um dedo de prosa

8 08UTC fevereiro 08UTC 2010

Uma revolução estrutural

Arquivado em: Livros, Pensamentos — luiz leite @ 7:51 pm
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Uma Revolução Estrutural

Por Luiz Leite (Do livro A Inteligência do Evangelho de Luiz Leite)

Não importa o quanto estudamos, o que lemos e ouvimos da experiência de outros homens.  Podemos ser fortemente impactados pelo testemunho de alguém; podemos ser levados às lagrimas, e, até, a tomar decisões sérias, mas ainda assim, é necessário que vivamos nossa experiência pessoal com Deus.

O profeta Isaías foi uma daquelas muitas pessoas que se relacionaram com Deus na carona da experiência de outros, cumprindo os requisitos da religião do seu tempo. Seguiu o protocolo, observou as regras da sua fé, norteou-se pelos conceitos que lhe haviam passado e criou para si um conceito desajeitado a respeito do Deus de Israel, até o dia que teve uma experiência que mudou para sempre sua vida!

Um encontro com Deus, pelos relatos bíblicos, nem sempre será uma experiência festiva; ver o Senhor e ouvir sua voz pode ser uma experiência aterrorizante! Depois de ter tido uma visão da glória de Deus, Isaías exclamou apavorado: “Ai de mim! pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!” (Is 6:5)

Ninguém sai de uma experiência, como a que teve Isaías, sem experimentar um abalo sísmico de proporções gigantescas em sua alma. O que aconteceu com Isaías foi uma revolução estrutural que alterou dramaticamente o curso de sua vida. Creio que é exatamente disso que todos nós necessitamos, uma revolução estrutural que atinja o âmago da nossa prepotência, da nossa auto-suficiência; um abalo que arrase a soberba, o orgulho, aquela altivez própria dos seres caídos.  Digo isso, porque todas essas adjetivações são de herança maligna, razão porque precisam ser erradicadas de nossa alma.

Só uma experiência assim, dramática, fará com que nossa miséria fique patente aos nossos próprios olhos, a ponto de julgarmo-nos “perdidos”. Só então estaremos prontos para a reforma de que tanto necessitamos e que tão constantemente rejeitamos. A experiência de Isaías foi tão profunda que ele mesmo reconheceu seu estado de completa perdição. Ele disse: “Ai de mim! Estou perdido!” Foi ferido de morte em sua presunção como homem letrado que era. As bases que davam sustentação à sua vida foram movidas; sentiu faltar-lhe o chão. Haviam caído as colunas. Concluiu desesperado: “Estou perdido!”.

As revoluções estruturais acabam conosco! Soa estranho, não é? Mas é exatamente disso que precisamos. Por incrível que pareça, essas experiências nos tornam diferentes, transformados, e para melhor. Somos, na maioria das vezes, a favor de mudanças, desde que elas não acarretem tanto transtorno. Ninguém em bom juízo quer se vir transtornado, não é mesmo? Simpatizamos mais com mudanças conjunturais, ou seja, medidas puramente cosméticas, superficiais, que não ocasionem tanta dor. Falhamos em reconhecer e admitir que, em tantos casos, a situação demanda medidas cirúrgicas. Contentamo-nos e nos acomodamos com a situação em que muitas vezes nos encontramos, pois, afinal, pensamos, a vida deve seguir, e , cá entre nós, ninguém é de ferro!

É assim que vamos abrindo concessões. Concessões são aquelas formas, aqueles “jeitinhos” que damos para contornar situações complexas; geralmente servem para poupar nossa auto-imagem, manter as aparências, preservar relacionamentos e assim por diante. Somos mestres no assunto. Muitas vezes nos sentimos até mesmo orgulhosos quando, através desse tipo de habilidade, conseguimos mascarar uma determinada situação. Alguns têm mais habilidade, outros menos, mas, fato é que todos possuem algo de inato nesse campo.

Essas concessões são verdadeiros agentes de auto-engano. Tanto para o indivíduo, como para o grupo. É bem verdade que temos que ter mecanismos para negociar com determinadas situações; não podemos esperar lograr sucesso tratando as pessoas “a ferro e fogo”. Entretanto, se nos tornarmos muito diplomáticos, acabaremos evitando o confronto e acovardando-nos sempre. Muito embora tal atitude tenha aparência de inteligência, os resultados a longo prazo não serão nem um pouco confiáveis. O que se faz nesse tipo de negociação, na verdade, é arrolar a dívida, parcelando-a em suaves prestações… Não deveríamos julgar como sábia tal estratégia!

2 02UTC fevereiro 02UTC 2010

Descartes e a Ciência Admirável

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 10:07 pm
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Descartes e a Ciência Admirável

Por Luiz Leite

Uma pergunta fica no ar com respeito à relação de Descartes com o sagrado, quando o encontramos envolvido com uma obscura fraternidade chamada Rosa Cruz, seita dedicada à busca da sabedoria esotérica. Esta tal seita, combinando elementos do ocultismo egípcio com a cabala judaica, pretendia (e ainda pretende) ser detentora de conhecimentos secretos reservados àqueles que nela fossem iniciados.

O jovem e ambicioso pensador, obcecado, buscava descobrir os fundamentos de uma “ciência admirável”, razão porque foi sem dúvida atraído pela propaganda que prometia conhecimentos ocultos. Esse fato torna o racionalismo cartesiano bastante questionável uma vez que busca conhecimento além daquilo que a razão pura e simples possa oferecer.

Como tantos outros grandes filósofos do seu tempo, Descartes crê em um Deus, e a não crença num Deus criador é por ele considerada um erro. Entretanto, crê em Deus à sua maneira. Em seu Discurso do Método, dedica um capítulo inteiro para provar a existência de Deus e a imortalidade da alma, mas em nenhum momento encontramos em suas idéias vestígios de um Deus pessoal, que interage, solidário. O seu Deus é apenas o produto de uma fria e escura abstração.

Se era um agnóstico ou ateu travestido de religioso, porque busca contato e envolve-se com a referida seita? Pouco se sabe das possíveis experiências vividas pelo filósofo durante esse período; a própria configuração da sociedade dos Rosa-cruzes, de natureza hermética, não ventila os conteúdos dos seus ensinos, nem tampouco publica onde e a que tais ensinos conduzem os iniciados. Pois talvez seja exatamente aí que Descartes cruze o limiar entre o sagrado e o profano. Engodado pela promessa de acesso à uma modalidade superior de conhecimento, reservada a poucos escolhidos, o ambicioso pensador não titubeia, “vende sua alma”.

Segundo suas próprias palavras, a tão celebrada obra “Discurso do Método” parece ter sido produzida por meios nada convencionais como aqueles comumente utilizados pelos filósofos em geral; não foi exatamente o exercício da razão que lhe logrou conceber o método que colocou o homem em dúvida para sempre. Corria o ano de 1619 quando, durante o seu envolvimento com a seita citada, o filósofo experimentou um mergulho no oculto. Este período marcaria a sua história e a história da filosofia ocidental de uma maneira profunda e definitiva.

Segundo ele, através de sonhos tidos por ele na noite de 10 para 11 de novembro de 1619, as respostas para o seu ambicioso desejo de construir os fundamentos de uma “ciência admirável”, vieram como que enviadas do além.

De 10 para 11 de novembro, René Descartes, jovem francês engajado nas tropas do Duque Maximiliano da Baviera, vive uma noite extraordinária. Depois de um período de febril atividade intelectual, o dia transcorrera em meio a grande exaltação e entusiasmo: afinal, parecia ter descoberto os fundamentos de uma ciência admirável. O arrebatamento prossegue durante o sono, atravessado por três sonhos consecutivos cujas imagens o próprio Descartes interpretará como símbolos de iluminação que recebera e, ao mesmo tempo, como indicação da missão a que deveria consagrar a sua vida. Essa missão era a de unificar todos os conhecimentos humanos a partir de bases seguras, construindo um edifício plenamente iluminado pela verdade e, por isso mesmo, todo feito de certezas racionais”.

É curioso que as bases seguras para um  edifício feito só de verdades racionais tem procedência completamente mística! Não é nada convencional a experiência que levou Descartes a esculpir a grande obra que desencadeou uma verdadeira revolução no pensamento filosófico ocidental, e que viria mais tarde repercutir em todas os círculos de pensamento do mundo.

A sua obra pavimenta o caminho para séculos de incredulidade que irão desdenhar o sagrado e colocar a razão no lugar da divindade, produzindo um fenômeno nunca antes registrado da história da raça. O próprio Descartes se refere a sua cruzada como uma “missão”, como nos melhores moldes das religiões em geral. Não seria de se admirar que o pensador ambicioso tenha sido visitado por forças do além na tal experiência mística onde, através de sonhos recebeu a revelação que resultou na obra famosa de sua vida.

Racionalistas do mundo todo, coloquem barbas e madeixas de molho! É muito provável que os postulados de vossa seita não sejam afinal produto da razão coisa nenhuma; É possível que um anjo torto,apesar do desprezo que nutris pela mística, lhes tenha sussurrado tais grandes idéias.

Extraido do livro ELES PROFANARAM O SAGRADO de Luiz Leite (lançamento 2010)

24 24UTC janeiro 24UTC 2010

De volta a Nietzsche, aquele louco…

De volta a Nietzsche, aquele louco…

Por Luiz Leite

Nietzsche afirma que a humildade cristã é produto da mentalidade escrava e, portanto, fraca e ridicularizável. Quando se trata de humildade, conceito ausente em seu vocabulário (seguramente um dos egos mais inflados de que se tem notícia), é verdade que algumas pessoas, após serem submetidas a longos períodos de servidão, acabam tornando-se subservientes e pateticamente dóceis, mas é óbvio que não é esse tipo de “virtude” condicionada pelo “tronco e chicote” que o Cristianismo exalta  e exorta seus seguidores a cultivar.

A exegese que Nietzsche faz do Evangelho é equivocada. Interpretou a mensagem de Jesus pela ótica da amargura e não teve o cuidado de limpar as lentes de seu telescópio filosófico antes de lançar o olhar sobre aquele que poderia livrá-lo do fim trágico. Chegou ao resultado antes cogitado por Francis Bacon que disse: “Um pouco de filosofia inclina a mente do homem para o ateísmo, mas profundidade em filosofia traz de volta as mentes das pessoas para a religião.”

A filosofia de Nietzsche não é construtiva. Apoliom e Abadom parecem inspirar sua pena e fazê-la deslizar loucamente em sua sanha anticristã. Isto ele não esconde ao dizer: “Desgarrar muitos do rebanho – foi para isso que eu vim.” Não se pode, todavia, desprezar e despachar a filosofia de Nietzsche como sem graça;  Convenhamos que isto ele faz com uma veia poética que atrai, tornando palatável o que em Espinoza seria intragável.

Determinados desvarios de Nietzsche me fazem rir… Fecho os olhos e vejo um adolescente espumando rebeldia e preconizando a derrubada de governos e hierarquias num idealismo afogueado e desorientado. Concordo com o que foi dito acerca dele por George Santayana, “Blasfêmias pueris… genialidade imbecil.”

Nietzsche é preciso quando denuncia a fraqueza humana; ora, é absolutamente fácil apontar o dedo para uma nódoa no linho branco e disparar: “Eis que passo a vos mostrar uma nódoa!” Onde está a geniosidade de tal afirmação? Um profeta inclemente do óbvio. Despejou sua fúria contra a cana quebrada e o pavio que fumega…

Tribudiou sobre a miséria dos humanos, sem mesmo considerar-se como um dos tais; em um dos seus muitos espasmos de insanidade teria dito: “Eu não sou homem, sou dinamite.” Não há aí qualquer vestígio de grandeza, nem de força… Destruir é fácil. Os psicopatas o fazem sem qualquer crise de consciência; Difícil é ligar a cana esmagada e reacender o pavio que fumega!

19 19UTC janeiro 19UTC 2010

Genealogia com Graça

Arquivado em: Teologizando — luiz leite @ 6:18 am
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Genealogia com Graça

Por Luiz Leite

O Novo Testamento começa de maneira maçante. A princípio, o arranjo das palavras soa monótono; Que graça há em ler todos aqueles nomes estranhos de uma genealogia judaica? Pois é exatamente assim que Mateus inicia o seu evangelho. O leitor casual passará os olhos pela seção de nomes e prosseguirá em busca de algo mais interessante; Aquele, entretanto, que demora-se um pouco mais sobre o texto sem graça, estará prestes a ser surpreendido por uma grande descoberta! Encontrará a primeira genealogia com graça. Graça no seu modo mais condensado! Eis aí uma genealogia com graça.

Mateus desconcerta. Transgride a norma. Rompe com a tradição e escandaliza  seus contemporâneos conservadores. Desconcerta com a inserção de mulheres no registro genealógico do Messias. Tradicionalmente as genealogias registravam os nomes dos elementos do sexo masculino apenas. As mulheres não contavam. Em muitos aspectos é exatamente isto que faz a mensagem do Evangelho: Desmantela paradigmas caducos e apresentar uma nova leitura das coisas, utilizando as lentes cristalinas da graça.

