O Princípio Antrópico

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O Princípio Antrópico

Por Luiz Leite

No princípio criou Deus os céus e a Terra…

A menção da Terra, em destaque, na criação do universo, tem sido motivo de milenar discussão entre teólogos e filósofos. A teologia católica, adotando as concepções de Aristóteles e Ptolomeu, colocou a Terra como centro do universo e em torno dela fez gravitar os astros todos… Sem instrumentos para verificar a veracidade do dogma, engoliu-se o fato forjado, a seco e sem contestação. Não se pode questionar o dogma!

Mas o mundo dá voltas, meu caro! E após tantas revoluções, apareceu Galileu ameaçando a ordem modorrenta da sua época, afirmando que as coisas não eram exatamente como se pareciam… O homem da luneta ousou questionar o secular equívoco científico e teológico. A Terra não apenas se movia, afirmou, para escândalo dos seus minúsculos inquilinos que a queriam imóvel como uma múmia, como também não era a vedete universal como queriam as autoridades religiosas. Condenado, se retratou, mas a Terra nunca mais seria a mesma. Foi deposta. Destronada de sua tão grande importância cósmica, destinaram-lhe o humilde lugar que lhe cabe, num logradouro distante na periferia do grande tabuleiro de galáxias e corpos celestes…

Seus dias de grandeza entretanto aos poucos estão sendo restituídos. Há algo de absolutamente curioso nesse planetinha. A começar pelo incrivelmente complexo ecosistema e pela incrível variedade de espécies que aí pululam, num dinamismo estonteante, quase frenético!

Observando tudo isso, alguns cientistas começaram a matutar e matutando chegaram à conclusões inesperadas. As coisas como estão organizadas não poderiam ser produto do puro e cego acaso! Formulou-se aquilo que chamamos de “Princípio Antrópico”. O princípio de nome charmoso, afirma tacitamente que a Terra foi preparada propositadamente para sustentar a vida como a conhecemos.

Robert Jastrow, astrônomo de renome, como bom agnóstico não poderia afirmar absolutamente nada acerca de Deus, mas em suas investigações encontrou razões suficientes para pelo menos desconfiar, embasado em argumentos suficientemente encorpados, de que haveria mesmo de existir um Deus afinal. É um dos poucos cientistas que de alguma forma dá a mão à palmatória, reconhecendo que a complexidade do universo, bem como a riqueza de detalhes que envolvem a vida, apontam de alguma forma para um planejamento inteligente.

Para que a vida existisse, foi necessário, conclui o princípio antrópico, que o universo fosse antes pré-adaptado numa calibragem perfeita. Um conjunto de condições especialmente calculadas precisaram ser estabelecidas, como as que seguem:

Oxigênio: Se a porcentagem do oxigênio na composição do ar fosse um pouco maior do que aquela que temos (21%) a atmosfera pegaria fogo! Se fosse um pouco menor, morreríamos asfixiados!

Gravidade: Se a força da gravidade fosse alterada o mínimo que seja para mais ou para menos, a lua se perderia no espaço ou se lançaria contra a Terra. Sem Lua a vida seria dramática e mortalmente ferida

Órbita: Se a força centrífuga dos movimentos planetários não equilibrasse precisamente as forças gravitacionais, nada ficaria em órbita em torno do sol.

Júpiter: Se não fosse por Júpiter em sua órbita atual, já teríamos sido incinerados! Nosso gigantesco vizinho atua como um grande aspirador cósmico, atraindo asteróides e cometas, que de outra forma, atingiriam a Terra.

Rotação: Se a rotação da Terra durasse mais que 24 horas, as diferenças de temperatura entre dia e noite seriam grandes demais. Se fosse mais curto as velocidades dos ventos atmosféricos seriam altas demais.

Expansão: Se o universo estivesse se expandindo à velocidade de um milionésimo menor que está agora, a temperatura da terra seria de 10.000°C!!

A lista das conclusões seria imensa. Os detalhes são curiosos e nos levam a entender que estamos por aqui só mesmo por um milagre… Afinal a Terra é ou não é apenas um grão de poeira cósmica em supensão na galáxia? Se a sua grandeza é completamente desprezível, levando-se em consideração o tamanho da galáxia, o que dizer quando levarmos em consideração o tamanho do Universo??

O princípio antrópico, entretanto, parece sugerir que, ao contrário do que se imagina, temos sim um papel de destaque na grande saga cósmica.

Robert Jastrow resumiu:

O princípio antrópico (…) parece dizer o que a própria ciência provou, como fato, que este universo foi feito, foi projetado, para o homem viver nele. É um resultado muito teísta.

Faltou pouco para Jastrow confessar a sua fé no Criador. Chegou perto. Para os cientistas e filósofos ateus é muito difícil pronunciar a frase que eu, leigo, deixo esvair dos lábios como um dos mais belos versos nesse grande poema que é a vida:
“Deus existe!”

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9 comentários sobre “O Princípio Antrópico

  1. O Princípio Destrópico
    Por: Joao Carlos H. Barcellos

    Resumo:” O “Princípio Destrópico” é um argumento que estabelece que todo universo é equiprovável, e a possibilidade de vida não é uma característica mais especial que outra qualquer. Isso vai de encontro ao “princípio antrópico” quando este é utilizado para argumentar que existe a necessidade de uma divindade, ou de múltiplos universos, para explicar a configuração de nosso universo, em particular, a de poder abrigar vida.”

    Colocarei uma nova refutação ao “princípio antrópico” quando este é utilizado como argumento da necessidade de uma deidade, ou de múltiplos universos, para explicar a vida em nosso universo. Texto Completo em:

    http://www.genismo.com/logicatexto26.htm

  2. Ola Joao. obrigado pelo comentario.
    Sao muitos os argumentos contra e a favor a existencia de um Deus criador nao e’ mesmo… No fim das contas ninguem pode provar nada a ninguem por meio de alegacoes e refutacoes… so’ mesmo uma experiencia frontal com o sobrenatural poderia demover o homem de sua trincheira intelectual e incredula…

  3. Existem boas provas contra a existencia de Deus, Veja:
    -O Diabinho Azul Jocaxiano

    João Carlos Holland de Barcellos

    Nos meus muitos anos de ateísmo, aproximadamente desde os 12 anos, reuni muitos argumentos contra a existência de Deus. Alguns se referem ao Deus católico que tem propriedades bem definidas, outros, a deuses que têm uma definição mais nebulosa, e por isso mais difíceis de se analisar logicamente. De qualquer modo, em quase todos os casos, Deus sempre tem a característica de, no mínimo, ser o criador do universo, e quase sempre também, de ser dotado de consciência e inteligência.

    Dentre os argumentos de minha autoria, que reuni, o mais recente, e o que considero o mais ‘atordoante’, por ser extremamente simples e, no entanto, arrasador, é o “Diabinho Azul Jocaxiano”. A seguir, seguem os resumos dos principais argumentos e provas anti-Deus, a começar com o que leva o título deste texto. (Os nomes entre colchetes ‘[]’ ao lado de cada argumento são os nomes dos prováveis autores da idéia original ou da pessoa por quem eu tomei conhecimento da idéia.)

