O que dizem os leitores…

Andam falando muita coisa do blog  UM DEDO DE PROSA… Alguns artigos, segundo consta, valem a pena a leitura. É só conferir… ***Seu comentário, crítica ou elogio, será apreciado.

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PAC Espiritual – Comentando Teologia de Palha

A leitura do seu blog contribui bastante para o nosso crescimento e entendimento…

Roberto Amaral

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Nunca ouvi nada igual! – Comentando Genealogia com Graça

Tenho um amigo que resolveu abrir a Bíblia e começar a lê-la pelo Novo Testamento. Deparou-se com a genealogia descrita por Mateus. E pasme: o camarada começou a chorar copiosamnte. O Espírito Santo falava com ele como quem dissesse: “Você faz parte dessa genealogia, pois Jesus quer que você faça parte de Seu corpo”. Resultado, o cara hoje é líder de jovens da igreja dele e aspirante a pastor. Fica na paz.

Clovis

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Leitura Recomendada – Comentando A minha praia

Que analogia!!!!!!!!!! Eu tava lendo, lendo, lendo e lendo… e imaginando: “Onde e que isso vai dar?!?!?!?!?!?!?!?!” Wow! Que desfecho!!!!! Eu to SUPER FELIZ porque ja tenho esse livro garantido pra minhas ferias!!! Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito obrigada por compartilhar “seus rabiscos”, they are making the difference in my life!!!! =-D

Susy

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Fala que eu te escuto – Comentando De volta a Nietzsche, aquele louco…

Sua pena está muito mais fina. Eu nunca te vi (li) assim!
Rica é sua tribuna. O escutarei.

Jucimar

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Erva Daninha? – Comentando De volta a Nietzsche, aquele louco…

“Morrer foi a única coisa boa que Nietzsche fez na vida”.

Carlos Babi

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Certeza Subjetiva – Comentando Kierkegaard

Ai… que espaço Orvalho de Refrigério…
Deixa eu sentar aqui… e ouvir.

É muito bom este dedo de prosa…
Estava observando um dia as fotos de Kiekgaard o da certeza subjetiva e de uns outros da incerteza objetiva.

Rose

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Canção do Exílio – Comentando O Canto da Lavadeira

Sou brasileira e moro ha 5 anos fora do Brasil. Esta cançao veio em minha memoria, mesmo sem canta la a muito tempo. Realmente tenho saudades de minha patria. A celestial, e claro…

Marisa

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Vale a pena refletir – Comentando O Projeto Babel

Achei interessante seu texto resolvi dar meu pitaco aqui. Realmente eles buscavam unidade e você fez a pergunta “Será que o nosso projeto pessoal de poder não é uma réplica daquela malfadada torre?” Boa pergunta Luiz… Vale a pena refletir! Um forte abraço, copiei seu link e postei no meu blog, apareça lá tomar um café será uma honra.

Robson

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Mudança radical – Comentando Uma revolução estrutural

Pois é! A visão de Isaías mudou radicalmente a vida do profeta e ele nunca mais pode ser o mesmo.  Olhar para Deus nos faz, olhar para nós mesmos e para o próximo.

Marcio

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Teologia de Palha

Teologia de Palha

Por Luiz Leite

Num vôo doméstico há alguns dias,  li numa dessas revistas insossas de uma linha aérea qualquer, uma entrevista com a senhora Lily Marinho, esposa do falecido “mogul” Roberto Marinho, fundador das organizações Globo.

Pergunta:  ” –  A senhora é religiosa?”

Resposta:  ” – Sou católica mas às vezes fico zangada com Deus. Uma vez perguntei a um padre: Se Deus é tão bondoso porque deixa acontecer incêndios, essas coisas…? Ele disse que Cristo morreu com 33 anos e não teve tempo de pagar em vida o mal da humanidade, então as pessoas tem que pagar o que Cristo não teve tempo de fazer…”

Eita teologiazinha vagabunda! Isso lá é resposta que um sacerdote da suposta fé apostólica dá a um fiel em conflito?” Onde o tal sacerdote aprendeu sua teologia? Estava bêbado ou dormia nas aulas em seus dias de seminário? Que soteriologia enviesada é essa que ele inventou? Foi insuficiente o sacrifício de Jesus? Resta realmente algo que o homem possa fazer para aprimorar sua salvação?

