um dedo de prosa

8 08UTC Julho 08UTC 2009

Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima…

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 10:03 pm
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Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…

Artigo publicado também na Coluna Luiz Leite do Portal Guiame

Por Luiz Leite

Cresci ouvindo canções diversas do baú de extremo bom gosto da D. Carmelita. Ela é uma verdadeira juke-box ambulante, um acervo enorme de raridades da nossa cultura musicada. Ainda hoje, para o nosso deleite, cantarola aquelas pérolas dos anos 30, 40, enquanto faz uma coisa e outra. É uma graça! As vezes brinco com ela dizendo: “Mãe que corinho é esse que eu não conheço; Onde voce o aprendeu?” e juntos caímos na gargalhada…

Uma das canções que a D. Carmelita gostava de cantar e que deixou uma marca profunda em meus registros musicais da infância dizia: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…” Na próxima vez que visitar D. Carmelita vou querer saber do resto da letra. Sei, todavia, que a mensagem fala de superação, de reação diante dos percalços, da construção da auto-estima…

A rejeição, popularmente conhecida como a causa da ruína de muitos, curiosamente também opera como um poderoso catalisador de forças, transformando fracassados em campeões.

Veja-se o caso de Jefté, o controverso juiz de Israel. Filho de uma prostituta, foi rejeitado pelos irmãos e lançado fora da família. Era um caso que tinha todos os ingredientes para dar errado… E deu! Juntou-se a um bando de vadios e tornou-se um homem temível. Sabe lá Deus o que Jefté andou fazendo na companhia daquela cambada de marginais…

De alguma forma utilizou-se da própria raiva, da injustiça sofrida, para construir uma auto-estima notável… Jefté tomou uma atitude com respeito à rejeição sofrida. Não ficou pelos cantos cantando o hino oficial dos derrotados… Jefté foi à luta! Ergueu-se das cinzas da rejeição e construiu uma reputação para si.

Deus tem um carinho especial para com os rejeitados. Entretanto, a atitude daqueles que foram vitimados pela rejeição é fundamental para definir o curso que a vida seguirá. Apesar de tratado como bastardo e escorraçado de casa pelos irmãos da esposa legítima de seu pai, Jefté não permitiu que a amargura sufocasse o seu coração.

O tempo veio em que Jefté foi lembrado como opção para enfrentar aqueles que oprimiam seu povo. Procuraram-no e ofereceram-lhe a liderança da nação se concordasse em defendê-los contra os inimigos. Em vez de recorrer ao revanchismo e choramingar pela humilhação a que fora submetido, Jefté aceitou de bom coração a proposta e em momento algum remexeu o passado triste.

Quando adotamos uma postura positiva, ainda que o sofrimento prove-se grande demais, o resultado será surpreendente. Outros rejeitados ilustres, como Jefté, apresentaram uma atitude nobre diante da rejeição. Estes acabam honrados no final da história…

Os irmãos de José o rejeitaram… resultado?

Os patrícios de Moisés o rejeitaram… resultado?

Os irmãos de Jesus o rejeitaram… resultado?

Os conterrâneos de Paulo o rejeitaram… resultado?

A palavra de Deus cumpriu-se na vida de Jefté. Em lugar da vergonha, ele recebeu dupla honra. O segredo está na forma como ele reagiu ao agravo sofrido. De acordo com a resposta, a rejeição pode construir ou destruir… Deus sempre ajuda os rejeitados que apresentam uma atitude correta… Deus os resgata da beirada do precipício.

Nada de amargura, nada de rancor, nada de vingança, nada de revanche…Vamos levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima! E isto com nobreza… Esta será, sem dúvida, a melhor resposta àqueles que desprezaram!

3 03UTC Julho 03UTC 2009

Quem matou Michael Jackson?!

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 6:33 pm
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Cuidado Com a Glória

Por Luiz Leite

Cuidado com a Glória! A notoriedade muda os homens. Há exceções, é óbvio, mas são raríssimas. Essa ambição à primeira vista saudável, de construir uma carreira sólida e um nome célebre é extremamente delicada e porque não dizer, perigosa. A glória transforma os homens, e geralmente pra pior, quando não os mata!

O conceito de Glória, no Velho Testamento, do hebraico Cabod, tem uma conotação de “Peso”. A bíblia orienta-nos a dar glória a Deus. Permanece, todavia, vaga a instrução por falta de esclarecimento aos  homens que em geral são tardos de entendimento…

A glória deveria ser dada imediatamente a Deus após esta ou aquela conquista. Acumular os créditos sem transferí-los para Deus aumenta a “nossa” glória, e glória é peso. Sob o peso da glória os homens sucumbem, ficam loucos, excêntricos…  São acometidos de uma extravagância afetada, desalinhada, que os deixa tortos…  Suas estruturas são conduzidas ao colapso, pois são extremamente frágeis. O texto bíblico diz que pesados na balança somos menos que nada!! (Sl 62.9) Não podemos reter nenhuma glória porque como criaturas contingenciais, não temos substância em nós mesmos. Não somos, apenas estamos. A glória pertence ao único que É!

Se pudéssemos fazer uma análise acurada dos edifícios existenciais daqueles que alcançaram a glória e falharam em transferí-la ao dono, encontraríamos imensas rachaduras que levarão ao desastre inevitável se tais pessoas não se apressarem a dar a glória a Deus. Quanto mais glória, mais peso.

Desejar a glória é uma ambição que tem origem no ego luciférico; Essa ambição desmesurada espalhou-se como metástase pelos corações humanos e tem conduzido muitos a um precipício de perdição.  Herodes, deslumbrado com a glória que acumulou, foi consumido por vermes experimentando um dos desfechos  mais tristes de que se tem notícia, quando falhou em se humilhar e se apropriou de uma glória que não era sua! O autor de Atos informa:”… um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou.” (Atos 12.23)

Nabucodonosor, ao exaltar-se inapropriadamente com a glória que as muitas conquistas lhe renderam, sofreu terrível golpe e tornou-se como um animal ao perder o juízo; O texto bíblico diz:  “(…) e foi tirado dentre os homens e comia erva como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceu pêlo, como as penas da águia, e as suas unhas, como as das aves.” (Dn 4.33)

Assim que consciência foi restituída, como se num teste para uma segunda oportunidade,  apressou-se a dar glória a Deus. Daniel relata as palavras do infeliz: “Ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.” (Dn 4.34)

Infelizmente vimos nesses dias mais um dos “poderosos” sucumbirem ante o peso da glória granjeada e, ao que parece, nunca transferida ao Rei da glória. Michael Jackson conheceu a glória, afeiçoou-se a ela e essa mesma glória o esmagou. Não foram as drogas que mataram Elvis Presley, Marilyn Monroe, Jimmy Hendrix, John Lennon, entre tantos outros que foram ceifados prematuramente. Alcançaram a glória e receberam o culto.  Pagaram preço altíssimo
por isso. A glória os matou!

Podemos reter a alegria de nossas conquistas. A glória jamais! Toda glória seja dada a Deus. Cuidado com a Glória!

29 29UTC Junho 29UTC 2009

Cristianismo e Clichês

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 5:46 pm
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Cristianismo e Clichês

Por Luiz Leite

Texto publicado na coluna LEITURA do Portal Guiame

Todo comunicador que se preza deveria se esforçar para escapar ao uso daquelas construções desgastadas pela repetição excessiva às quais denominamos “lugar-comum”. Ainda que se tenha toda a diligência, não é incomum “baixarmos a guarda” e vermos nosso texto visitado por um dos famosos e indesejados jargões.

Nem mesmo o badalado Manual de Redação e Estilo (Estado de São Paulo), de Eduardo Martins, recomendado por gigantes da literatura como Raquel de Queiroz e Ligia Fagundes Teles, consegue se desvencilhar dos indesejáveis penetras. Dando instruções para a elaboração de textos simples e elegantes, Eduardo Martins, alerta acerca do problema e da necessidade de evitar tais recursos dizendo: “O lugar-comum é a frase (…). Deve ser evitado a todo custo...”. Ora, este é um dos mais famosos clichês que deveria ser evitado a todo custo.

O uso dos chavões é indesejado porque é recurso ineficaz quando se trata de transmitir verdade que necessita ser enfaticamente gravada na mente consciente do leitor. Este artifício dilui conceitos e rouba-lhes o vigor, tornando uma idéia excelente em assunto banal, desinteressante. É difícil, entretanto, não cair em tal arapuca.

Este tipo de atalho conceitual aponta para um caminho mais fácil na comunicação do pensamento, mas de forma alguma apresenta a melhor alternativa no trabalho às vezes complexo de transmitir idéias. O comunicador, com exceção daqueles que atuam na área do nonsense, deve fugir desse engodo, em respeito àqueles a quem se dirige, afinal, ninguém merece, né?

Cristianismo e clichê são duas coisas que não combinam. Quando o clichê se infiltra no Cristianismo acaba por descaracterizá-lo; Quando, por outro lado, o Cristianismo penetra em uma vida marcada pelo clichê, a revoluciona! Não deveria haver coexistência pacífica entre os dois. Fato é, entretanto, que tornou-se bastante comum encontrar aqui e ali essa simbiose estranha e de extremo mal gosto.

Infelizmente, muitos que se dizem cristãos fazem de suas vidas um grande e desgastado clichê. Pois a proposta de Jesus, se bem compreendida, resgata o homem do lugar comum, para torná-lo um paradoxo, assim como o foi o seu próprio autor. A fé cristã é paradoxal, radical, e não admite lugar-comum. Tudo nela é extraordinário, surpreendente, desconcertante, ainda que por vezes se apresente revestida de uma simplicidade que confunde a sábios e entendidos. Cada página é de tirar o fôlego, de arrebatar a alma, de tirar o chão de sob os pés…

Encher o cristianismo de clichês é um desrespeito ao sangue e memória de Jesus e dos mártires que após ele se empenharam na defesa da fé. Os jargões da religião são os mantras, rezas, regras, imposições, rituais sem significância e equivalência com a vida; são as receitas mecânicas e as  fórmulas mágicas que apelam para o imaginário supersticioso e induzem a uma ilusão tola e a uma concepção equivocada da vida.  Por diluir a mais bela e potente mensagem nas águas fétidas da mesmice, da estagnação, da religiosidade morta, é que a fé cristã tem sido muitas vezes atacada.

O apóstolo Pedro recomenda os irmãos em sua primeira carta dizendo: “(…) estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. (I Pe 3.15) Bom seria se ele tivesse acrescentado: “E por favor, evitem os clichês!”

24 24UTC Junho 24UTC 2009

Fome de Deus?

Arquivado em: Livros — luiz leite @ 12:14 am

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Fome de Deus?

Por Luiz Leite

Fome de Deus? O que vem a ser isso? É uma espécie de fome diferente de tudo. Assim como a fome física gera uma sensação de vazio no estômago, a espiritual produz uma sensação de vazio na alma. Esse vazio existencial reclama por algo que as pessoas nem sempre sabem o que é. Sabem apenas que está lhes faltando algo.

Foi com referência a essa modalidade de fome que Jesus se apresentou como Pão. Ninguém jamais falou como ele. Seu discurso foi desconcertante no dia que disse aos seus ouvintes: “Eu sou o pão da vida”. Jesus conhecia a miséria espiritual na qual os homens se encontravam. Sabia que padeciam de uma fome imensa que perdurava por eras e resolveu endereçar a questão da maneira mais frontal possível. Vocês tem fome, e eu não apenas tenho o pão, eu sou o próprio pão de que vocês necessitam!

Convida os homens a comerem da sua “carne”, o pão do céu que dá vida aos homens! Não é necessário dizer que seus ouvintes ficaram não só atordoados com aquelas palavras, mas também escandalizados. Nenhum líder em Israel ou em qualquer outra parte do mundo jamais dissera tamanhas loucuras! Pois aquelas palavras não poderiam soar como outra coisa senão loucura.  O apóstolo João registra no capítulo seis de seu Evangelho como os judeus ficaram escandalizados com aquele discurso:

Então os judeus começaram a discutir exaltadamente entre si: “Como pode este homem nos oferecer a sua carne para comermos?” (Jo 6.52)

Para complicar ainda um pouco mais, após apresentar o seu corpo como pão para matar a fome do mundo, Jesus introduz também o seu sangue como bebida, dizendo que o seu sangue é verdadeira bebida (v.55). Sem precedentes era aquele discurso. Estava diante deles uma proposta que em tudo parecia proceder dos lábios de um lunático e não de um sábio. Naquele dia estabeleceu-se um grande muro entre os seguidores e os opositores de Jesus. Seus discípulos ficaram atordoados pelas palavras do mestre e comentaram entre si:

Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?” (v. 60). “…e muitos o abandonaram, e já não caminhavam com Ele” (Jo 6.66) .

Após aquele discurso impossível, desenharam-se as linhas que divisariam os homens em seu relacionamento com o Judeu “marginal”. Comer a carne do Cristo e beber seu sangue implicava um rompimento radical das amarras da tradição. Os seus seguidores seriam por muitos anos contados como marginais, como foi seu Mestre, até que o aparato estatal encontrasse um meio de tragar a nova fé e mobilizar o seu incrível poder de subverter a ordem.

trecho do livro “A Inteligência do Evangelho” pela Editora Naós

6 06UTC Junho 06UTC 2009

A Inteligência do Evangelho

Arquivado em: Livros — luiz leite @ 5:16 pm
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A INTELIGÊNCIA DO EVANGELHO

Por Luiz Leite


Está no prelo o meu novo livro, cujo lançamento está previsto para julho próximo, pela Editora Naós. Este livro nasceu de um profundo desconforto que já há muito me acompanhava. Sempre desconfiei que estávamos perdendo alguma coisa na leitura que fazemos do Evangelho. A desconfiança se traduziu por uma certeza aterradora. Não apenas estávamos fazendo uma leitura equivocada, pior, estávamos distorcendo a grande mensagem… Segue um trecho de abertura do primeiro capítulo.

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Tanto desatino já foi cometido em nome de Deus que não é de admirar que um número cada vez maior de pessoas ao redor do globo mantenha sob suspeita o artigo da religião. Estaria Deus envolvido com tanto morticínio? Foi Ele quem avalizou as cruzadas? Endossou a inquisição? Chancelou a conquista das Américas e subsequente extermínio dos nativos americanos? De que lado ele esteve nos longos e intermináveis conflitos religiosos no Oriente Médio e Europa? Seria o Criador um senhor sanguinário e co-participante das disputas intestinas pelo poder político sob a batuta dos sacerdotes, ou tais ocorridos não passariam de manifestação sintomática das almas doentes dos homens?