Encontrar por ascendentes de Jesus Cristo mulheres de conduta não apenas questionável como também condenável pelos parâmetros da Lei é realmente embaraçoso. Mulheres como Tamar que, fingindo-se prostituta, armou uma cilada memorável para apanhar seu sogro, o também prostituto Judá; O que dizer de Raabe, por quem ninguém dava nada, em virtude do ofício nada sacro que exercia?

O registro genealógico de Jesus todavia não nos apresenta apenas a mulheres gentias e de caráter duvidoso; os homens que compõem a lista não são lá nenhum baluarte de verdade e retidão. Na família de Jesus há ex-trapaçeiros, ex-adúlteros, ex-assassinos, ex-corruptos, e sabe Deus quantos outros transgressores cujos delitos constam nos livros da lei como passíveis de severas punições e até mesmo pena capital.

Tais pessoas, em nosso julgamento, jamais poderiam entrar na linhagem messiânica! O que essa gente toda tá fazendo aí? Como entraram na família de Jesus? Do mesmo jeito que eu e voce entramos na família de Deus, pelos portais da graça! Encontramos, portanto, na genealogia de Jesus o tema central que caracteriza o Novo Testamento em sua forma mais concentrada. A teologia da graça está presente na genealogia do Salvador. As portas da graça foram abertas para aqueles que estavam irremediavelmente perdidos. Deus está anunciando logo de entrada que a salvação é pela graça, por meio da fé, não vem de nós, é dom Dele, nem das obras, para que ninguém se glorie! (Ef 2)

7 07UTC janeiro 07UTC 2010

O que andam dizendo do blog

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 6:25 am

Andam falando muita coisa do blog  UM DEDO DE PROSA… Alguns artigos, segundo consta, valem a pena a leitura. É só conferir…

obs.: Seu elogio ou crítica é bem vindo. Deixe seu comentário.

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Pegando pesado – comentando Religiao e Ética

“Cara vc pegou pesado nesta, mas foi incrível. Realmente a falta de ética em todos os segmentos está realmente crítica (…)”

Donizeti.

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Xeque Mate – Comentando Richard Dawkins e a Última Fronteira

“Perfeitamente perfeito. É isso e tão somente isso.”

Carlos Babi

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Degustação – Comentando Quem tem medo do pós moderno

“Adoooooooooorei…”

Renato

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Resumo da Ópera – Comentando Duas Palavras e Um Abismo

“Excelente!! “

Denise Rangel

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Sapiencia - Comentando De Ore Dei

“Parabéns pelo texto de orei dei!! Que Deus continue te dando essa sabedoria divina .”

Rafaela


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Kennedy(s) e Sarney(s)
- Comentando Senatus Populus Que Romanus

“Excelente ponto de vista. E para maior contraste da situação vimos neste fim-de-semana os funerais domaior senador americano de todos os tempos, morreu Teddy Kennedy, o irmão dos assassinados Presidente John F. Kennedy e do (então candidato favorito à presidência) Sen. Robert Kennedy. Toda a nação americana chorou a morte deste grande senador. Será que se o senador Sarney ou o senador Collor, só para ficar nos ex-presidentes que lá se encontram morressem haveria sequer alguém chorando? Ah sim, não vale citar os seus apaniguados e suas viúvas…”

Jean Silveira

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Veritas vincit – Comentando O  Czar e a Bíblia

“Excelente artigo, precisamos de pessoas assim que falem a verdade… Adorei esse site vou indicar para meus amigos…

Samuel

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A Cruzada I – Comentando Maomé e as mulheres

“Desculpe se fui agressivo, é que sou jovem e não me sinto bem ao ver alguém chingar (sic) tão descaradamente minha religião, mesmo que, se eu fizesse o mesmo com a religião dos outros, seria atacado 1000x pior.”

Thales

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A Cruzada II - Comentando Maomé e as mulheres

“Não vi nada ofensivo no post que justificasse o comportamento do representante muçulmano. Na verdade, o comportamento dele reflete muito bem a falta de tolerância que existe no mei muçulmano. Eles não entendem que a rejeição que dizem sofrer é causada pelas suas próprias ações.”

Ferr

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Convertendo o convencido – Comentando Marcha para Jesus

“Parabenizo pelo o Teor da matéria. Concordo plenamente, precisamos de reflexão, precisamos como Igreja, nos arrependermos, voltarmos para Deus, e, resgatar a autoridade da Igreja.”

Jurandir

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Flautista de Hamelin – Comentando o Poder do Foco

“Entrei no seu blog esta semana pela primeira vez, fiquei encantada com seus textos. (…) Agora quero ler sempre. Ameiii.

Cristina

1 01UTC janeiro 01UTC 2010

Procrastinação e ano novo

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 12:13 am
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Por um ano realmente novo

Por Luiz Leite

Para que se tenha um ano realmente novo é necessário tomar algumas medidas importantes e que não podem ser negociadas. O problema já começa aqui. Temos uma mania incorrigível de negociar os termos dessas medidas. É a procrastinação, do latim procrastinatus: pro- (à frente) e crastinus (de amanhã). O dicionário Aurélio define Procrastinar como: 1. Transferir para outro dia; adiar; delongar, demorar… Logo, um procrastinador é um indivíduo que evita tarefas ou que está evitando uma tarefa em particular. O que o Aurélio não revela é que o ato de procrastinar é sintoma de um problema de ordem psíquica.

A procrastinação resulta em desconforto e prejuízo em muitas áreas. O dano incide sobre o patrimônio material e existencial. Sensação de culpa, perda de produtividade e vergonha por ser classificado como preguiçoso, irresponsável, etc.

Não é incomum que de vez em quando nos portemos de modo a relaxar com a rigidez das exigências e acabemos procrastinando. Quando essa procrastinação, entretanto, se torna crônica, manifestando-se com uma frequência ligeiramente acima do aceitável, então é provável que o caso seja sinal de algum problema de ordem psicológica ou fisiológica.

A preguiça, que já foi classificada como um dos pecados capitais, hoje é vista com bastante complacência pela psicologia como baixa autoestima ou ansiedade. Ainda que se possa explicar a procrastinação como desordem psicológica ou fisiológica, não podemos esquecer a exortação bíblica de que devemos fazer todas as coisas que vierem às nossas mãos “conforme nossas forças.” (Ec. 9.10)

Cumpre a nós, como responsáveis por administrar nossas vidas, romper com a procrastinação de modo a fazer conforme as nossas forças tudo o que vier às nossas mãos. Deus não nos pede para irmos além das nossas condições físicas e emocionais; O equilíbrio da Palavra requer apenas que sejamos diligentes.

A prosperidade é a regra, a escassês exceção. Se, todavia, falharmos em gerenciar o tempo e as oportunidades, entregando-nos ao ócio e à procrastinação, nos veremos prejudicados e experimentaremos a falta no lugar da provisão. O Deus da providência já preparou os meios para uma jornada bem suprida. A diligência (zelo, aplicação, presteza…) de cada um vai definir se comeremos o melhor dessa Terra ou não. O Deus abençoador e dadivoso já decretou: “Se ouvirdes e me quiserdes comereis o melhor desta terra.” (Is 1.19)

Stop waiting for things to happen; Go out and make them happen! “Pare de esperar que as coisas aconteçam; saia a campo e faça com que aconteçam!” Lembre-se: Procrastinação e ano novo não se combinam! Faça as suas orações, busque a Deus, mas também não se esqueça de arregaçar as mangas e fazer o que precisa ser feito. Prepare-se para surpresas! Voce certamente terá um ano novo realmente novo, abençoado e próspero!

22 22UTC dezembro 22UTC 2009

O Inóquo Artifício da Queixa

Arquivado em: Filosofando I, Pensamentos — luiz leite @ 9:30 pm
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O artifício inóquo da queixa

Por Luiz Leite

Zeus, o deus supremo dos gregos, apesar de conduzir-se de modo questionável para a nossa ética, pois que, juntamente com todos os outros condôminos do Olimpo, se prestava a intrigas e ciúmes próprias dos pecaminosos mortais, até que apresenta aqui e ali um julgamento coerente, como que atingido pelo lume do bom senso.

Na verdade o bom juízo de Zeus é produto da mente de um dos brilhantes filhos dos homens. Justiça seja feita, é Homero quem coloca nos lábios de Zeus a frase atribuída ao deus supremo dos helenos:  “(…) os homens estão sempre a censurar os deuses, porque dizem que os seus problemas vêm de nós; enquanto são eles que, pelos seus atos perversos, incorrem em mais problemas do que precisam.”

A frase, encontrada na “Odisséia”, é uma observação que expressa o enfado dos deuses, cansados de terem que ouvir dos homens que a culpa pelos seus infortúnios procede deles. Os deuses pagãos se cansam de tanta choradeira; até o DEUS! Ele é quem pergunta: “Do que se queixa o homem mortal? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.” (Lm 3.39 )

As nossas queixas são quase sempre inóquas. Injustas até, em alguns casos, se observadas em seu nascedouro. É verdade que pessoas nos prejudicam e que uma nota de protesto terá o seu lugar em determinadas situações, mas a repetição indefinida da lamúria é um artifício sofrível. Nossos projetos desandam, na maioria das vezes, por falta de prudência entre outros ingredientes necessários na receita do sucesso. Os deuses, ou o DEUS, pouco tem a ver com esses desacertos que fazem com que os homens representem frequentemente aquele papel de paspalhos chorões.

Recuse-se a fazer coro com esses queixosos que vivem a lamuriar a sorte e nunca chamam a responsabilidade para si. Reconheça sua parcela de erro no processo, vire a página e prossiga… Se necessário, arque com o prejuízo porque na maior parte dos casos, o desgaste não valerá a pena, a menos que, entre o bom sono e a gastrite nervosa se escolha a última. Reclamar da sorte e dos deuses para justificar os impasses e entraves da vida é um expediente infantil, e pior, inócuo, pois de nada valerá para melhorar as circunstâncias já suficientemente sofríveis em que a alma moribunda se encontra.

O dia em que chegarmos à esse grau de amadurecimento certamente enfrentaremos os fatos de maneira mais serena e positiva, o que nos ajudará a encontrar saídas mais óbvias para os nossos dilemas. Não deixaremos de sofrer, mas uma coisa é certa, sofreremos menos, pois os queixumes incoerentes além de nada resolverem, ampliam o quadro de angústia fazendo com que soframos além da razão. Essa pode ser uma medida importante rumo ao ano que inicia, e que de novo nada terá se permanecermos repetindo a velha e enfadonha cantiga dos meninos e meninas que cresceram apenas cronologicamente.

9 09UTC dezembro 09UTC 2009

Poema da Vírgula

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 3:32 am
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Como escritor, achei ser obrigação ajudar a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) nesta campanha.

Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

28 28UTC novembro 28UTC 2009

O Brasil que decola

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 2:45 pm
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O Brasil que decola

Por Luiz Leite

Muitas vezes me vi constrangido ao ver como a mídia internacional reportava o Brasil para o resto do mundo. Em várias ocasiões me encontrei absolutamente constrangido tentando responder à perguntas embaraçosas acerca dos nossos muitos problemas sociais… Ter o Brasil identificado com Ronaldô e Kaká, crianças de rua, samba e mulheres voluptuosas me causa um tédio quase mortal.

Dia desses, sacolejando num trem no interior da Índia, julgando-me o único cara pálida entre os morenos indianos, fui surpreendido por um espanhol da Catalunha que me abordou falando português, certamente por ter me bisbilhotado enquanto absorto escrevia em meu diário as impressões do último dia. Não condenei o espanhol. Jornalismo e curiosidade é mesmo uma combinação necessária. Certamente mencionará algo de nossa conversa em um de seus artigos. Aqui faço o mesmo.

O espanhol, jornalista de profissão, estava, como eu, a caminho do Paquistão;  ele correspondente do jornal para o qual trabalha, eu pastor em viagem missionária. Depois de algum tempo de conversa animada sobre política e economia, o assunto  da religião tomou importante lugar na pauta. Ateu, questionou com argumentos ora razoáveis, ora pífios, os postulados da fé cristã; Viu-se em alguns momentos desarmado em sua intelectualidade, acabou cedendo aqui e ali e aos poucos, por falta de conhecimento teológico, viu-se obrigado a calar e ouvir as razões da fé.

Passadas algumas horas tirou de entre as coisas um exemplar da THE ECONOMIST, conceituada publicação semanal britânica e, com mais conhecimento de causa, uma vez que é comentarista de economia e política, começou a falar da matéria imensa (de 14 páginas) acerca do Brasil, publicada pela revista. Ainda que esboçando certa desconfiança com respeito aos números impressionantes da economia brasileira, reconheceu que estamos nos levantando de forma surpreendente.

Pela primeira vez nestas conversas de estrada e aeroporto fora do Brasil, ouvi comentários cuidadosos e uma expressão de respeito diante do país que há muito apresentava vocação para grandeza, mas que que pateticamente até a pouco continuava tão minúsculo como os biquinis das garotas em suas milhares de Ipanemas espalhadas generosamente por sua costa infindável.

