Religiões, filosofias, ideologias… Existe uma melhor que outra?

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Religiões, filosofias, ideologias… Existe uma melhor que outra?

Por Luiz Leite

Religiões, filosofias, ideologias, teorias, metodologias, por mais distintas que sejam, e por mais que, em certos aspectos, se hostilizem, têm um  ponto de contato onde se encontram e se beijam. Todas padecem de uma pretensão incorrigível, uma espécie de moléstia incurável, que é a presunção de apresentar ao mundo o melhor sistema, a melhor, a mais completa e certeira das escolhas. Temos visto nos últimos anos o Brasil mergulhar numa crise política e econômica sem precedentes. Na base do colapso político e econômico encontramos as crenças daqueles que tinham nas mãos as rédeas do país. Criam que tinham a melhor teoria política. Não bastasse a soberba pretensão política, achavam também que teoria econômica desastrada a nós apresentada alguns anos atrás pomposamente como a Nova Matriz Econômica, era a melhor aposta para reestruturar os fundamentos de nossa economia. Paremos por aqui, pois não quero que meu leitor passe mal!

Um sistema de crenças, quer seja religioso, filosófico ou político, uma vez construído, dificilmente poderá ser desmantelado. Morrem os homens, ficam as ideias. Às vezes, mesmo mortos os homens, séculos, milênios, serão necessários para o descarte de uma ideologia. Curioso e, em alguns casos, assustador, é ver a ressurreição de ideias que há muito já se consideravam extintas. No contexto da fé religiosa, o Arianismo, doutrina criada por Ário (256-336 d.C), em Alexandria, Egito, foi classificada como herética e Ário, seu autor, banido da igreja. Através dos primeiros séculos da igreja, entre muitas escaramuças teológicas, a heresia teve altos e baixos, até desaparecer… Entretanto, após séculos outras heresias tem surgido compartilhando o pensamento de Ário e sua cristologia. Por volta do final do seculo XIX nos EUA, surgiu um pequeno grupo de crentes que reuniam-se para estudar a bíblia. O pequeno grupo, mais tarde conhecido como a Sociedade da Torre de Vigia, traria das cinzas a heresia Ariana, pelo menos em parte, adotando uma forma semi-ariana de cristologia.

Teorias “científicas” há muito tidas como mortas, começam a se levantar de tumbas seculares como verdadeiros zumbis, pondo-se a caminhar por aí… Hoje encontramos nas redes sociais um debate inútil que discute se a Terra é mesmo um globo, como ensina a ciência moderna. Pois, incrível que pareça, há um grupo que contesta e procura provar que tudo não passa de um grande embuste, ou seja, os livros, cientistas, governos e mídias mentem numa espécie de conspiração sem sentido algum. É a teoria da Terra Plana. Milhares de pessoas, senão milhões, acreditam que a Terra não é um globo, mas uma estrutura plana!

Enfim, ainda que divergentes, e em alguns casos auto-excludentes, providenciando munição e combustível para alimentar guerras insanas, todas as religiões, ideologias políticas, linhas de pensamento filosófico ou científico, partilham a presunção de ter a melhor proposta, a melhor resposta para os problemas e dilemas da raça humana. Desse modo, o católico acha que tem a melhor versão do cristianismo, e mais, detêm as chaves do céu, um vez que sua doutrina afirma que fora da igreja (católica) não há salvação!

Permanecendo no universo das religiões, se considerarmos apenas os três grandes blocos monoteístas, judeus, cristãos e muçulmanos, fica claro para qualquer observador que os mesmos não se beijam. Por mais que não seja publicado, existe um certo desprezo de uns para com os outros, e até mesmo beligerância, notadamente por parte dos adeptos do Islamismo, contra judeus e cristãos. O mundo tem assistido com perplexidade os ataques constantes contra cristãos e judeus se repetirem praticamente todos os meses, senão semanas.

É difícil e até mesmo impossível julgar qual religião, ideologia política, pensamento filosófico é melhor… A princípio, por respeito à diversidade e por força do bom senso, cada uma é boa, à seu modo. Assim, compreende-se que o julgamento desses valores não é tarefa fácil, mas podemos bem nos utilizar de um critério certeiro que Jesus em seu ensino nos dá para que possamos observar, avaliar e tirar nossas próprias conclusões. A regra simples apresentada por Jesus diz que pelo fruto que se conhece a árvore. O critério não deve ser utilizado para julgar, mas para discernir e fazer diferença entre uma coisa e outra.

