um dedo de prosa

9 09UTC janeiro 09UTC 2012

Obrigado Pastores

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 5:37 pm
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Obrigado Pastores

Por Luiz Leite

Ontem, domingo, pela primeira vez, depois de muito tempo, pude desfrutar dessa experiência absolutamente maravilhosa que é assentar-se e ouvir uma boa mensagem. A pregação da Palavra opera de forma multissetorial, operando simultaneamente em níveis diversos e áreas chave, enriquecendo, quer animando, edificando, corrigindo, motivando, repreendendo…

Os (bons) pregadores são criaturas realmente fantásticas, ainda que nem sempre reconhecidos. Um dia ele é padeiro, outro dia aguadeiro, vinhateiro, médico… outras vezes, assume um papel múltiplo, desenvolvendo várias funções ao mesmo tempo e isto com graciosa habilidade. O Pr Jucimar Leite nos serviu com uma mensagem assim neste domingo.

Como uma mãe, o pregador tem um trabalho as vezes pesado, de preparar alimento para seu rebanho. É curioso como nos assentamos à mesa para almoçar sem nem sequer agradecer à nossa mãe ou esposas pelo tempo que passaram ao pé do fogão preparando-nos o alimento. Simplesmente corremos para a mesa quando nos é anunciado que está na hora, nos refastelamos, e nos vamos apressados de volta para o computador, a TV, ou sabe-se lá onde.

Acho incrível como as pessoas nem sequer agradecem. Nem todos tem o costume de dizer: “Obrigado mamãe! A comida estava ótima!” Eu, particularmente, tenho o hábito de cumprimentar aquele ou aquela que preparou a comida enquanto ainda à mesa. A gratidão, o elogio, ou um ato simples de serviço (lavar as louças do almoço) são formas de comunicar que apreciamos o que o outro fez. Como as mães que servem, resignadas, seus filhos e maridos, assim são os pregadores. Nem sempre recebem uma palavra de apreço, um muito obrigado!

Pois, assentado como ouvinte neste domingo, percebendo a riqueza e avaliando a importância do trabalho dessas mães e pais maravilhosos que são os pregadores, gostaria de dizer: MUITO OBRIGADO PASTORES!  Suas pregações tem nos nutrido, fortalecido, edificado, orientado… Obrigado pelo esmero, trabalho árduo, perseverança, em conduzir de modo excelente nossas vidas.

3 03UTC janeiro 03UTC 2012

O Brasileiro e o Livro

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 5:50 pm
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Por Luiz Leite

Hoje, ao cair da tarde, pedalando pela praia, observava as pessoas e fazia um levantamento estatístico. De cada grupo de cem pessoas encontrei no máximo duas com um livro na mão. Admiro-me com o número tão inexpressivo de livros na praia. Tá bom, é verdade, praia é lugar de jogar peteca, deitar-se numa esteira ou numa cadeira, tomar sol e relaxar… Concordo. Mas a ausência do livro me incomoda também no ônibus, no avião, no metrô…

Recentemente, viajando para passar as festas de fim de ano com minha família, como sempre, observei no meu vôo duas ou três pessoas apenas com um livro na mão. Noutra ocasião, no metrô em Sã0 Paulo, notei um número proporcionalmente menor ainda de pessoas flagradas com essa que é sem dúvida uma das melhores companhias.  Essas observações, ainda que pareçam tolas para alguns (que não gostam de ler), revelam a cultura de um povo. Será que o brasileiro não aprecia o livro?

Talvez alguém proteste e diga: Isto não é verdade! Temo que as estatísticas provem o contrário. Tempos atrás fiquei chocado com um artigo que li acerca da relação do brasileiro com o livro. O texto informava que há mais livrarias na grande Paris, na França, do que em todo o território brasileiro! Lembrei-me então que durante os anos que morei na Europa sempre me impressionava com o número de pessoas lendo dentro de um ônibus ou trem. Em muitas viagens encontrei livros deixados para trás como que propositadamente para que outros pudessem ter o que ler.

O fato, pode-se argumentar, é que livro no Brasil é caro. Esta é uma verdade constrangedora. Deixa-nos numa sinuca: O brasileiro não lê porque o livro é caro! ou, O livro é caro e por isso o brasileiro não lê! Tudo nesse país é muito caro, talvez extorsivamente caro… Revolto-me todas as vezes que entro numa livraria nos EUA. Como o americano pode comprar livros por um preço melhor que o nosso? Bom, esse assunto e essa revolta não cabem aqui. Ficarão para outro artigo.

Em uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro, Retratos da Leitura no Brasil, os dados constrangem.

(…) Declaram-se não-leitores 48% (não leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa). Essa proporção desce para 45% se forem considerados os que não leram um livro no ano anterior. 33% dos não-leitores são analfabetos e 37% têm até a 4ª série, faixa em que as práticas de leitura ainda não estão consolidadas.

A maior parcela de não-leitores está entre os adultos: 30 a 39 (15%), 40 a 49 (15%), 50 a 59 (13%) e 60 a 69 (11%). O número de não-leitores diminui de acordo com a renda familiar e de acordo com a classe social. Quase não há não-leitores na classe A e há apenas 1% de não-leitores quando a renda familiar é de mais de 10 salários mínimos. Isso pode levar à conclusão de que o poder aquisitivo é significativo para a constituição de leitores assíduos.

As dificuldades de leitura declaradas configuram um quadro de má formação das habilidades necessárias à leitura, o que pode decorrer da fragilidade do processo educacional: lêem muito devagar: 17%, não compreendem o que lêem: 7%, não têm paciência para ler: 11%, não têm concentração: 7%. Todos esses problemas dizem respeito a habilidades que são formadas no processo educacional.

As alegações para a ausência de leitura no ano anterior à pesquisa evidenciam problemas de várias ordens: falta de tempo: 54%, outras preferências:

34%, desinteresse: 19%, falta de dinheiro: 18%, falta de bibliotecas: 15%. Assim, 33% das alegações dizem respeito à falta de acesso real ao livro e 53% dizem respeito ao desinteresse pela leitura. Se considerarmos a falta de tempo uma questão de opção na organização da agenda pessoal, o índice de desinteresse pela leitura cresce muito.

Tais informações parecem configurar um ambiente em que a leitura não é socialmente valorizada, em que o livro não tem um lugar assegurado. Tanto é que 86% dos não-leitores nunca foram presenteados com livros na infância, enquanto no universo dos considerados leitores esse índice cai para 48%. Outra informação importante diz respeito às práticas familiares de leitura.

Nos lares dos não-leitores, 55% nunca viram os pais lendo. Se considerarmos que a maior influência para a formação da leitura vem dos pais (principalmente das mães). No entanto, dado o quadro de que os pais dos entrevistados não têm instrução alguma (23 %), cursaram até a 4ª série do ensino fundamental (23%) ou têm fundamental incompleto (15%), enquanto as mães sem qualquer escolaridade são 26%, 22% fizeram até a 4ª série e 16% têm fundamental incompleto, torna-se muito difícil a inculcação pela família do valor da leitura.

Nosso sistema educacional consegue a façanha de posicionar-se entre alguns dos países mais pobres do planeta, nós que hoje circulamos orgulhosos no circuito seleto das maiores economias mundiais. Se, como disse Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros, receio que tenhamos que caminhar muito ainda até que nosso povo faça do livro uma companhia inseparável.

29 29UTC dezembro 29UTC 2011

Patrimônio Existencial

Patrimônio Existencial

Por Luiz Leite

Fim de ano é tempo de balanço. Ocasião comumente usada para fazer contas. Geralmente fazemos essas contas considerando quanto perdemos e quanto ganhamos em termos materiais. Sabemos, entretanto, que há outros valores envolvidos. Raramente contabilizamos as derrotas de modo correto. Há perdas que trazem ganhos. Posso ter perdido dinheiro e adquirido experiência. Posso ter perdido um emprego e adquirido maturidade… Perdemos determinados valores, às vezes, por falta de cuidado, zelo, investimento. Ganhamos com essas perdas a experiência que não se conquistaria de outro modo.

Não se consegue experiência enquanto se teoriza sobre os processos. Só pode ser alcançada mediante a prática. Só se aprende fazendo, afinal. É tempo de rever seu patrimônio, de contabilizá-lo de modo mais completo. Se voce errou, só errou porque tentou… Se errou fazendo, considere os desacertos como escola. Para alguns esse ano foi um curso intensivo de perda e dor. Incrível que pareça, se visto pela ótica correta, a preciosidade do ensino no curso da perda é superior ao valor em si pelo qual tantos, nesse momento, estão chorando. Pois bem, chorar, como diz o ditado, faz parte. Há tempo de chorar, diz a Bíblia, de se recolher no canto e lamber as feridas, mas só o tempo suficiente para se recompor. Nada mais que isso!

Se você observar bem, é possível que o aparente ano difícil esteja fechando e o deixando com um patrimônio existencial mais robusto do que voce imagina. Considere. As perdas nos deixam humildes em áreas onde possivelmente éramos prepotentes. Deixam-nos atentos onde éramos displicentes. Os fracassos são reveladores. São essas pancadas que nos despertam da ingenuidade, da tolice, da arrogância, da autossuficiência… Geralmente esses prejuízos, em termos de ativos materiais, são transformados em ativos de outra ordem. Se aprendemos com a derrota e a dor, resta-nos o consolo de que podemos ter nosso patrimônio existencial acrescido de humildade, prudência, respeito, honra, amor…

Portanto, as perdas, como instrumentos pedagógicos altamente eficazes, trazem escondidas sob os seus escombros lições inestimáveis. Não se abata. Infelizmente, raríssimos são aqueles que aprendem sem ter que errar. Ainda que exortados a seguir o conselho, preferimos sempre fazer as coisas à nossa maneira. Se por acaso resolver buscar o conselho dos sábios, no ano que entra, você certamente vai errar menos, mas receio que a natureza impetuosa do velho homem ainda vai continuar querendo fazer seus experimentos. Pois bem, a escolha é de cada um. Que você tenha um ano de muitos acertos. Se porventura cometer alguns erros, pelo menos tente incorporar o aprendizado do tropeço em seu patrimônio existencial.

22 22UTC dezembro 22UTC 2011

Reféns das horas

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 6:50 pm

Reféns das horas

Por Luiz Leite

O ano passou muito rápido! Meu Deus, já é dezembro! Este é um comentário comum no dia a dia nesta época do ano. Há muito tornou-se uma espécie de pretexto para entabular conversa quando se padece de falta de assunto.

É fato que viajamos muito, muito rápido… O ano, entretanto, não passou rápido como se supõe. A astrofísica não publicou qualquer documento sugerindo que nossa revolução em torno do sol tenha acelerado. Permanecemos viajando a exatos 107.000 km por hora!  Os dias, por sua vez, também não estão mais corridos, como julgamos. O movimento de rotação da Terra em torno do seu eixo permanece inalterado. Continuamos girando a 1674 km por hora! Donde, pois a idéia de o tempo está passando mais rápido?

A princípio esse conceito de tempo é muito relativo. Os animais não sabem dele. Tampouco os anjos. Nós o inventamos. Juntamente com ele criamos o calendário, uma baita de uma invenção! Servem-nos bem o calendário e o relógio. Do mesmo modo que nos ajudam, incomodam, oprimem, estressam…

Tive uma experiência interessante na África há alguns anos atrás. Pregava numa aldeia no coração de Uganda. Os encontros que duraram toda a semana eram longos e tranquilos. As pessoas chegavam cedo para o culto e não se inquietavam com o passar do tempo. Notei, curioso, como ocidental, que ninguém se ocupava em checar as horas, uma vez que os cultos eram muito demorados. Percebi depois que ninguém procurava saber as horas porque ninguém tinha relógio!

Assim, não é o tempo que voa, nós é que perdemos o equilíbrio. É lastimável observar a agitação do ser humano urbano em sua rotina atropelada; Como um cavalo sob o estalo do açoite do tempo, o homem segue, resfolegando, atarantado, o que resulta em adoecimento do corpo e da alma. Um preço alto demais para uma vida, em muitos sentidos, sórdida demais!

O velho Moisés já há muito, tendo escapado do cativeiro do calendário e de seu turbilhão desestabilizador, ora com muita propriedade e pede ao Eterno: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal modo que alcancemos um coração sábio.” (Sl 90.12)  É bom que oremos assim também para que não iniciemos o próximo giro em torno do sol apressados demais e sem tempo para desfrutar da paisagem.

 

13 13UTC dezembro 13UTC 2011

A Vida Em Três Tempos

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 7:55 pm
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Caros Leitores, minha editora achou por bem que eu parasse com a publicação no blog do meu livro A PEDAGOGIA DO DESERTO – Um Convite ao Desconforto.  Segue o último trecho compartilhado aqui. Em breve o livro estará disponível. Boa Leitura! 

 

A vida em três tempos

Por Luiz Leite

 “Que és la vida? Una ilusión, una sombra, una ficción, y el mejor bien és pequeño: que toda la vida es sueño y los sueños… sueños son.”

                                                               Calderón de La Barca

 

Como no ocidente racionalizamos mais do que intuímos, temos a tendência de perceber o mundo de forma mais encorpada, por ser este material, e dispensar à vida e à espiritualidade uma consideração diminuta. Concluímos que o mundo é grande e que a vida é curta, pequena. Polarizados nestes extremos, desenvolvemos concepções errôneas. Seria a vida assim tão pequena. Segundo o poeta Gonzaguinha,“há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo, é uma gota, é um tempo que não dá um segundo…”

“Um nada no mundo?” Seria o mundo maior do que a vida? Depende. Como sempre, tudo depende do ângulo de onde se observa uma coisa e outra. Se considerada segundo a ótica de Epicuro (314-271 a.C.), filósofo grego antigo que não cria que a alma pudesse resistir o golpe desintegrador da morte, a vida encontraria o seu “fim” com o colapso do corpo. Não haveria nada mais com que se ocupar.