O Brasil mudou. E muito. Ainda que a oposição torça o nariz e desconverse, ainda que acuse os indicadores sociais como forjados, manobra populista e eleitoreira, ainda que desmereça o governo atual dando ao governo anterior os créditos pelas conquistas que temos colhido, o fato é que o Brasil de hoje é um país melhor, mais sólido, mais firme…

Ver o Brasil na capa da THE ECONOMIST e ler a imensa matéria louvando as conquistas de um país que há pouco tempo atrás estava chafurdado numa dívida externa enorme, olhado com desprezo por muitos como uma imensa república de bananas é realmente motivo para se orgulhar, mas que ninguém se engane, temos ainda muitas questões sérias a serem tratadas.

A capa da THE ECONOMIST chamou a atenção pela criatividade. O lúdico inteligente faz rir, mas ao mesmo tempo envia uma mensagem bastante grave. Os países cristãos que experimentaram a prosperidade acabaram ejetando o Cristo vivo do cenário e, deslumbrados pelas riquezas, elegeram a Mamon por deus. Espero e oro que em nosso caso, apenas a ignorância da idolatria seja ejetada.

Lahore, Paquistão, novembro de 2009

15 15UTC novembro 15UTC 2009

Emil Brunner e Marcha pra Jesus

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Marcha para Jesus e Emil Brunner

Por Luiz Leite

Texto publicado pela Revista Eclésia (coluna Pastoral), edição de Dezembro 2009

Muitos acham que a parada gay é uma manifestação acintosa. Os evangélicos, particularmente, consideraram uma provocação o fato de que a tal parada tenha acontecido exatamente no mesmo dia em que se realizou a Marcha para Jesus.

Fernando de Barros e Silva, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, escrevendo sobre o evento que anualmente mobiliza milhões de religiosos na capital paulista disse que, “há um ar de família entre a marcha dos evangélicos e a marcha política”, fazendo clara referência ao senador e bispo Marcelo Crivela, bem como a um deputado do baixo clero, e também pastor, presentes no evento em demonstração de apoio ao casal Hernandes, líderes de uma grande igreja e recentemente envolvidos em vários episódios constrangedores.

Muito embora a parada gay tenha tido apoio e participação de políticos de peso como o governador do estado Sergio Cabral e o prefeito da cidade do Rio de Janeiro Eduardo Paes, não se fez nenhuma crítica mais séria à presença dos figurões da política carioca salvo uma piadinha aqui e ali. Uma parcela paranóica poderia interpretar o artigo como perseguição aos evangélicos. Prefiro crer que não seja.

O articulista da Folha apontando para o conluio de pastores e políticos e pastores políticos, conclui seu artigo com uma precisa e dorida estocada: “Diante da coalizão entre Jesus e Judas, querer legalidade hoje no país parece até coisa do Diabo.” Eu que já estava com dificuldade para dormir, num vôo da Air France para Paris, fazendo o mesmo trajeto do vôo que caiu no Atlântico dias atrás, perdi o sono de vez.

É lógico que a construção de Fernando de Barros e Silva, da maneira colocada, tem a intenção óbvia de provocar. Entende-se, todavia, que não é apenas uma provocação gratuita. A referência a Jesus e Judas, trata do relacionamento entre a igreja e a política. Uma modalidade de relação espúria, não oficial, escondida; ainda que se suspeite que naquele mato tenha coelho, as partes envolvidas não confirmam nem negam. Sem compromisso de “papel passado”, o relacionamento prossegue enquanto houver interesse para as partes. Mundano como qualquer outro contrato de “gaveta”.

Não sei se ficam claras para voce as dimensões da tragédia, mas quando o autor do texto desiste das aspirações por legalidade, causa uma impressão não apenas de desencanto, mas também de desespero; Não se pode desejar legalidade num país onde aqueles que deveriam ser os guardiões do estado de direito conduzem as coisas de maneira torta. Em sua análise perde-se a esperança de legalidade, de decência, quando pastores fazem do púlpito seu palanque e dos fieis seu eleitorado, e pior, utilizam-se das massas e de sua fé ingênua para realizar suas manobras.

Há alguns anos eu propus aos meus amigos uma campanha cujo lema era: “Salve o seu pastor. Não vote nele!” Talvez seja esta a hora de ativá-la. Ninguém deveria fornecer munição para que a igreja fosse assim atacada, muito menos os sacerdotes! Não seremos poupados nem mesmo andando no direito, quanto mais errando para alem de suas fronteiras.

Emil Brunner, um dos grandes teólogos do século XX ao lado de Karl Barth, disse em sua Teologia da Crise: “A humanidade tem sempre diante de si uma dupla tarefa: Esquadrinhar o conteúdo e esquadrinhar as expressões de sua fé.”

A marcha para Jesus é, seguramente, uma forma de expressão da fé de milhões de cristãos evangélicos. Como disse Brunner, esta expressão de fé precisa ser esquadrinhada. Antes, entretanto, de esquadrinharmos a expressão da fé, deveríamos esquadrinhar seu conteúdo, pois é o conteúdo que transforma, modela e dá as medidas da expressão pública da fé.

O problema é que ninguém quer esquadrinhar nada. Este trabalhoso e enfadonho exercício de reflexão é por demais pesado; Deixem-no para os pensadores, resmungam os praticantes da religião irrefletida. As massas querem apenas uma fé sentida. Ficam, por causa dessa superficialidade, a mercê daqueles que, especialistas em identificar e manipular anseios conduzem-nas em uma experiência religiosa questionável e pior, absurdamente rasa.

Pois se não refletirmos e esquadrinharmos o conteúdo e expressões da nossa fé, ficaremos encalhados nos bancos de areia de uma religiosidade desinformada e que inevitavelmente poderá vir a ficar deformada também. É preciso sim, como disse Emil Brunner, esquadrinhar nossa fé, ainda que este exercício possa trazer respostas que não desejamos ouvir.

Antes de Brunner, o apostolo Paulo nos chama a esse exercício de reflexão quando escreve aos Coríntios, uma igreja tristemente marcada por muitos escândalos e desvios de percepção doutrinária. Diz o apostolo: “Se julgássemos a nós mesmos, não seriamos julgados” (I Co 11.31). A orientação do apóstolo Pedro, por sua vez, chama a atenção para uma vida cristã refletida quando insta que “pela prática do bem” façamos “emudecer a ignorância dos insensatos”.

Os insensatos dizem em seu coração que não há Deus. Se aqueles que sustentam o testemunho de Deus continuarem municiando os incréus com uma postura carregada de poses suspeitas, veremos frustrado o esforço daqueles que labutam de sol a sol nessa seara imensa. Esse exercício de exame da fé em seu conteúdo e expressão poderá sem dúvida nos poupar de muito vexame, nos ajudando a evitar não só o mal, como até mesmo sua própria aparência.

2 02UTC novembro 02UTC 2009

Religião e Ética

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 4:26 am
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Religião e Ética

Por Luiz Leite

Texto publicado pela revista Eclésia, edição de Outubro 2009


Religião e ética deveriam caminhar juntas como “unha e carne”, inseparáveis, pois o discurso desta utiliza-se dos postulados daquela, numa espécie de apelo à consciência dos homens a que se comportem de maneira ideal. O termo “ética,” em sua base etimológica, partindo do grego ethos, significa costume, hábito, ou ainda, uso, regra. Não foram, todavia, os gregos que inventaram a ética. Todas as civilizações têm um código ético que compila as regras de conduta pelas quais seus membros devem se orientar.

Muito embora a ética tenha suas origens mais remotas na própria religião, há uma forma de relativismo que afirma que a ética não é um ramo da teologia, e que não existe necessariamente tal coisa como conduta ideal que se aplique a todos. Para esta escola, “dois pesos e duas medidas” é uma idéia perfeitamente aceitável. Quando tratamos do relativismo na ética, pensamos, em termos práticos, nos liberais, e mais, nos libertinos. Repreensíveis? Talvez nem tanto quanto o rigorismo ético religioso que, com suas normas estreitas, tantas vezes descamba para uma práxis que destoa escandalosamente do próprio discurso despachado com veemência dos seus púlpitos.

Reza o ditado popular que “o hábito faz o monge.” Os paramentos revestem o homem de uma misteriosa aura de poder, e este exerce sobre os outros certa respeitabilidade que tende a colocar-se acima de qualquer suspeita. As vestes e títulos proporcionam oportunidades sedutoras ao homem de religião. Ao vadiar por este terreno perigoso, muitos têm sucumbido nas lamas fétidas de charcos terríveis, tendo suas almas aprisionadas em cadeias inescapáveis.

A religião sempre envolveu negócios. São negócios do “outro mundo”. Desde tempos imemoriais sacerdotes mancomunados com reis dividiram entre si o espólio das almas. A instituição religiosa, seja igreja, mesquita ou sinagoga, sempre flertou com o Estado. Poder religioso e político operam de forma simbiótica através da história das sociedades. Esta é um lição básica em qualquer curso de sociologia. O sacrobusiness pode até ser aqui apenas como neologismo, o conceito, entretanto, é mais velho do que a Serra da Mantiqueira.

Foi veiculado de forma ostensiva há alguns dias a estratégia utilizada por uma grande organização religiosa para movimentar as cifras bilionárias advindas das contribuições dos seus fiéis. As transações evidenciam, segundo investigação do Ministério Público, as maquinações de uma organização criminosa, e não de uma instituição religiosa, isto porque uma organização que sustenta um discurso com as matizes pesadas da retidão deveria, supostamente, ter suas contas tão transparentes quanto sugere o sermão.

Vivemos um tempo de crise em todas as instâncias. Um taxista amigo meu dia desses me falava da máfia que controla o seu segmento em Belo Horizonte. Tudo devidamente amparado pelos homens de títulos e togas, naturalmente. Sem a canetada dos tais, aprendi com meu amigo taxista, a coreografia complexa da corrupção não seria o espetáculo que é! Muito se tem falado da crise mundial que precipitou o mundo inteiro num pesadelo de medo e incertezas, como se tal coisa fosse uma novidade histórica. Pois o mundo não está em crise. Sempre esteve. A crise não é de agora. Iniciou-se no Éden, há muito, muito tempo atrás. Foi lá que os vermes começaram a decompor a ética que hoje, mais que nunca, carcomida e combalida, cambaleia, com passos trôpegos, escondendo sob a indumentária vistosa as carnes roídas pelos gusanos.

Que ninguém se iluda com o discurso sempre eleitoreiro daqueles que estão no poder e que anunciam que já estamos saindo da crise, expressando o desejo óbvio de administrar a situação em proveito próprio e permanecer ali, de preferência para sempre. Estamos chafurdados numa crise que tem precedentes imemoriais. Não foi precipitada pela ganância desmesurada e o apetite adoecido do sistema financeiro americano ou europeu. Vem, desde há muito, se alastrando como lepra por todos os quadrantes da vida social. Há cerca de três milênios atrás ouviu-se um grito lancinante ante a corrupção generalizada que ia apodrecendo as bases da sociedade judaica. O salmista angustiado exclamou: “Socorro, SENHOR! Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens.” (Sl 12.1)

Já não há esperança; já não dispomos de recursos para debelar a sanha da malignidade que se instalou e se espalhou pelo coração humano como metástase. Não, não sou um existencialista pessimista movido pelo desencanto. Tenho, contudo, que discordar de Leibniz que, não sei exatamente em que mundo vivia, afirmou que vivemos no “melhor dos mundos.” Talvez romântico demais, talvez tomado por uma paixão arrebatadora, disse a frase tão frequentemente contestada na história do pensamento. Não podia estar no melhor do seu juízo.

Mentiras, mentiras, mentiras nos palácios de Brasília, nos púlpitos das catedrais, nos auditórios dos hipnotizadores profissionais que entretêm e narcotizam as massas ignaras, que providenciam “pão e circo” para tornar a vida da plebe mais sentida e menos refletida. Resta o pasmo do salmista acima mencionado que, diante da crise nos seus dias pergunta alarmado: “Ora, destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? (Sl 11.3) Parece que os justos pouco ou nada poderão fazer, mas as rédeas da história estão nas mãos Daquele que se assenta no trono cujas bases são justiça e verdade. Ainda que pareça que tudo esteja perdido, a verdade ainda está de pé. Lembro-me das palavras de G. K. Chesterton: “Enquanto as monótonas heresias estão esparramadas e prostradas, a furiosa verdade cambaleia, mas segue em pé.”

O Senhor da história não está indiferente ao quadro de acinte e insulto à ética. O poeta sagrado parece ter chegado à mesma conclusão ao escrever: O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam os filhos dos homens. O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina. Fará chover sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, e vento abrasador será a parte do seu cálice. (Sl 11.4-6)

Cabeças vão rolar!

28 28UTC outubro 28UTC 2009

Mitologia e Preconceito

Arquivado em: Filosofando I — luiz leite @ 5:26 am
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A Caixa de Pandora

Por Luiz Leite

Ando mergulhado na mitologia nestes dias pelo fato de me encontrar às voltas com uma viagem para a terra de um dos povos mais místicos do mundo, a Índia; Mas não é da complexa mitologia Hindu que trataremos. Ainda não estou preparado. É confusa demais!

A mitologia nasceu quando os primeiros homens assentaram-se ao redor de uma fogueira e puseram-se filosofar… filosofando embevecidos diante do fascínio arrebatador das estrelas, partiram para os primeiros rascunhos de uma cosmogonia que, para dar sentido a tamanha grandeza, exigia poderes sobrehumanos.  Eis aí pois, o berço dos mitos.

