Mapa e Bússola

Mapa e Bússola

Por Luiz Leite

A vida é um mar, um oceano, uma selva… é vasta, vastíssima! Por essa razão é muito comum perder-se nela. Na verdade a proporção dos homens que se sentem perdidos é absolutamente maior do que aquela daqueles que se dão por “achados”…

Nos tempos em que eu me dedicava mais à poesia e sonhava em viver da pena e ofício impossível de poeta, escrevi um poema que dizia:

“Eu vi o balé das sombras

No passo incerto dos ébrios

Enquanto a noite ia alta

E a cidade dormia

Vi homens sem ter um norte

Vagando ao sabor das ondas

Qual náufragos à deriva

Nos oceanos do tédio…”

Ficaremos sem dúvida perdidos, sem ter um norte, quando nos faltar uma bússola, um mapa. O drama de não saber onde se está e para onde se vai, é suficiente para gerar angústia farta para uma vida inteira!

As Escrituras funcionam como aquelas duas ferramentas fundamentais para aquele que precisa se achar. A Bíblia é bússola. É mapa. Mapas e bússolas são imprescindíveis a qualquer navegador. Cada um desses instrumentos tem função específica. O mapa serve para nos localizar. Nos diz onde estamos. A bússola por sua vez serve para nos orientar, para nos nortear. Mostra a direção a tomar.

Jesus, observando a profunda ignorância dos seus contemporâneos, disse: “Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22.29) O verbo errar aí, no grego (planao), dentre outras acepções, significa também: “perder o caminho”.

É apenas óbvio que erraremos, nos perderemos, daremos volta em círculos, desperdiçaremos tempo e energia preciosos se insistirmos em prosseguir sem estarmos munidos de mapa e bússola. Os nossos esforços para sair dessa selva imensa vão resultar infrutíferos.

Não subestimemos pois a Bíblia. Como disse S. Jerônimo: “Ignoratio Scripturarum, Ignoratio Christi est”. O ponto de encontro entre o homem e o Verbo é a Escritura. Jesus disse, “(…) são elas que de mim testificam”.

A Bíblia tem informações que nos poderão salvar, se as acatarmos, é claro. Estudá-la é imensamente interessante. Eu disse estudá-la! A leitura casual da Bíblia pouco poderá produzir em termos de conhecimento, e a revolução que o conhecimento da mesma poderia acarretar permanecerá sufocada pelas forças reacionárias da alma. Na superfície, fica-se à mercê de medos infundados e tende-se à preconceitos de toda sorte…

Estude-a com real interesse e prossiga. Ela te apontará as melhores soluções quando voce se vir perdido no emaranhado de complicadas situações que envolvem o homem no dia a dia. Boa leitura!


No Muro das Lamentações

Ao pé do muro

Por Luiz Leite

Após oito meses vivendo em Israel, finalmente lá estava eu, com quipá na cabeça, em frente ao lendário muro. O “muro” na verdade é uma imensa e respeitável muralha formada por grandes blocos de rocha. Impõe respeito. Se a muralha (apenas parte do que restou) era assim imponente, o que dizer do templo!

Escrevi meus pedidos de oração em um pedaçinho de papel, conforme a tradição, aproximei-me com reverência do lugar tão sagrado aos judeus e depositei em uma fresta a minha petição. Ali, ao lado de soldados, rabinos e turistas, fiz minha oração silenciosa. Lamentei a cegueira espiritual de Israel, mas logo me dei por consolado, pois foi exatamente por causa da sua cegueira que nós gentios pudemos ser “enxertados” na Videira. Estava escrito.

Cheguei em Jerusalém, a cidade do grande Rei, exatamente no dia em que celebravam o seu aniversário. Os festejos religiosos e civis, as luzes, a alegria brevíssima de um povo que conhece bem a efemeridade dos momentos felizes, me envolveram rápida e completamente.

Eu que passara os últimos oito meses na “roça”, morando e trabalhando num Kibbutz no norte do país, na alta Galiléia, agora estava na cidade, mas não era uma cidade qualquer, estava em Jerusalém, tomada por Davi, o belemita, dos arrogantes Jebuseus, há cerca de três mil anos!