Se por outro lado a vida prossegue, como sustenta o pensamento cristão e o de outras religiões que crêem na imortalidade da alma, então a vida é maior. Todavia, como não temos instrumentos para fazer tal verificação, ficamos diante de uma situação de difícil solução. O mundo é conceito concreto, passível de ser capturado, a vida, por sua vez, escapa-nos para os domínios do subjetivo.

Fato é que, num primeiro instante, a vida como a conhecemos, se dá no mundo, no âmbito concreto do tangível e pode até mesmo parecer insignificante diante da imponência avassaladora da matéria. Engano. Equivoco conceitual. Ainda que a ótica seja estreita e a compreensão obtusa, a vida é maior. O subjetivo sempre entornará para além dos limites da objetividade.

Não deveríamos insistir em fazer contas e submeter tudo à exatidão fria e inflexível de uma operação aritmética. O código da vida jamais será desvendado pelos expedientes da lógica. Poderemos avançar dissecando os componentes da matéria e descrevendo sua dinâmica, mas não passaremos da fronteira onde a bruma misteriosa e permanente paira sobre a bifurcação que separa mundo e vida. O autor do livro de Eclesiastes, o mais filosófico da bíblia hebraica, diz que o espírito (vida) retornará para Deus que o deu, quando o “cântaro (corpo) se quebrar junto à fonte.” A vida não está circunscrita ao corpo. Transcende.

5 05UTC dezembro 05UTC 2011

Duas Leituras

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 11:35 pm

 

Caros Leitores, segue mais um trecho do livro. Os textos aqui publicados são escolhidos do livro A PEDAGOGIA DO DESERTO – Um convite ao desconforto. Boa Leitura! 

 

Duas Leituras

O nosso mundo, no que respeita ao planeta, está divido em duas grandes porções geográficas distintas que chamamos de Oriente e Ocidente. Os termos que se referiam a regiões geográficas acabaram se tornando sinônimo de mentalidades. O Oriente é místico e por essa razão mais espiritualista; o Ocidente, por sua vez, é lógico e materialista. O materialismo ocidental apresenta-nos o homem que supervaloriza o mundo, em sua acepção material, e entrega-se ao hedonismo nas suas mais variadas versões. O misticismo oriental apresenta-o mais despojado, espiritualizado, com certo desprezo em relação às coisas materiais, espiritualizando a vida em todas as suas formas.

Encontramos, todavia, no oriente, a influência materialista do ocidente, e no ocidente a influência mística do oriente. O ocidente produz ciência, e o oriente produz religião. É praticamente impossível para o homem do ocidente compreender a “lógica” do homem oriental quando, por exemplo, um monge budista ateia fogo ao seu próprio corpo, ou um guerreiro muçulmano entrega a sua vida num ataque suicida, convicto de que a recompensa que o aguarda vale o sacrifício. Esse desprezo e desapego para com a vida no mundo aponta para a importância sobremodo enfática que o homem oriental deposita no além.

De igual modo, quando os orientais observam a leviandade dos modos do ocidente, escandalizam-se em face à maneira tão materialista com que os ocidentais vivem no mundo. Estamos situados em dois extremos. As leituras que fazemos do mundo e da vida são tão diferentes que não parece haver possibilidade de conciliá-las.

Há muitos séculos Aristóteles já divergia profundamente de seu pupilo Alexandre na arena da política externa. Achava o “Intelecto”, alcunha pelo qual Platão o chamava, que não era possível helenizar o mundo oriental como sonhava Alexandre. Era inútil tentar impor a cultura grega sobre o oriente. A distância entre um e outro é intransponível. Alexandre, que mais tarde se tornaria, o Grande, não acatou o ensino do ilustre mentor e, em seu apetite desenfreado por poder investiu contra as terras do oriente, conquistou-as, e até tentou ocidentalizá-las, mas não teve êxito. Ainda que o mundo conhecido de então estivesse sob o controle de Alexandre, a vida não estava. Morreu o homem e com ele sepultou-se também o sonho.

Temos visto em nossos tempos a mesma tendência. O ocidente, capitaneado pelos EUA, tentando impor a democracia e os valores ocidentais no Oriente Médio, pelos meios da força bélica. Certamente Aristóteles ainda deveria ser ouvido neste quesito. Aquilo que o Intelecto percebeu há mais de dois milênios atrás permanece oculto aos poderes ocidentais que insistem em uniformizar as mentes de mundos em conflito.

Esses dois blocos que formam o nosso mundo funcionam quase que exatamente como os dois hemisférios do cérebro humano. Segundo o que hoje é fato, resultado dos avanços da neurologia moderna, o hemisfério esquerdo do cérebro seria o responsável por gerenciar os fatos a partir de uma lógica racional, linear, enquanto o direito administra vida com os recursos da intuição, produzindo compreensões desvinculadas da lógica. São as duas faces, por assim dizer, de uma mesma moeda, dois aspectos fundamentais na composição da mente, os quais fazem da mesma, uma unidade completa e complexa.

Supervalorizar a lógica racional desprezando o valor e lugar da intuição, e vice versa, é um erro grosseiro de juízo. Ambos são importantes para nos providenciar uma conceituação completa do mundo e da vida. Quando desprezamos um e supervalorizamos outro, empobrecemos nossa cosmovisão e nos tornamos reféns do preconceito. E este tem nos matado.

Embora o Ocidente seja jovem em termos de civilização, em termos comparativos, uma vez que o Oriente já apresentava civilização avançada enquanto o Ocidente vivia submerso na barbárie, os bárbaros caucasianos ultrapassaram o Oriente no campo das ciências. Hoje, a tecnologia que floresce no oriente, foi transferida para lá pelo ocidente; por outro lado, tudo o que sabemos de religião no ocidente, foi trazido de lá para cá.

A mente ocidental é materialista e linear, e no seu reducionismo cartesiano venera o racionalismo, ao passo que a mente oriental, espiritualizada e holística, preza a intuição e a mística. Por essa razão, o oriente vem ao ocidente buscar tecnologia e este vai ao oriente buscar religião. Não é, portanto, de admirar que todas as grandes religiões tenham o seu berço na porção oriental do mundo e que a maior parte das conquistas tecnológicas aconteçam no Ocidente! É também notável que o Ocidente seja uma usina geradora de prêmios Nobel, ao passo que o Oriente seja uma imensa incubadora de “santos”.

Não deveria existir tal coisa como razão versus intuição. Poderíamos extrair o melhor desses milênios de reflexão e incansável inquirição, e fazer uso mais inteligente de tão grande acervo de conhecimento acumulado. Possivelmente, construiríamos um mundo melhor e desfrutaríamos de uma vida mais equilibrada, mas, infelizmente, parece que temos seguidamente feito a opção pelas águas perigosas do extremo.

Ps.: Deixe o seu comentário expressando o interesse pela continuação.

28 28UTC novembro 28UTC 2011

A Caverna De Platão

Caro leitor, segue a continuação do livro inédito aqui publicado em trechos. A Pedagogia do Deserto vai nos levar a descobertas surpreendentes. Boa leitura!

 

A PEDAGOGIA DO DESERTO

Capítulo I (c)

 

A VIDA NO MUNDO

 

O surpreendente filósofo grego Platão (428/348 a.C.) há muito já desconfiava da capacidade da razão para explicar o altamente complexo sistema de coisas ao nosso redor. Suspeitando das verdades superficiais, aquilo que se vê, chegou à conclusão que a percepção dos sentidos é enganosa. O método empírico, que se orienta basicamente pelas informações colhidas pela experiência através dos sentidos, não nos conta a estória toda. Na verdade nos ludibria, deixando-nos vendidos a uma doce, porém, tola ilusão.

 Além do véu – a metáfora da caverna

Para explicar e fundamentar suas idéias quanto à ilusão em que vivem aqueles que se norteiam pelos sentidos, criou a metáfora da caverna. Nessa parábola conta-nos acerca de um grupo de homens que viviam aprisionados dentro de uma caverna. Acorrentados, tudo o que podiam ver era a face de uma rocha desnuda sobre a qual as chamas de uma fogueira projetava suas imagens.

Por muitos anos estudaram aquelas sombras, escreveram tratados sobre as imagens, desenvolveram filosofias, teologias e todo um corpo de “conhecimentos” daquela que era a sua realidade. Um dia, entretanto, um deles conseguiu escapar dos grilhões que o prendiam e, desesperadamente, buscou a saída da caverna. Ao chegar à porta da caverna deparou-se com a luz resplandecente do sol.  Com a visão ofuscada nada podia ver de forma clara, cegado pelo clarão, até que, passado algum tempo pôde por fim começar a apreciar aquele cenário incrivelmente belo. Ficou encantado. Mal podia acreditar no que via!

Resolveu correr o risco de retornar à caverna para compartilhar com os amigos sua grandiosa descoberta da verdade. Ao chegar ao interior da caverna começa a falar com grande entusiasmo aos amigos acerca do que havia encontrado. Diz para os amigos que eles estavam enganados com respeito às coisas e que tudo aquilo que tinham aprendido não correspondia à verdade, não passando de sombras de uma realidade outra. Os amigos, indignados, se recusam a abrir mão do conhecimento acumulado em anos de “estudos” e mais, ameaçam até mesmo matá-lo por tamanhas heresias. Como ele ousava questionar de forma tão irreverente uma tradição milenar e dizer que todos estavam errados?

Com essa metáfora Platão deseja ilustrar aquela que seria a base da sua teoria. A “realidade”, e por extensão todo o conhecimento que obtemos através dos sentidos, não passa de sombras projetadas sobre a face da rocha em nossa caverna. A verdade última acerca dos fatos não se encontra aqui, mas em outra esfera. Precisamos sair da caverna.

 A mística platônica

O que é a verdade? perguntou Pilatos a Jesus quando este lhe disse que havia vindo ao mundo para dar testemunho da verdade. Como se chega à verdade? É possível conhecê-la? Várias teorias tem sido desenvolvidas para responder a tais perguntas. Dentre as teorias da verdade, a teoria mística é possivelmente a mais antiga. Desde há muito o homem tem se visto limitado em sua capacidade de apreensão da verdade a partir das próprias observações e elucubrações da razão. Por causa dessa desalentadora restrição sempre acaba voltando para a crença religiosa.

Diferentemente de seu ilustre discípulo Aristóteles, que cria ser possível provar a existência de Deus a partir da razão, e que atribuía grandíssima importância à empeiria (experiência através do uso dos sentidos), Platão era um místico (do grego mustikós – referente aos mistérios). O místico é aquele que sustenta crença em coisas sobrenaturais sem a necessidade de uma base racional. Cria que existe uma realidade espiritual que não pode ser captada pelos sentidos, nem apreendida pela razão.

Sua gnosiologia (teoria de como obtemos o conhecimento e como podemos averiguar a veracidade deste) consistia de uma “escada” onde os degraus mais elementares são aqueles da percepção sensorial e da razão. Em seu esquema, os sentidos nos provêem de um conhecimento rudimentar; a razão, por sua vez nos proporciona acesso a um nível mais seguro da verdade, mas ainda assim não consegue abarcar todas as coisas. Ainda que absolutamente útil, a razão, cria Platão, limita-se a processar o conhecimento de uma esfera inferior. Ajuda, mas não responde a tudo.

Num terceiro degrau, a intuição nos daria condições de compreender coisas que nem os sentidos nem a razão poderiam explicar, e, num quarto degrau estaria o misticismo, como recurso mais elevado. A mística nos tomaria pela mão, e através da revelação, uma espécie de conhecimento trazido por uma entidade espiritual, deuses ou espíritos; sem qualquer relação com o tipo de conhecimento natural a que estamos acostumados, a mística nos daria acesso à uma realidade imaterial inacessível por outros meios.

Para Platão, era imensa e tola a pretensão humana de decifrar a vida a partir dos parcos recursos de que os sentidos e a razão dispõem. Por valorizar a intuição e a mística Platão acabou tornando-se atraente para os pensadores cristãos. Estes, ao encontrarem em sua filosofia tantos pontos de contato com sua doutrina, acabaram por absorvê-lo em sua teologia. Seria cristianizado…

Ps.: Se voce está gostando do texto, recomende aos amigos enquanto estamos apenas no começo da viagem. Até mais!

23 23UTC novembro 23UTC 2011

A Pedagogia do Deserto

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 11:49 pm
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Caro leitor, o texto que segue é continuação do primeiro capítulo do livro que está sendo postado em trechos aqui neste site. A viagem  que começa aqui vai nos levar a descobertas riquíssimas.- Boa viagem! Boa leitura!

 

A PEDAGOGIA DO DESERTO

 

Capítulo I (b)

                        

A VIDA NO MUNDO

 

“Três paixões simples, mas devastadoramente poderosas, governam minha vida: um ardente desejo de amor, a busca do saber e uma insuportável piedade diante do sofrimento dos homens.                               

(Bertrand Russell – autobiografia)

 

Vida, substantivo abstrato

Se o mundo enquanto matéria é substantivo concreto, a vida por sua vez é substantivo abstrato. Descreve-se o mundo e seu arranjo de modo objetivo. Quer algo mais elegante e preciso do que uma molécula de água? A vida, entretanto, não se submete a uma descrição simples. Ou podemos por acaso explicar o mistério da vida, mesmo que seja na escala microscópica de uma ameba? Revestida de mistérios, a vida confunde nossos sentidos, deixando nossas faculdades intelectivas sem recursos para avançar, sem respostas óbvias.

Onde, exatamente, se esconde o princípio motor que anima os seres vivos? Dissecamos o sapo e compreendemos como ele se move ao estudar sua estrutura; desvendamos sua anatomia e a maravilhosa e complexa rede muscular que o capacita a dar pulos, mas foge-nos completamente à compreensão, o quê ou quem faz o sapo pular! Aristóteles quis saber sobre o princípio motor que coloca o mundo em movimento. Teorizou. Chegou a dar número aos motores que movem a magnífica engrenagem. Esses motores, imaginou, seriam deus, ou deuses. A obsessão de Aristóteles em desvendar o mundo não foi suficiente para facilitar o acesso ao mistério da vida.