Voce certamente já ouviu falar sobre a caixa de Pandora. Pois bem, para começo de conversa, a caixa não era de Pandora, pertencia a Epimeteu. O que Pandora tem com Epimeteu? Vamos lá então, dar um passeio pela mitologia dos gregos.

Segundo a mitologia grega (uma das versões), Pandora foi o nome da primeira mulher.  Foi feita no céu, e recebeu dos deuses os seus vários atributos.  De Vênus recebeu a beleza, de Mercúrio a persuasão, de Apolo a música e etc.  Foi, portanto, um verdadeiro presente, todavia, ainda que revestido de beleza, ocultava um intento maldoso. Presente de grego. Segundo o relato, teria sido criada e enviada a Prometeu e Epimeteu com o propósito de puní-los por terem roubado dos deuses o fogo.

Os deuses incumbiram aos citados titãs, da criação dos animais e da raça humana.  Foram incumbidos de equipar o homem e os animais com todas as faculdades necessárias à sua preservação. Epimeteu ficou com a responsabilidade de conceder aos animais capacidades especiais e assim fez. Distribuiu aos animais qualidades como rapidez, sagacidade, força…  Ao chegar ao homem descobriu que havia esgotado todos os recursos com os animais. O homem, entretanto, deveria ser superior a todos os animais, mas nada de especial sobrara para dar-lhe a distinção devida.

Ao contar a Prometeu, seu irmão, este subiu ao céu, e com a ajuda de Minerva, roubou dos deuses o fogo e dotou o homem com o domínio sobre o mesmo. Com a capacidade de controlar o fogo o homem tornou-se  superior aos animais. A atitude de Prometeu precipitou entre os deuses mais uma de suas infindáveis refregas. Zeus, irado com Prometeu, para enfraquecer os homens, enviou a Epimeteu, irmão daquele, uma mulher como presente. 

Muito embora Prometeu houvesse advertido seu irmão Epimeteu que não aceitasse nenhum presente dos deuses, aquele, encantado, aceitou Pandora. Epimeteu guardava numa caixa vários objetos malignos.  Pandora, tomada de grande curiosidade , sem poder se conter, abriu a dita caixa. Assim, saiu da caixa e  se espalhou por toda a parte uma multidão de pragas que atingiram o homem, fazendo-o adoecer de um grande número de males no corpo e na alma.

Pandora apressou-se em colocar a tampa na caixa, mas, infelizmente, escapara todo o conteúdo da mesma, com exceção de uma única coisa, que ficara no fundo, e que era a esperança. Assim, sejam quais forem os males que nos ameacem, a esperança não nos deixa inteiramente; e, enquanto a tivermos, nenhum mal nos torna inteiramente desgraçados.

Confesso que não me sinto à vontade diante da sugestão que confere à mulher a culpa pelos males da humanidade.  Se Epimeteu (cujo nome significa: Aquele que age antes de pensar) tivesse sido mais diligente em seu trabalho, não teria cometido o erro que cometeu; Se Prometeu, (aquele que pensa antes de agir)  não tivesse feito nenhuma conspirata com Minerva para roubar o fogo dos deuses, estes não teriam ficado irados à ponto de fazer entornar a bile divina.

Pandora poderia ser indiciada apenas por sua irresistível curiosidade, e isto com atenuantes; agora, penalizar a moça pelos males todos que sobrevieram à intriga de deuses e semideuses, aí já é exagero… Agora, pensando bem, qual seria a graça do mundo se não fossem as Pandoras?? Nesta versão aparece como punição, mas outras versões dizem que foi dada ao homem como verdadeiro presente. Sem dúvida o mais sublime dos presentes.

23 23UTC outubro 23UTC 2009

Richard Dawkins e a Última Fronteira

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 11:40 pm
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Ser Humano

Richard Dawkins e a Última Fronteira

Por Luiz Leite

O mais ilustre e badalado dos ateus na atualidade, Richard Dawkins, professor da Universidade de Oxford, afirma que ainda pretende resolver o enigma da consciência. A consciência, para ele,  apresenta-se como a  última das fronteiras onde, supostamente, residem os “mistérios” que intrigam e impressionam os místicos de todas as ordens.

Dawkins diz esperar que durante o sec. XXI os vestígios da superstição religiosa sejam definitivamente sepultados. Já está convencido que a “vida é feita de moléculas” como qualquer outra coisa. Reduzindo o milagre da vida a um fato corriqueiro, diz que a mesma “não é mais misteriosa”, e afirma ter esperança “que a consciência siga pelo mesmo caminho.”

Não há lugar para o mistério na”religião” de Dawkins. Tudo se explica, e a deusa Ciência, numa espécie de revelação gradativa, a seu tempo vai lançar luz sobre a ignorância humana e esclarecer, cientificamente, como funciona a consciência.

Dawkins, que se diz ateu, não é ateu coisa nenhuma. Elegeu para si como divindade, a Ciência, a qual cultua e defende com tanto ardor, como eu cultuo e “defendo” a Jesus Cristo. Realiza uma “cruzada” já há muitos anos para provar os postulados da Evolucionismo Darwinista e, segundo sua religião, o absurdo da reivindicação do Criacionismo.

Desde que lançou o livro “O Gene Egoísta”, em 1976, onde leva o processo evolucionário para o nível genético, vem causando polêmica com suas posições. Se vai desbravar a última fronteira e desvendar o mistério da consciência, duvido, a menos que, dia desses seja derrubado do seu cavalo em sua campanha contra a fé do povo do Caminho!

Não será vencido pelo argumento dos teólogos. Não se deixará intimidar pelas ameaças dos fanáticos. Não será impressionado pela complexa e altamente sofisticada estrutura orgânica da vida. Somente um encontro com o Nazareno na estrada para Damasco lhe será fatal. Se me é lícito desejar mal a alguém, desejo que ele caia do cavalo da arrogância científica e, cegado pelo claro, desde o chão, ouça a voz lhe chamar pelo nome dizendo: “Richard, Richard, dura coisa é para ti recalcitrar contra os aguilhões…” Este, sem dúvida, será o mais feliz dos seus dias!

17 17UTC outubro 17UTC 2009

Abre aspas…

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 1:17 am

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A dialética da ética (Lição I)

Pergunta ao deputado federal Paulo Maluf: “O senhor já roubou alguma coisa?”

Resposta: “Não necessariamente.”

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A dialética da ética (Lição II)

No auge da campanha [política], a tentação do poder é demasiadamente forte para a fragilidade humana. O fato é que a classe política, com exceções, segue a máxima epicurista, [segundo a qual] quando a tentação chegar, ceda logo antes que ela vá embora.
(Carlos Ayres de Britto, ministro do Tribunal Superior Eleitoral.)

***

Hedonismo radical I

Em termos morais, os norte-americanos substituíram o cristianismo por uma nova religião de sucesso. Essa religião não tem vida após a morte nem consideração pelas gerações futuras, pois, sem credo, consiste em consumir o máximo possível aqui e agora.  (Kenneth Serbin, professor de história na Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, e autor de “Padres, Celibato e Conflito Social”)

***

Hedonismo radical II

Nunca se viu em toda a história da humanidade um culto ao ego tão exacerbado como nos dias atuais. (Robert Swarav, psicólogo)

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Das über mensch

O indivíduo do século 21 tem declarado sua independência de modo a ser alguém além do bem e do mal, em que a autonegação, a solidariedade e o partilhar têm sido suplantados pela exaltação de si mesmo, bem ao sabor nietzschiano. (Lourenço Stelio Rega, diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo)

***

Noção torta

A noção de velhice associada à ideia de decadência e feiura dificulta a cada um o seu próprio envelhecimento. (Jacob Pinheiro Goldberg, psicanalista)

***

Poeta da pesada

Punição não é crueldade nem vingança, mas o recurso que resta para deter quem não aceita submeter-se às normas do convívio social. (Ferreira Gullar, poeta)

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Este é um país que vai pra frente…

Não é exagero dizer que o Brasil está à beira do status de superpotência+
(“Financial Times”, jornal inglês)

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Sem medo do medo

Entre os 30 e 40 anos de idade, minha atitude em relação à morte ficou calma e equilibrada. Sinto que ela é um marco de nossa existência, mas de modo nenhum o último.
(Alexander Soljenitsin, escritor e dissidente russo, Nobel de Literatura em 1970)

***

Valha-nos Deus!

Observando a realidade do cristianismo no Brasil, posso chegar também a uma honesta e sincera conclusão: estou horrorizado com grande parte desse mundo evangélico.
(Maurício Price, médico e pastor)

***

Valha-nos Deus! II

“Comigo ninguém pode – A maior corrente do Brasil” (campanha numa igreja da Grande São Paulo).

***

Valha-nos Deus! III

“Peguei a igreja com US$ 25 mil e deixei com quase US$ 40 mil de doações mensais. Aprendi a extorquir o povo, tenho até vergonha de falar” (depoimento de um ex-pastor da Universal em reportagem na revista Época).

***

Civilização suspeita

O ser humano é controlado por uma civilização e pelas leis. Ele não mata, não porque não tenha vontade, mas porque sabe que será castigado. Somos todos potencialmente assassinos.
(Caterina Koltai, psicanalista e socióloga, professora na PUC–SP)

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Maranata

“Talvez, quando Jesus voltar, ele me faça entender o que aconteceu” (Farah Jorge Farah, médico que matou e esquartejou a ex-amante. A Justiça lhe concedeu o direito de recorrer da condenação em liberdade).

***

Isca da natureza

O sexo tem um propósito e uma intenção procriadora. O prazer sexual é uma isca da natureza que leva ao ato procriador. O prazer, o companheirismo duradouro e todo o bem-estar dele decorrentes são altamente significativos, todavia não o esgotam, nem justificam o hedonismo excessivo de ontem, de hoje e de sempre. (Guilhermino Cunha, pastor da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro)

***

Poodle de divã

Dê à sua filha uma chance de casar com um rapaz decente (e não estou falando dessas malditas classes sociais) em vez de casar com um “pit bull” de boate ou “poodle” de divã.
(Fausto Wolf, colunista do “Jornal do Brasil”)

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Santa salada

Antigamente você se dizia católico. Hoje você é batizado na Igreja Católica, joga flores a Iemanjá, tem a casa decorada pelos princípios do Feng Shui e segue o budismo.
(Luli Radfahrer, professor na USP)

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Teologia em casa

“A própria Bíblia diz que Deus escreve certo por linhas tortas” (diálogo na novela Alma Gêmea).

6 06UTC outubro 06UTC 2009

Duas Palavras e um Abismo

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 6:11 am

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Duas Palavras e Um Abismo

Por Luiz Leite

Ao ouvir uma entrevista do jovem Piquet dando esclarecimentos acerca do seu desempenho no grande picadeiro do circo da Fómula Um, uma palavrinha me chamou a atenção. Perguntado pelo entrevistador sobre o que gostaria de dizer para o público brasileiro, ele respondeu: “Gostaria de pedir desculpas…”

É curioso como é fácil pedir desculpas… difícil mesmo é pedir perdão! São duas palavrinhas que se parecem tão próximas, mas ao mesmo tempo podem distar anos luz uma da outra. Um pedido formal de desculpa, como o do jovem piloto, é tão vazio e questionável quanto o choro sem lágrimas, uma vez que são estas que caracterizam aquele, ainda que nem sempre brotem sentidas na proporção exata do dano ou da fraude cometida.

Para pedir desculpas não é necessário rasgar o coração; admite-se um erro, mas não se chora por ele… Um pedido de perdão, entretanto, não sai espontânea e suavemente dos lábios de ninguém; vem sempre através de um trabalho de parto difícil que envolve contrações e muita dor.

Um pedido de desculpa é comum no mundo dos homens civilizados; faz parte do protocolo das boas maneiras, mas não carrega em si dor alguma, lamento algum, e por essa mesma razão, ainda que sob o verniz da etiqueta social, não produz homens melhores.

Há um verdadeiro abismo entre os dois vocábulos. Se ao pedir desculpas eu reconheço um erro, ao pedir perdão eu reconheço um pecado. Um erro ocorre como resultado de imperícia, imprudência, desatenção… Pecados, por sua vez, são maquinados na mente, gestados no coração e por fim executados a partir de uma malignidade, negada, mas intrínseca a todos os  homens.

Numa prece antiga da igreja romana conhecida como Confiteor (Eu confesso) os fiéis rezavam dizendo: “Confiteor Deo omnipotenti (…) quia peccavi nimis cogitatione verbo, et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa…” “Eu confesso Deus onipotente que tenho pecado em palavras e atos… Minha culpa, minha máxima culpa.”