Qualquer pessoa com um conhecimento razoável da história sabe bem que as cruzadas jamais foram avalizadas por Deus, como se ele houvesse conclamado os cristãos a uma guerra santa contra os muçulmanos para recapturar Jerusalém e a Terra dita santa. A primeira cruzada, lançada pelo papa Inocêncio II em 1095, foi movida por um espírito que de santo nada tinha! A finalidade não era nem um pouco piedosa.

Segundo Armstrong:

“Queria (o papa) que os cavaleiros europeus parassem de lutar entre si e de dividir a cristandade ocidental e fossem gastar suas energias numa guerra no Oriente Médio e ampliar o poder da Igreja. No entanto, quando essa expedição militar se misturou com a mitologia popular, textos bíblicos e fantasias apocalípticas, o resultado foi catastrófico do ponto de vista prático, estratégico e moral”. (3)

É sabido também que a inquisição espanhola jamais foi um ato de inspiração divina! Criada em 1483, a instituição da inquisição visava fins políticos e ideológicos e, ainda que analisada no seu contexto sócio-político encontrem-se explicações, o fato é que suas práticas e expedientes tinham mais a ver com os homens e seus demônios do que com Deus no seu trato com estes.

Os homens conseguem classificar as guerras em justas e injustas, sujas e limpas. Não importando qual seja a natureza da guerra, nem qual a nobreza do ofício, preces são elevadas aos céus, por proteção e favor. Nas competições, antes de entrar na arena, seja do futebol, do vôlei, do rodeio, do pugilismo, os oponentes invocam seus santos padroeiros, beijam suas medalhas, rezam o “pai-nosso”…

Cena pitoresca do filme “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, nos revela o mais inaudito ato de devoção quando uma gangue de malfeitores reza com grande fervor antes de partir para mais uma de suas perigosas empresas. De mãos dadas, com os instrumentos da morte presos às cinturas, ou pendurados nos ombros, as vozes se unem num fervor próprio dos fiéis quando a prece sobe calorosa aos céus, “Pai nosso (…) venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade… e livra-nos do mal, amém…”

Quantos papas, padres e sacerdotes, católicos ou não, benzeram as armas e “abençoaram” reis e seus exércitos antes que estes partissem para os campos de batalha? “Nunc et in hora mortis nostrae. Amem.” Tão logo recitadas as últimas palavras do rosário, liberam-se os demônios para cumprirem o seu sombrio mister. O temível cavalo vermelho dos quatro flagelos do apocalipse partiu, muitas vezes, para a ceifa macabra da guerra, sob a bênção da religião!

“O maravilhoso dessa empresa infernal é que cada chefe dos matadores faz benzer suas bandeiras e invoca solenemente a Deus antes de ir exterminar o próximo”. (4)

Tito Lívio, historiador romano, nos conta em sua História Romana (XXIX, 27, 1-4) a prece de Cipião, o Africano, feita em sua nau capitânia, antes de partir da Sicília para atacar Cartago em 204 a.C.:

“Ó deuses e deusas que habitais os mares e as terras, eu vos suplico e vos rogo que tudo quanto tenha sido feito sob o meu comando (…) seja para o meu benefício e para o benefício do povo e da plebe de Roma (…) que vós os ampareis e os auxilieis; que permitais que estejam em segurança e que alcancem vitória sobre o inimigo; que os tragais de volta comigo em triunfo para os nossos lares, carregados de espólios e despojos; que nos concedais o poder de exercer vingança sobre nossos inimigos e adversários…” (5)

É certo que, assim como o grande general romano Cipião invocou o favor dos seus deuses e deusas antes de partir para a empresa funesta onde milhares seriam dizimados, as autoridades Cartaginesas também recorreram aos seus deuses com o fim de obter favor e assim destruírem o máximo possível de soldados romanos.

Estariam os deuses a serviço dos homens em tais empreitadas? É certo que não! Talvez seja mais certo que tais deuses não passem de demônios; demônios da ambição, da violência, da vingança… Tentando compreender a dinâmica do sentimento de vingança, esse combustível por excelência de todos os conflitos, em matéria sobre o tema, Thomaz Favaro sintetiza essa suspeição das religiões dizendo:

“Para entender a origem do desejo de vingança e aprender a domá-lo, o melhor a fazer é trafegar por fora da religião”. (6)

Tratando de um tema tão cortante como a vingança, esse sentimento destrutivo presente nas complexas elaborações da emoção humana, ao invés de recomendar a religião como mediatriz, Favaro alfineta:

“Como instituição a religião é má conselheira nesses casos”.(7)

De que religião estaria falando Favaro? A religião não deveria, supostamente, ser um agente responsável pela sublimação de tais sentimentos, abrandando o furor, a sanha assassina dos homens? As guerras religiosas através dos séculos apresentam um testemunho completamente inverso. O fanatismo religioso tem devorado as carnes de milhões numa espécie de tributo macabro a Hades, o senhor dos infernos na mitologia grega.

Escrevendo a respeito do assunto Voltaire disse:

“Quando uma vez o fanatismo tendo gangrenado um cérebro, a doença é quase incurável; (…) A religião, longe de ser para elas um alimento salutar, transforma-se em veneno nos cérebros infeccionados.”(8)

Muito embora o termo fanatismo se aplique a qualquer espécie de paixão desmesurada, é nos domínios da religião que fez carreira e granjeou maior fama. A adesão cega e irrefletida à qualquer coisa, seja doutrina filosófica, política ou religiosa, conduzirá a extremos horripilantes. A história o atesta.

Por tão grandes incongruências o mundo pós-moderno, despreza a religião instituída e relativiza os valores absolutos que ela ensina. Já não há, conclui-se, nenhuma garantia que possa servir de lastro àquilo que pregam os líderes da religião. Qualquer observador honesto concluirá que tal desconfiança não é sem razão.

Por causa de tanto descalabro, o cristianismo autêntico foi sendo maculado e distorcido ao ponto de as sociedades mais esclarecidas não só passarem a desconfiar da validade dos postulados da religião, como também a atacá-los de uma maneira cada vez mais aberta, tão logo a Igreja Romana perdeu o monopólio que exercia sobre as almas através de toda a Idade Média. A partir de então ninguém seria poupado. Tanto a instituição desvirtuada quanto a espiritualidade verdadeira seriam pesadamente atacadas.

(…)

O livro prossegue numa reflexão estonteante mas absolutamente fecunda para, por fim, demonstrar a graça e beleza da proposta mais inteligente já feita à raça humana! Vale a pensa conferir.

2 02UTC Junho 02UTC 2009

O Czar, a Rússia e a Bíblia

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 5:54 am
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O Czar, a Rússia e a Bíblia

Por Luiz Leite

É curioso como todos conhecem a história da invasão da Rússia pelas tropas de Napoleão em 1808; Fala-se de como o famoso “inverno” russo derrotou os franceses e os obrigou a baterem em retirada. O que as pessoas não sabem e os historiadores não contam é o que está por trás dos fatos.

Os relatos históricos não nos falam de como Alexandre I, angustiado em face a ameaça de invasão por um exército imbatível, se viu levado a buscar conselho e consolo em um amigo príncipe que havia se convertido ao Evangelho. O príncipe Galitzin, amigo de junvetude do imperador teve uma conversão que impressionou o Czar.

A guerra devastou a Rússia e a França chegou aos portões da velha Moscou. Apesar da superioridade bélica francesa alguns anos mais tarde o curso da guerra haveria de sofrer uma dramática mudança; Os agressores franceses foram sendo batidos em todas as frentes. Napoleão invadira a Rússia, como havia ameaçado, mas sofreria uma derrota estrondosa. Sua queda na Rússia deu provas de que a máquina de guerra francesa não era invencível como se imaginava.

Para Alexandre I, que conhecia o poder de fogo dos franceses e tinha visto como numa investida ousada em pouco tempo as tropas de Napoleão tinham empurrado suas defesas para o interior do país, aquilo foi a mão de Deus. Tornou-se fiel ao Evangelho e levava a Bíblia sempre consigo, a qual lia diariamente. Evangelizado por Galitzin voltou-se para Deus em seu desespero. Escreveu:

“Eu devorava a Bíblia, e suas palavras deram consolo ao meu coração. Na sua imensa graça, o nosso Senhor abriu meus olhos de modo que eu entendi o que li. Esta edificação, esta luz interior e muitas outras bênçãos tenho de agradecer à leitura das Sagradas Escrituras.”

O impensável anos antes aconteceria em 11 de setembro de 1805, quando os russos marcharam sobre uma França destroçada pelas loucuras do seu megalomaníaco general. De derrotados a vencedores, os russos se levantaram numa das maiores reviravoltas na história de todas as guerras.

Um dos gestos mais impressionantes dessa guerra, algo nunca antes visto pelos soldados russos, estava para acontecer após a invasão da França. O imperador, depois de passar em revista seus 150 mil homens, ajoelhou-se perante a tropa e deu graças a Deus pela vitória, tributando ao Senhor toda glória pela conquista.

A Rússia estava sendo visitada pela mais preciosa oportunidade. A sociedade bíblica russa, fundada em 1812 por iniciativa inglesa, teve apoio maciço do imperador. O príncipe Galitzin, amigo crente de Alexandre I foi apontado como presidente da sociedade mas a Igreja Ortodoxa Russa sentindo-se ameaçada moveu tal campanha contra a entidade protestante que o imperador não pode resistir e assim acabaram impedindo a distribuição das Escrituras no país.

Cerca de cem anos após fecharem as portas ao Evangelho, abriram os portões da nação para o Comunismo. Com os comunistas no poder a Bíblia foi banida e a fé cristã foi reprimida de maneira sistemática e o violenta, trazendo grande destruição ao povo russo.

O desastre do Comunismo foi permissão de Deus. Deus é justo. Sempre. Se escavarmos as bases dos grandes desastres sempre encontraremos os vestígios da bondade divina e as marcas inconfundíveis da rebeldia humana.

26 26UTC Maio 26UTC 2009

O que falam de mim (do blog)

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 12:39 am

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O que falam de mim

Por Luiz Leite


É bom demais ter o poder de editar o meu blog! Mas começo a ficar preocupado… Não tenho comentários desaforados, desagradáveis… O Blog recebe tantos comentários positivos que parece que não incomodo a ninguém. Talvez não seja o caso. Incomodo sim, mas meus leitores são honestos e sobretudo nobres.  Sorte minha ter leitores assim!

Inveja branca (Comentando Sessão de Terapia)
Meu pastor, obrigada por ser, tantas vezes, meu amigo, meu cura d’alma, meu terapeuta… e por ser apesar de tão longe inumeráveis vezes, a minha voz interna. De me chamar à razão e tentar me colocar em um ponto de equilíbrio que sabemos, possível. E obrigada por esse espaço. Esse é um daqueles textos que a gente lê e sente aquela inveja branca, sabe? Aquela inveja que não faz mal a ninguém… daquelas que a gente pensa: puxa, eu gostaria de ter escrito algo assim.

Bjs, Regina/SP

*****

Inspiração (Comentando Refrigerante e Espiritualidade)

Amei esse artigo…pensei até em uma pregação… kkk

E é isso mesmo que estamos vivendo … tenho visto em algumas igrejas que para atrair membros estão doando o “refrigereco espiritual” no lugar da boa e pura agua; talves porque a agua aparentemente não tem muitos atrativos não é?!

Fabiana/SP

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Em algum lugar do passado (Comentando O Canto da Lavadeira)
Meu caro Pr Luiz,
Linda e emocionante esta história.

Eneida/MG

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Profundidade (Comentando Moinhos de Vento)

Oi Luiz,

Vim retribuir sua visita ao Isso é Bossa Nova e qual a minha surpresa? Me deparo com um blog filosófico, teológico e poético. A palavra “surpresa” se deve ao fato que poucas pessoas querem discutir a existência humana com uma profundidade maior.

Sandra/SP

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No alvo (Comentando O Maior Funeral do Século)

Muito bom!
Gosto quando vc vai direto no fato histórico.
Muitos como eu nunca leram nada sobre.
INFORMAÇÃO É REDENÇÃO
DEUS TE ABENÇOE!

Jucimar/SP

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19 19UTC Maio 19UTC 2009

Humanos, suficientemente humanos

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 5:49 am

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Humanos, suficientemente humanos

Por Luiz Leite

(Artigo publicado pela Revista Eclésia, edição de maio)

A leitura incorreta das palavras de Jesus tem gerado interpretações tão distorcidas que acabam produzindo resultados completamente opostos daquilo que a mensagem originalmente propõe. Ao invés de realçar no homem sua humanidade, pretendem reforçar sua divindade. Esse processo de endeusamento do homem acaba adoecendo ainda mais uma criatura que já vem perambulando pelas páginas da história carregando um corpanzil alquebrado e cheio de chagas.

Estou cheio daquele discurso pesado, ameaçador e enfadonho, de líderes legalistas, moralistas, espiritualistas (não espirituais) que me diz que para agradar a Deus, preciso pagar tal preço que nem mesmo eles conseguem; que para ser espiritual tenho que me tornar um asceta esquisito, e me distanciar cada vez mais de um mundo que, segundo o evangelho, eu deveria salgar, dar sabor; causa-me tristeza observar pessoas humildes subjugadas por regras e costumes, tradições e imposições de igrejas cujas “doutrinas” são verdadeiras “camisas de força” a sufocar seus liderados; contorço-me ao ouvir que para vencer eu preciso passar por um vale de sal, levar pra casa um punhado da terra santa de Israel, um vidro contendo a água do Rio Jordão, sacrificar e pagar para participar de uma corrente disto ou daquilo…

Pergunto-me, ora maravilhado, ora indignado com tamanhos absurdos teológicos, que Jesus é esse com quem essa gente se formou? É difícil crer que se formaram na escola daquele mesmo Jesus da Bíblia, porque, sem dúvida alguma, lá não encontram fundamento para suas práticas e ensino!

Em muitos casos, fica evidente que há um grande infantilismo espiritual, como se pudéssemos ver crianças (perversas) brincando de igreja! Infelizmente é esse o quadro. Em outros, podemos observar a falta de preparo teológico adequado, a falta de conhecimento bíblico sólido, e ainda em outros, pura exploração da credulidade, manipulação da miséria, do desespero de um povo rendido e triste, e essa é a parte mais execrável de todas.

