O que falam de mim (do blog)

livros velhos

O que falam de mim

Por Luiz Leite


É bom demais ter o poder de editar o meu blog! Mas começo a ficar preocupado… Não tenho comentários desaforados, desagradáveis… O Blog recebe tantos comentários positivos que parece que não incomodo a ninguém. Talvez não seja o caso. Incomodo sim, mas meus leitores são honestos e sobretudo nobres.  Sorte minha ter leitores assim!

Inveja branca (Comentando Sessão de Terapia)
Meu pastor, obrigada por ser, tantas vezes, meu amigo, meu cura d’alma, meu terapeuta… e por ser apesar de tão longe inumeráveis vezes, a minha voz interna. De me chamar à razão e tentar me colocar em um ponto de equilíbrio que sabemos, possível. E obrigada por esse espaço. Esse é um daqueles textos que a gente lê e sente aquela inveja branca, sabe? Aquela inveja que não faz mal a ninguém… daquelas que a gente pensa: puxa, eu gostaria de ter escrito algo assim.

Bjs, Regina/SP

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Inspiração (Comentando Refrigerante e Espiritualidade)

Amei esse artigo…pensei até em uma pregação… kkk

E é isso mesmo que estamos vivendo … tenho visto em algumas igrejas que para atrair membros estão doando o “refrigereco espiritual” no lugar da boa e pura agua; talves porque a agua aparentemente não tem muitos atrativos não é?!

Fabiana/SP

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Em algum lugar do passado (Comentando O Canto da Lavadeira)
Meu caro Pr Luiz,
Linda e emocionante esta história.

Eneida/MG

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Profundidade (Comentando Moinhos de Vento)

Oi Luiz,

Vim retribuir sua visita ao Isso é Bossa Nova e qual a minha surpresa? Me deparo com um blog filosófico, teológico e poético. A palavra “surpresa” se deve ao fato que poucas pessoas querem discutir a existência humana com uma profundidade maior.

Sandra/SP

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No alvo (Comentando O Maior Funeral do Século)

Muito bom!
Gosto quando vc vai direto no fato histórico.
Muitos como eu nunca leram nada sobre.
INFORMAÇÃO É REDENÇÃO
DEUS TE ABENÇOE!

Jucimar/SP

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Humanos, suficientemente humanos

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Humanos, suficientemente humanos

Por Luiz Leite

(Artigo publicado pela Revista Eclésia, edição de maio)

A leitura incorreta das palavras de Jesus tem gerado interpretações tão distorcidas que acabam produzindo resultados completamente opostos daquilo que a mensagem originalmente propõe. Ao invés de realçar no homem sua humanidade, pretendem reforçar sua divindade. Esse processo de endeusamento do homem acaba adoecendo ainda mais uma criatura que já vem perambulando pelas páginas da história carregando um corpanzil alquebrado e cheio de chagas.

Estou cheio daquele discurso pesado, ameaçador e enfadonho, de líderes legalistas, moralistas, espiritualistas (não espirituais) que me diz que para agradar a Deus, preciso pagar tal preço que nem mesmo eles conseguem; que para ser espiritual tenho que me tornar um asceta esquisito, e me distanciar cada vez mais de um mundo que, segundo o evangelho, eu deveria salgar, dar sabor; causa-me tristeza observar pessoas humildes subjugadas por regras e costumes, tradições e imposições de igrejas cujas “doutrinas” são verdadeiras “camisas de força” a sufocar seus liderados; contorço-me ao ouvir que para vencer eu preciso passar por um vale de sal, levar pra casa um punhado da terra santa de Israel, um vidro contendo a água do Rio Jordão, sacrificar e pagar para participar de uma corrente disto ou daquilo…

Pergunto-me, ora maravilhado, ora indignado com tamanhos absurdos teológicos, que Jesus é esse com quem essa gente se formou? É difícil crer que se formaram na escola daquele mesmo Jesus da Bíblia, porque, sem dúvida alguma, lá não encontram fundamento para suas práticas e ensino!

Em muitos casos, fica evidente que há um grande infantilismo espiritual, como se pudéssemos ver crianças (perversas) brincando de igreja! Infelizmente é esse o quadro. Em outros, podemos observar a falta de preparo teológico adequado, a falta de conhecimento bíblico sólido, e ainda em outros, pura exploração da credulidade, manipulação da miséria, do desespero de um povo rendido e triste, e essa é a parte mais execrável de todas.

Pois, com toda certeza, não é nada disso que encontramos no discurso de Jesus. Em nenhum momento encontramos Jesus buscando reforçar no homem aquela velha e maligna pretensão de ser como Deus. Na verdade, foi exatamente quando começou a nutrir essa pretensão insana, sugestionada por satanás, a de querer ser igual a Deus, que o homem começou a cair. Isso Jesus evita e as religiões estimulam!

Quando aquele que é humano se deixa seduzir pela proposta de ser como Deus, começa a projetar-se de maneira altamente doentia, portando-se tirânica e intolerantemente. É aí que perdemos o prumo. Tornamo-nos vingativos, rancorosos, maldosos, isso porque, não podemos tolerar que nos humilhem, que nos tratem como meros mortais, uma vez que estamos convencidos de que ninguém deveria ousar contrariar a divindade que há em nós.