É relativamente fácil pedir perdão a Deus. Difícil é pedir perdão ao próximo. Coisa mole é se humilhar diante de Deus numa prece chorosa; Dureza, entretanto, é humilhar-se diante do outro e conceder que ele está certo. Justificamos enquanto podemos, mesmo quando sabemos que delinquimos. Assim muitos vão vida a fora, qual delinquentes existenciais, reincidindo, incorrigíveis…

Reconhecer que erramos não exige esforço demasiado; falseamos bem estas coisas. além do mais, como já ventilado, um erro pode ser atribuido a um acidente qualquer, de cálculo, seja aritmético, geométrico ou trigonométrico… Assim conclui-se o por que da ponte que caiu, do prédio que caiu, do avião que caiu…

Admitir o pecado, todavia, é levantar o hábito da suposta santidade e expor-lhe as vergonhas. Por que o casamento caiu? por que a parceria ruiu? por que…? bem, nestes casos, não foi por conta de uma conta mal feita; Não cabe aí pedidos de desculpa. O elemento que faz ruir relacionamentos, que rompe alianças, que violenta a sociedade e defenestra as almas se chama pecado!

Não há pedido de desculpas que possa expiar a culpa pelo pecado. Enquanto o jovem piloto, e todos nós com ele, não aprendermos esta lição, continuaremos sendo um fracasso, ainda que cobertos pelo falso brilho que inebria a tantos no grande picadeiro deste circo imenso.

Qual seria o resultado se, ao invés de tentarmos esconder nossas vergonhas com as folhas de parreira da desculpa, viéssemos à público e confessássemos: “Tem misericórdia de mim porque pequei contra ti!”

30 30UTC setembro 30UTC 2009

Explicando o Inexplicável

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 11:39 pm
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Explicando o Inexplicável

Por Luiz Leite

Texto publicado na Coluna Pastoral da Revista Eclésia, edição Set/09

É imenso o desafio de se dar explicação ao inexplicável. A filosofia, para lidar com esses becos aparentemente sem saída e para colocar uma mordaça na boca da irrequieta razão que quer fazer sentido de tudo, inventou a contingência. Todos os eventos que estão além da nossa capacidade de processamento podem enfim ser enfiados no escaninho da contigência, deixados pra lá… não há por que, nem pra quê… Esquece!

Resta aos pobres e limitados pensadores considerar a contigência, pois há muita coisa para as quais simplesmente não há explicação. Conclui-se que temos que nos resignar diante do fato de que coisas ruins acontecem, que o universo é um sistema aberto em termos de possibilidades e que essas não obedecem a um padrão claro ou lógico. Afinal, diria o existencialista ateu, tudo é absoluta e absurdamente despropositado. Não há nenhum padrão nos acontecimentos. Não há nenhuma inteligência superior e amorosa governando nada!

A inescapável e ardilosa armadilha da contingência permanece com sua boca aberta, pronta a tragar filósofos e teólogos. O acaso nos deixa perplexos quando nos afeta direta e friamente sem consultar a quem quer que seja. As coisas simplesmente acontecem e ponto final. Homens honestos sofrem, pessoas ruins “prosperam”, crianças são abusadas… Estamos sujeitos ao desprazer, ao dissabor, indefesos diante da dor, do abandono… Os existencialistas se irritam e denunciam o mundo como absurdo! Tem hora que dá vontade de fazer coro com eles.

Por duas vezes essa semana fui convidado a olhar para o abismo através de um artigo de Ricardo Gondim, sobre o sinistro da Air France, e uma pregação de Ed Renê, que vim ouvindo no trajeto de São Paulo para Belo Horizonte. Devo concordar com Ed Renê, que se refere ao autor do livro bíblico de Eclesiastes como possivelmente o primeiro dos existencialistas. Ele flagrou o absurdo daquilo que acontece “debaixo do sol”, e pior, para horror dos crentes que tem a mania de querer defender Deus, o publicou!

Para os filósofos é bastante fácil e até mesmo confortável falar sobre a contingência. Para um teólogo crente (qual a razão do espanto? voce acha que todo teólogo é crente?), todavia, a matéria se torna bastante indigesta. Não é fácil conciliar contingência e providência. Fica difícil para o pensador teísta aceitar a contingência porque um dos seus pressupostos mais fundamentais é aquele que afirma que Deus tem o controle sobre todas as coisas e que, como disse Jesus, nem um pardal cai do céu sem o seu consentimento.

Segundo a afirmação de Jesus nada acontece por acontecer. Se “até os cabelos de vossas cabeças estão contados”, então o mundo não foi abandonado pelo Criador como querem os deistas com o seu conceito de um deus indifente e ausente. Por quê o avião caiu no mar? por quê a bomba explodiu no mercado? Por quê…? Ora todas essas ocorrências, funestas ou não, tem uma explicação sim; Nós, entretanto, nos embaraçamos para responde-las, mas o fato de não sabermos como fazê-lo não significa que sejam inexplicáveis.

A contingência é possivelmente um dispositivo esperto forjado pela razão para nos ajudar a eximir a humanidade das responsabilidades que lhe cabem. Indo além, a contingência não apenas absolve o homem da sua participação no sinistro, como também o vitimiza, nutrindo a milenar rebeldia deste contra o Criador; Este sim, é o vilão, responsável pelo caos, afinal tudo não é feitura Dele?

Admitamos: Não temos resposta para tudo. Não controlamos todas as variáveis.  Na verdade não temos o controle de nada! Isto nos irrita grandemente, ferindo de morte nossa estúpida e desmedida pretensão. Inoculados com a peçonha da serpente, ainda hoje mantemos uma pose soberba, acreditando na suprema mentira em vez de rendermo-nos humildemente aos pés da Suprema Verdade. A nossa imensa fragilidade e limitação é flagrante. Insistimos, todavia, em manter uma pose que projeta uma imagem enganosa de nós mesmos. Por nos avaliarmos por esta escala equivocada é que cometemos os tantos erros que resultam em tantas expressões de pasmo.

Aviões caem, tetos de igrejas caem, navios afundam, balas perdidas encontram alvos inocentes… a meningite mata, a gripe suína mata, a AIDS mata… morre-se no atacado, em grandes conflitos bélicos, morre-se no varejo, no recesso da família, morre-se a prestação, inalando a fumaça do tabaco, do crack ou dos gases expelidos por automóveis e chaminés… Todas essas ocorrências são em si suficientes para nos deixar prostrados, confusos e infelizes.

Sem respostas para explicar o inexplicável, resumimos o desconforto a um golpe da contingência. Ora, se tudo fosse contingencial não haveria plano algum, e por extensão não haveria também  necessidade de Deus algum. Se não há propósito, como poderíamos dirigir nossas preces a Deus e clamar: Guia-me. Por quê oramos então? Se existe um Deus que guia, então há um propósito por trás da grande trama! Assim cremos. Assim pregamos!

O autor do livro biblico de Eclesiastes diz que “Deus fez todas as coisas perfeitas a seu tempo…” Ainda que os céticos torçam o nariz quando se relaciona o surgimento do mundo a um criador, o que sustentamos é que assim mesmo foi que tudo se fez, por força do ato de vontade Daquele que criou todas as coisas, e isto, com propósito.

São Tomás de Aquino em sua Suma Teológica afirma:

A criação das coisas por parte de Deus é a melhor, pois é próprio de quem é o Melhor fazer tudo da melhor maneira. Ora, é melhor fazer uma coisa em vista de um fim do que fazê-la sem visar uma finalidade. Por conseguinte, Deus fez as coisas com vistas a uma meta.”


22 22UTC setembro 22UTC 2009

De Ore Dei

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 4:57 am

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De Ore Dei

Por Luiz Leite

Non in solo pane vivit homo, sed in omni verbo quod procedit de ore Dei.”

Ainda que essencial para a manutenção da vida, o pão não é tudo. Nem só de pão vive o homem, disse Jesus, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Jesus revela algo tão curioso quanto poderoso nessa que é uma das passagens bíblicas mais largamente difundidas e decoradas.

Precisamos do pão, alimento orgânico, mas a vida nao se resume a esta esfera de necessidade. Temos outras necessidades, que não aquelas intrínsecas à nossa materialidade. Precisamos de palavras para viver!

Somos alimentados, sobretudo, por mensagens! Palavras nos alimentam. São as palavras que nos animam a prosseguir, a perseverar, a acreditar… A criatura humana, diferentemente das demais, que vivem sob o impulso do instinto, reage ao poder da palavra.

Mensagens nos afetam num nível tão profundo que são capazes de reprogramar nossas mentes e nos reorientar na vida, alterando dramaticamente o curso de nossa existência. Tanto para bem quanto para mal, as palavras produzem efeitos impressionantes! Podem tanto devastar a alma, precipitando-a para os substratos mais sombrios do abismo, quanto turbina-la, emprestando-lhe propulsores poderosos que a lançem nas maiores alturas.

Não vivemos apenas de pão! Non in solo pane vivit homo… Precisamos de pão espiritual, para o sustento do espírito, onde reside o princípio ativo da vida.  Jesus disse ser ele mesmo esse pão. “Eu sou o pão vivo que desceu do céu…” e ajuntou: “Quem de mim se alimenta por mim viverá.”

Se voce tem comido o pão que o diabo amassou, experimente comer do PÃO que amassou o diabo! Coma das palavras de Jesus e viva por elas.

17 17UTC setembro 17UTC 2009

Pulgas sobre a Rocha!

Arquivado em: videos — luiz leite @ 12:14 am

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Pulgas sobre a Rocha!

Por Luiz Leite

Sim, como pulgas sobre a Rocha, labutaram em vão aqueles que se levantaram contra a Bíblia e seu conteúdo. Apesar de todos os ataques sofridos através dos séculos, a mensagem do Evangelho permanece sendo a mais inteligente proposta já feita ao homem! Voce precisa conferir!


11 11UTC setembro 11UTC 2009

O Jesus Histórico

Arquivado em: Livros — luiz leite @ 6:27 pm

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O Jesus Histórico

Por Luiz Leite

Extraído do livro A INTELIGÊNCIA DO EVANGELHO de Luiz Leite

Com respeito ao Novo Testamento em si, qualquer crítica que questione o seu valor só pode proceder de alguém que ignora os fatos. Podemos afirmar que o Novo Testamento é um dos escritos antigos mais bem documentados que existem. Milhares de manuscritos antigos, cobrindo um período que vai, desde o século II até a invenção da imprensa, estão à disposição dos eruditos. Champlin diz:

“Admira-nos quão escassa é a evidência em forma de manuscritos que há em favor dos grandes clássicos não bíblicos. Alguns deles dependem de alguns poucos manuscritos medievais. (…) As obras de muitos autores famosos da antiguidade foram preservadas para nós somente em manuscritos compostos na Idade Média. Em contraste com isso, o Novo Testamento conta com 5000 manuscritos gregos, alguns dos quais datam de cerca de um século após a composição dos originais…

Geisler nos conta que o clássico da literatura secular antiga mais documentado é a Ilíada de Homero, sobrevivendo em apenas 643 cópias manuscritas. Todavia, se levarmos m consideração todos os manuscritos do NT, além daqueles produzidos em língua grega, teríamos um total de mais de 14 mil cópias! Revela-nos ainda um fato surpreendente:

“Além disso, se compilarmos as 32 289 citações dos pais da igreja primitiva dos séculos II a IV, podemos reconstruir todo o NT com exceção de onze capítulos”.

Diante de tão numerosas evidências documentais, é fácil dar crédito à historicidade do Novo Testamento. Além de contar com manuscritos antigos, o estudioso das Escrituras pode contar também com manuscritos precisos. Frederic Kenyon, autoridade reconhecida sobre manuscritos antigos, citado por Geisler em sua Enciclopédia Apologética, disse acerca do NT:

“O número de manuscritos do NT, de traduções antigas e de citações dele nos autores mais antigos da Igreja é tão grande que é praticamente garantido que a leitura correta de toda passagem duvidosa é preservada em uma outra dessas autoridades antigas. Não se pode dizer isso sobre nenhum outro livro antigo no mundo”.

Se, diante de tanta prova torna-se fácil verificar a autenticidade do NT, difícil é acreditar, como querem os céticos, que um punhado de pessoas iletradas, oriundas de uma região obscura e sem qualquer relevância cultural, tenha produzido uma história tão fascinante, tendo por centro da trama o mais eletrizante personagem que a história humana já teve notícia.

Com respeito à pessoa de Jesus, muitos têm objetado a possibilidade de sua existência e procurando reduzi-lo a uma figura mitológica. Personagens famosos de áreas diversas tem se pronunciado a respeito de Jesus, deixando claro que o fascínio do Cristo é grande demais para ser verdadeiro. Bertrand Russel disse em seu ensaio Por que não sou cristão:

“Historicamente é muito duvidoso que Cristo tenha sequer existido, e se existiu não sabemos nada a seu respeito.”

Bertrand Russel, ateu confesso, bem como os demais céticos iluministas e toda a produção teológica liberal do século XIX, desejava submeter o Evangelho às regras do método científico. Entretanto, apesar dos relativamente recentes questionamentos envolvendo o elemento fundamental da fé cristã, autores antigos célebres como Tácito (115 d. C), Suetônio (125 d.C) e Plínio, o Jovem (110 d.C), fazem menção dele, não como um mito, mas como um personagem histórico.

Além desses pode-se encontrar traços do Jesus histórico em Flávio Josefo, importante historiador judeu, ainda que a referida menção seja questionada pela crítica como possível interpolação. Diz-nos Josefo: 

“Nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se, todavia, devemos considerá-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não por somente muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Era o Messias.”