A julgar pelos frutos, evidências inequívocas do que uma e outra sociedade ou civilização produzem, podemos concluir se este ou aquele sistema é melhor ou pior. Há civilizações mais avançadas que outras, sem dúvida… De igual modo, há sociedades mais retrógradas que outras… Para se considerar os níveis de progresso, de avanço de uma determinada sociedade, o fiel da balança é o valor e os cuidados dispensados à pessoa humana. O simples indicador criado pela ONU no século passado, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), já nos aponta os frutos como resultado do seu nível de organização. A qualidade de vida que uma sociedade proporciona aos seus é o critério central de sua avaliação. Se há justiça social, se há respeito ao ser humano, se há condições básicas de saúde, educação, moradia, alimentação, emprego e segurança, então estamos diante de fatores sólidos, tangíveis, quantificáveis… Podemos sim, a partir desses fatores (indicadores) dar notas a esse ou aquele sistema e pelos seus frutos concluir: Este é melhor do que aquele!

Profetismo Desvairado

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Profetismo Desvairado
Por Luiz Leite

Estamos em 2017. Nem sei como chegamos até aqui! A julgar pelo profetismo desvairado que hoje encontra nas redes sociais grande vitrine e audiência, estamos no lucro… Ufa! Que alívio! O Brasil deveria ter sido destroçado em junho, em agosto, em setembro, em dezembro… Tudo isso em 2016!

Nossa economia, que já vinha flertando com o abismo deveria ter se precipitado num buraco sem fundo… Nossa política que já se encontrava nas mãos de um bando de corruptos certificados internacionalmente, deveria estar agora nas mãos de um renegado filho do cão… Nossas cidades litorâneas, já empesteadas pelo caos administrativo, dengue e crime, seriam devastadas por um tsunami de proporções impensadas…

Tudo isso em 2016, segundo videntes e sonhadores, todos falando em nome do Senhor. Muitas pessoas, das mais impressionáveis, talvez milhares, ficaram alarmadas, sob a sugestão tresloucada dos supostos profetas que, com vozes embargadas, enviaram suas mensagens, acompanhadas de datas tidas como certas para o cumprimento de seus augúrios.

Felizmente, o grande desastre na costa não aconteceu… Pude visitar minha mãe que mora no litoral e levar os sobrinhos à praia, pude nadar, mergulhar… Pude sentar—me relaxadamente e tomar água de coco com meus irmãos e irmãs enquanto as crianças brincavam nas águas tranquilas sob as cores de fins de tarde de beleza extravagante….

O grande desastre do mercado também não se concretizou (o que seria uma maldade para uma economia já tão combalida!). A economia segue, ainda que claudicante e frágil, dando sinais tímidos de recuperação… Não há espaço para enumerar aqui tantas profetadas destes supostos oráculos. Mais um ano pela frente e eles não se conterão. Logo estarão de volta, trazendo suas mensagens, recebidas em transes estranhos, visões e sonhos supostamente vindos do céu.

Foi por essas e por outras que Freud, dentre outros, voltou os olhos para esses fenômenos religiosos e os colocou sob os olhos desconfiados da suspeição. O que Freud e a psicologia vão colocar em questão é a validade destas e de outras muitas farsas que se pode observar no universo das religiões. E quando ousam afirmar que tais videntes padecem de alguma espécie de distúrbio psíquico não erram, nem com isso ferem o sagrado.

Por essa razão as Escrituras são extremamente inclementes com os tais profetas, pois são eles que comprometem e põem em descrédito o ministério dos profetas autênticos. Diz o SENHOR: “Acaso não tivestes visão de vaidade, e não falastes adivinhação mentirosa, quando dissestes: O Senhor diz; sendo que eu tal não falei? Portanto assim diz o Senhor Deus: Porque tendes falado vaidade, e visto mentiras, por isso eis que eu sou contra vós, diz o Senhor Deus.” (Ezequiel:13:7—8)

Fala Deus!

