Culto ao Horror

Culto ao Horror

Por Luiz Leite

A temperatura caiu bastante aqui em Massachusetts nos últimos dias. O outono com seu hálito fresco prenuncia o frio que vem por aí. A beleza efêmera desta estação do ano – um dos encantos do hemisfério norte – vai definhando depressa. As árvores, até a pouco revestidas de uma roupagem deslumbrante, aos poucos vão sendo desnudadas pelo vento que sopra alvoroçando suas belas e coloridas cabeleiras.

As folhas secas que acumulam-se em montes na beira das estradas vão revelando um cenário completamente avesso ao que há pouco se via. Na medida em que o mês de outubro se escoa uma grande sensação começa a se fazer sentir por toda a Ámerica. As casas comecam a ser decoradas para a celebração do halloween, um dos festejos populares mais queridos. A programação na TV é saturada com filmes de terror e os já fascinados por esse tipo de estória entopem-se de horror e encharcam-se de sangue virtual.

Nao é completamente errado se afirmar que boa parte dos americanos tenha fascinação por esse gênero. Qualquer observador externo poderia concluir que o que se tem aqui é um verdadeiro culto ao horror. O que assusta é que o público jovem é o que mais consome os produtos desta indústria. O culto ao horror não é, todavia, meramente, uma brincadeira como algumas das manifestações folclóricas que se observa em todas as culturas. Estatísticas (inclusive dados do FBI) revelam que o número de pessoas desaparecidas aumentam significativamente entre os 15 dias que antecedem o 31 de Outubro e os outros 15 posteriores ao dia da bruxas.

Suspeita-se que esses “desaparecimentos” tenham relação direta com a data. Estudiosos do assunto afirmam tacitamente que os satanistas sacrificam vidas humanas em seus rituais, coisa que para muitos não passa de ficção. Tais coisas acontecem na vida real? O que é ficção e o que é realidade? Por quê a indústria americana do cinema explora tanto o gênero do terror? Qual a razão da fixação pelo bizarro? Essa paixão lúgubre por temas afins poderia explicar parte da psicopatia americana e sua incrível usina de “serial killers”?

É simplesmente a arte imitando a vida? Os filmes são produzidos baseando-se em eventos macabros ocorridos nas noites escuras apontadas para os rituais de culto ao espíritos malignos? Ou será que a vida imita a arte, ou seja, pessoas já devoradas pela gangrena psiquica e espiritual da vioência e frustração, tendo cedido suas mentes e almas como depósitos de lixo à esse gênero de literatura ou cinema, acabam sendo influnciadas e perpetram os atos que vão retroalimentar a mídia e inspirar diretores a produzire mais e mais obras dessa “arte” asquerosa? Fica a pergunta.

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