um dedo de prosa

23 23UTC Outubro 23UTC 2009

Richard Dawkins e a Última Fronteira

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 11:40 pm
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Ser Humano

Richard Dawkins e a Última Fronteira

Por Luiz Leite

O mais ilustre e badalado dos ateus na atualidade, Richard Dawkins, professor da Universidade de Oxford, afirma que ainda pretende resolver o enigma da consciência. A consciência, para ele,  apresenta-se como a  última das fronteiras onde, supostamente, residem os “mistérios” que intrigam e impressionam os místicos de todas as ordens.

Dawkins diz esperar que durante o sec. XXI os vestígios da superstição religiosa sejam definitivamente sepultados. Já está convencido que a “vida é feita de moléculas” como qualquer outra coisa. Reduzindo o milagre da vida a um fato corriqueiro, diz que a mesma “não é mais misteriosa”, e afirma ter esperança “que a consciência siga pelo mesmo caminho.”

Não há lugar para o mistério na”religião” de Dawkins. Tudo se explica, e a deusa Ciência, numa espécie de revelação gradativa, a seu tempo vai lançar luz sobre a ignorância humana e esclarecer, cientificamente, como funciona a consciência.

Dawkins, que se diz ateu, não é ateu coisa nenhuma. Elegeu para si como divindade, a Ciência, a qual cultua e defende com tanto ardor, como eu cultuo e “defendo” a Jesus Cristo. Realiza uma “cruzada” já há muitos anos para provar os postulados da Evolucionismo Darwinista e, segundo sua religião, o absurdo da reivindicação do Criacionismo.

Desde que lançou o livro “O Gene Egoísta”, em 1976, onde leva o processo evolucionário para o nível genético, vem causando polêmica com suas posições. Se vai desbravar a última fronteira e desvendar o mistério da consciência, duvido, a menos que, dia desses seja derrubado do seu cavalo em sua campanha contra a fé do povo do Caminho!

Não será vencido pelo argumento dos teólogos. Não se deixará intimidar pelas ameaças dos fanáticos. Não será impressionado pela complexa e altamente sofisticada estrutura orgânica da vida. Somente um encontro com o Nazareno na estrada para Damasco lhe será fatal. Se me é lícito desejar mal a alguém, desejo que ele caia do cavalo da arrogância científica e, cegado pelo claro, desde o chão, ouça a voz lhe chamar pelo nome dizendo: “Richard, Richard, dura coisa é para ti recalcitrar contra os aguilhões…” Este, sem dúvida, será o mais feliz dos seus dias!

17 17UTC Agosto 17UTC 2008

Schopenhauer é um chato!

Arquivado em: Filosofando II — luiz leite @ 1:57 am
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Schopenhauer é um chato!

Por Luiz Leite

Schopenhauer é um chato! Um chato de galochas! Esta é a minha opinião a respeito desse pessimista inveterado que não vê graça em nada… Os machistas encontram no pensamento dele acerca da mulher um dos mais finos banquetes. Em uma de suas frases célebres, para horror das feministas, diz: “A mulher é um ser de cabelos longos e idéias curtas”.

O desencanto de Schopenhauer, para quem viver é sofrer, possivelmente decorre de uma experiência traumática de infância. Sua referência de figura materna foi possivelmente das piores que se pode ter. Criticava duramente o casamento, razão porque nunca se casou. Viveu e morreu sozinho.

Como diz Will Durant em sua História da Filosofia, referindo-se a Schopenhauer, é realmente difícil para alguém que não conheceu a presença de um pai nem o amor de uma mãe ser uma pessoa feliz e otimista. Essa foi a realidade experimentada pelo mais pessimista dos filósofos. A vida, de certa forma, tirou-lhe a mais bendita das venturas, qual seja, ser nutrido pela presença de um pai ou uma mãe de caráter sólido e de valores temperados. O pai morreu quando ainda era garoto, e a mãe o abortou de seu convívio. Passou cerca de quarenta anos sem falar com a mesma.

Ler Schopenhauer, entretanto, nem sempre é uma chatice. A sua visão crítica e desapaixonada do mundo revela o meu romantismo, às vezes tolo, às vezes ingênuo, e me força a revisitar conceitos, atuando como um contra-peso que acaba me conduzindo, mesmo a contra-gosto, a uma visão mais equilibrada da vida e de suas intrincadas engrenagens.

Geralmente julgamos como chatos aqueles que nos contrariam. Abominamos aqueles que tem a coragem de dizer aquilo que não queremos ouvir. Pois, incrível que pareça, esses tais tem um papel muito mais relevante na formação das nossas idéias, do que os lisonjeadores que não tem a coragem de nos contestar e nos fazer sentir desconfortáveis em nossas posições tantas vezes questionáveis.

Schopenhauer é um chato, é verdade, mas me ajuda muito mais do que um Paulo Coelho ou quaisquer outros que não se intrometem no meu mundo de idéias e nem ousam confrontar meus postulados. Se não houver quem nos provoque, colocando nossas idéias em cheque, pode ser que passemos nossas vidas inteiras defendendo premissas mal alinhavadas e sem consistência real. É caso, portanto, de se agradecer por esse e por outros chatos, que em sua chatice, são muito mais interessantes que muita gente insossa por aí!

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