De Padres e Pastores

De Padres e Pastores
Por Luiz Leite

Artigo publicado na coluna pastoral da Revista Eclesia, edição de Maio/10

A normalidade, em se tratando de comportamento, pode ser definida por um conjunto de ações executadas segundo as normas preestabelecidas dentro de um determinado contexto cultural. Essas regras que condicionam a normalidade são reeditadas na medida em que a história prossegue em sua marcha pelo tempo. A particularidade no que refere a costumes e comportamentos confere um dinamismo intenso à trama social, provocando escândalos e promovendo um fosso às vezes intransponível entre gerações. Aquilo que foi normal para a geração passada pode ser inaceitável para a geração de então e vice-versa.

Os limites da normalidade, quando extrapolados, configuram o ultraje, o que fere o senso comum, e por conseguinte a moral. A transgressão dessas regras pode, em alguns casos, ser interpretada como crime, ou atenuada como patologia.   Os nossos atos ilustram de modo suficientemente eloquente onde estamos posicionados. Se nunca fizemos uma loucura, somos considerados normais; Se, por outro lado, nos entregarmos à sanha de uma paixão ou nos permitirmos levar pelo turbilhão das pulsões, podemos ser considerados doentes ou loucos.

Uma mudança de paradigma está se processando diante de olhos perplexos nesses dias. A sexualidade humana sempre foi uma área sujeita a reviravoltas em termos de normas. O acasalamento, que em sua origem foi monogâmico e heterosexual, viu mudanças incríveis no decorrer dos séculos… A norma da monogamia foi rompida quando, em algum momento remoto da história humana o macho dominante de um grupo resolveu tomar para si, por força da sedução ou por sedução à força, uma segunda companheira. A prática viria a tornar-se validada com o amparo encontrado na jurispudência estabelecida pelo primeiro polígamo.

A união entre homem e mulher permaneceu, por séculos, sendo a norma que regulava a vida e práticas sexuais, até a implosão de uma segunda norma. Ainda que o casamento não fosse possível entre indivíduos do mesmo sexo, a homosexualidade começou a se estabelecer de forma sutil. Uma estranha tolerância passou a conferir “normalidade” ao absurdo. A “aceitação” da sodomia por parte de algumas sociedades hoje já se vai estabelecendo, com a aprovação do próprio Estado de direito que reconhece a união homosexual e lhe confere status civil semelhante ao casamento heterosexual tradicional.

O homosexualismo foi tolerado entre a civilização grega e romana; algumas religiões como o hinduísmo e budismo lhes são complacentes, mas na sociedade judaico-cristã tal prática nunca foi vista como normal ou aceitável. A Bíblia de judeus e cristãos condena a homosexualidade e a caracteriza como abominável. A Lei Mosaica declara: “Com homem não te deitarás como se fosse mulher; é abominação.” (Lev 18.22) O Novo Testamento trata de modo semelhante a aberração, afirmando que ” (…) os efeminados, os sodomitas (…) não herdarão o Reino de Deus.” (I Co 6.9)

Essa violação da normalidade foi por séculos duramente reprimida; primeiro foi relacionada a possessão demoníaca, num segundo momento (nos dois últimos séculos) foi classificada como doença mental. Crendo dessa maneira o Nazismo eliminou milhares de homosexuais, juntamente com ciganos, judeus e outros “párias”, no seu esforço de depurar a raça ariana. Os anos passaram, inúmeros fóruns foram realizados e os estudiosos do comportamento chegaram a uma conclusão que viria estabelecer um marco na história afogueada da sexualidade humana. A partir de 1973,  a APA (American Psiquiatry Association) removeu o homosexualismo de sua lista de distúrbios mentais e logo em seguida a “bíblia” da psiquiatria americana, o DSM III, seguiu-lhe os passos fazendo o mesmo.

O “decálogo” da psiquiatria mudou. Não era mais doentio, demoníaco ou monstruoso ser homosexual. Aquilo que antes era visto como comportamento assimétrico, anormal, passa a ganhar ares de normalidade. A Igreja, todavia, permanece na posição tradicional, repudiando a prática da pederastia, condenada pelas Escrituras e por todos os concílios que colocaram o assunto em suas pautas. A Igreja Luterana , para o vexame mais completo de outros segmentos da fé Cristã, passou, à despeito da posição de todo o resto da cristandade, a não apenas aceitar a prática homosexual entre os seus, como também até mesmo ordenar homosexuais para os seus quadros clericais.

O problema dos escândalos sexuais no seio da igreja, abundantemente publicados nos últimos anos, vêm abalando as colunas da resistência contra a malfadada manifestação. A Igreja Católica, de maior representatividade em números absolutos, até que se manifesta contrária a herança maldita de Sodoma, mas, como condenar como crime os desvios sexuais dos outros se dentro do próprio recinto de suas paróquias, essas práticas se dão na surdina, sob a proteção da omissão e tolerância das autoridades religiosas?