A Jornada

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A jornada

Por Luiz Leite

Estamos no início de mais um grande ano. Digo grande porque a jornada será bastante longa. Cobriremos cerca de 960 milhões de km! Do mochileiro ao caminhoneiro o consenso líquido e certo seria: É muito chão!

Em uma viagem tão longa assim é natural que um imprevisto ou outro venha a acontecer. Teremos que parar várias vezes e por várias razões. A vida, de modo geral, é mesmo assim. Como uma longa viagem. Há momentos que a gente vai ficar tão encantado com uma paisagem que vai querer parar, tirar foto, apreciar, contemplar… Em outros momentos seremos forçados, não por prazer ou escolha, a parar, diminuir a marcha, encostar …

Considerando a metáfora da viagem, na vida nem sempre as coisas fluem, nem sempre funcionam tão rápido e tão suavemente como gostaríamos… Há riscos, buracos na estrada, curvas perigosas, óleo na pista, motoristas irresponsáveis, embriagados e desatentos… Temos que cuidar de nós mesmos, mas estar também atentos aos movimentos dos outros.

Enfim, teremos momentos bons e agradáveis mas desencontros e dissabores também podem acontecer. O avião atrasa, o ônibus atrasa, o trânsito engarrafa, o carro quebra, a geladeira quebra, o gás acaba, o computador empaca, o relacionamento esfria… São as turbulências do vôo, as trepidações do caminho, os ruídos que agridem o silêncio… Em tempos assim os desesperados desesperam, os desequilibrados desequilibram, os loucos enlouquecem…

Não se desespere, não se desequilibre, não enlouqueça… quando as coisas se parecerem confusas, complicadas, quando você sentir—se temporariamente desorientado, tenha paciência, respire fundo, pense bem, pense melhor… Pode ser que você tenha perdido a conexão e o GPS está apenas esperando que a conexão seja restaurada… Ou, pode ser que você tenha deixado de seguir a rota por ele indicada e tomado um caminho errado, mas não se preocupe pois logo ele traçará outro itinerário.

Em situações assim muito vale a resignação dos santos, o recurso da fé, e até mesmo um pouco da indiferença dos estóicos, afinal podemos estar fazendo tempestade em um copo d’água, o que não é incomum. A jornada é longa. Procure manter—se conectado a Deus, não subestime o valor da oração, não negligencie o poder da palavra, não despreze a importância de congregar. Que o Senhor lhe conceda uma jornada feliz!

Feliz 2017
Luiz Leite

Planejamento

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Por Luiz Leite

O ano novo está logo ali! Estamos todos empolgados. Vamos começar mais um giro em torno do sol. Cantaremos, beberemos, dançaremos, celebrando o novo, mas, será que não continuaremos apenas repetindo o que já vinhamos fazendo? O que faremos? Como faremos? Para onde iremos? O que desejamos? Ah! Desejamos muitas coisas… Bom, podemos desejar muitas coisas, mas nada acontecerá se ficarmos apenas no desejo, certo?

Estou no momento no aeroporto de Brasília esperando meu próximo vôo. Todos os dias milhares de aviões decolam dos nossos aeroportos, milhões de carros tomam as estradas… Nenhum deles parte sem uma intenção e uma direção clara. Todos têm um plano. Dos tantos barcos que içam âncoras dos nossos portos a cada dia, todos sabem exatamente o que querem, onde desejam chegar. Seria inútil e até perigoso sair por aí sem um plano… Pois é exatamente assim que muitos milhões vão levando a vida.

Onde você quer ir? Onde deseja estar? O que intenciona alcançar ao longo e ao final da jornada de mais um ano (planejamento de curto prazo)? Na vida uma boa intenção é importante, mas não é suficiente. Estar bem intencionado apenas não basta! É imperativo que se esteja bem direcionado. Estamos prestes a embarcar em uma longa jornada. Serão muitos milhões de quilômetros, viajando a uma espantosa velocidade de cerca de 110 mil quilômetros por hora… Pois bem, qual a finalidade? Você tem um plano?

