No Muro das Lamentações

Ao pé do muro

Por Luiz Leite

Após oito meses vivendo em Israel, finalmente lá estava eu, com quipá na cabeça, em frente ao lendário muro. O “muro” na verdade é uma imensa e respeitável muralha formada por grandes blocos de rocha. Impõe respeito. Se a muralha (apenas parte do que restou) era assim imponente, o que dizer do templo!

Escrevi meus pedidos de oração em um pedaçinho de papel, conforme a tradição, aproximei-me com reverência do lugar tão sagrado aos judeus e depositei em uma fresta a minha petição. Ali, ao lado de soldados, rabinos e turistas, fiz minha oração silenciosa. Lamentei a cegueira espiritual de Israel, mas logo me dei por consolado, pois foi exatamente por causa da sua cegueira que nós gentios pudemos ser “enxertados” na Videira. Estava escrito.

Cheguei em Jerusalém, a cidade do grande Rei, exatamente no dia em que celebravam o seu aniversário. Os festejos religiosos e civis, as luzes, a alegria brevíssima de um povo que conhece bem a efemeridade dos momentos felizes, me envolveram rápida e completamente.

Eu que passara os últimos oito meses na “roça”, morando e trabalhando num Kibbutz no norte do país, na alta Galiléia, agora estava na cidade, mas não era uma cidade qualquer, estava em Jerusalém, tomada por Davi, o belemita, dos arrogantes Jebuseus, há cerca de três mil anos!

Até 1966 não havia motivo para grandes celebrações posto que a capital judaica permanecia ainda sob o domínio árabe. Os judeus haviam retornado em 1948 para a Palestina após um longo e sofrido exílio, mas não poderiam se sentir completos enquanto Jerusalém estivesse nas mãos dos primos rixosos. Com a lendária guerra dos Seis Dias, movida pelos árabes, Israel, cercado pelas nações inimigas que intentavam varrê-la do mapa e empurrá-la para o Mediterrâneo, numa reação inesperada pelo agressor, não só colocou em fuga os exércitos inimigos como tomou territórios preciosos daqueles, como as Colinas de Golan, a Península do Sinai e a sua velha e querida capital. Foi a partir de então que passaram a escavar. Depois de vinte anos de escavação o muro como hoje o conhecemos surgiu.

Sentado em um Café, enquanto observava o movimento alegre e curtia o burburinho daquele lugar exótico, considerava a frustração dos judeus por ainda não terem acesso ao monte do Templo. Apesar de haverem “recapturado” a cidade, a área do Templo permanecia sob controle dos Palestinos. Decidiram não tocar na mesquita árabe, o Domo da Rocha, levantada exatamente sobre a área onde um dia esteve o templo de Salomão.

Sofrem hoje com a humilhação de terem que se contentar com a restrita área do Muro, chamado das Lamentações, que na verdade não se presta somente à lamúria como o seu alcunha sugere. É um lugar de devoção, de adoração. Ali o Deus de Abrãao, Isaque e Jacó é lembrado e cultuado.

Antes Israel estava incompleto porque a sua capital estava sob domínio árabe, agora Israel tem a sua capital, todavia permanece incompleto… Os árabes dominam o monte Moriá; Construíram na área do templo uma de suas mais famosas mesquitas. Os judeus não podem reconstruir o seu templo, nem cultuar o seu Deus conforme a Lei.

O culto, na forma como prescreve a Torah (A Lei de Moisés), cessou no monte Moriá por volta do ano 70 AD, quando os exércitos de Tito, após anos de combate conseguiram por fim romper as defesas de Jerusalém e destruir a cidade, ateando fogo a tudo, inclusive ao Templo.

Alguns anos antes, quando os discípulos de Jesus, impressionados, comentaram com ele a respeito do tamanho das pedras e a grandeza do templo, Jesus respondeu aos comentários de uma maneira totalmente desencantada, posto que não era de se deixar levar pela aparência das coisas. Surpreedendo seus discípulos, profetizou a queda da cidade e a destruição do próprio templo.Não ficará pedra sobre pedra…”

Como palavra de rei não volta atrás, cumpriu-se o vaticínio à risca. Alguns historiadores o atestam, confirmando o seu cumprimento com uma curiosidade histórica. Visto que havia muito ouro no templo, o incêndio derretera o metal que escorrera por entre as pedras, levando soldados e saqueadores a remover as tais pedras, uma por uma, no afã de colocar a mão sobre o prêmio precioso.

Quanto a si mesmo, desafiou com um enigma os seus futuros algozes, numa espécie de santa provocação dizendo:  “Derrubem esse templo e em três dias o levantarei!” Os seus interlocutores, revoltados redarguiram julgando como ultraje as palavras do Galileu. Acharam que se referia ao seu suntuoso templo que havia levado cerca de 50 anos para ser construído.

Não entenderam nada! Continuam sem entender! Enquanto não abrirem o coração para entender e receber o seu Messias permaneçerão aos pés do Muro, lamentando. Uma nova era estava para ser inaugurada. Um novo paradigma seria introduzido onde o templo seria o próprio coração do homem. “Tempo vem, e já é chegado, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade”. Lamentarão ao pé do muro enquanto não entenderem esse mistério.

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7 comentários sobre “No Muro das Lamentações

  1. Dora disse:

    Paz. Pr Luiz Abençoado

    Eu na minha cequeira também não queria enxergar,
    hj graças ao Senhor Jesus e ao senhor e a minha mentora, e o Senhor Jseus vivi entre nós. Derrubaram o templo e no terceiro dia ressucitou dos mortos. amém

  2. «Nada é permanente neste mundo cruel. Nem mesmo os nossos problemas.»

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  3. donizeti garcia disse:

    Em primeiro lugar, como gostaria de poder ver este maravilhoso lugar em uma visão humana.
    Em segundo, como é maravilhoso eu ter visto o Meu Senhor, meus choros e lamentações não estão postos em uma fresta de um muro, mas nas mãos de um Deus vivo.

  4. luiz leite disse:

    VAmos visitar Israel e seria o maior prazer ter voce na caravana…
    Prepare as malas…

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