Podemos saber do mundo e somos livres para esmiuçá-lo, mas a vida, ainda que se manifeste de forma grandiloquente por todos os lados, nos deixa perplexos. Simplesmente não se comporta segundo a elegância dos números, da lógica, antes, arisca, escapa-nos ao controle, fugidia, misteriosa, sempre. Podemos pegar, apalpar e definir objetivamente o substantivo concreto. Sabemos bem o que é um livro, uma cadeira; podemos descrevê-los com segurança e afirmar categoricamente o que são. Embaraçamo-nos, todavia, diante dos substantivos abstratos. Esta classe de substantivos nos deixa suficientemente inseguros em nosso esforço de explicar algo que não podemos tocar, manipular, quantificar.

 

De tartarugas à lebres

As verdades apreendidas pela inteligência consciente são rasas. A certeza dos números, das formulações da ciência, das argumentações lógicas, dos silogismos, perfazem apenas o beabá do grande mistério. A grande teoria da relatividade de Einstein, ainda hoje assombrosa, nos ajudou a formar as primeiras sílabas em nosso processo de alfabetização. Já conseguimos balbuciar, orgulhosos, os sons mais elementares das palavrinhas dissílabas do compõem o soberbo livro do universo. Arranhamos com essa e outras “grandes” conquistas da ciência, a superfície do grande mistério que concerne ao mundo. É tão assustador quanto estimulante saber que aquilo que logramos conhecer até hoje é tão minúsculo e o que ainda está por descobrir é tão largo e profundo!

Até a revolução industrial a humanidade caminhou a passo de tartaruga; as mudanças aconteciam de forma lenta. Após a referida revolução, um crescimento tecnológico estupendo vem se avolumando de maneira surpreendente. De tartaruga para lebre, sofremos um impulso incrível. Simplesmente não mais conseguimos acompanhar a velocidade com que as coisas estão mudando. Beiramos àquilo que alguns gostam de chamar de crescimento exponencial, mas, mais surpresas nos aguardam, dizem os cientistas, vem aí o famoso salto quântico, que vai nos levar ainda mais além em termos tecnológicos.

O mundo vai sendo sistematicamente esmiuçado, mas o código que dá acesso ao conhecimento dos mistérios da vida permanece, todavia, inviolado. A inteligência racional consegue compreender o mundo em muitos aspectos, reordenar a matéria e manipulá-la, todavia, o que se percebe por meio dessa inteligência é apenas fenômeno, rascunhos pálidos de uma realidade que parece estar além daquilo que nossos sentidos limitados possam captar…

Até o próximo trecho!

Ps.: Se voce leu e deseja continuar a leitura deste livro aqui publicado em pequenos trechos por favor deixe um comentário simples tipo: gostei… será suficiente para o meu experimento.

 

 

19 19UTC novembro 19UTC 2011

Convite a uma viagem

Gostaria de convidar meus leitores e amigos  a participarem de uma viagem através do meu livro mais recente - A PEDAGOGIA DO DESERTO -  que resolvo publicar aqui em trechos ao estilo Folhetim. Boa leitura! Boa viagem!

  

A PEDAGOGIA DO DESERTO

 

Capítulo I (a)   

 

 A VIDA NO MUNDO

 

“Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti. Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” 

(Raul Pompéia – O Ateneu) 

Vais encontrar o mundo… coragem para a luta.

O desafio de encontrar o mundo é grande demais. Tão grande quanto o próprio cosmo!  O mundo é vasto. A vida é ampla. Vastidão e amplitude de todo e de todos desconhecidas!

Ainda que incompreensivelmente vasto, o conceito de mundo é objetivo. Geograficamente localizável, num primeiro momento o mundo é a casa, que está numa rua, que fica numa cidade de certo país, que por sua vez localiza-se numa das porções de terra a que chamamos continentes…

As fronteiras deste nosso mundo, entretanto, já não se limitam à geografia da belíssima esfera azul onde estamos temporariamente radicados. Nossa imensurável curiosidade aliada a um avanço tecnológico inquieto e sempre crescente, tem nos levado a lançar o olhar para além do nosso quintal, como que movidos por uma estranha angústia, por uma fome por respostas para as quais nem mesmo formulamos bem as perguntas. O resultado deste movimento de inquirição frenética pelo espaço ao redor têm dilatado cada dia mais os nossos horizontes.

Nosso mundo tornou-se mais abrangente. Sabe-se hoje que aquilo que um dia se imaginou ser uma superfície plana apoiada sobre o dorso de elefantes, na verdade é um globo, de proporções mui humildes dentro da escala das grandezas celestes. Longe de ser a vedete e protagonista da trama cósmica, como já se creu, com os astros todos gravitando em torno de si, descobrimos para o nosso próprio espanto, que Terra não é o centro fixo do universo, antes, move-se, juntamente com milhões de outros atores num passo elegante e sincronizado numa imensa e estonteante ciranda.

O conhecimento empírico, baseado na experiência fornecida pelos sentidos, de que a Terra era plana e fixa provou-se enganoso e equivocado. Não deveríamos, todavia, ridicularizar o enorme erro de cálculo dos antigos pois, quem, a partir da simples observação, poderia dizer que a Terra não é plana? Ou que é esférica e se move? Parece que estamos imóveis em nosso lugar, mas, contrariamente à informação fornecida por nossos sentidos, movemo-nos a uma velocidade espantosa de milhares de quilômetros por hora em nossa órbita em torno da estrela que nos capturou em seu poderoso campo gravitacional.

As concepções equivocadas que nos fizeram crer, por séculos, que estávamos no centro, hoje desbancadas, são lembradas como motivo de riso. Temos endereço cósmico bem definido. Aprisionados pela inexorável lei da gravidade em uma órbita inescapável, com localização fixada com precisão, nos movemos, juntamente com nossos vizinhos imediatos, em torno do nosso sol, que por sua vez também gravita ao redor do centro de sua galáxia, que faz parte de um grupo de galáxias vizinhas, que também se movem, num movimento de aparente expansão…

 O Centro Místico

Permanecemos, todavia, no centro místico, sentindo-nos de alguma forma especiais. O princípio antrópico, que afirma que o planeta Terra foi propositadamente preparado para ser um berçário para diversas espécies e especialmente para o ser humano, aponta vários detalhes que parecem confirmar o fato de que a vida como a conhecemos por aqui não seria possível se o planeta não tivesse sido meticulosamente calibrado para tanto.

A menção da Terra, em destaque, na criação do universo, tem sido motivo de milenar discussão entre teólogos e filósofos. A teologia católica, adotando as concepções de Aristóteles (384-322 a.C) e Ptolomeu (90-168), colocou a Terra como centro do universo e em torno dela fez gravitar os astros todos… Sem instrumentos para verificar a veracidade do dogma, engoliu-se o fato forjado, a seco e sem contestação. Não se pode questionar o dogma!

Mas o mundo dá voltas, meu caro! E após tantas revoluções, apareceu Galileu (1564-1642) ameaçando a ordem modorrenta da sua época, afirmando que as coisas não eram exatamente como se pareciam… O homem da luneta ousou questionar o secular equívoco científico e teológico. A Terra não apenas se movia, afirmou, para escândalo dos seus minúsculos inquilinos que a queriam imóvel como uma múmia, como também não era a vedete universal como queriam as autoridades religiosas.

Condenado, retratou-se, mas a Terra nunca mais seria a mesma. Foi deposta. O sistema geocêntrico estava com os dias contados. Aos poucos descobriríamos que, por mais de mil anos, havíamos crido numa inverdade tão imensa quanto as suas pretensões! Destronada de sua tão grande importância cósmica, destinaram-lhe o humilde lugar que lhe cabe, num logradouro distante na periferia do grande tabuleiro de galáxias e corpos celestes…

Ainda que o progresso das ciências tenha avançado para muito além das regiões da fantástica ilusão mítica, parece que nada consegue dissuadir a criatura humana de um senso de importância que a faz sentir-se aparentada com o próprio Criador. Nada poderá mover o homem do centro.

Decifrando Mistérios

Apesar das grandezas e distâncias, o mundo, pra todos os efeitos, é concreto, mensurável, tangível, de magnitudes verificáveis. Numa marcha firme e resoluta, embora não tão rápida quanto gostaríamos, aos poucos vamos investigando e decifrando seus “mistérios”. Temos feito progresso. Não somos mais embalados por fábulas.

O fantástico gradativamente tem dado lugar ao científico. As três principais avenidas do saber, das chamadas ciências exatas, humanas e biológicas, hoje estão muito mais movimentadas do que há um século. Incrementada por novas disciplinas, a ciência tem especialidades para tudo. Já não há lugar para especulações da imaginação, senão nos livros dos ficcionistas.  Marchamos cada vez mais livres da névoa mística, com a firme resolução de destrinchar o mundo.

Demos um salto gigantesco nesses últimos tempos. Uma expectativa eletrizante de um verdadeiro salto quântico está tomando corpo no ambiente acadêmico; as possibilidades reais de conquistas que há tempos eram tidas como produtos de ficção, estarão dentro em pouco invadindo as vidas e prateleiras do cidadão comum, o que certamente vai alterar dramaticamente o modo como as coisas hoje são conhecidas.

A impressão que se tem é que já não haverá limites para tudo quanto intentarmos fazer, mas essa é apenas uma impressão. Mesmo que se tenha por certo que continuaremos avançando no controle dos expedientes do mundo, manipulando a matéria com nosso gênio criativo, ainda esbarraremos no mistério fundamental que é o enigma indecifrável da vida.

Mundo, substantivo concreto

O mundo pode ser quantificado, submetido a equações científicas, explicado por meio de fórmulas. Matematicamente exato, tudo ao nosso redor está numérica e elegantemente organizado! Os números e as fórmulas enquadram o mundo numa moldura e o tornam lógico. É substantivo concreto e por essa razão descritível.

Há um padrão de ordem no universo que despacha a necessidade de qualquer espécie de contorcionismo para explicá-lo. As leis químicas, físicas e demais, nos proporcionam os fundamentos que tornam o mundo racionalmente compreensível.  Não há lugar para o subjetivismo. É verdade que muito ainda não está satisfatoriamente explicado por nossas teorias. São departamentos sob constante e densa neblina. Mas isto é apenas uma questão de tempo, garantem os apaixonados e insones decifradores de enigmas. Continuaremos avançando e decifrando o que um dia foi “mistério”.

É inegável que temos progredido, e muito. A ciência aos poucos vai desvendando os segredos do micro e do macrocosmo. O projeto Genoma, uma das mais fantásticas conquistas da ciência em séculos, segue fazendo revelações surpreendentes do código genético. As possibilidades da engenharia genética, em virtude dessas descobertas, tornam-se inimagináveis. A mecânica quântica, por sua vez, segue fazendo descobertas não menos surpreendentes no campo das partículas subatômicas. A compreensão da estrutura esquemática da matéria orgânica e inorgânica está gradativamente lançando luz sobre o mundo ao nosso redor.

Os livros da natureza que, selados, escondiam os “mistérios” da criação, estão sendo abertos. Avança-se, rápido, em todos os campos. Compreendemos cada dia mais e com mais detalhes, como as coisas funcionam, todavia, não conseguimos esmiuçar o porquê de as coisas funcionarem dessa ou daquela maneira. Ficamos barrados na fronteira entre o mundo e a vida. É-nos permitido acessar os domínios do mundo, mas permanecemos sem a senha que permita adentrar os recintos reservados da vida.

Até o próximo trecho.

Obs. Se voce deseja continuar a leitura desse livro em trechos deixe seu comentário aqui expressando seu interesse. De acordo com o retorno dos leitores o projeto terá continuidade.

8 08UTC novembro 08UTC 2011

Provocação

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 1:30 am
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Por Luiz Leite

A interpretação errada de uma situação comumente reconhecida como “provocação” pode trazer muito desconforto e nenhum benefício. É curioso como cedemos fácil e rápido  a essas provocações e como, na maioria das vezes, reagimos de modo equivocado. A provocação em si não é grande coisa. O problema reside na forma como respondemos a ela. Se não fôssemos tão emocionais lidaríamos melhor com tais situações. 

Sermos emocionais não é um problema pois a emoção é um elemento fundamental na composição da nossa humanidade; o problema é sermos “tão” emocionais… Como esse adverbiozinho faz diferença!  Ser humano significa, entre outras coisas, ter a capacidade de emocionar-se, mas quando a dose da emoção ultrapassa os níveis considerados normais, o equilíbrio estará comprometido.

Sem equilíbrio, essa sintonia fina necessária para mediar as relações sempre complexas do mundo intra e interpessoal,  o sono vira insônia. O caos intaura-se. A resposta a qualquer provocação deve ser conduzida de modo inteligente. Como sal, a emoção deve ser usada sob medida e com o cuidado de um chef, de outro modo põe-se a perder a iguaria.

Ser emocional é tão natural em mim como produzir insulina. Entretanto,  o excesso ou a falta, em ambos os casos, vai resultar em algum dano. Responder com emoção às provocações “faz parte”; empregar muita emoção, todavia, certamente causará distúrbios. Controlar esse fluxo de emoções é tarefa difícil pra maioria das pessoas.

Os Estóicos valorizavam muito a moderação, o equilíbrio, e conduziam a emoção na corda curta, mas de um modo extremado, a ponto de o termo estóico tornar-se sinônimo de insensível. Cultivavam a apathea,  valorizavam a indiferença a tudo… Pois como se percebe através da doutrina dessa escola filosófica do terceiro século antes de Cristo, o homem antigo já havia descoberto que quem não controla suas emoções concede às circunstâncias o direito de determinar como ele ou ela vai se comportar.

Nisto acertou em cheio o velho Zenão de Cítio (334-262 a.C.), pai da escola filosófica referida. Concordando com ele, pelo menos neste ponto sou estóico.

18 18UTC outubro 18UTC 2011

Prepare-se para a tormenta

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 12:20 am

Prepare-se para a tormenta

Por Luiz Leite

Aqui em Belo Horizonte o primeiro pé d’água da temporada chegou “de com força” como diz o mineiro… Depois de meses sem chuva, é óbvio que a alegria do reencontro foi grande; A celebração, entretanto, durou pouco pois um “apagão” deixou a cidade no escuro, prenunciando, como um mal agouro, a crônica funesta de todos os anos. Pensei: Se a rede caiu com esse pequeno ensaio, o que acontecerá quando o “show” começar pra valer?