    1- Argumento: “O Diabinho Azul Jocaxiano” [Jocax]

    Fala-se que Deus é uma entidade necessária para responder a questão:

    “Como surgiu o universo?”

    Se respondêssemos com a mesma questão “Como surgiu Deus?”, o teísta diria que Deus não precisa de criador, pois é a causa dele mesmo, ou então que sempre existiu, ou que está além de nossa compreensão. E não adianta tentarmos contra-argumentar que podemos utilizar os mesmos argumentos trocando a palavra “Deus” por “Universo”. A mente teísta exige um criador para o universo quer se queira quer não se queira. Entretanto, atreladas a este deus-criador, embutem-se todas as outras qualificações que normalmente atribui-se a Deus como forma de satisfazer nossas necessidades psicológicas, como, por exemplo, bondade e/ou onisciência, e/ou onipotência, e/ou perfeição, entre outros. Mas, da constatação que isso não é absolutamente necessário para se criar o universo, surge o argumento do “Diabinho Azul Jocaxiano”:

    Se você diz que Deus criou o universo, eu posso IGUALMENTE SUPOR que não foi Deus quem o criou, mas sim o “Diabinho Azul”. Só que este diabinho não é todo poderoso como Deus, não tem a onisciência de Deus, não é bom como Deus, não é perfeito como Deus e, para criar o universo, ele acabou morrendo por tanto esforço que fez.

    Sendo meu diabinho muito mais simples e menos complexo que seu Deus-todo-poderoso, ele deve ser PREFERÍVEL em termos da “Navalha de Ocam” a Deus! Portanto, antes de invocar Deus como criador do universo, você deveria invocar o “Diabinho Azul Jocaxiano”. Caso contrário, você estaria sendo ilógico por adicionar hipóteses desnecessárias ao ‘criador do Universo’.

    Comentário: não é necessário um criador com todas as propriedades de um “Deus” para se criar o universo, basta se ter o poder suficiente para criá-lo. Assim, a alegação de que seja necessário um “Deus” para o universo existir carece de fundamento lógico.

    2- Prova: Contradição com os FATOS [Epícuro/Hume]

    Se Deus é Bom, então Deus não quer o sofrimento inútil.
    Se Deus é poderoso, então Deus pode tudo.
    Lógica: Se Deus pode tudo e não quer sofrimento, então pode impedir o sofrimento.
    Fato: 40 mil crianças morreram, recentemente, afogadas por um tsunami (morte com sofrimento).
    Conclusão: As hipóteses (Deus bom e poderoso) não podem ser verdadeiras, pois contradizem o fato observado.

    Comentário: Alguns podem alegar que o sofrimento foi necessário porque algumas pessoas precisavam “aprender”. Pode-se contra-argumentar perguntando o que as crianças aprenderiam morrendo afogadas. Contra o “pecado original” pode-se contra-argumentar se é justo que os inocentes paguem pelos culpados. Mas isso não é necessário, pois um deus bom e todo-poderoso poderia ensinar qualquer coisa a quem quer que fosse sem ter de sacrificar vidas inocentes em mortes trágicas. Se Deus precisou sacrificar tantas vidas, então não é suficientemente poderoso, ou não é bom (no sentido humano do termo). Parece que o argumento original remete a Epícuro, entretanto sua formalização se deve a Hume.

    3- Prova: Contradição interna (inconsistência) [Sartre (?)]:

    Deus é ONISCIENTE, portanto sabe tudo o que aconteceu e o que vai acontecer.

    Deus deu liberdade ao homem, portanto o homem é livre para escolher.

    Contradição: Se Deus sabe tudo que o homem vai escolher (conhecimento factual) então o homem NÃO tem liberdade de escolha. (Tudo estava previsto na mente de Deus e o homem não poderia mudar).

    Vamos à demonstração [por Jocax]:

    Vamos supor a Existência de Deus Todo-Poderoso. Então, segue logicamente que:

    1-Deus é Onisciente.

    2-Sendo Onisciente sabe TUDO que vai acontecer.

    3-Sabendo TUDO que vai acontecer, sabe tudo o que você vai fazer e escolher, mesmo antes de você existir.

    4-Se Deus sabe tudo o que você vai fazer e escolher, então você não poderá fazer nada diferente da previsão de Deus.

    5-Se você não pode fazer nada diferente da previsão divina, você necessariamente e obrigatoriamente terá de segui-la.

    6-Se você é obrigado a seguir a previsão de Deus, então é impossível para você escolher ou fazer qualquer outra coisa diferente da previsão divina.

    7-Se é impossível para você escolher ou fazer qualquer coisa diferente da previsão divina você, não tem livre-arbítrio!

    Conforme Queríamos Demonstrar.

    Comentário: Desde antes de o homem nascer, mesmo antes dele se casar ou fazer quaisquer tipos de escolhas, seu destino já estaria previsto na mente onisciente de Deus. Então, nada do que o homem escolhesse seria diferente do caminho já previsto por Deus. Sendo assim, o chamado “Livre-Arbítrio” não passaria de uma ilusão. Isto quer dizer que: ou o homem não é livre para escolher, ou Deus não é onisciente. Esta é uma das mais contundentes provas lógicas contra a existência de Deus.

    4-Argumento: Pela navalha de OCAM [Jocax (?)]

    -Não existem evidências de que Deus exista.

    -O conjunto {Universo + Deus} é mais complexo do que apenas o conjunto {Universo}.

    -Pela Navalha de Ocam, devemos então descartar a primeira hipótese, de um universo com Deus, em favor da segunda, que é mais simples, pois requer, no mínimo, uma hipótese a menos.

    Comentário: Esta argumentação pode ser metaforizada pelo argumento da “Fábrica de Pregos”:
    Primeiro, devemos concordar que, se tivéssemos de escolher entre duas hipóteses para a origem de tudo, deveríamos ficar com a mais provável. E, se quiséssemos uma explicação mais científica, deveríamos ficar com uma das várias teorias da física sobre a origem do universo, como aquela que diz que o universo surgiu a partir do vácuo quântico: as partículas teriam sido criadas a partir de uma “flutuação quântica do vácuo”. Isso é só uma teoria, não pode ser demonstrada, mas é muito mais razoável do que partir da premissa de que existia uma IMENSA fábrica de Pregos (Deus) que fez todos os pregos, sendo que ninguém ousa perguntar sobre sua origem.