Pois, com toda certeza, não é nada disso que encontramos no discurso de Jesus. Em nenhum momento encontramos Jesus buscando reforçar no homem aquela velha e maligna pretensão de ser como Deus. Na verdade, foi exatamente quando começou a nutrir essa pretensão insana, sugestionada por satanás, a de querer ser igual a Deus, que o homem começou a cair. Isso Jesus evita e as religiões estimulam!

Quando aquele que é humano se deixa seduzir pela proposta de ser como Deus, começa a projetar-se de maneira altamente doentia, portando-se tirânica e intolerantemente. É aí que perdemos o prumo. Tornamo-nos vingativos, rancorosos, maldosos, isso porque, não podemos tolerar que nos humilhem, que nos tratem como meros mortais, uma vez que estamos convencidos de que ninguém deveria ousar contrariar a divindade que há em nós.

Jesus não alimenta essa tendência, pelo contrário, trabalha de forma consistente no sentido de enfraquecer no homem essa soberba e desastrosa pretensão.

Há um estranho sentimento de nobreza nas pessoas que, quando analisado de perto, não passa de puro orgulho, empáfia em forma concentrada. Essa altivez desmesurada é constantemente camuflada, maquiada, controlada, mas está por trás de praticamente todas as ações do homem caído. Ter certa dose de “orgulho próprio” passou até mesmo a ser celebrado como algo importante, devido à relação entre este e a auto-estima. Apenas mais uma maneira de justificar o anseio milenar de ser como Deus. Nada mais trágico! Nada mais patético!

Pois as religiões, em sua maioria, têm falhado em encorajar o homem a cultivar mais a sua humanidade. O que fazem é acentuar ainda mais uma tendência já forte dentro dele ao culto a si próprio. O Evangelho, diferentemente de todas as propostas, vem apresentar ao homem a singeleza de sua humanidade. É difícil ser humano num mundo onde os homens se bestializaram a ponto de perder por completo a ideia do que realmente são, mas ainda assim, é possível, e vale a pena. O Evangelho insiste nesta tecla. Jesus está dizendo isso o tempo todo através de seu ensino.

Quando Jesus nos desconcerta com sua vida, Ele o faz quando vive a experiência de Ser humano em sua forma completa. Ele viveu como homem e fez o que fez como homem, e não como Deus, como muitos imaginam. A raça humana jamais tinha visto um homem vivendo sua humanidade em estado puro. Ao olhar para Ele, muitos, confusos, concluíram: “É Deus”! Os líderes da religião quiseram saber de onde procedia tamanho poder e perguntaram atônitos:

“Com que autoridade fazes tu estas coisas? e quem te deu tal autoridade”? (Mt 21:23)

Outros ainda, mais levianos em seu julgamento, sentenciaram:

“ (…) Ele está possesso de Belzebu; e: É pelo príncipe dos demônios que expulsa os demônios.” (Mc 3:22)

Na verdade muito se discutiu sobre, afinal, quem era Jesus. O próprio Jesus, sabedor da dificuldade que teriam de assimilar sua pessoa e ministério, pergunta aos discípulos:

“O que dizem os homens ser o filho do homem?” (Mt 16:13)

A resposta veio de forma variada. “Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas.” (Mt 16:14)

Estavam confusos, divididos, apreensivos, com respeito à identidade definitiva daquele jovem Galileu. Muito embora lhes parecesse um homem comum, Jesus os intrigava profundamente com suas palavras e gestos. Ele apresentava poderes miraculosos, mas em nenhum momento buscava autopromoção. Será que eu e você, de posse daqueles poderes, não andaríamos um pouco empertigados por aí? Seu ensino era perturbador. Ensinava com grande autoridade e encantava as multidões, entretanto, em nenhum momento o encontramos deslumbrado com os elogios ou com a sensação de perplexidade que tomava os seus ouvintes.

A situação é realmente reveladora. Jesus era Deus, contudo, segundo a Escritura, “Não julgou como usurpação o ser igual a Deus” (Fil 2:6), em outras palavras, Ele não achou que deveria usar suas prerrogativas de Deus em nenhuma das circunstâncias que o envolveram durante os trintas e poucos anos de sua curta existência como homem. Ele tinha condições para arrogar-se, para sair por aí dando “carteirada”, para encarar seus perseguidores com frieza e insolência e perguntar-lhes: “Vocês sabem com quem estão falando”?

Diferentemente de tantos homenzinhos empolados e arrogantes que vemos por aí, exaltando-se a si próprios como se fossem pequenos deuses, encontramos Jesus, o verdadeiro Deus, se humilhando, como se fosse homem. Ele toma o caminho inverso!

14 14UTC Maio 14UTC 2009

Pérolas

Arquivado em: Embromando — luiz leite @ 5:56 am

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Razão e Fé (Agostinho)

“É impossível que Deus odeie em nós o atributo pelo qual nos fez superiores aos demais seres vivos. Devemos, portanto, recusar-nos a crer de um modo que não receba ou não busque razão para nossa crença, uma vez que sequer poderíamos crer se não tivéssemos almas racionais”. (cartas, 120.1)

Ceticismo (Hume)

Se tomarmos nas nossas mãos qualquer livro, de teologia ou metafísica, por exemplo, ele conterá qualquer raciocínio abstrato relativo a quantidade ou número? Não. Conterá algum raciocínio experimental relativo aos fatos e à existência? Não. Então lance-o no fogo, pois não pode conter nada além de sofismas e ilusão.” (Investigacao sobre o entendimento humano)

A espada (Maomé)

A espada é a chave do paraíso e do inferno; uma gota de sangue derramado pela causa de deus, uma noite na luta, vale mais que dois meses de jejum e oracão. Quem cai na batalha terá seus pecados perdoados no dia do julgamento.” (Gibbon, p 3)

O papel duplo da razão (Anselmo)

A razão deve ser usada para explicar e defender o cristianismo. Não para que alcancem a fé por meio da razão, mas para que possam regozijar-se ao entender e meditar nas coisas em que acreditam; e que, estejam sempre prontos para convencer qualquer um que exigir deles uma razão para a esperança que está em nós.” (Cur Deus homo)

Admito! (Jastrow)

O princípio antrópico (…) parece dizer o que a própria ciência provou, como fato, que este universo foi feito , foi projetado, para o homem viver nele.

Admito ( Einstein )

A harmonia da lei natural (…) revela uma inteligência de tamanha superioridade que, comparada à ela, todo pensamento sistemático e toda ação dos seres humanos é uma reflexão absolutamente insignificante.” (como vejo o mundo)

Ateu, graças a Deus? (Steven Weinberg)

“Parece-me que se a palavra Deus tem alguma utilidade, deveria significar um Deus interessado, um criador e juiz que estabeleceu não só’ as leis da natureza e o universo, mas tambem padrões de bem e mal, alguma personalidade preocupada com nossas ações, algo que, em resumo, merece nossa adoração.” (sonhos de uma teoria final: a busca das leis fundamentais da natureza)

Canon (Josefo)

“Pois não temos uma multidão incontável de livros entre nós, discordando dos outros e contradizendo uns aos outros (como os gregos tem), mas apenas 22 livros, que são justamente considerados divinos; e deles, 5 pertencem a Moisés, contém sua Lei e tradições da origem da humanidade até a morte dele. Esse intervalo de tempo foi pouco menor que tres mil anos; mas quanto ao tempo da morte de Moisés até o reinado de Artaxerxes, rei da Persia, que reinou em Xerxes, os profetas, que vieram depois de Moisés, escreveram o que foi feito nas suas respectivas epocas em treze livros. Os outros quatro livros contém hinos a Deus e preceitos para a conduta da vida humana.” (Antiguidades dos judeus )

Provas (Nelson Glueck)

“Pode-se afirmar categoricamente que nenhuma descoberta arqueológica jamais contestou uma referência bíblica. Inúmeras descobertas arqueológicas foram feitas que confirmam em linhas gerais ou em detalhes exatos as afirmacões históricas na bíblia.” (rivers in the desert)

Surpreendidos (R. Jastrow)

“Os astrônomos descobriram agora que ficaram encurralados, porque provaram, pelos métodos, que o mundo começou repentinamente num ato de criação… E descobriram que tudo isso aconteceu como produto de forças que jamais poderão descobrir. (God and the astronomers)

4 04UTC Maio 04UTC 2009

Sessão de Terapia

Arquivado em: Pensamentos, Psicanalisando — luiz leite @ 8:51 pm

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Sessão de Terapia

Por Luiz Leite

Todos precisamos desabafar de quando em vez; precisamos “limpar a chaminé”, colocar nossos medos e frustrações para fora. Necessitamos nessas horas de um amigo, de alguém que simplesmente nos ouça… Os curas d´alma e terapeutas de forma geral desenvolvem esse papel tão especial. Nos ouvem com cuidado e nos ajudam a processar algumas coisas em nossa confusão psicológica e existencial.

Além da necessidade de falarmos com alguém acerca dos nossos assuntos, no afã não somente de desabafar, mas de sermos apreciados, precisamos de alguém que nos ouça de fato. Ainda que seja bom ser ouvido por um amigo, sacerdote ou terapeuta, eu mesmo, mais do que qualquer outra pessoa, preciso parar para “me” ouvir.

As pessoas procuram alguém do lado de fora porque na maioria das vezes não encontram alguém do lado de dentro com condições para ouví-las. Nossas ações estão quase todas voltadas para o lado de fora. Um grande número daqueles que se voltam pra dentro, o fazem a partir de uma dinâmica adoecida de ensimesmamento. O taciturno, nesse sentido, está mais para a patologia do que para a saúde. Poucos são aqueles que voltam-se para dentro num exercício saudável e fecundo.

Esse exercício de mergulho no próprio ser já foi muito apreciado pelo homem antigo. Hoje, entretanto, é completamente negligenciado pelo homem moderno. O solilóquio é um costume milenar absolutamente saudável. O homem sempre conversou com esse seu alterego. Essa prosa silenciosa ou verbalizada com esse confidente auricular virtual, tem sido o remanso para onde a criatura em desalinho, desgrenhada pelos ventos alvoroçados da tormenta se dirige e descansa por um pouco.

Falar sozinho, pensar com os botões, é uma disciplina que demanda solidão, silêncio, aquele isolamento fundamental do burburinho das muitas vozes… O homem moderno está cada vez mais doente porque já não tem espaço para a prática do solilóquio; Pior, não consegue mais ficar só por muito tempo. Os vícios da modernidade já o estragaram quase que completamente.

Precisamos muito de uma releitura desprovida de preconceitos acerca do homem antigo. É curioso, mas por mais que progridamos, estaremos sempre nos sentido atraídos pelo passado, carregando a impressão que perdemos algo precioso que ficou para trás… lembra-me muito o profeta Jeremias, que há muitos séculos atrás já percebia como seus contemporâneos iam se perdendo…

“Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele.” (Jr 6.16)

29 29UTC Abril 29UTC 2009

Feliz dia da Independência

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 7:39 pm
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Yom Ha atzmaut

Por Luiz Leite

Hoje, Israel celebra seu 61º aniversário. Todos os anos em que celebramos o renascimento do Estado Judaico, após longos anos de exílio, é motivo de grande celebração. Após séculos sem nada poder fazer, o povo judeu retornou ao seu lugar na história e de direito entre as nações. Com o renascimento de Israel, mais uma vez fomos capazes de mapear nosso próprio destino e determinar nosso próprio futuro. Os últimos 61 anos mostram o quanto uma nação livre e independente pode realizar. Com parcos recursos, nós fizemos uma terra estéril retornar à vida, e absorvemos milhões de imigrantes. Através da inovação e determinação, a genialidade de nosso povo nos tornou líder na agricultura, medicina e ciência, enquanto nossa criatividade gerou uma indústria de alta tecnologia que continuou a assombrar o mundo. Conseguimos paz com o Egito e a Jordânia, e continuaremos a buscar a paz com nossos vizinhos. Tudo isto foi conseguido mesmo com Israel ter vivido sob constante ameaça nos últimos 61 anos. Infelizmente, Israel continua sob ameaça. Um regime iraniano que está perseguindo ardorosamente o objetivo de obter armas nucleares, audaciosamente pede nossa destruição.
Organizações terroristas em nossas fronteiras sul e norte se fortalecem a cada dia. E uma onda crescente de antissemitismo está varrendo o mundo civilizado. Para encarar estes desafios nos anos vindouros, a unidade entre nosso povo, tanto dentro como fora de Israel será mais importante do que nunca. Este é o motivo pelo qual é vital continuar a fortalecer os laços entre Israel e os judeus da Diáspora. Estes laços são fonte de força mútua e uma lembrança poderosa do papel único que Israel desempenha no mundo e na história de nosso povo. Neste “Dia da Independência”, vamos nos orgulhar de tudo o que conseguimos e vamos olhar adiante para um tempo de segurança, prosperidade e paz. Se ficarmos unidos como irmãos e irmãs, se tivermos coragem e determinação, este tempo com certeza chegará”.

Os cristãos normalmente se alegram com a independência de Israel (eu particularmente festejei com eles, dancei nas ruas o “Hava Naguila” , soltei foguetes, durante o tempo em que vivi na terra chamada santa…). Se por um lado os seguidores de Jesus Cristo se alegram com a recriação do Estado de Israel, por outro lado se ressentem com o descaso dos judeus para com o seu Messias. Se não valorizam o seu mais famoso compatriota, deveriam pelo menos honrar aquele que é o Ártifice da nação. Qual nada!

Veja-se o pronunciamento do primeiro ministro por ocasião dos festejos pela independência do jovem país. Não se encontra aí nem mesmo a mais ínfima menção de consideração ao Deus dos profetas. A marca do discurso é a arrogância humana, atitude de um coração desviado; é a radiografia da incrível prepotência de um povo que insiste em seus próprios caminhos e não se converte…

O descaso para com Ha Shem é flagrante! A falta de honra ao unico que é digno de honra! O ilustre dirigente da nação exaltou as conquistas do povo de Israel como se as mesmas fossem resultado dos seus próprios esforços… Em nenhum momento teve a humildade de dizer como Samuel: “Até aqui nos ajudou o Senhor!” ou como o Rei Josafá: “Crede no Senhor e estareis seguros, crede no seus profetas e prosperareis”.