A bela Friburgo, que mal se recobrou do golpe da catástrofe de memória recente já aparecia no noticiário mostrando regiões do centro completamente alagadas. De novo não! Um “especialista” apontava uma das razões das inundações, que se traduz como uma das características do povo dessa terra: Bueiros entupidos. Tanto na cidade como na alma, “bueiros entupidos” são sinônimo de problema! Se deixarmos o “lixo” acumular, seja ele físico ou emocional, estaremos vulneráveis e o sinal dessa vulnerabilidade será conhecido no primeiro temporal.

A negligência no preparo, não importa a área, é erro grave. Falhar em preparar-se é preparar-se para falhar! Pouco adianta tentar resolver a crise no meio da crise! Ou voce se prepara para os dias maus ou lamenta nos dias maus! A maioria das pessoas, quando atingidas pelo turbilhão,  se desgasta triste e pateticamente tentando gerenciar o caos. Ninguém pode se preparar para a tempestade na tempestade. Obras emergenciais são puramente paliativas. Não resolvem o problema. Revelam displicência.

Se voce está passando por uma fase de turbulência e reconhece que não se preparou, tenha a humildade de reconhecer, confessando a Deus sua falta. O Eterno, que é misericordioso, há de te dar forças para passar pela crise. Corra para o altar, lugar de renovo e esperança. Se por outro lado voce está vivendo um momento tranquilo, não cometa o erro de relaxar tanto a ponto de descuidar-se. Não cometa o erro proverbial dos Jebuseus quando souberam que Davi fazia planos para tomar Jerusalém (II sm 5.6). Não subestime o adversário, cheque suas defesas, observe o inimigo e seus movimentos, tome providências, lembrando que a palavra providencia, do latim providere, significa, literalmente, “ver a uma distância”, com antecedência!

O velho e bom Noé nos apresenta ótimas lições com respeito ao assunto aqui tratado. Construiu o barco antes que a chuva chegasse, foi criterioso, seguindo minuciosamente o plano de construção da sua arca, não deu ouvidos aos críticos e possíveis zombadores, tomou precauções antes da prova e por fim sobreviveu ao grande cataclisma, ao passo que aqueles que não se prepararam foram tragados pela voragem das águas. E voce? Está preparado? Esta se preparando?

4 04UTC outubro 04UTC 2011

A economia e o fim do mundo

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 10:07 pm
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Economia do fim do mundo

Por Luiz Leite

Dizem que agosto, “mau gosto”, é um mês de azar, de cachorro doido… As expectativas de tempos de refrigério e uma espécie de renovo mágico recaem sobre setembro. Quando menino ouvia, encantado, lá nos cafundós da Bahia, pelas ondas do rádio, a belíssima ”manhãs de setembro”, na voz de Vanusa. Desde então grudou no meu inconsciente a relação entre setembro e algo fresco, inaudito, alvissareira novidade. Ainda que não liguemos para tais superstições que envolvem dias ou meses, de modo geral a aproximação de setembro nos enche de uma curiosa sensação, ingênua diria, de que algo especial está a caminho.

Pois a sombra que toldou os céus do mundo não se dissipou em setembro… Setembro chegou e se foi sem dizer a que veio. Não confirmou as expectativas pueris dos românticos. As boas novas não correram os campos como esperado. Pelo contrário, notícias de assombro tomaram as páginas dos jornais. Os mercados do mundo estão “derretendo” segundo o jargão dos analistas. Economias antes vistas como sólidas, mostram-se em suspense, inseguras, em compasso de espera. Todos agora esperam por um milagre, uma jogada mirabolante que tire tais economias do buraco em que se encontram.

Segundo alguns, o repertório dos magos das finanças internacionais está se esgotando, se não já se esgotou. O quadro que pintam assusta. Não há mais o que inventar. Não há como tirar coelhos da cartola ou sacar um ”Ás” da manga… Nesse ínterim a lista de países “quebrados” vai aumentando. O efeito da “quebradeira” produz um fenômeno curioso. Os países do mundo que ainda estão de pé, se reunem com os “falidos” para falar de cooperação, de ajuda mútua. Novas alianças surgem a cada momento e o cenário sugere mais enfaticamente uma solução comum que satisfaça a todos.

O colapso das economias globais está bem desenhado. Por essa razão os governantes estão costurando tratados e mais tratados para evitar o pior. Entre os líderes mundiais cogita-se a necessidade de uma liderança central para sanar as dificuldades quase insolúveis nas quais o mundo se meteu. Os sistemas políticos e econômicos conhecidos estão paralisados e sem saber o que fazer. Pois é exatamente em meio a esta convulsão  que, do mar das nações surgirá, mais dia, menos dia, o pai de todas as trucagens. Encantará mais uma vez, como fazem os magos, deixando a todos pasmos, com uma resposta mirabolante ao problema incontornável.  O autor do apocalipse diz:

“E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio. E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses…” Apocalipse 13:1-9

Não se pode afirmar que será dessa vez que a tal besta medonha vai se manifestar, mas o que não se pode negar é que um ensaio geral está em franco andamento! O balé das sombras está dando seus passos.

29 29UTC setembro 29UTC 2011

Faça um pacto com sua alma

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 12:34 am

Por Luiz Leite

É comum que as pessoas vez por outra sintam-se desmotivadas em meio ao combate em que se encontram. É realmente duro olhar ao derredor e não encontrar meios imediatos para resolver a questão tão rápida e praticamente como se gostaria. Nesses momentos tendemos a imaginar que as orações não tem sido ouvidas, que Deus não se importa, afinal oramos e oramos mas tudo continua, da nossa perspectiva, exatamente no mesmo lugar… 

Pois bem, se já tínhamos um problema, ou alguns problemas, a situação assumirá dimensões ainda mais encorpadas quando, além de embalarmos essas impressões secretas, começarmos a publicá-las, reclamando.  A reclamação é uma forma ineficaz e perigosa de lidar com as nossas dificuldades. Ineficaz porque não resolve nada! Perigosa porque opera no modo negativo, dissipando as possibilidades de receber uma revelação (insight) que nos ajude a desatar os nós do imbróglio. A postura pesarosa e lacrimosa do murmurador o aprisiona em um círculo vicioso inescapável. Quanto mais ele murmura, mais peso atrai, mais preso fica.

Ao reclamar da vida e da sorte, o “chorão”, se for crente, está declarando, de modo indireto, que seu Deus está fazendo um péssimo papel! Se incrédulo, estará mil vezes mais complicado. Baratas e ratos espirituais serão atraídos pelo odor malcheiroso que exala de sua boca; Sem ter a quem recorrer para livrá-lo, nem meios para discernir de onde procedem os ataques, se colocará em posição complicada. Pense bem antes de reclamar, culpar as pessoas, praguejar contra os céus… Acredite, se agir assim as coisas vão piorar ainda mais.

Há daqueles que usam o argumento, para eles bastante razoável, que são fiéis, e por essa razão não deveriam estar passando por tal prova… Com isto estão acusando a Deus de injusto, perverso até. Ora, o que não falta na Bíblia são crentes passando por apertos, dificuldades, opressão, medo… Se os “chorões” lessem a bíblia, conheceriam e aprenderiam com o exemplo de homens como José que, pelo testemunho que deixaram, parecem ter feito um pacto com sua alma de não abrirem a boca para reclamar. Faça voce também um pacto com sua alma. Não fique pelos cantos choramingando, se vitimizando e dando ao inimigo ocasião para rir-se no tempo da sua luta. Não dê ao diabo o gosto de te ver derrotado, pessimista, derrotista, amargo, lançando sobre o Eterno a culpa pelo seu infortúnio. Faça como o salmista. “Eu disse: Vigiarei a minha conduta e não pecarei em palavras; porei mordaça em minha boca enquanto os ímpios estiverem na minha presença.” (Sl 39:1)  Quanto ao mais, ouça a voz do profeta e reflita; “Do que se queixa o homem mortal? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.” (Lam 3.39)

21 21UTC setembro 21UTC 2011

Lições da Grécia

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 5:00 pm
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Por Luiz Leite

A economia globalizada, fenômeno dos nossos dias, trás consigo algumas características curiosas. Os grandes “players” que protagonizavam a cena e que antes desprezavam as economias nanicas, despachando-as como “repúblicas da banana”, hoje mudaram dramaticamente a postura. É do maior interesse de todos que todos se dêem bem. A arrogância de outrora tem dado lugar a uma espécie de expansão de consciência onde, finalmente, parece estarmos começando entender que o bem estar do outro de algum modo contribui para o meu próprio bem estar.

O que se passava com o longínquo oriente ou uma ilha gelada nos mares do atlântico norte pouco interessava ao habitante dos trópicos e vice-versa. As regras mudaram, e muito. Nunca antes se percebeu com tanta clareza como o fracasso de um país pode afetar o desempenho de outro, principalmente se o outro é um país vizinho. Presenciamos atualmente os esforços combinados dos países europeus para evitar que as economias de países do bloco naufraguem. As economias mais fortes estão lutando juntas para ajudar países como Irlanda, Portugal, Espanha e a maior ameaça de todas, a Grécia, que encontra-se à beira de um colapso. A queda da Grécia não é boa para ninguém, nem mesmo para o “inimigo” histórico ao lado, a Turquia.  

Poucas pessoas, senão aquelas que tem uma formação acadêmica na área, sabem exatamente o que está acontecendo com a economia em mais um momento de pânico nos mercados mundiais. As razões que explicam o que conduz países e grandes corporações à bancarrota são basicamente as mesmas que estão por trás da falência nas finanças individuais. Países e indivíduos “quebram ” devido a má gestão de seus recursos. Se gerenciássemos bem nossas vidas e finanças não conheceríamos o fosso, às vezes intransponível, das dívidas. A Grécia encontra-se diante desse fosso. Vinha  gastando além dos limites, ignorando a regra básica.

Na gestão financeira existem regras básicas que jamais deveriam ser violadas. É tão simples e conhecida a regra de ouro que diz que não se pode gastar mais do que se ganha. Esse axioma, entretanto, está perigosamente errado. Não se pode gastar mais do se ganha? Isto não se traduz em inteligência financeira! Mesmo que não se ultrapasse o limite do orçamento, basta gastar o que se ganha para que a vida começe a encontrar dificuldades na área referida. Voce não pode gastar o que voce ganha! Gratificar seus desejos agora (sem poder) para pagar depois, é quase sempre sinônimo de falta de inteligência financeira, para não dizer outra coisa… Se voce acha que, porque ganha 1000 pode gastar esses 1000, receio que esteja muitíssimo enganado!

O consultor financeiro Pedro Queiroga Carrilho apresenta 5 lições básicas que deveriam ser firmemente observadas por aqueles que desejam ter sossego nessa área:

  • Gaste menos do que ganha.
  • Faça uma gestão saudável do seu orçamento doméstico. Use crédito apenas para a compra de bens de longo prazo, como casa ou automóvel (se houver garantias de renda para honrar as parcelas, é óbvio)
  • Assim que receber seu salário, guarde uma parte. Nesse caso, não pense no valor, mas na percentagem: o ideal é reservar, no mínimo, 10% do seu salário
  • Faça como as empresas, que controlam a entrada e a saída de recursos e depois definem um orçamento para cada tipo de despesa. Faça uma lista com todos os seus gastos. Se, ao fim do mês, você concluir que gastou R$ 600 com alimentação, por exemplo, reserve esse valor para esse tipo de despesa no mês seguinte
  • Reserve um tempo da semana para fazer o dinheiro trabalhar por você. Isso significa investir o dinheiro que separou do salário: pode ser na poupança, em títulos de renda fixa ou em ações. Quanto mais cedo você começar a investir, mais o dinheiro vai se multiplicar

A administração desastrada das finanças decorre, entre outras coisas, da falta de noção que muitos tem acerca de sua relação com o dinheiro. Dinheiro é coisa séria. Jamais subestime seu poder. Dinheiro não trás felicidade, diz o bordão, mas faz as pessoas sorrirem (quando se tem) e, mais do que se sabe, faz muitas outras chorarem (quando não se tem). Sei que precisamos de dinheiro para financiar o ir e vir da vida, mas sejamos cuidadosos: Se os recursos estão escassos, vá de lotação. Pelo menos por enquanto! Tenha uma boa vida. 

14 14UTC setembro 14UTC 2011

Duas portas

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 6:00 am

Duas portas

Por Luiz Leite

O homem contemporâneo, como o homem de todas as eras, padece de uma ansiedade crônica. Atarantado diante do desafio de conceituar e definir sua própria existência, vai errando vida afora. Essa ansiedade, estado de desassossego permanente que nega à criatura a possibilidade de simplesmente estar onde se encontra, merece atenção e estudo.

A maior parte das derrotas que mancham nosso cartel de lutas nesta vida  decorre de um erro fatal que lutador nenhum deveria cometer: desprezo pelo oponente.  Um inimigo, qualquer que seja, jamais deve ser subestimado. Antes, deve ser observado, estudado, compreendido.  Esta é disciplina cultivada na carreira de todo campeão. Eu disse, campeão. Os perdedores, que são maioria, desprezam esse cuidado.

A ansiedade é um inimigo comumente desprezado. Por ser tratada com descaso por muitos, tem se transformado num algoz terrível para milhões. Essa inquietude tão comum nestes nossos dias turbulentos recebe uma atenção especial nos ensinos de Jesus, o Cristo. Sabedor do efeito devastador da ansiedade sobre a alma do homem, Jesus adverte: “Não andeis ansiosos…” (Mt 6.25)

A ansiedade comumente se remete ao futuro. No trecho do sermão do monte onde Jesus discorre sobre o assunto, vemos o Mestre relacionar a ansiedade a preocupações futuras, o que faz com que o indivíduo sofra por antecipação. É um exercício que denota desequilíbrio, adoecimento psíquico. Por essa razão, como qualquer outra doença, deve ser compreendida e combatida.