30 30UTC agosto 30UTC 2009

Senatus Populusque Romanus

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 5:10 am
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S.P.Q.R

Por Luiz Leite

A sigla emblemática S.P.Q.R (Senatus Populusque Romanus)  é quase onipresente na história do império romano. Expressa a proeminência fundamental do Senado como uma de suas mais importantes  instituições políticas. Remonta os anos iniciais de um pequeno reino na península itálica que mais tarde se transformaria num dos mais  imponentes impérios de que se tem notícia.

Rômulo, primeiro rei do reino que alcançaria o status de imperium teria sido o fundador do senado. Antes mesmo da fundação de Roma (753 BC) já funcionava na terras da Itália  uma espécie de suprema corte, conselho tribal composto por anciãos.  Rômulo adotou a idéia do conselho tribal de ançiãos, oficializando a famosa instituição. O termo “senado” procede do latim “Senex”, significando “homem velho”. Senado significa, portanto, literalmente, “conselho de homens velhos”.

Este Conselho de “homens velhos” era uma instância da mais alta respeitabilidade pois ali supostamente prevalecia a voz da sabedoria e da razão. Os povos podiam entregar o leme da nação ao Senatus. Homens íntegros zelavam pelos rumos do interesse comum obedecendo a um código de honra estrito.

Hoje, o que se vê no Senado brasileiro é absolutamente constrangedor;  Causa profunda indignação saber que se assentam nos lugares de tão grande importância, homens cuja credibilidade está comprovadamente comprometida por mil conchavos. As nódoas em suas fichas falam por si.

A casa que deveria representar o bastião da ética na política tornou-se um covil de salteadores. O Senado brasileiro, tal como hoje se apresenta, guardadas talvez algumas raras exceções, não faz jus ao nome. O “Conselho de homens velhos”, tradução do termo Senado, sugerindo a confiabilidade dos anciãos, poderia ser melhor traduzido, no nosso caso, por “Conselho de homens velhacos”.

Morre de vergonha o cidadão brasileiro que, com alguma consciência política, (milhões não a tem!) tem que engolir como senadores da república em seu país, um elenco que mais se parece com os personagens daquele conto das arábias, “Ali Babá e os quarenta ladrões”! Se as articulações desavergonhadas que ocorrem ali fossem descobertas em outros países, os tais senadores já há muito teriam saído da cena, abrindo mão de seus mandatos, ou até mesmo, como já visto em algumas ocasiões, cometido suicídio!

Brasil, mostra sua cara! Apenas a cara pintada do protesto, entretanto, não resolve. Em algum lugar, no meio da noite, precisamos também de olhos molhados!

 




24 24UTC agosto 24UTC 2009

A Maldição dos Botocudos

Arquivado em: Diários I — luiz leite @ 11:20 pm

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A Maldição dos Botocudos

Por Luiz Leite

Onde estão os Botocudos?  Desapareceram? A princípio parece que sim. Para quem não sabe,  foram um dos grupos nativos mais aguerridos contra os quais nossos tataravós tiveram que medir forças.  O alcunha dado pelos portugueses, Botocudos, referia-se aos “botoques”, peça de madeira que colocavam nas orelhas e lábios, modo peculiar de enfeitar-se destes temíveis guerreiros.

Hoje, extintos eles (praticamente), cá estamos nós, tranquilamente assentados em suas terras, tocando nossa vidinha pacata e inocente. Dos mais de cem grupos indígenas que habitavam o estado de Minas Gerais, apenas uns poucos remanescentes de oito desses grupos sobrevivem. O invasor,  com sua supremacia incomparável, acabaria vencendo, tanto pelo expediente do arcabuz e da espada, quanto pela esperta malandragem de homens como Teófilo Otoni, que amealhou com sua peculiar forma de diplomacia, extensões imensas de terras indígenas para si e sua parentela.

A vitória dos grileiros europeus todavia não viria de maneira fácil. Os terríveis Botocudos defenderam suas terras e cultura como puderam, enquanto puderam, de todas as formas. Foram enfrentando-se com o inimigo, até que D. João VI, ordenou uma investida tal contra os já famosos guerreiros, que determinasse o seu fim.

“(…) deveis considerar como principiada contra estes índios
antropófagos uma guerra ofensiva que continuareis sempre em todos os anos
nas estações secas e que não terá fim, senão quando tiverdes a felicidade de
vos senhorear de suas habitações e de os capacitar da superioridade das
minhas reais armas de maneira tal que movidos do justo terror das mesmas,
peçam a paz e sujeitando-se ao doce jugo das Leis e prometendo viver em
sociedade, possam vir a ser vassalos úteis, como já o são as imensas
variedades de índios que nestes meus vastos Estados do Brasil se acham
aldeados e gozam da felicidade que é conseqüência necessária do estado
social (…) Que sejam considerados como prisioneiros de guerra todos os
índios Botocudos que se tomarem com as armas na mão em qualquer ataque;
e que sejam entregues para o serviço do respectivo Comandante por dez anos,
e todo o mais tempo em que durar sua ferocidade, podendo ele empregá-los
em seu serviço particular durante esse tempo e conservá-los com a devida
segurança, mesmo em ferros, enquanto não derem provas do abandono de sua
atrocidade e antropofagia. (…) e me dará conta pela Secretaria de Estado de
Guerra e Negócios Estrangeiros, de tudo o que tiver acontecido e for
concernente a este objeto, para que se consiga a redução e civilização dos
índios Botocudos, se possível for, e a das outras raças de índios que muito vos
recomendo”;

Exterminamos os Botocudos e muitos outros grupos. Prevalecemos. É a marcha implacável da história. Parece, entretanto, que os Botocudos estão retornando. Nossos jovens, como que “possuídos”, estão adotando os conceitos Botocudos de beleza, deformando lábios, orelhas e narizes, com “botoques” modernos. Aquilo que para os nativos era pura estética dentro do seu contexto cultural, para os nossos jovens guerreiros urbanos, soa mais como uma bizarra manifestação de auto-imagem avariada. Parece-me, quando os vejo pelas ruas das capitais desse imenso Pindorama, que estamos sendo visitados pela maldição dos Botocudos, que lançada sobre os antepassados, atinge agora, tardiamente, nossos curumins. Deus nos livre!

11 11UTC agosto 11UTC 2009

Eu Ri…

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 11:35 pm

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Eu Ri…

Por Luiz Leite

Artigo publicado na Revista Eclésia, edição de Agosto/09

A minha reação foi tão automática quanto espontânea… Uma risada gostosa levou meus músculos faciais todos a uma sessão exaustiva de aérobica… nenhum sequer foi poupado. No final estávamos, eu e eles, esgotados, desfrutando de uma sensação prazerosa de bem estar, coisa que só uma deliciosa gargalhada poderia proporcionar. É interessante, mas até uma risada pra ser gostosa de fato, tem que ser original… se forçada, não vale! Pior, nos faz sentir ridículos!

A risada é um enigma ainda pouco compreendido. Uma coisa é certa, creio, proporciona benefícios terapêuticos ainda por descobrir. Para mim funciona como, quando ao abrir das janelas de uma casa abafada, recebemos uma lufada de vento fresco, refrigerando todo o ambiente. É mais ou menos por aí. Neuróticos de toda linha podem se deliciar com a metáfora; aos psicopatas, entretanto, fica vedado o significado da mesma, pois, não conseguem lidar com tais coisas.

Mas a razão de tão agradável gargalhada foi a matéria de capa da Revista Época, edição de março/09. Uma capa simples, mas criativa, no melhor estilo lúdico, traz a frase: A fé que faz bem à saúde - Novos estudos revelam que nosso cérebro nasceu programado para acreditar em Deus – e isso nos ajuda a viver mais e melhor.” Ao ler a frase pensei comigo: “Pronto! agora ninguém mais nos segura… acabamos de inventar a roda!” Faltei rolar no chão…

A matéria, assinada por Letícia Sorg, diz:
“Cientistas de diferentes áreas se debruçaram sobre a questão nos últimos anos e chegaram a conclusões surpreendentes. Não só a fé parece estar programada em nosso cérebro, como teria benefícios para a saúde.”

Como o propósito da matéria não era construir um tratado sobre fé e religião, é óbvio que acaba descambando para a direção pretendida, que é investigar o fenômeno religioso pelas lentes dos achados mais recentes das neurociências. Os neurocientistas estão redescobrindo o continente da fé com milhares de anos de atraso.

A matéria revela “novidades” que, para os que mantêm um relacionamento com Deus não passam de rudimentos já bastante conhecidos por qualquer pessoa que esteja dando os seus primeiros passos na eletrizante estrada da fé.
As conclusões dos estudos revelam que a fé em Deus reduz a ansiedade, ajuda a lidar melhor com os erros, dá equilíbrio diante dos problemas e etc. Um professor da Universidade de Toronto revela ao mundo uma preciosa pérola. Diz o psicólogo:
“Suspeitamos que a crença religiosa protege contra a ansiedade porque dá um sentido para as pessoas. Ajuda-as a saber como agir e, com isso, reduz a incerteza e o estresse.”

“Suspeitamos…” kkkkkkkkk;  Perdoem-me a gargalhada, mas essa foi hilária. Não parou por aí. Continuei rindo na medida em que lia o texto. As risadas, entretanto, em nenhum momento beiraram o deboche; Simplesmente me alegrava com a constatação, pela ciência, de que a espiritualidade consistente é mesmo fonte inesgotável de benefícios. “A influência da crença em Deus na redução do estresse já é quase um consenso entre os médicos”, diz a matéria, amparando-se na avaliação do Dr. Marcelo Saad, doutor em reabilitação. Diz mais o Dr Saad: “As doenças relacionadas ao estresse, especialmente as cardiovasculares, como a hipertensão, o infarto do miocárdio e o derrame, parecem ser as que mais se beneficiam dos efeitos de uma espiritualidade bem desenvolvida.”

Agora, para terminar, as pesquisas apontam para a necessidade de congregar!! Segundo as conclusões a que chegaram, a fé, para que seja eficaz, deve ser engajada. A ciência confirmando a verdade bíblica? Pois é o que parece. Neste ponto os estudos afirmam que “o apoio social é algo extremamente valioso para a saúde física, inclusive para a sobrevivência e a longevidade”. Um sociólogo e professor da Universidade do Texas, Robert Hummer, que acompanha um grupo de pessoas desde 1992 para tentar esclarecer a relação entre a religião e a saúde, entre outras coisas, diz, segundo a pesquisa, que quem nunca praticou uma religião tem um risco duas vezes maior de morrer nos próximos oito anos do que alguém que a pratica uma vez por semana.

Em sua criteriosa busca pela verdade os cientistas honestos (há os picaretas que forçam os dados e mascaram fatos para os propósitos unicamente mercantilistas de segmentos altamente prostituídos como o da indústria farmacêutica) prosseguirão incansáveis, esmiuçando a matéria até descobrir a face de Deus, ambição já ventilada pelo celebrado físico Stephen Hawking. A pergunta é se encontrarão um rosto que ri de alegria, como um pai que festeja ao ser encontrado por uma criança brincando de esconde-esconde, ou um riso de ironia como resposta a arrogância do coração do homem.
“Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção; antes desprezastes todo o meu conselho, e não fizestes caso da minha repreensão; também eu me rirei no dia da vossa calamidade; zombarei, quando sobrevier o vosso terror…” (prov 1.24-26)

Lembrei da frase de Jastrow que admite uma possibilidade que seria um pesadelo para os ateus. Esse pesadelo seria o desconcerto dos cientistas quando por fim se virem forçados a concordar com o fato de que os vestígios deixados no cenário vão conduzir diretamente ao Criador que por séculos insistiram em negar. Disse o astrônomo:

“Para o cientista que viveu pela fé no poder da razão, a história termina como um pesadelo. Ele escalou a montanha da ignorância; está prestes a conquistar o pico mais alto; e, quando chega á última pedra, é cumprimentado por um bando de teólogos que estavam sentados ali há séculos”.

Aguardemos a pós-história onde teremos todas as perguntas respondidas e todos os conflitos solucionados! Apesar de agnóstico, e pelo que parece, agnosticismo moderado, o que no fundo não passa de uma espécie de ateismo inseguro, Jastrow desconfia que os homens e mulheres de fé tem de fato um segredo que as lentes da ciencias ainda não conseguiram captar. Graças aos estudos recentes da neurociência as primeiras camadas do grande “mistério” estão começando vir à luz. Tomara que tenham tempo para reavaliar suas convicções!

3 03UTC agosto 03UTC 2009

Nó na Língua

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 11:14 pm
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Nó na Língua

Por Luiz Leite


Spectaculum facti summus Deo, angelis et hominibus.” (Acima das tribunas dos reis, estão as tribunas dos anjos, está a tribuna e o tribunal de Deus, que nos ouve e nos há de julgar!)

Pe. Antonio Vieira


Voe mihi, quia tacui.” (Ai de mim, que não disse o que convinha!)

Dê um nó na sua língua. Só o desate quando tiver completo controle sobre ela! Não permita que ela se movimente por aí, livre e sem censura. Faça como Davi que disse: ” Guardarei os meus caminhos para não pecar com a minha língua; guardarei a minha boca com uma mordaça, enquanto o ímpio estiver diante de mim.” (Sl 39.1)

A Bíblia alerta para o cuidado com as palavras e o uso que se faz delas… Muito já tem sido ensinado e escrito acerca do tema. Simplesmente não damos o valor devido. Negligenciamos. Pecamos contra os outros, pecamos contra Deus, e por fim prejudicamos nossa própria alma.

