações. Quanto mais cedo você começar a investir, mais o dinheiro vai se multiplicar

A administração desastrada das finanças decorre, entre outras coisas, da falta de noção que muitos tem acerca de sua relação com o dinheiro. Dinheiro é coisa séria. Jamais subestime seu poder. Dinheiro não trás felicidade, diz o bordão, mas faz as pessoas sorrirem (quando se tem) e, mais do que se sabe, faz muitas outras chorarem (quando não se tem). Sei que precisamos de dinheiro para financiar o ir e vir da vida, mas sejamos cuidadosos: Se os recursos estão escassos, vá de lotação. Pelo menos por enquanto! Tenha uma boa vida. 

Duas portas

Duas portas

Por Luiz Leite

O homem contemporâneo, como o homem de todas as eras, padece de uma ansiedade crônica. Atarantado diante do desafio de conceituar e definir sua própria existência, vai errando vida afora. Essa ansiedade, estado de desassossego permanente que nega à criatura a possibilidade de simplesmente estar onde se encontra, merece atenção.

A maior parte das derrotas que mancham nosso cartel de lutas nesta vida  decorre de um erro fatal que lutador nenhum deveria cometer: desprezo pelo oponente. Um inimigo, qualquer que seja, jamais deve ser subestimado. Antes, deve ser observado, estudado, compreendido. Esta disciplina é comum a todos os vencedores. Os perdedores geralmente desprezam esse cuidado.

Pois a ansiedade é um inimigo comumente desprezado. Por ser tratada com descaso por muitos, tem se transformado num algoz terrível para milhões. Essa inquietude tão comum nestes nossos dias turbulentos recebe uma atenção especial nos ensinos de Jesus, o Cristo. Sabedor do efeito devastador da ansiedade sobre a alma do homem, Jesus adverte: “Não andeis ansiosos…” (Mt 6.25)

A ansiedade comumente se remete ao futuro. Pode manifestar-se de modo “normal” ou patológico, ou seja, adoecido. No trecho do sermão do monte onde Jesus discorre sobre o assunto, vemos o Mestre relacionar a ansiedade a preocupações futuras, o que faz com que o indivíduo sofra por antecipação. É um sintoma que denota desequilíbrio e se, por acaso, configurar adoecimento, como qualquer outra doença, deverá ser compreendida e combatida.

Ao dizer “não andeis ansiosos com o que haveis de comer, beber, vestir”, Jesus está se referindo à inquietação desnecessária, ineficaz e adoecida acerca do futuro. “Basta a cada dia os seus próprios cuidados,” (Mt 6.34) diz Ele. O que está implícito neste ensino precioso é que precisamos aprender a nos situar no tempo de modo a viver o presente. Para tanto precisamos aprender a fechar duas portas: a porta do passado e a do futuro. São por estas portas que entram todos os fantasmas que atormentam as nossas vidas. Livres destes verdugos pode-se viver uma vida leve, feliz, hoje, porque o hoje é tudo que temos! Portanto, relaxe e curta a paisagem.