um dedo de prosa

Nietzsche, esse louco…

Nietzsche, esse louco…

Por Luiz Leite

A última coisa que eu haveria de prometer seria “melhorar” a humanidade. Eu não haverei de erigir nenhuns novos ídolos…derribar ídolos (a minha palavra para ideais), isso sim é que faz parte do meu ofício”.

Ler Nietzsche é perigoso para os despreparados. Poucos ultrajaram o sistema, e em particular, a sociedade cristã de forma tão agressiva e sangrenta quanto ele. Sua filosofia demolidora pode despertar aquele que sonha, e pior, conduzí-lo a um pesadelo. Segundo Freud, Nietzsche alcançou um grau de introspecção anímica jamais alcançado por alguém e que dificilmente alguém voltará a alcançar um dia.

Esse olhar para dentro, que faz com que os homens despertem da doce ilusão com a qual seus muitos ídolos os envolvem, é ao mesmo tempo um exercício desejável e assustador. Quantos de nós estão preparados para a desilusão de um encontro frontal com sua alma desnuda? Quantos estariam preparados para encontrarem-se com o homenzinho encarquilhado e, humildemente reconhecer: “Esse sou eu!”

A natureza humana tenta esconder por todos os meios o homenzinho encarquilhado, mas de que adianta negá-lo, escondê-lo, se ele teimosamente permanece lá? Nietzsche encontrou-se com a verdade a respeito de si mesmo, o homem caído, e fez questão de publicar as misérias e mazelas da espécie. Não considerou que essa criatura falida poderia nascer de novo para uma realidade outra. Que pena que não tenha ido, na calada da noite, às escondidas, se encontrar com Jesus, como fez Nicodemos, para ouvir a respeito da possibilidade fantástica do novo nascimento!

Por mais trágico que pareça, o homem não é um caso perdido. Nietzsche infelizmente falhou em reconhecer no Cristo a salvação dos homens e tentou aniquilar a única esperança que resta à humanidade, investindo enlouquecidamente contra o mesmo… Perseguiu a Jesus e a seus seguidores como um Saulo enraivecido…Resultado? Morreu louco!

Será que, como Saulo de Tarso, teve a oportunidade de ouvir o som da voz majestosa que despedaça os cedros do Líbano a dizer-lhe: “Nietzsche, NIetzsche, por que me persegues? Dura coisa é para ti recalcitrar contra os aguilhões?” Espero que sim, e mais, espero que tenha feito as pazes com o Crucificado antes do rompimento do fio de prata, antes do último suspiro…

Filho e neto de pastores protestantes, quem sabe não voltou pra casa, como um pródigo mulambento, mas salvo? Agora imagine, que surpresa seria encontrarmos esse maluco nas mansões celestiais! Pois é, só aguardando…


7 Comentários »

  1. A elação de Nietzsche é uma falação que nasceu morta. “ECCE HOMO” (como cheguei a se o que sou), deveria ser: Êta Home!!! como cheguei a ser tão parvo. Tadinho!!!!!!!morreu.

    Comentário por José Carlos — 15 15UTC Fevereiro 15UTC 2009 @ 1:06 am

  2. Ola Zé Carlos!
    Eta homi!! ótimo….rsssssss

    Comentário por luiz leite — 15 15UTC Fevereiro 15UTC 2009 @ 2:32 am

  3. É extremamente agradável esse dedo de prosa, parabéns. Poucas páginas promovem tão boa leitura na “NET”.
    Abraços.

    Comentário por José Carlos — 19 19UTC Fevereiro 19UTC 2009 @ 6:36 pm

  4. valeu zé… obrigado pelos comentarios.

    Comentário por luiz leite — 19 19UTC Fevereiro 19UTC 2009 @ 9:57 pm

  5. [...] Comentando post “Nietzsche, esse louco” [...]

    Pingback por Deixe que falem… « um dedo de prosa — 19 19UTC Março 19UTC 2009 @ 10:30 pm

  6. Como dizia no livro de Jó…

    “Quem contendeu contra Deus e teve paz?”

    Comentário por Bud — 23 23UTC Outubro 23UTC 2009 @ 3:26 am

  7. é verdade Bud! só mesmo um louco faria isto…

    Comentário por luiz leite — 23 23UTC Outubro 23UTC 2009 @ 7:04 pm


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