Ao dizer “não andeis ansiosos com o que haveis de comer, beber, vestir”, Jesus está se referindo à inquietação desnecessária e ineficaz acerca do futuro. “Basta a cada dia os seus próprios cuidados,” (Mt 6.34) diz Ele. O que está implícito neste ensino precioso é que precisamos aprender a nos situar no tempo de modo a viver o presente. Para tanto precisamos aprender a fechar duas portas: a porta do passado e a do futuro. São por estas portas que entram todos os fantasmas que atormentam os nossos dias. Livres destes verdugos pode-se viver uma vida leve, feliz, hoje, porque o hoje é tudo que temos! Agora relaxe e curta a paisagem.

16 16UTC agosto 16UTC 2011

A Razão Bifurcada

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 1:19 am
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A Razão Bifurcada

Por Luiz Leite

A razão, dádiva que segundo Agostinho de Hipona nos faz superiores, não deveria nos atrapalhar a vida. Fato é, entretanto, que muito conflito nasce por conta dos princípios equivocados utilizados nos processos mentais responsáveis pela formação de argumentos considerados “razoáveis” pelo indivíduo. Como a verdade é a verdade do sujeito, o que significa que cada um tem a sua, a desavença e o conflito são inevitáveis. Os homens se atritam diariamente na disputa para estabelecer por força do argumento ou pela violência das armas, quem está certo.

Esta boa razão supostamente deveria mitigar a tensão nos impasses e trazer harmonia ao caos. Seria bom se fosse assim tão simples. Complicamos tudo quando assumimos a mediação da razão como suficiente para nos assessorar. Erramos trágica e pateticamente ao nos apoiarmos unicamente sobre ela pois comumente é essa mesma razão que freqüentemente acaba emprestando a fagulha que precipitará a combustão

Esmeramo-nos na estruturação dos nossos argumentos para enfrentar nossos problemas e negligenciamos o mais sutil e fundamental elemento: a sabedoria. Entre uma e outra há um abismo imenso. A razão é bastante pragmática, linear, exata. Esse é o seu grande benefício mas também o seu grande problema. Sem o conselho da sabedoria a razão comete loucuras pois segue uma lógica implacável que esmaga impiedosamente a todos os que se lhe opõem.

A lógica adotada pela sabedoria a princípio é estranha à razão. Por essa causa nem sempre se harmonizam.  A sabedoria tem algo de místico e utiliza-se da fé como recurso para se orientar. Fato é que tanto uma como outra dependem de uma teoria da verdade para se sustentar. Como a verdade do homem fragmentou-se em mil cacos e cada um tomou para si um desses fragmentos julgando ter posse da melhor e mais completa porção é evidente que jamais chegarão a um consenso.

Estabelecer o que é a verdade é o ponto de partida para a solução dos problemas. Jesus, quando interrogado por Pilatos disse para aquele que viera ao mundo para dar testemunho da verdade. Pilatos perguntou-lhe:  O que é a verdade? Se o tom foi solene, sincero ou jocoso jamais saberemos. Fato é que o questionamento de Pilatos revela uma dúvida milenar. Foi exatamente em razão dessa dúvida atemporal que muitas teorias da verdade foram desenvolvidas. Quando Jesus veio ao mundo basicamente as maiores e mais importantes teorias já haviam sido concebidas.

Para os empíricos a verdade é apreendida através da experiência prática sendo percebida objetivamente por meio dos sentidos. Os racionalistas por sua vez sustentam que a verdade é alcançada por meio da razão, uma espécie de órgão inato onde estão armazenados todos os conhecimentos necessários para explicar o mundo. Os místicos, entretanto, contrariando os primeiros, apontam para outras fontes que estão além da empeiria (experiência) ou racionalidade humana. A verdade, dizem, só pode ser acessada através da revelação, trazida por uma entidade espiritual procedente daquela dimensão onde reside a realidade e explicação última das coisas.

Ainda que empíricos e racionalistas façam concessão uns aos outros nesse ou naquele aspecto acerca do acesso à verdade, ambos torcem o nariz às razões dos místicos, deixando assim a razão bifurcada. Partindo de pressupostos tão diferentes acerca do mesmo objeto é natural que tenha conclusões também distintas. A religião sempre suspeitando da razão e com um forte discurso sobre a sabedoria está sempre a acenar para a criatura humana convidando-a a abraçar a fé e partir para uma aventura para além dos domínios da razão e da experiência sensual. Uma vive a desdenhar da outra.  A fé ri-se da razão e a razão e esta por sua vez não é menos cruel com aquela.

Assim, a crendice, discursando sabedoria preciosa e oculta arrasta o homem para os domínios da mística; a incredulidade dos ímpios, apoiada sobre a razão, esforça-se para tirá-lo de lá, num movimento constante como se numa disputa de “cabo de guerra”, com a diferença de que neste caso não se trata apenas de um recurso lúdico para passar tempo. Esse é jogo é, literalmente, um jogo de guerra.

Se perguntarmos por que não existe a possibilidade de harmonizar esse binômio conflituoso, encontraremos respostas na velha e boa bíblia. É lógico que esse parágrafo vai fazer o incréu protestar. Existe uma lógica divina e outra satânica. A lógica divina assenta-se sobre princípios que não se adequam aos padrões da razão natural. Desferindo golpe letal a toda forma de materialismo, a lógica divina deposita uma ênfase especial sobre o outro. A lógica diabólica por sua vez busca os seus próprios interesses, princípio sobre o qual se fundamenta todas as versões de violência que aprisionam o homem em cadeias de eterno conflito.

Qualquer observador da trama social pode identificar essa dualidade sem muito esforço. A doutrina do ego (egoísmo) baseada sobre aquela velha e inexorável razão linear, e a doutrina do outro (altruísmo), estabelecida sobre os pilares de uma lógica que não produz as vantagens esperadas numa disputa. Ficam  estabelecidas aí de modo perfeitamente claro o lugar exato onde a razão cindiu-se em dois ramos conflitantes. A razão divina obedece a uma lógica diferente daquela que encontramos regendo as relações humanas de modo geral.

Todos seguem um padrão de comportamento que revelam o fundamento ético que dirige suas ações. No fim das contas, o que vale mesmo não é o discurso, a menos que esse seja revestido de carne e sangue na arena prática da vida diária. Para assegurar consonância entre o discurso e a praxis Jesus orientou: Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas. (Mt 7.12) Eis a sabedoria da lógica divina.

8 08UTC agosto 08UTC 2011

O Gênio da Lâmpada

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 10:47 pm
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O Gênio da Lâmpada

Por Luiz Leite

Não é a linha deste blog atacar pessoas ou instituições. Sinto-me, entretanto, no dever de combater idéias, ainda que não seja contado entre aqueles que ostentam credenciais oficiais de apologeta. A ortodoxia não tem a última palavra em todas as questões de ordem doutrinária, é verdade. Qualquer servo de Deus que tenha atingido relativa maturidade há de reconhecer humildemente que determinadas questões de grande complexidade não podem ser resolvidas pela canetada de um dos catecismos desta ou daquela confissão denominacional. Daí, entretanto, a tripudiar sobre a revelação e publicar o que se quer sobre as Escrituras, é um atentado grave.

Há um bom consenso formado entre os mais diversos grupos confessionais no campo da Pneumatologia (Doutrina do Espírito Santo). O respeito devido à terceira pessoa da Trindade assim já foi há muito estabelecido. Dia desses, entretanto, ao ligar o rádio no meu carro haveria de ser surpreendido a ponto de não acreditar no que ouvia. O dono de certo grupo religioso conseguiu a proeza de me deixar boquiaberto ao publicar mais uma de suas pérolas.

Todo estudioso sério das Escrituras sabe bem que a alegoria é um método que demanda muitíssimo cuidado quando aplicado na interpretação dos textos sagrados. Pois qual não foi minha curiosidade ao ouvir o bispo começar sua prédica invocando um conto das arábias. A princípio pensei que usaria o conto de Aladim e sua lâmpada maravilhosa como recurso didático em sua pregação. Após contar abreviadamente a fantástica estória do achado mágico de Aladim, o bispo simplesmente fez a ponte mais louca que já vi para aplicar a ilustração a uma verdade bíblica. Afirmou, para o meu completo espanto, como se recebendo um revelação profunda: “O gênio da lâmpada é o Espírito Santo!” Enquanto me contorcia ao volante como que acometido por uma forte crise renal ao ouvir tamanha baboseira, o bispo repetiu: “Sim, o Espírito Santo é o gênio…”

Não podia acreditar no que estava ouvindo. Pensava enquanto dirigia: “Não é verdade que este homem esteja dizendo isto!” Infelizmente estava enganado. O homem estava falando sério. Afirmava em seu “ensino”: O Espírito Santo é o gênio da lâmpada… Ora, é sabido de todos que o gênio é uma representação/tipo da velha serpente que oferece ao homem aquilo que pedir o seu coração concupiscente. O que ficava semeado de modo direto é que se seus ouvintes quisessem ter um gênio da lâmpada tal como Aladim, bastaria entrar na campanha da igreja e pronto. Receba o seu gênio!!! Implícito, estava veiculado de modo nem um pouco subliminar que, como Aladim, o caro ouvinte ao receber o “espírito santo”, teria o seu próprio gênio, podendo fazer uso de todas as possibilidades que uma condição tal proporciona. A heresia que um dia se propôs velada, hoje apresenta-se escrachada… Os tempos da apostasia estão aí. Os fatos falam por si.

2 02UTC agosto 02UTC 2011

União Homoafetiva e Escatologia

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 6:03 am
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União Homoafetiva e Escatologia

Por Luiz Leite

União homoafetiva é um eufemismo. Neste caso, um termo suave para maquiar uma situação vexaminosa. A homoafetividade, considerando a amizade afetuosa entre pessoas do mesmo sexo é natural. O que não é natural é o engajamento sexual entre indivíduos do mesmo sexo. A isto denomina-se abominação. Este é o termo que a Bíblia utiliza para tal situação. “Com homem não te deitarás como se fosse mulher; é abominação.” (Lv 18.22).

Por milhares de anos a humanidade interpretou o homossexualismo como uma aberração, salvo em determinadas civilizações e isto por alguns momentos curtos de sua história. Geralmente as civilizações que adotaram tais práticas, a começar pelas emblemáticas Sodoma e Gomorra, enfrentaram declínio e o consequente juízo divino após enveredarem pela senda de tamanha depravação.  Nunca foi conduta normal. A norma sempre foi outra.

O que se assiste em nossos dias é a legalização desse estado de absoluta bestialização da sexualidade humana. Os números apresentados pela última pesquisa  (ainda que possivelmente manipulados) apresentaram um resultado assustador: apenas 53% da população entrevistada se manifestava contra a união estável homossexual. A aceitação começa a se mostrar cada vez mais forte e assim vai se tomando por normal o comportamento assimétrico da sodomia.

Todo esse cenário tem um viés escatológico. O Senhor Jesus disse que sua vinda aconteceria em dias como os dias de Noé. A iniquidade multiplicou-se tanto naqueles dias a ponto de não haver um íntegro, senão Noé. De igual forma, em Sodoma e Gomorra a humanidade se corrompera tanto que apenas o justo Ló se salvou…  Os rumos que a sociedade moderna vai tomando atrairá o juízo sobre si e isto não se trata de discurso homofóbico como alguém poderia julgar. O Eterno já interveio na marcha desenfreada da humanidade caída queimando suas cidades e destruindo suas torres antes. Que ninguém se engane, Ele o fará de novo! Os sinais falam por si.

16 16UTC julho 16UTC 2011

Um convite à reflexão

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 4:23 pm

Um convite a reflexão

Por Luiz Leite

Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.” 

O que aconteceria se pudéssemos pensar um pouco mais como Deus pensa? Seria possível tal coisa? Talvez isto seja complexo demais. Que tal então se conseguíssemos pelo menos “pensar”? Maravilho-me diante dos desdobramentos desta aparentemente tola conjectura! Se observarmos bem descobriremos que a maioria simplesmente não pensa. Os que se esforçam um pouco para pensar acabando se perdendo nos labirintos dos processos mentais e mal se dão conta da inconsistência de seus próprios “pensamentos”. Alguém poderia dizer: “Mas como não pensamos? Vê quanta coisa temos criado? É verdade, mas pensar para construir máquinas e prédios, não é a mesma coisa que pensar para construir a vida, e é disto que tratamos aqui.

Não pensamos. Quando o fazemos, fazemos de modo errado. Nossa lógica nos trai constantemente. Esta é a verdade crua que fere como uma navalha a pretensão homo sapiens sapiens. Os filantropos protestarão enraivecidos. Que absurdo! Entretanto, a nota de protesto, ouso dizer, não terá sido construída a partir de uma reflexão inteligente. Terá sido apenas uma reação a esta provocação. É isto. Geralmente agimos por instinto! Não pensamos. Simplesmente reagimos às provocações da vida, e isto fazemos sem pensar! Quando pensamos, pensamos numa frequencia baixa, mal elaborada, frequentemente influenciada por emoções erradas…

O convite do Senhor em Isaias é: Deixe o ímpio seu caminho e o homem maligno seus pensamentos e se converta ao senhor… É como se o Senhor estivesse dizendo: Abandona esse seu jeito de fazer as coisas e pensar os processos! Seu modo de fazer e pensar estão equivocados e por isso voce se aflige tanto. Tenho um modo de agir e pensar que vai revolucionar sua vida. Converta-se. Setecentos anos mais tarde vamos encontrar o eco deste convite nas palavras de Jesus.

“Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?”

Temos uma dificuldade imensa em lidar com esse texto. Talvez este seja um dos momentos mais poderosos e também mais mal compreendidos de toda a bíblia. Negar-se a si mesmo… Como o ego é dotado de um instinto apuradíssimo de sobrevivência, esse convite soa no mínimo indigesto. Entretanto, o convite e desafio é uma das mais fascinantes propostas que alguém poderia receber.

Negar-se a si mesmo significa abandonar o caminho ímpio e os pensamentos malignos aos quais Isaias se refere. Talvez alguém diga: “Mas não sou ímpio e muito menos homem perverso; isto não se aplica a mim.” Ainda que isto seja verdade, do ponto de vista teológico, é possível que nosso modo de agir e pensar ainda obedeça aos padrões do homem velho, ímpio e perverso.

