Moinhos de Vento

Poema Existencialista

Por Luiz Leite

Fiz 45 anos ontem. Caramba! Alguns colegas impiedosos dizem que já vou descendo a ladeira… Fato é que já não sou nem jovem (no sentido cronólogico) nem velho. Estou no meio do caminho. Não estou, entretanto, sentado à beira do caminho… estou ativo, andando NELE!

Estou mudado. Diferente. O corpo e a mente mudaram. Tenho rugas ao redor dos olhos, os cabelos estão grisalhos… a barba, outrora farta e negra como as penas da graúna, hoje resume-se a uma barbicha comportada, tomada de fios de prata ( pra não dizer brancos… é mais bonito dizer: fios de prata) Uma barriguinha que já vai exibindo um relevo saliente tomou o lugar do antigo tanquinho…

Minha mente, por sua vez, vai descrevendo um trajeto quase oposto; ao passo que o corpo vai perdendo a graciosidade da juventude, a mente vai tornando-se mais bonita, mais potente, mais interessante em todos os aspectos… Isso me alegra bastante! A mente não tem que envelhecer, a menos que o indivíduo permita; o espírito não tem que se submeter à marcha inexorável do tempo nem ao peso insuportável (para o corpo) dos anos! Essas descobertas são preciosas.

O tempo passa e os homens mudam… Ou, o tempo passa e muda os homens? Talvez ambos, ainda que alguns homens teimem em permanecer aferrados ao sistema neurótico que levantaram ao redor de si como artifícios de proteção. Os obsessivos fazem assim. Sistemáticos, eles não mudam facilmente. Eu, apesar de algo obsessivo, vou mudando… Venho mudando, à medida que prossigo, num processo ininterrupto de construção e descontrução de ideias. Aprendendo sempre, como um menino, curioso, perguntando sempre…

Minha filosofia incorporou muitas coisas “novas” através dos anos, mas de alguma forma, preservo as bases que esposei já há muito. Se voce tem alguma curiosidade acerca do lugar onde me situo hoje em meio a esse confuso universo de escolas filosóficas e, se não estiver suficientemente bem familiarizado com a sopa de letrinhas das muitas escolas de pensamento, saiba, sou um existencialista teísta da velha e boa escola Kierkegaardiana.

O poema que segue foi escrito há mais de vinte anos, quando o absurdo da existência humana em um mundo entregue ao caos começava a me chocar… O meu existencialismo angustiado revela-se na letra… Naqueles dias não tinha respostas para essa dor.

Tem certos momentos na vida

Em que fico a olhar ao redor

E vejo o homem sem saída

Vejo sua face caída

Olhar embaçado, sem brilho e sem cor

No peito calado um grito

Da mente apagada a lembrança

De quem por cuja semelhança

Do barro e de um sopro veio a existir

Vêem-se nos rostos opacos, nas rugas

Em alto relevo a expressão do medo

Foge-se de monstros, moinhos de vento

Produtos mentais de falsos pensamentos

Almas doentias, existências vazias

Áridos desertos de dor e aflição

(…)

Encontrar Jesus foi fundamental para dar “sentido” ao absurdo e decifrar o caos. É uma afronta grave para alguns essa volumosa pretensão de se conferir sentido ao absurdo da existência humana. Eu sei que isso irrita profundamente os existencialistas sartreanos em seu ateísmo mórbido; honestamente, gostaria que todos eles fossem inundados pela alegria indizível que hoje tenho.

Envelhecer filosoficamente sem amadurecer espiritualmente é trágico. Vou ficando velho, esperando, como diz Quintana, pelo momento de finalmente poder deitar de sapatos, mas sem qualquer receio… Sou um existencialista sem crise, se é que tal coisa é possível!

Essa paz de espírito e essa confiança no desfecho do drama só podem ser encontradas em Jesus. Nele, por ele e para ele existo. Glória pois a Ele! E quanto às rugas… na verdade são apenas marcas de expressão!

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21 comentários sobre “Moinhos de Vento

  1. Graça e paz! Cada vez que leio seus escritos mais me admiro pela pessoa que voce é .Pr.estou me organizando aqui na europa para marcar com voce a data de sua turne pelas igrejas daqui.

  2. Pastor Luiz,

    Valeu a reflexão. Acho que eu não diria venha as rugas (hahahhahaha ), mas quero muito a sabedoria!!!

    Abraço com carinho,
    Cli

  3. é mesmo né! mas o fato é que as tais são inevitaveis…

  4. ça va mon ami?
    vamos marcar sim… e obrigado pelo carinho!