    A idéia de comparar deus com a “fábrica de pregos” é a seguinte:
    Você tem evidências de que existem os “pregos” (partículas elementares).
    Alguém diz que deve existir um criador para estes pregos, e propõe que para tanto deve existir uma enorme e complexa “Fabrica de Pregos” (Deus). Mas isso é um NONSENSE, pois além de não existirem evidências sobre a existência da “fábrica de pregos”, essa é MUITÍSSIMO mais complexa do que os pregos encontrados. Então, pela navalha de ocam, é muito mais lógico supor que os pregos sempre existiram do que a imensa “Fábrica de Pregos” sempre tenha existido e esteja escondida em algum lugar que só se consegue conhecer após a morte.

    5- Argumento: Deus, se existisse, seria um AUTÔMATO [Por André Sanchez & Jocax]:

    – Deus é onisciente, onipotente e sabe tudo o que aconteceu e vai acontecer.
    – Sabe inclusive *todas* as suas PRÓPRIAS ações futuras.
    – Então, ele deveria seguir todas as suas ações já previstas, sem poder alterá-las, exatamente como um autômato segue sua programação.

    Conclusão: Deus, se existisse, não teria livre-arbítrio. Seria um robô, uma espécie de autômato que deve seguir eternamente sua programação prévia (sua própria previsão) sem poder alterá-la.

    Comentário: A onisciência de Deus o levaria a uma prisão tediosa na qual nada poderia sair mesmo que Ele tivesse vontade de fazê-lo. Estaria preso à sua própria e cruel onisciência.

    6- Prova: Se Deus existisse, não haveria imperfeição [autor desconhecido]:

    Se Deus existisse e fosse perfeito, então tudo que Ele criaria seria perfeito.
    O homem, sendo sua criação, também deveria ter sido criado, perfeito.
    Mas, como um ser criado perfeito pode se corromper e se tornar imperfeito?
    Se o homem se corrompeu, então não era perfeito, era corruptível!

    Conclusão: Deus não poderia ser perfeito, pois gerou algo imperfeito.

    Comentário: Um ser perfeito quer a perfeição, e mesmo que tenha criado o homem com livre-arbítrio – que vimos acima ser uma ilusão – se ele fosse perfeito, faria escolhas perfeitas e não se corromperia.

    7- Argumento: Origem de Deus [autor desconhecido]:

    A argumentação do design Inteligente segundo o qual a complexidade da Natureza necessita de um criador inteligente, cai por terra quando não se oferece uma mínima explicação sobre a origem de Deus, que por ser algo extremamente complexo e inteligente, necessitaria, segundo o argumento do design inteligente, ter também um criador inteligente, que seria o “Deus do Deus”: o criador do Deus. Este “Criador do Deus”, por ser mais inteligente que Deus, deveria, pelo mesmo argumento, ter também um criador extremamente inteligente o “Deus do Deus do Deus”. E assim por diante, ad-infinitum, de modo que existe um NONSENSE nesta argumentação de que algo complexo precisa de um ser ainda mais complexo para criá-lo.

    Comentário: O Design Inteligente é o argumento mais utilizado atualmente, como se fosse ciência, para se ministrar cursos de religião em alguns estados brasileiros e norte-americanos.

    8-Prova: O universo não poderia ser criado. [Por Jocax]:

    Vamos supor, por absurdo, que Deus exista. Se Deus tem uma inteligência infinita, ele não precisaria despender nenhum tempo para decidir algo ou processar informações. Sendo assim, ele não despenderia nenhum tempo para decidir criar o universo. Ou seja, o Universo teria de ter sido criado no momento da criação de Deus. Se Deus nunca foi criado, então o universo também nunca poderia ter sido criado.

    Comentário: Se existe movimento existe tempo. Se não existia tempo nada poderia se mover.

    9-Prova: Deus não pode ser perfeito. [autor desconhecido]

    Se Deus fosse perfeito ele não teria necessidades ele se bastaria a si próprio. Entretanto, se ele decidiu criar o universo então ele tinha necessidade desta criação e, portanto, não se bastava a si próprio, era imperfeito.

    10-Prova: Deus se existisse, não poderia ser perfeito. [Jocax]:

    Muitos crentes tomam as leis da Física e suas constantes “mágicas” como uma evidência da sapiência divina já que, supõe-se, uma pequena alteração nelas faria o universo colapsar e se destruir.

    Mas esquecem-se de que essas MESMAS leis, no caso a segunda lei da termodinâmica, prevê o colapso inexorável, lento e agonizante do nosso universo, mostrando que houve uma FALHA GRAVE na sua concepção, que o inviabiliza a longo prazo.

    Comentário: A segunda lei da termodinâmica é conhecida como a lei que diz que a entropia num sistema fechado nunca diminui. Podemos considerar o universo todo como um sistema fechado, já que nada entra nem sai dele.

    11-Prova: Deus, se existisse, não poderia ser bom [Jocax (?)]

    Deus, hipoteticamente onisciente e onipotente, sabia de tudo que iria acontecer ANTES de resolver criar o universo. Sabia quem iria nascer e o que cada pessoa iria “escolher” em sua vida. Sabia até mesmo que um enorme TSUNAMI iria aparecer e matar 40 mil crianças afogadas. Se tivesse poder para fazer o universo ligeiramente diferente, talvez pudesse ter impedido essa tragédia. Mas, sabendo de TUDO que iria acontecer no futuro, de todas as mortes, de todas as desgraças e calamidades, colocou seu plano em prática e ficou assistindo de camarote. Isso não é digno de um ser bondoso.

    12-Prova: Pela definição de Universo, Deus não poderia tê-lo criado [Jocax (?)]

    Segundo a definição de Universo (Houaiss):

    Universo substantivo masculino
    1 o conjunto de todas as coisas que existem ou que se crê existirem no tempo e no espaço.

    Então, o Universo pode ser definido como o conjunto de tudo que existe. Assim sendo, para quem acredita, se Deus existe, ele não poderia ter criado o Universo, uma vez que, por definição, deveria fazer parte dele!

    Comentário: O Crente poderia então apenas colocar Deus como criador da matéria/energia e não do próprio universo.

    13-Prova: Pelas Leis da Física atual Deus não poderia existir [autor desconhecido]

    A Mecânica Quântica tem como lei fundamental o chamado “Princípio da Incerteza”. Segundo esta lei, é IMPOSSÍVEL, independentemente da tecnologia, saber a posição exata e a velocidade de uma partícula. Isso significa que, fisicamente, é impossível existir um “Deus Onisciente”, pois este ser poderia saber a posição e a velocidade exata de uma partícula e violaria um pilar fundamental da ciência moderna.

    14-Prova: Deus, se existisse, seria sádico e egoísta [Renato W. Lima (?)]

    Pretende-se mostrar que Deus precisa criar um mundo imperfeito, caso contrário o mundo seria ele próprio. Poder-se-ia argumentar que criar um clone de si próprio seria melhor que criar um mundo imperfeito para, sadicamente, vê-lo sofrer. Contudo, saber que o mundo não é perfeito não implica que se deva negar-lhe assistência quando necessário. Desde que, claro, haja poder para isso e não se deseje que o mal aconteça (se seja bom). Se Deus, realmente, criou seres imperfeitos como nós e diferentes dele, ele está sendo egoísta, pois deseja ser o único ser perfeito e possuidor de poder. E o egoísmo, definitivamente, não é algo bom.

