Em Defesa de Eusébio

Em Defesa de Eusébio

Por Luiz Leite

Como fã de História e admirador de historiadores, fiquei bastante incomodado com o juízo que alguns críticos, segundo o autor que lia (Justo Gonzales), fazem acerca de um dos meus heróis.  Trata-se de Eusébio de Cesaréia (265-339 d.C.), que é simplesmente o responsável por quase tudo que hoje sabemos dos primeiros três séculos da fé cristã.

Gosto tanto de Eusébio que batizei um dos meus primeiros violões em sua homenagem. Eusébio viajou comigo por muitos lugares do mundo, inclusive pela velha Palestina, onde viveu o famoso bispo. Ícone da Igreja oriental, tornou-se figura importantíssima ao abraçar a tarefa de historiar a trajetória da igreja do nascimento aos seus dias. Seu legado é estimado como uma das mais preciosas fontes de informação sobre aqueles dias que as brumas do tempos ameaçam encobrir.

O que me chateia nos críticos de Eusébio é a acusação de que sua obra tenha sido produzida como uma peça de lisonja a Constantino, o todo poderoso Imperador que, apesar de sanguinário e irascível, é retratado de modo inteiramente positivo, quase um santo, um Josué, lutando as batalhas do Senhor. O fato é que assim mesmo se aparenta mas, após tantos anos de perseguição não seria de admirar que muitos nos dias de Eusébio julgassem a mudança de postura do império e o aceno amistoso do imperador como um ato de intervenção de Deus e por isso uma bênção.

É necessário compreender o homem e seu tempo. Intrigas políticas à parte, sua contribuição nos é inestimável. Graças a Eusébio, guiados pela lâmpada que nos legou, sua Historia Ecclesiae (História Eclesiástica), podemos hoje ter acesso a informações preciosas que nos dão  a entender muito que, sem a obra citada, estaria para sempre perdido. Aos historiadores que o criticam eu diria: Deixem o Eusébio em paz seus ingratos!

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O Templo de Edir

O Templo de Edir

Por Luiz Leite

Salomão construiu uma obra magnífica que ficou conhecida como o templo de Salomão. O templo de Edir também vem aí. Ouvi dia desses o bispo dizer que construirá uma réplica do Templo de Salomão na cidade de São Paulo. Fiquei algo perplexo ao ouvir o bispo dizer que os judeus poderão oferecer seus sacrifícios lá, uma vez que não tem um templo próprio!  Disse crer que judeus virão e farão seus sacrifícios ali, ainda que seja uma igreja evangélica. Do que está falando o bispo? A que tipo de sacrifício se refere? Só pode estar fazendo menção a sacrifício de dinheiro, ou estaria referindo-se ao sacrifício de bodes e carneiros?

Mais que certamente a referência aponta para os já famosos sacrifícios de dinheiro. A relação entre dinheiro e templo é antiga. Na verdade, para que se construísse o primeiro tabernáculo, o próprio Deus orientou a Moisés que pedisse ao povo que trouxesse os valores necessários. Moisés fez o apelo e o povo respondeu com alegria, trazendo ouro, prata e tudo o mais. Moisés, entretanto, ao contrário do que muito comumente se vê em outros líderes no decorrer da história da religião, ao invés de tomar proveito daquela tentadora disposição do povo, pede ao povo que pare de trazer as ofertas tão logo completa o necessário para a execução do projeto. “Então, ordenou Moisés-e a ordem foi proclamada no arraial, dizendo: Nenhum homem ou mulher faça mais obra alguma para a oferta do santuário. Assim, o povo foi proibido de trazer mais.” (Ex 36.6)

O Templo de Salomão foi destruído no ano 70 dC com o assentimento de Deus. A nação havia se desviado e o culto ao Deus de Abraão havia se tornado mecânico e corrompido. De certa feita os discípulos, provincianos que eram, ao visitarem o templo, impressionados com sua grandeza, “… aproximaram dele (Jesus) (…) para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.” (Mt 24.1-2)

Noutra ocasião, ao entrar nos recintos do templo, o Senhor Jesus foi tomado por grande indignação ao deparar-se com o mercado em que havia se tornado o lugar que deveria ser sagrado. “Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.”  (Jo 2.13-16)

A profecia de Jesus com respeito à destruição do templo tinha dois aspectos básicos. em primeiro lugar, Deus estava para inaugurar um novo tempo onde o centro do culto não seria mais Jerusalém ou qualquer outro lugar físico (Jo 4.21); Seus adoradores adorariam em espírito e em verdade (Jo 4.24 ) A teologia do Novo Testamento vai afirmar, seguindo o ensino de Jesus ministrado aos samaritanos, que  “o Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. (Atos 17.24); Era necessária a cessação das atividades do Templo em Jerusalém para que a nova aliança entrasse em vigor. Deus Em segundo lugar, Deus estava para trazer o juízo sobre uma nação e religião desviadas do própósito para o qual haviam sido estabelecidas…

Por quê o templo dos judeus não foi reerguido nos últimos cerca de dois mil anos? Porque os judeus não o quiseram? Não, porque o próprio Deus não o quis. É sempre assim. Se não cumprirmos o propósito para o qual fomos criados, seremos inexoravelmente removidos do nosso lugar… Não ficará pedra sobre pedra! 

