A Jangada da Medusa

 

A Jangada da Medusa

Por Luiz Leite

Nada é fixo, nada é durável, nada é firme… Tudo está a mercê do torvelinho… A ciranda cósmica irrefreável não apenas ameaça nos tragar mas certamente o fará, no seu grande e medonho redemoinho.

Tudo é muito efêmero, mas os tolos humanos não o sabem; Vivemos em rebeldia constante, levantando-nos contra o fato intragável de que estamos apenas por um momento, quando gostaríamos de não apenas estar indefinidamente, mas ser para sempre. Sabemos, entretanto, que isto não é possível.

Esta impossibilidade nos esmaga e humilha… as nossas pretensões dão de cara contra este muro terrível obrigando-nos a assumir uma insignificância que insistimos em negar. Nosso ego não admite sua falência. Não desce do pedestal onde se colocou como uma pequena divindade. Esconde-se por trás de máscaras; Vive sob um manto de farsas.

Narcotizamos nossas almas para escapar à realidade de que não somos o que alardeamos ser; iludimo-nos estupidamente quanto a nossa efemeridade; como toda ilusão, por curta que seja, produz uma gratificação dos sentidos, viciamos nossas mentes e chafurdamos nosso nariz nessa cracolândia do “faz de conta”;

Sob o efeito desses “lança-perfumes” psíquicos, entregamo-nos ao balancê ora prazeroso, ora nauseabundo, dessa jangada de loucos… e assim vamos nós, montados em nossa nave azul que já vai também cambaleando, em razão dos maus tratos sofridos pelos seus ensandecidos inquilinos.

Se continuarmos assim, talvez a cena da famosa Balsa da Medusa, retratada por Gericault, venha a se repetir em proporções inimagináveis. Por mais que se negue a velha e boa Bíblia, não podemos escapar ao fato de que somos limitados e extremamente frágeis. Se não despertarmos a tempo, nossa arrogância poderá nos precipitar num pesadelo que espatifará para sempre aquela soberbia injustificada que insistimos cortejar. 

Bom senso é voltar-se para a Escritura Sagrada e fazer coro com o salmista dizendo: “Dá-me a conhecer, SENHOR, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade. Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à tua presença, o prazo da minha vida é nada. Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade. Com efeito, passa o homem como uma sombra…” (Sl 39.4-5,6a)

4 comentários sobre “A Jangada da Medusa

  1. Prezado Luiz como sempre você toca no âmago da ferida.
    Essa sociedade, cf. “Baudrillard”, se tornou, na verdade, em toda parte competitiva e operacional, mas sem acreditar nisso, ainda que quase sempre sem tomar consciência de não acreditar nisso. Somos agnósticos sem saber, vivemos dessa afetação, vinda de uma incredulidade profunda, que consiste em fazer mais e em fazer demais. Nossa sociedade de serviços é uma sociedade de servos de si próprios, são homens servilizados a seu próprio uso, sujeitados as suas funções e a seus desempenhos, essa civilização incivil está adentrando a força no reino do deus pós- moderno. Ou seja: “o homem” com h(zinho).
    Que Deus te abençoe e guarde para todo o sempre.
    Abraços;
    Carlos.

  2. Obs.: Carlos Teixeira não é outro senão carlos. babi (carlos.babi@oi.com.br)

  3. Aceitar que um dia não mais estaremos aqui, vivendo esta vida é para o homem algo muito dificil, pois ao homem foi dado um dia a voz de conquita e de eternidade, e agora tão somente ter que aceitar o fim “desta vida” é para o homem algo desesperador, ´so há uma maneira do homem entender estas coisas, é se volta para o seu criador, pois só quem criou é que sabe como tudo funciona. Ainda bem que Deus esta nos dando a oportunidade de mostrar ao homem o caminho de volta.
    deus te abençoe

  4. Ola carlos. obrigado por comentários sempre tão afiados… leitores como vc fazem a alegria de um escritor.

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