    15-Argumento: Teorema de Igor [Igor Silva (?)]

    Se tivéssemos de escolher uma das duas opções abaixo, qual delas seria mais provável ou mais fácil acontecer?

    A- Um morto ressuscitar e subir aos céus (sem foguetes) ou
    B- Alguém escrever mentiras num pedaço de papel ou livro e pessoas acreditarem?

    A- Alguém ter feito milagres que contrariaram as leis da Física ou
    B- Alguém escrever mentiras num pedaço de papel ou livro e pessoas acreditarem?

    A- Um ser totipotente (Deus) existir e criar o universo ou
    B- Alguém escrever mentiras num pedaço de papel ou livro e pessoas acreditarem?

    Comentário: Este texto é uma simplificação do argumento do Hume:
    […] nenhum testemunho é suficiente para demonstrar um milagre, a não ser que o testemunho seja de natureza tal que a sua falsidade seja mais milagrosa do que o fato que tenta demonstrar. David Hume, «Dos Milagres» (1748)

    16-Argumento: Pelo Teorema de Kalam [Desconhecido]

    O teorema de Kalam afirma que nada pode se extender no tempo infinito passado, pois, se houvesse um tempo infinito no passado, então demoraria um tempo infinito deste passado até o nosso presente. Mas um tempo infinito significa nunca. Portanto nunca teríamos o presente. Mas isso é um absurdo pois estamos no presente. Da mesma forma, se houvesse deus com existência se estendesse à um tempo infinito no passado, então também não poderíamos ter o presente. Portanto não pode existir um deus que exista num tempo infinito no passado.

    17-Argumento: Pela não necessidade da Causa [Jocax]

    A origem do universo e suas leis podem ser explicados satisfatoriamente através do Nada-Jocaxiano (NJ). O NJ explica de maneira lógica que o cosmo poderia surgir do Nada-Jocaxiano, já que este Nada não possuiria leis restringindo o que quer que seja. Assim, devido a ausência de leis, eventos poderiam acontecer. Isso elimina a necessidade de um criador consciente como Deus para explicar nosso cosmo.

  4. Joao publiquei su comentário (?) e depois vou ler com mais tempo quando chegar no Brasil, afinal isto não é um comentario, é quase um tratado rsss. abração.

  5. Suas colocações são muito boas, mas vou tentar refutá-las na ordem.

    1- Sendo meu diabinho muito mais simples e menos complexo que seu Deus-todo-poderoso, ele deve ser PREFERÍVEL em termos da “Navalha de Ocam” a Deus! Portanto, antes de invocar Deus como criador do universo, você deveria invocar o “Diabinho Azul Jocaxiano”. Caso contrário, você estaria sendo ilógico por adicionar hipóteses desnecessárias ao ‘criador do Universo’.

    Comentário: não é necessário um criador com todas as propriedades de um “Deus” para se criar o universo, basta se ter o poder suficiente para criá-lo. Assim, a alegação de que seja necessário um “Deus” para o universo existir carece de fundamento lógico.

    R: Um Deus é necessário pelo simples fato deste ter que criar tudo que existe, o universo com toda sua regulagem antrópica, desde os átomos dos elementos, as estrelas, os planetas e por fim a vida com toda sua biodiversidade e o homem com toda sua complexidade, com todos os seus atributos, desde o livre arbítrio, passando por toda sua capacidade cerebral que o torna de novo um criador, um pequeno deus feito à imagem do Criador. Para isto, Deus tem que ser de uma complexidade inimaginável para nós e ainda ter atributos de moral e afeto como nós temos, tudo isto saído de uma explosão inicial, o big-bang (temos que nos ater à ciência vigente). Logo, é sim necessário um criador com as propriedades de um Deus para criar um universo regulado para produzir tudo isto, um pacote pronto desde o tempo de Planck e não a partir de um simples diabinho poderoso. Finalmente, a navalha de Occam se aplica à simplicidade elegante das leis universais criadas a partir da incrível regulagem antrópica e não ao próprio Criador. Aliás, este conceito foi criado exatamente a partir das leis universais.

    2- Se Deus é poderoso, então Deus pode tudo.
    Lógica: Se Deus pode tudo e não quer sofrimento, então pode impedir o sofrimento.
    Fato: 40 mil crianças morreram, recentemente, afogadas por um tsunami (morte com sofrimento).
    Conclusão: As hipóteses (Deus bom e poderoso) não podem ser verdadeiras, pois contradizem o fato observado.

    Comentário: Alguns podem alegar que o sofrimento foi necessário porque algumas pessoas precisavam “aprender”. Pode-se contra-argumentar perguntando o que as crianças aprenderiam morrendo afogadas. Contra o “pecado original” pode-se contra-argumentar se é justo que os inocentes paguem pelos culpados. Mas isso não é necessário, pois um deus bom e todo-poderoso poderia ensinar qualquer coisa a quem quer que fosse sem ter de sacrificar vidas inocentes em mortes trágicas. Se Deus precisou sacrificar tantas vidas, então não é suficientemente poderoso, ou não é bom (no sentido humano do termo). Parece que o argumento original remete a Epícuro, entretanto sua formalização se deve a Hume.

    R: Apesar de ser filosoficamente mais complicado, a resposta aqui baseia-se no fato de termos que admitir que uma só vida não representa grande coisa para nossa evolução global. É claro que para as religiões dogmáticas tradicionais fica muito mais difícil entender porque Deus permite tais tragédias, mesmo porque, inclusive para elas o dom da vida é especial. O problema é que Deus não interfere em suas leis criadas e se tiver que acontecer um terremoto ou tsunami, de acordo com a acomodação das placas tectônicas, estes vão mesmo ocorrer. Mas o fato é que, como num incêncio ou qualquer outro acidente, mesmo num avião que só haja 1 sobrevivente, quem não tiver que morrer naquela hora não vai morrer mesmo e nesse tsunami garanto que muitas outras crianças, jovens ou adultos também escaparam, milagrosamente ou não. Muitos também morrem de doenças prematuramente e temos então que entender esta nossa passagem aqui na Terra não como única, mas apenas como uma breve passagem frente a uma grande jornada evolutiva.

    3-Contradição: Se Deus sabe tudo que o homem vai escolher (conhecimento factual) então o homem NÃO tem liberdade de escolha. (Tudo estava previsto na mente de Deus e o homem não poderia mudar).

    Vamos à demonstração [por Jocax]:

    Vamos supor a Existência de Deus Todo-Poderoso. Então, segue logicamente que:

    1-Deus é Onisciente.

    2-Sendo Onisciente sabe TUDO que vai acontecer.

    3-Sabendo TUDO que vai acontecer, sabe tudo o que você vai fazer e escolher, mesmo antes de você existir.