Até 1966 não havia motivo para grandes celebrações posto que a capital judaica permanecia ainda sob o domínio árabe. Os judeus haviam retornado em 1948 para a Palestina após um longo e sofrido exílio, mas não poderiam se sentir completos enquanto Jerusalém estivesse nas mãos dos primos rixosos. Com a lendária guerra dos Seis Dias, movida pelos árabes, Israel, cercado pelas nações inimigas que intentavam varrê-la do mapa e empurrá-la para o Mediterrâneo, numa reação inesperada pelo agressor, não só colocou em fuga os exércitos inimigos como tomou territórios preciosos daqueles, como as Colinas de Golan, a Península do Sinai e a sua velha e querida capital. Foi a partir de então que passaram a escavar. Depois de vinte anos de escavação o muro como hoje o conhecemos surgiu.

Sentado em um Café, enquanto observava o movimento alegre e curtia o burburinho daquele lugar exótico, considerava a frustração dos judeus por ainda não terem acesso ao monte do Templo. Apesar de haverem “recapturado” a cidade, a área do Templo permanecia sob controle dos Palestinos. Decidiram não tocar na mesquita árabe, o Domo da Rocha, levantada exatamente sobre a área onde um dia esteve o templo de Salomão.

Sofrem hoje com a humilhação de terem que se contentar com a restrita área do Muro, chamado das Lamentações, que na verdade não se presta somente à lamúria como o seu alcunha sugere. É um lugar de devoção, de adoração. Ali o Deus de Abrãao, Isaque e Jacó é lembrado e cultuado.

Antes Israel estava incompleto porque a sua capital estava sob domínio árabe, agora Israel tem a sua capital, todavia permanece incompleto… Os árabes dominam o monte Moriá; Construíram na área do templo uma de suas mais famosas mesquitas. Os judeus não podem reconstruir o seu templo, nem cultuar o seu Deus conforme a Lei.

O culto, na forma como prescreve a Torah (A Lei de Moisés), cessou no monte Moriá por volta do ano 70 AD, quando os exércitos de Tito, após anos de combate conseguiram por fim romper as defesas de Jerusalém e destruir a cidade, ateando fogo a tudo, inclusive ao Templo.

Alguns anos antes, quando os discípulos de Jesus, impressionados, comentaram com ele a respeito do tamanho das pedras e a grandeza do templo, Jesus respondeu aos comentários de uma maneira totalmente desencantada, posto que não era de se deixar levar pela aparência das coisas. Surpreedendo seus discípulos, profetizou a queda da cidade e a destruição do próprio templo.Não ficará pedra sobre pedra…”

Como palavra de rei não volta atrás, cumpriu-se o vaticínio à risca. Alguns historiadores o atestam, confirmando o seu cumprimento com uma curiosidade histórica. Visto que havia muito ouro no templo, o incêndio derretera o metal que escorrera por entre as pedras, levando soldados e saqueadores a remover as tais pedras, uma por uma, no afã de colocar a mão sobre o prêmio precioso.

Quanto a si mesmo, desafiou com um enigma os seus futuros algozes, numa espécie de santa provocação dizendo:  “Derrubem esse templo e em três dias o levantarei!” Os seus interlocutores, revoltados redarguiram julgando como ultraje as palavras do Galileu. Acharam que se referia ao seu suntuoso templo que havia levado cerca de 50 anos para ser construído.

Não entenderam nada! Continuam sem entender! Enquanto não abrirem o coração para entender e receber o seu Messias permaneçerão aos pés do Muro, lamentando. Uma nova era estava para ser inaugurada. Um novo paradigma seria introduzido onde o templo seria o próprio coração do homem. “Tempo vem, e já é chegado, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade”. Lamentarão ao pé do muro enquanto não entenderem esse mistério.

Convite à Revolução!

Convite à Revolução

Por Luiz C Leite

Tudo é possível ao que crê. Essa é sem dúvida uma afirmação estonteante! Não temos e provavelmente jamais teremos idéia do que Jesus estava querendo dizer com essas palavras! Fato é que ele está se referindo a uma grande e inimaginavelmente insondada capacidade inerente ao ser humano.

Somos criaturas dotadas de uma mente maravilhosa, infinita, mas tragicamente aleijada pela configuração limitadora que recebemos. Estamos encapsulados em um mundinho por demais medíocre e que em muito pouco corresponde a essa potencialidade incrível oculta em nosso interior.

Há placas de preconceito e intolerância por todos os lados advertindo-nos a não ultrapassarmos…Há ameaças, medos infundados, cercas, arame farpado, tudo para nos fazer lembrado que não há como intentar contra esses limites sem sairmos feridos, sangrando…

Intimidados pelas ameaças deixamo-nos domesticar (ou somos domesticados à força) pelos condicionamentos socio-político e culturais; rendemo-nos aos benefícios da conveniência, e, mansa ou covardemente nos ajeitamos preguiçosamente nas poltronas enganosas daquilo que aprendemos ser política ou religiosamente correto…

O homem não é aquilo que aparenta ser. É mais. É maior. Transcende. Transborda o seu próprio copo. O que aparenta ser é tristemente apenas aquilo que veio a ser, produto dessa configuração que o restringe e desfigura, ainda que o faça com o intento de educá-lo!

