A minha praia

Por Luiz C Leite

Reserva Quitanduva, SP, Junho 2007

Finalmente cheguei à praia, depois de longa caminhada por uma trilha sinuosa através da mata. A subida íngreme através do imenso paredão verde se impõe como desafio aos aventureiros que buscam o refúgio dessas águas escondidas. A descida acidentada descortina aos poucos o cenário paradisíaco que parece intocado desde que o mundo foi criado. O encontro das águas do oceano com os paredões de rocha costeira reproduz os acordes da canção milenar que compõe a trilha sonora desse belíssimo espetáculo.

A natureza sempre me fascinou e atraiu muito mais que a beleza artificial dos shopping malls; não que seja assim tão avesso a tais ambientes, como se padecesse de alguma fobia, o fato é que estar em contato com a natureza sempre exerceu grande poder sobre mim devida às minhas origens. Por essa razão é que sempre que posso me recolho aqui nesse completo abandono; o que para alguns poderia ser insuportável para mim é motivo de muito prazer.

Já molhado pelas águas bravias da maré cheia, que bate com sua proverbial insistência contra os rochedos que entrecortam a paisagem, eu digo para mim mesmo, “encha os olhos deste azul e saboreie o momento”. Olhei para os céus azuis daquela manhã única, respirei fundo tomado por um sentimento de reverência e arrebatamento diante da beleza do lugar e me preparei para a etapa mais perigosa da minha jornada.

Depois da exaustiva caminhada pela selva até chegar à praia, faltava agora vencer um trajeto longo e perigoso sobre as rochas, até chegar ao lugar onde eu planejava mergulhar. Desde há algum tempo o mergulho livre havia se tornado pra mim a mais aprazível e estimulante combinação de esporte e lazer que existia.

Com o equipamento de mergulho nas costas, dei os primeiros passos em direção ao lugar onde desejava mergulhar naquela manhã. Não havia caminho pela mata para alcançar o tal lugar desejado e o acesso só era possível pela água ou pelas pedras. Até pensava em abrir uma picada através da selva para evitar o perigo de caminhar sobre as pedras, mas isto envolveria outros riscos adicionais que preferira evitar.

O meu corpo começou a mover-se sobre as pedras com a leveza e segurança de um cabrito montês. Enquanto dava saltos de um rochedo para outro, me maravilhava com a precisão com que os passos eram dados entre uma pedra e outra; dados eram colhidos, cálculos eram feitos, tudo de forma completamente maravilhosa, sem que para isto o eu consciente precisasse recorrer a qualquer fórmula matemática. Coisa do hipotálamo pensei comigo, aquele pequeníssimo dispositivo responsável por tudo isto.

Talvez outra pessoa que não gostasse tanto de mar e mergulho não empreendesse aquela marcha arriscada apenas para estar sozinha no meio do nada. Aos 44, jovem e ágil, o que para alguns poderia ser apenas uma atividade perigosa e extenuante, para mim era um prazer, e chegaria aos 100 anos fazendo esse tipo de coisa. O fato, entretanto, é que as coisas que nos dão prazer e que nos motivam através da vida muitas vezes mudam de endereço pelos anos afora.

Enquanto me movia cuidadosamente, ora pulando de pedra pra pedra, ora galgando rocha maior, vencendo lenta e persistentemente os obstáculos que se apresentavam, ia meditando na semelhança que deveria haver entre aquela situação e a vida de uma forma geral. Eu havia me programado para passar aquele dia naquela determinada praia onde praticaria o meu mergulho. O alvo diante de mim, o ponto onde eu queria chegar, era desejável e prazeroso. Os obstáculos existiam sim, mas a alegria de realizar o sonhado mergulho era suficientemente grande para me colocar em movimento.

Uma pergunta que todos deveriam fazer a si mesmos de vez em quando é se aquilo que estão fazendo é desejável o suficiente para compensar os esforços que serão despendidos. Deve haver algo na vida que te mova de uma maneira incomum, que te estimule a enfrentar desafios e obstáculos com alegria; deve haver em algum lugar uma praia paradisíaca, onde você gostaria de estar. Este é o seu sonho, esta é a sua razão de viver. Organize-se em torno da sua paixão, programe-se e coloque-se a caminho. Certamente o bônus compensará o ônus!