    4-Se Deus sabe tudo o que você vai fazer e escolher, então você não poderá fazer nada diferente da previsão de Deus.

    5-Se você não pode fazer nada diferente da previsão divina, você necessariamente e obrigatoriamente terá de segui-la.

    6-Se você é obrigado a seguir a previsão de Deus, então é impossível para você escolher ou fazer qualquer outra coisa diferente da previsão divina.

    7-Se é impossível para você escolher ou fazer qualquer coisa diferente da previsão divina você, não tem livre-arbítrio!

    Conforme Queríamos Demonstrar.

    Comentário: Desde antes de o homem nascer, mesmo antes dele se casar ou fazer quaisquer tipos de escolhas, seu destino já estaria previsto na mente onisciente de Deus. Então, nada do que o homem escolhesse seria diferente do caminho já previsto por Deus. Sendo assim, o chamado “Livre-Arbítrio” não passaria de uma ilusão. Isto quer dizer que: ou o homem não é livre para escolher, ou Deus não é onisciente. Esta é uma das mais contundentes provas lógicas contra a existência de Deus.

    R: Esta é boa, mas vamos lá. Evidentemente que Deus tem que ser onisciente, é um de seus atributos. Mas, como já disse, fomos criados à Sua imagem e temos, portanto, também o dom da criação dentro de nossos limites universais. Para tal, fomos dotados de livre arbítrio, um grande mistério realmente porque nenhum robô criado pelo homem tem ou terá em algum tempo o livre arbítrio e a criatividade infinitas do homem. Evidentemente, que somos livres para até negar o próprio Deus ou até para nos matar, quanto mais para exercer nosso livre arbítrio em outras áreas. Podemos, então, ao nosso bel prazer, nos atrasar evolutivamente, permanecendo na ignorância, na não verdade evolutiva, Deus permite isto, apesar de ser a evolução o bem maior de Deus para o homem, o bem absoluto. (o mal é relativo e depende sempre das vicissitudes que temos que passar ou transpor para alcançar a evolução). Mas Ele também sabe que algum dia teremos que nos adiantar e sair da inércia que nos colocamos, esta é a sua onisciência, pois finalmente seremos todos atraidos por Ele ou pelo seu plano divino. Então, temos escolhas sim e escolhemos sempre, a vida toda, somos responsáveis por nossas vidas e por nossas escolhas, Deus permite isto, mas finalmente ele sabe que iremos adiante, agora ou em outras vidas, pois esta é a lei da evolução e cujo mérito de nos adiantarmos ou não é exclusivamente nosso.
    Aqui é também importante mencionar que nunca perdemos o que conquistamos; podemos sim ficar estacionados, mas nossas experiências e lembranças, inconscientes ou não, são cumulativas e sempre servem para alguma coisa nesta nossa grande jornada evolutiva.

    4- A idéia de comparar deus com a “fábrica de pregos” é a seguinte:
    Você tem evidências de que existem os “pregos” (partículas elementares).
    Alguém diz que deve existir um criador para estes pregos, e propõe que para tanto deve existir uma enorme e complexa “Fabrica de Pregos” (Deus). Mas isso é um NONSENSE, pois além de não existirem evidências sobre a existência da “fábrica de pregos”, essa é MUITÍSSIMO mais complexa do que os pregos encontrados. Então, pela navalha de ocam, é muito mais lógico supor que os pregos sempre existiram do que a imensa “Fábrica de Pregos” sempre tenha existido e esteja escondida em algum lugar que só se consegue conhecer após a morte.

    R: Bom, o debate é exatamente este, o Princípio Antrópico forte, então, existem muitas evidências de que Deus deve existir, senão nem haveria debate; não podemos provar cientificamente que Ele existe, é claro. A Causa tem que ser muitíssimo mais complexa que os efeitos, assim como uma fábrica de pregos é muito mais complexa do que um simples prego. Mais uma vez, a navalha de Ocam não se aplica a Deus, pois este é o Criador das leis que deram origem à navalha e, portanto, Ele deve ser muito complexo para criar leis tão elegantes e que funcionam, não só no cosmo, mas também na criação da vida e do homem.

    5- Argumento: Deus, se existisse, seria um AUTÔMATO [Por André Sanchez & Jocax]:

    – Deus é onisciente, onipotente e sabe tudo o que aconteceu e vai acontecer.
    – Sabe inclusive *todas* as suas PRÓPRIAS ações futuras.
    – Então, ele deveria seguir todas as suas ações já previstas, sem poder alterá-las, exatamente como um autômato segue sua programação.

    Conclusão: Deus, se existisse, não teria livre-arbítrio. Seria um robô, uma espécie de autômato que deve seguir eternamente sua programação prévia (sua própria previsão) sem poder alterá-la.

    Comentário: A onisciência de Deus o levaria a uma prisão tediosa na qual nada poderia sair mesmo que Ele tivesse vontade de fazê-lo. Estaria preso à sua própria e cruel onisciência.

    R: Deus está fora do tempo e do espaço criados no início do universo, mas está dentro também, como nos mostra a física quântica, onde a matéria nasce do nada, de campos imateriais fora do espaço e do tempo. Deus é então transcendente e imanente, está fora e dentro da criação e por isto é também onisciente. Isto talvez só o levasse a uma prisão tediosa se Ele não criasse, se não fosse um Criador, mas para isto Ele cria e chega a produzir seres individualizados, com livre arbítrio total e capazas de também criar, não só na Terra como em outros raros planetas que permitam a vida complexa. Mas Ele trabalha assim mesmo, com os grandes números e com a biodiversidade e não cria diretamente como está na bíblia, isto é apenas uma alegoria. Um robô, pelo contrário, nada cria, depende sempre de uma programação prévia e Deus, o Criador, nunca poderia ser comparado a um robô. Para Deus só existe o presente, tudo é presente, tudo é criação e Ele “vive” através de sua criação; Deus é presente na sua infinitude, logo não está preso na sua onisciência, pelo contrário, este é um dos seus atributos que permite criar universos como o nosso, a matéria assimétrica, mas perfeitamente equilibrada para produzir, em última instância, a vida e a consciência.

    6 – 6- Prova: Se Deus existisse, não haveria imperfeição [autor desconhecido]:

    Se Deus existisse e fosse perfeito, então tudo que Ele criaria seria perfeito.
    O homem, sendo sua criação, também deveria ter sido criado, perfeito.
    Mas, como um ser criado perfeito pode se corromper e se tornar imperfeito?
    Se o homem se corrompeu, então não era perfeito, era corruptível!

    Conclusão: Deus não poderia ser perfeito, pois gerou algo imperfeito.

    Comentário: Um ser perfeito quer a perfeição, e mesmo que tenha criado o homem com livre-arbítrio – que vimos acima ser uma ilusão – se ele fosse perfeito, faria escolhas perfeitas e não se corromperia.

