Espetáculo Mambembe

 

 

 

 

 

Espetáculo Mambembe

Por Luiz Leite

Este artigo trata do pastor que ataca o bispo que ataca o pastor… É absolutamente lamentável que façam da cena evangélica o circo que aí está, promovendo esse espetáculo mambembe, onde o nome de Jesus acaba virando mote na boca dos incrédulos. Qual não deve ser a alegria do Diabo ao assistir supostos representantes de Cristo se digladiando, acusando-se mutuamente, representando um papel que sempre foi dele! Creio que esse é um dos raros momentos onde a velha e vaidosa serpente não se ofende quando lhe roubam a cena.

Já não bastava a horrível controvérsia envolvendo Silas e Caio… quem ganhou? quem perdeu? certamente o Reino não foi edificado nem as vidas dos cidadãos do Reino. Na verdade todos perderam, todos sairam derrotados, tristes e envergonhados dessa rinha  insana onde pastores, como galos de briga, afiam seus esporões e se põem a desferir golpes  em seus pares… Estou enojado com tudo isto.

Não, eu não desconheço a história. Sempre houve disputas acaloradas entre líderanças eclesiásticas. As grandes refregas doutrinárias do passado cristão revelam grandes campeões da fé envolvidos em batalhas filosófico teológicas que definiriam mais tarde o perfil doutrinário da igreja cristã. Assim foi que Atanásio defendendo a divindade de Cristo, combateu Ário que em sua heresia afirmava ser Jesus apenas um ser criado. Tertuliano atacou a Marcião, o herege a quem Policarpo de Esmirna chamou de “primogênito de Satanás”.  Agostinho de Hipona combateu Donato de Casa Nigra, ajudando a extinguir a heresia donatista do norte da África…

Enfim, esses homens e muitos outros que se desgastaram no labor de defender a integridade da fé cristã, enfrentaram os heresiárcas como Ário, Marcião, Donato, Sabélio, Montano, entre outros, para garantir o corpo de doutrinas que hoje definem o que é o cristianismo; somos gratos aos saudosos apologetas, guerreiros que batalharam pela fé que foi confiada aos santos.

Diferentemente do teor das pelejas travadas pelos defensores da fé do passado, o que vemos, entretanto, envolvendo os líderes contemporâneos citados, é uma briga de supostos representantes do Reino, refletindo o duelo político entre Dilma e Serra, o que torna a coisa por demais triste…  é deprimente ver pastores se engalfinharem em conflitos desse nível… Até compreendo a atitude de Silas Malafaia que se sente  ultrajado com as insinuações do Bispo Macedo, como se vê no vídeo a seguir, mas é uma lástima que a discussão envolvendo líderes de grande projeção não passe de um bate boca patético que não edifica a ninguém! A briga pessoal que se torna pública, com sua troca de farpas, não serve em definitivo à causa do Reino, pela qual ambos dizem lutar.

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Aula de Ética

 

 

 

 

 

Aula de Ética

Por Luiz Leite

O Ciro Gomes é coordenador da campanha de Dilma para a presidência. Para aceitar tal desafio o “cabra” supostamente teria que estar ideologicamente alinhadinho com a candidata; Qual nada! Veja as opiniões emitidas por Ciro pouco antes de abraçar a nobre causa. A julgar pelos fatos aí apresentados, conclui-se que esses medalhões são contraditórios e seguem um padrão de ética fajuto. Diz-se por aí que cada homem tem seu preço; parece que o Ciro já estipulou o seu. Como um cidadão que faz declarações como as que se ouvem no vídeo tem coragem para assumir posto de lugar-tenente numa campanha que ele mesmo desqualifica com todas as letras? Onde foi parar a ética? ou melhor, onde foi parar a vergonha?