A maioria recua ante o desafio de negar-se a si mesmo para seguir Jesus. Em verdade, no contexto da religião cristã um número imenso de pessoas não sabe o que é isto de fato. Permanecem ainda tendo suas vidas regidas por um ego doente e cheio de inconsistências. Negar-se a si mesmo é inteligente. É exonerar a “banda podre”, é demitir a porção deste ego, que  na cadeira de primeiro-ministro tem desenvolvido uma gestão marcada pela inépcia administrativa. Os recursos de que dispomos tem sido utilizados de maneira errada e desleixada, deixando-nos cada vez mais empobrecidos. Como um daqueles governantes ditadores de países que são verdadeiros desastres economicos e administrativos, que fazem-se onipresentes por todas cena através de estátuas e quadros grandiosos, projetando uma falsa idéia de importância, assim opera nosso ego.

É exatamente aí que Jesus vem trazer este ensino pouco compreendido e duramente resistido sobre negar-se a si mesmo! Sob a gerência ditatorial deste péssimo primeiro ministro conheceremos o desastre. Pense e reflita. Não sinta e reaja. Jesus incomoda por não revidar as provocações dos seus algozes. Em nenhum momento encontramos um Jesus desequilibrado em face às circunstâncias. Jesus simplesmente não permite que as provocações de homens ou demônios determinem o seu modo de ser e agir. Jesus é um homem que pensa.

Diante do dificílimo exercício de dar a outra face ao agressor, andar uma segunda milha, entregar a tùnica ao que pede a capa, perdoar as impossíveis setenta vezes sete situações ultraje, vemo-nos atordoados… Não conseguímos assimilar suavemente tal padrão de comportamento. De saída julgamos impossível na prática. Pois o que Jesus intenciona com esse ensino é nos levar a pensar. Em outras palavras: Não reaja. Pense primeiro. Não conceda ao outro, ou às circunstâncias, o direito de conduzir seus atos. Reaja e seja um capacho de homens. Pense e seja um agente ativo de sua própria história!

Deixe o ímpio seu caminho e o homem perverso seus pensamentos e converta-se ao Senhor… Eis o caminho da vida, da libertação, da vitória plena!  Quando nos desvinculamos desse ego desequilibrado e cheio de medos, podemos entao tomar nossa cruz e seguir Jesus. Em seu caminho tudo é radicalmente diferente!

4 04UTC julho 04UTC 2011

O Desatino da Toga

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 6:48 pm
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O Desatino da Toga

Por Luiz Leite

Dia desses acordei sobressaltado com o som desagradável do meu interfone que berrava escandalosamente nas primeiras horas do dia.  Ao atender, a voz do outro lado mencionou meu nome por completo, buscando saber se se encontrava em casa o referido senhor. Confirmei que sim. Era eu o dono do nome. 

Oficial de Justiça! Carteirou de lá a voz, infomando que havia uma intimação para mim. Algo atarantado, ainda meio sonolento, desci as escadas vasculhando minha memória recente em busca da razão possível para tal intimação. Não encontrei. Certa aflição procurou assumir o controle do redemoinho interno e capitalizar o incerto, mas logo o oficial de justiça esclareceu a razão da intimação. Acalmei. Havia sido citado como testemunha em certo caso litígioso.

Como nunca havia estado em situação parecida, aguardei o dia da audiência e lá fui, cumprir a ordem do juíz, sob pena de prisão e multa por não comparecimento. Chegada a data e hora daquela agenda compulsória lá estava eu no forum como um cidadão exemplar para cumprir com aquela desagradável obrigação. Dirigi-me à assistente do juíz para me certificar de que estava no lugar certo. A moça confirmou dizendo que sim mas havia um porém: Aquela audiência fora cancelada. Ali teria início uma audiência não agendada.

Sentindo-me absolutamente desrespeitado disse:

- Como é? Voces me visitam com uma intimação para comparecer a uma audiência sob ameaça de prisão pelo não comparecimento, alteram meu itinerário, atropelam minha agenda, e nem se importam em me comunicar qua a tal agenda foi cancelada?

A moça tentou argumentar sem argumentos. Infeliz  empreitada é esta quando tentamos justificar o erro recorrendo a argumentos sem sustentação sólida. Fazemos assim por que é muito difícil para nós nos humilhar, pedir perdão, reconhecer o erro e nos dispormos a reparar o prejuízo do outro.  Enquanto isso, o juíz conversava com dois advogados  e ao mesmo tempo ouvia minha conversa com a sua assistente. A moça disse:

- A audiência foi cancelada porque as partes entraram em acordo.

Eu retruquei:

- Que bom, mas, e eu? eo o meu tempo, deslocamento, custos?

Ela disse:
-Neste caso podemos emitir um atestado para o senhor…

Ao que respondi:

- Um atestado não resolve esta situação…

Neste momento o juíz entrou na cena com a truiculência de um quarter back de futebol americano e bradou:

- E o senhor queria que eu fosse em sua casa lhe informar é?

Respondi impaciente:

- Bom seria, pois isto é uma falta de respeito!

O juíz, bufando por sentir-se contestado, coisa com que não deve estar acostumado, revelando um profundo despreparo emocional, já foi me ameaçando com voz de prisão, dando um show ridículo de abuso de autoridade. Disse:

- Veja lá como o senhor fala aqui na minha corte pois posso te dar voz de prisão!

Os ânimos nessa hora estavam aquecidos. Ao invés de me intimidar a fala do juíz causou-me indignação ainda maior. Respondi com veemência:

- O quê??  O senhor sabe muito bem que isto é errado. Eu me desloquei até aqui para cumprir sua ordem judicial. Do mesmo como esta casa me intimou para vir deveria me comunicar do cancelamento da audiência, me liberando desse encargo.

O homem da toga, visivelmente transtornado me mandou sair de sua sala e mandou vir os seguranças para me conduzirem. Nisto, eu que já ia me retirando retornei um pouco mais revoltado e disse para o magistrado:

- O senhor sabe bem que estou no meu direito e que apenas reivindico respeito para com a minha cidadania. Isto é um flagrante desrespeito a mim como cidadão.

Mais uma vez ele se alterou e ameaçou me prender pra valer. Eu ainda me sentindo ultrajado disse:

- Há quatro testemunhas nesta sala que sabem que em nenhum momento eu desacatei o senhor. O desacato aqui é dessa casa para com este  cidadão!

Nisto ele deu um sorriso amarelo, sem graça, como que percebendo que não estava lidando com um qualquer que ignora seus direitos fundamentais e disse:

- Peço ao senhor que tenha a gentileza de sair da minha sala.

A isto respondi:

- Agora o senhor falou certo… de acordo. Agora eu vou.

E sai chocado com a falta de controle daquele a quem comumente tratam como “V. Excelência”. Com isto fiquei mais uma vez convencido que capacidade intelectual nada tem a ver com maturidade, refinamento, sabedoria. Ficou clara a impressão de que estava diante de um péssimo representante da classe. Talvez esta tenha sido uma pequena amostragem daqueles que enxovalham o judiciário, matando de vergonha aqueles que verdadeiramente tem a nobreza necessária para receberem a deferência com que devem ser tratados. Infelizmente há sim cartas marcadas, sentenças compradas, juízo iníquo, parcialidade na balança, dois pesos e duas medidas ferindo o princípio mais fundamental deste nobre ofício  que deveria ser tido como sacerdócio por aqueles que o abraçam.

Neste quadro, por conta de alguns, o juízo é distorcido, a verdade enterrada; os poderosos se safam, os pequeninos são penalizados, a lei é burlada e a justiça capenga. Como falou Miquéias: “As suas mãos fazem diligentemente o mal; assim demanda o príncipe, e o juiz julga pela recompensa, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles tecem o mal.” 

22 22UTC junho 22UTC 2011

O Vôo Impossível

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 12:15 am
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O Vôo Impossível

Por Luiz Leite

O grande escritor russo Anton Chekhov disse que o homem é aquilo que acredita. Com todo respeito a Chekhov, o que  o que ele fez foi apenas dar eco  a algo que já vinha sendo dito de outras maneiras por outros através dos séculos.

Somos o que acreditamos, guardadas as proporções de sanidade, é claro. Homem algum pode ir além da linha que sua própria capacidade de crer estabelece. De certo modo o edifício do nosso destino é construído por nossas próprias mãos, sendo que a matéria prima utilizada constitui-se em grande parte das crenças que carregamos.

Uma frase de Mary Ash Kay famosa empresária da indústria de cosméticos chama-nos a atenção para uma impossibilidade aparente. Diz ela: “segundo a aerodinâmica o abelhão não poderia voar; sucede que ele não sabe e por isso voa de qualquer modo.”

O  abelhão “acredita” que pode voar. Ainda que as leis da aerodinâmica digam que não pode, o abelhão esforça-se, bate as asas inadequadas e ganha os céus num exercício formidável de superação de limites deixando atônitos e maravilhados os que sustentavam que seu vôo seria impossível.

De algum modo este exemplo da natureza alinha-se ao ensino de Jesus acerca da fé. Jesus disse que tudo é possível ao que crê. Há algo de profundo demais nessa pequena e tão conhecida afirmação. Poucos humanos acessaram esse mistério de modo completo. Se voce crer…

Tudo depende do ponto de partida. A pequena partícula condicional “se” interpõe na cena como um grande divisor de águas. Se acreditamos em Deus, em quem depositamos nossa fé, Ele chamará a responsabilidade para si. Ele cuidará do resto. Se, entretanto, não crermos em Deus, não haverá absolutamente nada mais senão vazio e trevas…

O filósofo existencialista Jean-Paul Sartre disse de certa feita:“Os cristãos partem do princípio ‘Deus existe’; eu parto do postulado: ‘Deus não existe’. “ Este ponto de partida é o fundamento sobre o qual cada um constrói seu destino. Quando ateus como Sartre dizem que deus não existe e que a fé religiosa não faz sentido, o crente não deveria se sentir ofendido. Considerando o ponto do qual partem, a fé em Deus não pode mesmo fazer sentido para eles.

Que o ateu pense que ele não passa de uma cadeia de carbono ambulante errante, vivendo uma existência absurda e sem sentido. Que o crente, por sua vez, prossiga crendo que é ser espiritual criado segundo um propósito divino. Se tão somente conseguirmos respeitar uns aos outros sem nos matarmos já teremos feito um grande avanço.

No fim do ato cada um acabará tendo como resultado aquilo em que acreditou. Se creu numa mentira ou fantasia, restará a frustração e o desencanto. Se creu na verdade conforme as Escrituras, será surpreendido por alegria indizível e se verá perplexo diante do inefável. Quem crê em Jesus (como diz a Escritura) e no céu, vai encontrar-se com Jesus em seu céu; quem crê na dissolução da alma no nada, vai ser lançado no exílio escuro e insondável do nada.

Ainda que ateus e críticos da fé digam que Deus não existe, que o céu é uma fábula esse abelhão aqui continuará batendo suas asas nesse vôo que dizem impossível.

14 14UTC junho 14UTC 2011

The Believing Bumblebee

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                       

The believing bumblebee

By Luiz Leite

The great Russian writer Anton Chekhov said once that man is what he believes. With all due respect Chekhov was not saying anything new. He simply echoed what others had already uttered before him. Man is what he believes indeed. No man can go any further beyond that line his own beliefs have drawn. In a certain way we supposedly should be in charge of our own destiny and that is tightly bound to our set of beliefs. We are to accomplish what we believe.

A famous quote by Mary Ash Kay says that “aerodynamically the bumblebee shouldn’t be able to fly, but the bumblebee doesn’t know that so it goes on flying anyway.” The bumblebee “believes” it can fly. It will take off and go on flying even though many would say it is not possible. They have a secret. They just keep flapping. Even when the laws of aerodynamics say “no” a believing bumblebee will take off.  Somehow this is in line with Jesus’s teaching about faith. No matter what the situation is, everything is possible if one just believes. Just keep praying and trusting no matter what.

It all depends on the point one starts. If you are a believer your faith in God will see you through, but if you do not believe in God… The atheist existencialist French philosopher Jean-Paul Sartre put things this way: “Christians start from the postulate ‘God exist.’ I set out from the postulate: ‘God does not exist.’” This starting point is the very foundation upon which each person will build up his/her life. If an atheist says that God does not exist and that religious belief is a bunch of nonsense, a believer does not need to feel insulted with that. Considering the atheistic postulate no religious belief will ever make sense in any way.

Let the atheist think he is just an inteligent carbon unity wandering and babbling around with no purpose; and let also the believer think he is an inteligent, espiritual being created with a purpose. If we at least manage to love and respect one another in spite of all differences, we will have accomplished a great and significant thing. One thing is for certain: People will end up receiving what they believe. If one believes in Jesus, in eternal life, let him/her go be in heaven with Jesus; if one believes in nothingness, then let him/her go his/her way into nothingness. It is such a pity that so many people created after the image of God shall end up as “nothing”.

As for myself, even though atheism says there is no God or heaven this bumblebee here will keep flapping.

9 09UTC junho 09UTC 2011

Religião sem revelação – Uma usina de loucos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Religião sem revelação – Uma usina de loucos

Por Luiz Leite

Caim cabe o título altivo de primeiro apóstata da história da humanidade. Abel, seu irmão, entretanto, parece ter aprendido desde cedo algo que faltava a Caim: a piedade com contentamento. 

Só a revelação pode emprestar à religião o sentido de sacralidade da vida; Sem a revelação a prática religiosa torna-se uma experiência enfadonha, decepcionante, e por isso também  perigosa. Sem a revelação jamais será capaz de providenciar o estofo que o homem precisa para preencher os buracos existenciais de sua alma aflita.

Caim era um homem angustiado. Carregava consigo rancores que lhe amargavam as entranhas e, por mais que praticasse a religião dos seus pais, não conseguia se desvencilhar das garras de um coração sombrio; respirava um ressentimento imenso em relação ao irmão.