As palavras modelam nosso destino, configurando ou desconfigurando-o.  Pelo menos 90% das batalhas são causadas por elas, mas as machucaduras sofridas nestes conflitos tambem são curadas por elas. Como setas de fogo, quando atingem o alvo, produzem dor lancinante. Desequilibram, enlouquecem…

Afortunadamente, palavras não são veículos de destruição apenas. São também condutoras de medicina, bálsamo potente, com poderes miraculosos de cicatrizar as mais crônicas das mazelas. Devem ser utilizadas com sobriedade. Vêm de Ana, mãe de Samuel um dos conselhos mais sóbrios a respeito do cuidado que se deve ter para com o seu uso. Diz a mãe do profeta: “Não faleis mais palavras tão altivas, nem saia da vossa boca a arrogância; porque o Senhor é o Deus da sabedoria, e por ele são pesadas as ações.” (I Sm 2.3)

Guarde bem os seus lábios e mova-se com prudência. Escolha com paciência os caminhos da língua, trabalhe melhor o seu fraseado, seja um artesão na construção mágica das letrinhas, pois estas, tais quais tijolos, vão construir o mundo ao seu redor. Se sua morada será um lugar aprazível ou uma masmorra lúgubre, dependerá em muito desta fantástica matéria prima que é a palavra falada!

O velho e sábio Salomão disse que as palavras devem ser escolhidas e sintetizou o conceito numa de suas mais deliciosas pérolas:  “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.” O Apóstolo Paulo, fazendo coro com o rei de Israel, adverte:“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas sim, unicamente a que for boa para a edificação, conforme a necessidade, e assim transmita graça aos que ouvem.”

Se refletíssemos um pouco mais prolongadamente sobre este conselho certamente nos portaríamos com mais cuidado  e teríamos menos problemas para resolver no campo delicado dos relacionamentos. O jogo da vida é muito sutil e cheio de armadilhas. As palavras podem tanto nos ajudar, se escolhidas cuidadosamente, como podem nos atrapalhar, se proferidas atabalhoadamente. “Falar sem refletir é estultície e vergonha.”


30 30UTC julho 30UTC 2009

O Projeto Babel

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 2:00 am
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O Projeto Babel

Extraído do livro A INTELIGENCIA DO EVANGELHO de Luiz Leite


O nome de Nimrode está íntima e inseparavelmente vinculado à imagem da torre de Babel e ao seu forte conteúdo simbólico. Segundo a Jewish Encyclopedia (Enciclopédia Judaica) o nome Nimrode significa “aquele que faz todo o povo se rebelar”,  ou, simplesmente, “vamos rebelar”. Teria sido o primeiro caçador que, por conseqüência, introduziu o consumo de carne após o dilúvio, e também o primeiro rei da era pós-diluviana.

O propósito em Babel é de contrariar a ordem que Deus havia dado a Adão e agora a Noé, de que se multiplicassem e enchessem a Terra. Para tanto precisariam espalhar-se, uma vez que havia espaço amplo para todos. Pois Nimrode propõe o contrário. Ao invés de se espalharem, eles deviam concentrar-se formando assim um só sistema, um só governo. Nasce em Nimrode o projeto de um governo mundial único. A globalização como hoje a conhecemos tem suas origens no projeto Babel, projeto esse que Deus embargou, mas o homem jamais abortou…

A plataforma política de Nimrode sinalizava uma mensagem clara:

“Não pereceremos como pereceram nossos antepassados nas águas do dilúvio; Construiremos uma torre alta, mas tão alta, que ainda que caia toda a água do mundo, não seremos atingidos.”

Nimrode, mesmo após o embargo de sua obra em Babel, prosseguiu poderoso e veio a se tornar um dos primeiros humanos a serem divinizados.

A ignorância profunda dos seus contemporâneos permitiu surgir e florescer, segundo a lenda, o embuste engendrado por sua mãe, Semirâmis, que após persuadir seus súditos de que o filho era um deus, aproveitou a onda e se fez deusa; ela que era a rainha-mãe, agora se torna também deusa-mãe, a primeira deusa-mãe da história. Após ela muitas outras viriam a surgir… Essa história te é possivelmente bem familiar.

Na verdade Deus não tem nada contra o homem construir torres. As motivações do coração é que, se tortas, determinarão a intervenção divina; As planificações que partem, desde os primeiros rabiscos de projeto, de conceitos doentes é que moverão a mão de Deus contra esses sonhos tresloucados.

Vemos nestes nossos dias o Projeto Babel sendo reativado. Autoridades políticas e até mesmo religiosas clamam por um governo mundial único. Há poucos dias noticiários do mundo todo veicularam as palavras do Papa Bento XVI que dizia que o mundo precisa de um líder único. À beira da falência, o homem busca amparo no próprio homem e despreza o socorro de Deus. A obra está a todo vapor. Deus observa em silêncio.

A torre de Babel representa a arrogância e auto-suficiência humana que insiste em tocar seu projeto solo sem a direção de Deus. Para a frustração de muitos, ainda hoje Deus continua interessado nos negócios da Terra, e vez por outra diz: “Desçamos e confundamos os homens.” Será que o nosso projeto pessoal de poder não é uma réplica daquela malfadada torre?  Que não seja, porque se for a obra sem dúvida será embargada!

22 22UTC julho 22UTC 2009

Espetáculo Nauseabundo

Arquivado em: Livros — luiz leite @ 12:28 am
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Artigo publicado na Coluna Luiz Leite do Portal Guiame


Tenho ouvido, com algum desconforto, certo “barulho” em torno do livro Feridos Em Nome de Deus. Como escritor me pergunto que tipo de serviço estaria prestando ao Reino de Deus a publicação de um trabalho como este? Sinceramente não sei que benefício poderia proporcionar ao mundo a exposição deste “circo de horrores!” Isto, entretanto, não significa que condene quem o fez. Só sustento que eu não o faria.

Uma sobrinha me enviou um e-mail perguntando o que acho do livro. Respondi simplesmente que não edifica. Os curiosos desejarão saber dos tais escândalos, dos conchavos, maracutaias e outros expedientes escusos que se processam nos bastidores da igreja brasileira. A pergunta deve ser: “Esta leitura vai edificar a minha vida?”

Dói presenciar líderes de projeção nacional atacando-se mutuamente, expondo as misérias uns dos outros, trocando farpas entre si e proporcionando ao mundo e aos pequeninos um espetáculo nauseabundo. Lamentável, sofrível, deprimente! A mídia se interessa naturalmente pela polêmica (do grego “Polemos”, que significa “guerra”). Guerra é tema que vende bem! O que temos aí é sem dúvida uma guerra, ainda que fria, velada, invisível, mas certamente fomentada pelo diabo que sabe muito bem como capitalizar a vaidade e arrogância humana.

Não quero aqui demonizar a autora. Entendo que a veia jornalística dela não aguentou… estourou… Certamente a entendo! Esse “derrame” era inevitável! Gostaria, entretanto, que a denúncia fosse apresentada por um Amós, um profeta que não apenas colocasse o dedo na ferida da igreja desavergonhada, mas trouxesse, junto com a denúncia o peso apavorante da sentença:

“Mostrou-me também assim: eis que o senhor estava junto a um muro levantado a prumo, e tinha um prumo na mão. Perguntou-me o Senhor: Que vês tu, Amós? Respondi: Um prumo. Então disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo Israel; nunca mais passarei por ele. Mas os altos de Isaque serão assolados, e destruídos os santuários de Israel; e levantar-me-ei com a espada contra a casa de Jeroboão.” (Amós 7.7-9)

Se não for assim, ficamos apenas no denuncismo que não trás conserto e nem produz arrependimento.

Por fim, disse pra minha sobrinha: Este livro vai te entristecer e talvez trazer uma espécie de desencanto negativo acerca da igreja. Leia a “A INTELIGÊNCIA DO EVANGELHO”, o livro mais recente do tio, e ainda que você venha se entristecer com tantos erros cometidos pela igreja na esteira dos séculos, pelo menos triste você não ficará no final… Esta obra inspira e estimula os cristãos a continuarem servindo a Jesus com paixão, apesar dos homens e seus desvios. Não se deixe desiludir pelos escândalos. São inevitáveis, mas…

15 15UTC julho 15UTC 2009

A Chave Hermenêutica

Arquivado em: Livros — luiz leite @ 11:30 pm

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A Chave Hermenêutica

Por Luiz Leite

Fausto, o personagem central do grande poema de Goethe, num desabafo que denota profunda exaustão existencial exclama:

Estudei ardentemente tanta filosofia, direito e medicina e infelizmente muita Teologia (…) e chego ao fim de tudo ignorante de tudo!

Depois de tantos estudos, geralmente a conclusão a que o sábio chega é que nada sabe. O acúmulo de conhecimento, ainda que útil em vários aspectos, não é suficiente para saciar aquela estranha fome que devora a alma humana. O conhecimento, por si, pode alvoroçar a alma do homem, torná-lo arrogante, irrequieto e até destrutivo.

O poema de Goethe parece ser, a princípio, uma paródia do livro bíblico de Jó. Como no grande clássico bíblico, Mefistófeles, o diabo, numa espécie de disputa com o Senhor, põe-se a infernizar a vida do já angustiado Fausto. O desenrolar dos fatos, entretanto, toma um rumo bem diferente daquele observado na narrativa da vida de Jó.

O personagem de Goethe interage com o anjo caído por toda a estória e flerta com o diabo como se este fora totalmente inofensivo. Diferentemente do personagem bíblico, que é apresentado de início como um homem bem-sucedido, vivendo uma vida próspera e pacata, o Fausto de Goethe é, de saída, encontrado numa profunda crise, como que envolvido por um turbilhão inescapável de conflitos e experimentando tédio insuportável.

Muito letrado, Fausto deparou-se com o desencanto na rota para o suicídio:

“Eu acreditava ser a imagem de Deus, muito incerto,

Ser o espelho fiel da vera eternidade!

(…) Mas um tufão me mostrou o que sou na verdade.

Após adquirir tanto conhecimento, Fausto se viu aturdido, confuso, sem resposta para a aguda crise interna, a crise da auto-imagem. Quem sou? O que sou? Ter respostas parciais para essas questões não resolve. Um imenso acervo de conhecimento desse mundo e dos mecanismos que o movem não é suficiente e não provê garantia de libertação dos cárceres da angústia. Fausto experimentou o desencanto mesmo depois de acumular tanto saber dessa natureza.

Em conversa com o pretenso Wagner que ansiava saber tudo diz:

“Será o pergaminho essa fonte sagrada que a nossa sede de saber eterno acalma?

Alívio não acharás nessa dura empreitada se a fonte não jorrar dentro da própria alma.”

Conhecer o mundo ao nosso redor é importante. Saber seus segredos é estimulante. Aprender, aprender, aprender deveria ser o lema da criatura humana, posto que a vida é curta e a arte é longa! Mas a angústia será certa se nos limitarmos à curiosidade concernente ao mundo da matéria.

O Sábio Salomão já há três mil anos havia chegado a essa conclusão dizendo que “quem aumenta ciência aumenta enfado”. A ciência não tem todas as respostas. Para piorar a inquietação nas almas dos inquiridores, como já se disse em algum lugar, quando o homem acha que encontrou a resposta, Deus muda a pergunta!

Kant foi possivelmente quem melhor percebeu a charada e concluiu que a razão, ainda que importante, não seria suficiente como muro de arrimo para conter o peso insustentável das questões que pressionam, demandando respostas que o intelecto não pode dar. O conhecimento científico, empírico explica o mundo em parte. Muito embora seja de grande valia obter o conhecimento, esse tipo de informação não nos proverá com as respostas para questionamentos de outra ordem.

Kant opõe-se ao racionalismo iluminista que sustentava que a razão humana seria perfeitamente capaz de decifrar os enigmas do mundo natural, de nós mesmos e do próprio Deus. Para ele, as incansáveis investigações do labor científico não conduzirão o homem a lugar algum além do campo imediato dos fenômenos. O conhecimento que a ciência pode proporcionar descreverá o fenômeno, mas não penetrará naquilo que ele chamava de “a-coisa-em-si”.

Existe algo para além do fenômeno, há uma outra esfera para além daquilo que se pode ver, tocar, mensurar. Lá reside a-coisa-em-si. Assim, ainda que o conhecimento intelectual seja absolutamente importante para responder as demandas da mente racional e por conseqüência emprestar certo sentido ao mundo que nos cerca, esse conhecimento apenas jamais poderá responder aos anseios da vacuidade espiritual que todos, sem exceção, experimentam.

A Inteligência do Evangelho arranca o homem do seu  estado de perplexidade diante do absurdo e apresenta-lhe Jesus, a chave hermenêutica que decodifica o enigma e proporciona a possibilidade de suspirar aliviado por fim e poder dizer: “Ah! agora estou entendendo!”