Ao contrário, o discurso do primeiro ministro, sem conceder crédito ao Deus dos patriarcas, lembra mais a plataforma de governo de Nimrode quando diz: “vamos nos orgulhar de tudo o que conseguimos e vamos olhar adiante para um tempo de segurança, prosperidade e paz.” O quadro pintado no primeiro capítulo de Isaias 2700 anos atrás representa bem o Israel de hoje e permanece sem necessidade de retoques. O apelo do profeta Oseias no capitulo 14 ainda espera resposta daqueles aos quais foi endereçado. “Volta, ó Israel, para o Senhor teu Deus; porque pelos teus pecados estás caído!”

22 22UTC Abril 22UTC 2009

Refrigerante e espiritualidade

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 4:47 am
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“Refrigereco” Espiritual

Por Luiz Leite

É maravilhoso, ocorre-me, o fato de que a Palavra de Deus é comparada com a água nas Escrituras. Como toda verdade é paralela (sempre há equivalentes no mundo natural para ilustrar as coisas no mundo espiritual) vale a reflexão. Assim como devemos tomar água (natural) limpa para suprir as necessidades do nosso corpo físico, deveríamos de igual forma “tomar” água espiritual, também limpa, para suprir as necessidades do nosso espírito.

Há pessoas que tomam pouquíssima água para suprir suas necessidades físicas; Estudos sugerem que tomemos um copo de agua (200 ml) por hora! É uma necessidade orgânica. Infelizmente, só deixamos para tomar água quando estamos com sede (o sistema já está em estado crítico). O paralelo espiritual também nos revela situação semelhante. O Salmo primeiro diz-nos que aquele que medita na Palavra “de dia e de noite” é bem aventurado. Muitos só lembram da bíblia e arranjam tempo para beber da água espiritual aos domingos; Há ainda aqueles que nem podem ser chamados de crentes “domingueiros” porque nem mesmo observam uma frequência dominical às suas igrejas!

Há pessoas que “bebem” pouquissima água; em seu lugar tomam COCA COLA, refrigerantes em geral… talvez tenham se cansado de beber a velha água em seu estado natural. Segundo os cientistas a água está zanzando por aí há cerca de 12 bilhões de anos!!! Curiosamente a molécula da água é uma das mais resistentes no universo! mas por parecer tão monótona facilmente esquecemos de como a mesma é vital… “sedentos” por novidades, inventamos  outras águas, variamos, colorimos, adoçamos…

Espiritualmente não é diferente. Ao invés de beberem da fonte das águas límpidas, a velha e  boa bíblia, muitas pessoas arranjam substitutivos… os “refrigerecos” espirituais! Esses “refrigerecos” são aquelas práticas religiosas desprovidas de conteúdos, rituais da tradição morta, repetições de rezas, penitências, mantras… confissão inválida de uma fé que não se traduz por compromisso.

Pois os refrigerantes são agradáveis ao paladar, mas devastam a saúde! De igual forma uma espiritualidade pautada pela desmazelo tambem agrada a alma, mas avassala a vida espiritual!! Voce está entendendo onde quero chegar?? O problema é que as pessoas não crêem de fato que os refrigerantes fazem mal à saúde, assim como não acreditam que a sua religiosidade fria e ocasional, bem como sua espiritualidade sem nexo e desengajada poderá lhes causar qualquer dano sério…

Voce é daqueles que prefere o refrigerante à água?? Voce é daqueles que, ao abrir a geladeira procura primeiro se há algo docinho para beber quando está com sede?? voce é daqueles que dá à água um papel secundário no seu dia a dia?? Se for assim no plano natural então voce precisa de tomar medidas sérias a respeito! Caso seja assim também no plano espiritual, então a coisa se torna mais urgente e voce está em sérios apuros!

Jesus disse: “Quem têm sede venha a mim e beba!” e ainda, “quem beber da água que eu lher não terá sede para sempre”. Não entupa o seu espírito com “refrigerecos” espirituais! Converta-se a Jesus. Dirija-se à fonte e beba da água da vida!

13 13UTC Abril 13UTC 2009

O Maior Funeral do Século!

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 6:26 am
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O maior funeral do século

Por Luiz Leite

O maior funeral do século XX ocorreu no dia nove de março de 1953. O homem cuja morte produziu esse recorde impressionante se chamava José. Mas esse José não foi como um desses que comumente se vêem por aí, de carne e osso, falíveis, porém carregando em si o lume da nobreza que se espera dos humanos. O defunto que causou tamanho frenesi tornou-se famoso por traços que colocavam em dúvida sua suposta humanidade… Ainda hoje causa calafrios.

Apesar de sua origem humilde, tornou-se surpreendentemente grande. Às vezes nos custa entender como pessoas como o referido José, ou mesmo como o nosso famoso “Lula” da Silva crescem tanto… Eles simplesmente parecem se recusar a conformar-se com uma vida circunscrita ao quintal de pobreza e privação em que foram criados. Agigantam-se de maneira tal que deixam pasmos os “escutadores” da história. Porque enquanto uns assistem e escutam a história, outros a escrevem!

Adotou um apodo altivo e também revelador. Fez-se chamar José, o homem de aço. Esqueceu-se, todavia, que os humanos são mortais, e que na verdade são tomados do pó e ao pó retornarão. O homem de aço na verdade era de barro, o que ficou provado no dia em que “o cântaro quebrou-se junto à fonte e rompeu-se o tênue fio de prata”. E agora José? É impossível não lembrar Drumond.

A festa acabou,a luz apagou,

o povo sumiu,a noite esfriou,

e agora, José ?e agora, você ?

(…)

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José ?

(…)

Milhões de pessoas compareceram ao seu funeral. Muitos compareceram no velório nem tanto para dar o último adeus ao “paizinho” do comunismo, mas para certificarem, como Tomé, não que o seu líder supremo estava vivo, mas se de fato havia morrido. Aquela nova era muito boa para ser verdade pois parecia-lhes que José era imortal, inquebrantável, um homem de aço.

Dignitários do mundo todo vieram também lhe prestar as honras, ainda que por pura média diplomática. São os mestres das white lies, da hipocrisia institucionalizada. Muitos, sob a máscara sombria do luto, alegraram-se de ver inerte em seu ataúde dourado o abominável líder que assassinou dezenas de milhões do seu próprio povo. Foi assim que, em meio a muita pompa e circunstancia Josep Dzhugashvili “Stalin” (homem de aço em russo) foi ao encontro do seu destino eterno.

Dezenove séculos antes morria Jesus de Nazaré. Tinha algumas coisas em comum com Stalin. Era de origem extremamente humilde, mas a vida lhe reservou um papel muitíssimo grande. Aqueles que o conheceram em sua humilde vila de Nazaré exclamaram aturdidos: “Não é este o filho de José?” “Não estão entre nós seus irmãos e irmãs?” As semelhanças, entretanto, felizmente terminam por aí.

Ao passo que Stalin utilizou-se de todas as manobras possíveis para alavancar sua carreira e realizar seu projeto pessoal de poder, Jesus, ao contrário, jamais “atropelou” seus opositores. A truculência de um e a gentileza do outro os colocava definitivamente em campos opostos.

A morte de Jesus, diferente da de Stalin, não foi maquiada, nem a informação manipulada. Crucificado às 9 da manhã de uma sexta feira triste, morreu surpreendemente às 3 da tarde, em apenas 6 horas, isto porque os condenados levavam pelo menos 36 horas para morrer, e às vezes chegavam a ficar 9 dias pendurados, agonizando na cruz antes de renderem o espírito.

Seu sepultamento se deu às pressas. Não houve tempo para o trabalho dos embalsamadores; Não houve tempo para esperar amigos distantes. O sol estava para se pôr em não mais que três horas. O shabbat se aproximava. O corpo foi reclamado, liberado e sepultado em tempo recorde. Os poderosos da Terra não viriam mesmo prestar-lhe honra alguma. Morreu o Rei dos reis e foi sepultado por um pequeno grupo de plebeus.

A história do “homem de aço” e do “Cordeiro” respectivamente tanto nos apavora quanto nos inspira. O sepulcro onde repousam os restos mortais de Stalin é visitado com um misto de terror e desconforto por aqueles que conhecem sua história. O sepulcro de Jesus já é visto com sublime contentamento pelos seus incontáveis fieis. O tumulo está vazio. “Ele não está aqui – disse o anjo àqueles que foram ao sepulcro no domingo pela manhã – Ressuscitou!

A obra de suas vidas ocasionou desfechos absolutamente distintos. Imediatamente após a morte de Stalin iniciou-se um processo de “desestalinização” da antiga URSS. Duas semanas após seu sepultamento a imprensa deixou de mencionar o seu nome ad nauseam, como era costume nos seus dias de glória. O mundo queria mesmo esquecer Stalin.

Com Jesus, entretanto, o movimento se deu de modo inverso. Imediatamente após sua morte e ressurreição, iniciou-se o fenômeno de Cristianização do planeta que, a partir de Jerusalém, atingiria Judeia, Samaria e até os confins da Terra, como o Jaquetô, nos cafundós da Bahia, (aquilo é que é confins da Terra!) lugarejo onde, na infância ainda, ouvi pela primeira vez falar do doce Nome.

De Jesus queremos lembrar. Do malvado José preferimos esquecer! (E pensar que fui comunista um dia, e que olhava com veneração para o bigode do tal José e nenhuma importância dispensava ao carpinteiro nazareno! Não é irônico que eu hoje pregue apaixonadamente a este e despreze tão completamente aquele?)

3 03UTC Abril 03UTC 2009

Veni. Vidi. Vici!

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 12:52 am
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Artigo publicado pela Revista Eclésia edição abril 2009

Veni. Vidi. Vici!
Por Luiz Leite

É mundialmente famosa a frase de Júlio César após a vitória sobre Farnaces II na batalha de Zela (47 a.C.). Exclamou exultante: “Veni. Vidi. Vici” (Vim, vi e venci!) Notável! O poder de síntese com as palavrinhas revela nessa mensagem enviada ao senado em Roma, o pragmatismo desse senhor da guerra por excelência. A máxima deixa clara a determinação do obstinado guerreiro romano ao tomar, de maneira devastadora, o Reino do Ponto, que vinha posando resistência à hegemonia romana na região.

Muita brincadeira já foi feita usando a frase do célebre general romano, como aquela feita pela empresa de computadores Apple, “Veni. Vidi. Codi.” Vim, vi e codifiquei. A versão chinesa, em relação à tecnologia ocidental, seria algo tipo: “Vim, vi e copiei…” Mas, brincadeiras à parte, o que teria dito o batedor da legião de Júlio César, que foi à frente espiar e mapear o terreno? Se César disse: “Vim, vi e venci”, o batedor teria dito: “Vim, vi e voltei”. É óbvio que nem de longe surte o mesmo efeito, mas pelo menos deveria ter uma notinha de reconhecimento no rodapé da história.

O canto de vitória de muitos omite deliberadamente o crédito aos preciosos cooperadores das grandes conquistas. Algumas empreitadas são simplesmente grandes demais para serem levadas a cabo pelo visionário apenas. Certos projetos de poder nunca são fáceis de serem executados. Envolvem uma série tão grandes de detalhes que não é incomum perder-se nos labirintos das manobras necessárias para torná-los factíveis. Não está em questão, portanto, o fato de que para realizar qualquer grande projeto o elemento humano será um componente chave. Daí, entretanto, a utilizar-se do homem como mero “dente de engrenagem”, é uma estória diferente.

Os exemplos de valorização do elemento humano nas Escrituras são abundantes. A Bíblia dá importância a gente que não seria mencionada em outras narrativas, fazendo questão de registrar-lhes os nomes. Às vezes em apenas uma linha, é verdade, mas não deixa de reconhecer o mérito daqueles que, de alguma forma, participaram ativamente, ainda que desenvolvendo apenas papeis diminutos, mas em momentos decisivos.

Se seguíssemos o ensino de Jesus quando teve que intervir em uma pequena polêmica entre os seus discípulos acerca de posição e status, talvez não tivéssemos egos tão inflados e tampouco cometeríamos as injustiças comuns verificadas na ascensão de muitos. Disse o Mestre:
“(…) Sabeis que os que são reconhecidos como governadores dos gentios, deles se assenhoreiam, e que sobre eles os seus grandes exercem autoridade. Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.” (Mc 10.42-44)

É absolutamente estarrecedor ver no meio cristão, líderes religiosos que se assenhoreiam dos seus liderados como os inescrupulosos caciques do mundo secular, usando-os como massa de manobra, numa ciranda ensandecida que combina pietismo (ou fanatismo) religioso com poder político e financeiro! O mercantilismo capitalista, como metástase, invadiu todos os campos da atividade humana no ocidente. A igreja não escapou. Mercadeja-se de tudo nessa grande feira, desde as almas dos homens aos favores de Deus. O pastor americano Richard C. Halverson (1916-1995) resumiu a situação numa frase, Disse: “No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois, chegou à Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à Ámérica, e tornou-se um negócio.”

Igrejas e currais eleitorais, para citar um exemplo, tem sido fato corriqueiro na historiografia evangélica brasileira recente. Uma espécie de “coronelismo” religioso se processa em muitos segmentos denominacionais, bem aos moldes daquele fenômeno da velha e viciada política brasileira. Nesse exato momento articulações e alianças estão sendo alinhavadas pelos mercadores de almas nos bastidores dos poder nos palácios de Brasília. Satanás é convidado. Vade retro!

Um exemplo a ser seguido por todo líder em ascensão é aquele dado por Davi, quando alguns de seus soldados arriscaram suas vidas, rompendo o arraial do exército inimigo, para buscar água para o seu certamente cansado e sedento comandante. Ouviram-no suspirar e dizer do seu desejo de tomar um gole da água da cisterna que estava junto a Belém. O texto bíblico diz: “Então aqueles três valentes romperam pelo arraial dos filisteus, tiraram água da cisterna que está junto a porta de Belém, e a trouxeram a Davi; porém ele não quis bebê-la, mas derramou-a perante o Senhor;” (II Sm 23.16)

Não é por menos que Davi é conhecido como um homem segundo o coração de Deus. Com surpreendente nobreza recusou-se a tomar da água que poderia ter custado a vida dos seus fiéis comandados. Discerniu com grande clareza a linha que delimitava o abuso do uso de suas prerrogativas como líder. Por falta desse discernimento, muitos, deslumbrados com o sucesso e alçados aos pedestais da fama, se esquecem que foram elevados até ali para servirem a partir daquela posição, e não para se servirem dos privilégios que a posição oferece.