Algumas pessoas tem crenças limitantes acerca da importância de planejar. Para tais pessoas planejar causa desconforto. Julgam que com isso estariam de algum modo ferindo a soberania de Deus! Nada mais equivocado do que esta noção. Esta espiritualidade pouco refletida tem engessado milhões e milhões de pessoas em uma mentalidade não só triste como também pobre.

O  planejamento faz parte da natureza de seres inteligentes. Dotado com a capacidade de pensar, o homem afronta a Deus quando não faz uso de sua inteligência e, pior, usa a religião para justificar sua preguiça, sua indolência. Se Deus não quisesse que planejássemos, não nos teria feito inteligentes. Então vamos lá! Deixe de insultar o Criador, faça uso da benção da inteligência e planeje seus, dias, semanas, meses… Bem intencionado e bem direcionado, munido de um bom plano, o ano que inicia terá tudo para ser um sucesso! Feliz 2017!

HABEMOS HEROS

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Um país precisa de heróis. Aqueles ícones da historiografia que arrebatam, fascinam e inspiram… Com exceção dos heróis domésticos, nossos pais e mães, o Brasil é um país pobre em termos de heróis. Nossa história até que tentou produzir alguns aqui e ali, mas sem sucesso. A República, que nasceu às pressas, sem bandeira, sem hino – para nossa vergonha cantaram a Marselhesa, quando de sua proclamação! – e também sem herói, teve que chamar às pressas o pobre alferes mineiro Joaquim José da Silva Xavier, vulgo Tiradentes, do seu silêncio sepulcral, para servir ao novo regime como figura central no projeto republicano de unificar o grande e disperso país.

Tentaram nos convencer do heroísmo de Tiradentes, da bravura de Caxias, da ousadia de Dumont, mas apesar dos esforços dos artífices da nação, permanecemos sem heróis de fato! A futilidade de muitos dá mais projeção aos astros do futebol do que àqueles que se entregam à causas de maior relevância na construção da nação. Em palestra dia desses em Santiago do Chile, compartilhei com os presentes sobre o desconforto que sinto quando, ao dizer no exterior que sou do Brasil, vejo as pessoas relacionarem meu país ao futebol! Para nossa felicidade, entretanto, parece-nos que finalmente teremos um herói de verdade, alguém que deixará uma marca na história de que não se poderá esquecer facilmente, alguém de quem poderemos finalmente nos orgulhar!

Não é necessário dizer: “Guarde bem esse nome!” Sergio Moro não vai entrar para a história. Já entrou! E, não sei se melhor, ou pior, já virou mito, uma espécie de semi-divindade que vem conquistando a simpatia – e voto! – de milhões de brasileiros revoltados com a propinocracia que se instalou na vida pública como metástase! O cancro que já ia carcomendo tudo com uma voracidade assustadora deparou-se com um potente opositor!

O nome Sergio Moro tornou-se uma poderosa franquia cujo valor, talvez nem ele mesmo possa estimar. Estará grudado em nossa memória por muitos e muitos anos e, ainda que se diga que o brasileiro tenha memória curta, neste caso o mantra deve colarO jovem e destemido juiz da “instância agrícola de Curitiba”, assim pejorativamente designada pela defesa de Lula, será lembrado por muitos anos. Moro não é apenas destemido. É temido também. Está armado e é perigoso. Armado de provas fartas contra os desmandos de inúmeros políticos, empreiteiros, lobistas, doleiros, marqueteiros, e demais sanguessugas que há muitos anos, num conluio diabólico, vinham surrupiando verbas públicas.

Os programas sociais do governo populista que aparelhou e arrasou a economia do Brasil nos últimos anos, não passavam de um truque de ilusionismo… Encantou muita gente mundo a fora! Tanto os de lá – mormente a esquerda deslumbrada, é claro! – como os incautos do lado de cá, batiam palmas e conferiam ao mago ilusionista  e mentiroso confesso, diplomas de Doutor Honoris Causa, sem jamais desconfiar que, como faz o Cão, o Tinhoso, o Coisa ruim, dava com a colher e tirava com a concha.