    R: Deus é perfeito e criou um universo materialmente perfeito (equilibrado) para gerar a vida e a consciência em alguns planetas viáveis – Princípio Antrópico forte. Nós fomos criados simples e ignorantes, inclusive de acordo com a teoria da evolução de Darwin. O Homo sapiens evoluíu gradativamente como um todo e individualmente, uns se adiantaram mais, outros menos. Outros ainda se adiantaram muito e já estão fora do círculo reencarnatório, todos de acordo com os seus merecimentos. A evolução ocorre também em outros planetas, mais ou menos adiantados. Portanto, o homem tem sim livre arbítrio, mas nem sempre faz as melhores escolhas para si mesmo. Uma das virtudes de Deus é a paciência

    7- Argumento: Origem de Deus [autor desconhecido]:

    A argumentação do design Inteligente segundo o qual a complexidade da Natureza necessita de um criador inteligente, cai por terra quando não se oferece uma mínima explicação sobre a origem de Deus, que por ser algo extremamente complexo e inteligente, necessitaria, segundo o argumento do design inteligente, ter também um criador inteligente, que seria o “Deus do Deus”: o criador do Deus. Este “Criador do Deus”, por ser mais inteligente que Deus, deveria, pelo mesmo argumento, ter também um criador extremamente inteligente o “Deus do Deus do Deus”. E assim por diante, ad-infinitum, de modo que existe um NONSENSE nesta argumentação de que algo complexo precisa de um ser ainda mais complexo para criá-lo.

    Comentário: O Design Inteligente é o argumento mais utilizado atualmente, como se fosse ciência, para se ministrar cursos de religião em alguns estados brasileiros e norte-americanos.

    R: Por definição Deus é incriado. Se fôssemos regredir infinitamente para quem criou Deus cairíamos no non sense, pois quem criou deus é que seria Deus e assim por diante e isto é um absurdo. Tudo tem uma causa, menos Deus, senão não estamos definindo mais Deus e sim outra entidade ou coisa qualquer. O DI só existe para o universo, não podemos separá-lo da criação da vida, como muitos fazem. O cosmo está reguladinho para produzir a vida, logo só podemos chamar de desing inteligente todo o universo criado a partir de uma regulagem inimaginável. A evolução na Terra é simples consequência de tudo isto e não depende mais da intervenção divina.

    8-Prova: O universo não poderia ser criado. [Por Jocax]:

    Vamos supor, por absurdo, que Deus exista. Se Deus tem uma inteligência infinita, ele não precisaria despender nenhum tempo para decidir algo ou processar informações. Sendo assim, ele não despenderia nenhum tempo para decidir criar o universo. Ou seja, o Universo teria de ter sido criado no momento da criação de Deus. Se Deus nunca foi criado, então o universo também nunca poderia ter sido criado.

    Comentário: Se existe movimento existe tempo. Se não existia tempo nada poderia se mover.

    R: Deus sendo infinito sempre criou este e outros universos que vieram antes ou virão depois. O universo é o efeito e não a Causa, portanto, tem um tempo de vida limitado, como todo mundo material e a ciência já sabe disso. Logo, Deus antecede este universo criado no tempo e no espaço. Como já disse, Deus é a única coisa incriada, por definição. O movimento e o tempo existe em nosso mundo material que, para a ciência, começou na criação do universo atual.

    9-Prova: Deus não pode ser perfeito. [autor desconhecido]

    Se Deus fosse perfeito ele não teria necessidades ele se bastaria a si próprio. Entretanto, se ele decidiu criar o universo então ele tinha necessidade desta criação e, portanto, não se bastava a si próprio, era imperfeito.

    R: Obviamente, Deus se basta a si mesmo, mas sendo um criador amoroso (um dos atributos) Ele preferiu criar, apesar de ser perfeito. O fundamento do amor de Deus está no cerne das criaturas e por isto o homem é capaz de amar seus semelhantes, mas é capaz também de odiar, pois temos raciocínio e livre arbítrio total. Por isto evoluimos, para alcançarmos o conhecimento e o entendimento do verdadeiro amor a Deus e aos semelhantes e isto não se faz só numa vida, muito pelo contrário, é um longo caminhar, complexo, tortuoso, mas incessante.

    10-Prova: Deus se existisse, não poderia ser perfeito. [Jocax]:

    Muitos crentes tomam as leis da Física e suas constantes “mágicas” como uma evidência da sapiência divina já que, supõe-se, uma pequena alteração nelas faria o universo colapsar e se destruir.

    Mas esquecem-se de que essas MESMAS leis, no caso a segunda lei da termodinâmica, prevê o colapso inexorável, lento e agonizante do nosso universo, mostrando que houve uma FALHA GRAVE na sua concepção, que o inviabiliza a longo prazo.

    Comentário: A segunda lei da termodinâmica é conhecida como a lei que diz que a entropia num sistema fechado nunca diminui. Podemos considerar o universo todo como um sistema fechado, já que nada entra nem sai dele.

    R: A 2ª Lei da termodinâmica é obedecida tanto na física quanto nos seres vivos, pois o universo é um só. A diferênça é que nos seres vivos este equilíbrio é mais delicado, é um equilíbrio fluente ou steady satde, que funciona longe do equilíbrio estático dos seres inanimados, como uma rocha ou um cristal. O equilíbrio termodinâmico estático nos seres vivos significa que esté já morreu. Hoje a física já sabe que o universo se extinguirá aos poucos e se esvaziará, não como um big crush, mas pelo contrário, a medida que as estrelas forem perdendo a sua capacidade de se reciclar (ou de se reencarnar). Tudo na natureza é reciclado e evolui e nós não fugimos disso. Não há falha grave no universo, pois toda matéria criada e equilibrada é perecível e como já disse, Deus pode sempre criar outros universos. Mas não se preocupe, nossas psiques não são perecíveis.

    11-Prova: Deus, se existisse, não poderia ser bom [Jocax (?)]

    Deus, hipoteticamente onisciente e onipotente, sabia de tudo que iria acontecer ANTES de resolver criar o universo. Sabia quem iria nascer e o que cada pessoa iria “escolher” em sua vida. Sabia até mesmo que um enorme TSUNAMI iria aparecer e matar 40 mil crianças afogadas. Se tivesse poder para fazer o universo ligeiramente diferente, talvez pudesse ter impedido essa tragédia. Mas, sabendo de TUDO que iria acontecer no futuro, de todas as mortes, de todas as desgraças e calamidades, colocou seu plano em prática e ficou assistindo de camarote. Isso não é digno de um ser bondoso.