Alguns dizem que Caim invejava a graça e prosperidade de Abel. A etimologia da palavra “inveja”, do latim “invidere”, significa basicamente “olhar para” , no sentido de querer “o brilho” do outro; A inveja visa não necessariamente os bens do outro, mas a graça do outro. É sem dúvida uma das enfermidades mais daninhas da alma humana.

Pelo que o texto bíblico indica, Abel atraiu a inveja e o ódio de seu irmão porque “o Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta.” (Gn 4:4-5) por isto, continua o texto, “Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou”.

Note-se que o texto trás implícita a idéia de que o Senhor antes de “aceitar” a oferta, precisa aceitar o ofertante. A oferta em si pouco importa. O coração do ofertante, isto sim é tudo. A prática da religião, no que respeita à observação litúrgica dos seus cerimoniais pouco importa se aquele que traz a sua oferta ao altar não tiver o coração aprovado.

Abel tem a sua oferta aceita porque já antes tivera o coração aprovado. Vivia uma espiritualidade refletida, ao passo que Caim transitava na esfera de uma espécie de religiosidade feita de protocolos apenas. Caim tinham a informação, mas não tinha a revelação. Uma vivência religiosa nesses moldes produz um ritualismo marcado por uma  mecanicidade estéril e sem vida.

O coração árido de Caim certamente não entendia de onde procedia a graça, o contentamento, a prosperidade que seu irmão Abel desfrutava. Aquilo provavelmente o incomodava muitíssimo. Por ser o irmão mais velho, ele e o não o caçula deveria desfrutar de tais bênçãos, conjecturava. Deus estava sendo injusto para com ele!

A autocomiseração e desejo por reparação começaram a fermentar em sua alma. Sua religião com todas as práticas cerimoniais afinal não estavam ajudando-o em nada.  Faltava-lhe algo e ele não entendia. Provavelmente faltou-lhe também humildade para perguntar ao irmão qual era o segredo. Em sua frustração e revolta, resolveu seguir a inclinação de seu coração corrompido. Deus, em seu irmão, incomodava muito. Decidiu resolver o problema de Deus. Matou-o.

Esaú, como Caim, também  foi um homem que desprezou a Deus de uma maneira soberba. A sua auto-suficiência foi tão grande a ponto de conduzi-lo a desprezar a bênção de Deus completamente. Como Caim, tem uma diferença com o irmão mais novo. Só não perpetrou o intento de assassinar a Jacó porque publicou o plano.  Ensinados pelo mesmo professor, Esaú e Jacó tomam rumos opostos; A religião de ambos vai resultar nula para um e cheia de significados para outro.

A revelação novamente faz toda  diferença. Esaú desviou-se para sempre. Jamais voltou atrás em suas obstinação; Ainda que depois de velho tenha se reconciliado com o irmão mais novo, jamais conheceu a sublimidade do quebrantamento. Empestiou com sua peçonha  toda a sua descendência. Mesmo depois de morto continuou a perseguir o irmão Jacó, através de seus desdendentes. Desde Amaleque, passando por Hamã, até Herodes, Esaú, o pai dos Edomitas intentou contra Jacó, o pai dos Israelitas.

A religião sem a revelação é uma experiência de finalidade incerta. Ensinar ao homem as verdades de uma moral elevada sem capacitá-lo a vivê-las de modo prático é um experimento perigoso. Colocado numa situação profundamente incômoda, o homem experimentará de contínuo a frustração e a culpa, por não se ver capaz de obedecer às imposições exigidas.

É grande a lista de filhos de crentes que na bíblia se extraviaram e cometeram loucura. Ainda que ensinados na religião de seus pais, perderam-se nas engrenagens frias do cerimonialismo religioso e, levantando-se contra todos os princípios recebidos cometeram torpezas sem que o legado religioso lhes pudesse deter.

Caim fez escola. Sua religião sem revelação fez dele o primeiro dos loucos. Antes de “enfiarmos goela abaixo” dos nossos filhos as nossas convicções espirituais, deveríamos orar muito para que eles sejam contemplados com o clarão que um dia dissipou nossas trevas. Assim, e só assim, poderemos descansar sobre o fato de que não correrão o risco de pirar como muitos nessa imensa e absurda usina de loucos que é a religião sem revelação!

23 23UTC maio 23UTC 2011

A Tormenta Intrapsíquica

 

 

 

 

 

 

 

 

A tormenta intrapsíquica

Por Luiz Leite

Nos tempos da boa música Chico Buarque escreveu uma canção antológica que dizia: “Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu…” Esse sentimento de vazio e desvalor é experiência comum a todos. Vez por outra nos pegamos assim. O verbo “sentir” seria facilmente definido se tão somente pudéssemos dizer que a experiência se resume ao conjunto de informações e impressões capturadas pelos sentidos naturais. Entretanto, para além dos elementos que nos invadem pelas vias sensoriais, e que sem dúvida modelam parte dos sentimentos, existem outros condimentos que de fato ditam rumo e ritmo da forma como sentimos.

Forças intrapsíquicas modificam constantemente nossas emoções deixando nosso mundo interior como se atingido por uma tormenta; Um vento tempestuoso sopra forte e de uma hora para outra tudo se alvoroça dentro em nós, deixando-nos internamente destroçados, como se tivéssemos nos colocado desavisadamente na rota de um furacão. Vemo-nos amedrontados, inseguros, ansiosos… Ainda que contenhamos as emoções maquiando sua manifestação orgânica, choramos e sangramos por dentro. Parte desse transtorno faz-se desnecessário. Ainda que algumas dessas situações nos pareçam terríveis no momento, poucas duram mais que um par de dias. Isto para fazer valer a sabedoria popular que afirma: “Nada como um dia após do outro.”

Nem tudo, entretanto, é assimétrico no campo do sentir. Tem dias que a gente se sente bem. Geralmente nos dias que nos sentimos bem, também nos sentimos bonitos. Como parece, tudo depende de como se sente. Se me sinto bonito, inevitavelmente isto é assim porque estou me sentindo bem. É a corda e a caçamba. Caramba! Como esse ditado é velho! A propósito, há dias também em que nos sentimos velhos, ranzinzas…  outros ainda, miseráveis e desprezíveis… ora inflacionamos, ora deflacionamos nosso valor intrínseco,. Eita! Quanto sentir! É preciso aprender a negociar com tantas emoções.

Algumas pessoas têm uma habilidade natural no manejo das emoções, outras são lastimavelmente ineptas em tal arte. Agimos em muitos casos como analfabetos funcionais. Até conseguimos ler o texto emocional mas não conseguimos interpretá-lo de maneira correta. Daí o conflito intra e interpessoal. Não precisamos ficar a mercê do torvelinho emocional. Felizmente há meios para se lidar com o sentir. Tais meios, entretanto, estão reservados a um punhado apenas daqueles que apresentam disposição para ler, estudar e conhecer esse terreno por demais escorregadio, onde poucos conseguem transitar sem muitos acidentes. Enquanto não se adquire habilidades especiais para lidar com esse assunto o melhor a fazer seria dar ouvidos ao sábio conselho de São Tiago que diz: “Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tg 1.19)

10 10UTC maio 10UTC 2011

E por se multiplicar a iniquidade…

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 11:54 pm
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E por se multiplicar a iniquidade

Por Luiz Leite

Jesus afirmou que no fim dos tempos a iniquidade se multiplicaria tanto a ponto de causar um efeito inusitado, ocasionando o esfriamento do amor. A relação que ele faz entre uma coisa e outra é direta. Infere que os termos são auto-excludentes; A presença de um não admite a existência do outro. Ou o amor extingue a iniquidade, ou essa esfria aquele.

A iniquidade, do grego anomia, situa-se no extremo oposto do amor. É obvio que Jesus não se refere ao amor Eros que tem sua cotação em alta constante na bolsa de valores da devassidão. O amor do qual fala no texto grego é aquela versão mais alta e depurada de um conceito que tem sido constantemente deturpado e mal compreendido.

O substantivo “iniquidade” é um termo revestido de roupagem sombria e desestabilizante. O iníquo é aquele que intenta contra as regras estabelecidas e não se submete à Lei, quer de homens, quer de Deus. A lei dos homens pode ser burlada sem qualquer problema. A Lei com “L” maiúsculo, entretanto, precisa ser destruída.

“A verdade é que o mistério da iniquidade já está em ação, restando apenas que seja afastado aquele que agora o detém. ” (II Tess 2.7) O que o apóstolo está dizendo é que o processo já teve início há muito. O cenário está sendo preparado para o advento do “homem da iniquidade” (II Tess 2.3).

Assustou-se a nação inteira com a decisão do STF, o “guardião da constituição federal”. A sutileza da antinomia instalou-se por lá de modo completo através dos seus dez apóstolos presentes na sessão da quinta feira, dia 05/05/2011 que votaram por unanimidade a favor do reconhecimento da união estável de indivíduos homossexuais. Devem desfrutar dos mesmos direitos da união de um casal heterossexual, ou seja, recebem status de família, ainda que tecnicamente esbarrem no conceito constitucional que caracteriza o que vem a ser uma família.

O Supremo Tribunal Federal, que é um orgão do poder judiciário, não está fazendo lei, pois tal coisa não lhe compete. Entretanto, ao tomar tal decisão praticamente pressiona o legislativo a que se apresse e resolva logo a questão a favor da iniquidade aprovando a lei que respalda a abominação homoafetiva. Os defensores dos valores da família ficam assim, teoricamente, desamparados.  Se a Suprema Corte do país já se posicionou favorável à essa semvergonhice, a quem se poderia recorrer? Não seria de todo surpreendente vê-los numa das paradas do orgulho gay envergando as cores da classe, uma vez que alistam-se com este ato às fileiras do GLS.

O Eterno pronunciou-se acerca dos tais:

“… Por isso Deus os abandonou as paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural (…) E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém; Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e mães; Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.” (Rm 1)

 O Deus da Bíblia não é homofóbico. Condena, entretanto, a sodomia, veementente. “Com homem não te deitarás como se fosse mulher. É abominação.” (Lv 18.22) Do mesmo modo, o Senhor ama o ladrão mas abomina o roubo… Os juízes do Supremo Tribunal consentem com a anomia quando deviam repudiá-la como defensores da lei e dos valores que entre outras coisas orientam e dão sustentação à família. Serão julgados por isso. Chegará o dia em que estarão no banco dos réus!

 

4 04UTC maio 04UTC 2011

A Absurda Antesala do Inferno

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A Absurda Antesala do Inferno

Por Luiz Leite

Texto publicado na Coluna Pastoral da Revista Eclesia

 “Se um certo Jean-Paul Sartre for lembrado, eu gostaria que as pessoas recordassem o meio e a situação histórica em que vivi, todas as aspirações que eu tentei atingir. É dessa maneira que eu gostaria de ser lembrado.”

Este foi o apelo que o grande existencialista ateu fez cerca de cinco anos antes de sua morte. O pensamento de qualquer pensador está profundamente arraigado na sua própria experiência de vida. As influências sofridas por cada um determinam em muito o seu modo de pensar. É impossível desvencilhar-se da própria bagagem que a vida nos impôs. Daí se dizer que cada homem é produto do seu tempo.

Com a maior parte de sua obra escrita durante a segunda grande guerra, Sartre teve material farto para compor sua ode à desesperança. O seu tempo foi marcado por grandes e dramáticos eventos. Suas idéias chegam a nós como um protesto de revolta diante das catástrofes absurdas a que foi submetida sua geração. Talvez seu conceito sobre Deus possa ser resumido pelo silogismo que segue:

“Se Deus fosse bom, ele desejaria tornar suas criaturas perfeitamente felizes…”

“E se fosse todo-poderoso, ele seria capaz de fazer o que quisesse…”

“Mas as criaturas não são felizes.”                                 

“Portanto, a Deus falta a bondade ou o poder – ou ambas as coisas.”

É mais ou menos assim que se apresentam alguns dos argumentos que refutam a existência de um Deus bondoso. A presença indesejável do mal no mundo sempre foi um problema de difícil compreensão. Segundo o argumento acima exposto, não pode haver nem um deus bondoso nem um diabo perverso, pois a presença do primeiro teria que necessariamente aniquilar a ação do segundo, o que, aparentemente, não acontece.

Vivi em Israel por cerca de um ano e meio e lá encontrei alguns sobreviventes da longa noite de horror que a Alemanha nazista impôs ao mundo de maneira geral, e sobre os judeus de forma perversamente específica; Ainda que o nazismo tenha perseguido e martirizado poloneses, ciganos, homossexuais e prostitutas de modo igualmente odiável, a história publica com mais ênfase a tragédia judaica. Depois do inominável genocídio a que foram submetidos, muitos judeus tiveram uma dificuldade imensa de continuar crendo na existência de uma divindade bondosa a governar o mundo.

O antiqüíssimo problema do mal emergiu como um monstro hediondo das águas escuras dos séculos e desferiu um golpe demolidor sobre a geração de Sartre. Assimilar o conceito de um deus todo-poderoso a governar o destino dos povos tornou-se um desafio insuperável para muitos daqueles que presenciaram as atrocidades de uma era como aquela. Diante de certas vicissitudes alguns perdem a fé; apaga-se o lume da esperança, esmagada pelo evento trágico e sem explicação. Resta nestes casos a perplexidade, a expressão de pasmo perante o que só poderia ser classificado como absurdo!

A geração de Sartre passou por duas catástrofes causadas, na leitura do existencialismo, pela loucura da livre escolha dos homens. Nem deuses nem demônios tomaram parte na empreitada sinistra. Em verdade, concluíram, não há deuses ou demônios. O homem é livre e sua vontade é a responsável por moldar o mundo e ditar o ritmo e o rumo de indivíduos e nações em sua marcha pela história.

Observando os extremos a que pode chegar o homem, as ações absurdas que pode levar a cabo, o flagrante desequilíbrio na balança da equidade, Sartre conclui que o problema do mal não é de ordem metafísica; não é produto da emulação de seres fantásticos de outras dimensões. Sua filosofia dispensa qualquer noção de deuses ou demônios e desemboca num humanismo radical, onde o homem, e somente o homem se torna o protagonista do seu pequeno drama.