Na medida em que os desafios do trajeto iam surgindo, eu escolhia cuidadosamente as opções diante de mim. Sempre havia mais de uma. Assim é a vida. O que estou fazendo nesse momento? Imagino que você esteja caminhando para sua praia secreta, aquele lugar onde você deseja estar. Pois bem, não desista, continue. Escolha cuidadosamente cada opção e prossiga. Mesmo que seja cansativo, mesmo que o trajeto seja extenuante, não pare. Vá rompendo os obstáculos, superando as dificuldades. Siga o seu plano. Concentre-se no seu alvo. Se você está certo que a direção é esta, então o resultado compensará cada gota de suor derramada no percurso!

Extraído do Livro O Segredo do Foco de Luiz C Leite

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10 comentários sobre “A minha praia

  1. É verdade Pr.Luiz o homem desiste do seu sonho no primeiro obstáculo que encontra, as vezes eu sou assim, mas não posso desistir com facilidade, tenho que enfrentar as correntezas e as mares altas da vida. Um abraço DOri

  2. É isso amiga! Temos que enfrentar as correntezas e é bom lembrarmos que ninguém vai fazê-lo por nós, não é mesmo?? Vai adiante, esforçe-se, enfrente os obstáculos e sobretudo supere-os… no fim das contas terá valido a pena!
    Abraços

  3. Olá Pr. Luiz!
    Graça e paz!
    Voltei hj das férias… ainda não pude ler os e-mails e tão pouco respondê-los, mas dei uma passadinha aqui e valeu a pena!
    Vou lendo seus escritos aos poucos… São edificantes, como sempre!
    Que o Senhor continue te capacitando e abençoando dia após dia!

    Infelizmente não pude visitar a IEVC, pois estava acompanhando meu pai para radio e quimioterapia, e depois fui ao RJ descansar um pouco.. mais ainda vou lá.

    Abração e até +

  4. Ei Celia! Obrigado pelo comentário. Que Deus abençoe o seu papai. Graça e paz
    Abração.

  5. Meu amado irmão fico feliz e com um grande orgulho no peito de ser parte da sua historia de poder lhe chamar de amigo, louvado seja o nosso Deus e Pai em Crisato Jesus por estar usando este simples e amado amigo chamado Luiz ou Luizinho ?

    E ai mano caou como vai , mande noticias…
    WELL

  6. Cara é tu mano?? que saudade! que legal que voce achou meu blog…Mantenha contato e vamos ver se nos encontramos qualquer dia desses aí em Santos.
    Abração.

  7. Hey pr. Luiz!!!!!! Que analogia!!!!!!!!!! Eu tava lendo, lendo, lendo e lendo… e imaginando: “Onde e que isso vai dar?!?!?!?!?!?!?!?!” Wow! Que desfecho!!!!! Eu to SUPER FELIZ porque ja tenho esse livro garantido pra minhas ferias!!!!!!
    Algo que sinto ser ministrado ao meu coracao nesse momento e em relacao a foco. Quando vi o comentario do seu livro me interessei por ter tudo a ver com “my struggles” aqui. E Papai me trouxe a memoria esse tema:foco! E isso que tem me trazido forca e alegria a cada dia. E ja tenho seguranca, que seu livro sera “um mana” no meu tempo de descanso na terra brasilis.
    Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito obrigada por compartilhar “seus rabiscos”, they are making the difference in my life!!!! =-D

  8. Fico muito contente Susy. Que Deus te abençoe ricamente e te ajude a desenvolver grande capacidade de foco.
    Graça e paz.

  9. Muuuuuuuuuuuchas gracias! En eso estamos dia tras dia!
    Nos vemos pronto si Dios quiere.

  10. Pingback: O que dizem os leitores… « um dedo de prosa

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