Cabe ainda a metáfora que envolve o traficante e a população das áreas carentes espalhadas, para o nosso maior constrangimento, por todas as grandes cidades brasileiras. O traficante distribui favores à população e a população responde ao favorecimento ilícito, providenciando suporte ao traficante. Sim, era mais ou menos por aí que funcionava a política no Brasil. Sentíamo-nos (a maior parte da população) roubados, lesados, ludibriados, defenestrados, no mais lato dos sentidos. Estávamos angustiados, aflitos, governados por quadrilheiros de fato…

Em meio à tão grande desespero, – como estávamos angustiados! – para a nossa alegria, eis que surge, no meio do caminho, uma pedra! Bom, a partir daqui, já não é necessário dizer mais nada! Habemos heros! Temos um herói! Sem dúvida, a partir daqui, sem medo de incorrer  em um rasgo de empolgação otimista, a nossa história passa a ser reescrita. Possivelmente como a.M e d.M.! Obrigado Paraná! Obrigado Curitiba!

Internet, redes sociais e outras modernidades…

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Internet, redes sociais e outras modernidades

Por Luiz Leite

Quando a modernidade começou a se estabelecer de modo contundente a partir do séc XIX a humanidade, que não estava preparada para mudanças tão bruscas, teve que se adaptar, à toque de caixa, para assimilar o novo que, como dizia o poeta Belchior em sua canção épica, sempre vem.

Tabus centenários seriam reduzidos a pó na esteira de um furacão de novidades nunca antes vistas. O comportamento social passaria por modificações profundas. O famigerado banho, sim o banho, que por séculos, por recomendação médica devia ser evitado, agora passava a ser recomendado semanalmente… Alguns cometiam o excesso de tomar banho duas vezes por semana! Mulheres eram recomendadas a não lavar as partes íntimas pois comprometia a fertilidade!

O ambiente da medicina fervilhava com novidades. A ciência avançava. A “descoberta” do uso “medicinal” do tabaco pela comunidade “científica” recomendava o uso da droga como benéfico; profissionais da medicina emprestavam seu nome e reputação a campanhas de marketing que estimulavam os homens a fumarem… Estas, dentre tantas outras “descobertas”, às vezes nocivas,  às vezes inócuas, enchiam os jornais de novidades a cada dia.

A tecnologia, por sua vez introduzia o novo de modo assustador. O navio a  vapor, o trem, o automóvel, o avião, dentre outras invenções, eram vistas com reservas por muitos. Ouvia-se sermões acalorados condenando a invenção do avião pois, como criam muitos líderes de religião, a ousadia do homem “tentava o senhor Deus”, afinal o céu era para os pássaros, e não para os homens.

Algumas décadas mais tarde a televisão surgiria e seria resistida como um instrumento de satanás! Nos anos 80 surgiriam os primeiros PCs – os personal computers – e nos anos 90, a internet, maior revolução da informação desde a invenção da imprensa de Gutemberg. Este fenômeno recente – liberada no Brasil apenas em 1995 – ainda não foi devidamente assimilado pela primeira geração em seu contato com o novo.

Hoje ainda é comum ouvirmos no meio religioso, tradicionalmente conservador e, em certos aspectos reacionário, críticas à Internet, às redes sociais, como se tais coisas fossem crias do Demo… A Internet pode, sim, ser um ambiente maligno, nocivo, perigoso, dependendo do uso se faz dela. A título de exemplo, se a pessoa faz uso de seu carro de modo estúpido, pode vir a ter, ou causar, grandes e graves prejuízos. Há pessoas que revelam-se estúpidas ao volante… O carro, entretanto, nada tem a ver com tal estupidez!

De igual modo, a Internet é, em si, neutra. Certamente neste ponto eu serei contestado. Alguns insistiriam que não é neutra… É verdade que se oferece ali todo tipo de conteúdo. Ainda assim a escolha do site a ser acessado está no poder do internauta. O indivíduo pode perder-se no universo da pornografia, ou mergulhar no universo da teologia, da filosofia ou da poesia… Ao ver vídeos no Youtube uma pessoa pode ouvir palestras maravilhosas do TED, mensagens edificantes de pensadores seletos, ou perder horas assistindo vídeos sensacionalistas, de conteúdo questionável…

O mal uso da internet e das redes sociais por pessoas que buscam visibilidade do modo mais medíocre possível ou por aqueles que elegem sites fúteis para neles chafurdarem suas almas, não pode roubar o valor que tais ferramentas possuem! Enfim, a única coisa que pode fazer da Internet uma ferramenta estúpida, é o uso que os estúpidos fazem dela!