Jesus não alimenta essa tendência, pelo contrário, trabalha de forma consistente no sentido de enfraquecer no homem essa soberba e desastrosa pretensão.

Há um estranho sentimento de nobreza nas pessoas que, quando analisado de perto, não passa de puro orgulho, empáfia em forma concentrada. Essa altivez desmesurada é constantemente camuflada, maquiada, controlada, mas está por trás de praticamente todas as ações do homem caído. Ter certa dose de “orgulho próprio” passou até mesmo a ser celebrado como algo importante, devido à relação entre este e a auto-estima. Apenas mais uma maneira de justificar o anseio milenar de ser como Deus. Nada mais trágico! Nada mais patético!

Pois as religiões, em sua maioria, têm falhado em encorajar o homem a cultivar mais a sua humanidade. O que fazem é acentuar ainda mais uma tendência já forte dentro dele ao culto a si próprio. O Evangelho, diferentemente de todas as propostas, vem apresentar ao homem a singeleza de sua humanidade. É difícil ser humano num mundo onde os homens se bestializaram a ponto de perder por completo a ideia do que realmente são, mas ainda assim, é possível, e vale a pena. O Evangelho insiste nesta tecla. Jesus está dizendo isso o tempo todo através de seu ensino.

Quando Jesus nos desconcerta com sua vida, Ele o faz quando vive a experiência de Ser humano em sua forma completa. Ele viveu como homem e fez o que fez como homem, e não como Deus, como muitos imaginam. A raça humana jamais tinha visto um homem vivendo sua humanidade em estado puro. Ao olhar para Ele, muitos, confusos, concluíram: “É Deus”! Os líderes da religião quiseram saber de onde procedia tamanho poder e perguntaram atônitos:

“Com que autoridade fazes tu estas coisas? e quem te deu tal autoridade”? (Mt 21:23)

Outros ainda, mais levianos em seu julgamento, sentenciaram:

“ (…) Ele está possesso de Belzebu; e: É pelo príncipe dos demônios que expulsa os demônios.” (Mc 3:22)

Na verdade muito se discutiu sobre, afinal, quem era Jesus. O próprio Jesus, sabedor da dificuldade que teriam de assimilar sua pessoa e ministério, pergunta aos discípulos:

“O que dizem os homens ser o filho do homem?” (Mt 16:13)

A resposta veio de forma variada. “Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas.” (Mt 16:14)

Estavam confusos, divididos, apreensivos, com respeito à identidade definitiva daquele jovem Galileu. Muito embora lhes parecesse um homem comum, Jesus os intrigava profundamente com suas palavras e gestos. Ele apresentava poderes miraculosos, mas em nenhum momento buscava autopromoção. Será que eu e você, de posse daqueles poderes, não andaríamos um pouco empertigados por aí? Seu ensino era perturbador. Ensinava com grande autoridade e encantava as multidões, entretanto, em nenhum momento o encontramos deslumbrado com os elogios ou com a sensação de perplexidade que tomava os seus ouvintes.

A situação é realmente reveladora. Jesus era Deus, contudo, segundo a Escritura, “Não julgou como usurpação o ser igual a Deus” (Fil 2:6), em outras palavras, Ele não achou que deveria usar suas prerrogativas de Deus em nenhuma das circunstâncias que o envolveram durante os trintas e poucos anos de sua curta existência como homem. Ele tinha condições para arrogar-se, para sair por aí dando “carteirada”, para encarar seus perseguidores com frieza e insolência e perguntar-lhes: “Vocês sabem com quem estão falando”?

Diferentemente de tantos homenzinhos empolados e arrogantes que vemos por aí, exaltando-se a si próprios como se fossem pequenos deuses, encontramos Jesus, o verdadeiro Deus, se humilhando, como se fosse homem. Ele toma o caminho inverso!

Pérolas

VanGoghNight

Razão e Fé (Agostinho)

“É impossível que Deus odeie em nós o atributo pelo qual nos fez superiores aos demais seres vivos. Devemos, portanto, recusar-nos a crer de um modo que não receba ou não busque razão para nossa crença, uma vez que sequer poderíamos crer se não tivéssemos almas racionais”. (cartas, 120.1)

Ceticismo (Hume)

Se tomarmos nas nossas mãos qualquer livro, de teologia ou metafísica, por exemplo, ele conterá qualquer raciocínio abstrato relativo a quantidade ou número? Não. Conterá algum raciocínio experimental relativo aos fatos e à existência? Não. Então lance-o no fogo, pois não pode conter nada além de sofismas e ilusão.” (Investigacao sobre o entendimento humano)

A espada (Maomé)

A espada é a chave do paraíso e do inferno; uma gota de sangue derramado pela causa de deus, uma noite na luta, vale mais que dois meses de jejum e oracão. Quem cai na batalha terá seus pecados perdoados no dia do julgamento.” (Gibbon, p 3)

O papel duplo da razão (Anselmo)

A razão deve ser usada para explicar e defender o cristianismo. Não para que alcancem a fé por meio da razão, mas para que possam regozijar-se ao entender e meditar nas coisas em que acreditam; e que, estejam sempre prontos para convencer qualquer um que exigir deles uma razão para a esperança que está em nós.” (Cur Deus homo)

Admito! (Jastrow)

O princípio antrópico (…) parece dizer o que a própria ciência provou, como fato, que este universo foi feito , foi projetado, para o homem viver nele.