Lutero certamente errou feio ao julgar a teologia de Tiago e despachar sua epístola como uma epístola de palha (a ser queimada); em sua obsessão com a teologia da graça, falhou em identificar coerência e consonância entre seu pensamento e aquele apresentado por Tiago. O irmão do Senhor alfineta em sua carta os religiosos de plantão, alertando que “a fé sem obras é morta.” Não basta apresentar uma fé de discurso, recheada de rezas e ritos.

E aí? se a fé sem obras é mortas, estaria Tiago afirmando que a graça não é suficiente? está contradizendo o ensino Paulino que afirma que a salvação é pela graça, mediante a fé…? Temos que fazer obras para alcançarmos a salvação? Não, Tiago não está afirmando isto. O que o saudoso “joelho de camelo” está dizendo é basicamente a mesma coisa dita por Paulo. Fomos criados para as boas obras… A fé viva é dinâmica, e por essa razão, produz obras espontaneamente. As obras não levam à salvação, mas a salvação leva às obras! A fé que não gera obras está assim, virtualmente, morta!

O padre católico, de quem a socialite ouviu que as “pessoas tem que pagar o que Cristo não teve tempo de fazer”, estava sem dúvida sob o efeito de algum “spirit” (em ingles, qualquer bebida destilada, como vodca, run, tequila…) ou mesmo de outro espírito qualquer que não o Santo, enviado para nos guiar em toda verdade. Quando neste estado, perde-se como faz-se perder, quer leigo, quer sacerdote!

Curral Santo – A conspirata

Curral Santo – A conspirata

Por Luiz Leite

Esse blog não se presta a polêmicas da política e da religião; Muito embora eu registre aqui reflexões filosóficas e teológicas sobre a fé cristã, e de vez em quando o binômio nefando (religião e política) surja em um artigo ou outro, (religião e ética; Emil Brunner e marcha pra Jesus…) aqui não se recorre ao expediente do sensacionalismo ou denuncismo para acusar este ou aquele que porventura se utilize do povo como moeda de troca.

A política ideológica, mais que a partidária, me atraiu logo cedo. Tive convicções comunistas na juventude e fui desde sempre um eleitor do PT. Mesmo depois de convertido ao Senhor Jesus, escandalizava irmãos da fé que sustentavam que crente não vota em comunista. O fato é que julgava os partidos de centro e de direita como representantes da elite e achava que o programa de governo do PT tinha mais consistência, principalmente em termos sociais. Todavia, jamais fui cabo eleitoral do PT. Nunca tentei influenciar a quem quer que seja a votar na minha preferência política.

Quase passei mal ao ler o Manifesto de Evangélicos em apoio à candidatura de Lula à presidência em 2002. Publico esse artigo revoltado por saber que dentro em breve a coreografia descarada das eleições começará a mostrar suas vergonhas sem qualquer pudor. As mal faladas “raves” que acontecem por aí, regadas a drogas e sexo, não passariam de “kindergarden” se comparadas com os sóbrios jantares das lideranças políticas nas mansões à beira do lago Paranoá.

Alianças já vêm sendo costuradas para garantir apoio à sucessora de Lula, Dilma Roussef. Líderes da Igreja católica ou protestante, pentecostal ou neopentecostal, por todo o país, já estão ensaiando seus passos para entrar na dança do poder, das conveniências, do tráfico de influência, dos favores de uma “mão que lava a outra”, mas que, por mais que “lavem-se” continuam imundas… e os pobres fiéis, manobrados como gado, mal imaginam que estão sendo levados numa ciranda de interesses que está muito além da sua capacidade de compreensão crítica.

Aparentemente inocente, assinado por líderes de diversas denominações, o tal Manifesto (que faz parte de um acordo formal dessas lideranças com o PT) dizia: “Apoiamos Lula para Presidente porque reconhecemos que várias propostas do seu Programa de Governo se identificam com a vocação profética da Igreja de Jesus Cristo.

Uma outra razão para apoiarmos Lula é a experiência que comunidades evangélicas têm tido com administrações do seu partido, que têm sido verdadeiras parceiras na construção do nosso País. Essas experiências têm dado provas de que tais relações podem ajudar na viabilização dos nossos ideais, sempre na perspectiva do Estado laico e da autonomia das comunidades religiosas.

