O Poder do Foco

O Poder do Foco

Por Luiz C Leite

Carreguei por muitos anos uma frustração que mais parecia uma maldição lançada pelo Ultraje a Rigor no início dos anos Oitenta que dizia: “A gente faz música e não consegue gravar…inútil…a gente somos inútil!” (Se voce tem mais de 30 possivelmente se lembra do refrão) Eu que compunha música popular na época, que ganhei festival, que cantei pra “bicho grilo”, que sonhava gravar um LP, acabei vendo o sonho desvanecer… Compus muitas músicas, mais de uma centena, não consegui gravar nenhuma e acabei me esquecendo de quase todas.

Escrevia poesia, linhas graves e versos brancos graciosos que, se assinados por um Quintana, Patativa do Assaré ou Cora Coralina, seriam sem dúvida celebrados e recitados por esse Brasil afora. Sonhava ser poeta, e mais, viver de poesia! Delírio completo… A pretensão de viver de versos com ou sem métrica originava-se da idéia que fazia de que “Drumonds” surgiam como capim que por todo canto se encontra!

Dos poemas e crônicas que também produzi, decidi por imposição da necessidade de sublimar, começar a escrever meu primeiro livro. Tomei gosto e não mais parei. Já no sétimo livro e com mais três ou quatro em andamento, acordei, como de um pesadelo, assombrado pelo Ultraje a Rigor fazendo caretas e, com suas guitarras estridentes cantando: “A gente escreve livro e não consegue publicar…inútil…” Quase tive um troço. Calei a boca do Ultraje a Rigor quando disse pra mim mesmo: “Pois vou publicar meus livros sim!”

Fechei o foco sobre a paixão que me move, sobre aquilo que gosto de fazer, cri na minha potencialidade, organizei minhas forças e perseverei… Resultado? Está publicado o primeiro livro. O Poder do Foco não é apenas um bom livro para se ler, é uma leitura fundamental para aquele que necessita rearranjar seus potenciais e reinventar sua história. Voce sem dúvida vai gostar! Boa leitura!

Ps.: Se voce quiser receber um exemplar envie um email para ictus_33@hotmail.com para maiores informações.

Para ver video acesse: http://www.youtube.com/watch?v=Aazw5VBHdZc

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Nietzsche, esse louco…

Nietzsche, esse louco…

Por Luiz Leite

A última coisa que eu haveria de prometer seria “melhorar” a humanidade. Eu não haverei de erigir nenhuns novos ídolos…derribar ídolos (a minha palavra para ideais), isso sim é que faz parte do meu ofício”.

Ler Nietzsche é perigoso para os despreparados. Poucos ultrajaram o sistema, e em particular, a sociedade cristã de forma tão agressiva e sangrenta quanto ele. Sua filosofia demolidora pode despertar aquele que sonha, e pior, conduzí-lo a um pesadelo. Segundo Freud, Nietzsche alcançou um grau de introspecção anímica jamais alcançado por alguém e que dificilmente alguém voltará a alcançar um dia.

Esse olhar para dentro, que faz com que os homens despertem da doce ilusão com a qual seus muitos ídolos os envolvem, é ao mesmo tempo um exercício desejável e assustador. Quantos de nós estão preparados para a desilusão de um encontro frontal com sua alma desnuda? Quantos estariam preparados para encontrarem-se com o homenzinho encarquilhado e, humildemente reconhecer: “Esse sou eu!”

A natureza humana tenta esconder por todos os meios o homenzinho encarquilhado, mas de que adianta negá-lo, escondê-lo, se ele teimosamente permanece lá? Nietzsche encontrou-se com a verdade a respeito de si mesmo, o homem caído, e fez questão de publicar as misérias e mazelas da espécie. Não considerou que essa criatura falida poderia nascer de novo para uma realidade outra. Que pena que não tenha ido, na calada da noite, às escondidas, se encontrar com Jesus, como fez Nicodemos, para ouvir a respeito da possibilidade fantástica do novo nascimento!

Por mais trágico que pareça, o homem não é um caso perdido. Nietzsche infelizmente falhou em reconhecer no Cristo a salvação dos homens e tentou aniquilar a única esperança que resta à humanidade, investindo enlouquecidamente contra o mesmo… Perseguiu a Jesus e a seus seguidores como um Saulo enraivecido…Resultado? Morreu louco!

Será que, como Saulo de Tarso, teve a oportunidade de ouvir o som da voz majestosa que despedaça os cedros do Líbano a dizer-lhe: “Nietzsche, NIetzsche, por que me persegues? Dura coisa é para ti recalcitrar contra os aguilhões?” Espero que sim, e mais, espero que tenha feito as pazes com o Crucificado antes do rompimento do fio de prata, antes do último suspiro…

Filho e neto de pastores protestantes, quem sabe não voltou pra casa, como um pródigo mulambento, mas salvo? Agora imagine, que surpresa seria encontrarmos esse maluco nas mansões celestiais! Pois é, só aguardando…


Homem Fragmentado

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O Homem Fragmentado

Por Luiz C Leite

Para mim, é quase impossível ler as notícias veiculadas pela mídia (que desinforma e aleija) sem colocar o homem na perspectiva histórica, sem considerar o seu longo e sinuoso itinerário até aqui. Observar o homem em seu manquejar claudicante através das páginas da história é um exercício que produz estados de perplexidade variados, proporcionando sentimentos dúbios, desde celebrações exaltadas à impressões confusas e abatimento profundo…

Entender a criatura humana é absolutamente difícil, explicá-la, impossível! Mesmo que a desmontemos, como sugeria Descartes, reduzindo-a a nacos menores, para melhor entendê-la, ainda assim nos veremos surpreendidos; Mesmo que a dissequemos, num detalhado estudo de anatomia, como Da Vinci faz com o seu homem vitruviano, ainda assim nos encontraremos com poucas respostas e perguntas de sobra.