Uma vela pra Deus e outra pro diabo

 

 

 

 

 

 

 

Uma vela pra Deus e outra pro Diabo

Por Luiz Leite

Ainda que de certo modo desconsiderada pelos grandes atores da política nacional, a religião deixa de ser simples peão no tabuleiro da disputa eleitoral e assume status de peça importante em tempos de campanha. Um deslize por parte de um candidato descuidado na abordagem de temas sensíveis pode colocar uma eleição a perder. É famosa a campanha perdida por Fernando Henrique Cardoso pela prefeitura da cidade de São Paulo quando, em debate, vacilou em responder à pergunta se cria em Deus. Dizem os especialistas que foi nesse ponto exato que o placar virou em favor do falecido Jânio Quadros.

Políticos, salvo raríssimas excessões, têm a capacidade de se transformarem, como camaleões, ajustando-se manhosamente aos ambientes de diversidade complexa. Em época de campanha é comum ver certos candidatos acenderem, literalmente, “uma vela pra deus e outra pro diabo” ao participarem de cerimônias religiosas cujas doutrinas divergem inteiramente umas das outras. Ora estão entre os representantes de uma comunidade judaica, ora num culto evangélico pentecostal, ora no santuário católico de Aparecida, ora lavando juntos com  sacerdotes do candomblé as escadarias da igreja do Bonfim…

Sua aparição em um culto religioso, todavia, não é suficiente para convencer os religiosos de que este ou aquele candidato é simpático à sua causa. Os fiéis encontram-se cada dia mais envolvidos no processo democrático e fazem questão de saber onde realmente se posicionam os postulantes. No caso do universo cristão, seja católico ou protestante, o sinal já foi enviado: cuidado! temos o poder de mudar o rumo das coisas. Ainda que destoem num ou noutro ponto de doutrina, católicos e protestantes aglutinam-se e defendem em uníssono opinião semelhante em torno de temas como aborto, pena de morte, homossexualismo entre outros. Devido ao poder de influência e mobilização de milhões de fiéis, a grande mídia nessas ocasiões se vê obrigada a ouvir as lideranças cristãs e dedicar espaço especial à opinião das mesmas em suas publicações.

As revistas Carta Capital, Época e Veja trouxeram, simultaneamente, como matéria de capa em uma  edição de outubro, o tema sempre polêmico do aborto. Praticado clandestinamente em clínicas dirigidas por profissionais de probidade duvidosa, o aborto ganha relevância no debate democrático com poder de influenciar os resultados das urnas. Os candidatos esforçam-se para não desagradar o eleitorado, elaborando discursos de interpretação dúbia, na tentativa de hipnotizar e confundir os reais, mas lamentavelmente desinformados detentores do poder de decisão do pleito.

Sinceramente fico curioso ao ver ícones da cena evangélica emprestando sua voz e poder de influência a candidatos que nada tem a ver com sua confissão de fé. Por que setores do pentecostalismo como a ala da Assembléia de Deus, dirigida pelo Bispo Manoel Ferreira faz campanha para a candidata do PT? Por que o jovem cantor de grande sucesso no meio gospel, fez campanha e emprestou sua bela e ungida voz ao candidato (ativista gay) ao governo de Minas? Por que o grande e influente telepregador retira seu apoio a uma candidata respeitada e reconhecida como cristã e migra para o ninho do tucanato? Será que é apenas a expressão sincera de suas convicções políticas? Bom seria que fosse. Gostaria que fosse. Será que também não estamos acendendo duas velas??  Os três citados, todavia, não estão desacompanhados. O vídeo a seguir revela alguns outros.

Eleição ou Seleção?

 

 

 

 

 

 

Eleição ou Seleção?

Por Luiz Leite

É para mim inevitável, ao observar o cenário político, não lembrar do texto polêmico do famoso livro que transtornou o século XX. Leitura proibida no Brasil, o Protocolo dos Sábios de Sião, surgiu na Rússia durante o governo do Czar Nicolau II, e revela a trama supostamente desenvolvida pelos judeus para controlar as economias do mundo através de uma fabulosa conspiração. A comunidade judaica vem, desde há muito, negando a autoria do tal documento. Alegam que o tal protocolo foi forjado pelo polícia secreta do Czar para lançar a opinião pública contra os movimentos de esquerda que vinham crescendo de forma ameaçadora e que tinham em suas fileiras muitos judeus em posição importante. Negam o livro e seu conteúdo, como negam a Jesus como Messias.