Em meio a tanta tietagem, é impossível não pensar em Paulo e Barnabé recusando veementemente as honras cabidas a Mercúrio e Júpiter, deuses com os quais foram confundidos. Ao ouvir o povo dizer: “Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens e desceram até nós…” (Atos 14.11) Os dois não hesitaram em recusar tais honras e imediatamente rasgaram as suas vestes, transferindo a glória ao único que é digno. Se fossem como alguns espertalhões que temos visto por aí, sem dúvida teriam aceitado a badalação e administrado em proveito próprio a superstição e ignorância imensa da turbamulta.

Graças a Deus, Paulo não era um narcisista, e muito menos o discretíssimo Barnabé. Os narcisistas geralmente superfaturam o seu valor e caem facilmente diante da cantiga pegajosa dos aduladores. Quando um líder se rende ao culto de sua personalidade, acaba precipitando-se num estrelismo insuportável. Portam-se como pequenos deuses que vêem nos seus ajudadores apenas um séqüito de mucamas e lacaios, e não sentem qualquer necessidade de compartilhar com esses o crédito de suas conquistas. À exemplo de Júlio César, trombeteiam suas vitórias, sem reconhecer que a mesmas custaram o sacrifício de muitos, e que sem a colaboração dos tais, não teriam sido possíveis!

Imagino que Jesus, diante da querela dos discípulos que, no texto citado, vadeavam pelos salões de perigosa ambição, tenha disparado com firmeza e em tom gravíssimo, a advertência: “Mas entre vós não será assim!”. E que se registre, sempre, mesmo que através de simples nota de rodapé, o crédito do batedor!

27 27UTC Março 27UTC 2009

Refutando Bultmann

Arquivado em: Teologizando — luiz leite @ 5:09 am
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Refutando Bultmann
Por Luiz Leite

É muito comum que refutemos a alguém quando não entendemos direito o seu ponto de vista. Dia desses uma pessoa me contestou energicamente por eu ter afirmado que a causa da rejeição da oferta de Caim não foi exatamente porque a referida oferta não foi uma oferta de sangue, e sim por uma questão de ordem mais profunda envolvendo a motivação do ofertante… A falta de conhecimento mais apropriado acerca de um assunto faz com que as pessoas se precipitem apaixonadamente, porém sem fundamento, em debates para os quais não estão preparadas.

Atrever-me a refutar Bultmann é quase que um ato de atrevida ousadia, mas caramba, pensei, Bultmann não é nenhum Paulo e seus escritos não são Escritura Sagrada… Melhor, é possível que alguém que saiba mais responda a esse post e lance luz sobre minha ignorância, se esse for o caso.

Vamos à refutação. Bultmann, em artigo sobre o conceito Carne (Σαρξ) afirma em sua Teologia do Novo Testamento que a expressão “espinho na carne” (σκολοψ τη σαρκι) é figura que se refere a sofrimento físico.

Pois, onde está o problema? O problema está no contexto. Paulo nos informa que foi lhe dado “(…) um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás…” (αγγελος Σατανα) O termo “mensageiro” traduzido do grego αγγελος (de onde procede a nossa palavra anjo), não é aplicado em nenhuma parte do NT senão a homens, anjos e demônios.

A carta onde se encontra o texto é possível ou certamente a carta mais autobiográfica escrita por Paulo. Aí manifesta larga defesa do seu apostolado, apresentando suas credenciais, como não faz em nenhuma outra epístola, como se estivesse correndo o risco de perder sua autoridade junto aos Coríntios, igreja complicada, mas muito amada pelo Apóstolo. É nessa carta que ele faz referência a “falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, disfarçando-se em apóstolos de Cristo.” Segundo o contexto esses tais apóstolos, qual joio no trigal, estariam prejudicando a Igreja bem como todo o trabalho por ele desenvolvido ali.

É bastante razoável que o espinho na carne, o mensageiro de Satanás (αγγελος Σατανα) , fosse um destes, que vinham fazendo oposição a seu ministério e espalhando fofocas acerca de suas supostas deficiências para tentar desacreditá-lo junto à comunidade de Corinto. Uma vez que o termo só se aplica a homens, anjos e demônios, provavelmente é a estes que faz referência. Se ele tivesse mencionado apenas o espinho na carne (σκολοψ τη σαρκι), poderíamos inferir daí uma enfermidade de qualquer ordem, ou até mesmo fraqueza sexual como imaginam alguns especuladores mal intencionados, mas a cláusula que segue usando a palavra αγγελος (anjo, mensageiro) é de nos deixar intrigados… o termo, indubitavelmente, adjetivaria melhor a um homem (ou demônio). Será que Bultmann estava errado?

19 19UTC Março 19UTC 2009

Deixe que falem…

Arquivado em: Embromando — luiz leite @ 10:30 pm

censurablogs

Deixe que falem

Por Luiz Leite

O autor desse blog – UM DEDO DE PROSA – tem encontrado nos comentários dos leitores, quase sempre encorajadores, um motivo forte para continuar no ar… São as palavras de afirmação que nos empurram vida afora nos animando a prosseguir. Ainda que nem todos manifestem sua opinião, aqueles que tem tirado um tempinho para deixar um comentário, possivelmente não fazem idéia da importância de uma ou duas linhas de apreço.

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Comentando post “Nietzsche, esse louco”

“É extremamente agradável esse dedo de prosa, parabéns. Poucas páginas promovem tão boa leitura na “NET”. Abraços.”

José Carlos

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Comentando post “Olhando para dentro”

“Muito bom! aliás foi ótimo. Como sempre. É muito bom poder ler textos dessa qualidade, coisas que nos fazem pensar e reagir as intempéries da vida…”

Vander Guerhardt

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Comentando post “Quando a gente ama é claro…”

“Classifico essa postagem como uma pérola…”

Marcelo

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Comentando post “Quem tem medo do pós moderno”

Boa análise. Não sei por que ainda não se percebe geralmente o caráter cíclico da história. É comum que certos padrões se repitam.”

Teo

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Comentando post “O Poder do Foco”

“Fico encantada cada vez que entro no seu blog, seus textos são: atuais, inteligentes, informativos e muito bem escritos. Parabéns.”

Mary Garcia

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Comentando post “Psicanalisando I”

“Realmente você desnuda a alma humana de uma maneira profunda, mas suave. Sem chocar e nem deixar condições para contestações. O que você escreve tem me edificado muito. Continue assim e não se deixe intimidar.”

Reni Ramos

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Comentando post “Deixe que falem…”

“Ler o que vc escreve não é leitura, é na verdade uma viagem entre as linhas, e que doce viagem!

Donizeti

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Comentando post “abcego, absurdo, abmudo”

“é muito bom !!!! me fez pensar …gosto quando isso acontece
rsrs”

Marcelo

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Comentando post “Absurdo, abcego e abmudo”

“haha.. mto bom o post!! achei seu blog por engano e toh gostando do q toh lendo.. hehe sucesso com o blog!”

Jon

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Comentando post “Schopenhauer é um chato”

“Adorei !!! merecia um premio”.

Rafaela Matos

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Comentando post “Sobre mim”

“Eu sempre me inquieto…O que seria de mim sem os poetas? Nunca achei as palavras certas. Ei,olha!tem um ali.UfA!já me sinto um pouca mais calma.”

Telma

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Comentando post “O canto da lavadeira”

“Que linda essa sua história…. Obrigada por compartilhar!!!!Abraço com carinho…”

Climene

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Comentando post “Amsterdam”

“Amei Amsterdam. Leve.”

Ricardo Abreu

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Comentando post “Por fora bela viola”

“Esse escritor tem futuro! Tocou em um tema que eu gosto!
Que possamos ser como as crianças que eu convivo: humildes, simples,alegres e confiantes! Abraçao,”

Alexa

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Comentando post “Narcisismo e disciplina”

“O senhor está -ABSOLUTAMENTE – certo! o homem é uma criança grande”.

Gladson

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Comentando post “Convite à revolução”

“Edito o blog Poesia Evangélica, dedicado a resgatar e divulgar a nossa poesia. Tomei a liberdade de publicar dois poemas teus no blog, bem como o link para sua página.”

Sammy Reachers

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Comentando post “Psicanalizando II”

Seus comentários são simplesmente fantásticos. Sou estudante de psicologia e nunca ouvi comentários tão sábios a respeito da alma humana. Parabéns e obrigada por esclarecer-nos.”

Luciene

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Comentado post “Mea Culpa”

“Se todos os homens tivessem acesso a esse artigo e tivessem a sensibilidade e profundidade do assunto, todas nòs mulheres seriammos abençoadas. Amém”

Dora

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Comentado post

“Aí está novamente! voce está nos descrevendo nos seus textos, nos desnudando a todos! É isso.”

Sarah


16 16UTC Março 16UTC 2009

Eu e São João de Deus

Arquivado em: Diários I — luiz leite @ 4:34 am
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Eu e São João de Deus

Por Luiz Leite

Nossas semelhanças começam pelo aniversário. Nascemos no mesmo dia. O santo e eu somos especialmente lembrados no dia oito de março; ele pelos seus fiéis devotos e eu pelos devotos amigos. Mas nossas perecenças não terminam por aí. Com oito anos João fugiu de casa, eu com onze. João, entretanto, não mais voltou. Como ninguém conhecia o menino, que como cãozinho sem dono aparecera em Oropeza, simplesmente começaram a chamar-lhe de João; Mas, João de quê, João de quem? Afortunadamente, ao invés de batizarem-no de João Ninguém, resolveram chamar-lhe de João de Deus, que muito mais vistoso, pegou e caiu-lhe muito bem. Os aldeões de Oropeza não imaginavam que estavam diante de um santo e que aquele puto (designação portuguesa para menino) abandonado viria mais tarde entrar na hagiografia da Igreja como São João de Deus.

Pois o fujão do João não retornou ao lar. Talvez não o fez por não ter um lar para onde voltar.Talvez tenha fugido para não voltar mesmo, movido por razões que seu juízo de oito anos julgou como suficientemente graves. Eu e João fugimos de casa. É fácil fugir de casa, difícil é fugir do lar. Aqueles que têm um voltam. Eu, afortunadamente, tinha. A minha fuga não poderia se sustentar. O meu projeto de revolução contra o governo da D. Carmelita estava seriamente comprometido. D. Carmelita corrigia energicamente, mas ao mesmo tempo amava intensamente suas crias. Havia me aplicado um daqueles corretivos que mais tarde viria salvar o meu caráter e por extensão a minha vida inteira. Aprendi com ela uma lição: Corrija-se o caráter de uma criança e salve-se a vida de um homem. A psicopedagogia moderna com suas teorias experimentais tem estragado toda uma geração por abandonar completamente essa velha escola.

Fugir de D. Carmelita provou-se uma empresa falida no primeiro dia! A fome e a noite, como pesado pano de fundo, realçaram enormemente os quitutes e o amor da mãe que possivelmente faltou a João. O meu surto de revolta contra a autoridade passou tão logo o estômago começou com sua inconfundível lamúria. Exausto e faminto, tomei o rumo de casa ao entardecer, quando o lusco-fusco já ia produzindo sombras como prenúncio das trevas que em pouco tempo envolveriam a tudo com o seu manto.

João, provavelmente, não teve uma mãe que, como a minha, me prendeu definitivamente em laços de amor. Certamente não teve também como eu, a felicidade de ter um pai como Seu Vicente, chamado pelos filhos de “o Tronco”, onde nós, vasta prole de raminhos, estávamos ligados. Por essas coisas sinto por meu amigo.

Eu e João já estamos íntimos. Afinidades nos fazem aproximar de pessoas. Nossas idiossincrasias, aquele comportamento peculiar de cada indivíduo, quando se identificam, fazem com que nossas almas se fundam no cadinho de misteriosa empatia. Há, entretanto, os casos dos “santos que não se cruzam”, uma malquerença gratuita que domina o coração fazendo-nos desconfiados de pessoas que nem mesmo conhecemos, mas não quero falar disso, quero falar da minha simpatia por João. Eu e João nos ajustamos harmonicamente, como uma primeira e segunda voz afinadas na execução de um hino de louvor a Deus.

João tinha uma natureza aguerrida, talvez energizada pela dor de perguntas sem resposta. Enquanto em uns a dor produz uma sensação de desmaio, desarmando e subjugando completamente o espírito, em outros surte efeito contrário. Com João o desfecho da dor foi o fio condutor que o levou a tornar-se um guerreiro. Curiosamente não tornou-se um ser amargo apesar da dieta de fel que certamente teve que sorver em sua existência como menino sem lar, sem calor e possivelmente sem teto.

João, depois de labutar pelo sustento de diversas maneiras dispôs-se como mercenário e vendeu suas armas aos exércitos de Carlos V. Tomou gosto pela coisa e depois de sair vitorioso na batalha de Pávia, empolgou-se e foi parar também em Viena onde participou da defesa da mesma contra o turco Solimão. Ambos fomos rebeldes. Ele, com causa pessoal, eu, sem… As minhas razões eram ideológicas. Eu queria botar fogo no mundo, contaminado que estava pelas idéias do meu tempo. Por felicidade o meu sonho de tornar-me um soldado da fortuna não se cumpriu. Fui cegado pelo clarão no meu caminho pra Nicarágua.

Eu e João de back pack perambulamos pelo mundo. Com algum dinheiro João aventurou-se pela Europa e África. Fui um pouco mais longe que João apenas por causa das facilidades do meu tempo. Se João tivesse as mesmas condições, teria, como eu, visitado os cantos e os pontos dos quatro ventos desse mundo de meu Deus. Como eu, João tinha uma paixão. Gostava dos livros. De pastor de cabras, camponês, guerreiro, mascate, João acabou estabelecendo-se em Granada, onde abriu uma livraria. Sim, uma livraria, e isto no século XVI!

A cabeça e o coração de João, entretanto, haveria de sofrer um golpe de proporções dramáticas que mudariam para sempre o curso de sua história. Quando as circunstancias apontavam, depois de tantas aventuras e desventuras, para um final pacato e suave, João viu a luz. Vendeu tudo o que tinha, distribuiu aos pobres e foi viver de esmolas. Era assim que a teologia do seu tempo ensinava. Bastante diferente, diga-se, de uma teologia bem torta e presente nos dias do hoje. Extremos, quão perigosos! João, todavia, era verdadeiro, ainda que equivocado. Devido aos exageros de uma fé afogueada porém mal conduzida foirecolhido das ruas como louco e enviado direto ao hospício.