Por último, expressamos publicamente nosso apoio à candidatura de Lula para contrapor os maldosos e inconsequentes boatos que têm levado alguns a entenderem que sua chegada à Presidência da República irá obstruir a caminhada das Igrejas Evangélicas.”

Segundo informação do blog do Julio Severo nomes grandes assinam o tal documento:

NILSON FANINI Pastor da Igreja Batista, ex-presidente da Aliança Batista Mundial e presidente da Convenção Batista Brasileira

SILAS MALAFAIA
Pastor da Igreja Assembléia de Deus do CIMEB (Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil)

ROBSON RODOVALHO
Bispo fundador e presidente da Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra

JABES ALENCAR
Pastor Igreja Assembléia de Deus no Bom Retiro, Presidente do CPESP (Conselho de Pastores do Estado de São Paulo)

ESTEVAM HERNANDES
Apóstolo fundador e presidente da Igreja Renascer em Cristo

GUILHERMINO CUNHA
Pastor presidente da Sociedade Bíblica do Brasil e vice-presidente do Supremo Concílio Presbiteriano

JORGE LINHARES
Pastor fundador e presidente da Igreja Batista Getsêmani

GETÚLIO MAPA
Pastor da Casa da Benção do Rio de Janeiro

KEN JIKIKUCC
Pastor da Comunidade Evangélica da Barra e organizador Marcha para Jesus

IDEKAZO TAKAYAMA
Pastor da Igreja Assembléia de Deus Nipo Brasileira

PAULO LOKMAN
Pastor da Igreja Metodista

CALEB MOREIRA
Pastor da Igreja Evangélica Rocha Eterna

ANTÔNIO GEAM
Pastor da Igreja Evangélica Congregacional da Relva

FÁBIO LEÃO
Pastor da Igreja Socorrista Evangélica

ROBINSON CAVALCANTE
Bispo da Igreja Anglicana

EVERALDO DIAS
Pastor da Igreja Assembléia de Deus

BENEDITO DOMINGOS
Vice-Governador do DF e membro da Assembléia de Deus Madureira

LOURENÇO VIEIRA
Pastor da Convenção Batista Brasileira

ROSINHA GAROTINHO
Governadora eleita no Estado do Rio de Janeiro (PSB), Igreja Presbiteriana

BISPO RODRIGUES
Deputado Federal do Rio de Janeiro (PL), Bispo Igreja Universal do Reino de Deus

ANTHONY GAROTINHO
Ex-Governador do Rio de Janeiro (PSB), Igreja Presbiteriana

MARINA SILVA
Senadora do Acre (PT), Igreja Assembléia de Deus

WALTER PINHEIRO
Deputado Federal da Bahia (PT), Igreja Batista

GILMAR MACHADO
Deputado Federal de Minas Gerais, Igreja Batista

BISPO WANDERVAL DE JESUS
Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus

MAGNO MALTA
Senador Espírito Santo (PL), Ex-presidente da CPI do Narcotráfico e fundador do projeto bem-viver, Igreja Batista

MARCELO CRIVELLA
Senador eleito do Rio de Janeiro (PL), Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus

BENEDITA DA SILVA
Governadora do Rio de Janeiro (PT), Igreja Presbiteriana

WASNI DE RAURE
Deputado Distrital (PT), Igreja Batista

RAMON VESLASQUEZ
Prefeito de Rio Grande da Serra, Igreja Batista Missionária

ALMIR OLIVEIRA MOURA
Deputado Federal do Rio de Janeiro (PL), pastor representante da Igreja Internacional da Graça

*** Não é por menos que necessitamos de uma revolução estrutural! (leia o artigo abaixo) Não me coloco aqui como palmatória de Deus, pois como todos, também anseio e preciso de um avivamento. Confesso os meus pecados (mente deslavadamente quem se faz passar por santarrão) e os pecados da nação, e como Daniel oro: “Ó Senhor, nós e nossos reis, nossos líderes e nossos antepassados estamos envergonhados por termos pecado contra ti.” (Dn 9.8)


Uma revolução estrutural

Uma Revolução Estrutural

Por Luiz Leite (Do livro A Inteligência do Evangelho de Luiz Leite)

Não importa o quanto estudamos, o que lemos e ouvimos da experiência de outros homens.  Podemos ser fortemente impactados pelo testemunho de alguém; podemos ser levados às lagrimas, e, até, a tomar decisões sérias, mas ainda assim, é necessário que vivamos nossa experiência pessoal com Deus.