    R: Aqui já estamos nos repetindo, mas vamos lá; Deus apesar de ser onisciente (um de seus atributos) não interfere, não derroga as próprias leis materiais criadas. Um terremoto libera muita energia que pode provocar um tsunami ou maremoto e se tiver que acontecer, acontece. Como já disse antes, muitos morrerão, mas muitos se salvarão, assim como aguns vivem muito, outros vivem menos ou muito menos, morrendo por doenças, assassinados, acidentes, etc, basta estar vivo.
    . Uma só vida para Deus é apenas uma etapa a mais no nosso aprendizado e isto é uma lei de justiça e amor. Fora isto, só mesmo o acaso total, mas o universo e a vida nos mostram que o acaso total não existe. Deus não fica assistindo de camarote, Ele participa conosco junto com seus prepostos; Ele sustenta o universo; assim não fosse tudo isto seria realmente muito injusto e calamitoso. Ele sabe de tudo porque para Ele só existe o que podemos entender como presente, mas ele não interfere diretamente em nossas vidas e muito menos nas leis gerais do universo. Com a evolução, com o aprendizado, aprenderemos como evitar furacões, tufões, tsunamis (hoje em muitos lugares já existem sensores que dão o alerta para permitir a fuga a tempo), mas só com a evolução chegaremos lá, ao mundo regenerado, pois tudo que é do domínio da criação, o homem pode se aperfeiçoar e avançar através da ciência e da tecnologia.

    12-Prova: Pela definição de Universo, Deus não poderia tê-lo criado [Jocax (?)]

    Segundo a definição de Universo (Houaiss):

    Universo substantivo masculino
    1 o conjunto de todas as coisas que existem ou que se crê existirem no tempo e no espaço.

    Então, o Universo pode ser definido como o conjunto de tudo que existe. Assim sendo, para quem acredita, se Deus existe, ele não poderia ter criado o Universo, uma vez que, por definição, deveria fazer parte dele!

    Comentário: O Crente poderia então apenas colocar Deus como criador da matéria/energia e não do próprio universo.

    R: Deus faz parte de sua criação mas também está fora dela, sendo imanente e transcendente. Se fosse o próprio universo teriamos aí o panteismo e não existiria a Causa Primária, fora do universo e, como consequência, Deus se extinguiria com o próprio universo. Matéria e energia, interconversíveis de acordo com a equação de Eistein, é o que existe no universo criado.

    13-Prova: Pelas Leis da Física atual Deus não poderia existir [autor desconhecido]

    A Mecânica Quântica tem como lei fundamental o chamado “Princípio da Incerteza”. Segundo esta lei, é IMPOSSÍVEL, independentemente da tecnologia, saber a posição exata e a velocidade de uma partícula. Isso significa que, fisicamente, é impossível existir um “Deus Onisciente”, pois este ser poderia saber a posição e a velocidade exata de uma partícula e violaria um pilar fundamental da ciência moderna.

    R: Sim, Ele poderia saber a real posição e velocidade da partícula, porém Ele mesmo criou a coisa assim e então deve ser assim, senão não funciona. Para produzir o carbono, base da vida, a partir do hélio é preciso que dois átomos de hélio se combinem primeiro com um do isótopo de berílio 8, instável, numa fração de 1/16 de segundo, para depois capturar outro átomo de hélio e produzir finalmente o carbono. Para que isto possa ocorrer é preciso uma regulagem de sintonias muito finas, delicadas nos átomos, que produz uma área ressonante exatamente adequada às reações, e isto é apenas um dos admiráveis exemplos antrópicos. Quem não pode saber a posição e a velocidade exata de uma partícula somos nós e não Deus, que criou ou cria as particulas.
    Se não foi Deus quem criou o universo, então quem o criou, pois, de acordo com a física, ele foi criado há 13,7 bilhões de anos a partir de uma átomo primevo que condensava toda a energia do universo, uma singularidade. Podemos também afirmar que o universo é inteligente per si, mas aí voltamos ao panteismo e temos que admitir, segundo a ciência vigente, que o universo teve um começo e terá um fim. Para haver criaturas inteligentes tenho que admitir um Criador inteligente e que transcenda o próprio universo, não tem saida. Somos então a melhor e maior prova de que Deus existe.

    14-Prova: Deus, se existisse, seria sádico e egoísta [Renato W. Lima (?)]

    Pretende-se mostrar que Deus precisa criar um mundo imperfeito, caso contrário o mundo seria ele próprio. Poder-se-ia argumentar que criar um clone de si próprio seria melhor que criar um mundo imperfeito para, sadicamente, vê-lo sofrer. Contudo, saber que o mundo não é perfeito não implica que se deva negar-lhe assistência quando necessário. Desde que, claro, haja poder para isso e não se deseje que o mal aconteça (se seja bom). Se Deus, realmente, criou seres imperfeitos como nós e diferentes dele, ele está sendo egoísta, pois deseja ser o único ser perfeito e possuidor de poder. E o egoísmo, definitivamente, não é algo bom.

    R: O universo não é perfeito como Deus, mas está perfeitamente equilibrado. Daí poderem advir os desequilíbrios passageiros, terremotos, tsunamis, furacões, doenças, etc. Nosso sofrimento, como já disse, advém das vicissitudes por que temos que passar para evoluir. Nâo fosse assim, ficaríamos ociosos ou só na contemplação. Temos o impulso evolutivo que é o bem maior absoluto de Deus para o homem e o mal aparente, que é o sofrimento passageiro para evoluirmos. Ainda assim, muitos se retardam na evolução. A natureza aparenta ser perversa pela competição, mas o homem hoje está entendento que existe muito mais cooperação na natureza do que competição e que mesmo na competição existe um equilíbrio. O homem com seu livre arbítrio se afastou da cadeia alimentar da natureza, não depende mais dela, para o bem ou para o mal, ele tem as escolhas. Mas essas escolhas dependem do seu conhecimento, em última análise, da evolução do homem nos vários aspectos: científico, moral, intelectual e espiritual. Evoluimos em todos estes e apenas uma vida é um tempo ridicularmente pequeno para tudo isto. Deus não é egoista, Ele é o Criador e sem Ele nada seríamos; se tivesse nos criado perfeitos seríamos como robôs sem nenhum merecimento, mas podemos alcançar esta perfeição próxima a Deus se quisermos. Deus não abandona seus filhos no inferno pela eternidade, isto não existe, o mal absoluto. Temos sempre a chance de um recomeço, por piores que fomos no passado e por isto não podemos nos lembrar do que fomos, pois atrapalharia nossa evolução, que é o bem absoluto. Mas as provas vem em função do que fomos e do que queremos ser e alguns passam de ano e outros são reprovados e têm que repetir o ano e às vezes muitas vezes em algumas matérias.

    15-Argumento: Teorema de Igor [Igor Silva (?)]

    Se tivéssemos de escolher uma das duas opções abaixo, qual delas seria mais provável ou mais fácil acontecer?

    A- Um morto ressuscitar e subir aos céus (sem foguetes) ou
    B- Alguém escrever mentiras num pedaço de papel ou livro e pessoas acreditarem?

    A- Alguém ter feito milagres que contrariaram as leis da Física ou
    B- Alguém escrever mentiras num pedaço de papel ou livro e pessoas acreditarem?

    A- Um ser totipotente (Deus) existir e criar o universo ou
    B- Alguém escrever mentiras num pedaço de papel ou livro e pessoas acreditarem?