Construindo a vida sonhada

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Novo livro de Luiz Leite (Lançamento Editora Petrus)

Todo livro é um discurso sobre o mundo. Seja para entendê-lo, explicá-lo, ou, simplesmente, admirá-lo! Cheio de segredos, o mundo fascina. Decifrá-lo é uma obsessão que nos consome vida afora. Passaremos a maior parte dos nossos dias tentando montar o grande e surpreendente quebra-cabeça. Mesmo que circunscritos a recintos limitados, a cubículos minúsculos dentro do grande plano, prosseguiremos nessa busca movidos por uma inquietação imensa e uma curiosidade sem fim. Erasmo de Roterdam, o pensador bem-humorado, dizia que o caminho mais acertado para uma vida feliz é o caminho da simplicidade, o caminho de uma ignorância ingênua.

Seria bom, se fosse tão simples assim. Não é. A necessidade de compreender, bem como explicar o mundo ao redor é inerente à natureza humana. Não tem como deixar de fazer perguntas! Somos seres de linguagem. Temos por principal veículo de comunicação a linguagem falada. A necessidade de comunicar nos levou a inventar um modo de transmitir nossas experiências. Assim nasceu a escrita, e por consequência o livro, esse registro fantástico que preserva o pensamento por gerações. Os livros vêm em muitos formatos e atendem a muitas finalidades. Não importa a forma, o propósito de quem escreve é compartilhar.

Muitos se debruçam sobre a vida para compreendê-la, desvendar seus segredos. Nessa busca alguns acabam esbarrando em descobertas que julgam importante compartilhar. Desse modo nascem os livros mais importantes do mundo. Este livro foi escrito a partir dessa necessidade de partilhar. É um discurso sobre o anseio comum a todos: o sonho de uma vida bem provida, sem o constrangimento de lacunas não preenchidas e peças faltantes. Este livro se propõe a preencher algumas dessas lacunas, lançando luz sobre áreas antes obscuras. Como uma lanterna, iluminará o caminho rumo à organização e construção da vida sonhada.

Que vida você deseja? Como tudo mais, a vida desejável é algo a ser construído, bloco por bloco, cuidadosamente! As instruções estão aqui e ali nas oficinas e nos livros, esse depositário, por excelência, de conhecimentos acumulados de milênios de experiências e experimentos. Neles se encontram registros de fracassos e êxitos de todos os empreendimentos do homem em sua peregrinação pela história. Como disse Jorge Luis Borges “O livro é a grande memória dos séculos… se os livros desaparecessem, desapareceria a história e, seguramente, o homem”.

Publicamos este livro com o propósito de enriquecer você! Padecemos dessa obsessão: Promover o crescimento das pessoas. Leia com calma, sem pressa, pois há pérolas espalhadas por todo o percurso! Será impossível não se sentir inspirado, motivado, após sua leitura. Certamente se tornará uma referência em sua busca pessoal por sentido. As considerações aqui feitas não apenas desafiam, mas enchem de entusiasmo, gerando uma vontade imensa de superar as barreiras que limitam, de romper os obstáculos que se interpõem em nosso caminho. A abordagem inteligente e o arranjo com que as ideias são apresentadas torna a leitura fluida, fácil e extremamente agradável. Você está prestes a entrar na sala dos tesouros. Fique atento, não perca nenhum detalhe! Nessa jornada a leitura reflexiva certamente lhe apresentará as sonhadas chaves que abrem as portas e concedem o acesso. Se você estiver pronto para este livro, esteja certo que ele sequestrará sua mente e coração pelos próximos dias, meses e anos, tornando-se um daqueles preciosos livros de cabeceira, leitura a ser revisitada muitas vezes. Não estranhe se, após terminar a primeira leitura você sentir um impulso para lê-lo uma segunda, terceira, quarta vez.

Trecho extraído da introdução de A caça ao Tesouro – Um roteiro para a vida dos sonhos