O profeta Isaías foi uma daquelas muitas pessoas que se relacionaram com Deus na carona da experiência de outros, cumprindo os requisitos da religião do seu tempo. Seguiu o protocolo, observou as regras da sua fé, norteou-se pelos conceitos que lhe haviam passado e criou para si um conceito desajeitado a respeito do Deus de Israel, até o dia que teve uma experiência que mudou para sempre sua vida!

Um encontro com Deus, pelos relatos bíblicos, nem sempre será uma experiência festiva; ver o Senhor e ouvir sua voz pode ser uma experiência aterrorizante! Depois de ter tido uma visão da glória de Deus, Isaías exclamou apavorado: “Ai de mim! pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!” (Is 6:5)

Ninguém sai de uma experiência, como a que teve Isaías, sem experimentar um abalo sísmico de proporções gigantescas em sua alma. O que aconteceu com Isaías foi uma revolução estrutural que alterou dramaticamente o curso de sua vida. Creio que é exatamente disso que todos nós necessitamos, uma revolução estrutural que atinja o âmago da nossa prepotência, da nossa auto-suficiência; um abalo que arrase a soberba, o orgulho, aquela altivez própria dos seres caídos.  Digo isso, porque todas essas adjetivações são de herança maligna, razão porque precisam ser erradicadas de nossa alma.

Só uma experiência assim, dramática, fará com que nossa miséria fique patente aos nossos próprios olhos, a ponto de julgarmo-nos “perdidos”. Só então estaremos prontos para a reforma de que tanto necessitamos e que tão constantemente rejeitamos. A experiência de Isaías foi tão profunda que ele mesmo reconheceu seu estado de completa perdição. Ele disse: “Ai de mim! Estou perdido!” Foi ferido de morte em sua presunção como homem letrado que era. As bases que davam sustentação à sua vida foram movidas; sentiu faltar-lhe o chão. Haviam caído as colunas. Concluiu desesperado: “Estou perdido!”.

As revoluções estruturais acabam conosco! Soa estranho, não é? Mas é exatamente disso que precisamos. Por incrível que pareça, essas experiências nos tornam diferentes, transformados, e para melhor. Somos, na maioria das vezes, a favor de mudanças, desde que elas não acarretem tanto transtorno. Ninguém em bom juízo quer se vir transtornado, não é mesmo? Simpatizamos mais com mudanças conjunturais, ou seja, medidas puramente cosméticas, superficiais, que não ocasionem tanta dor. Falhamos em reconhecer e admitir que, em tantos casos, a situação demanda medidas cirúrgicas. Contentamo-nos e nos acomodamos com a situação em que muitas vezes nos encontramos, pois, afinal, pensamos, a vida deve seguir, e , cá entre nós, ninguém é de ferro!

É assim que vamos abrindo concessões. Concessões são aquelas formas, aqueles “jeitinhos” que damos para contornar situações complexas; geralmente servem para poupar nossa auto-imagem, manter as aparências, preservar relacionamentos e assim por diante. Somos mestres no assunto. Muitas vezes nos sentimos até mesmo orgulhosos quando, através desse tipo de habilidade, conseguimos mascarar uma determinada situação. Alguns têm mais habilidade, outros menos, mas, fato é que todos possuem algo de inato nesse campo.

Essas concessões são verdadeiros agentes de auto-engano. Tanto para o indivíduo, como para o grupo. É bem verdade que temos que ter mecanismos para negociar com determinadas situações; não podemos esperar lograr sucesso tratando as pessoas “a ferro e fogo”. Entretanto, se nos tornarmos muito diplomáticos, acabaremos evitando o confronto e acovardando-nos sempre. Muito embora tal atitude tenha aparência de inteligência, os resultados a longo prazo não serão nem um pouco confiáveis. O que se faz nesse tipo de negociação, na verdade, é arrolar a dívida, parcelando-a em suaves prestações… Não deveríamos julgar como sábia tal estratégia!

Descartes e a Ciência Admirável

Descartes e a Ciência Admirável

Por Luiz Leite

Uma pergunta fica no ar com respeito à relação de Descartes com o sagrado, quando o encontramos envolvido com uma obscura fraternidade chamada Rosa Cruz, seita dedicada à busca da sabedoria esotérica. Esta tal seita, combinando elementos do ocultismo egípcio com a cabala judaica, pretendia (e ainda pretende) ser detentora de conhecimentos secretos reservados àqueles que nela fossem iniciados.