    Comentário: Este texto é uma simplificação do argumento do Hume:
    […] nenhum testemunho é suficiente para demonstrar um milagre, a não ser que o testemunho seja de natureza tal que a sua falsidade seja mais milagrosa do que o fato que tenta demonstrar. David Hume, «Dos Milagres» (1748

    R: Como já disse, Deus não derroga as leis criadas. Alguns fenômenos ainda são considerados milagres porque ainda não entendemos sua essência, a ciência ainda não conseguiu medir e repetir o fenômeno sob condições controladas, mas a chamada paranormalidade é real e faz parte da natureza criada, dos fenômenos naturais. Muita coisa que era considerada milagre já não é mais. Muita coisa que foi escrita na bíblia como milagre advem em parte da ignorância da época em que foi escrito. Outras, foram acrescentadas para impressionar ou sugestionar o leitor. Jesus não ressuscitou nem subiu aos céus em corpo, mas baseados nos depoimentos, ele provavelmente se materializou e este é um fenômeno possível e exaustivamente estudado até por cientistas famosos, como Sir William Crookes. Muitos ditos milagres de Jesus foram e são feitos por avatares orientais e Jesus mesmo disse que tudo que ele fazia nós também poderíamos fazer um dia, está na bíblia.

    16-Argumento: Pelo Teorema de Kalam [Desconhecido]

    O teorema de Kalam afirma que nada pode se extender no tempo infinito passado, pois, se houvesse um tempo infinito no passado, então demoraria um tempo infinito deste passado até o nosso presente. Mas um tempo infinito significa nunca. Portanto nunca teríamos o presente. Mas isso é um absurdo pois estamos no presente. Da mesma forma, se houvesse deus com existência se estendesse à um tempo infinito no passado, então também não poderíamos ter o presente. Portanto não pode existir um deus que exista num tempo infinito no passado.

    R: Este raciocínio encerra, é claro, uma perspectiva humana. Apenas Deus pode ser infinito, por definição (senão não seria Deus). Ele existe num tempo infinito, mas a sua criação não. Já se achou que o próprio universo criado teria um tempo infinito de duração, mas hoje se sabe que, assim como teve um início terá um fim, pois faz parte dos efeitos, da criação de Deus e não é o próprio Deus que o criou, o que seria o panteismo.

    17-Argumento: Pela não necessidade da Causa [Jocax]

    A origem do universo e suas leis podem ser explicados satisfatoriamente através do Nada-Jocaxiano (NJ). O NJ explica de maneira lógica que o cosmo poderia surgir do Nada-Jocaxiano, já que este Nada não possuiria leis restringindo o que quer que seja. Assim, devido a ausência de leis, eventos poderiam acontecer. Isso elimina a necessidade de um criador consciente como Deus para explicar nosso cosmo.

    R: O nada não existe no universo e antes dele existir temos que imaginar, por enquanto, apenas o átomo primevo com todo universo contido. As leis da física não podem responder o que havia antes do tempo de Planck, elas simplesmente desmoronam. Ante isso, Deus não é uma explicação absurda, ainda mais se advogarmos a favor baseados no Princípio Antrópico forte. Podemos, é claro, sempre apelar para os multiversos, e aí nosso universo seria novamente um acaso entre bilhões de outros universos, mas isto é o mesmo que “apelar” para Deus, pois não existe nenhuma prova de que eles existam. Existe apenas este universo que observamos e que já é bem grande e cujas constantes são antrópicas, ou seja, estão perfeitamente reguladas para que a vida efetivamente surja em alguns planetas, e que, em outros ainda mais raros planetas, surja a consciência que observa e debate sobre o universo, como estamos agora fazendo.

  6. Alexandre,
    seu comentario tem cara de tese que dá até para fazer livro… Duvido entretanto que viesse a vender pois o adoradores de Jocax não devem ser muitos..rarara…
    brincadeiras à parte, é realmente difícil, para não dizer impossível, que nosso diálogo tenha um desfecho satisfatório… enquanto voce (e demais ateus) quiser colocar o Deus dos teístas num tubo de ensaio, não haverá proveito no debate. Com “proveito” refiro-me à conversão à religião um do outro; voce bem que gostaria de me ver servindo à sua deusa; eu, da minha parte, não posso negar que gostaria de ver voce rendido aos pés do Senhor Jesus.
    A deusa a quem voces cultuam – a ciência – é muito insegura, apesar da pose e reporta-se a um empirismo que me soa pueril demais. Crer que a lógica humana, que sua razão cheia de lacunas, consiga destrinchar e explicar o noumenon é, com todo respeito, o cumulo da presunção. Voce insiste em base lógica… Ora alexandre, o teísmo não tem a pretensao de fundamentar-se logicamente para sustentar seus postulados… O simples fato da inferência de um criador transcendente já sinaliza que não há no teismo a lógica que ateus e agnósticos cultuam e cultivam. Cuidado com a Navalha de Occam… ela pode simplificar a vida em alguns aspectos, mas em outros, te prover de antolhos…

  7. Caro Luiz,

    Apenas tentei rebater todas as 17 colocações do Jocax.
    Você já inicia o seu texto me chamando de ateu, coisa que absolutamente não sou, muito pelo contrário, a não ser que não tenha lido direito o texto ou não tenha entendido que minhas respostas só vêm após os “R:”, logo após as colocações do Jocax.
    Bom, para mim, Deus e a ciência se complementam e evitam os radicalismos ou fanatismos humanos. Segundo dois grandes sábios: “a ciência sem Deus é manca e a religião sem a ciência é cega” (Einstein) ou, “pouca ciência afasta de Deus, muita, a Ele reconduz” (Pasteur).
    Não entendi bem a que deusa você se refere. Se for à ciência ou à lógica, é claro que Deus nos deu um cérebro evoluido para raciocinar, para usar a lógica, mesmo na fé, que não deve ser cega, pois recai sempre, como já disse, nos extremismos ou exclusivismos que já suscitaram muitas guerras e mortes e ainda o fazem em alguns países.
    Concordo que Deus não seja passível de provas científicas, não tenho esta presunção, como você diz, mas Ele é passível de evidências fortes, como exatamente nos diz o Princípio Antrópico forte, razão de nosso debate e que nos mostra evidências científicas muito fortes a favor de um Criador.
    Mais uma vez, não sou ateu nem agnóstico e a navalha de Occam não pode ser uma simplificação para Deus, apenas para a sua criação, econômica e magistral e onde toda a complexidade depois de entendida passa a ser simples ou, pelo menos, a mais simples possível.

    Abraço.

  8. Caro Alex
    agora entendi… confesso que nao li o comentario anterior na integra… a minha resposta fica assim desconsiderada. abração.
    * A proposito a frase é de Bacon e não de Pasteur.

  9. Caro Luiz,

    A frase é do Pasteur mesmo, a não ser que ele tenha colado do Bacon, o que acho pouco provável, vou verificar.

    Abraço.

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