Um Desabafo de Todos Nós

O vídeo que segue apresenta o desabafo que todo brasileiro gostaria de apresentar à classe política. É a indignação de todos nós, um protesto entalado na garganta de cada cidadão(ã) deste país que tanto nos orgulha quanto envergonha. Senti-me incomodado ao ouvir o discurso inflamado dessa senhora. Pensar que poderia ter vindo de um dos muitos “pastores”, “bispos” e até “apóstolos” feitos deputados e senadores, ou qualquer outro membro da tal Bancada Evangélica.

Alguns desses pastores lançam-se na vida pública sob o pretexto de um “chamado de Deus”, como recentemente  li em uma entrevista de Marcos Feliciano que agora é candidato a deputado federal, mas até então não vimos qualquer deles apresentar a coragem de denunciar corrupção e corruptos como faz essa deputada do Rio de Janeiro. Onde estão os profetas de Brasília? Esperamos que surja, mas até então não sabemos de um político evangélico sequer que incomode o sono dos príncipes e poderosos, como fizeram Elias, Hanani e o formidável Micaías (II Cr 18.6-7), entre outros, nos seus dias.

Fiquei perplexo ao receber esse vídeo pois não me recordo de jamais ter ouvido um desabafo tão indignado de um parlamentar. Sou levado a crer que estaríamos melhor representados por gente dessa extirpe. Ela reconhece, e aí tem meu crédito, que a câmara não é uma casa de santos mas não pode se tornar um covil de ladrões, “canalhas consagrados, corruptos , vagabundos…”   Quando me lembrei do fato de que mais de 12 bilhões de reais foram deviados (roubados) somente da Previdência nos cinco últimos anos não pude deixar de concordar com ela… Se os profetas não se levantarem, as pedras clamarão, como parece ser o caso!

A Jangada da Medusa

 

A Jangada da Medusa

Por Luiz Leite

Nada é fixo, nada é durável, nada é firme… Tudo está a mercê do torvelinho… A ciranda cósmica irrefreável não apenas ameaça nos tragar mas certamente o fará, no seu grande e medonho redemoinho.

Tudo é muito efêmero, mas os tolos humanos não o sabem; Vivemos em rebeldia constante, levantando-nos contra o fato intragável de que estamos apenas por um momento, quando gostaríamos de não apenas estar indefinidamente, mas ser para sempre. Sabemos, entretanto, que isto não é possível.

Esta impossibilidade nos esmaga e humilha… as nossas pretensões dão de cara contra este muro terrível obrigando-nos a assumir uma insignificância que insistimos em negar. Nosso ego não admite sua falência. Não desce do pedestal onde se colocou como uma pequena divindade. Esconde-se por trás de máscaras; Vive sob um manto de farsas.

Narcotizamos nossas almas para escapar à realidade de que não somos o que alardeamos ser; iludimo-nos estupidamente quanto a nossa efemeridade; como toda ilusão, por curta que seja, produz uma gratificação dos sentidos, viciamos nossas mentes e chafurdamos nosso nariz nessa cracolândia do “faz de conta”;

Sob o efeito desses “lança-perfumes” psíquicos, entregamo-nos ao balancê ora prazeroso, ora nauseabundo, dessa jangada de loucos… e assim vamos nós, montados em nossa nave azul que já vai também cambaleando, em razão dos maus tratos sofridos pelos seus ensandecidos inquilinos.

Se continuarmos assim, talvez a cena da famosa Balsa da Medusa, retratada por Gericault, venha a se repetir em proporções inimagináveis. Por mais que se negue a velha e boa Bíblia, não podemos escapar ao fato de que somos limitados e extremamente frágeis. Se não despertarmos a tempo, nossa arrogância poderá nos precipitar num pesadelo que espatifará para sempre aquela soberbia injustificada que insistimos cortejar. 

Bom senso é voltar-se para a Escritura Sagrada e fazer coro com o salmista dizendo: “Dá-me a conhecer, SENHOR, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade. Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à tua presença, o prazo da minha vida é nada. Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade. Com efeito, passa o homem como uma sombra…” (Sl 39.4-5,6a)