A negação veemente da paternidade dessa obra é para os judeus das mais importantes frentes de luta por sua sobrevivência. A leitura do Protocolo comprovadamente funciona de maneira terrivelmentre eficaz como arma de propaganda antisemita. A Alemanha Nazista de Hitler usou-o largamente em seus esforços para persuadir seus fanatizados seguidores da “ameaça judaica” e da necessidade de exterminá-los como a ratos. O III Reich disponibilizou o texto e colocou nas mãos do povo alemão, intoxicando a milhões com o veneno racista.

Ainda que os judeus neguem que o Protocolo dos Sábios de Sião tenha tenha qualquer fundamento, ou que exista uma conspiração judaica para controlar as nações, os antisemitas de todo o mundo sustentam categoricamente, apresentando provas as vezes intrigantes, as vezes questionáveis, que a obra é autêntica e que existe sim uma conspirata sionista operando nos bastidores do poder mundial. A controvérsia acerca da autencidade do livro certamente não terá fim.

Fato é que alguns trechos do ultra polêmico Protocolo nos remetem a pensar conspiracionalmente. É bem sabido que na coreografia do poder os passos são cuidadosamente ensaiados com todos os movimentos prédeterminados, com pouquíssima probabilidade de deslizes. O desfecho do espetáculo só é conhecido pelo diretor da trama e seus atores e colaboradores mais próximos. O grande público não decide nada. Acompanha o desenrolar dos eventos completamente alheio ao seu fim. Arriscam palpites, “torcem” e até se precipitam em discussões acaloradas, mas nada sabem.

Nesses dias, com o “show” das eleições em andamento, o texto do documento incendiário provoca: “Os administradores, escolhidos por nós no povo, em razão de suas aptidões servis, não serão indivíduos preparados para a administração do país. Assim, facilmente se tornarão peões de nosso jogo, nas mãos de nossos sábios e geniais conselheiros, de nossos especialistas, educados desde a infância para administrar os negócios do mundo inteiro. “

A liberdade política”, diz o documento controverso, “é uma idéia apenas”; não se traduz para a realidade. Desse modo, o homem comum vive o sonho dessa tal liberdade quando, no exercício de uma cidadania questionável, se dirige às urnas para fazer valer seu direito (forçado) de voto. Não existiria,então, eleição. Existe seleção. Essa seleção é natural, algo semelhante a proposição Darwiniana. Os mais fortes sobrevivem pelo espólio dos mais fracos. As cartas marcadas roubam, às escondidas, como é próprio deste delito odiável, as chances dos ingênuos e idealistas puritanos. O loteamento do poder é feito longe do olhos da plebe ignara que nem suspeita que está sendo escandalosamente vilipendiada.

No caso do Brasil alguns eventos da história recente ainda intrigam. Só para citar alguns casos, o “suicídio” de Getúlio Vargas, a  “renúncia” de Jânio Quadros, a queda de João Goulart, a morte de Juscelino Kubstichek, a estranha morte de Tancredo Neves, o enigmático “desaparecimento” de Ulisses Guimarães, a fantástica construção de Collor…  As cartas, tudo leva a crer, são mesmo marcadas. Não é preciso ser nenhum teórico da conspiração para chegar à essas conclusões. Qualquer bom historiador sabe bem que a história oficial é maquiada. Vergonhosamente.

Da missa – provoca o dito popular – não sabemos um terço. O circo apresenta os bufões no picadeiro e as massas riem-se, sem ao menos perceber que é dela mesma que se faz troça. No Brasil o fato está diante dos nossos olhos no horário político de cada pleito. O deboche se faz escancarado quando partidos políticos fazem uso de candidatos cacarecos (humoristas fracassados, cantores em fim de carreira, jogadores de futebol aposentados, símbolos sexuais decadentes…) para tentar garantir, na falta de pessoas capazes, uma cadeira a mais nas câmaras estaduais e federais. É apenas óbvio que tais candidatos, se eleitos, como já se provou, não passarão de figuras caricaturescas, sem qualquer significância no processo político, a vadearem pelos corredores do poder.

