Angústia
Por Luiz C Leite
Segundo o saber psicológico a angústia (angst), tema relevante no estudo das afecções psíquicas, tem origem complexa, mas bem definida, o que torna possível a identificação de sua gênese. Se fôssemos parar para considerar a angústia do ponto de vista psicológico, levando em conta que a psicologia se desdobra em pelo menos quatro leituras importantes (behaviorista, psicanalítica, humanista e transpessoal) que não poderiam deixar de ser mencionadas, teríamos então material para livros. Não é esse, entretanto, o propósito.
Quero abordar a angústia ampla, irrestrita, patológica ou não, coisa essa que atormenta o homem, que o persegue e o acua onde quer que ele vá. É a esse animal hediondo, sentimento experimentado por todos e em todas as idades, não importando configuração econômica, cultural ou social na qual o individuo esteja inserido que me atrevo endereçar.
Esse afeto assimétrico, desestabilizante, esse sentir doloroso e nauseabundo, tem sido fonte de inspiração para um sem número de poetas bêbados, escritores insones, e toda essa casta formidável de sublimadores, que através da linguagem subliminar da arte, direcionam para o papel, a madeira, o ferro, os seus tormentos e inquietações.
A angústia está na música, no cinema, nas artes plásticas, na literatura, em toda parte; vê-se nos rostos opacos, nas rugas, em alto relevo a expressão do medo… Foge-se de monstros, moinhos de vento, subprodutos de operações mentais descompensadas, afetadas por fantasmas nem sempre imaginários como comumente se assume; esses algozes da alma tem endereço certo, residindo nos subterrâneos mais profundos e cavernosos da trama psíquica.
A criatura humana é desde há muito uma criatura perturbada, atarantada, desnorteada no labirinto de sua efêmera existência. A maioria sucumbe antes de sequer começar a fazer sentido do caminho que conduz à saída. A angústia o persegue tal qual uma sombra, dando as caras sem ser convidada, companhia indesejável, “persona non grata”.
Não diria, como resume o pensamento budista, e concomitantemente a filosofia de Schopenhauer, que viver é sofrer, mas reconheço a complexidade desse enredo tão curto e incrivelmente tão kafkaniano às vezes. Se tudo se resume ao pesadelo da roda cármica, então teremos sido vitimados pela mais vil das piadas!
O apóstolo Paulo escrevendo à uma comunidade grega, afeita ao pensamento filosófico, aponta para a pós-história e sapeca: “Se as nossas apostas estiverem todas nesta vida, somos sem sombra de dúvida, de todos os homens, os mais dignos de lástima! (paráfrase) Aqueles que esperam o desfecho triunfal na pós-história, se um céu existe, como promete a pregação cristã, serão brindados com a realização do maior de todos os anseios, o fim definitivo da angústia.





Pr Luiz,qual a bandeira da leitura behaviorista?Obrigada.
Comentário por Anirsis Fernandes Brito — 24 de janeiro de 2009 @ 1:24 am
adorei seus textos, continue…parabens!
Comentário por edilson lima — 31 de janeiro de 2012 @ 3:48 am
Obrigado edilson… Ouvir isso motiva quem escreve.
Comentário por luiz leite — 1 de fevereiro de 2012 @ 1:45 am