Explicando o Inexplicável

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Explicando o Inexplicável

Por Luiz Leite

Texto publicado na Coluna Pastoral da Revista Eclésia, edição Set/09

É imenso o desafio de se dar explicação ao inexplicável. A filosofia, para lidar com esses becos aparentemente sem saída e para colocar uma mordaça na boca da irrequieta razão que quer fazer sentido de tudo, inventou a contingência. Todos os eventos que estão além da nossa capacidade de processamento podem enfim ser enfiados no escaninho da contigência, deixados pra lá… não há por que, nem pra quê… Esquece!

Resta aos pobres e limitados pensadores considerar a contigência, pois há muita coisa para as quais simplesmente não há explicação. Conclui-se que temos que nos resignar diante do fato de que coisas ruins acontecem, que o universo é um sistema aberto em termos de possibilidades e que essas não obedecem a um padrão claro ou lógico. Afinal, diria o existencialista ateu, tudo é absoluta e absurdamente despropositado. Não há nenhum padrão nos acontecimentos. Não há nenhuma inteligência superior e amorosa governando nada!

A inescapável e ardilosa armadilha da contingência permanece com sua boca aberta, pronta a tragar filósofos e teólogos. O acaso nos deixa perplexos quando nos afeta direta e friamente sem consultar a quem quer que seja. As coisas simplesmente acontecem e ponto final. Homens honestos sofrem, pessoas ruins “prosperam”, crianças são abusadas… Estamos sujeitos ao desprazer, ao dissabor, indefesos diante da dor, do abandono… Os existencialistas se irritam e denunciam o mundo como absurdo! Tem hora que dá vontade de fazer coro com eles.

Por duas vezes essa semana fui convidado a olhar para o abismo através de um artigo de Ricardo Gondim, sobre o sinistro da Air France, e uma pregação de Ed Renê, que vim ouvindo no trajeto de São Paulo para Belo Horizonte. Devo concordar com Ed Renê, que se refere ao autor do livro bíblico de Eclesiastes como possivelmente o primeiro dos existencialistas. Ele flagrou o absurdo daquilo que acontece “debaixo do sol”, e pior, para horror dos crentes que tem a mania de querer defender Deus, o publicou!

Para os filósofos é bastante fácil e até mesmo confortável falar sobre a contingência. Para um teólogo crente (qual a razão do espanto? voce acha que todo teólogo é crente?), todavia, a matéria se torna bastante indigesta. Não é fácil conciliar contingência e providência. Fica difícil para o pensador teísta aceitar a contingência porque um dos seus pressupostos mais fundamentais é aquele que afirma que Deus tem o controle sobre todas as coisas e que, como disse Jesus, nem um pardal cai do céu sem o seu consentimento.

Segundo a afirmação de Jesus nada acontece por acontecer. Se “até os cabelos de vossas cabeças estão contados”, então o mundo não foi abandonado pelo Criador como querem os deistas com o seu conceito de um deus indifente e ausente. Por quê o avião caiu no mar? por quê a bomba explodiu no mercado? Por quê…? Ora todas essas ocorrências, funestas ou não, tem uma explicação sim; Nós, entretanto, nos embaraçamos para responde-las, mas o fato de não sabermos como fazê-lo não significa que sejam inexplicáveis.

A contingência é possivelmente um dispositivo esperto forjado pela razão para nos ajudar a eximir a humanidade das responsabilidades que lhe cabem. Indo além, a contingência não apenas absolve o homem da sua participação no sinistro, como também o vitimiza, nutrindo a milenar rebeldia deste contra o Criador; Este sim, é o vilão, responsável pelo caos, afinal tudo não é feitura Dele?