O jovem e ambicioso pensador, obcecado, buscava descobrir os fundamentos de uma “ciência admirável”, razão porque foi sem dúvida atraído pela propaganda que prometia conhecimentos ocultos. Esse fato torna o racionalismo cartesiano bastante questionável uma vez que busca conhecimento além daquilo que a razão pura e simples possa oferecer.

Como tantos outros grandes filósofos do seu tempo, Descartes crê em um Deus, e a não crença num Deus criador é por ele considerada um erro. Entretanto, crê em Deus à sua maneira. Em seu Discurso do Método, dedica um capítulo inteiro para provar a existência de Deus e a imortalidade da alma, mas em nenhum momento encontramos em suas idéias vestígios de um Deus pessoal, que interage, solidário. O seu Deus é apenas o produto de uma fria e escura abstração.

Se era um agnóstico ou ateu travestido de religioso, porque busca contato e envolve-se com a referida seita? Pouco se sabe das possíveis experiências vividas pelo filósofo durante esse período; a própria configuração da sociedade dos Rosa-cruzes, de natureza hermética, não ventila os conteúdos dos seus ensinos, nem tampouco publica onde e a que tais ensinos conduzem os iniciados. Pois talvez seja exatamente aí que Descartes cruze o limiar entre o sagrado e o profano. Engodado pela promessa de acesso à uma modalidade superior de conhecimento, reservada a poucos escolhidos, o ambicioso pensador não titubeia, “vende sua alma”.

Segundo suas próprias palavras, a tão celebrada obra “Discurso do Método” parece ter sido produzida por meios nada convencionais como aqueles comumente utilizados pelos filósofos em geral; não foi exatamente o exercício da razão que lhe logrou conceber o método que colocou o homem em dúvida para sempre. Corria o ano de 1619 quando, durante o seu envolvimento com a seita citada, o filósofo experimentou um mergulho no oculto. Este período marcaria a sua história e a história da filosofia ocidental de uma maneira profunda e definitiva.

Segundo ele, através de sonhos tidos por ele na noite de 10 para 11 de novembro de 1619, as respostas para o seu ambicioso desejo de construir os fundamentos de uma “ciência admirável”, vieram como que enviadas do além.

De 10 para 11 de novembro, René Descartes, jovem francês engajado nas tropas do Duque Maximiliano da Baviera, vive uma noite extraordinária. Depois de um período de febril atividade intelectual, o dia transcorrera em meio a grande exaltação e entusiasmo: afinal, parecia ter descoberto os fundamentos de uma ciência admirável. O arrebatamento prossegue durante o sono, atravessado por três sonhos consecutivos cujas imagens o próprio Descartes interpretará como símbolos de iluminação que recebera e, ao mesmo tempo, como indicação da missão a que deveria consagrar a sua vida. Essa missão era a de unificar todos os conhecimentos humanos a partir de bases seguras, construindo um edifício plenamente iluminado pela verdade e, por isso mesmo, todo feito de certezas racionais”.

É curioso que as bases seguras para um  edifício feito só de verdades racionais tem procedência completamente mística! Não é nada convencional a experiência que levou Descartes a esculpir a grande obra que desencadeou uma verdadeira revolução no pensamento filosófico ocidental, e que viria mais tarde repercutir em todas os círculos de pensamento do mundo.

A sua obra pavimenta o caminho para séculos de incredulidade que irão desdenhar o sagrado e colocar a razão no lugar da divindade, produzindo um fenômeno nunca antes registrado da história da raça. O próprio Descartes se refere a sua cruzada como uma “missão”, como nos melhores moldes das religiões em geral. Não seria de se admirar que o pensador ambicioso tenha sido visitado por forças do além na tal experiência mística onde, através de sonhos recebeu a revelação que resultou na obra famosa de sua vida.

Racionalistas do mundo todo, coloquem barbas e madeixas de molho! É muito provável que os postulados de vossa seita não sejam afinal produto da razão coisa nenhuma; É possível que um anjo torto,apesar do desprezo que nutris pela mística, lhes tenha sussurrado tais grandes idéias.

Extraido do livro ELES PROFANARAM O SAGRADO de Luiz Leite (lançamento 2010)