Ver o palhaço Tiririca, por exemplo, tornar-se o deputado federal mais votado do estado de SãoPaulo é um acinte; milhões devem rir de seu humor pastelão, mas por trás da chocarrice de apenas um palhaço, uma nação inteira está sendo ridicularizada. É lógico que não sabe disso o cidadão comum, que em sua ignorância nutrida por um ração especial de desinformação, vem sendo há anos embalado pelo recurso antigo mas sempre eficaz do pão e do circo. Ainda que em todas eleições me irrite o gracejo atrevido e escrachado de candidatos vazios de conteúdo, com seus discursos fajutos, cópias desgastadas e enfadonhas de fórmulas ultrapassadas, o que realmente me deixa indignado é o discurso sério, o tom grave dos personagens mais sisudos da comédia representada nesse grande picadeiro.

Temos políticos de carreira, políticos por vocação, por profissão, “franco atiradores” , oportunistas e idealistas de todas as cores. Dentre esses é possível encontrar, incrível que pareça, os bem intencionados. Ainda que os aproveitadores usem o poder religioso de mobilização para garantir votos em todos os pleitos, há daqueles que são representantes legítimos de determinados segmentos religiosos. Esses tem respaldo das lideranças eclesiais, sem necessidade de fazer conchavos impublicáveis para costurar alianças espúrias e assegurar o apoio de que precisam. Mesmo assim podemos ver líderes religiosos escorregando tristemente ao encarnarem o papel de cabos eleitorais nesse terreno escorregadio.

Se voce não é daqueles que aceita o estereótipo da memória curta que se atribui aos brasileiros, há de lembrar-se de como as lideranças da igreja brasileira se alinharam a Collor de Mello em 1989, exortando os fiéis a não votarem no comunista, o “sapo barbudo”, que naqueles dias iniciava a jornada em direção à Brasília. Pois as lideranças que ajudaram a empossar o embuste chamado Collor, viram-se embaraçadas diante do fiasco a que haviam avalizado. Afinal, Deus revelou que o apoiassem ou não? A princípio disseram que sim, depois restou o constrangimento a esses  “profetas” que saem por aí falando que Deus disse, quando Deus não falou coisa alguma.

Dia desses li em algum lugar que a Valnice Milhomens afirmou que “O Pai (lhe) havia dito que é possível que Marina Silva seja eleita esse ano”. Sinceramente não entendi. Se é o Pai que unge e destrona reis, então não pode haver tal coisa como “possibilidade” para a eleição daquele a quem ele escolher estabelecer no comando da nação! Afinal Deus falou ou não? Se falou, então tá falado! Essa dubiedade soa mal, dá lugar à desconfiança… Cuidado profetas!  Que Valnice queira ajudar Marina tudo bem. Posso ser cabo eleitoral de quem eu quiser, agora se vou a público fazendo uma asseveração de caráter subliminar, utilizando o sempre impressionável recurso do nome do Senhor, então acabo entrando na mesma frequência em que operam todos os outros flibusteiros.

Veja se não é esse o caso de Lula, o presidente deslumbrado? Referiu-se a Dilma outro dia em um dos seus discursos como senhora Presidenta! Surpreende ao emendar que já a chamava de Presidenta porque tinha convicção de que ela seria eleita; A pedra de toque para embasar o rasgo profético do falastrão foi uma frase de efeito com poderes hipnóticos sobre os incautos operários que lhe aplaudiam freneticamente. Apropriando-se cinicamente das palavras do apóstolo Paulo, diz em tom triunfal: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”

Enfim, se o “Protocolo dos sábios de Sião” é uma fraude antisemita ou não, se existe uma conspiração manipulando as peças nesse grande tabuleiro, não é fácil comprovar. O certo é que, no final das contas, quando cerrarem as cortinas e o show terminar, os senhores do poder se rirão do povo mais uma vez e darão curso aos seus negócios sem que se saiba quem realmente opera as cordas que movem as marionetes, ou quem são os ventríloquos que colocam as palavras nas bocas dos fantoches.