Incrível que pareça, o “louco” do João saiu do hospício e acabou fundando um hospital! Que reviravolta! A experiência no hospício revelou uma realidade que João desconhecia: A falta de humanidade com que as pessoas eram tratadas nessas instituições. Sem qualquer preparo formal em medicina, João começou a aplicar amor e respeito nas veias de seus pacientes e seu hospital começou a obter resultados em índices de recuperação maiores que os estabelecimentos profissionais! Como eu, João tinha um interesse especial pela alma dos homens. Acreditava, o que também compartilhamos, que o “buraco é mais embaixo”, que o problema é mais complexo, que a causa é mais profunda do que querem sugerir as aparências com que se revestem o sintoma. Com quatro séculos de antecedência já observava a dor da alma humana de prismas que ficariam famosos por meio de um celebrado psiquiatra austríaco no século XX. Curas d’almas, João e eu cremos firmemente que a saúde do espírito resolve muitos dos flagelos que acometem o corpo. Conosco fazem coro número grande de apaixonados pela humanidade avariada.

Nossas afinidades devem parar por aqui. João morreu em 1550 com apenas 55 anos, exatamente no dia de seu aniversário. Pulemos essa parte.

12 12UTC Março 12UTC 2009

Moinhos de Vento

Arquivado em: Diários I — luiz leite @ 6:07 am
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Poema Existencialista

Por Luiz Leite

Fiz 45 anos ontem. Caramba! Alguns colegas impiedosos dizem que já vou descendo a ladeira… Fato é que já não sou nem jovem (no sentido cronólogico) nem velho. Estou no meio do caminho. Não estou, entretanto, sentado à beira do caminho… estou ativo, andando NELE!

Estou mudado. Diferente. O corpo e a mente mudaram. Tenho rugas ao redor dos olhos, os cabelos estão grisalhos… a barba, outrora farta e negra como as penas da graúna, hoje resume-se a uma barbicha comportada, tomada de fios de prata ( pra não dizer brancos… é mais bonito dizer: fios de prata) Uma barriguinha que já vai exibindo um relevo saliente tomou o lugar do antigo tanquinho…

Minha mente, por sua vez, vai descrevendo um trajeto quase oposto; ao passo que o corpo vai perdendo a graciosidade da juventude, a mente vai tornando-se mais bonita, mais potente, mais interessante em todos os aspectos… Isso me alegra bastante! A mente não tem que envelhecer, a menos que o indivíduo permita; o espírito não tem que se submeter à marcha inexorável do tempo nem ao peso insuportável (para o corpo) dos anos! Essas descobertas são preciosas.

O tempo passa e os homens mudam… Ou, o tempo passa e muda os homens? Talvez ambos, ainda que alguns homens teimem em permanecer aferrados ao sistema neurótico que levantaram ao redor de si como artifícios de proteção. Os obsessivos fazem assim. Sistemáticos, eles não mudam facilmente. Eu, apesar de algo obsessivo, vou mudando… Venho mudando, à medida que prossigo, num processo ininterrupto de construção e descontrução de ideias. Aprendendo sempre, como um menino, curioso, perguntando sempre…

Minha filosofia incorporou muitas coisas “novas” através dos anos, mas de alguma forma, preservo as bases que esposei já há muito. Se voce tem alguma curiosidade acerca do lugar onde me situo hoje em meio a esse confuso universo de escolas filosóficas e, se não estiver suficientemente bem familiarizado com a sopa de letrinhas das muitas escolas de pensamento, saiba, sou um existencialista teísta da velha e boa escola Kierkegaardiana.

O poema que segue foi escrito há mais de vinte anos, quando o absurdo da existência humana em um mundo entregue ao caos começava a me chocar… O meu existencialismo angustiado revela-se na letra… Naqueles dias não tinha respostas para essa dor.

Tem certos momentos na vida

Em que fico a olhar ao redor

E vejo o homem sem saída

Vejo sua face caída

Olhar embaçado, sem brilho e sem cor

No peito calado um grito

Da mente apagada a lembrança

De quem por cuja semelhança

Do barro e de um sopro veio a existir

Vêem-se nos rostos opacos, nas rugas

Em alto relevo a expressão do medo

Foge-se de monstros, moinhos de vento

Produtos mentais de falsos pensamentos

Almas doentias, existências vazias

Áridos desertos de dor e aflição

(…)

Encontrar Jesus foi fundamental para dar “sentido” ao absurdo e decifrar o caos. É uma afronta grave para alguns essa volumosa pretensão de se conferir sentido ao absurdo da existência humana. Eu sei que isso irrita profundamente os existencialistas sartreanos em seu ateísmo mórbido; honestamente, gostaria que todos eles fossem inundados pela alegria indizível que hoje tenho.

Envelhecer filosoficamente sem amadurecer espiritualmente é trágico. Vou ficando velho, esperando, como diz Quintana, pelo momento de finalmente poder deitar de sapatos, mas sem qualquer receio… Sou um existencialista sem crise, se é que tal coisa é possível!

Essa paz de espírito e essa confiança no desfecho do drama só podem ser encontradas em Jesus. Nele, por ele e para ele existo. Glória pois a Ele! E quanto às rugas… na verdade são apenas marcas de expressão!

5 05UTC Março 05UTC 2009

Troque seu cachorro por uma criança pobre.

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 12:22 am
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Vida de Cão

Por Luiz Leite

Quando, nos idos dos anos 80, Eduardo Dusek cantava “Troque seu cachorro por uma criança pobre”, o público ria do besteirol do roqueiro sem se dar conta de que por trás da música aparentemente engraçada havia um protesto que de engraçado nada tinha.

Quando li na Ultimato dia desses acerca dos bilhões de dólares gastos anualmente (pasme! bilhões!!) com animais de estimação, sendo que de longe a maior vedete desse cenário é o canis lupus familiaris, acordei para um dos maiores contrasensos da sociedade ocidental. Não que eu seja contra os queridos viralatas… (em viagem pelo Oriente até pensei em experimentar o guizado canino, mas desisti.)

Sem dúvida, a super bem sucedida parceria de 12 mil anos é um forte argumento para justificar a conta, mas quando voltamos os olhos para os meninos e meninas de rua, cujas vidas pequenas estão definhando nas esquinas e descobrimos que esses bilhões poderiam resgatar milhões desses pequeninos seres humanos da fome e desamparo agudos, então urge que se faça algo a respeito.

Segundo a Ultimato US$ 3.300.000.000 de dólares é quanto o Brasil movimentou este ano com o “pet business” (todos os gastos com animais de estimação, incluindo alimentação requintada, cuidados médicos, embelezamento, diversão, roupas, jóias etc)

Se dispensássemos 3 dólares por dia por criança, recuperaríamos com essa montanha de dólares milhões delas que, por falta de uma dieta básica que se poderia obter com essa quantia, está fadada a uma existência lesada, uma vez que já na sua primeira infância lhes falta o suprimento nutricional necessário para um desenvolvimento adequado…

Alguém já disse que a elite dessa país é burra. Se considerarmos que o menino de hoje vai ser o marginal de amanhã, tão somente porque tivemos a capacidade de gastar bilhões com cachorros e desprezamos nossas crianças, então teremos que engolir a seco essa verdade.

Problemas se solucionam com políticas próprias e dinheiro. Faça a sua parte.

Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro por uma criança pobre

(…)

Seja mais humano, seja menos canino
Dê guarita pro cachorro, mas também dê pro menino
Se não um dia desse você vai amanhecer latindo, uau, uau, uau

Troque seu cachorro por uma criança pobre (Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre (Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre




28 28UTC Fevereiro 28UTC 2009

O Lobo

Arquivado em: Livros — luiz leite @ 12:59 am
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Pastor ou Lobo?

Por Luiz Leite

O rebanho ficou à mercê do seu mais voraz predador quando Adolf Hitler ascendeu ao poder na Alemanha, em 1937. Hitler veio para confundir e com um talento arrebatador conquistou a atenção dos milhões de alemães humilhados e inseguros, com sua voz rouca e retórica afogueada e dramática. Em tempos de crise os oportunistas fazem hora extra e se multiplicam aceleradamente. Tony Allan nos conta em seu Livro de Ouro das Profecias, por exemplo, que a astrologia “teve mais praticantes na Alemanha na década de 1920 do que em qualquer outra parte da Europa”.

Hitler, com seu discurso eletrizante e envolvente conduzia os alemães a visualizarem quase que tão bem quanto ele mesmo o sonho megalomaníaco de uma grande Alemanha, diferente do país que saiu da primeira guerra derrotado e ainda mais severamente humilhado pelos termos do tratado de Versalhes. Atordoados pela poderosa metralhadora giratória que era a sua oratória, poucos tinham condições de discernir na escuridão da longa noite em que a Alemanha adentrara, se aquele homem era mesmo o pastor de que a nação necessitava, ou um lobo pronto a conduzir o país ao seu mais terrível pesadelo.

O fato é que o enigma chamado Adolf Hitler tem início no seu próprio nome. “Adolf” significa “lobo nobre”, ao passo que “Hitler” tem origem possível na palavra “hütte” que significa “pastor”. Pastor ou lobo? A história já deu o seu veredicto. O nome entrou, à força, na galeria daqueles que realizaram grandes feitos. Se não fosse por um único erro estratégico cometido por Hitler, que a exemplo de Napoleão investiu contra as terras russas, provocando o velho urso, possivelmente o mapa geopolítico do mundo hoje teria outra feição.

Adolf Hitler foi um dos grandes realizadores que deixou uma marca indelével na história da humanidade. Enquanto houver mundo, o nome desse homem incrível será mencionado, livros continuarão sendo publicados e a sua figura enigmática continuará atraindo a curiosidade de milhões. O reconhecimento de estadistas do mundo todo de que ele foi um grande líder, um exímio estrategista, na verdade é o louvor a ele devido pelos seus feitos. Entretanto, ninguém, em sã consciência o adoraria. Hitler inspira admiração como líder, mas não inspira devoção como pessoa. Louvamos a alguém por aquilo que essa pessoa faz. Só nos devotamos a ela por aquilo que ela é! Como líder foi notável, como pessoa foi monstruoso!

É bem sabido de todos que Hitler foi um daqueles que se rendeu ao “lado escuro da força” e detém o título nada invejável de super anti-herói número 1. Ninguém, entretanto, poderia negar que Hitler tinha um sonho, um plano, e uma determinação inquebrantável.

Dotado de coragem e intrepidez, traços comuns a todos os grandes estadistas, Hitler provou ser um soldado de valor durante a primeira guerra mundial e foi distinguido com a famosa condecoração da cruz de ferro, por atos de coragem. Ferido duas vezes no campo de batalha, terminou a guerra confinado a um período de convalescença em virtude e prosseguiu sua vida após a guerra vivendo uma vida miserável em país arruinado e sem perspectiva.

Ergueu-se no cenário, e dos destroços e do desespero de uma nação falida abriu caminho entre os escombros para ascender ao poder e construir um nome notável para si. Onde muitos vêem crise e desfalecidos entregam-se de vez à mediocridade e ao pessimismo, os realizadores identificam oportunidades únicas de ascender à plataforma do sucesso.

O lobo nefasto ergueu-se em meio à uma crise sem precedentes e carregou consigo uma nação inteira. HItler alinhou suas forças com a oportunidade. Percebeu que tinha um talento muito acima da média na área da oratória e da articulação política. Tirou vantagem tanto do seu potencial quanto da crise externa, pois não viu crise na crise, antes enxergou possibilidades.

É notório que Hitler obteve o sucesso sonhado. Utilizando-se da ética da personalidade, Hitler encantou os seus seguidores e pouca importância deu à ética do caráter. Cresceu para cima, mas nunca se importou em crescer pra dentro, em crescer, como as árvores, para baixo. A tempestade veio e Hitler caiu. Esse é o fim de todos os que tomam a rota do sucesso  a qualquer custo. Mas não se pode negar que foi um homem de foco e que teve o seu dia de glória!

Trecho do livro O PODER DO FOCO

16 16UTC Fevereiro 16UTC 2009

Maomé e as Mulheres

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 7:30 pm
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Maomé e as Mulheres
Por Luiz Leite

Evidentemente, Maomé não só honrava a mulher mais que qualquer outro homem, mas elevou-a ao status que realmente pertence a ela – uma realização da qual apenas Maomé já foi capaz.” (Sahih Al-Bukhari, apologista muçulmano)

Maomé amava as mulheres. E muito. Amou com tanta sofreguidão que, puxando a sardinha para a sua brasa, abriu uma cláusula especial que lhe favorecesse com respeito a tão nobre questão.

Segundo a Surata 4.3 a regra é: “Podereis desposar duas, três ou quatro das que vos aprouve.”
Mas isso se aplica aos homens comuns. A Maomé, entretanto, foi concedido um privilégio, afinal Maomé é Maomé, né? Segundo o Corão, recebeu uma revelação registrada na Surata 33;50 que diz: “Ó Profeta, em verdade, tornamos lícitas, para ti as esposas que tenhas dotado, assim como as que a tua mão direita possui (…) bem como toda mulher crente que se oferecer ao profeta, por gosto, e uma vez que o Profeta queira desposá-la; este é um privilégio exclusivo teu, vedado ao demais crentes”.

É óbvio que diante desse veto divino, aos demais pobres mortais ismaelitas só resta um suspiro. Mas poxa vida, já não dá pra se contentar com quatro!! Voce pode ter quatro!! Sossega!
Diante dessa concessão as mulheres ocidentais perguntam: “A regra aplica-se às mulheres também? Elas podem ter quatro maridos?? Lógico que não!! Voces ficaram malucas é?

Há muita contradição na emancipação que o Profeta realizou em favor das pobres e oprimidas filhas de Ismael. Certo autor muçulmano defende o fato de que “O Islamismo deu à mulher direitos e privilégios que ela jamais teve em outras religiões ou sistemas constitucionais”.

Privilégios como aquele absurdo do esmagamento do clitoris das meninas porque o prazer sexual não pode ser desfrutado pela mulher. Por causa desse benefício 8.000 meninas engrossam a cada dia as fileiras das mulheres que passaram por aquilo que se chama educadamente de “circuncisão feminina”, principalmente na África e Ásia!