Trecho do livro “Inteligência do Evangelho” de Luiz Leite

8 08UTC julho 08UTC 2009

Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima…

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 10:03 pm
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Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…

Artigo publicado também na Coluna Luiz Leite do Portal Guiame

Por Luiz Leite

Cresci ouvindo canções diversas do baú de extremo bom gosto da D. Carmelita. Ela é uma verdadeira juke-box ambulante, um acervo enorme de raridades da nossa cultura musicada. Ainda hoje, para o nosso deleite, cantarola aquelas pérolas dos anos 30, 40, enquanto faz uma coisa e outra. É uma graça! As vezes brinco com ela dizendo: “Mãe que corinho é esse que eu não conheço; Onde voce o aprendeu?” e juntos caímos na gargalhada…

Uma das canções que a D. Carmelita gostava de cantar e que deixou uma marca profunda em meus registros musicais da infância dizia: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…” Na próxima vez que visitá-la vou querer saber do resto da letra. Sei, todavia, que a mensagem fala de superação, de reação diante dos percalços, da reconstrução da auto-estima…

A rejeição, popularmente conhecida como a causa da ruína de muitos, curiosamente também opera como um poderoso catalisador de forças, transformando fracassados em campeões.

Veja-se o caso de Jefté, o controverso juiz de Israel. Filho de uma prostituta, foi rejeitado pelos irmãos e lançado fora da família. Era um caso que tinha todos os ingredientes para dar errado… E deu! Juntou-se a um bando de vadios e tornou-se um homem temível. Sabe lá Deus o que Jefté andou fazendo na companhia daquela cambada de marginais…

De alguma forma utilizou-se da própria raiva, da injustiça sofrida, para construir uma auto-estima notável… Jefté tomou uma atitude com respeito à rejeição sofrida. Não ficou pelos cantos cantando o hino oficial dos derrotados… Jefté foi à luta! Ergueu-se das cinzas da rejeição e construiu uma reputação para si.

Deus tem um carinho especial para com os rejeitados. Entretanto, a atitude daqueles que foram vitimados pela rejeição é fundamental para definir o curso que a vida seguirá. Apesar de tratado como bastardo e escorraçado de casa pelos irmãos da esposa legítima de seu pai, Jefté não permitiu que a amargura sufocasse o seu coração.

O tempo veio em que Jefté foi lembrado como opção para enfrentar aqueles que oprimiam seu povo. Procuraram-no e ofereceram-lhe a liderança da nação se concordasse em defendê-los contra os inimigos. Em vez de recorrer ao revanchismo e choramingar pela humilhação a que fora submetido, Jefté aceitou de bom coração a proposta e em momento algum remexeu o passado triste.

Quando adotamos uma postura positiva, ainda que o sofrimento prove-se grande demais, o resultado será surpreendente. Outros rejeitados ilustres, como Jefté, apresentaram uma atitude nobre diante da rejeição. Estes acabam honrados no final da história…

Os irmãos de José o rejeitaram… resultado?

Os patrícios de Moisés o rejeitaram… resultado?

Os irmãos de Jesus o rejeitaram… resultado?

Os conterrâneos de Paulo o rejeitaram… resultado?

A palavra de Deus cumpriu-se na vida de Jefté. Em lugar da vergonha, ele recebeu dupla honra. O segredo está na forma como ele reagiu ao agravo sofrido. De acordo com a resposta, a rejeição pode construir ou destruir… Deus sempre ajuda os rejeitados que apresentam uma atitude correta… Deus os resgata da beirada do precipício.

Nada de amargura, nada de rancor, nada de vingança, nada de revanche…Vamos levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima! E isto com nobreza… Esta será, sem dúvida, a melhor resposta àqueles que te trataram com desprezo!

3 03UTC julho 03UTC 2009

Quem matou Michael Jackson?!

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 6:33 pm
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Cuidado Com a Glória

Por Luiz Leite

Cuidado com a Glória! A notoriedade muda os homens. Há exceções, é óbvio, mas são raríssimas. Essa ambição à primeira vista saudável, de construir uma carreira sólida e um nome célebre é extremamente delicada e porque não dizer, perigosa. A glória transforma os homens, e geralmente pra pior, quando não os mata!

O conceito de Glória, no Velho Testamento, do hebraico Cabod, tem uma conotação de “Peso”. A bíblia orienta-nos a dar glória a Deus. Permanece, todavia, vaga a instrução por falta de esclarecimento aos  homens que em geral são tardos de entendimento…

A glória deveria ser dada imediatamente a Deus após esta ou aquela conquista. Acumular os créditos sem transferí-los para Deus aumenta a “nossa” glória, e glória é peso. Sob o peso da glória os homens sucumbem, ficam loucos, excêntricos…  São acometidos de uma extravagância afetada, desalinhada, que os deixa tortos…  Suas estruturas são conduzidas ao colapso, pois são extremamente frágeis. O texto bíblico diz que pesados na balança somos menos que nada!! (Sl 62.9) Não podemos reter nenhuma glória porque como criaturas contingenciais, não temos substância em nós mesmos. Não somos, apenas estamos. A glória pertence ao único que É!

Se pudéssemos fazer uma análise acurada dos edifícios existenciais daqueles que alcançaram a glória e falharam em transferí-la ao dono, encontraríamos imensas rachaduras que levarão ao desastre inevitável se tais pessoas não se apressarem a dar a glória a Deus. Quanto mais glória, mais peso.

Desejar a glória é uma ambição que tem origem no ego luciférico; Essa ambição desmesurada espalhou-se como metástase pelos corações humanos e tem conduzido muitos a um precipício de perdição.  Herodes, deslumbrado com a glória que acumulou, foi consumido por vermes experimentando um dos desfechos  mais tristes de que se tem notícia, quando falhou em se humilhar e se apropriou de uma glória que não era sua! O autor de Atos informa:”… um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou.” (Atos 12.23)

Nabucodonosor, ao exaltar-se inapropriadamente com a glória que as muitas conquistas lhe renderam, sofreu terrível golpe e tornou-se como um animal ao perder o juízo; O texto bíblico diz:  “(…) e foi tirado dentre os homens e comia erva como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceu pêlo, como as penas da águia, e as suas unhas, como as das aves.” (Dn 4.33)

Assim que sua consciência foi restituída, como se num teste para uma segunda oportunidade,  apressou-se a dar glória a Deus. Daniel relata as palavras do infeliz: “Ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.” (Dn 4.34)

Infelizmente vimos nesses dias mais um dos “poderosos” sucumbirem ante o peso da glória granjeada e, ao que parece, nunca transferida ao Rei da glória. Michael Jackson conheceu a glória, afeiçoou-se a ela e essa mesma glória o esmagou. Não foram as drogas que mataram Elvis Presley, Marilyn Monroe, Jimmy Hendrix, John Lennon, entre tantos outros que foram ceifados prematuramente. Alcançaram a glória e receberam o culto.  Pagaram preço altíssimo
por isso. A glória os matou!

Podemos reter a alegria de nossas conquistas. A glória jamais! Toda glória seja dada a Deus. Cuidado com a Glória!

29 29UTC junho 29UTC 2009

Cristianismo e Clichês

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 5:46 pm
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Cristianismo e Clichês

Por Luiz Leite

Texto publicado na coluna LEITURA do Portal Guiame

Todo comunicador que se preza deveria se esforçar para escapar ao uso daquelas construções desgastadas pela repetição excessiva às quais denominamos “lugar-comum”. Ainda que se tenha toda a diligência, não é incomum “baixarmos a guarda” e vermos nosso texto visitado por um dos famosos e indesejados jargões.

Nem mesmo o badalado Manual de Redação e Estilo (Estado de São Paulo), de Eduardo Martins, recomendado por gigantes da literatura como Raquel de Queiroz e Ligia Fagundes Teles, consegue se desvencilhar dos indesejáveis penetras. Dando instruções para a elaboração de textos simples e elegantes, Eduardo Martins, alerta acerca do problema e da necessidade de evitar tais recursos dizendo: “O lugar-comum é a frase (…). Deve ser evitado a todo custo...”. Ora, este é um dos mais famosos clichês que deveria ser evitado a todo custo.

O uso dos chavões é indesejado porque é recurso ineficaz quando se trata de transmitir verdade que necessita ser enfaticamente gravada na mente consciente do leitor. Este artifício dilui conceitos e rouba-lhes o vigor, tornando uma idéia excelente em assunto banal, desinteressante. É difícil, entretanto, não cair em tal arapuca.

Este tipo de atalho conceitual aponta para um caminho mais fácil na comunicação do pensamento, mas de forma alguma apresenta a melhor alternativa no trabalho às vezes complexo de transmitir idéias. O comunicador, com exceção daqueles que atuam na área do nonsense, deve fugir desse engodo, em respeito àqueles a quem se dirige, afinal, ninguém merece, né?

Cristianismo e clichê são duas coisas que não combinam. Quando o clichê se infiltra no Cristianismo acaba por descaracterizá-lo; Quando, por outro lado, o Cristianismo penetra em uma vida marcada pelo clichê, a revoluciona! Não deveria haver coexistência pacífica entre os dois. Fato é, entretanto, que tornou-se bastante comum encontrar aqui e ali essa simbiose estranha e de extremo mal gosto.

Infelizmente, muitos que se dizem cristãos fazem de suas vidas um grande e desgastado clichê. Pois a proposta de Jesus, se bem compreendida, resgata o homem do lugar comum, para torná-lo um paradoxo, assim como o foi o seu próprio autor. A fé cristã é paradoxal, radical, e não admite lugar-comum. Tudo nela é extraordinário, surpreendente, desconcertante, ainda que por vezes se apresente revestida de uma simplicidade que confunde a sábios e entendidos. Cada página é de tirar o fôlego, de arrebatar a alma, de tirar o chão de sob os pés…

Encher o cristianismo de clichês é um desrespeito ao sangue e memória de Jesus e dos mártires que após ele se empenharam na defesa da fé. Os jargões da religião são os mantras, rezas, regras, imposições, rituais sem significância e equivalência com a vida; são as receitas mecânicas e as  fórmulas mágicas que apelam para o imaginário supersticioso e induzem a uma ilusão tola e a uma concepção equivocada da vida.  Por diluir a mais bela e potente mensagem nas águas fétidas da mesmice, da estagnação, da religiosidade morta, é que a fé cristã tem sido muitas vezes atacada.

O apóstolo Pedro recomenda os irmãos em sua primeira carta dizendo: “(…) estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. (I Pe 3.15) Bom seria se ele tivesse acrescentado: “E por favor, evitem os clichês!”

24 24UTC junho 24UTC 2009

Fome de Deus?

Arquivado em: Livros — luiz leite @ 12:14 am

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Fome de Deus?

Por Luiz Leite

Fome de Deus? O que vem a ser isso? É uma espécie de fome diferente de tudo. Assim como a fome física gera uma sensação de vazio no estômago, a espiritual produz uma sensação de vazio na alma. Esse vazio existencial reclama por algo que as pessoas nem sempre sabem o que é. Sabem apenas que está lhes faltando algo.

Foi com referência a essa modalidade de fome que Jesus se apresentou como Pão. Ninguém jamais falou como ele. Seu discurso foi desconcertante no dia que disse aos seus ouvintes: “Eu sou o pão da vida”. Jesus conhecia a miséria espiritual na qual os homens se encontravam. Sabia que padeciam de uma fome imensa que perdurava por eras e resolveu endereçar a questão da maneira mais frontal possível. Vocês tem fome, e eu não apenas tenho o pão, eu sou o próprio pão de que vocês necessitam!

Convida os homens a comerem da sua “carne”, o pão do céu que dá vida aos homens! Não é necessário dizer que seus ouvintes ficaram não só atordoados com aquelas palavras, mas também escandalizados. Nenhum líder em Israel ou em qualquer outra parte do mundo jamais dissera tamanhas loucuras! Pois aquelas palavras não poderiam soar como outra coisa senão loucura.  O apóstolo João registra no capítulo seis de seu Evangelho como os judeus ficaram escandalizados com aquele discurso:

Então os judeus começaram a discutir exaltadamente entre si: “Como pode este homem nos oferecer a sua carne para comermos?” (Jo 6.52)

Para complicar ainda um pouco mais, após apresentar o seu corpo como pão para matar a fome do mundo, Jesus introduz também o seu sangue como bebida, dizendo que o seu sangue é verdadeira bebida (v.55). Sem precedentes era aquele discurso. Estava diante deles uma proposta que em tudo parecia proceder dos lábios de um lunático e não de um sábio. Naquele dia estabeleceu-se um grande muro entre os seguidores e os opositores de Jesus. Seus discípulos ficaram atordoados pelas palavras do mestre e comentaram entre si:

Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?” (v. 60). “…e muitos o abandonaram, e já não caminhavam com Ele” (Jo 6.66) .

Após aquele discurso impossível, desenharam-se as linhas que divisariam os homens em seu relacionamento com o Judeu “marginal”. Comer a carne do Cristo e beber seu sangue implicava um rompimento radical das amarras da tradição. Os seus seguidores seriam por muitos anos contados como marginais, como foi seu Mestre, até que o aparato estatal encontrasse um meio de tragar a nova fé e mobilizar o seu incrível poder de subverter a ordem.

trecho do livro “A Inteligência do Evangelho” pela Editora Naós

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