  5. Olhaí… colhendo mais uma ‘abóbora’… rsss
    Que ela esteja recheada de sabedoria e, de sobremesa,
    desejo uma porção dobrada de frutos do Espírito!!!
    Apesar de já ter muito, qto mais melhor, NÃO É?! rsss
    Fluiu agora este cardápio espiritual…. de repente…
    em sua homenagem!!! rssssssss

    Também colhi mais uma a poucos dias atrás e, tbm só fico mais
    feliz a cada uma que colho, pois, isto significa que estou a
    cada dia mais próximo de encontrar Meu Rei!!!!! Aleluuuuuuuia!!!
    Emboras nunca se saiba o dia, nem a hora…

    Que Deus continue te abençoando rica e abundantemente!!!
    Felicidades!
    Abraço fraterno!

  6. E PARABÉNS TBM PELA MENSAGEM!
    ESPETACULAR!!!
    Agora sim!
    Abraço fraterno e até mais ver!!!

  7. Obrigado Célia! Só nao entendi o “agora sim”… inté!

  8. e que abobora!!! brigado… uma abobora recheada de sabedoria (otimo!) e de sobremesa… um doce de abobora com coco… aceito esse presente.

  9. Graça e Paz
    Pr. Luiz
    Louvo a Deus por ser ovelha de alguem com grande sabedoria como o Senhor, qt os cabelos crisalhos ( charme)a barriguinha ( charme também). Pastor afinal 45 anos não e para qualquer um, e com tanta sabedoria, aleluia. Amém um abraço

  10. brigado pelo consolo Dora…rsssss

  11. Há com todo respeito, e claro.

  12. Luiz valeu, excelente texto.
    parabens por seu aniversário com
    muitos fios de prata.
    abraço.

  13. E aó amigão!! até que enfim voce apareceu hein!!
    obrigado mano… ainda bem que voce não esse problema (cabelos brancos) ainda né?!

  14. Rsss…
    O “agora sim”, foi pra dizer que tinha ficado faltando algo.
    O elogia ao seu texto, que gostei muito!
    O doce de abóbora… um dia apareço aí pra levar… se não for de
    abóbora, levo de mamão… rsss
    Tinha um tanto lá em casa neste final de semana e acabei nem trazendo.
    Fica aí minha dívida.. rssssss
    Abração e inté.

  15. É meu primo, sei exatamente o que vc está falando e sentindo. Mesmo faltando 12 anos para que eu alcance esta “marca”, sei o que significa ver o tempo passar. Ontem eu era um adolecente irresponsável, hoje sou um pai de familia responsável. Eu queria ter conhecido a Cristo quando pude, mas não aconteceu, e isto poderia ter evitado muitas coisas. O que quero dizer com isto, é que o tempo passa e a volta do Senhor está breve, então é bom não perdemos tempo, pois o mesmo passa rápido. Suas leituras irrelevantes são muito relevantes para mim. Fique na paz.

  16. Pois é, seria um presente e tanto! faz tempo que nao como nem de mamao nem de abobora… abraçao.

  17. que bom primo que essas leituras são relevantes para voce… dá a sensação de
    que vale a pena continuar escrevendo… abração!

  18. Oi Luiz,

    Vim retribuir sua visita ao Isso é Bossa Nova e qual a minha surpresa? Me deparo com um blog filosófico, teológico e poético. A palavra “surpresa” se deve ao fato que poucas pessoas querem discutir a existência humana com uma profundidade maior. Bom saber que você quer.

    E foi seu aniversário….Coisa boa é saber contar a trajetória. Não digo apenas olhar para as vitórias, mas também as semeaduras equivocadas que fizemos.

    E como você fez referência ao Vento e à Quintana, deixo aqui um poema dele que adoro:

    “QUE O VENTO NÃO LEVOU

    Mário Quintana

    No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as

    [únicas

    que o vento não conseguiu levar:

    um estribilho antigo,

    um carinho no momento preciso,

    o folhear de um livro,

    o cheiro que tinha o próprio vento”.

    Sou amiga do amigo do vento e ele sopra essas pérolas pra mim:)

    Coisa boa é saber viver! Parabéns, Luiz! Seja Feliz no seu Caminho;)

    Sandra

  19. Obrigado Sandra, é muito bom ter contato com voce. Continuemos.

  20. Pingback: O que falam de mim (do blog) « um dedo de prosa

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