As mulheres são inferiores e terrivelmente ingratas aos favores que seus maridos lhes prestam, razão porque em sua maioria vão parar no inferno. É isso mesmo, no inferno!
O profeta disse: “Foi-me mostrado o inferno e que a maioria dos seus habitantes eram mulheres ingratas”. Perguntaram: “Elas não creem em Alá?” (ou são ingratas a Alá?) Ele respondeu: “Elas são ingratas a seus maridos e ingratas pelos favores e pelo bem (ações caridosas) feitos a elas”.

Outro PROFETA, não muito longe dalí, cerca de 600 anos antes, foi o protagonista de uma cena que tinha uma mulher como coadjuvante de uma trama entretecida pelos homens e seus preconceitos. No evento em foco a Lei se esborrachou diante da Graça!

A mulher que lhe foi trazida deveria ser apedrejada por conta de um adultério (até hoje não se sabe onde foi parar o amante que certamente estava na cena quando se deu o flagrante!) Esperavam dele o veredito, e com esse, o aval para o apedrejamento da pobre. Foram surpreendidos de uma forma tão inusitada que certamente perderam o rumo de casa! Com uma simples frase o PROFETA desarmou a multidão que, envergonhada, deixou ali, aos seus pés, a desafortunada adúltera.

Dirigindo-se à ela perguntou: “Mulher, onde estão os teus acusadores? Ninguém te acusa?”
Respondeu a mulher (certamente desgrenhada e debulhando-se em lágrimas): “Não, Senhor”.
Acrescentou o PROFETA: Nem eu tampouco te condeno…vai e não peques mais.”

Deixo pra imaginação do leitor qual seria a resposta daquele que, como dito por um de seus apologetas “deu à mulher privilégios que ela jamais teve”.

6 06UTC Fevereiro 06UTC 2009

Olhando para Dentro

Arquivado em: Psicanalisando — luiz leite @ 9:07 pm
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Olhando para Dentro

Por Luiz Leite

Carl Jung disse uma frase que me provocou o suficiente ao ponto de me levar a um mergulho nos substratos mais profundos da alma. Disse: “Quem olha pra fora sonha, quem olha pra dentro desperta”.

Enquanto tivermos os olhos voltados para fora, nos veremos entretidos com um punhado de ilusões tolas que pouco terão a nos acrescentar. Embalados por fantasias de toda ordem, seremos inevitavelmente feitos reféns das nossas próprias tolices e acumularemos prejuízos irreparáveis em nosso patrimônio existencial. Restará para esses um lamento tardio quando descobrirem que fizeram da sua vida um emaranhado confuso do qual não podem mais escapar.

Olhar pra dentro é despertar. A pergunta que se deve fazer nesse ponto é: “eu quero realmente despertar?” Muitos, por conta de uma configuração psíquica mal estruturada “preferem” permanecer no seu mundo de sonhos, perpetuando na idade adulta as doces fantasias de uma infância remota da qual não conseguem se desgrudar. Regridem constantemente àquele estado ideal de delícias.

Despertar é o início da grande saga. Não é necessário ir à Espanha para fazer o caminho de São Tiago de Compostela, peregrinações religiosas a Meca, Jerusalém, ou Juazeiro, acompanhado de um uma multidão de outros “fiéis”; Tampouco se estabelece contato consigo mesmo através de jornadas místicas, meditação transcendental, experiências alucinógenas, chás psicotrópicos de ayuasca, fraternidades de maluquinhos em busca de uma aventura rasa…

Não, a senda do “conhece-te a ti mesmo”, é uma senda solitária, às vezes inóspita, onde, colocados diante do espelho misterioso que não reflete a aparência mas a essência daquilo que lhe é exposto, teremos finalmente um encontro com o aquele ou aquilo que realmente somos. Nos veremos surpreendidos diante da imagem por trás da forma; possivelmente nos custará acreditar naquilo que nossos olhos contemplarão…

Na jornada rumo ao autoconhecimento vai-se perdendo, à medida que se caminha, bagagens desnecessárias; A altivez perde a pose e a empafia se vê forçada a descer do “salto” no deserto em que se adentra nessa busca; A maquiagem que antes emprestava ao rosto o enfeite cosmético começa a derreter ante o sol da verdade silenciosa das revelações a respeito do outro, aquele estranho que até então desconhecíamos. A artificialidade da beleza agora borrada precisa ser lavada…

Surpresas! supresas na vereda que conduz ao centro… Nem tudo, entretanto, será desconforto e desagrado. Há beleza também há ser encontrada. Será difícil para alguns acreditarem que são e que tem tudo aquilo que essa descoberta poderá revelar. Algumas pessoas terão dificuldade de acreditar no potencial que poderá ser revelado por estarem já há muito tempo nos cárceres da baixa auto-estima, outras acharão difícil crer na baixeza de sua real estatura por já terem se acostumado às altitudes perigosas do orgulho.

O exercício da auto-avaliação é uma ferramenta de grandíssima importância para o indivíduo em seu trabalho de prospecção nas jazidas da alma. Pode ser extremamente desgastante o trabalho de conhecer-se a si mesmo e certamente pode levar tempo, dinheiro e muita disposição. Mas o seu resultado será sempre surpreendente.

Extraído de “VOCE, o Sujeito da Frase” de Luiz Leite

28 28UTC Janeiro 28UTC 2009

O Princípio Antrópico

Arquivado em: Pensamentos — luiz leite @ 4:31 pm
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O Princípio Antrópico

Por Luiz Leite

No princípio criou Deus os céus e a Terra…

A menção da Terra, em destaque, na criação do universo, tem sido motivo de milenar discussão entre teólogos e filósofos. A teologia católica, adotando as concepções de Aristóteles e Ptolomeu, colocou a Terra como centro do universo e em torno dela fez gravitar os astros todos… Sem instrumentos para verificar a veracidade do dogma, engoliu-se o fato forjado, a seco e sem contestação. Não se pode questionar o dogma!

Mas o mundo dá voltas, meu caro! E após tantas revoluções, apareceu Galileu ameaçando a ordem modorrenta da sua época, afirmando que as coisas não eram exatamente como se pareciam… O homem da luneta ousou questionar o secular equívoco científico e teológico. A Terra não apenas se movia, afirmou, para escândalo dos seus minúsculos inquilinos que a queriam imóvel como uma múmia, como também não era a vedete universal como queriam as autoridades religiosas. Condenado, se retratou, mas a Terra nunca mais seria a mesma. Foi deposta. Destronada de sua tão grande importância cósmica, destinaram-lhe o humilde lugar que lhe cabe, num logradouro distante na periferia do grande tabuleiro de galáxias e corpos celestes…

Seus dias de grandeza entretanto aos poucos estão sendo restituídos. Há algo de absolutamente curioso nesse planetinha. A começar pelo incrivelmente complexo ecosistema e pela incrível variedade de espécies que aí pululam, num dinamismo estonteante, quase frenético!

Observando tudo isso, alguns cientistas começaram a matutar e matutando chegaram à conclusões inesperadas. As coisas como estão organizadas não poderiam ser produto do puro e cego acaso! Formulou-se aquilo que chamamos de “Princípio Antrópico”. O princípio de nome charmoso, afirma tacitamente que a Terra foi preparada propositadamente para sustentar a vida como a conhecemos.

Robert Jastrow, astrônomo de renome, como bom agnóstico não poderia afirmar absolutamente nada acerca de Deus, mas em suas investigações encontrou razões suficientes para pelo menos desconfiar, embasado em argumentos suficientemente encorpados, de que haveria mesmo de existir um Deus afinal. É um dos poucos cientistas que de alguma forma dá a mão à palmatória, reconhecendo que a complexidade do universo, bem como a riqueza de detalhes que envolvem a vida, apontam de alguma forma para um planejamento inteligente.

Para que a vida existisse, foi necessário, conclui o princípio antrópico, que o universo fosse antes pré-adaptado numa calibragem perfeita. Um conjunto de condições especialmente calculadas precisaram ser estabelecidas, como as que seguem:

Oxigênio: Se a porcentagem do oxigênio na composição do ar fosse um pouco maior do que aquela que temos (21%) a atmosfera pegaria fogo! Se fosse um pouco menor, morreríamos asfixiados!

Gravidade: Se a força da gravidade fosse alterada o mínimo que seja para mais ou para menos, a lua se perderia no espaço ou se lançaria contra a Terra. Sem Lua a vida seria dramática e mortalmente ferida

Órbita: Se a força centrífuga dos movimentos planetários não equilibrasse precisamente as forças gravitacionais, nada ficaria em órbita em torno do sol.

Júpiter: Se não fosse por Júpiter em sua órbita atual, já teríamos sido incinerados! Nosso gigantesco vizinho atua como um grande aspirador cósmico, atraindo asteróides e cometas, que de outra forma, atingiriam a Terra.

Rotação: Se a rotação da Terra durasse mais que 24 horas, as diferenças de temperatura entre dia e noite seriam grandes demais. Se fosse mais curto as velocidades dos ventos atmosféricos seriam altas demais.

Expansão: Se o universo estivesse se expandindo à velocidade de um milionésimo menor que está agora, a temperatura da terra seria de 10.000°C!!

A lista das conclusões seria imensa. Os detalhes são curiosos e nos levam a entender que estamos por aqui só mesmo por um milagre… Afinal a Terra é ou não é apenas um grão de poeira cósmica em supensão na galáxia? Se a sua grandeza é completamente desprezível, levando-se em consideração o tamanho da galáxia, o que dizer quando levarmos em consideração o tamanho do Universo??

O princípio antrópico, entretanto, parece sugerir que, ao contrário do que se imagina, temos sim um papel de destaque na grande saga cósmica.

Robert Jastrow resumiu:

O princípio antrópico (…) parece dizer o que a própria ciência provou, como fato, que este universo foi feito, foi projetado, para o homem viver nele. É um resultado muito teísta.

Faltou pouco para Jastrow confessar a sua fé no Criador. Chegou perto. Para os cientistas e filósofos ateus é muito difícil pronunciar a frase que eu, leigo, deixo esvair dos lábios como um dos mais belos versos nesse grande poema que é a vida:
“Deus existe!”

22 22UTC Janeiro 22UTC 2009

Absurdo, abcego, abmudo II (Em números)

Arquivado em: Embromando — luiz leite @ 5:56 pm

3-monkeys

Alguns desvarios que revelam bem a loucura da espécie podem ser encontrados nos números absolutamente absurdos que seguem. Olhamos para os números e exclamamos: “Meu Deus”! Deus por sua vez olha para nós e pergunta: “E o que eu tenho a ver com isso??” A ultimato vem já há muito tempo fazendo essa denúncia, e resolvi colher alguma coisa pra o espanto dos meus leitores.

Luiz Leite

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Não Matarás I

1.000.000
de abortos proibidos são realizados a cada ano no Brasil, provocando 241.000 internações em conseqüência de problemas pós-aborto

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Não Matarás II

32.000
japoneses praticaram o suicídio em 2004 (é o maior índice entre os países desenvolvidos)

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Sacrifícios a Moloque

2.000.000
de meninas entre 5 e 15 anos entram no comércio sexual a cada ano

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Homens e livros

43.000.000
de crianças estão sem estudos em todo o mundo por causa de guerras em seu país

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Troque seu cachorro por uma criança pobre

3.300.000.000
de dólares é quanto o Brasil movimentou este ano com o “pet business” (todos os gastos com animais de estimação, incluindo alimentação requintada, cuidados médicos, embelezamento, diversão, roupas, jóias etc)

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Horrores do Islã

8.000
meninas engrossam a cada dia as fileiras das mulheres que passaram por aquilo que se chama educadamente de “circuncisão feminina”, principalmente na África e Ásia.

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África selvagem


2.867
mulheres foram estupradas em 2005 no Quênia, país de 32 milhões de habitantes (uma violência sexual a cada 30 segundos)

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Europa desenvolvida

18.000.000.000
de euros anuais é quanto geram um milhão de relações sexuais pagas a cada dia na Espanha

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Viver perigosamente

33.000
brasileiros morrem por ano devido à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), provocada pelo tabagismo (são 90 mortes por dia)

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Crise existencial

6.256
veteranos de guerra americanos cometeram suicídio em 2005 (uma média de 17 pessoas por dia)

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O exterior do copo

400
litros de água é o consumo diário de uma pessoa em bairros nobres da capital de São Paulo. A média no Brasil é de 150 litros, e a ONU diz que os seres humanos não precisam de mais de 100 litros por dia.


18 18UTC Janeiro 18UTC 2009

Absurdo, abcego e abmudo!!!

Arquivado em: Embromando — luiz leite @ 4:08 am

tatoo

*** Escolhi essa foto para esse “post” porque achei um absurdo o grau de idolatria a que se pode chegar no culto à personalidade dos líderes em alguns segmentos religiosos. Ser fiel ao líder é saudável e recomendável… mas o que passar disso sem dúvida “procede do maligno!”
***Gostaria também de esclarecer que esse Post foi publicado antes da tragédia que ocorreu na igreja Renascer.

Dúvida

“Um dia perguntaram a alguém se existiam verdadeiros ateus. Acreditais, respondeu ele, que existam verdadeiros cristãos?” (Diderot).


Banco errado

“Três homens (incluindo dois “ex-pastores”) foram presos em flagrante por policiais militares após assaltarem uma filial da Igreja Universal do Reino de Deus na Zona Oeste do Rio de Janeiro” (O Globo).


Antes da crise

“Nestes próximos 2 anos e 2 meses, até o final de 2010, teremos os melhores dias financeiros de nossa vida” (Renê Terra Nova)


Modéstia

“Eu sou o intelectual mais importante do Brasil. Ponto. Não precisa explicar” (Paulo Coelho, em entrevista ao jornal O Globo).


O que dizem de mim

“Não precisei ler o Paulo Coelho. Uma boa doença vale por toda obra do Paulo Coelho” (José Saramago)


Tiro no pé

“Mais médicos fumam Camel do que qualquer outro cigarro” (frase num anúncio de cigarro veiculado em 1946. Além de elegante, houve um tempo no qual acreditava-se que o hábito de fumar fazia bem à saúde).


Ave Maria!

“Chamar o bispo Macedo de protestante é de fazer tremer o Muro da Reforma, em Genebra, e os ossos de Lutero e Calvino em seus túmulos” (Robinson Cavalcanti, na Ultimato).


Fogo Amigo

“O que mais me assusta é o orgulho que ostentam certos pastores reformados com suas igrejas nanicas! ‘Muitos são chamados e poucos escolhidos’, recitam com satisfação” (Augustus Nicodemus, em O que estão fazendo com a igreja, Mundo Cristão).


