Mediocridade

Mediocridade

Por Luiz Leite

Mediocridade não admite falso cognato. Pelo menos nisso ela é original. Mas para por aí. Em todos os cantos o sentido é o mesmo. Seja na França, (Médiocrité), Espanha (mediocridad), Itália (mediocrità), Romênia (mediocritate), Reino Unido (mediocrity), Alemanha (mediokrität), Holanda (mediocriteit) e demais países onde o latim exerceu grande influência, o termo é inconfundível.

A mediocridade é a opção da maioria. Geralmente contenta-se em olhar ao redor e situar-se onde a maioria resolveu fincar raízes. As pessoas avaliam-se pela média. Não importa que estejam enterrando seus talentos e gerenciando suas vidas e potenciais de modo preguiçoso, o que conta é que estão na companhia de um batalhão incontável de outros medíocres. Eis seu consolo!

Reclama-se da mesmice e da rotina num rompante revoltoso, mas no fundo poucos saberiam representar seus papéis em condições adversas; viciados em mediocridade, prefere-se o velho e desbotado bordão que já se sabe de cor.  Se o roteiro for alterado tudo para, tudo se complica, porque ninguém aprende a improvisar na escola da mesmice.

Obviamente preferimos o conhecido ao desconhecido, a comodidade ao relento, o raso ao profundo, o urbano ao ermo. Temos medo de altura. De funduras também. Gostamos mesmo é da superfície. Superfluidade. Nos domínios do raso nos sentimos seguros, no controle… É fácil se mover em águas rasas.

Assim, como os rios, muitos de nós vão serpenteando pela vida afora, evitando os obstáculos, fugindo dos desafios que se apresentam no percurso. Os rios descrevem itinerários monótonos até serem confrontados pelos grandes acidentes de nível. Só nestes momentos revelam o espetáculo de beleza e força que carregam em si. Quantos não optam por dar voltas, subterfúgios preguiçosos e covardes, até que se vejam diante do abismo… Aí resta-lhes apenas o salto. Então… Show time!

Comumente negociamos segurança por felicidade, entregamo-nos à mediocridade em troca de paz duvidosa… Em terreno conhecido damos passos firmes sem a preocupação comum que nos assalta quando nos movemos em situações pouco familiares. Assim o medo do novo e o apego ao previsível vai nos roubando as oportunidades de explorar o outro lado da rua, a outra rua, o outro bairro… Pena!

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Que país é esse?

Que país é esse?

Por Luiz Leite

Luiz Fernando da Costa, mais conhecido como Fernandinho Beira-Mar (Duque de Caxias, 4 de julho de 1967), é um criminoso brasileiro. Assim começa o verbete na Wikipédia acerca do mais célebre marginal brasileiro. Digo marginal porque há muitos criminosos brasileiros famosos por aí, soltos, que não podem ser classificados tecnicamente como marginais.

Ver Fernandinho Beira-Mar na capa da Veja mais uma vez me incomodou. E muito. Constrangimento e vergonha talvez sejam as palavras que melhor descrevem o sentimento que agitou os meus “bofes”. Logo agora, quando após a super aclamada “vitória” do Estado sobre o crime organizado no Rio de Janeiro, começávamos a acreditar que não estávamos mais à mercê da bandidagem? 

A verdade é que, cansados do cerco a que nos vemos submetidos, quisemos nos iludir por um pouco, achando que o problema estava resolvido. Qual nada. O enredo recebeu capítulos extras e nos distanciou para longe do desfecho previsto. Fernandinho Beira-Mar – que, evangelizado, já foi visto com bíblia em suas viagens, sim, viagens, ora aqui, ora ali, sempre viajando de presídio em presídio – continua no comando de um negócio que movimenta milhões.

Sua prisão, tão celebrada e ventilada pela mídia em 2002, foi uma ação de eficácia duvidosa. Removeram o bandido das ruas mas foi apenas como se varressem o lixo pra debaixo do tapete. Maquiaram a cena, mas não limparam muita coisa. A sujeira ainda está lá e pior, sem previsão de quando será removida. A indústria da morte continua, com produtividade e “mark ups” de causar inveja. A capa de uma edição de Veja deste mês é um ultraje: Preso e ainda no comando – como o bandido mais perigoso do país continua a traficar, matar, sequestrar e controlar territórios de dentro de sua cela.

Foi inevitável não comparar o Brasil de Fernandinho Beira-mar com a Colombia de Pablo Escobar onde o poderoso mafioso escolhia até os guardas que tomavam conta do presídio que ele mesmo mandou construir!! Aqui no Brasil desse outro não menos notório bandido as coisas não parecem ser tão diferentes. Que país é esse? Como é possível que um sujeito trancafiado num presídio de segurança máxima (??) pode continuar gerenciando um negócio com operações tão complicadas como aquelas do mercado onde esse malandro é PhD? A maioria dos empresários teria um “troço” se ausentassem dos seus negócios por apenas três meses… Só uma rede invisível de maestros de togas e diplomas – delegados, juízes, parlamentares – orquestrando essa sinfonia macabra poderia explicar o êxito da empresa desse menino prodígio.

Não Despreze suas Sementes

Não despreze suas sementes

Por Luiz Leite

Deitado próximo a uma árvore majestosa, na companhia de cotias, teiús e micos-estrela (pelo menos com esses tive a satisfação de me avistar), enquanto viajava em uma leitura, ora enfadonha ora interessante, pelo atomismo de Demócrito, vez por outra tinha minha atenção interrompida pelo som de grandes castanhas que caiam da tal árvore. No final do meu período de “retiro estratégico”, essas fugidas que arranjo no decorrer dos meus dias, resolvi dar uma olhada nas castanhas que caiam insistentes… Observei que ao caírem, se rachavam, deixando à mostra uma única e grande semente. Retirei uma das sementes e fiquei imaginando aquela árvore imensa contida ali na palma da minha mão.

Poucas pessoas vêem em uma humilde semente algo mais que tão somente uma semente. Quantos vêem numa simples semente de goiaba uma árvore frondosa e carregada de frutos fazendo a alegria de centenas de milhares pela vida afora? Poucos, na verdade muito poucos! Sem discernir o mistério, desprezamos sementes.

Nossas vidas dependem, em muito, do modo como tratamos essas sementes. Se fazemos pouco caso de uma semente então está claro que não temos imaginação. Homens sem imaginação são criaturas sem visão. É da visão que tiraremos o nosso sustento e os recursos que nos darão condições de realizar nossos sonhos secundários. A visão é o meio provedor.  A visão gera riquezas. Os meios necessários para a sonhada vida abundante estão contidos de modo latente no coração da visão. 

Se temos uma visão estamos de posse de fantástica semente. Uma visão, entretanto, será apenas uma ilusão se não enfrentarmos o desafio de organizar o passo a passo para transformá-la em projeto. É quando decidimos fazer algo a respeito desses sonhos que deixamos de ser apenas sonhadores e damos um passo a frente.

Deus distribui visões aos homens, poucos, entretanto, tem fé suficiente para crer que sua visão é possível e passível de ser concretizada. É lamentável saber que tantas pessoas recebem as sementes da visão e as desprezam por incredulidade ou preguiça. A semente de uma visão não é uma semente qualquer; Não pode ser jogada a esmo em qualquer lugar… Não podemos correr o risco de perder tais sementes! Não despreze suas sementes, caso contrário vai ter que trabalhar o resto da vida para aqueles que as guardaram como a um tesouro e as cultivaram com diligência.