Assistimos nesses dias o pontificado de Bento XVI enfrentar a pressão da opinião pública que lhe exige a renúncia do trono de Pedro, acusando-o de conivência com a ocorrência de abusos de ordem sexual nos bastidores das paróquias alemãs, quando dos seus dias de Bispo. Ultimamente as notícias que vem da Irlanda, país tradicionalmente católico, sacodem mais uma vez a credibilidade da igreja de Roma. Os irlandeses já estavam há algum tempo com as barbas de molho, em face a onda de escândalos envolvendo abusos sexuais perpetrados por sacerdotes católicos em vários paises da América Látina e EUA. O governo Irlandês resolveu promover uma investigação, uma vez que o próprio Vaticano se mostra tão hesitante para apurar e julgar tais casos. Mais uma página de conteúdo constrangedor estava para ser escrita nos anais da velha e conturbada igreja Romana.

Com os resultados publicados ano passado, revelando abusos em várias dioceses irlandesas, alguns bispos, movidos mais pela pressão social e midiática, do que pela consciência, apresentaram seus pedidos de renúncia. Não fosse a ameaça causada pela indignação social, sem vergonhas expostas, mais que certamente continuariam cometendo essa sorte de abuso que, ninguém se iluda, já vem acontecendo há séculos!
Pecados sexuais acontecem lá, e cá. Padres e pastores, mulás e rabinos, gurus e xamãs, todos têm um código ético pelo qual esforçam-se para se orientar, mas também estes, independente do ofício, são sujeitos a ataques de pulsões sexuais como qualquer outro ser humano. Alguns, mesmo atormentados por fantasias inpublicáveis, possuem mecanismos para frear essas taras, conseguindo reprimir e reenviar para os porões obscuros da alma as demandas absurdas que surgem nos substratos adoecidos dela. Outros, todavia, sucumbem triste e loucamente diante das exigências de gratificação do sombrio e imprevisível inconsciente.

Um dos líderes evangélicos mais influentes dos EUA, fundador de uma Igreja muitíssimo prestigiada e bem sucedida, Ted Haggard, viu o seu mundo e ministério ruir quando, em 1996, um jovem garoto de programa veio a público trazendo uma denúncia grave envolvendo seu nome. Segundo alegações do jovem, o pastor vinha se encontrando com ele há algum tempo. O líder religioso, seguindo um procedimento quase padrão nos EUA, renunciou às suas funções à frente da organização que presidia e exilou-se no ostracismo. É o mínimo que um ministro religioso deveria fazer. Se os padres também fizessem o mesmo, talvez a igreja romana não caísse em descrédito diante dos fiéis, mas parece que as proporções do escândalo são maiores do que se possa imaginar. Não tarda e a velha igreja suavizará o tom do discurso contra o homosexualismo. O que era inimaginável, já pode ser dado como previsível; Não se surpreenda se mais dia, menos dia, ouvir de um sacerdote católico que a pederastia é normal. Estaremos assim caminhando, definitivamente, para o fim da era cristã. A Novus Ordum Seculorum será enfim instaurada. Graças a Deus, será por pouco tempo! Maranatha!

9 comentários sobre “De Padres e Pastores

  1. É triste ler isso. Dói ler isso. É verdade isso. É preciso dizer isso.
    Maranata! Ora vem Senhor Jesus! Ele nos deixou um lindo compêndio… Ele nos deu Ele mesmo. temos o Espírito Santo. Por que o homem prefere comer migalhas e se chafurdar nas trevas… Meu Deus!
    Valeu, amado. Que bom você escrever isso.
    Caminhastes com Jesus pelo Jardim hoje? hum…

  2. Ola Rosa Angela Maria… é mesmo triste… sim caminhei pelo jardim hoje… obrigado por suas palavras.

  3. Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. (II Tm 3:1)
    E, por se multiplicar a iniqüidade na terra, o amor de muitos esfriará. (Mt 24:12)
    Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade… (II Tm 4:3,4a)
    Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima. (Lc 21:28)
    Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus. (Ap 22:20)

    Senhor, estamos à sua espera!
    Somos a sua vinha, venha embreagar-se com tal vinho!
    Vem possuir-nos para sempre!

    Maranatha, esperança nossa!
    Amém.

  4. Ei Pastor Luís,
    Graça e paz. Passei para participar, depois de muuuuiiiito tempo. Realmente o quadro é nojento, porém profético. Quando lemos em Daniel 7:25 que o anticristo vai mudar as leis e os tempos (ou costumes) juntando com o capítulo 11:37 parte b (não terá o respeito ao desejo de mulheres) posso inferir que aqui está alguém mudando algo eterno e imutável que Deus estabeleceu que não fosse mudado. Dá-nos um quadro de um Homossexualismo ostensivo pregado e vivido por ele. E como em 1 João 2:18 fala que os anticristos já surgiram, logo concluímos que estes anticristos são discípulos do anticristo, seguindo-o e ensinando e vivendo já toda a sua malignidade, preparendo assim a manifestação para o seu palco satânico. Mas nós temos a unção que vem do Santo e ela nos guardará do engano. Graça e paz. Ari.

  5. amem!!!

  6. é isso… o cenário está sendo preparado para receber o homem da iniquidade… nós, entretanto, não lhe desconhecemos os ardis.

  7. Pingback: Cinco Artigos Escolhidos « um dedo de prosa

  8. É isso aí ari… não serão confundidos aqueles que tem a unção.

  9. Como ouvi esses dias em uma pregação “O homem sem o Espírito Santo vira bicho”.

    Nada a dizer, se não…. MARANATHA vem Senhor Jesus.

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