Fé torta

“Não tenho o hábito de ler a Bíblia. Mas, quando prefeita, recebia muitas de presente e elas vinham com marcações, por meio das quais aprendi a confiar em alguns salmos” (Marta Suplicy, na Veja São Paulo).


Ateismo incerto

“Provavelmente, Deus não existe. Agora, pare de se preocupar e curta a vida” (frase que será estampada em ônibus de Londres, a partir de janeiro. A campanha ateísta foi criada pela British Humanist Association e tem o apoio do escritor Richard Dawkins).


Dieguito

“A chance de Maradona dar certo [como técnico da seleção] é mais ou menos a mesma que ele teria se fosse nomeado presidente do Banco Central argentino” (Juca Kfouri).


Das Kapital

“Onde estava todo esse dinheiro [desbloqueado para resgatar os bancos]? Estava muito bem guardado. Logo apareceu, de repente, para salvar o quê? Vidas? Não, os bancos. Marx nunca teve tanta razão como agora” (José Saramago, sobre a atual crise do sistema capitalista).


Propaganda profética

“[Se Obama vencer} as cidades americanas sofrerão terríveis ataques terroristas. Igrejas perderão suas isenções fiscais por barrarem casamentos gays. Pornografia praticamente será empurrada em cima de criancinhas. O discurso religioso será banido” (cenário previsto em carta fictícia distribuída pela Focus on the Family pouco antes das eleições presidenciais americanas).


Provocação

“Desde menino fui fascinado pela beleza feminina. Isso prova o quanto eu sou superficial” (Woody Allen, cineasta).


Vergonha

“Se a censura voltar, que comece proibindo os evangélicos de estarem na TV, porque todos, sem exceção, estão prestando um desserviço à sociedade e ao Reino de Deus” (trecho de Alguém cale os evangélicos na TV, texto de Leandro Silva, no blog Cântico novo).


Roupa suja

“Na parábola, João Alexandre é a mão do inimigo e o servo retardado que tenta arrancar o joio da plantação de trigo, destruindo tudo o que o Senhor Jesus fez” (comentário na comu É Proibido Pensar, no Orkut)


Os três macacos

“A sociedade finge que precisa da mídia e a mídia finge que serve a sociedade. O resultado é esta geléia cívica baseada em meias verdades, meias mentiras e uma colossal hipocrisia” (Alberto Dines, no Observatório da Imprensa).

13 13UTC Janeiro 13UTC 2009

Another year is over

Arquivado em: Teologizando — luiz leite @ 3:26 am
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Chronos e Kairós

By Luiz Leite

Os gregos tinham, entre outros termos, duas palavras especiais para referir-se ao tempo, Chronos e Kairós. Usavam-nas para especificar duas “modalidades” de tempo. O primeiro, Chronos, referia-se ao tempo sequencial, quantitativo, aquele que se conta; O segundo, o Kairós, por sua vez, diz respeito a um “tempo” dentro do tempo. É o momento certo, quando os fatores convergem de forma harmônica, produzindo a sensação de que a bênção chegou!

Ao passo que Kairós era apenas um conceito na mentalidade grega antiga, Chronos era uma divindade que personificava e regia o tempo. Vestígios desse deus morto encontram-se presentes em nosso calendário em palavras como cronômetro, cronograma, cronologia, etc…

O passar dos anos parece incomodar a maioria das pessoas. A marcha inexorável do tempo vai paulatina, mas implacavelmente nos “devorando”… Vamos envelhecendo e sentindo que no processo estamos perdendo algumas coisas que nos são mui caras e que preferiríamos ter para sempre conosco.

Chronos devora as pessoas. Come-lhes as carnes. Aqueles que estão sob o seu governo estão sujeitos a muita ansiedade pois nada podem fazer, ainda que se esforcem pateticamente para se manterem jovens, nutrindo o mito imatável da eterna juventude… Enquanto houver mundo os homens vão buscar meios que lhes garantam um “tempo extra”. Bobagem.

Com respeito à tal ação corrosiva do passar dos anos, só há um meio de escapar à tão terrível ditadura, que é submetendo-se ao governo do Kairós, aquele “tempo” fora do tempo, que não se mede por calendário solar ou lunar… Somente assim podemos nos ver livres das garras de Chronos e deixarmos de ser reféns da contagem das horas na ampulheta das eras.

Em síntese pode-se dizer que o tempo humano (medido) é descrito em anos e suas estações, horas e suas divisões, enquanto o termo Kairós (na leitura teológica) descreve “o tempo de Deus”, que não pode ser medido.

Se voce estiver debaixo dos ditames de Chronos, a sensação de ver mais um ano passar, pode ser angustiosa, pois muitos são aqueles que não se agradam nem um pouco de estarem às portas de mais um aniversário. Se voce, entretanto, estiver sob o domínio de Kairós, então mais um ano no calendário nada significa. Ansiedades minoradas, alma livre.

Sobre aqueles aos quais Chronos domina paira uma sombria expectação de velhice e morte; Aqueles, todavia, que se coloraram sob a direção do Kairós, experimentam uma expectativa de que algo maravilhoso e absolutamente grande ainda está por começar!

Feliz ano novo! Sob o governo de DEUS, é óbvio. Fora do Reino não há nem pode haver um ano novo de fato, e muito menos feliz!

25 25UTC Dezembro 25UTC 2008

Pela porta dos fundos

Arquivado em: Teologizando — luiz leite @ 2:49 am
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Pela porta dos fundos

Por Luiz Leite

Ps.: Artigo postado dos EUA. O teclado nao permite a acentuacao correta das palavras.

Artigo publicado pelas revistas linhaaberta (nos EUA) e eclesia (no Brasil)  respectivamente.


Kierkegaard disse de certa feita que Jesus e’ um paradoxo que a historia jamais assimilara’. Acredito que o formidavel pensador nordico acertou na mosca! Parece-me que ainda entendemos muito pouco dele… Fomos atingidos poderosamente por sua mensagem e o impacto da mesma, passados dois mil anos, ainda nos faz sentir atordoados!

Os judeus tiveram uma dificuldade imensa para entender a Jesus. E’ obvio que fracassaram. Afinal Jesus frustrou suas expectativas e confundiu-os completamente! Aguardavam-no de um jeito, e Ele chegou de outro! Esperavam-no pela porta da frente e eis que Ele chega, sutilmente, pela porta dos fundos. E’ isso. Jesus entrou na historia pela porta dos fundos!

Nao nasceu como um rei deveria nascer, nao viveu como um rei deveria viver, tampouco morreu como um rei deveria morrer… o que dizer dos seus assessores? Certamente nenhum rei em toda a historia da humanidade se fez cercar de um grupo tao despreparado…

Queriam-no leao, e Ele vem Cordeiro; queriam-no rei, estadista, conquistador, e Ele vem servo; Queriam-no encarnando o revanchismo, revisionista, dando a paga aos seus inimigos, e eis que Ele vem com um discurso absolutamente insuportavel de amor e perdao…

Confundiu o mundo e seus padroes. Dispensou o tapete vermelho, os tapinhas nas costas, desprezou os aplausos… Rasgou o protocolo da religiao hipocrita e trafegou na contra mao sem jamais temer o confronto e o choque inevitavel nessa rota de colisao.

Nao fez caso algum daquilo que tanto prezamos, e quando os portais da “gloria” se lhe abriram preferiu o anonimato, praticando uma tecnica de marketing pessoal que contraria todas as teorias de promocao pessoal, desferindo golpe mortal na questionavel etica da personalidade… Quem foi esse homem, que diferentemente de todos os homens, viveu a vida mais incrivel de que se tem noticia?

E‘ um tanto patetico o espetaculo proporcionado pelos seus supostos representantes nos nossos dias! E’ absolutamente ridiculo! Quando considero o glamour que circunda os santos vigarios (catolicos ou protestantes) que, posando de enviados, destoam tao completamente daquele a quem reivindicam representar, sinto-me profundamente constrangido…

Jesus e´o unico referencial absolutamente confiavel atraves do qual podemos nos orientar nesse imenso e medonho pantano em que nos metemos… E´ a unica garantia de sanidade no meio de um mundo cada dia mais insano! Seguir a Jesus permanece sendo o mais fascinante projeto de vida! Sigamo-lo, mirando nele, e nao naquilo que os homens tem dito e feito em nome dele!

Tenha um ano significante… Imite-o. A ética judaica do “Imitatio Dei” transferiu-se para nos, cristaos gentios, no “Imitatio Christus”. Eis o desafio! Aceita?

Graça e Paz


23 23UTC Dezembro 23UTC 2008

15 graus abaixo de Zero…

Arquivado em: Diários I — luiz leite @ 3:12 am

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15 graus abaixo de Zero…

Por Luiz Leite

Meu querido diario, hoje nao tomarei banho. Explico. Uma nevasca insistente cai sobre a cidade onde estou. Uma tempestade, dizem, como nao se via ha muito tempo. Para amparar minha defesa contra a ideia do banho, a  Igreja onde eu pregaria no domingo cancelou o culto… O que dizer? Providencia.

A neve, como um imenso cobertor branco encobre toda a paisagem. Somente os servicos essenciais estao funcionando; todo o resto esta cancelado. O meu voo para Fort Lauderdale na segunda, como centenas de outros, tambem foi cancelado…

Se a justificativa para tomar banho era o culto, agora posso me dar por excusado. Faz algo em torno de 15 graus negativos la fora… bem mais frio que o freezer da nossa geladeira. Com todo esse frio ja se esta’ suficientemente preservado pelas temperaturas baixissimas;  nao e’ necessario banho algum. Essa e’ minha tese. Contenta-me saber que muitissimos compartilham essa mesma opiniao. Folgo com isso.

Ate o calor infernal de Valadares ou Ipatinga (So quem ja esteve por la no verao tem ideia!) e’ preferivel. Tornou-se algo desejavel. Ate a pouco tempo sentia saudade de um inverno com neve,  mas nao era isso que tinha em mente. Tampouco os americanos esperavam tanta neve em dezembro. E’ como se toda a neve do inverno estivesse caindo de uma so’ vez.

Muito embora dispense o banho do corpo por motivos “altamente”  justificaveis, o banho da alma nao pode ser de maneira alguma deixado pra outro dia… E’ verdade que os cuidados com o exterior sao importantes, mas de que adianta ter uma aparencia externa admiravel se o interior esta’ cheio de sujeira? A respeito da religiosidade externa sem correspondencia com a vida interna o Senhor Jesus disse:

Ai de vos hipocritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estao cheios de ossos de mortos e de toda imundicie”.

Pois hoje nao vou tomar banho (novamente!) mas vou dormir tranquilo, certo de que o interior esta’  limpinho… E atire a primeira pedra aquele que nunca se “esqueceu”, e foi pra cama sem tomar banho uns dois ou tres dias, sob circunstancias como essas…

Marlborough, MA, Dezembro de 2008

9 09UTC Dezembro 09UTC 2008

A Vida se repete na estacão…

Arquivado em: Diários I — luiz leite @ 7:53 am
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A Vida se Repete na Estacão…

Por Luiz Leite

Viajar de trem pela Europa é a opção mais econômica, mas pode ser também tão econômica quanto chata, principalmente para quem viaja de madrugada. Os fiscais te incomodam sem consideração a horários ou fusos…

Em 1993 fazia uma viagem que não me recordo bem de onde pra onde; Fui acordado tres ou quatro vezes para mostrar passagem e passaporte. Eu que precisava tanto descansar experimentei uma noite terrível!

Na Áustria aconteceu uma cena engraçada. Fui acordado no meio da noite fria pelo agente que veio checar as passagens. Ele olhou a passagem, olhou para mim e disse:

-”Senhor essa passagem não é válida… o senhor vai ter que comprar outra.”

Eu respondi:

-”Não senhor…eu já paguei por essa passagem! Como o senhor vem me dizer que nao é válida?”

Ao que ele retorquiu:

-” Não estou questionando se o senhor pagou ou nao pela passagem, mas essa passagem aqui não vale!”

Eu, já alterando, fui dizendo:

-”Mas como não? Eu comprei essa passagem na Itália e lá me foi dito que esse era o trem para Munique.”

Ele por fim disse em tom jocoso:

-”Sim senhor, esse é de fato o trem para Munique… mas essa passagem é para Roma e o senhor está em terras austríacas…”

Só então acordei para o fato de que havia lhe dado a passagem errada. Procurei a passagem certa e apresentei-lhe; terminada a confusão, ele, com motivo para piada, voltou ao seu trabalho, e eu, com cara de “pastel”, voltei a dormir…

Seria muito bom se checássemos cuidadosamente as nossas posicões antes de tentarmos defender veementemente certezas incertas… seríamos poupados de muitos constrangimentos indesejáveis se tão somente abríssemos mão de uma razão que tantas vezes não temos.

Certifique-se de que está apresentando a passagem correta antes de sair dando carteirada por aí… Boa viagem!


4 04UTC Dezembro 04UTC 2008

Barack – O Escolhido

Arquivado em: videos — luiz leite @ 8:42 pm
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Barack Hussein Obama

Por Luiz Leite

Filho de pai africano (negro), e mae americana (caucasiana), nao e negro nem branco. Assim como a comunidade negra tem o direito de dizer que o presidente e negro, a comunidade branca teria de dizer que e branco! Satisfaz a todos? De pai ”muculmano” e mae “crista” – nem um nem outro eram praticantes – so pra apaziguar os religiosos – teve a base da sua formacao (primeira infancia, onde tudo se define) sob a influencia de sociedade muculmana no pais de maior populacao muculmana do mundo, Indonesia.

Nos Estados Unidos, entretanto, converteu-se ao Cristianismo. Agora ja satisfaz tambem o Ocidente cristao… Que legal!! Asia, Europa, Africa, Americas, todos o desejam, todos o aplaudem, todos o querem… O nome barack, (tanto em arabe quando em hebraico, significa o abencoado)  Nos bastidores de sua campanha presidencial, seus correligionarios se referiam a ele como “O Escolhido”! Seria ele? Sera que ele e’?

Multi-racial, multi-nacional, multi-confessional!!! Completamente dentro do que se espera de um lider pos-moderno… Politicamente correto, racialmente correto, religiosamente correto… Sem duvida um lider com perfil jamais visto no cenario politico internacional.

Veja o video e confira. Exatamente como exige o figurino.

Obs.: Artigo postado dos EUA. O teclado aqui nao me permite colocar os sinais que determinadas palavras reclamam.

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