Deixado sozinho, a mercê da própria sorte, o homem terá que fazer-se. Torna-se responsável por aquilo que é e não deverá atribuir a nada nem a ninguém seus infortúnios. Se alcançar sucesso, o fará graças tão somente aos seus próprios méritos, se porventura naufragar nas ondas do fracasso não terá o direito de lamentar-se, projetando sobre outrem a responsabilidade dos seus desacertos. Terá que fazer suas escolhas, posicionar-se e arcar com os custos, sejam quais forem suas conseqüências.

Descartada a possibilidade da eternidade e de acertos de contas morais na pós-história, como ensina o cristianismo, o existencialismo procura aliviar o dilema humano, selando hermeticamente toda e qualquer fresta por onde possa se intrometer a espiritualidade com sugestões de juízos ou benesses vindouras. Em outras palavras, não há tal coisa como uma continuidade entre tempo e eternidade. Há que aferrar-se ao tempo e fazer-se como bem se entende.

O existencialismo ateu de Sartre faz do mundo uma absurda ante-sala do inferno! No fim acabam tendo mesmo razão: É uma questão de escolha.

26 26UTC abril 26UTC 2011

Não tenha vergonha de ser evangélico!

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 1:23 am
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Não tenha vergonha de ser evangélico!

Por Luiz Leite

Vez por outra recebo textos de pessoas que se dizem tão frustradas com a geléia geral do cenário dito evangélico que não querem mais ser chamadas de evangélicas. Ora, eu também já vou me cansando desse tipo de conversa. Cansei-me a ponto de gastar um pouco do meu tempo para responder a semelhantes tolices. Veja se faz sentido eu mudar minha identidade porque tem um sujeito por nome Luiz fazendo falcatruas na praça. Meu nome é minha marca e eu o honrarei, agora se outros que sustentam o mesmo nome não o honram, azar deles!

Pois não me envergonho de ser evangélico. Guardo com o termo sua melhor acepção e me orgulho de poder dizer que sou sim cristão evangélico de velha e boa cepa. Agora quanto aqueles que dizem que são mas produzem um testemunho que intenta contra os valores que eles mesmos pregam, não os guardo com desprezo, antes compadeço-me deles; Vitimados pelo engano cairam reféns de forças narcísicas maiores que seus egos adoentados; Entregaram-se à sedução e ao aceno de fama e projeção. Se o próprio Jesus do alto daquela rude cruz pediu ao Pai que lhes perdoasse, porque eu haveria de condená-los?

Talvez seja exatamente isto que o inimigo intenta ao divulgar as vergonhas desses que se vão extraviando ainda que respaldados pela instituição. Não se envergonhe de ser evangélico pois o adjetivo deriva diretamente da base que providencia sustentação para tudo aquilo em que cremos. Ser evangélico é crer em Jesus como diz as Escrituras! Ser evangélico é ter por balizas firmes o ensino de Jesus e a doutrina dos apóstolos! Ser evangélico enfim é ser crente em Jesus, tendo essa crença orientada pelo ensino dos evangelhos!

Agora, quanto aos levitas performáticos, estrelas midiáticas, pastores, apóstolos, patriarcas e demais supostos vendilhões do templo, quem somos nós para julgá-los? Talvez alguém possa recorrer ao argumento dos frutos de tais árvores, ainda assim, o texto só nos autoriza a conhecer que tipo de árvore são, mas daí a julgar e sentenciar é outra história.

12 12UTC abril 12UTC 2011

À Prova de Tragédias

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 11:57 pm
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À Prova de Tragédias

Por Luiz Leite

Estamos tão anestesiados pela mídia e expostos a uma descarga tão massiva de eventos trágicos no dia a dia que até parece que ficamos  ”à prova de tragédias”. A tragédia que sacudiu o Japão foi  capaz de deixar muita gente impressionada, mas não vi ninguém consternado com a dor dos japoneses. Estamos nos tornando cada vez mais insensíveis à dor do próximo. 

Será que as imagens que revelam o caos em que o Japão se tornou nos últimos dias não nos levaram a derramar uma lágrima sequer? Deveria. Talvez alguém argumente que o Japão, afinal, não é país simpático e que seu caráter beligerante é responsável por essa reação fria por parte da comunidade internacional. O pesar não se mostrou expressivo, alguém poderia conjecturar, porque afinal eles são muito ricos e também arrogantes.

E no caso do Haiti, qual seria a justificativa? talvez porque sejam muito idólatras e retrógrados… É mesmo assim. Ignoramos a dor do outro até o dia que a tragédia nos bate à porta. Talvez não tenhamos derramado lágrimas pelos milhares de milhares vitimados pelas tragédias no Haiti e Japão, mas certamente experimentamos uma dor lancinante quando nossa manhã de quinta feira nublou-se com as notícias das 12 crianças ceifadas brutalmente no Rio; Provavelmente voce também foi visitado por uma aflição do tamanho do mundo ao ver o rostinho das meninas assassinadas friamente em Cunha, no estado de São Paulo, ou ainda…

Bom, se sua alma não se agitou pesarosamente dentro de voce pelos eventos mencionados, se seus olhos não derramaram uma lágrima sequer, se um suspiro sentido não brotou do fundo de suas entranhas então, parabéns, ou melhor, meus pêsames, voce realmente está blindado, à prova de tragédias! 

Ps.: Não conheci a Laryssa mas não pude conter as lágrimas ao pensar nela ao terminar esse post.

28 28UTC março 28UTC 2011

Antes de Irmos ao Púlpito

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 6:24 am

 

 

 

 

 

 

Antes de irmos ao púlpito

Por Luiz Leite  (Artigo publicado na coluna pastoral da Revista Eclésia, edição Mar/2011)

Dia desses recebi um daqueles muitos emails repassados que diariamente enchem nossas caixas de correio eletrônico e que nem sempre abrimos por serem tantos e por não termos tempo para dar atenção a todos. Trazia um título explosivo: “Troque um parlamentar por 665 professores!” As razões apresentadas no panfleto eram suficientes para justificar o brado de revolta. Lembrei-me da antiga canção do Vandré, convidando a juventude para uma revolução… Essa não é a primeira “campanha” que vejo circulando por aí nesse imenso forum virtual que a internet propõe. É decepcionante observar que, apesar de denunciarem práticas que suscitam indignação e repúdio, os revoltosos que à primeira vista pareciam absolutamente resolutos a trasntornarem a ordem, logo deixam a causa pra lá e, qual desertores, abandonam a luta e vão cuidar de sua própria vida.

Lembro-me que em viagem do Rio a Salvador no início dos anos 80, quando mergulhados em uma das muitas crises econômicas pelas quais passamos, mantive uma discussão acalorada sobre política e economia com um alemão que viajava ao meu lado; Na verdade, eu viajava do lado dele. Eu funcionário e ele diretor da multinacional alemã onde trabalhava naqueles dias. Resolvi romper a barreira e iniciar uma conversação. O “Fritz” entrou na conversa. Quando deixei transparecer a orgulhosa veia patriótica ao afirmar que o Brasil seria uma superpotência, o alemão respeitosamente disse que duvidava, e pior, ou melhor, com a fria franqueza germânica apresentou um rosário de motivos que atingiu minha jovem e afogueada pretensão… “Vocês não tem disciplina - dizia ele em seu português claudicante – nem disposição para brigar!

Calei-me diante daquela terrível opinião. Pensei comigo: “Então é assim que nos vêem?” Fiquei remoendo ressentido as palavras do branquelo e a partir daquele dia tomei antipatia por ele (é mesmo assim que costumamos fazer quando alguém ousa nos dizer verdades que incomodam). A conversa logo tomou outro rumo com a intervenção do piloto que anunciava os procedimentos de pouso; dentro de alguns minutos estaríamos aterrissando em Salvador. Quando o comandante mencionou o calor que fazia na capital baiana, desejando aos turistas uma excelente estadia, comecei a sentir uma “leseira” só de pensar nos dias de trabalho duro que teria pela frente… Apertei o cinto e pensei comigo mesmo, “O alemão tem razão, nós não queremos tomar a bastilha coisa nenhuma…Vamos adiar a revolução…”

As vezes ouço pessoas inconformadas dizerem: “Estou cansado(a) desse país!” como se houvesse alguma coisa de errado com nossa querida terra brasilis; Pois garanto que não há! Se alguém quiser sustentar o argumento de que esse país não é maravilhoso, vai fracassar pateticamente diante das provas arrasadoras reunidas por qualquer um que atue como advogado de defesa. O problema nunca foi o Brasil! Esse país é abençoado demais!

Os convites ao levante não surtem efeito porque os brasileiros parecem seguir uma lógica que opta sempre pela lei do menor esforço. Somos explorados da maneira mais vexatória, submetidos a uma carga tributária abusiva, pagamos caríssimo por itens que, não fora a rapinagem legal do Estado, sairiam por muito menos… Juros abusivos, impostos abusivos, serviços de péssima qualidade, direitos descaradamente desrespeitados e ultrajes sem fim, e ainda assim nos calamos.

Reconhecemos que precisamos de uma revolução, mas revolução requer um preço que geralmente não estamos dispostos a pagar: sacrifício. De algum modo sabemos que não existe revolução sem desgaste, desconforto, cansaço, riscos… Se pensarmos bem, necessitamos de revoluções em vários aspectos. Nossa vida pessoal, ministerial, familiar, nacional… Se quisermos ver mudanças reais em qualquer dessas áreas teremos que articular os elementos necessários, mobilizar esses elementos e permanecer firmes no propósito de execução das decisões tomadas. Tudo isso dá muito trabalho. Diante dos desafios não é raro a desistência e deserção. Voltamos para o enganoso conforto oferecido pela mediocridade e nos entregamos à resignação comum aos vencidos. Adotamos a filosofia da indolência que se traduz por algo do tipo:”vamos deixar como está para ver como é que fica.” Protelamos. 

O termo revolução compreendido em seu sentido original trás uma explicação surpreendente. Revolução, do latim ‘revolvere’, de onde temos a palavra ‘revolutio’, é o ato de re-volver, ou seja voltar atrás, retornar ao ponto de origem, voltar ao lugar a partir do qual as coisas perderam o rumo. Não constitui, portanto, um movimento para frente. Isto envolve o duro exercício de nadar contra o fluxo. A bíblia nos apresenta em vários textos um convite à revolução no seu sentido mais original. Uma das mensagens centrais do Evangelho é o arrependimento. Arrepender-se é mudar de mentalidade, voltar atrás na prática do erro qualquer que seja.

Dois textos em especial me vem à memória. Primeiro aquele encontrado no livro do profeta Jeremias. “Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele.” (Jr 6.16) O estado do povo de Israel era tão grave que medidas cosméticas apenas não resolveriam. Precisavam de uma revolução! A solução está em perguntar pelas veredas antigas.

Do mesmo modo o Senhor adverte os crentes de Éfeso, sugerindo a revolução como escape. “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e volta a pratica das primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.” (Apoc 2.5)  Se sabemos que as coisas não estão bem, precisamos fazer alguma coisa a respeito. A pergunta é se teremos disposição suficiente para arcar com o preço que as mudanças demandam. Se não estamos dispostos a fazer algo, então é melhor pararmos de sair por aí criticando pessoas e instituições. Não existe entidade problemática, quer seja família, empresa ou igreja; Existem indivíduos problemáticos. Precisamos escolher o nosso papel. Podemos fazer parte do problema ou compor o time da solução. Como o problema passa sempre pelo nível do indivíduo, bom seria se iniciássemos essa revolução lá em casa, antes de irmos ao púlpito ou à tribuna!

23 23UTC março 23UTC 2011

O Que Dizem…

Filed under: Pensamentos — luiz leite @ 6:14 am

 

 

 

 

 

 

 Comentando OS SANTOS DA MINHA ÉPOCA

“Luiz Leite ler seus artigos faz-me bem, sinto-me tomando um café com “leite” na companhia de um Luiz Descartes. Que Deus lhe capacite com mais e mais inteligência espiritual.
Abraços.” (Carlos Teixeira)

 

Comentando OS NÚMEROS DE 2010

“Parabéns! você é um dos mais respeitáveis escritores que conheço, e por isso indico sempre… você vai mais longe que imagina! abração!” (Sueli Cunha)

 

Comentando PROPOSTA SÓRDIDA

“Que postagem de sustância!!!!! Vou levar para meu blog. Nâo só como link, mas também como postagem. Isso está muito 10!” (Rosângela)

 

Comentando QUEM OUSARIA?

“Muito precioso esse artigo. Nesses dias temos visto isso pessoas que aparentam uma vida espiritual, e tem trazido engano epara igreja.” (Lídia Graziele)

 

Comentando MITOLOGIA E PRECONCEITO

“Obrigada por me esclarecer 1 pouco mais sobre Pandora, havia pesquizado quando assisti alguns filmes onde aparecia a caixa de Pandora, sempre tao temida…” (zuleika)

 

Comentando MEA CULPA

“(…) publiquei os dois artigos do Sr. no primeiro momento em que li a primeira estrofe do texto, e obviamente não me arrependi. E não é nem necessário comentários sobre (…) seu digníssimo trabalho.
Não tinha o menor conhecimentos deste fatos históricos, e me senti extremante envergonhado…” (Douglas)

 

Comentando HOMENS E CIDADES

“Parabéns pelo blog. Aproveitei a visita e o adicionei na minha lista de links! =]” (Pavarini)

 

Comentando MEDIOCRIDADE

“Como sempre ESPETÁCULAR. Sinto um pesar profundo ao me identificar com este post, mas ainda está em tempo.” (Amanda)

 

Comentando A MALDIÇÃO DOS BOTOCUDOS

“Um amigo e eu estamos escrevendo um livro sobre a história da Colônia Alemã Santa Isabel, Espírito Santo (…); Quero saber se podemos inserir em nosso livro o que aqui está escrito. Claro, preciso uma autorização do autor. Será muito importante para nós…” (Joel)

 

Comentando QUE PAÍS É ESSE?

“De fato, como não ficar triste frente a tudo isso?” (Abnadabe)

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