Admito ( Einstein )

A harmonia da lei natural (…) revela uma inteligência de tamanha superioridade que, comparada à ela, todo pensamento sistemático e toda ação dos seres humanos é uma reflexão absolutamente insignificante.” (como vejo o mundo)

Ateu, graças a Deus? (Steven Weinberg)

“Parece-me que se a palavra Deus tem alguma utilidade, deveria significar um Deus interessado, um criador e juiz que estabeleceu não só’ as leis da natureza e o universo, mas tambem padrões de bem e mal, alguma personalidade preocupada com nossas ações, algo que, em resumo, merece nossa adoração.” (sonhos de uma teoria final: a busca das leis fundamentais da natureza)

Canon (Josefo)

“Pois não temos uma multidão incontável de livros entre nós, discordando dos outros e contradizendo uns aos outros (como os gregos tem), mas apenas 22 livros, que são justamente considerados divinos; e deles, 5 pertencem a Moisés, contém sua Lei e tradições da origem da humanidade até a morte dele. Esse intervalo de tempo foi pouco menor que tres mil anos; mas quanto ao tempo da morte de Moisés até o reinado de Artaxerxes, rei da Persia, que reinou em Xerxes, os profetas, que vieram depois de Moisés, escreveram o que foi feito nas suas respectivas epocas em treze livros. Os outros quatro livros contém hinos a Deus e preceitos para a conduta da vida humana.” (Antiguidades dos judeus )

Provas (Nelson Glueck)

“Pode-se afirmar categoricamente que nenhuma descoberta arqueológica jamais contestou uma referência bíblica. Inúmeras descobertas arqueológicas foram feitas que confirmam em linhas gerais ou em detalhes exatos as afirmacões históricas na bíblia.” (rivers in the desert)

Surpreendidos (R. Jastrow)

“Os astrônomos descobriram agora que ficaram encurralados, porque provaram, pelos métodos, que o mundo começou repentinamente num ato de criação… E descobriram que tudo isso aconteceu como produto de forças que jamais poderão descobrir. (God and the astronomers)

Sessão de Terapia

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Sessão de Terapia

Por Luiz Leite

Todos precisamos desabafar de quando em vez; precisamos “limpar a chaminé”, colocar nossos medos e frustrações para fora. Necessitamos nessas horas de um amigo, de alguém que simplesmente nos ouça… Os curas d´alma e terapeutas de forma geral desenvolvem esse papel tão especial. Nos ouvem com cuidado e nos ajudam a processar algumas coisas em nossa confusão psicológica e existencial.

Além da necessidade de falarmos com alguém acerca dos nossos assuntos, no afã não somente de desabafar, mas de sermos apreciados, precisamos de alguém que nos ouça de fato. Ainda que seja bom ser ouvido por um amigo, sacerdote ou terapeuta, eu mesmo, mais do que qualquer outra pessoa, preciso parar para “me” ouvir.

As pessoas procuram alguém do lado de fora porque na maioria das vezes não encontram alguém do lado de dentro com condições para ouví-las. Nossas ações estão quase todas voltadas para o lado de fora. Um grande número daqueles que se voltam pra dentro, o fazem a partir de uma dinâmica adoecida de ensimesmamento. O taciturno, nesse sentido, está mais para a patologia do que para a saúde. Poucos são aqueles que voltam-se para dentro num exercício saudável e fecundo.

Esse exercício de mergulho no próprio ser já foi muito apreciado pelo homem antigo. Hoje, entretanto, é completamente negligenciado pelo homem moderno. O solilóquio é um costume milenar absolutamente saudável. O homem sempre conversou com esse seu alterego. Essa prosa silenciosa ou verbalizada com esse confidente auricular virtual, tem sido o remanso para onde a criatura em desalinho, desgrenhada pelos ventos alvoroçados da tormenta se dirige e descansa por um pouco.

Falar sozinho, pensar com os botões, é uma disciplina que demanda solidão, silêncio, aquele isolamento fundamental do burburinho das muitas vozes… O homem moderno está cada vez mais doente porque já não tem espaço para a prática do solilóquio; Pior, não consegue mais ficar só por muito tempo. Os vícios da modernidade já o estragaram quase que completamente.

Precisamos muito de uma releitura desprovida de preconceitos acerca do homem antigo. É curioso, mas por mais que progridamos, estaremos sempre nos sentido atraídos pelo passado, carregando a impressão que perdemos algo precioso que ficou para trás… lembra-me muito o profeta Jeremias, que há muitos séculos atrás já percebia como seus contemporâneos iam se perdendo…

“Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele.” (Jr 6.16)