A mim muito incomoda ver o homem frustrado, acabrunhado num ensimesmamento negativo e adoecido. Sinto assim de forma doída o fracasso dos homens. Sempre que encontro essa criatura fantástica que é o homem, acuado em um canto qualquer, como animalzinho assustado, sou tomado por indizível tristeza. Ainda que encontre essa realidade impressa na vida do outro, ainda assim dói… Dói porque o outro sou eu!!

O homem não foi projetado para a pobreza (seja ela qual for). A experiência da escassêz é uma agressão aviltante. Talhada para a grandeza, encontramos a criatura humana diminuída em todos os cantos; A nobreza deu lugar a uma mesquinhêz que não encontra paralelo em nenhum outro ser (deste mundo). Em flagelos, fragmentado, perdido, esse é o quadro. Irremediavelmente perdido. Por essa e por outras é que a raça necessita de um salvador, de alguém que, vindo de fora, lhe sirva de ponte para uma realidade outra que não aquela em que encontra-se chafurdada.

Jesus veio e disse: “Se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados”. Com essa e muitas outras afirmações, se apresenta como referência única de homem inteiro, através do qual podemos ser curados, libertos, salvos… Ousado, reivindica “Ego sum via, veritas et vita” (Eu sou o caminho, a verdade e a vida).

Enquanto não se prostrar diante do Cristo de Deus, o homem permanecerá fragmentado, perambulando em andrajos pelos séculos afora, pois, como disse o Apóstolo Pedro: “não há outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos”. Felizmente a fragmentação do homem é uma tragédia que pode ser revertida. O desfecho desta estória não precisa terminar em cacos…Basta render-se ao Senhorio do Salvador, o restaurador de homens!

Yom Kippur

Yom Kippur – Dia do perdão

Por Luiz C Leite

Está chegando o ponto alto no calendário de celebrações judaicas, que geralmente acontece por volta de setembro/outubro. Minhas memórias me conduzem a um tempo que hoje me parece tão precioso quanto louco, que foi a minha decisão de conhecer a Terra Santa, mas de forma diferente daquela que caracteriza o turista religioso.

Eu que tinha ido a Israel para passar três meses, com a finalidade de conhecer in loco os vestígios de uma história que conhecia apenas pelos livros, já estava extendendo a minha estadia para nove meses, e isto numa fazenda encravada numa área disputada a balas, próximo às colinas de Golan e o sul do Líbano. Haviam conseguido me convencer a ficar além do previsto e foram assim renovando o meu visto de permanência. Por último já tentavam me convencer a ficar definitivamente no país, oferecendo todo o respaldo necessário. Quase cedi à sugestão dos meus “javerim” (amigos).

Após sair da sinagoga naquela manhã agradável de sábado, perambulei vagarosamente ao longo do Jordão, aquele riozinho que para nós no Brasil seria um ribeirão, mas que da persperctiva da história assume proporções amazônicas; Enquanto observava a paisagem ao meu redor, ia me dando conta de como tudo já ia se tornando tão familiar. Era como se minha alma antiga já vivesse ali há muitos anos.

Parei à beira do rio em um lugar especial onde fazia minhas leituras e meditações nas horas de folga; Imerso num silêncio bucólico e em completa solidão resolvi, por um momento, apreciar a longa planície que se espraiava verde em direção ao norte. Ao longe levantava-se imponente o Hermon, com suas neves eternas, presença majestosa que marca os domínios da milenar terra dos cedros, o Líbano.

Uma saudade milenar não sei do quê me invadiu o ser, enquanto os meus olhos corriam os campos onde tantas batalhas haviam se travado e Deus apenas sabia quantas ainda iriam se travar. Não muito longe dali, visitara a poucos dias, uma fortaleza cruzada, onde cristãos e muçulmanos mediram armas mais de uma vez pela supremacia da região. Os ecos de um passado remoto ainda podem ser ouvidos por lá! Quantas machucaduras, quantas marcas, quantas cicatrizes deixadas na terra da promessa!

Não entendi quase nada da ministração do Rabino durante o culto na sinagoga naquela manhã, uma vez que meu hebraico estava nos seus primeiros estágios, mas capturei profunda e sentidamente a significação daquele momento. Perdoar é preciso. Não é possível continuar, carregando nas costas o verdugo que nos infligiu aflição indizível e espatifou nossas almas… Tentar prosseguir sem liberar perdão é a mesma coisa que escolher por revisitar a dor que nos foi imposta, e a cada manhã chorá-la e ressentí-la indefinidamente… Imaginava que não devia ser um exercício fácil para os meus amigos judeus, mas de alguma forma eles não poderiam ter chegado até aqui se não tivessem aprendido essa amarga lição.

Curiosamente o Yom Kippur (dia do perdão) no calendário judaico acontece após a passagem do Rosh Ha Shaná (ano novo). Não pode haver “ano novo” sem liberação de perdão! Para que haja renovo, restauração, é necessário jogar o lixo fora, é necessário desfazer-se das emoções doentes, das memórias doloridas… Ou aprendemos a ressignificar a dor e assim assumimos o curso da nossa trajetória emocional, ou então nos tornamos vassalos dela, vivendo um pesadelo de sentimentos que irão nos aguilhoar a alma até que decidamos tomar o amargo mas eficiente remédio de Deus para a cura das almas, o perdão.

Ao entregar o meu jejum naquele dia, aprendi que não pode haver festejos de Rosh Ha Shaná se não passarmos pelo Yom Kippur! Shaná Tová! (Feliz Ano Novo!)