Admitamos: Não temos resposta para tudo. Não controlamos todas as variáveis.  Na verdade não temos o controle de nada! Isto nos irrita grandemente, ferindo de morte nossa estúpida e desmedida pretensão. Inoculados com a peçonha da serpente, ainda hoje mantemos uma pose soberba, acreditando na suprema mentira em vez de rendermo-nos humildemente aos pés da Suprema Verdade. A nossa imensa fragilidade e limitação é flagrante. Insistimos, todavia, em manter uma pose que projeta uma imagem enganosa de nós mesmos. Por nos avaliarmos por esta escala equivocada é que cometemos os tantos erros que resultam em tantas expressões de pasmo.

Aviões caem, tetos de igrejas caem, navios afundam, balas perdidas encontram alvos inocentes… a meningite mata, a gripe suína mata, a AIDS mata… morre-se no atacado, em grandes conflitos bélicos, morre-se no varejo, no recesso da família, morre-se a prestação, inalando a fumaça do tabaco, do crack ou dos gases expelidos por automóveis e chaminés… Todas essas ocorrências são em si suficientes para nos deixar prostrados, confusos e infelizes.

Sem respostas para explicar o inexplicável, resumimos o desconforto a um golpe da contingência. Ora, se tudo fosse contingencial não haveria plano algum, e por extensão não haveria também  necessidade de Deus algum. Se não há propósito, como poderíamos dirigir nossas preces a Deus e clamar: Guia-me. Por quê oramos então? Se existe um Deus que guia, então há um propósito por trás da grande trama! Assim cremos. Assim pregamos!

O autor do livro biblico de Eclesiastes diz que “Deus fez todas as coisas perfeitas a seu tempo…” Ainda que os céticos torçam o nariz quando se relaciona o surgimento do mundo a um criador, o que sustentamos é que assim mesmo foi que tudo se fez, por força do ato de vontade Daquele que criou todas as coisas, e isto, com propósito.

São Tomás de Aquino em sua Suma Teológica afirma:

A criação das coisas por parte de Deus é a melhor, pois é próprio de quem é o Melhor fazer tudo da melhor maneira. Ora, é melhor fazer uma coisa em vista de um fim do que fazê-la sem visar uma finalidade. Por conseguinte, Deus fez as coisas com vistas a uma meta.”


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De Ore Dei

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De Ore Dei

Por Luiz Leite

Non in solo pane vivit homo, sed in omni verbo quod procedit de ore Dei.”

Ainda que essencial para a manutenção da vida, o pão não é tudo. Nem só de pão vive o homem, disse Jesus, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Jesus revela algo tão curioso quanto poderoso nessa que é uma das passagens bíblicas mais largamente difundidas e decoradas.

Precisamos do pão, alimento orgânico, mas a vida nao se resume a esta esfera de necessidade. Temos outras necessidades, que não aquelas intrínsecas à nossa materialidade. Precisamos de palavras para viver!

Somos alimentados, sobretudo, por mensagens! Palavras nos alimentam. São as palavras que nos animam a prosseguir, a perseverar, a acreditar… A criatura humana, diferentemente das demais, que vivem sob o impulso do instinto, reage ao poder da palavra.

Mensagens nos afetam num nível tão profundo que são capazes de reprogramar nossas mentes e nos reorientar na vida, alterando dramaticamente o curso de nossa existência. Tanto para bem quanto para mal, as palavras produzem efeitos impressionantes! Podem tanto devastar a alma, precipitando-a para os substratos mais sombrios do abismo, quanto turbina-la, emprestando-lhe propulsores poderosos que a lançem nas maiores alturas.

Não vivemos apenas de pão! Non in solo pane vivit homo… Precisamos de pão espiritual, para o sustento do espírito, onde reside o princípio ativo da vida.  Jesus disse ser ele mesmo esse pão. “Eu sou o pão vivo que desceu do céu…” e ajuntou: “Quem de mim se alimenta por mim viverá.”

Se voce tem comido o pão que o diabo amassou, experimente comer do PÃO que amassou o diabo! Coma das palavras de Jesus e viva por elas.

Pulgas sobre a Rocha!

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Pulgas sobre a Rocha!