O homem assimétrico, caótico, está aprisionado na sua camisa de força cultural e não tem como escapar. Empobrecido, aleijado em seu intelecto, confuso, é um flagelo, um rascunho disforme que nem sequer se assemelha àquilo que é em essência. O que se vê é apenas o que veio a ser, jamais o que poderia ser, de fato.

Nós (voce comigo), os pensadores, estamos fadados a descobrir porque as coisas são como são, ou porque se tornaram o que se tornaram, sem contudo ter respostas substanciais que conduzam a solução definitiva para o problema. Assim sofremos. Resta-nos gritar com todas as forças, ainda que desse esforço resulte apenas um gemido sufocado, reprimido, censurado, que não concordamos com esse sistema…

Bonhoeffer, nosso herói controverso, resolveu resistir. Resolveu dar o grito. Eram tempos de extremos. Eram dias de dor. O desespero o levou à tomar uma rota, talvez inspirada pelos Zelotes, que assumia os riscos, certo de que era melhor morrer, a continuar assistindo passivamente o teatro de horrores promovido pelo III Reich.

Rogo-vos (…) não vos conformeis (…) antes, transformai-vos (…) (Rm 12) Não con-formar sugere que não tomemos a forma, não entremos na fôrma; é uma proposta subversiva, convite ao levante, à sublevação contra o cabresto… Esse é o Evangelho! O desafio é trans-formar, buscar, pela renovação da mente, a imagem e semelhança em que fomos esculpidos, e que de alguma forma se perdeu na vertigem da queda… Transforme pois, ou morra na fôrma!

Convite

Se voce puder comparecer ao lançamento eu ficarei honrado!

VEJA O VIDEO

Ps.: Adquira o livro nas livrarias Mundo Evangélico e Leituras de Belo Horizonte ou faça o seu pedido pelo email: ictus33@ig.com.br

Luiz Leite

Narcisismo e Disciplina

Narcisismo e Disciplina

Por Luiz C Leite

Se tivéssemos mais disciplina iríamos muito mais longe e realizaríamos grandes coisas. Sem disciplina, entretanto, ficaremos dramaticamente aquém do belíssimo potencial com o qual fomos dotados. Quando nos perguntamos por que a disciplina é um fator tão escasso na vida de tantas pessoas, precisamos averiguar algumas condições que determinam a presença da disciplina. Disciplina está relacionada a maturidade, aquela noção de responsabilidade que leva a pessoa a confrontar-se e tomar medidas concretas que a obriguem a enfrentar os fatos de maneira adulta e inteligente.

Não vamos encontrar disciplina nas crianças porque lhes falta essa maturidade necessária para se perceberem responsáveis pelos rumos que sua vida irá tomar. Essa disciplina, portanto, só poderá ser encontrada em indivíduos adultos, mas ainda assim, não são muitos os adultos que apresentam níveis de disciplina que sejam condizentes com a sua idade cronológica.

O fato, é que um número muito grande de homens permanecem, apesar dos anos acumulados, infantilizados psiquicamente. Para verificar isto basta observar os jogos nas relações diárias entre pessoas supostamente maduras. Há toda uma rede de chantagens e mecanismos de controle e manipulação regendo as relações humanas, coisas próprias dos processos infantis de característica egocêntrica e marcadamente narcísica.

Esse funcionamento é facilmente observado nas relações diárias do “mundo adulto”. É comum vermos homens e mulheres maduros cronologicamente recorrendo a expedientes infantis em seus conflitos interpessoais, regredindo a uma infância remota da qual, de alguma forma ainda não se desatrelaram.

A esses está vedado o caminho do sucesso. Podem até alcançar o estrelato, a fama, (é que Narciso acha feio o que não é espelho) mas tais são apenas esboços incompletos de sucesso! Quem não consegue ter sucesso nos seus relacionamentos, sucesso em lidar com gente, jamais saberá o que é ser bem sucedido, ainda que ganhe o mundo inteiro!

Extraido do livro O PODER DO FOCO (Direitos reservados)

Para ver video acesse: http://www.youtube.com/watch?v=Aazw5VBHdZc