Por Luiz Leite

Sim, como pulgas sobre a Rocha, labutaram em vão aqueles que se levantaram contra a Bíblia e seu conteúdo. Apesar de todos os ataques sofridos através dos séculos, a mensagem do Evangelho permanece sendo a mais inteligente proposta já feita ao homem! Voce precisa conferir!


O Jesus Histórico

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O Jesus Histórico

Por Luiz Leite

Extraído do livro A INTELIGÊNCIA DO EVANGELHO de Luiz Leite

Com respeito ao Novo Testamento em si, qualquer crítica que questione o seu valor só pode proceder de alguém que ignora os fatos. Podemos afirmar que o Novo Testamento é um dos escritos antigos mais bem documentados que existem. Milhares de manuscritos antigos, cobrindo um período que vai, desde o século II até a invenção da imprensa, estão à disposição dos eruditos. Champlin diz:

“Admira-nos quão escassa é a evidência em forma de manuscritos que há em favor dos grandes clássicos não bíblicos. Alguns deles dependem de alguns poucos manuscritos medievais. (…) As obras de muitos autores famosos da antiguidade foram preservadas para nós somente em manuscritos compostos na Idade Média. Em contraste com isso, o Novo Testamento conta com 5000 manuscritos gregos, alguns dos quais datam de cerca de um século após a composição dos originais…

Geisler nos conta que o clássico da literatura secular antiga mais documentado é a Ilíada de Homero, sobrevivendo em apenas 643 cópias manuscritas. Todavia, se levarmos m consideração todos os manuscritos do NT, além daqueles produzidos em língua grega, teríamos um total de mais de 14 mil cópias! Revela-nos ainda um fato surpreendente:

“Além disso, se compilarmos as 32 289 citações dos pais da igreja primitiva dos séculos II a IV, podemos reconstruir todo o NT com exceção de onze capítulos”.

Diante de tão numerosas evidências documentais, é fácil dar crédito à historicidade do Novo Testamento. Além de contar com manuscritos antigos, o estudioso das Escrituras pode contar também com manuscritos precisos. Frederic Kenyon, autoridade reconhecida sobre manuscritos antigos, citado por Geisler em sua Enciclopédia Apologética, disse acerca do NT:

“O número de manuscritos do NT, de traduções antigas e de citações dele nos autores mais antigos da Igreja é tão grande que é praticamente garantido que a leitura correta de toda passagem duvidosa é preservada em uma outra dessas autoridades antigas. Não se pode dizer isso sobre nenhum outro livro antigo no mundo”.

Se, diante de tanta prova torna-se fácil verificar a autenticidade do NT, difícil é acreditar, como querem os céticos, que um punhado de pessoas iletradas, oriundas de uma região obscura e sem qualquer relevância cultural, tenha produzido uma história tão fascinante, tendo por centro da trama o mais eletrizante personagem que a história humana já teve notícia.

Com respeito à pessoa de Jesus, muitos têm objetado a possibilidade de sua existência e procurando reduzi-lo a uma figura mitológica. Personagens famosos de áreas diversas tem se pronunciado a respeito de Jesus, deixando claro que o fascínio do Cristo é grande demais para ser verdadeiro. Bertrand Russel disse em seu ensaio Por que não sou cristão:

“Historicamente é muito duvidoso que Cristo tenha sequer existido, e se existiu não sabemos nada a seu respeito.”

Bertrand Russel, ateu confesso, bem como os demais céticos iluministas e toda a produção teológica liberal do século XIX, desejava submeter o Evangelho às regras do método científico. Entretanto, apesar dos relativamente recentes questionamentos envolvendo o elemento fundamental da fé cristã, autores antigos célebres como Tácito (115 d. C), Suetônio (125 d.C) e Plínio, o Jovem (110 d.C), fazem menção dele, não como um mito, mas como um personagem histórico.

Além desses pode-se encontrar traços do Jesus histórico em Flávio Josefo, importante historiador judeu, ainda que a referida menção seja questionada pela crítica como possível interpolação. Diz-nos Josefo: 

“Nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se, todavia, devemos considerá-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não por somente muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Era o Messias.”